OPERÁRIO DO VERSO
Por Cacá Araújo
Luciano Carneiro de Lima é uma espécie de mago do verso popular. É como um Midas das letras sertanejas: toda palavra que põe no mundo vira poesia. Constrói seus versos falando sobre religião, problemas sociais, tradições populares. Romanceia e faz humor.
Agricultor, carroceiro e vigilante, Luciano Carneiro é uma das mais respeitadas e reconhecidas expressões do verso popular caririense. Pobre de bens e rico de sabedoria popular, ele é considerado um cordelista completo.
Iniciou em 1975 divulgando suas poesias no Programa Coisas do Meu Sertão, do saudoso poeta e radialista Eloi Teles, primeiro na Rádio Araripe do Crato e depois na Rádio Sociedade Educadora do Cariri. Mas foi aos 12 anos de idade que se revelou como poeta, quando cantava de viola com seu irmão Cazuza.
Fundador da Academia dos Cordelistas do Crato, sendo hoje seu presidente, lá presta serviços como tipógrafo na Gráfica Coisas do Meu Sertão.
Tem mais de 40 cordéis publicados, alguns em parceria, e participa ativamente da vida cultural caririense, sendo referência para novas gerações de poetas e admirado por grandes nomes como Pedro Bandeira de Caldas (cantador), Antonio Vicelmo (jornalista), Ariovaldo Carvalho (ex-prefeito do Crato) e Geraldo Amâncio.
Cantou com Azulão do Norte, Gerônimo Bonfim, Pintassilgo e Zé Gaspar, entre os quais somente o primeiro é vivo e reside em São Paulo.
Poeta respeitado e querido pelo povo simples e por segmentos intelectuais do Ceará, foi jurado de vários festivais de violeiros, participou de festivais de folclore, simpósios de poesia, recebeu homenagens de instituições como o SESC e a Escola Agrotécnica Federal do Crato.
Casado com Luzanira Batista de Lima, com quem teve 13 filhos, dos quais 10 estão vivos, é natural de Teixeira-PB, conhecida como “terra dos poetas”, em 7 de janeiro de 1942, e reside em Crato-CE há mais de 50 anos.
Seu reconhecimento oficial como Mestre da Cultura do Estado do Ceará, através do Edital Tesouros Vivos da Cultura 2008, promovido pela SECULT, significa o enobrecimento da poesia popular e a garantia de melhores condições de peleja em defesa da alma sertaneja universal através de seu verso mágico e elaborado com talento e sabedoria.
“Eu não tive vocação / Pra diácono nem vigário / Tornei-me então um poeta
Não muito extraordinário / Mas sou com muita alegria / No campo da poesia
Um verdadeiro operário” (Luciano Carneiro)
Do Crato, foram inscritos por Cacá Araújo, além do poeta Luciano Carneiro, a mestra de reisado e lapinha Mazé Luna, a mestra de dança do coco Edite Dias e o mestre de banda cabaçal Emídio Barbosa (Mestre Bidu, falecido há pouco mais de um mês).
O nome do cordelista e tipógrafo Luciano Carneiro e os dos outros novos Mestres serão levados à publicação no Diário Oficial do Estado e os novos Tesouros Vivos da Cultura 2008 serão diplomados na abertura do IV Encontro Mestres do Mundo, no dia 2 de dezembro, na região do Cariri.
Crato-CE, 10 de outubro de 2008.
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sexta-feira, 10 de outubro de 2008
CORDELISTA DO CRATO LUCIANO CARNEIRO É MESTRE DA CULTURA DO CEARÁ
A data comemorativa à Santa Tereza d´Ávila é dia 15 de outubro. Mais de 50 mil pessoas são esperadas na cidade, que fica na região do Cariri, durante os 10 dias de festa. A abertura das comemorações foi marcada pela chegada do pau da bandeira. Trata-se de um tronco de árvore com 20 metros de comprimento que é conduzido pelos fiéis. O pau foi cortado no sítio Poças, a três quilômetros da sede do município, e conduzido pela estrada de acesso até à praça da igreja matriz. Na caminhada, muitos levavam lenços brancos para saudar a chegada do pau da bandeira. Os homens que vão conduzindo o tronco param no trajeto para descansar e tomar a famosa "cachaça do seu vigário", bebida em garrafas que é levada pelas pessoas que dão apoio à caminhada.
