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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

'Fui extorquido na Casa Civil', conta deputado - Assessor de Dilma Rousseff teria exigido 100 000 reais de propina

Em reportagem de VEJA desta semana, o parlamentar Roberto Rocha revela que assessor de Dilma Rousseff exigiu 100 000 reais de propina para agilizar processo que dependia de autorização do presidente Lula.

Extorsão na Casa Civil



Vladimir Muskatirovic, o Vlad, da Casa Civil, ao lado da ex-ministra Erenice Guerra. No destaque, Roberto Rocha. Em 2007, o deputado Roberto Rocha, do PSDB maranhense, obteve uma audiência na Casa Civil para tratar de um problema que já se estendia por anos. Como mostra a revista VEJA desta semana, contudo, Rocha não encontrou uma solução para seu problema na visita ao Planalto. Encontrou, isso sim, um outro exemplo de como um balcão de negócios operava na Casa Civil de Dilma Rousseff, Erenice Guerra e companhia.

Sócio da TV Cidade, retransmissora da Record no Maranhão, Rocha aguardava desde 2003 uma autorização para alterar a composição societária da empresa. Como as emissoras de televisão são concessões públicas, negócios desse tipo requerem a chancela do governo. Esse procedimento burocrático deveria ser rápido (na medida em que as burocracias são rápidas, é claro), mas acabou se alongando despropositadamente por razões políticas. Rocha é adversário dos Sarney no Maranhão. Dona de TV no estado, e influente no governo Lula, a família fez de tudo para atravancar o seu negócio. Como no Maranhão o apoio ou a oposição aos Sarney é um divisor de águas, Rocha contou até mesmo com a ajuda de petistas, como o deputado Domingos Dutra, para chegar à Casa Civil.

Lá, encontrou-se com o personagem central da reportagem: o advogado Vladimir Muskatirovic, o "Vlad", que atualmente ocupa a chefia de gabinete da Casa Civil. Subordinado de Erenice Guerra desde a época em que ela comandava a assessoria jurídica do Ministério de Minas e Energia, Vlad foi carregado pela chefe para a Presidência - da mesma forma como Erenice foi carregada por Dilma Rousseff, de quem era braço direito.

Dilma tornou-se candidata à Presidência da República pelo PT. Erenice assumiu a Casa Civil, mas foi derrubada do cargo por comandar uma central de tráfico de influência que beneficiava, entre outros, seu filho Israel. Vlad, no entanto, continua firme no governo. Como mostra VEJA - que ouviu também fontes da Casa Civil e do próprio PT -, ao receber o deputado Rocha ele pediu 100 000 reais de propina para resolver a sua pendência.

"Fui extorquido pela Casa Civil", diz Rocha a VEJA. A revista também narra como uma segunda reunião, no restaurante da Câmara dos Deputados, foi agendada para acertar as prestações. O primeiro pagamento - o único consumado - foi de 20 000 reais. Procurado por VEJA, Vlad negou, em nota escrita, ter pedido ou recebido propina.

Fonte: Revista Veja

Dilma e Serra são a mesma coisa? Entrevista com Chico Oliveira na Folha de São Paulo.

O professor emérito da USP, Francisco Oliveira, que rompeu com o PT logo no início do primeiro mandato de Lula foi entrevistado na Folha de São Paulo. A entrevista e os resultados de um estudo permitem uma narrativa mais precisa deste momento histórico. Por isso irei colocar esta entrevista na frente da matéria seguinte: A nova classe média: um avanço conservador? Esclareço que a pergunta é minha, não do Chico, mas como verão nas duas matérias o estudo complementa a razão pela qual o professor ver poucas diferenças entre os dois a presidente nestas eleições. No meu entender identificando o PSDB como o pior e a Dilma como o ruim. Mas aí leia a entrevista para chegar à própria conclusão.

Como ele avalia que ocorreu no primeiro turno? “fora o horror que os tucanos têm pelos pobres, Serra e Dilma não têm posições radicalmente distintas: ambos são desenvolvimentistas, querem a industrialização…Que os candidatos escondem problemas cruciais: “não se trata mais de provar que a economia brasileira é viável. Isso já foi superado. O problema principal é a distribuição de renda, para valer, não por meio de paliativos como o Bolsa Família. É escolher entre o ruim e o pior.

Sobre setores da igreja pregando o voto anti-Dilma por causa do aborto: “O aborto é uma questão séria de saúde pública. Não adianta recuar para atender evangélicos e setores da Igreja Católica. Isso não salva as mulheres das questões que o aborto coloca.” E diz que o tema só entra na campanha por causa do êxito econômico do país: Essas posições conservadoras ganham força. Há uma tendência a todo mundo ser bonzinho. Com o progresso econômico, há um sentimento de conformismo que se alastra e se sedimenta, as pessoas ficam medrosas, conservadoras. Isso está ocorrendo no Brasil. Gente da classe C e D mostram-se a favor de uma marcha de progresso lenta e contínua. Eles não querem briga, não querem conflito. Por isso o Lula paz e amor deu certo.”

Sobre a divisão do Brasil segundo a votação entre Dilma e Serra: “É um racha. Significa que a questão da desigualdade regional ainda é muito marcante. Aliás, essa é outra questão que está fora da discussão. O que fazer com as regiões deprimidas? Por baixo disso tudo está a velha história de que São Paulo é uma locomotiva que puxa 25 vagões vazios.Esse desequilíbrio vai criando a sensação de que há um lado pobre e um lado rico. Como se houvesse um voto comprado, de curral eleitoral, e outro consciente. Há de fato uma fratura, e isso ressurge em períodos eleitorais.”

Sobre terceira força política representada por Marina: “A ascensão dela se dá pela falta de radicalização dos dois principais, e a questão do ambiente é relativamente neutra. Não vejo eco na sociedade, a não ser de forma superficial. Não é um tema que toca nos nervos das pessoas. A onda verde é passageira.”

Sobre como se lerá no futuro o papel de Lula: “Getúlio Vargas é o criador do moderno Estado brasileiro, sob todos os aspectos. Ele arma o Estado de todas as instituições capazes de criar um sistema econômico. E começa um processo de industrialização vigoroso. Lula, é bom que se diga, não é comparável a Getúlio. Juscelino Kubitschek é o que chuta a industrialização para a frente, mas ele não era um estadista no sentido de criar instituições. A ditadura militar é fortemente industrialista, prossegue num caminho já aberto e usa o poder do Estado com uma desfaçatez que ninguém tinha usado. Depois vem um período de forte indefinição e inflação fora de controle. O ciclo neoliberal é Fernando Henrique Cardoso e Lula. Coloco ambos juntos. Só que Lula está levando o Brasil para um capitalismo que não tem volta. Todo mundo acha que ele é estatizante, mas é o contrário. Lula é mais privatista que FHC. As grandes tendências vão se armando e ele usa o poder do Estado para confirmá-las, não para negá-las.

Sobre o papel de Lula como cabo eleitoral: Ele acaba sendo um elemento negativo, mesmo com sua alta popularidade. O segundo turno foi um aviso. Há uma espécie de cansaço. Essa ostensividade, essa chalaça, isso irrita profundamente a classe média. É a coisa de desmoralizar o adversário, de rebaixar o debate. Lula sempre fez isso. Não vejo como uma ameaça. Mas o Lula tem um componente intrinsecamente autoritário. Ele não ouve ninguém, salvo um círculo muito restrito, e ele tem pouco apreço por instituições. Eu o conheço desde os anos de São Bernardo. Ele tem a tendência, que casa perfeitamente com o estilo de política brasileira, de combinar primeiro num grupo restrito e, depois, fazer a assembléia. Ele sempre agiu assim. Não é pessoal, é da cultura brasileira, ele foi cevado nisso. Mas não que ele queira derrubar a democracia.

