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domingo, 6 de junho de 2010

Ditadores do livre mercado - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Craig Venter é bem uma verdade antropológica que supera esquemas filosóficos excessivamente determinísticos. Basta que se ponha Donald Francis em confronto com aquele biólogo ambicioso, cujo maior desejo era se tornar bilionário e famoso numa única tacada. Venter e Francis fizeram suas vidas na mesma matriz de ambições e concentração de poderes que são os EUA. Venter foi por um rumo e Francis por outro. Mesmo que estuários do mesmo do “destino confesso” isso faz uma enorme diferença.

Craig Venter olha para o mundo como uma massa amorfa a se dar forma. E ele deseja sozinho ser escultor desta massa, traduzindo o mesmo vício imperial do seu país. E tem mais, e isso é importantíssimo, pois nem toda crítica deseja superar uma ordem injusta para implantar outra mais democrática. Ele se torna famoso e milionário (mas o objetivo é ser bilionário) justamente porque baixou a lenha sobre a burocrática estrutura pública dedicada à decifração do código genético humano. Só que o objetivo do pequeno ditador era simplesmente criar uma estrutura de exploração humana sobre aquilo que era a sua essência no sentido mesmo da metafísica, embora à primeira vista não pareça. Ele simplesmente desejava controlar o código genético humano. Como agora vem com mais esta jogada da chamada “vida artificial”.

O modelo empresarial dos antigos médicos de Hitler ao patentear o código genético humano teria direito a um naco de cada ser humano. Isso significa que daí em diante qualquer conhecimento sobre biotecnologia e farmacologia de natureza humana, de alguma forma, iria pagar pedágio a esta versão da Microsoft na biotecnologia. Neste ponto Craig Venter seguia o modelo esperto dos softwares proprietário que diariamente tomam “impostos” de milhões de operações banais em computadores pessoais. Este Bill Gates da biotecnologia é um ser especialmente a ser combatido,denunciado e expostas as suas contradições.

Não me esqueci do Don Francis. O Craig Venter tem sua ambição forjada como biológico do exército americano na guerra do Vietnã. Em corpos mutilados por armas de fogo e armadilhas rústica dos Vietcongues. Já o Don participou na erradicação da varíola em três continentes (Ásia, África e Europa), esteve no controle da epidemia de Ebola na África, foi um dos pioneiros no estudo da vacina contra a Hepatite B nos EUA e China e depois participou dos estudos que traduziu a epidemia de AIDs e inclusive do seu agente viral, tendo sido um dos primeiros cientistas a revelarem o modelo da etiologia viral da síndrome.

Donald Francis foi do CDC (Crontol Disease Center) e sempre trabalhou na saúde pública americana, tendo sido aposentado por pressão de Bush Jr. Já Creig quando saiu do exército americano se dedicou às empresas privadas, procurando o mesmo modelo de poder de Bill Gates. Enquanto Don viveu na periferia do mundo, se expondo em nome de uma vontade coletiva, inclusive da Organização Mundial de Saúde, o Creig percebendo o boom econômico dos EUA após a década de 70, foi para sofisticados e esterilizados laboratórios coordenar cientistas, enquanto noutra ponta penetrou o mundo da bolsa de valores prometendo remunerar capitais numa escala jamais vista.

O que a aventura de Don Francis afinal leva é uma fragilidade empresarial em tudo que ele se meteu no setor privado. Agora mesmo busca uma vacina para a Dengue,certamente ganhará muito dinheiro e remunerará os capitais investidos, mas ainda se encontra numa escala limitada do controle humano. A patente um dia cai e o mundo fica beneficiado com a vacina. Já o que Creig deseja é simplesmente o poder, absoluto, irresoluto das suas decisões, que ao longo do tempo degeneram em vontades periféricas que se prestam apenas aos humores patológicos deste tipo de poder.

Aí não existe mais progresso humano, tudo se resume meramente à exploração econômica, científica e cultural. Com estes códigos revelados, não tenhamos dúvidas, virão uma série de normas antropológica a serviço de alguma área de exploração e padronizando o que antes eram oportunidades naturais ou induzidas. Um sujeito com um poder deste é horizonte finito das possibilidades humanas.

Pensamento para o Dia 06/06/2010


“Para fixar-se na contemplação do Senhor onipresente, não há nenhuma limitação de tempo e lugar. Não há nada como um tempo auspicioso ou um lugar sagrado. Onde quer que a mente se deleite na contemplação do Divino, esse é o lugar sagrado. Onde quer que a mente medite no Senhor, esse é o momento auspicioso. O mundo pode alcançar prosperidade através de almas disciplinadas cujos corações são puros e que representam o sal da terra. Todos, a partir deste momento, devem orar para o advento de tais almas santas, tentar merecer as bênçãos das grandes almas, esforçar-se para esquecer os próprios sofrimentos e promover o bem-estar do mundo.”
Sathya Sai Baba

sábado, 5 de junho de 2010

O REGIONALISMO ESQUECIDO - POR PEDRO ESMERALDO

Observamos a queda de projeções do regionalismo do Cariri.

Às vezes ficamos pensativos e perplexos com a queda cultural e dos costumes populares da cidade do Crato. Tudo isso é causado pelas alterações de valores grupais conseguido pela tradição. Não obteremos mais aqueles hábitos do passado que, com certeza, nos davam prazer em conservar as nossas tradições comparativas dentro de métodos populares e que usávamos com maneiras de exercer as relações de amor profundo nas conservação das tradições e de amizade.

Olhando sistematicamente pela maneira de ordenar as ações, segundo esses princípios, notamos que houve uma reviravolta no sistema de produção, já que a nossa economia era predominada pelas agricultores de cana-de- açúcar e de algodão. Devido á modernização das indústrias, houve um baque em nossa economia rapadureira, ocorrendo a plantação do modernismo que visava somente o lucro e como também contribuiu com a retirada em massa do homem do campo para as cidades e, conseqúentemente, afastou-se do meio rural as tradições folclóricos; contribuindo para dilacerar os efeitos tradicionais folclóricas do Crato. Com o advento da energia elétrica, observamos uma serie de mudança de costumes regionais, quer pelos hábitos da palavra, quer pelos hábitos dos vestiários e alimentícios etc.

Lembramos que, outrora os engenhos de cana foram os pontos de partida para a expansão do folclore regional: como maneiro pau, reisado, coco, xaxado etc. Para se ter uma ideia ampla e irrestrita, relembramos todos os acontecimentos passados fixando os olhos em regiões de costumes alterados que teem como consequência a nacionalização usual do comportamento humano.
Desse termo, principalmente do terceiro milénio, determinamos que houve uma mudança bruscas em todas as atividades pessoais que, ás vezes, permanecem perplexidade diante desses costumes modernos e que nem podemos acreditar, pois, ficamos remoendo estes ditos costumes quando vemos desaparecer os costumes antigos.

Não ficamos somente por ai, pois esse cargo de aculturação da nossa região do período moderno aconteceu mais serenamente com aproximação do rádio e da televisão, já que houve uma completa aculturação alimentícios como: O churrasco, feijoadas, outras variedades de alimentos que não podemos enumerar devido a ocupação de espaço bem prolongado.

Notem ainda que o folclore é o estudo da tradição popular através do povo civilizado, é sustentado pelo esforço dos intelectuais, que mesmo pessoas acompanham o seu valor estimável já que este tipo de costume antigo como: reisado, maneiro pau, banda cabaçal e outros andam se arrastando por que há uma influência melíflua com a dança extemporânea como: lambada, roque e outros.Atualmente, os intelectuais tentam conservara as tradições observando o retraimento da camada popular desse meio ante a valorização do tradicionalismo e agora retrai, mudando o seu comportamento de costumes extemporâneos.