Muitos jovens e adultos que participam de grupos folclóricos da cidade também acompanham os condutores do pau da bandeira desde o sítio até à igreja e, no trajeto, fazem apresentações. "O tema deste ano da festa de nossa padroeira é Com Santa Tereza d'Ávila, Discípula e Missionária, Defendemos a Vida", informa o pároco, padre Wilecir Basílio Vidal. Ele informa que, durante 10 dias haverá novenas, missas, caminhadas, alvoradas festivas, visitas das imagens aos bairros da cidade. À noite, barracas para a venda de comidas típicas no calçadão da cidade, no centro. Também estão programados leilões, quermesses e shows musicais. "Esse momento, em que comemoramos nossa padroeira, é também de confraternização entre os familiares e amigos. Muitos que nasceram em Altaneira retornam nessa época para rever pai, mãe, irmãos, pessoas que não vêem há muito tempo", diz o padre Wilecir.
No dia 18, último dia de festejos, estão previstas missas solenes, pela manhã, com a presença do bispo diocesano do Crato, dom Fernando Panico, e de padres da região. Está marcada procissão para as 16 horas, saindo da praça da igreja matriz e percorrendo as principais ruas do centro de Altaneira. Os fiéis rezam e cantam seguindo o andor com a imagem de Santa Tereza d´Ávila. Ao final, haverá a bênção do Santíssimo Sacramento (representação de Jesus na Hóstia Consagrada) presidida pelo pároco Wilecir Vidal.
(Colaborou Amaury Alencar)
(Matéria publicada no jornal "O Povo" 10-10-2008)
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Armando Lopes Rafael
Há 210 anos, no dia 12 de Outubro de 1798, nascia no Palácio de Queluz – nas cercanias de Lisboa – o Príncipe Pedro de Alcântara, que viria a ser Dom Pedro I, o primeiro imperador brasileiro. Infelizmente, nosso povo pouco se interessa e pouco sabe da nossa história. Por isso, desconhece quem foi esse grande herói.
Em Portugal ele passou à história como Dom Pedro IV, O Rei-Soldado, por combater – na Guerra Civil de 1832-34 – o irmão D. Miguel, que havia usurpado o trono de sua filha, a Rainha Maria da Glória. Mas, ficou também conhecido, em ambos os lados do Oceano Atlântico, como '”O Libertador'” — Libertador do Brasil do domínio português e Libertador de Portugal do governo absolutista.
Segundo João de Scantimburgo, Dom Pedro I foi o “Clarão do Novo Mundo”. O historiador Pedro Calmon, por sua vez, considerou-o “O maior príncipe do século XIX”. Conhecido como o Rei Cavaleiro, Pedro I possuiu, dentre outros, os títulos de Imperador do Brasil, Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, d’Aquém e d’Além-Mar em África, Senhor da Guiné, da Conquista da Navegação e do Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia.
Por sete vezes foram oferecidas a Dom Pedro I as Coroas de três nações: Grécia (em 1822 e 1830); Portugal (1826 e 1834) e Espanha (1826, 1829 e 1830). Mas ele sempre teve preferência por seu querido Brasil, país aonde chegou com 9 anos de idade e que foi palco dos melhores momentos e dos maiores atos heróicos de sua breve vida.
Seu pai – Dom João VI – chegou a cogitar a criação de um imenso Império, com mais de 30 milhões de Km2, composto por possessões portuguesas espalhadas em três oceanos e cinco continentes, tendo a capital no Brasil. Não fosse o retorno apressado de Dom João VI à Europa, essa teria sido a herança deixada a Dom Pedro I.
Deve-se ressaltar ainda que Dom Pedro I era forte no físico e valente no temperamento. Polivalente, além de estadista (chegou a ser Chefe de Estado em dois continentes), foi militar, poeta, músico (é o compositor do Hino Nacional de Portugal até 1920 e do Hino à Independência do Brasil), jornalista, legislador e geopolítico. Sem esquecer que era muito religioso, domador de cavalos, exímio carpinteiro, abolicionista, apreciador das mulheres e de espírito liberal.
Por fim devemos recordar o grande interesse que Dom Pedro I teve em ampliar as Forças Armadas do Brasil. Foi para impedir a sua redução que o jovem imperador dissolveu a Assembléia Constituinte de 1824. A nova Constituição foi elaborada por um Conselho de Estado indicado pelo novo imperador e submetida à aprovação de todas as Câmaras Municipais do Brasil, por elas aprovadas, a começar pela do Rio de Janeiro.