E continua generalizando para a política nos sindicatos: Isso é da cultura política em que ele foi criado: o sindicalismo, que é um mundo muito autoritário, muito parecido com a cultura política mais ampla. E ele se dá bem, sabe se mover nesse mundo. As instituições de fato não são o barato dele. Mas ele não ameaça a democracia do ponto de vista mais direto nem tem disposição de ser ditador. Acho essas afirmações um exagero, uma maldade, até. Elas têm um conteúdo político muito evidente.

Ao comentar que “certa ala do PT, com José Dirceu… Esse tem projetos mais autoritários”, responde ao repórter sobre a força do Dirceu num governo Dilma: Acho que não. Porque Lula vigia ele de muito perto. Lula não gosta dele [José Dirceu]. Tem medo, até, do ponto de vista político. Ele veio de outra extração, a qual Lula detesta. Uma extração propriamente política, de esquerda.
Ao responder sobre o que pode acontecer num governo Dilma e Serra: Os governos tucanos têm horror ao povo. Isso não é força de expressão. É uma questão de classe social. Eles não têm contato com o real cotidiano popular. Eles não andam de ônibus, não têm experiência do cotidiano da cidade. Nem de metrô eles andam, o que é incrível. A cidade é grande, tem violência, a gente sabe. Mas eles não sabem como é o transporte, como são os hospitais, as escolas públicas. Há uma fratura real, eles perderam a experiência do cotidiano real. E isso não entra pelas estatísticas, só pela experiência. Por causa disso, o governo deles é sempre uma coisa muito por cima. Eles são pouco à vontade com o popular. Essa é a diferença marcante em relação a Lula. Sobre Dilma eu não sei. Ela pode também sofrer desse mal.

Finalmente a resposta sobre “do ponto de vista da evolução e da função dos movimentos sociais, qual dos dois é preferível?”: Eis uma questão difícil. Os tucanos, com esse horror a pobre, tendem sempre a aumentar essa fratura, essa separação. Os tucanos não têm jeito…

A nova classe média um avanço conservador?

O instituto de pesquisas econômicas, DATA POPULAR, acaba de concluir um estudo que parece demonstrar que uma nova classe média surge no Brasil. Isso tem relação com a entrevista dada pelo Sociólogo Francisco Oliveira, à Folha de São Paulo sobre a disputa eleitoral no Brasil. O mais importante deste estudo, a meu ver é o conservadorismo desta nova classe, substituindo a velha luta contra as forças que comprimiam o progresso dos pobres por um amplo movimento sustentado esta classe. Uma classe que evolui sobre uma base já criada pela sociedade e pelo Estado: escola pública, financiamento público, educação pública, previdência social, todas instituições que reduzem o embate dos assalariados contra o capital.

Os partidos políticos de esquerda e direita no Brasil mudarão muito e os que não mudarem ficarão na contramão deste fato. Do mesmo modo que a classe média tradicional teve um pico de crescimento no Milagre Econômico do governo Médici (inclusive pelas bandeiras do movimento Estudantil da época em busca de mais vagas nas universidades públicas) esta irá fustigar mudanças com a natureza do que veremos abaixo, criando uma maioria conservadora nos partidos políticos.

Claro que uma tentativa política muito clara de contrariar este movimento ou uma crise econômica mundial muito severa, poderá afetar este momento. O mais provável é que a força deste segmento possa dar ao Brasil um lastro duradouro de crescimento.

Vejam os dados segundo o texto original com alguns cortes.

“Na outra ponta os estudos econômicos mostram o surgimento da nova classe média: a juventude nas classes C, D e E. Fala-se muito no chamado "bônus demográfico" brasileiro – isto é, em um período extremamente favorável em que a maior parte da população estará integrando a população economicamente ativa. Nas classes A e B haverá um envelhecimento crescente. Nas classes C e D, preponderância dos jovens.

Na classe A os jovens até 16 anos representam apenas 17%. Na faixa dos 1% mais ricos, os pais ganham dez vezes mais que os filhos. Na nova classe média, apenas duas vezes mais. Com isso, são os mais jovens que influenciam as decisões de consumo das famílias. Na classe A, apenas 10% dos jovens estudaram mais do que os pais. Na classe C, 60%.

Agora sintam a onda conservadora: Para essas classes, o consumo tem um papel simbólico dos mais relevantes. Eles passarão a ditar as tendências, porque – ao contrário dos jovens das classes A e B – além do conhecimento recém-adquirido trarão um componente de luta e determinação novos. Para essa nova classe, o consumo traz o sentido de inclusão social – ou, para usar um termo do sociologuês, de "pertencimento". O segundo, porque representa a bóia capaz de tirá-los definitivamente do universo das restrições. Encaram também como oportunidade e investimento. Finalmente, a satisfação de necessidades e sensação imediata de prazer.

A classe C responde por 54% das vendas de calçados no sudeste, 55% no sul, 57% no centro-oeste, 62% no nordeste e 62% no norte. Em viagens, já responde por 51% das despesas no nordeste a 34% no sudeste. Nos serviços financeiros, detêm 60,2% das contas correntes, 61% dos cartões de crédito, 57,8% das contas de poupança, 63,6% etc.

A nova classe média já movimenta R$ 834 bilhões por ano (contra R$ 216 bi da classe A e R$ 329,5 bi da classe B); responde por 87% da população, 76% do consumo, 69% dos cartões de crédito e 82% dos internautas. O depoimento de uma consumidora classe C dá o fecho para o estudo: "Comprar é perceber que todo nosso esforço vale à pena, que dá para agradar todo mundo, ficar de bem com a gente mesmo".

MEU TIME PREDILETO - por Pedro Esmeraldo

Quando no tempo de criança, comecei a interessar-me pelo futebol e apreciar o time do Botafogo.

Naquela época, havia no time um grande jogador, “Heleno de Freitas”. Devido às suas jogadas geniais, às vezes com intrepidez numa movimentação da bola, era um jogador versátil, técnico e impetuoso.

Era um craque na acepção da palavra, não titubeava, era sóbrio, sem medo de enfrentar o adversário.

Quanto tinha interesse de ouvir partida de futebol, ligava o rádio de meu pai, ouvia uma das narrações do locutor Antônio Cordeiro, das quais configuravam os times do Botafogo e Vasco, ou em outra ocasião ouvia a narração do Botafogo e Flamengo. Sempre deslumbrava com as perícias do craque Heleno fazendo gols, a maioria de cabeça. Nesses dois times, que considerava dois grandes fregueses do Botafogo.

A partir daí, fiquei um fiel torcedor desse time e passei a praticar esporte de pelada no terreiro de minha casa.

Heleno era muito temperamental e por sua maneira intempestiva criava complicações raivosas em toda equipe futebolística. Por várias vezes, era expulso de campo por sua indisciplina.

Heleno deixa o Botafogo e foi se alojar no Vasco da Gama. Tempos depois a gente tomou conhecimento do falecimento de Heleno, talvez tenha sido por forte complicação raivosa que acarretou o embaraço físico em sua saúde.