Para se ter uma ideia, falando do esforço dos filhos do mestre Dedé Luna, que lembra o grande mestre folclorista do reisado do Crato, lutam com trabalho pessoas alheias a fim de sustentar a tradição cultural colocando as mulheres em vez de homens para preservar a tradição, pois os homens teem vergonha de enfrentar essa brincadeira ingénua. Notamos que a maioria de povo desconhece o folclore regional, por exemplo: antigamente tínhamos nosso vocabulário próprio, que hoje está alterado, ex: antigamente dizíamos bigu, que significa carona (hoje desconhecido da mente do povo); assim por diante fomos perdendo o costume vocabulário regional só assim mostramos as dificuldades que possui os intelectuais em conservar o folclore, queremos que permaneça o uso do vocabulário nosso e também conserve todas as atividades folclóricas da nossa região.
Crato - CE, 31 de maio de 2010.

URCA EM NOTÍCIAS

Sede do escritório do Geopark será centro de visitação neste sábado

Cerca de 200 pessoas devem visitar o escritório do Geopark Araripe neste sábado, 05, como parte da programação da XI Conferência do Distrito LEO LA-4, promovida pelo Lions Clube do Crato. São estudantes, pesquisadores e interessados em conhecer mais sobre as ações do Geopark. Para recebê-los uma equipe ficará a disposição. Uma palestra de apresentação do Geopark Araripe está programada para às 10 horas, na sede do Geopark Araripe, em Crato, pelo Geólogo do Geopark, Francisco Idalécio de Freitas. Com o tema “Responsabilidade Social: Propondo idéias, buscando mudanças”, a XI Conferência do Lions começou ontem, 04, e se estende até hoje, 05. Várias atividades estão sendo oferecidas como palestras, ações na Praça da Sé e visitações.

Geopark Araripe desenvolve ações na Semana do Meio Ambiente
O Geopark Araripe desenvolveu, durante esta semana, diversas atividades voltadas ao dia do meio ambiente, comemorado hoje, dia 05. Dentro da programação, de 31/05 a 05/06, promovida em parceria entre Secretaria de Meio Ambiente de Crato (SEMAC) e com a ONG Aquasis, foram feitas palestras sobre observação de pássaros. Oficinas, gincanas e circuito de visitação ao patrimônio histórico, cultural e ambiental da Chapada do Araripe também integram a programação. Outros municípios caririenses também tiveram atividades do Geopark. Nos municípios de Jardim e Barbalha foram ministradas palestras, na ocasião da apresentação do projeto do Pau da Bandeira. Parte das atividades esteve aberta ao público em geral.

Encerradas inscrições para bolsas de monitoria universitária
Encerrado o prazo de inscrição dos Professores Efetivos da URCA para o Projeto de Monitoria Universitária. A PROAE informa que se inscreveram sete professores. O Professor José Cavalcanti, Pró-Reitor de Assuntos Estudantis, disse que o projeto tem sido de grande relevância para o estudante, estimulando o aluno para a docência superior. Além de proporcionar o conhecimento, o aluno tem direito a uma bolsa no valor de R$150,00.

Fonte:
Assessoria de Comunicação
Universidade Regional do Cariri - URCA
(88) 3102-1213
e-mail urca.imprensa@gmail.com
site www.urca.br

TEATRO NAS RUAS DO CRATO!!!

ESPETÁCULO "A COMÉDIA DA MALDIÇÃO" E REISADO DEDÉ DECOLORES DEDÉ DE LUNA DO MURITI
SÁBADO, DIA 5 DE JUNHO DE 2010 - 19 HORAS - TERREIRO DEDÉ DE LUNA - MURITI - CRATO-CE



A Cia. Cearense de Teatro Brincante - Ponto de Cultura do Brasil - está desenvolvendo o projeto "COMÉDIA NA RUA DAS TRADIÇÕES".

Em sua primeira etapa, tem a circulação do espetáculo teatral “A Comédia da Maldição”, escrito e dirigido por Cacá Araújo, na modalidade “teatro de rua”, em praças públicas e terreiros de mestres da cultura tradicional do município de Crato, durante os meses de maio e junho de 2010, oportunidade em que se dá a integração/vivência com folguedos e artistas populares.

A estreia aconteceu no dia 30 de maio passado, com apresentação da peça no terreiro do Mestre Cirilo, com a participação do Maneiro Pau e de grande público, no distrito da Bela Vista.


“A Comédia da Maldição” é a fantástica e misteriosa história de uma bela jovem que se amancebou com um padre e foi condenada a uma terrível maldição: virar mula-sem-cabeça! Uma das mais tradicionais lendas brasileiras recontada num grande espetáculo de rua para todas as idades...





AGENDA: CRATO-CE

MAIO/2010

- Dia 30 (domingo) – 19 horas – Distrito da Bela Vista (Vila Padre Cícero - Terreiro do Mestre Cirilo)
Espetáculo a “Comédia da Maldição”, da Cia. Cearense de Teatro Brincante, com a participação do Maneiro Pau do Mestre Cirilo.

JUNHO/2010

- Dia 05 (sábado) – 19 horas – Bairro Muriti (Terreiro do Mestre Dedé de Luna)
Espetáculo a “Comédia da Maldição”, da Cia. Cearense de Teatro Brincante, com a participação do Reisado Decolores Dedé de Luna do Muriti.

- Dia 09 (quarta-feira) – 19 horas – Bairro Gisélia Pinheiro (Batateiras)
Espetáculo a “Comédia da Maldição”, da Cia. Cearense de Teatro Brincante, com a participação do Coco das Mulheres da Batateiras.

- Dia 12 (sábado) – 20 horas – Praça da Sé
Espetáculo “A Comédia da Maldição”, da Cia. Cearense de Teatro Brincante, com a participação da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto.


FICHA TÉCNICA:

Atores/Personagens

Cacá Araújo: Tandô
Carla Hemanuela: Mãe Luzia
Charline Moura: Irmã Francilina
Jardas Araújo: Cantador
Edival Dias: Padre Sebastião
Joênio Alves: Dono da Bodega
Jonyzia Fernandes: Ana Expedita
Joseany Oliveira: Leide Zefa
Josernany Oliveira: Brincante da Mula
Lílian Carvalho: Beata Carmélia
Lorenna Gonçalves: Cibita
Márcio Silvestre: Vigário Felizberto
Mariana Nunes: Zulmira
Orleyna Moura: Viúva Fantina
Paulo Henrique Macêdo: Fotógrafo Jorjão
Samara Neres: Ladra

Músicos

Lifanco (viola) e elenco (percussão)

Participação Especial


Maneiro Pau do Mestre Cirilo da Bela Vista
Reisado Decolores Mestre Dedé de Luna do Muriti
Coco das Mulheres da Batateira
Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto

Técnica

Texto e Direção Geral: Cacá Araújo
Assistência de Direção: Orleyna Moura
Cenografia: França Soares
Sonoplastia: Cacá Araújo
Iluminação: Danilo Brito
Maquiagem: Carla Hemanuela e Joênio Alves
Figurino: Orleyna Moura e Carla Hemanuela
Guarda-Roupa: Luciana Ferreira
Operação de Som: Gabriela Melo / Eveline Limaverde
Operação de Luz: Danilo Brito
Música: Lifanco e Cacá Araújo
Produção Executiva: Mônica Batista
Produção Geral: Sociedade Cariri das Artes


APOIO:

Secretaria de Cultura do Município do Crato
Prefeitura Municipal do Crato
Secretaria de Cultura do Estado do Ceará
Governo do Estado do Ceará
Ministério da Cultura – Programa + Cultura / Cultura Viva
Governo Federal
Circo-Escola Alegria
Sociedade de Cultura Artística do Crato
Centro de Ativação Cultural Poeta Cego Aderaldo
Coletivo Camaradas
Imprensa
Blogues

sexta-feira, 4 de junho de 2010

E os cobras, onde estão? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Dedicado ao primo e amigo José Flávio Pinheiro Vieira

Não faz muito tempo que as cidades do Cariri não tinham uma universidade. Muitos cratenses, por falta de recursos, não conseguiram concluir um curso superior por não existir na região aquele que correspondesse à opção desejada. Outros concluíam os cursos de Economia e Direito, ou os de formação para professores até então existentes no Crato, como História, Letras, Geografia e Ciências. Para os pais era um sacrifício incalculável manter os filhos estudando em um grande centro. Muitas famílias cratenses foram forçadas a migrar do Crato para Recife, Salvador, Natal, Fortaleza, João Pessoa e outros centros universitários para acompanharem os filhos que para lá seguiam, a fim de obterem uma formação profissional. Isso representava um grande prejuízo para a região, que se empobrecia com a partida de preciosos valores humanos.

O professor Manoel Batista Vieira, carinhosamente conhecido por Vieirinha por todos os cratenses, fazia parte da linha de frente de excelentes mestres que consagraram o Crato como cidade pioneira na educação no interior do Estado e centro cultural do sertão nordestino. Durante muitos anos ele lecionou latim e português em vários colégios do Crato.

A história a seguir me foi narrada pelo primo e cunhado Huberto Esmeraldo Cabral e confirmada pelo filho do Professor Vieirinha, o médico José Flávio Pinheiro Vieira.

Quando os filhos do velho Vieirinha precisaram ingressar na universidade, ele decidiu acompanhá-los. Requereu a aposentadoria e mudou-se para capital pernambucana.

Para o professor Vieira, homem afeito às coisas do sertão, acostumar-se a viver numa grande cidade foi uma dificuldade indescritível. Sua vida ali, no meio de tantos rostos estranhos, fazia com que para ele, os dias se arrastassem como se fossem séculos. Até que um dia, viu um aviso para seleção de professor de português para um colégio da rede pública. Após muito matutar, e incentivado pelo amigo Monsenhor Rubens Lócio, resolveu se inscrever. Ao chegar à mesa de inscrição, a funcionária perguntou de onde ele era e se possuía experiência como professor. Ele mostrou toda a documentação comprobatória, afirmando que era cearense de Várzea Alegre e lecionara por alguns anos nos colégios do Crato, conforme ela poderia observar em sua documentação. Ao verificar que ele era do interior cearense, a funcionária encheu-se de superioridade e desejando intimidá-lo perguntou: “O senhor vai ter coragem de se inscrever? Aqui só tem cobra!” E o professor Vieirinha respondeu: “É moça, não custa nada “os minhocas” enfrentarem ‘os cobras’.” As palavras daquela funcionaria encheram de brios o professor Vieira, que fez uma revisão apurada de todo latim e português, que havia aprendido em anos de estudos no Seminário do Crato e no Seminário Maior de Fortaleza, onde concluíra teologia.

Após prestar as provas exigidas pelo concurso, no dia marcado para divulgação do resultado, o professor Vieira voltou ao local onde fizera a inscrição e procurou a mesma funcionária. Ela começou a consultar a lista dos aprovados, procurando encontrar o nome dele de baixo para cima. E ele observava: “Olhe mais em cima, moça”. E ela continuava olhando os nomes em ordem decrescente. Quando já percorria a metade da folha, ela lhe disse: “É, parece que o senhor não passou!” E o nosso Vieirinha insistia: “Mas moça, olhe mais em cima, por favor. Bem mais em cima!” Ela, a contragosto, obedeceu, até que chegou ao topo da lista. E tomada de grande surpresa, exclamou: “Puxa! O senhor foi aprovado em primeiro lugar!” E nosso Vieirinha com a humildade e misto de bom humor que lhe eram característicos, perguntou: “Moça, e os cobras onde estão?”

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Pensamento para o Dia 04/06/2010


“As pessoas dizem: "Serviço ao homem é serviço a Deus". Sem dúvida, o serviço à humanidade é santo, mas a menos que esteja fundido a um ideal maior, as pessoas não irão se beneficiar dele, não importa quão grande a magnitude do serviço. Você deve ter fé na divindade essencial de cada pessoa e ter o Senhor em sua mente. Se você também aderir ao caminho da Verdade e da Conduta Correta, então ele será considerado como serviço ao Senhor. Mera repetição do slogan é inútil, se o serviço é feito sem a fé na Divindade que está em tudo, e com um olho no nome, na fama e nos frutos de sua ação.”
Sathya Sai Baba

Expocrato - Uma visão goela abaixo.


Estamos no ano de 2010. Os tempo evoluíram tanto que não sabemos direito o que nos vem pela frente. A cada minuto temos a sensação que o segundo que passou já está obsoleto. Tudo é ultrapassado, as novidades não são mais ditas, são observadas e descobertas a cada instante. Em um mundo midiático, guiado para você, funcionando de acordo com as suas preferências (ah se fosse realmente assim!), gostos e ideologias, vem ainda muitas sensações de engolir a seco. Você vive frequentando lugares e vivendo de acordo com o que te faz bem. É a democracia da escolha, do gosto, da sensação de prazer. Será que a nossa constante insistência em viver é obsoleta? Será que temos realmente que admitir que estamos ultrapassados? que temos que pendurar as chuteiras e deixarmos de ser ranzinzas?
As últimas versões da Expocrato, há cerca de 10 anos, vem me dando essa sensação. Engulo à seco e choro intimamente quando tenho o desprazer de ver a programação musical dessa festa que acontece exatamente no Cariri, região cantada, versada e dita como expoente da cultura do nosso país. Nessa festa que tomou rumos e proporções inacreditáveis. Nesse evento que traz para todo o caririense a sensação de unidade, de sentir a alegria de que ser dessa região é ser feliz, e que, ainda, temos orgulho de receber os turistas, seja em hotéis e pousadas, que ainda são poucos para o evento, seja nas nossas casas, que se abrem impressionantemente para receber os nossos familiares e convidados. Mas a festa cotinua e a farra com as nossas emoções e nossos princípios culturais anda à solta. Marcada pela imposição goela abaixo de quem faz a programação musical da expocrato e desfaz os nossos gostos, as nossas preferências e ditatoriamente diz: "Não! Você tem que ver e ouvir o que nós queremos, e tem mais, vai pagar caro por isso!". "We don't need no education". Nós não precisamos de educação. Nós não precisamos ser controlados. Nós queremos é ter acesso e direito aos nossos direitos. Nós queremos música de verdade, diversão e arte. Não nos interessa seus cofres cheios e os nossos bolsos secos. Não nos interessa a sua ignorância inconsequente. Precisamos e queremos sim, a nossa alma e o nosso coração vivos e felizes por ser parte da história viva da região do Cariri, e por sermos disseminadores de tudo isso, por esse mundo afora.
Descruzemos os braços. Façamos a nossa parte. Vamos nessa Cariri!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Estados Unidos da América - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Este não é um blog que se façam postagem de poesia. Mas esta, de 26 de maio de 2002, parecia mais um desabafo que uma advinhação. Poderia ser apenas uma canção tão fácil de cantar, menos algo como um canto profético:

Se olhares e o mundo já não for o mesmo,
Desespere-se se for o “mesmo” a tua matéria,
Pois o teu desafio diário continua em regra,
E no entanto todo o globo estar a desregrar-se.