Dom Pedro I morreu no Palácio de Queluz – aos 36 anos de idade – no mesmo quarto em que nasceu. Em 1972, no 150º aniversário da independência brasileira, seus restos mortais foram transportados para o Brasil, onde se encontram na cripta do Monumento do Ipiranga, na cidade de São Paulo.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
COMEMORAÇÕES ELEITORAIS
O governo governa e o povo reclama dos eleitos. Até novas eleições. No meio vem toda aquela enxurrada de corrupção, má administração, traições de promessas, abandono de princípios e o jogo jogado que não tem a mesma natureza do jogo de azar. É jogo dirigido, com ganhadores já definidos no financiamento do candidato e nos acordos do cotidiano das administrações.
No dia seguinte as manchetes abrirão com a vitória dos candidatos dos jornais. Blogs e sítios, financiados por candidatos, também comemorarão. Claro que existem os perdedores, mas neste caso as manchetes serão mais sutis, transformarão derrota numa vitória subentendida e subjetiva. No dia seguinte a realidade será a de sempre: a democracia representativa e não a democracia real e direta.
A condição primária para uma democracia real e direta será a disposição da sociedade e da política de abrirem as entranhas das disputas de classes sociais. Como sabemos as classes sociais se territorializam. E toda política pública só pode acontecer num território. Assim é que o Bairro da Batateira irá disputar melhorias com bairros das classes médias tradicionais da cidade. Do mesmo modo é que a evolução política se torna mais objetiva e clara, pois cada vez mais cada indivíduo, nesta construção da política real, terá maior certeza dos objetivos do seu território e saberá conduzir o dia-a-dia com maior resultado.
A condição secundária da democracia direta e real é a criação de novas instituições. Mesmo que sejam próximas das instituições formais como a câmara de vereadores e a prefeitura. Mas é preciso que reuniões em assembléias com decisões e deliberações, que o voto plebiscitário, entre outros mecanismo como conselhos temáticos, debates e audiências públicas se tornem veio da implantação e implementação das políticas públicas.
domingo, 5 de outubro de 2008
Pássaro cearense, padrinho de ouro
O patrocínio do naturalista inglês à luta do soldadinho-do-araripe para se manter vivo fez a felicidade de seus defensores no Brasil, reunidos nas Ongs SAVE (capítulo da Birdlife no Brasil) e Aquasis, do Ceará, esta última responsável pela guarda da espécie. Foram seus técnicos que, no final de 2006, elaboraram o plano para sua conservação que está em vigor. A história de como o pássaro conseguiu padrinho tão poderoso começou em 2007, quando a feira inglesa decidiu pela primeira vez adotar como tema as espécies de aves criticamente ameaçadas de extinção – 189 no total – ao redor do globo.
Para escolher as cinco espécies mais representativas dessa legião de bichos despossuídos – e que levariam todo o dinheiro arrecadado com a bilheteria da feira realizada em Londres – a Bird Life convocou seus capítulos em diversos países a indicarem candidatos. Quem ganhou a distinção no ano passado também foi uma ave brasileira, o formigueiro-do-litoral (Formicivora littoralis), que ocorre principalmente na região de Massambaba, Cabo Frio, na costa do Estado do Rio. Junto com a distinção, o formigueiro ganhou um padrinho suíço que destinou fundos para sua conservação. Logo que a feira de 2007 terminou, Pedro Develey, diretor de conservação da SAVE-Brasil, conversou com amigos e decidiu designar o soldadinho-do-Araripe para a edição de 2008.
O bichinho, além de símbolo da feira, ganhou o patrocínio de Attenborough, que assumiu a função de defender o soldadinho-do-Araripe pelo mundo e captar recursos para a guardiã da espécie, a Aquasis, prosseguir com o trabalho de conservação. “É uma personalidade mundial de comunicação, tem um poder de mobilização de milhões de pessoas no mundo inteiro. Não tem ninguém que se compare a ele no trabalho de divulgação, conservação, alerta aos problemas que estamos enfrentando. Portanto, o fato dele aderir à causa de uma espécie brasileira é muito relevante”, diz Guto Carvalho, organizador do Avistar, o encontro anual de observadores de ave do Brasil.
A história desta ave é curiosa. Em dezembro de 1996, o então estudante de biologia, Weber Girão, foi a uma expedição na Chapada do Araripe em companhia do professor Galileu Coelho, da Universidade Federal de Pernambuco. Galileu levava consigo um gravador com a voz de uma ave que nunca escutara, e perguntou para Girão se ele gostaria de acompanhá-lo no local onde havia registrado o canto. Diante da resposta positiva, os dois tocaram o canto para atrair seu autor. Quando o soldadinho-do-Araripe apareceu, os pesquisadores perceberam logo que estavam diante de uma raridade.