Após a saída de Heleno, apareceram outros craques de renome no time do Botafogo, como a figura enciclopedista de Nilton Santos, a quem considero o maior jogador de defesa do Brasil de todos os tempos e outras figuras, como o endiabrado Garrincha, “o homem das pernas tortas”, que fazia miséria quando jogava com o Flamengo ou o Vasco, deixando todos com olhar pateta diante da platéia que freqüentava o Maracanã.

Nesta época o Botafogo tinha a melhor defesa do Brasil, constituída por Manga, Joel, Zé Maria e Nilton Santos, Arati e Bobe, e o ataque era contemplado com magistrais Garrincha, Didi, Paulinho Valentim, Quarentinha e Zagalo.

Esse time era entorpecente e vibrador. Dificilmente, poderia rebater a vitória a não ser quando houvesse falha no comando do campo.

Ainda me lembro das grandes desforras do Botafogo que passou, pois deixou um elo de paz de espírito e amor à arte futebolística.

Com a velhice que aparecia nos jogadores, surgiam outros craques, como o goleiro Paulo Sérgio, Marinho, Carlos Roberto e os atacantes Jairzinho, Rogério e Paulo César Lima, esses craques representavam uma maior reserva moral do futebol brasileiro.

Bem, o time do Botafogo depois se arrefeceu, no decorrer dos anos, já que houve o destempero da diretoria passada, deixando o time acabrunhado e ultrapassado no futebol brasileiro. Todo botafoguense pede que o time melhore e venha equilibrar-se para dar muita alegria ao seu fiel torcedor.

Crato, 11 de outubro de 2010.

Texto de autoria de Pedro Esmeraldo

Novamente o aborto - José do Vale Pinheiro Feitosa

O fato do aborto ter sido usado como arma de campanha eleitoral numa sociedade complexa como a brasileira leva e grandes contradições. Uma grande é o comportamento dos próprios casais. Nas classes economicamente mais desprovidas normalmente implica em mortes e danos à mulher e por isso o ex-Ministro da Saúde José Serra regulamentou o que estava em Lei para proteger estas mulheres. Nas classes com mais dinheiro existem médicos e clínicas "clandestinas" com algum apuro técnico e risco menor de complicações.

Antes que me entendam mal: falo no comportamento atual dos casais, mas não estou querendo dizer que isso é a grande maioria. Não é, mas acontece com uma frequência do ponto de vista epidemiológico muito relevante. O assunto é importante por que hoje mesmo tem a notícia de um panfleto ilegal, supostamente editado sob encomenda do bispo de Guarulho, contra a candidata Dilma e, portanto, favorável à candidatura Serra, cujo mote é o aborto. Então o assunto se mantém e continua mote da campanha, pelo menos de modo clandestino.

No sábado a Folha de São Paulo revela a confissão de uma ex-aluna de Mônica Serra, mulher do candidato, relatando que Mônica teria feito aborto numa situação de perigo, na ditadura militar quando eram jovens. A revelação da Folha deu uma revirada no assunto: se voltou contra a tática eleitoral do candidato Serra. Vejam neste insuspeito (não é um amigo do PT) artigo da Folha de São Paulo:

Folha de S.Paulo
FERNANDO DE BARROS E SILVA

Serra em transe

SÃO PAULO - Não resisto a uma provocação inicial: a blogosfera estaria em polvorosa e os serviços da ombudsman da Folha amanheceriam entupidos de mensagens indignadas contra o jornal se a notícia não dissesse respeito a Monica Serra, mas a Dilma Rousseff.

Isso dito, é claro que é polêmica a publicação do relato de uma ex-aluna da mulher de Serra dando conta de que ela (Monica), em sala de aula, revelou já ter praticado um aborto. Não se trata de uma notícia qualquer. Ela coloca em conflito o direito à informação, de um lado, e o direito à privacidade, de outro.

Haverá, neste caso, bons argumentos a favor e contra a publicação. Penso que a Folha acertou, por duas razões principais: com o aborto alçado a tópico da disputa eleitoral (e por obra de Serra), o episódio passou a envolver evidente interesse público. E, tão importante quanto isso: Monica Serra havia dito, há um mês, em campanha pelo marido no Rio, que Dilma era a favor de "matar criancinhas", numa clara alusão à posição da petista sobre o aborto. Ao assumir como sua, e nos termos que fez, a campanha do marido, Monica fixou para si as regras do jogo que estaria disposta a jogar.

O caso (tão desconfortável, tão cheio de implicações desagradáveis a quem o aborda) permite, ou exige, uma reflexão de ordem mais geral. O PT tem sido acusado, quase sempre com razão, de ser capaz de qualquer coisa para se manter no poder. Isso virou um mantra, a despeito da sua veracidade. Mas Serra não está se revelando, já faz tempo, alguém disposto a pagar qualquer preço para chegar ao poder?
Essa pantomima de devoção e carolice que se apossou da campanha tucana (e que nada tem a ver, como parece óbvio, com respeito efetivo pela religiosidade do povo) é a expressão patética de que tudo (biografia, valores, familiares) está sendo sacrificado em nome de uma ideia fixa. Serra sonha ser presidente. Mas se parece, cada vez mais, com o personagem de Paulo Autran em "Terra em Transe".

Marina oficializa neutralidade para segundo turno

Terceira colocada na eleição presidencial, Marina Silva (PV) oficializou na tarde deste domingo a opção pela neutralidade no segundo turno.

Em votação simbólica, a ex-presidenciável, que recebeu 19,6 milhões de votos, referendou a posição para a nova etapa da corrida presidencial.

Dos 92 votantes, apenas quatro declararam apoio a Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB). Mesmo Fernando Gabeira, o candidato derrotado ao governo do Rio que contou com o apoio do tucano no primeiro turno, preferiu a independência do partido.

Individualmente, os filiados estão liberados para aderir às campanhas da petista ou do tucano. É o que Gabeira faz ao endossar a candidatura de Serra.

"O fato de não ter optado por um alinhamento neste momento não significa neutralidade quanto aos rumos desta campanha", disse Marina, na convenção do PV em São Paulo, em um espaço cultural na Vila Madalena.

Ela leu carta aberta com críticas ao que chamou de "dualidade destrutiva" entre PT e PSDB. Segundo Marina, os dois partidos pregam a "mútua aniquilação" na disputa entre Dilma e Serra.

"A agressividade do seu confronto pelo poder sufoca a construção de uma política de paz", atacou a senadora. A verde prometeu ainda defender sua fé --ela é evangélica--, sem contudo usá-la "como arma eleitoral" --uma crítica à dominação da pauta religiosa nesta nova fase da disputa.

O secretário de Comunicação do PV, Fabiano Carnevale, afirmou à Folha antes da convenção que a cúpula do partido se comprometeu a não aprovar decisão diferente da de Marina. "Está combinado que a posição oficial do PV será a mesma de Marina. Vamos marchar juntos."

Fonte: Folha.com

domingo, 17 de outubro de 2010

Bate coração! - Por Carlos e Magali

* Carlos Eduardo Esmeraldo
* Magali de Figueiredo Esmeraldo

Há cerca de dois meses, Socorrinha, uma das minhas noras, me contou um sonho que ela teve. Nele a minha falecida mãe lhe pedia para me avisar que no dia do meu aniversário, eu teria uma surpresa. Não dei muita importância, mas Magali pensou que seria a venda de um pequeno terreno que possuímos em Juazeiro.