Teu futuro aplicado num fundo de pensões,
Teus bens valorizados pela força da tua moeda,
Feito padrão internacional às expensas das armadas,
E o fast-food diário já não mais parece possível.

Mais do que a vitória do teu estilo,
O mundo se constrói em forças que te corroem,
Seja a Al Qaeda ou os denegridos Talebans,
Quem sabe a bomba atômica na fronteira da Caxemira.

Como foi acontecer no ano 29,
Tudo de repente pode mudar e o crack se realizar,
Não apenas dos ativos financeiros,
Mas os estilos que fazem a vida tua.

Teu senso de liberdade que já não mais liberta,
Tua volúpia que te faz ser, rumo ao fim precoce,
Como tuas torres a pulverizar-se quando antes tão sólidas,
Teu mundo parece abatido por um adolescente de tiros ermos.

E teu senso aberrante é o desmonte do que te foi comum,
Pois nada mais virulento que as máfias e grupos armados,
Que atravessam a sociedade como uma borracha apagando o Estado,
Os bancos lavando os dólares originais das drogas que inativam os teus.

O teu mal não se resume ao que fizestes aos outros,
O teu grande mal é o que fizestes a ti mesmo,
Pois ao largo corria um mar de desgraçados,
E não te preparastes para a desgraça.

Como o Afeganistão em chamas,
Os abutres a bicarem os restos dos despojos,
Sentirás na própria pele a revolta das tuas entranhas,
Tão celerada como os outros a quem condenastes.

E o pior é que nós, os desgraçados, nem nos alegramos com isso

Visitando Karimai

Foto: LC Salatiel
Quando um mestre se pronuncia tudo se aquieta. O sol do final de tarde torna-se mais brilhante. Aquele passarinho na mangueira do quintal canta mais bonito e altaneiro. O vento, quase sempre irritante, vira brisa suave. E a noite desce sem pressa e sem aquele breu assustador.

Esta foi a sensação que se apoderou de mim e, com certeza, de todos os que estavam comigo – Salatiel, Zé Flávio e Reginaldo – na visita ao mestre Luiz Karimai.

Foi neste final de tarde de feriado de Corpus Christi. Salatiel me ligou convidando pra visitar Luiz Karimai, que anda um pouco adoentado (ah, essas intempéries da vida).

Fomos, pois, no carro de Zé Flávio. Destino: rua João Henrique Brasileiro, 596, Tiradentes, Juazeiro do Norte. Lá mora um mestre. Ou melhor, o mestre Karimai. Lá funciona o seu ateliê de vida e de sabedoria. “Lá o Tsé manifesta”. Lá o tempo pára esperando que a pressa se canse. O tempo é uma ampulheta nas mãos do mestre.

Salatiel levou umas oferendas: uma camiseta da copa e um estojo de lápis colorido. Zé Flávio, como um bom mecenas, escolheu “dois karimais”, retirando-os da parede como quem pega, naturalmente, dois pacotes de arroz integral da prateleira. Eu tentei fechar os olhos pra tão-somente ouvir o mestre falando.

Karimai falou palavras certas. Mas falou sem pressa, pausadamente e com o coração latente. O cérebro do “japinha” é genial, como bem observou Zé Flávio, já na volta. Quem pouco falou foi Reginaldo (mas esse é discípulo e discípulo pouco fala).

Um gesto de humildade – Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Há alguns anos, eu estava assistindo a celebração do Lava-pés, na Quinta-feira Santa, na paróquia que participo em Fortaleza. É muito significativa para a Igreja Católica essa celebração da Ceia do Senhor.

A missa do Lava-pés relembra o gesto de Jesus Cristo, que lavou os pés dos discípulos em sinal de humildade, solidariedade e igualdade entre os homens. A cerimônia lembra também, quando Jesus instituiu a Eucaristia, ao partir o pão e distribuir com os seus discípulos.

Eu estava sentada num local privilegiado, bem em frente ao altar, pois tinha sido escalada para fazer uma leitura. Dali poderia ver bem de perto a cerimônia do Lava-pés. Já tinha doze homens escolhidos com antecedência para representar os apóstolos. Anualmente são escolhidos homens conhecidos e que participam dos trabalhos da comunidade paroquial, geralmente representantes das diversas pastorais. Estavam sentados na lateral do altar, seis de cada lado. Todos vestidos com uma túnica apropriada, os pés limpos, pois o padre iria passar lavando, enxugando e beijando os pés de cada um. Quando o padre iniciou a cerimônia do Lava-pés, um mendigo entrou pela nave principal da igreja, sujo, mal vestido, com um saco preso às costas. Ele ficou em pé de frente para o altar, interessado em ver o que o padre estava fazendo. Parecia ser o mais excluído dos excluídos, tão pobre e miserável era a sua aparência. Como os lugares estivessem todos ocupados, o padre fez um sinal para que ele sentasse no batente do altar. O homem ficou atento. Pensei que o padre iria mandá-lo sair. Esse padre havia chegado à Paróquia há poucos dias e, as pessoas estavam falando que ele era antipático, pois não cumprimentava ninguém e tinha a cara muito fechada. Esse tipo de falatório ocorre sempre quando existe uma mudança de comando na direção de uma paróquia ou de qualquer organização.

Tão logo o padre terminou de lavar os pés dos homens que representavam os apóstolos, desceu o batente com a jarra de água e lavou os pés imundos daquele excluído, enxugou-os e beijou-os. O pobre homem ficou tão surpreso com esse gesto de demonstração de amor, que quis beijar o sapato do padre. Mas este não deixou.

Senti naquele momento a presença Deus, mandando um sinal para a comunidade aceitar o padre e entender que as pessoas podem ter defeitos e qualidades. Também percebi que Deus queria mandar um recado para todos nós: exercitar o amor pelos excluídos da vida. Que fazendo a nossa parte, ajudaremos a construir um mundo melhor, com mais paz e justiça para todos. Tudo isso me tocou profundamente e passei o resto da missa tentando enxugar as lágrimas que teimavam em rolar pela minha face. Para mim, foi emocionante ver o padre imitando o gesto de humildade de Cristo. Esse fato serviu de exemplo para mim e penso que para todos que estavam próximo daquele local.

Depois daquela ocorrência, muita gente que presenciou esse momento marcante passou a admirar e aceitar o padre, que com aquela atitude nos deu uma lição de como devemos exercitar a nossa humildade.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Professor Francisco Cunha é empossado no Conselho Estadual de Educação

O professor da Universidade Regional do Cariri, Francisco de Assis Bezerra da Cunha, foi empossado como conselheiro do Conselho Estadual de Educação do Ceará. A solenidade de posse ocorreu neste último dia 2 de junho, no Auditório Coronel Murilo Serpa, do Conselho Estadual de Educação, em Fortaleza. O professor Francisco Cunha foi nomeado recentemente para a função de conselheiro estadual de Educação pelo governador Cid Ferreira Gomes.

O Colegiado é composto de dezoito conselheiros e três suplentes de conselheiros, com mandato de quatro anos, sendo permitida a recondução aos cargos.

Conheça o Conselho de Educação
- Presidente do Conselho Estadual de Educação: Edgar Linhares Lima
- Vice-Presidente do Conselho Estadual de Educação: Ada Pimentel Gomes Fernandes Vieira
- Presidente da Câmara da Educação Básica: Ana Maria Iorio Dias
- Presidente da Câmara da Educação Superior Profissional: Vicente de Paula Maia Santos Lima

Conselheiros
Ana Maria Nogueira Cruz, Francisco Assis Bezerra da Cunha, Henry de Holanda Campos, Jose Batista de Lima, Jose Marcelo Farias Lima, Jose Nelson Arruda Filho, Maria Luzia Alves Jesuino, Maria Palmira Soares de Mesquita, Nohemy Rezende Ibanez, Samuel Brasileiro Filho, Sebastião Teoberto Mourão Landim, Sebastião Valdemir Mourão e Selene Maria Penaforte Silveira.