“A diferença entre ele e as outras espécies era tão nítida que já sabíamos se tratar de uma descoberta”, diz Girão, hoje biólogo da Aquasis. A sua descrição, no entanto, só aconteceu dois anos depois. Foi publicada na revista Brasileira de Ornitologia, que na época se chamava “Ararajuba”. Para conseguir entender a ecologia da espécie, Weber voltou para a Chapada e coletou um indivíduo de cada sexo. Eles tiveram que morrer, mas abriram espaço para um amplo trabalho de conservação. Hoje, os dois exemplares estão na coleção da Federal de Pernambuco.
O habitat do soldadinho-do-Araripe é restrito a apenas 28 quilômetros quadrados nas encostas da Chapada do Araripe, na divisa entre o Ceará e Pernambuco. “Lá tem uma ressurgência das águas absorvidas pelo platô da chapada, o que propicia o aparecimento de uma mata bem úmida, com árvores altas, bem diferente da Caatinga e do Cerrado”, explica Thieres Pinto, biólogo do Aquasis. O pássaro se alimenta, basicamente, de frutos da mata e alguns insetos, mas coloca seus ovos apenas em galhos próximos a uma das 300 nascentes da região. Por isso, sua ligação com a água é muito importante. Os machos da espécie, que costumam ter entre 15 cm de comprimento e 20 gramas de massa, são brancos, têm a cauda e as penas de vôo negras e um manto carmim que se estende do meio do dorso até o topo da cabeça. Territorialistas, eles não andam em bando e protegem sua companheira e filhotes dentro da faixa de terra conquistada. “É comum avistar um macho, depois andar um pouco pela floresta e, logo em seguida, encontrar outro guardando o território próximo”, diz Thieres. Já as fêmeas têm cor verde-oliva e apresentam um comportamento tímido. Quando os filhos crescem, o pai os expulsa de seus domínios.
Sexo e topete
Uma das principais diferenças entre os sexos é o topete. Enquanto ele cresce nos machos de acordo com o desenvolvimento do indivíduo (podem até ultrapassar a ponta do bico em até quatro milímetros), a fêmea sequer tem um. Mas elas possuem penas carmins isoladas no dorso e penas de vôo um pouco menores. “É uma das aves que os turistas têm maior curiosidade de observar. Vêm pessoas do mundo inteiro, Europa, Estados Unidos, e todos querem muito encontrá-la. Ela preenche todos os requisitos: é endêmica, está ameaçada e é muito bonita”, afirma Ciro Albano, ornitólogo da Aquasis e guia de abservação de aves do nordeste.
Integrante do mesmo gênero do soldadinho-do-cerrado, o pássaro cearense tem características morfológicas semelhantes, mas uma coloração bem distinta, já que o primeiro é quase totalmente negro e tem o manto carmim. Além disso, vive em todo o cerrado e entra pela Mata Atlântica e Amazônica também. Segundo senso realizado pela Aquasis, há cerca de 800 espécimes do tipo cearense na vida selvagem, e nenhuma em cativeiro. “Achávamos que ele ocorria apenas em duas ou três nascentes, mas vimos que estávamos errados. Mas é provável que a população esteja diminuindo”, diz Thieres.
A água já é usada para a irrigação há séculos, mas somente há alguns anos os cerca de 1.2 milhão de habitantes que vivem nas proximidades da floresta úmida avançam suas propriedades para o local. A busca por novas áreas para o cultivo de culturas inovadas, como uva, também pode ser um grave impasse para a conservação da espécie nos próximos anos. De acordo com o Plano de Proteção da espécie elaborado pela Aquasis, a vazão da nascente da Batateira (Crato) já reduziu em três quartos ao longo do século XX em virtude do manejo inadequado e do desmatamento do planalto e das matas das encostas.
“A população entende a importância de proteger o soldadinho, pois isso significa também conservar a água que ela usa”, diz Thieres. Enquanto os recursos captados por sir David Alttemborough não chegam, a Aquasis espera uma resposta do Instituto Chico Mendes para iniciar as conversas sobre uma unidade de conservação de proteção integral no habitat da ave e no platô da Chapada do Araripe, onde entra a água que ressurge no planalto. Mas Pedro Develey, diretor de conservação da SAVE, está esperançoso quanto à carreira internacional do nosso soldadinho-do-Araripe. “A feira na Inglaterra é uma grande vitrine, e ele conseguiu um patrono rapidamente”, completa.