Desde criança que me ocorrem pequenos surtos de taquicardia. Coisa que eu não dava muito importância, pois logo ela desaparecia. Em agosto de 1996, uma dessas crises demorou a passar e tive de ser levado às pressas para uma emergência cardiológica. A médica que me atendeu, Dra. Astrid Rocha Meireles Santos, teve muito trabalho para debelar essa crise. Em seguida, ela me explicou que essa taquicardia era decorrente de uma pequena anomalia congênita debelada facilmente com uma medicação adequada. A partir daí, fui acompanhado pela a Dra. Astrid visitando seu consultório de duas a três vezes por ano. Nessas oportunidades eram realizados vários exames necessários para checar a minha saúde.

Em fins de agosto último, um teste ergométrico constatou uma deficiência coronária. A cintilografia revelou uma leve isquemia do miocárdio esquerdo quando eu estava sendo submetido a esforço. Então tive a surpresa de ter que realizar um “cateterismo” no dia 15 de setembro, justamente no meu aniversário. Mais surpreso ainda, eu fiquei quando recebi os dados revelados por esse exame: obstrução em três artérias principais, uma delas, 90% lesionada.

Ao analisar os resultados dos exames a Dra. Astrid me informou que teria de ser colocadas no mínimo três pontes, à peito aberto, e que iria me entregar ao Dr. Glauco Lobo, em quem ela depositava toda a confiança.

Jamais imaginei que um dia eu teria de ser submetido a uma cirurgia para revascularização do miocárdio, popularmente conhecida por “Ponte de Safena”.

Fiquei muito abalado e para desabafar, escrevi um texto onde afirmava que “Viver é preciso”! ‘Mesmo que para tanto eu tivesse que construir “pontes” e pavimentar novos caminhos’. Foi uma forma que encontrei para comunicar o que acontecia comigo.

Quando me vi numa maca sendo transportado para o Centro Cirúrgico, fechei os olhos, penetrei no mais íntimo do meu ser e me coloquei nas mãos de Deus, dizendo: “Senhor, este servo está em vossas mãos”. De repente me veio uma enorme tranqüilidade e quando acordei, encontrava- me na UTI e, pude entender que estava bem vivo!

Às vezes pensamos que o mundo está perdido, que não existe mais o amor e a solidariedade. Mas, através dos momentos difíceis podemos enxergar o amor e a presença de Deus na bondade das pessoas. O mundo está impregnado de egoísmo, de individualismo, e por isso achamos que são poucas as pessoas boas.

Nesses dias em que Carlos se submeteu a cirurgia para fazer as pontes nas veias obstruídas, tive oportunidade de observar o amor e a doação dos profissionais da saúde: médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas, camareiras, auxiliares de serviços. Todos trabalhando com delicadeza e um sorriso nos lábios, apesar do cansaço de um dia de trabalho ou de uma noite de plantão. Esse acolhimento ao paciente e à sua família é muito importante.

Quando estava sentada na sala localizada de frente ao Centro Cirúrgico, acompanhada dos meus filhos e noras, à espera de alguma notícia da cirurgia de Carlos, sempre encontrava enfermeiras solidárias que me informavam do andamento da cirurgia. Quando eu visitava Carlos na UTI, também as pessoas que ali trabalhavam eram acolhedoras e educadas.

Através da solidariedade dos amigos e desses profissionais da saúde, estamos muito agradecidos a Deus por todo esse apoio e a força que Ele nos dá para enfrentarmos essas preocupações com tranqüilidade e esperança. Aos nossos amigos agradecemos sensibilizados, as visitas, os e-mails, os comentários, os telefonemas, a torcida e as orações. Agradecemos a Deus pelo dom da vida!

Por Carlos Eduardo Esmeraldo e Magali de Figueiredo Esmeraldo

Nota: O trecho de Carlos Eduardo Esmeraldo foi ditado a Magali que o digitou.

Veja o Partido da Veja: É por isso que ela defende o Serra!

Serra, quando governador, pagou R$ 34 milhões à editora da revista Veja

21/9/2010 15:35, Por Redação, com Altamiro Borges - de São Paulo

Fonte: www.correiodobrasil.com.br

O jornalista Altamiro Borges realizou minuciosa pesquisa junto aos editais publicados no Diário Oficial do Estado de São Paulo e divulgou o resultado, nesta terça-feira, após descobrir indícios de um autêntico “mensalão” pago pelo tucanato ao Grupo Abril. A liberação dos recursos ficou gravada no histórico do Diário Oficial do Estado:

DO (Diário Oficial do Estado de São Paulo) de 23 de outubro de 2007. Fundação Victor Civita. Assinatura da revista Nova Escola, destinada às escolas da rede estadual. Prazo: 300 dias. Valor: R$ 408.600,00. Data da assinatura: 27/09/2007. No seu despacho, a diretora de projetos especial da secretaria declara ‘inexigível licitação, pois se trata de renovação de 18.160 assinaturas da revista Nova Escola’.

DO de 29 de março de 2008. Editora Abril. Aquisição de 6.000 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 2.142.000,00. Data da assinatura: 14/03/2008.

DO de 23 de abril de 2008. Editora Abril. Aquisição de 415.000 exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 30 dias. Valor: R$ 2.437.918,00. Data da assinatura: 15/04/2008.

DO de 12 de agosto de 2008. Editora Abril. Aquisição de 5.155 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 1.840.335,00. Data da assinatura: 23/07/2008.

DO de 22 de outubro de 2008. Editora Abril. Impressão, manuseio e acabamento de 2 edições do Guia do Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 4.363.425,00. Data da assinatura: 08/09/2008.

■ DO de 25 de outubro de 2008. Fundação Victor Civita. Aquisição de 220.000 assinaturas da revista Nova Escola. Prazo: 300 dias. Valor: R$ 3.740.000,00. Data da assinatura: 01/10/2008.

DO de 11 de fevereiro de 2009. Editora Abril. Aquisição de 430.000 exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 2.498.838,00. Data da assinatura: 05/02/2009.

DO de 17 de abril de 2009. Editora Abril. Aquisição de 25.702 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 608 dias. Valor: R$ 12.963.060,72. Data da assinatura: 09/04/2009.

DO de 20 de maio de 2009. Editora Abril. Aquisição de 5.449 assinaturas da revista Veja. Prazo: 364 dias. Valor: R$ 1.167.175,80. Data da assinatura: 18/05/2009.

■ DO de 16 de junho de 2009. Editora Abril. Aquisição de 540.000 exemplares do Guia do Estudante e de 25.000 exemplares da publicação Atualidades – Revista do Professor. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 3.143.120,00. Data da assinatura: 10/06/2009.

Negócio milionário

Somente com as aquisições de quatro publicações “pedagógicas” e mais as assinaturas de Veja, o governo tucano de José Serra transferiu, dos cofres públicos para as contas do Grupo Civita, R$ 34.704.472,52 ao longo de um ano. O Ministério Público Estadual já acolheu representação do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) e abriu o inquérito civil para apurar irregularidades no contrato firmado entre o governo paulista e a Editora Abril na compra de 220 mil assinaturas da revista Nova Escola.

A compra das assinaturas representa cerca de 25% da tiragem declarada da revista Nova Escola e injetou R$ 3,7 milhões aos cofres do empresário Victor Civita. Mas este não é o único caso de privilégio ao Grupo Abril. O tucano Serra também apresentou proposta curricular que obriga a inclusão no ensino médio de aulas baseadas nas edições encalhadas do Guia do Estudante, outra publicação do grupo.