Conheça mais o Conselho Estadual de Educação
O Conselho Estadual de Educação, no passado, denominado Conselho Técnico de Educação, chamando-se depois Conselho de Educação do Ceará, já conta com quatro décadas. O Conselho de Educação do Ceará – CEC, órgão normativo e de deliberação coletiva é responsável pelas atribuições do poder Público Estadual em matéria normativa e consultiva de natureza educacional, bem como aplicar sanções na área de sua competência.

Fonte: Conselho Estadual de Educação do Ceará

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A peleja de Pedro Honório com Benardo Melgaço - Por Zé Nilton

Por Zé Nilton
Crédito da imagem: ateliedapalavra.zip.net/

Outro dia recebi a agradável visita de dois amigos. O prof. Bernardo Melgaço chegou bem cedinho ao meu rancho. Quando olhei pro caminho, distante, lá vinha Pedro Honório.

A manhã daquele domingo resultou num duelo de titãs. O prof. Melgaço e Pedro Honório. Aquele cabeça; este cabaça. O primeiro, dono de uma mente brilhante armazenada de resultados do conhecimento sobre os homens e o mundo. O segundo, igualmente. A diferença entre os dois está na forma de apreensão da realidade. Cada um, de per si, se serviram do velho padrão dual de acesso ao conhecimento. Melgaço, intelectual orgânico, falou através dos ditames adquiridos pelos mecanismos (nem sempre, ele professa) racionais da ciência; Honório, intelectual orgânico (viva o relativismo do conceito em Gramsci) pela observação direta (senso comum).

Naquele domingo comeu-se um suculento mungunzá, prato preferido do carnívoro Pedro Honório, sem descurar do peixe cozido para o vegetariano Melgaço.

Eu, da cozinha, olhava os olhares dos dois fixados um para o outro. Seu Pedro descia um respeitoso olhar de cima para baixo sobre o prof. Bernardo. Este fitava o rosto de seu Pedro como a contar as rugas de sua vivência. Cada um esperou o mote do outro, respeitosamente.

Quebrou-se o silencio.

- Seu Pedro, disse Melgaço, o Zé Nilton tem me falado do Sr. Disse-me que o Sr. é poeta, contador de histórias, músico, mateiro, uma espécie de capitão do mato, e filósofo, o que me diz ?

- Homi, não é nada disso. A não ser do mato, outra coisa num sou. De quando em vez, dou as minha espiadas nas coisas da vida...

- O que o Sr. vê olhando o mundo ?

- Dr., olhando pro mundo redondo, vejo as composição do universo, tudo perfeito e girando

de um jeito que não se acaba nunca. Eu tenho feito previsão, lendo o “anuário prepeto” ,de coisa que eu digo pros daqui, e eles num acredita. Só acredita quando acontece, e tem acontecido muito...

- Fale-me do que o Sr. já adivinhou.

- Nunca perdo um ano de inverno. Começo em oitubro, nas primeira madrugada. Olho pra barra do nascente, pro vermei do poente, pra localização da estrela Dalva, e aí num tem perigo preu num dizer como vai ser o inverno.

Nesta altura, o prof. Melgaço perguntou a Pedro Honório o que ele lhe diria sobre a vida. Coincidiu também com o meu afastamento dos dois. Permaneci um tempão ocupado entre a cozinha e a frente da casa, atendendo a vizinhos, sem deixar, de vez em quando, de mexer as panelas e ouvir a peleja.

Numa das vezes que acorri ao fogão, o prof. Melgaço discorria sobre a teoria das cordas, um dos novos paradigmas dos inícios. Notei um Pedro Honório boquiaberto. Noutra, seu Pedro perguntava a Melgaço: você sabe por que a vida é um buraco?

Já na mesa, entre mungunzá e peixe cozido eu reparava para as duas figuras. E pensava comigo: os dois estão corretos ou são apenas concepções diferentes sobre as coisas do mundo?

Que o prof., Bernardo Melgaço tenha rápida e pronta recuperação; e que Pedro Honório, aos quase noventa anos, continue firme e forte, e me visitando, para saborear o meu (seu) mungunzá

Por Zé Nilton

COMPOSITORES DO BRASIL


“Vem que passa teu sofrer
Se todo mundo sambasse
Seria tão fácil viver”
(Chico Buarque, Tem mais Samba, 1964).

CHICO BUARQUE
Parte I

Por Zé Nilton

Guardadas as devidas proporções musicais, mas não sentimentais, talvez o meu espanto ao ouvir o Chico pela primeira vez, quando eu subia a rua Mons. Assis Feitosa rumo à Praça Siqueira campos, numa tarde qualquer do ano de 1966, assemelhe-se ao que foi acometido por Caetano, Gil, Chico, Nelson Motta e outros, quando ouviram o inusitado João Gilberto tirando a clássica “Chega de Saudade”, de Tom e Vinícius, com a desconcertante batida de seu violão, em 1959.

O veículo do meu deleite foi o mesmo de alguns dos citados: a amplificadora. No centro da Praça, e espalhada pelos bairros de então, a famosa Amplificadora Cratense sonorizava a música de um tempo que ficou marcado no imaginário de toda uma geração, e contribui para forjar a identidade de nosso povo.

Chico é considerado um divisor de águas entre a bossa nova e a nova música popular brasileira em que o talento dele e de muitos imprimiram uma diversificação rítmica, principalmente na música urbana. O próprio Chico produziu samba, fox - trote, marchinha, bolero, valsa, rock, baião, blues, e vai por aí...

A história da produção artística do compositor, cantor, escritor, teatrólogo e amante do futebol, esse carioca nascido em 04 de junho de 1944, está escrita, reescrita em livros, jornais, teses acadêmicas, e no seu site www.chicobuarque.com.br.

Portanto, não temos nada de novo a dizer, a não ser que sempre percebemos algo de novo toda vez que o escutamos, com frequencia.

Queremos tão-somente homenageá-lo no mês de seu aniversário, e o faremos editando e apresentando uma sequencia de três programas no Compositores do Brasil.

Seguiremos a linha do tempo para que o ouvinte possa acompanhar a evolução musical desse gênio de nossa música, ao tempo em que vamos contextualizando a sua obra no interior dos principais acontecimentos históricos do Brasil recente.

Como suporte, lançamos mão da bela escrita de Wagner Homem no seu livro: Histórias de canções, Chico Buarque, São Paulo, Editora Leya, 2009.

Na sequencia algumas músicas de 1964 a 1966.

TEM MAIS SAMBA (“considerado pelo Chico como marco zero de sua carreira profissional”)
JUCA
LUA CHEIA, de Chico e Toquinho
SONHO DE UM CARNAVAL
PEDRO PEDREIRO
OLÊ, OLÀ
MEU REFRÃO
NOITE DOS MASCARADOS
COM AÇUCAR E COM AFETO
MORENA DOS OLHOS D´ÁGUA
A BANDA
QUEM TI VIU, QUEM TE VÊ

Quem ouvir verá!

Informações:
Programa Compositores do Brasil
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Sempre às quintas-feiras, de 14 as 15 horas
Rádio Educadora do Cariri – 1020 kz.
Apoio: CCBN.
Retransmitido pela www.cratinho.blogspot.com

Grata recordação

Pedro Esmeraldo

No inicio dos anos 30, meu pai iniciou o plantio da cana-de-açúcar no sítio São José. Considero-me uma pessoa privilegiada, pois tive a sorte de conviver no meio da bagaceira, já que meu pai possuía dois engenhos, um em Crato e outro no município de Barro – CE.