Fonte: sitehttp://oeco.tempsite.ws/
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
A maldição do frade
Mas que dá para desconfiar dessa maldição, lá isso dá! Dos 40 presidentes da República, 10 eleitos não cumpriram seus mandatos; 7 eleitos foram depostos; 1 eleito renunciou; 2 eleitos não tomaram posse por terem falecido; 1 assumiu pela força; 2 vice-presidentes terminaram o mandato de presidentes eleitos; 1 eleito foi impedido de tomar pose; 1 eleito se tornou ditador. E nos últimos 80 anos apenas três presidentes civis, eleitos pelo povo, conseguiram terminar o mandato: JK, FHC e Lula da Silva.
Isso sem falar nas cassações, exílios e impeachment...
quinta-feira, 2 de outubro de 2008

República
impopular do Brasil
A sociedade ficou fora no regime que teve de imitar mitos, hinos, bandeiras e heróis
Cláudio Fragata Lopes (*)
Alegorias republicanas
De todos os símbolos fabricados, só a bandeira vingou
O mito do herói
A mulher República
(*) Cláudio Fragata Lopes é jornalista
cfragata@edglobo.com.br
(continua)
Impopular do Brasil (2ª parte)
A sociedade ficou fora no regime que teve de inventar mitos, hinos, bandeiras e heróis
Cláudio Fragata Lopes (*)
Como salienta o historiador José Murilo de Carvalho, a campanha abolicionista foi popular: “O republicanismo, não”. Mas existem razões para isso. Desde sua fundação, em 1870, o movimento republicano foi sustentado por três correntes que se engalfinharam pela definição do novo regime: o liberalismo à americana, o jacobinismo à francesa e o positivismo, doutrina do filósofo francês Auguste Comte, difundida entre os militares brasileiros por Benjamin Constant. Eram ideologias que pertenciam ao círculo fechado das elites educadas. Seus respectivos ideários estavam acima da compreensão da maioria da população, que dispunha de baixíssimo nível de instrução.
Eis porque sua atuação era nula no palco da política organizada. No dia 15 de novembro não foi diferente. O papel reservado às massas foi de figuração, sem tomadas de Bastilhas, como na França Revolucionária.
A saída mais conveniente para a República foi a do liberalismo ortodoxo, vestido de federalismo à americana, salienta o historiador. Sem demora, porém, empenharam-se (os golpistas) em criar um arsenal de símbolos, mitos e alegorias que sensibilizasse as massas, de modo a legitimar o novo regime. ”Por meio da recriação de um imaginário é que se pode atingir não só a cabeça, como o coração de um povo”, frisa Carvalho.
Uma das medidas mais urgentes foi encontrar um herói para a República. Vários nomes destacaram-se no episódio. Quintino Bocaiúva, dono do jornal “O Paiz”, porta-voz oficial do republicanismo, era considerado “patriarca” ou “apóstolo” da República. Deodoro e Benjamin Constant disputavam o título de “fundador”, embora o mais aceito para o velho marechal fosse o de “proclamador”. O vice-presidente, marechal Floriano Peixoto, que substituiu Deodoro quando este renunciou em 1891, era aclamado como o “salvador” do regime. Nenhum deles tinha carisma popular. Para ter um herói, a solução encontrada foi promover Tiradentes ao panteão da República. Mas a celebração do 21 de abril só começou em 1891, instituída pelo novo regime.
A principal batalha pela simbologia republicana se deu em torno de uma nova bandeira e do Hino Nacional. No dia da proclamação, os participantes não tinham ainda uma bandeira. Levaram às ruas um modelo confeccionado pelos sócios do clube republicano Lopes Trovão, na verdade uma cópia da bandeira norte-americana, onde as cores imperiais verde e amarela foram conservadas nas faixas horizontais.
Quatro dias depois foi anunciada a vitória da corrente positivista. A bandeira continuaria a ser a do Império, retirando as armas imperiais e no lugar uma esfera azul com a inscrição “Ordem e Progresso”.
(*) Cláudio Fragata Lopes é jornalista
cfragata@edglobo.com.br
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Dicas aos eleitores
Eleições 2008
Armando Lopes Rafael
É claro que tudo isso tem um custo. E não falo só das despesas com o processo eleitoral em si (que são caríssimas), mas, também, dos salários de vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores e presidentes da república, pagos com dinheiro dos impostos cobrados da população.