A dirieta quer explodir o centro - José do Vale Pinheiro Feitosa

No dia 30 de abril de 1981, um pouco mais de um ano antes das primeiras eleições populares para Governador, durante um show da juventude pelo primeiro de maio uma bomba explodiu no Riocentro no Rio de Janeiro. Iria matar muita gente, mas terminou por explodir no colo de um militar que a armava. Aquilo ajudou a derrubar a ditadura militar.

Em 1982, durante a primeira campanha livre, Leonel Brizola disputa as eleições e polariza com Moreira Franco do PDS (atual DEM). Um panfleto, que tinha as impressões digitais e um agente da extrema direita, sob o formato da antiga Revista O Cruzeiro circulou para destruir a imagem do Brizola.

Agora na Campanha do Tucano José Serra fazem o mesmo. Ontem foi dado um flagrante numa gráfica que imprimia folhetos apócrifos contra Dilma, iguais ao que fizeram no primeiro turno com a questão do aborto. Os folhetos seriam distribuídos nas igrejas católicas de São Paulo e do sul do país a encomenda era de 20 milhões. O bispo de Osasco é apontado como o responsável. E o dinheiro vem de onde?

Aparecem as primeiras evidências da autoria e da fonte da grana a partir da pessoa que contratou a impressão para a gráfica. A Associação Theotokos ligada a grupos cristãos integralistas e o Partido Monarquista Brasileiro que tem o Movimento Identidade Imperial. Na ponta pode estar o Vice de Serra Índio da Costa.

Existe a suspeita do envolvimento da TFP. E assim fica demonstrado que o famigerado Olavo Monteiro de Carvalho ao se queixar das queixas do Lula contra o jogo baixo só mostra vento de ares pestilentos. A democracia está em risco e todos os que ajudam a esta correia podem manchar as mãos. Uma coisa é o debate democrático e outra a pauleira ao estilo punk neonazista contra nordestino em São Paulo.

sábado, 16 de outubro de 2010

Apanhei, não quero mais...



Por Alexandre Lucas*

Uma coisa é certa quem apanha quer se ver livre de qualquer porrada! Lembro de muitas surras que levei na vida e me lembro de cada uma delas, como se fosse aquele beijo inesquecível...do qual jamais podemos nos esquecer...a surra é bem diferente do beijo. O beijo é tão bom, mas a surra dói, deixa marcas, traumas.

Se for para escolher não temos dúvidas, vamos decidir por muitos beijos e, nenhuma pancada. Porém não nos afastemos das lembranças de tantas cacetadas que já recebemos, essas lembranças nos servem como aqueles despertadores que sempre nos acordam do sono profundo.

Comecei a beijar muito cedo, aprendi que isso era muito prazeroso, porém comecei a apanhar antes mesmo de aprender a beijar. É, não tinha como correr, tinha que apanhar mesmo, pelo menos por um bom tempo, apanhei não porque Mainha e Painho me batiam, mas apanhei como muitos filhos deste país, não da mão pesada dos adultos, mas da mão pesada das injustiças sociais, apanhei do pão nosso que nos falta a cada dia.

Filho de Costureira e Sapateiro aprendi como é difícil sobreviver num país capitalista. Não é preciso entender de política ou de economia para saber o quanto maltrata ver um pingado de gente se banhando de dinheiro e uma grande multidão só vendo o espetáculo sem poder participar da festa.

Minha mãe, uma Maria, oprimida e explorada, como tantas marias do Brasil, que nunca participou de política, me deu talvez o maior beijo da minha vida, quando tinha aproximadamente uns nove anos, perguntei “mãe o que é comunista?” e ela me disse “é esse povo que defende a igualdade, muitos já foram presos ”.

Talvez esse beijo tenha me despertado sensações e convicções. Quando comecei a participar de política, nem votava ainda. Mas já me indignava com um governador de bico grande e de olhos azuis que implantou no Estado do Ceará um sistema de Educação cronometrado e por televisão, como se o nosso povo fosse um conjunto de robôs. Essa foi uma tremenda lapada na nossa vida de estudante de escola pública.

O meu batismo de indignação provavelmente tenha ocorrido numa manifestação que aconteceu quando o então presidente FHC esteve no Cariri/CE. É eu estava lá e fui espancado pela Polícia juntamente com vários camaradas que discordavam do modelo de Governo antipopular, entreguista e neoliberal do PSDB.

Lembro-me ainda que neste período de FHC, um dia chorei de raiva, ao assistir à TV, e ver um jovem com o nariz ensangüentado, tinha sido agredido por defender o patrimônio do nosso país, a Vale do Rio Doce vendida pelos tucanos ao interesses estrangeiros, esse jovem era o Kerison Lopes, na época presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas – UBES.
Também lembro quando outro Governo do PSDB no Ceará desrespeitou o resultado de consulta para reitor da Universidade Regional do Cariri – URCA. É, mas dizem que são democráticos.

Nestas eleições fiquei admirado com essa turma do PSDB que sempre criminalizou a luta organizada do nosso povo e agora se coloca como salvadores da pátria. Esses dias assistir ao Programa do Serra, ele tecia vários elogios a luta ecológica do Chico Mendes e da Marina, ele só esqueceu de dizer que esses ecologistas eram do Partido da Dilma e que foram combatidos pelo PSDB e Demos. Mas ele elogiava até o Lula, mas porque será que ele não bate no Lula e fala tão bem da Marina?

É, sei o quanto esse Brasil cresceu, poderia ter crescido mais. A vida do povo simples melhorou... Esse povo possivelmente tenha beijado mais e apanhado menos.

Esse é um momento para decidimos, só temos uma escolha. De um lado tem a surra que serra a alma e do outro a Dilma. Eu vou votar na Dilma, ela não é uma comunista, nem vai fazer revolução socialista, é uma pena. Mas ela é a opção que temos para apanharmos menos.

*Pedagogo, artista/educador e Coordenador do Coletivo Camaradas

O futuro dos filhos - Emerson Monteiro

Desde cedo que a atenção dos pais se volta para o encaminhamento dos seus filhos. Pouco importa a condição da família, o sonho do sucesso futuro dos filhos ocupa sempre espaço de prioridade número um, isto em todas as épocas e todos os lugares. O amor acendrado pelos descendentes significa a razão da humanidade prosseguir, apesar das imensas contradições e deficiências nos outros campos da atividade coletiva.
Desde cedo que um movimento natural dos genitores encaminha o filho, sobretudo naquilo que diz respeito aos meios de sobreviver. Neste processo por vezes angustiante e incerto, os que já desenvolveram uma profissão buscam repassá-la aos que demonstram interesse em seguir, quando outros recursos melhores estejam fora de cogitação.
O seguimento das raças dá notícias da criação das primeiras escolas bem nos inícios da organização de vida na Terra. Estabeleceram os aparelhos de formação das novas gerações através da educação formal. Nos liceus de artes e ofícios da Idade Média, a preparação dos jovens atendia necessidades sociais e conduzia aos passos iniciais, sementes das futuras instituições universitárias que agora dominam a ciência e a técnica. Na atualidade, tempos de muitas formas dessa fase industrial-tecnológica, a complexidade toma conta dos mercados e as profissões cresceram quase ao infinito. E nesse quadro misterioso deságuam as apreensões dos pais em relação ao engajamento de seus filhos no universo do trabalho. No entanto as limitações da pirâmide social selecionam só pequena margem de eleitos e restringem os demais, tornando a escola o funil discriminatório da ordem oficial.
Fórmulas prontas não existem para a educação, dizem os especialistas do assunto. Cada caso é um caso. Métodos funcionam ou deixam de funcionar, ao sabor do talento e das pessoas. A exigência de sensibilidade e vocação dos professores e responsáveis responde pela condução dessa valiosa arte de educar.
Além disso, existem as armadilhas onde os maus instintos sujeitam os jovens a prejuízos descomunais, quando fatores negativos invadem a cena. Influências perversas dos desvios sociais nascem da violência, da droga, da desonestidade, maus exemplos, baixa escolaridade, ensino público sucateado, alimentação deficiente, distâncias, e outras atrapalhações mais.
No que pesem os governos haverem notado o valor da formação profissional desde o ensino médio, a grande população ainda passa longe de receber as benesses da nova política. Dentro disso tudo, o fator interesse do filho representa parcela fundamental no seu futuro, investindo tempo e saúde no querer para si os frutos dos seus esforços e tendências, auxílio precioso ao que podem fazer os governantes e pais para a sua felicidade.