Deixou-me como legado um patrimônio auspicioso que foi a educação. Esse engenho teve início em 1930; a principio, de forma rudimentar, movido a tração de bois. No meio da década de 30, mudou para engenho a vapor que perdurou até a vinda da energia elétrica de Paulo Afonso, no ano de 1970, quando desapareceu o predomínio da rapadura, visto que foi substituído pelos alimentos sofisticados dos tempos modernos.

Quando passo pelas ruínas do antigo engenho, no sítio Pau Seco, neste município, tenho grandes recordações daqueles tempos áureos de minha infância. Há mais ou menos 50 anos era um lugar aprazível, aconchegante e que favorecia uma relação harmoniosa de paz de espírito.

Convivi naquele local no meio de pessoas humildes, com comportamentos inusitados, constituídos de várias naturezas, com semblante rústico, precisando de muito sutileza no equilíbrio emocional, decorrente da fadiga pela luta árdua e das canseiras diárias.

Meu pai, um cidadão sério, agricultor arrojado, praticava as atividades agrícolas por vocação. Sabia projetar com equilíbrio o trabalho agrícola. Conduzia com perfeição as manhas dos trabalhadores, mas manejava com altivez e bom senso crítico. Livrava-se dos perigos, utilizando palavras hábeis. Fugia com muita tranquilidade das pessoas ardilosas que o obrigavam a se comportar com o máximo grau de bondade que o respeitavam e obedeciam com sinceridade as suas ordens.

Como já relatei acima, meu pai, homem destemido e hábil, tinha o cuidado de colocar trabalhadores certos nos lugares certos.

Autodidata por natureza, dirigia com perfeição e conhecimento todos os trabalhos inerentes ao campo agrícola, saindo-se muito bem nessa atividade espinhosa, levando com brilhantismo e com direção arejada a luta do campo; sempre acompanhado de trabalhadores experientes, afim de adquirir melhoria de produtividade, já que desejava aumentar o seu patrimônio dentro da tecnologia aperfeiçoada.

Seus trabalhadores tinham uma conduta séria e de comportamento exemplar, por isso granjeou muitas amizades, projetando bom desempenho, mostrando que com trabalho sério e honestidade o homem chega a ter sucesso em seu serviço.

Esses trabalhadores rudes, que mais guardo na recordação da minha memória, vistos pelo seu comportamento zombeteiro, foram indubitavelmente os cambiteiros: eram irrelevantes, com procedimentos duvidosos, senhores absolutos e anarquistas, visto que desrespeitavam a pessoa humana. Tornavam-se figuras intolerantes em seus trabalhos com a posição de homens irregulares no campo de transporte de cana do brejo para o engenho. Nem tudo era desprezo para essa classe de trabalhadores rudes já que desempenhavam com muita satisfação a sua tarefa.

Trabalhavam sem cessar, como prestadores de serviço, pois tinham por obrigação conduzir com 5 (cinco) animais atrelados com arreios rústicos: como a cangalha (peça de madeira artesanal colocada no lombo do animal, revestida de forro e pano de algodão e coro de gado e embutida com produto cactáceo existente nas catingas do nordeste), a cilha (fita de couro que prendia a cangalha na barriga do animal), a focinheira (espécie de cabresto para facilitar o manejo dos animais), a rabichola (que prendia a cauda do animal à cangalha), e o cambito (peça de madeira que facilitava o transporte da cana).

Devido à rusticidade do trabalho, os cambiteiros se tornavam intolerantes aod habitantes aos arredores dos engenhos. Ninguém gostava de sua conduta. Possuidores de comportamento repreensível, tornavam-se intolerantes comprovadamente pela anarquia que, por natureza, ninguém suportava de bom grado, Eram, pois, zombeteiros e intrigantes quando iam pela estrada e não queriam saber quem viesse pela frente. Se a pessoa não se submetesse ao seu comportamento caiam no ridículo.

Certa vez, observei uma cena que me deixou intrigado, preservando-a na memória: um comportamento desses anarquistas que vou relatar neste artigo.

Um dia chegava ao engenho um senhor de tez branca, querendo conhecer o movimento do engenho, mas pelo seu jeito afeminado foi logo observado pelos cambiteiros a partir do seu andar duvidoso. Foi quando, sob gritos, o pobre homem saiu desesperado sem nunca mais pisar em bagaceira nenhuma.

Apenas desejei lembrar e repassar para os amigos como era o regime de cambiteiros e como ainda hoje sinto saudades dos velhos tempos de outrora que não voltam mais e jamais poderão ser substituídos por este modernismo desequilibrado e algumas vezes intolerante.

Sinais da Guerra - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Os brasileiros ainda não sentiram na pele, mas o centro do sistema capitalista mundial está em crise: EUA e Europa. Estamos apegados ao crescimento da China e a certo protagonismo dos emergentes incluindo os chamados BRICs. Diante de mudanças de fundo enormes, inclusive se tomarmos os dados recentes, com o surgimento, por exemplo, da Turquia nos eventos destes últimos 20 dias, relembrando o velho Império Otomano. Aliás, os brasileiros estão ávidos por turismo na Turquia, inclusive aquele religioso. Tudo isso reflete enormes mudanças em curso.

O pensador português Boaventura de Sousa Santos analisando a situação da Europa identifica o ressurgimento das lutas de classe que haviam se reduzido no continente em razão da social-democracia. Finalmente, nos últimos 60 anos a antiga luta de classe entre o operariado e a burguesia capitalista havia chegado a acordo mutuamente vantajoso para os dois lados: “o capital consentiria em altos níveis de tributação e de intervenção do Estado em troca de não ver a sua prosperidade ameaçada; os trabalhadores conquistariam importantes direitos sociais em troca de desistirem de uma alternativa socialista. Assim surgiram a concertação social e seus mais invejáveis resultados: altos níveis de competitividade indexados a altos níveis de proteção social; o modelo social europeu e o Estado Providência; a possibilidade, sem precedentes na história, de os trabalhadores e suas famílias poderem fazer planos de futuro a médio prazo (educação dos filhos, compra de casa); a paz social; o continente com os mais baixos níveis de desigualdade social.”

Agora com as reformas neoliberais sustentadas pelo capitalismo financeiro, levando ao corte nos benefícios sociais (só este ano Portugal fechará 900 pequenas escolas), redução da proteção aos desempregados e estiolamento dos direitos trabalhistas a luta de classe ressurge, a revolta operária toma as ruas e certamente evoluirá para novas formas de violência. Neste ponto o pensador pondera, ou a classe operária, atualmente fragmentada, se junta aos diversos movimentos da sociedade, faz um articulação continental, pois os Estados Nacionais europeus não mais se sustentam, inclusive desvinculando o capital produtivo do especulativo, ou a saída neste clima é o fascismo.

Robert Fisk, célebre jornalista inglês, em artigo de ontem, analisa a tibieza dos governos e aponta o poder popular de volta à cena política ao comentar a ação de ativistas confrontando o bloqueio de Israel à faixa de Gaza. Isso tudo remete para aquele clima de luta de classes e de grandes articulações na luta popular. Por outro lado a situação dos governos e da política mundial é assustadora e os sinais da guerra estão todos à mostra.

Façamos um paralelo entre o cerco Israelense à Faixa de Gaza e aquele dos exércitos nazistas à cidade de Leningrado que não exageramos. Façamos o mesmo, no reverso, do cerco dos russos a Berlim no final da guerra, quando EUA e Inglaterra tentaram furar o bloqueio para que alemães não fosse igualmente vitimados como haviam sido os russos de Leningrado. Isso é o que se encontra por trás desta questão de gaza.