Em cenário estável, Dilma mantém vantagem sobre Serra, diz Datafolha

A segunda pesquisa Datafolha no segundo turno da eleição presidencial apresenta um cenário de estabilidade. Dilma Rousseff (PT) tem 54% dos votos válidos (excluem brancos, nulos e indecisos), contra 46% de seu oponente, José Serra (PSDB).

Os dados são exatamente os mesmos registrados em levantamento realizado na semana passada. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

A taxa de indecisos, porém, oscilou para cima e agora está em 8% (era 7% na pesquisa anterior). Os que pretendem anular o voto ou votar em branco, 4%, eram em número idêntico na semana anterior.

Em votos totais, a petista registrou uma leve oscilação para baixo, passando de 48% para 47%, enquanto o tucano se manteve com 41%.

Para o Datafolha, essa oscilação se explica por uma queda de 3 pontos percentuais entre o eleitorado de menor escolaridade, que representa 47% do total de eleitores no Brasil.

RELIGIÃO - Os temas religiosos que dominaram esta etapa da campanha, como aborto e casamento homossexual, parecem não ter influenciado o eleitorado.

Entre os católicos, por exemplo, que são maioria na população brasileira, a ex-ministra tem 51% contra 38% do ex-governador de São Paulo, números semelhantes aos registrados na semana passada (o tucano oscilou um ponto para cima).

No grupo de evangélicos não pentecostais a candidata petista cai quatro pontos, enquanto Serra oscila positivamente dois pontos. Essa faixa representa 6% do eleitorado.

Curiosamente, a maior movimentação ocorre justamente no grupo dos que se declaram sem religião, em que Dilma caiu cinco pontos percentuais, e Serra cresceu cinco (a petista ainda vence por 45% a 40%). O grupo também representa 6% do eleitorado.

MARINA - O apoio de Marina Silva poderia influenciar no voto de 25% dos entrevistados, segundo o Datafolha. Entre os que votaram na candidata verde no primeiro turno, 51% dizem optar por Serra agora, contra 23% que declaram o voto em Dilma (oscilação positiva de um ponto com relação à pesquisa anterior --o tucano manteve o patamar). Pretendem votar em branco ou anular o voto 11%, enquanto 15% dos eleitores de Marina estão indecisos.

REJEIÇÃO - Entre os que dizem não votar em Serra, a rejeição ao candidato tucano passou de 63% para 66%. No caso de Dilma, o número de eleitores que não declaram voto na petista e não votariam nela de jeito nenhum oscilou um ponto para baixo, caindo de 68% para 67%.

A pesquisa foi feita nos dias 14 e 15 de outubro com 3.281 eleitores de 202 municípios brasileiros e a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Os contratantes do levantamento, registrado no TSE sob o número 35.746, são a Folha e a Rede Globo.

Fonte: Folga de S. Paulo

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária

Dia 16, sábado

Atividades Infantis - CRIANÇA E ARTE
14h Bibliotequinha Virtual. Instrutor: Gilvan de Sousa. 240min.

14h Teatro Infantil: Tio G. (Juazeiro do Norte). Num encontro inusitado o Clown Magic (Tio G) encanta a platéia com sua ingenuidade, técnica e muita graça. Por meio de um show de ilusionismo e humor misturando atrapalhadas, mágicas clássicas com criações próprias. 50min.

15h Oficina de Arte: A princesa de bambuluá - Socorro Souza (Fortaleza-CE). A partir da história: A Princesa de Bambuluá, do Câmara Cascudo, as crianças serão conduzidas a exercerem sua criatividade e imaginação, utilizando a técnica do recorte e colagem com tecidos produzindo um livro de pano. 60min.

16h Sessão Curumim: Curtas Infantis 4 - Animações Infanto-Juvenis. Em massinha, desenhadas tradicionalmente ou em computação gráfica, animações de vários cantos do Brasil compõem este. Obras premiadas em um conjunto de filmes que - embora voltado aos espectadores infanto-juvenis - possibilitam distintas leituras por públicos de todas as idades. Aventura. Cor. Livre. 76min.

Cinema - 100 Canal
CineCafé/Mediador: Elvis Pinheiro
18h25 Grupo de Chorinho de Campos Sales-CE. O Grupo é formado por jovens do bairro Guarani, os jovens músicos desenvolvem a música em sua cidade há 5 anos, onde têm o reconhecimento da comunidade através da música. 04'27"min Colorido. Livre.

Cinema - IMAGEM EM MOVIMENTO
CineCafé/Mediador: Elvis Pinheiro
18h30 Belíssima (Belissima, Itália, 1951), de Luchino Visconti, com Anna Magnani. Mãe indica filha para seleção de elenco mirim de um filme e fica possesa quando não a aceitam por ser feia. Drama. Preto e branco. Legendado. 115 minutos. Livre.

Música - V FESTIVAL BNB DA MÚSICA INSTRUMENTAL
18h30 Murmurando (CE) 60min
19h50 Zé Filho e Banda (PE) 60min

CENTRO CULTURAL BANCO DO NORDESTE - CARIRI
Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte - Ceará - CEP: 63030-210
Tel: 88- 3512 2855 fax: 88 3511 4582

Psol apoia voto nulo ou ''crítico'' em Dilma no segundo turno

A posição do partido é pela ''oposição frontal'' ao candidato do PSDB, José Serra. ''Nenhum voto em Serra'', foi a resolução da executiva nacional do PSOL.


O PSOL divulgou nesta sexta-feira, 15, sua posição para o segundo turno. O partido deixa a seus militantes a opção entre o voto nulo ou o voto ''crítico'' à candidata do PT, Dilma Rousseff. A posição do partido é pela ''oposição frontal'' ao candidato do PSDB, José Serra. ''Nenhum voto em Serra'', foi a resolução da executiva nacional do PSOL.

O candidato do PSOL à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio, declarou que vai votar nulo no segundo turno. Plínio fez críticas à posição de Serra na política econômica e política externa. Quanto a Dilma, Plínio diz que ela é uma ''incógnita'', mas que se mantiver a política de Lula, vai continuar a cooptar os movimentos sociais.

Ainda assim, o PSOL se propõe, independente de quem vença a eleição, ser ''oposição de esquerda e programática''. Segundo o partido, nem Serra nem Dilma mostraram compromisso com pontos programáticos considerados fundamentais para o PSOL, como a redução da jornada de trabalho e a mudança da política econômica.