Agora vejam os sinais de guerra: os EUA, que protegem Israel como uma parte de si mesmo - Israel é cada vez mais algo como um Havai que apenas não vota diretamente nas eleições americanas, mas têm uma enorme influencia recíproca – se comportam do modo mais vil possível. Menos de dez dias após querer sangrar o Brasil e a Turquia por uma missão de paz, humilha a inteligência mundial com seus argumentos diante deste ataque de Israel à flotilha que pretendia furar o bloqueio e realizar ajuda humanitária diretamente. Hillary Clinton anunciou, ontem, a mais incrível das idéias: ela quer uma investigação isenta e clara dos acontecimentos sobre o comando de Israel. Israel é quem deve realizar as investigações e apresentar as conclusões.

Qualquer um que leia os embates diplomáticos do início da segunda grande guerra vai encontrar este mesmo cinismo com a finalidade única de confrontar o inimigo. Israel irá camuflar sua ação de bloqueio com a análise do que deu errado na operação. Mas calma, não é o que deu errado por existir o bloqueio ou ter realizado uma operação ilegal em águas internacionais. O errado que apontarão: são aqueles táticos e a suficiência da força necessária para sufocar, num primeiro momento, a reação dos ativistas. Eles não querem saber do principal, mas apenas apagar os assassinatos cometidos contra bolinhas de gude e estilingues.

Como sempre há vida no lado do povo. O simbolismo que representa a cineasta brasileira Iara Lee (antes que alguém diga, ela tem dupla nacionalidade é, também, americana) nesta frente internacional é importantíssimo para o nosso próprio juízo. Além do mais a carta que o cineasta Silvio Tendler, ele um orgulhoso judeu, fez ao governo de Israel mostrando o dissabor com suas práticas diz bem da capacidade que supera o cinismo e a truculência.

O maior símbolo de todos: é Hedy Epstein, judia, de 85 anos, radicada nos EUA desde 1948, que fugiu da Alemanha Nazista e teve a família trucidada no campo de concentração de Auschwitz. Ela já tentou furar o bloqueio à faixa de gaza três vezes antes. No dia do embarque foi proibida de entrar num dos barcos da flotilha pelas autoridades Cipriotas. Agora tentará tomar um barco Irlandês que ficou para trás por questões mecânicas e rumará para a faixa de Gaza, mais uma vez em desafio.

Os ativistas mundiais estão cada vez mais parecidos que os judeus que resistiram à opressão na segunda guerra mundial.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Sombras da ilusão - Emerson Monteiro

A força de seres humanos justificarem seus desejos beira os limites do infinito. No afã de motivar suas ações, pessoas estabelecem objetivos inalcançáveis e enormes sacrifícios individuais e coletivos, a ponto de ocasionar equívocos, atrasos e destruições, invés do progresso. Nisso, os chefes transferem às massas o peso maior das responsabilidades, rápidos mergulhos nas páginas da história bem demonstram com enorme facilidade.
Não fossem os riscos grosseiros lançados às multidões, caso apenas seus autores respondessem pelas ações irrefletidas na própria pele, e seria a conta pela receita, sem queixumes ou críticas, bater a poeira e começar de novo.
Entretanto, os frutos da fome dos dominadores nunca se restringem apenas aos botões que carregam no âmbito da autoridade. Derramam pelos oceanos, confrangem populações distantes, aquecem temperaturas, danificam a saúde pública, aumentam o desconforto das famílias, invadem a paz, sacrificam até a natureza-mãe e atrasam o desenvolvimento social. Eles ocupam os lugares, erram, ou nada produzem do esperado e necessário.
Nessas experiências inúteis e aventuras vaidosas, líderes ocasionais se aboletam nos tronos e esbanjam os recursos de suor e sustento da grande população, juntados, a duras penas, de impostos e taxas.
O sistema democrático virou moeda de troca do jogo político de séculos, nível mais alto da tradição coletiva de todo mundo. Equivaleria àquela coisa que alguns dizem do casamento: ruim com ele, pior sem ele. Ruim com ela, pior sem ela. A democracia, governo do povo, pelo povo, para o povo, mantém os seus caminhos abertos e livres ao acesso de milhões. Diante de um aparato legal, partidos políticos se organizam e a cidadania prevalece.
Porém o governo ideal insiste habitar a casa do sonho. Enquanto a matéria prima humana precisar de aprimoramento, e a moral insistir morar longe da Ética, a pisada é trocar seis por meia dúzia.
Turnos eleitorais, que significariam festas da democracia, viram palcos de negociações interesseiras entre pessoas e grupos, e custam elevadas somas em termos de propaganda, favores, telhas, tijolos, sacos de cimento, dentaduras, varas de cano, bicadas de cachaça, cervejadas, churrascos, naquele império capenga da torpe demagogia, do aviltamento da dignidade e da ausência do decoro, pois viciaram as massas.
Quando, nessas datas, o drama popular ganha ruas e praças; armam-se picadeiros e palhaços sobem nas pernas de pau do marketing político para gritar frases de efeito, no circo da ilusão. Nada justificaria, contudo, fugir dos princípios democráticos. O ânimo de achar o caminho da transparência reclama, outra vez, eleitores conscientes e sempre escolha de melhores representantes e administradores públicos, em nova e rica oportunidade.

Pensamento para o Dia 01/06/2010


“Más características, tais como ódio, inveja, ganância e ostentação, devem ser extirpadas. Essas características não estão corrompendo apenas pessoas comuns, mas até mesmo ascetas, monges e chefes de instituições. Entre essas características, a inveja e a cobiça estão descontroladas. O que o mundo precisa hoje não é uma nova ordem, um novo sistema educacional, uma nova sociedade ou uma nova religião. A santidade deve estabelecer-se e crescer nas mentes e nos corações dos jovens e crianças em toda parte: essa é a necessidade do momento. O bom e o piedoso devem esforçar-se para promover isso como a maior prática espiritual (Sadhana) que todos devem assumir.”
Sathya Sai Baba

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A GLÂNDULA TIMO E AS TÉCNICAS DE CURA DA MEDICINA HOLÍSTICA TRADICIONAL (PARTE I)


Desde 1988 venho me questionando sobre a relação entre o Amor metafísico (que vivenciei uma única - e inesquecível! - vez) e o Amor físico (que experimentei centenas de vezes!). E já se passaram mais de 20 anos da minha experiência mística e holística com o Amor Cósmico e de lá para cá sempre me indaguei sobre aquele fenômeno maravilhoso e misterioso que se manifestou no centro do meu peito em 1988. Eu sabia desde o primeiro dia da experiência que tive, que havia pelo menos dois planos de experiência/vivência acontecendo simultaneamente: o físico e o metafísico. E que o plano metafísico (dos chacras) era a raiz da energia humana – o nosso lado transcendente. E o plano físico era o meio, o caminho de realização física e material – o nosso lado imanente. Mas, o que me intrigava era saber qual parte do plano físico estava de fato ligado ao plano metafísico do chacra cardíaco. Hoje, após todos esses longos anos de incertezas e questionamentos tenho que admitir que a resposta está nas glândulas, principalmente a glândula TIMO. Ela tem um papel vital no processo de regulação do humor; no processo imunológico e; no processo de refinamento das emoções entre tantas outras funções.