Redação O POVO Online com informações do Estadão

Alemberg Quindins recebe prêmio nacional

Atuando há 19 anos, a Fundação Casa Grande tem desenvolvido projetos em várias frentes. Além da memória do homem kariri, a arte, o turismo e a cultura integram o programa (FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS)

O trabalho realizado na Fundação Casa Grande recebeu reconhecimento ao lado de outras 13 personalidades

Nova Olinda. Um projeto que ao longo da sua trajetória tem tido ressonância local, nacional e internacional, acaba de receber mais um reconhecimento. Dessa vez, o Prêmio Trip Transformar 2010, voltado para projetos na área do empreendedorismo social, com destaque para personalidades que garantiram a execução desses projetos.

Alemberg Quindins, diretor da Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, é uma das 13 personalidades a serem reconhecidas pelo trabalho desenvolvido na instituição. No próximo dia 27, o diretor estará em São Paulo, participando de solenidade de entrega da homenagem.

A premiação é oferecida pela revista de circulação nacional Trip. No mês de agosto, a entidade foi destaque durante uma reportagem destacando a Casa Grande e seu fundador.

Contemplados - Entre os ganhadores dessa premiação este ano, está o jogador Raí, que desenvolve o projeto modelo com reconhecimento da Unesco, Gol de Letra. Também foram contemplados nomes como Ana Moser, ex-jogadora da Seleção de Vôlei, e Romário, inserindo também empresários, artistas e ecologistas, como a premiada este ano, Ana Primavesi, de 90 anos, precursora da agroecologia no Brasil.

A Fundação Casa Grande foi criada há quase 19 anos. Ao longo desse período, tem desenvolvido projetos em frentes diversificadas. Além da memória do homem kariri, a arte, o turismo e a cultura integram o programa para atuar com crianças e adolescentes da pequena Nova Olinda, de 13 mil habitantes.

O trabalho é desenvolvido por meio dos projetos Parque Ambiental dos Cajueiros e Sítio Escola de Arqueologia e Mitologia da Chapada do Araripe. A parceria para o desenvolvimento das atividades envolve a Fundação, Ministério da Integração Nacional (MIN), prefeitura local, Geopark Araripe e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Alemberg Quindins destaca a dimensão do prêmio para a instituição, por ser um reconhecimento de uma revista de circulação nacional, levando um projeto do interior do Ceará para ser visto pelo Brasil. Levando-se em consideração que grandes personalidades do País também já foram homenageadas. "Fico feliz por estar representando o Ceará e o Cariri nesta solenidade", diz ele.

Visibilidade - São 19 anos, conforme o diretor, de um trabalho consolidado em nível local. A Fundação conta com o reconhecimento de instituições nacionais e internacionais, e também do Ministério da Cultura brasileiro. Alemberg ressalta a visibilidade internacional que tem sido dada ao projeto, principalmente em países da Europa. Este ano, foram realizados workshops em países como Itália e Portugal, com exposições itinerantes, divulgados os potenciais da região, o meio ambiente e a cultura, além da própria entidade, e apresentações de show com as crianças e jovens da Casa Grande.

São mais de 200 crianças e adolescentes assistidos pelos projetos educacionais. No Parque Ambiental dos Cajueiros, onde começa novo trabalho, são inseridas 160 crianças e adolescentes, na faixa etária de 6 a 15 anos. A educação por meio do esporte, além do resgate dos times da região, a formação de uma seleção com as crianças já estão sendo desenvolvidos por meio desse trabalho, que agora parte para a estruturação para o melhor desempenho das atividades.

Segundo o diretor, hoje a Casa Grande tem uma extensão de capacitação, dentro da área de comunicação, levando a seu modelo pedagógico para ser apresentado em universidades de Portugal e da Alemanha.

Representação
"Fico feliz com esse reconhecimento, por estar representando o Ceará e o Cariri"
Alemberg Quindins
Diretor da Fundação Casa Grande

MAIS INFORMAÇÕES
Fundação Casa Grande
Avenida Jeremias Pereira, 444
(88) 3546.1333
Escritório no Crato: (88) 3521.8133

ELIZÂNGELA SANTOS
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

PR do Ceará muda de lado e agora apoia Serra

O PR do Ceará decidiu nesta sexta-feira apoiar o candidato do PSDB à Presidência, José Serra. No primeiro turno, a legenda ficou ao lado de Dilma Rousseff (PT).

A mudança decisiva ocorreu por atuação de Lúcio Alcântara, candidato derrotado ao governo do estado pelo PR. Ele diz que se sentiu abandonado pelo PT no primeiro turno. Dilma priorizou a candidatura de Cid Gomes (PSB), que saiu vencedor.

“O PT disse que ela estaria nos dois palanques. Ficou só com o adversário. Nunca tive espaço na campanha. Optaram por me excluir”, queixou-se o ex-governador Lúcio Alcântara em sua página no twitter, na tarde desta sexta-feira.

O candidato derrotado não esconde suas mágoas com os petistas: “Não tenho vocação para estar onde não se cumpre compromisso e não se respeitam as pessoas. Não tenho idade para ficar onde estou sobrando”. Há dois dias, Alcântara foi convidado por José Serra para uma conversa, em São Paulo. Saiu de lá decidido a apoiar o tucano. O PR cearense referendou a posição do ex-governador, que teve 16,4 % dos votos.

Também pesou o fato de Dilma Rousseff ter nomeado Ciro Gomes, inimigo de Lúcio, coordenador de sua campanha no Nordeste. Lúcio Alcântara deve acompanhar José Serra neste sábado, quando o tucano visita o Ceará. Ele vai assistir a uma missa na cidade de Canindé, que comemora a Festa de São Francisco.

Tasso entra na briga – Depois de perder a disputa ao Senado, o tucano Tasso Jereissati também já mobilizou o PSDB estadual para trabalhar para a campanha de José Serra. No primeiro turno, o apoio de Tasso a Serra foi tímido. Agora, derrotado numa eleição que teve forte influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o tucano quer dar o troco derrotando Dilma Roussseff.

O apoio de Lúcio Alcântara e de seu partido pode significar uma reação de Serra no estado, o terceiro maior colégio eleitoral do Nordeste. No primeiro turno, o tucano obteve 16,3% dos votos válidos no Ceará.

O dedo do Aécio: PP mineiro decide apoiar Serra

Ontem, o PP nacional deu oficialmente seu apoio à candidatura de Dilma Rousseff. Hoje, menos de 24 horas depois, o diretório regional do PP em Minas Gerais enviou uma carta a Francisco Dornelles manifestando “apoio irrestrito a José Serra”. Nem é preciso dizer que tem as digitais dos dez dedos de Aécio Neves nesta carta. (Por Lauro Jardim)
Fonte: Veja

Veja intenções de voto à Presidência por sexo e região, segundo Datafolha

Do G1, em Brasília


O Datafolha divulgou na noite desta sexta-feira (15) mais uma pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República. Na média nacional, segundo o levantamento, a candidata petista Dilma Rousseff tem 54% dos votos válidos (que excluem brancos, nulos e indecisos), contra 46% do tucano José Serra. Nos votos totais (que contam brancos, nulos e indecisos), a petista tem 47%, e o tucano, 41%.
Pesquisa Datafolha (Foto: Editoria de Arte / G1)

Além dos números gerais, o Datafolha também calculou o percentual alcançado pelos candidatos em segmentos do eleitorado como sexo e nas regiões do país. O quadro ao lado mostra as intenções de voto totais (que não incluem brancos, nulos e indecisos) de Dilma e Serra apuradas pelo instituto.