Gostaria de sugerir um desafio acadêmico aos médicos e pesquisadores em geral que possuem mentes abertas: pesquisem a relação entre a glândula timo, o chacra cardíaco e o sistema imunológico. Acredito que nessa relação estão as respostas para várias doenças tais como a AIDs, o Câncer, etc. Essa hipótese está baseada numa vivência mística que tive em 1988. Eu vivenciei em meu peito o fenômeno da interligação dos planos energéticos sutil (dos chacras) e concreto (glândulas timo, pineal e outras). Assim, parto de uma experiência íntima para a formulação de uma hipótese e não o caminho contrário (da hipótese para o teste ou experiência) que é muito comum nos processos de pesquisa científica. Sugiro aos médicos e todas as pessoas (pesquisadoras ou não) ligadas às áreas de saúde que estudem o conteúdo do livro MEDICINA VIBRACIONAL: A MEDICINA DO FUTURO do médico-pesquisador Dr. Richard Gerber. Nesse livro vocês encontrarão subsídios técnicos e científicos para buscarem uma conexão entre a TIMO, o CHACRA e o SISTEMA IMUNOLÓGICO.

A ciência precisa alargar seus horizontes como já vem fazendo muito bem nos campos de conhecimento da genética, física quântica e a astrofísica. Mas, mesmo assim precisamos urgentemente de hipóteses metafísicas para descortinarmos um mundo de fenômenos sutis responsáveis por boa parte das doenças crônicas. Sinto intuitivamente que quando os cientistas decidirem testar a hipótese da causalidade descendente (do plano metafísico para o plano físico, ou do plano qualitativo para o plano quantitativo) daremos um passo gigantesco fenomenal para explicarmos uma série de doenças de origem ainda desconhecida. A ciência moderna ainda não sabe penetrar no mundo essencial qualitativo das energias sutis das emoções humanas. Essa crítica foi realizada em minha monografia de dissertação de mestrado defendida em 1992 na COPPE/UFRJ. Em outras palavras, as energias descobertas pela ciência ainda são insuficientes para identificarem um conjunto de fenômenos causadores de anomalias no campo energético do sistema complexo e multidimensional da consciência e das transformações que ocorrem na relação entre psique e corpo físico.

Uma coisa eu descobri e constatei em minhas experiências íntimas (vivências): a forma como vemos um objeto (seja ele físico ou metafísico) afeta o objeto observado (essa tese é também uma afirmativa da física quântica moderna). Isso implica dizer que o universo guarda segredos no próprio modo e ato de se observar um fato ou fenômeno. Ou seja, não existe neutralidade no campo científico e nem no campo do senso comum. O tempo todo estamos afetando o mundo e somos afetados pelos outros a nossa volta. Existe uma fronteira invisível entre o que nos é desconhecido e o que já é conhecido. A transição de um lado para o outro acontece em planos da percepção em que estamos agindo ou construindo – de um modo geral estamos inconscientes na ocasião da transição. As doenças, enquanto fenômenos naturais são também criadas pela forma como nos conduzimos na relação que temos com as multidimensionalidades das energias que circulam entre o homem e a natureza. Somos seres extremamentes sensíveis, plurais e abertos para o cosmos. Nesse contexto, todos os fenômenos nos afetam (direta ou indiretamente) sem que tenhamos sensibilidade para vermos as suas origens no nascimento deles. Por exemplo, as explosões solares (muito comuns na superfície do sol) afetam os sistemas de radar dos pássaros, baleias, seres humanos, celulares, satélites etc.




Então a nossa realidade nos guarda o maior mistério que é a essência ou qualidade dos fenômenos. O essencial é invisível porque não se mede quantitativamente. As doenças são visíveis pelos seus efeitos, o princípio delas é desconhecido na sua origem. Nesse sentido, precisamos adotar uma nova abordagem científica que seja compatível com o objeto ou fenômeno observado. Pois, só vemos o que nos é compatível com o nosso nível de consciência. O comum é o centro da curva normal (na área da estatística), os extremos são incompreensíveis e invisíveis para o nosso olhar viciado.

Eu vou revelar aqui uma descoberta que fiz em 1988: o que chamamos de impressões digitais são na verdade centros de energia (chacras (ou chakras) menores), verdadeiros receptores ou antenas captadoras de energias sutis cósmicas. Pergunto, então: quantos dos meus leitores alcançarão essa verdade vivenciada por mim em 1988?

O Amor tão falado por Jesus Cristo está situado no centro do peito e tem uma relação direta com a glândula TIMO. Por isso, que alguns autores e pesquisadores afirmam que a falta de amor no mundo é a maior desgraça que afeta a paz e a saúde humana em todos os tempos. Ou seja, quando esse chacra principal não está funcionando bem a glândula timo também não está em sua potencialidade nos resguardando na sua relação com o sistema imunológico. E ai ficamos vulneráveis - sem defesa!

Bernardo Melgaço da Silva
Prof. e Pesquisador do Núcleo de Estudos Sobre Ciência, Espiritualidade e Filosofia – NECEF/URCA (Universidade Regional do Cariri)
HTTP://bernardomelgaco.blogspot.com

Pelas águas da morte suplico meu pai Abrahão - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Meu pai Abrahão! Tenho todos os vícios que a fé sofreu nas lutas genocidas contra o povo judeu. Até o chamo de pai, patriarca do meu povo. Acomodo-me, temo o meu fim, acho que um pedaço de terra é maior que a fé em Deus. Não me vejo como um comum filho de tua estirpe, mas como uma vítima raivosa de ódios ancestrais. Vejo meu amanhã como a Revolta de Bar Kokhba, todo o chão em que pisam os israelenses sendo arrasado pelas forças do império romano. Estou com o Deus de Israel como o ar para os meus pulmões.

Mas hoje meu pai, acordei de um sono imenso. De um sonho que outro pesadelo engendrara, fortalecera e apenas fez crescer com o tempo. Teus filhos, os filhos de Israel, desceram sobre barcos com ajuda humanitária e os seqüestrou na plenitude das águas internacionais. Fizeram mortos, geraram contra nós o mesmo ódio que tínhamos com a tortura, a morte e o genocídio do nosso povo.

E o premier de Israel, o seu ministro da Defesa, como o Rabi Akiva deu a este ato o caráter de Mashiach. Abriu as portas de Israel para a destruição de sua fé, sua longa espera, de sua resistência em Massada, seu último suspiro em Betar. Temo, meu pai, que neste dia tudo se justificará contra teu próprio povo, conduzido ao suicídio por judeus que se tornaram apenas farsa dos teus símbolos.

Amanhã quando aquele filme de Polanski, chamado O Pianista, mostrar a brutalidade animal de soldados alemães apenas apontando pistolas para a cabeça de indefesos judeus, não há como se indignar. Israel fez igual. Quando a Lista de Schindler vier à tona, outro filho de Israel o filmará e a brutalidade amanhece e dorme na nossa própria tribo.

Tudo que fizemos com sacrifício de nossa própria memória do sofrimento do Nazifascismo para que a humanidade aprendesse o bom caminho, políticos de Israel em poucas horas desfaz. A ironia não é que os inimigos de Israel destruam Israel, mas que o povo de Israel se desapega ao próprio solo milenar.

Nossas almas estão dentro da bruma de arrivistas da própria riqueza material. Vieram da Europa oriental ao final dos regimes socialistas e hoje fazem de Israel o mercado do seu rápido progresso pessoal. São aqueles judeus viciados nas artimanhas do mundo ariano e abandonando o valor semítico, desejam um retorno atabalhoado às terras da Europa e de seu mais fiel descendente: os Estados Unidos da América.

Já não vêm mais a Israel. Lá vivem e tornaram teu solo apenas num parque temático para uma religiosidade de apenas visitação. São por eles e pela defesa deles, com seus lobbies guerreiros que Israel mais uma vez pede a morte. Agora a morte desgraçada com o sangue dos nossos primos bíblicos.