Eleitorado masculino e feminino - Entre os homens, Dilma aparece com 51% das intenções dos votos totais, contra 39% de Serra. Já entre as mulheres, Dilma e Serra têm, individualmente, 43% das intenções

Por região -  No Norte/Centro-Oeste, Dilma foi de 44%, apurados no levantamento de 10 de outubro, para 45%, e Serra manteve os 46% da pesquisa anterior.

No Sudeste, Dilma foi de 41% para 43%, enquanto Serra se manteve em 44%.

No Sul, Dilma foi de 43% para 40%; novamente, Serra manteve o índice anterior, de 48%, de acordo com o Datafolha.

No Nordeste, Dilma passou de 62% para 60%; Serra foi de 31% para 30%.

Na reta final da eleição, avaliação de Lula volta a subir e bate recorde, diz Datafolha

A aprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a subir na reta final da eleição, após meses de estabilidade, e atingiu na segunda semana de outubro seu maior índice desde que o petista foi eleito, mostra pesquisa Datafolha realizada nos dias 14 e 15 de outubro com 3.281 eleitores de 2020 municípios.

Pela primeira vez, a aprovação do presidente chega a 81% de ótimo/bom, recorde na série histórica do Datafolha.

No levantamento realizado na semana passada, 78% dos eleitores brasileiros consideravam a administração de Lula ótima ou boa. Antes, a melhor avaliação havia sido atingida em 24 de agosto (79%).

O pior momento do petista na Presidência foi entre outubro e dezembro de 2005, quando 28% avaliavam-na como ótima ou boa. Nessa época, Lula enfrentava as denúncias relacionadas ao mensalão.

No levantamento atual, 15% consideram o atual governo regular, enquanto 4% avaliam que ele é ruim ou péssimo.

A nota atribuída ao governo Lula no levantamento atual é de 8,1, ante 8 na semana passada.

Fonte: Folha de S. Paulo

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O futuro político nordestino - José do Vale Pinheiro Feitosa

As eleições presidenciais polarizam posições e os estados que já elegeram seus governadores esquecem a sua prória disputa. Ao examinar o quadro das eleições de governadores no Nordeste, segundo as últimas pesquisas, consolida-se uma mancha contínua de lideranças do PSB. Ele poderá governar quatro estados: Piauí, Ceará, Paraíba e Pernambuco.

Quando um partido faz isso, necessariamente cria-se um campo para surgimento de uma forte liderança regional. Quando o velho PMDB efetivamente começou a criar uma grande mancha de governadores no nordeste, em 1982, surgiram novas lideranças como Tasso Jereissati junto com a já estabelecida por Jarbas Vasconcelos e Miguel Arraes embora apenas como deputado, sem contar Valdir Pires na Bahia. Depois veio o período desagregador de Orestes Quércia (só para marcar uma referência não se deveu tudo a apenas ele) e as lideranças foram criar o PSDB e o PSB.

Aliás, uma das melhores convivências histórias naquele período aconteceu entre Arraes e Tasso, o “velho” e o “novo” a balançar dois estados de grande peso na região. Não sei o papel que teve Violeta Arraes nisso tudo, mas no mínimo selava esta convivência, sendo claro que os dois políticos se originavam da grande frente do PMDB.

Sem querer adivinhar. Mas não é improvável que desta mancha do PSB se reconstitua o mesmo balanço entre Ceará e Pernambuco, com Eduardo (neto de Arraes) e Ciro Gomes (cria do Tasso). Seria um processo histórico contínuo, fácil de explicar, mas a história, embora possa ser estudada por modelos, é sempre um por acontecer surpreendente. Mas ao dizer balanço e a citar os “padrinhos” do “novo” terminei levando o leitor para aceitar como mero balanço.

Na verdade eu imagino (ou será mero desejo?) que o nordeste está pronto para forjar uma nova liderança de projeção nacional. Mais moderna, preocupada com o progresso material da grande massa pobre e relativamente mais atrasada socialmente. Sendo assim, é de se esperar uma boa queda de braço entre Pernambuco e Ceará pela liderança. E a Bahia? É boderline, ora sudestes e noutra nordeste. Além do mais perdeu a liderança do velho coronel ACM.

Olhem eles aí de novo! - José do Vale Pinheiro Feitosa

Um final de tarde num escritório de uma Agência Estatal. Aqui no Rio. Uma amiga da velha luta democrática, com cargo no governo, declara que votará nulo, advoga a derrota da Dilma, abomina o Serra, mas não vê na sua atitude nenhuma aliança com ele. Na cabeça dela. Na prática ela faz parte de um amplo movimento de classe média para derrotar o PT e dar passagem ao PSDB. Depois farão oposição ao PSDB? Entre um chope e outro.

Qual a questão desta mulher professora universitária com pós-doutorado? Algo impressionantemente banal: ela imagina que a classe média é quem financia os impostos do país e quem paga toda a conta dos pobres e não leva nada. Isso nela, imagina no resto todo pagando plano de saúde caro, escola privada caríssima, seguro contra roubo do seu carro, símbolo de progresso pessoal e assim por diante.

Outra cena. Uma cidade da periferia de San Francisco, visito uma família de classe média naquele típico subúrbio americano: jardins sem muro e quintal para fazer churrasco. O dono da casa com a corda no pescoço, ficou desempregado meses, acabou com as reservas para a aposentadoria digna, teve que receber ajuda do pai, deve uma montanha da casa própria, apavora-se com a incapacidade de não ter plano de saúde, o pagamento da faculdade da filha toma-lhe a margem de segurança, não existe qualquer alternativa e tudo lá funciona na base da grana.

A questão deste americano é a mesma dos brasileiros lá de cima. O “sonho americano” para a classe média morreu. Eles agora precisam de proteção, de algo que substitua o “sonho” por um lastro de segurança como previdência social, garantia de emprego, renda e saúde pública. Acontece que os sócios do “sonho” que se tornaram fortes com o Estado, os grandes capitalistas, se bandearam para o Global, abandonaram os patriotas e foram montar suas fábricas e gerar empregos na China e em toda a Ásia. O americano dizia: aqui não se produz mais nada. Tudo vem de fora. Viramos um país do setor terciário.

Abrindo as páginas de notícia, as manifestações correm soltas na Europa. Por lá, em crise, desmontam o “estado de bem estar social”. Diminuem subsídios sociais, acabam os sistemas previdenciários, diminuem direitos, cortam o dinheiro que ia para o bolso do aposentando e para o salário das pessoas. Na França a rebeldia é tão ampla que os defensores ideológicos do “fim dos direitos sociais” estão temerosos que as “medidas” não vinguem. Os que estes advogam é o mesmo que a professora lá de cima se revolta: direitos sociais só para gente muito pobre. A classe média que se mantenha com as próprias pernas.

Um artigo de um economista francês anda nesta linha. É o fim da picada até a revolução francesa e o advento da universalidade do direito, um tapa olhos sobre a visão da res publica e o que mais temiam: a retorno do fragmento da comunidade. Só que comunitarismo algum sobrevive por si mesmo, tende à fusão e o caminho histórico é o retorno à unidade em torno de “feudos”.

Por incrível que parece, até nas eleições brasileiras o norte aponta para o retorno da época medieval. Feudalismo restabelecido dos retalhos da urbanidade fragmentada. Quem viver verá.

Abaixando o discurso teremos de volta os “neobobos”; os “vagabundos”; os “dinossauros” a semântica de cortar salários, a demissão incentivada e deixar o funcionalismo oito anos sem reajuste da inflação com o artifício fácil de vender estatais e o patrimônio nacional.