Ninguém discute que as eleições são a base de uma sociedade democrática. O que está a merecer reflexão é se essas sucessivas eleições têm representado algum avanço para a sociedade brasileira. Qualquer pessoa medianamente informada sabe que o Brasil precisa, urgentemente, de uma reforma política para resgate da credibilidade e confiabilidade das nossas instituições e dos políticos. Infelizmente, essa reforma tem estado em segundo plano desde a promulgação da Constituição vigente. Bom não esquecer que, em 119 anos de regime republicano, a atual Constituição completa, neste 5 de outubro, apenas 20 anos de existência.
Denuncia-se, a cada eleição, a compra de votos. Tanto que o Poder Judiciário e a Igreja Católica, vêm promovendo, a cada dois anos, uma campanha educativa com o lema “Voto não preço, tem conseqüência”. Programas sociais, como o “Bolsa-família”, viram motes – nesta temporada – nos palanques eleitorais. Como se fossem uma dádiva de governantes bondosos...
E em meio a tudo isso temos uma oposição fraca e sem rumo e uma mídia forte, com alguns setores da imprensa e jornalistas assumindo o papel de partidos políticos, já que os atuais partidos não têm tradição na jovem democracia brasileira. O desempenho da mídia, aliás, vem causando desconforto a setores do governo e até à esquerda que não se reciclou depois da falência do socialismo real. Os mais radicais criticam a imprensa com o pejorativo título de “PIG-Partido da Imprensa Golpista”. Entretanto, devemos à mídia o pouco de transparência que temos no Brasil atual.
De qualquer forma temos de reconhecer que houve algum avanço nos últimos vinte anos. O Poder Judiciário goza de credibilidade. Maiores resultados só advirão em longo prazo. Com a evolução da educação do povo. Quando tivermos de fato a consciência da cidadania. Aí teremos o controle dos nossos representantes pela opinião pública. A reforma política constitui apenas o começo desse processo.
domingo, 28 de setembro de 2008
ZÉ, ESTE OURO SE ENCONTRA NA RAIZ DE TEU OUTRO NOME
E agora José? Como seremos Vikings na Lagoa do Gravatá? Lutando as lutas mais ferozes que dois artistas hollywoodiano poderiam lutar? Atravessando fiordes descomunais, através de labirintos indecifráveis formados pela vegetação aquática. Nas ações perigosas em que os barcos emborcavam (um cocho imprestável para a finalidade devida, mas um bom flutuante). Conquistando as mulheres mais lindas de Hollywood e beijando-as com tanto fervor que pequenas manchas chupadas ficavam nos antebraços.
Zé e a aquela dieta de Semana Santa no inverno do Gravatá. Dona Maria, Seu Valdemar e o velho Oscar. E Maria? Aquele lindo rosto de índia com a memória da raça branca e artefatos dos negros. As chuvas que se casavam com o solo pedregoso do sertão e nele fertilizava uma variedade sazonal de legumes para os sertões: maxixe, jerimum, milho e feijão verde. O queijo de coalho soando como borracha à mastigação de um baião de dois, quente e acalentador na friagem das chuvas. O clarear da madrugada sobre a cerca do curral, um copo com o fundo coberto de açúcar para em seguida encher-se de leite mugido. Mais um pouco o café, leite quente e cuscuz de milho novo.
A manhã começava com as trilhas em busca do gado no pasto. Em que área pastavam? Subir a trilha do serrote, ladear as locas de pedras, uma semicaverna, cercada de imbés e cactos. A flor da coro-de-frade. A mais exótica flor que conheço. Plumosa, redonda e inchada feito um bolo no forno. Os coxins da cangalha eram preenchidos por tal pluma e todos os sertões assim eram transportados. Mais uma distância na trilha da caatinga e chegávamos à Lagoa da Besta, no alto do serrote, cercada de lajedos, com as margens preenchidas por variada nascença de cactos: xique-xique, rabo-de-raposa, coroa-de-frade, entre outros. A manhã satisfeita, os bezerros achados e sem bicheiras e voltávamos para a casa. Em seguida ao açude.
Raras vezes se tem a oportunidade de tamanha proximidade com os pais. Manoel Vieira, Zé do Vale, entre um visitante ou um morador tomávamos banho como se fôssemos todos iguais. Os adultos brincavam feito crianças em fantasia de trabalho e as crianças trabalhavam feito adultos em fantasia de brincadeira. Desafios de mergulho, de nado, de pular. E as gozações consequentes dos erros e acertos propostos. Quando a manhã terminava o almoço se tornava rara iguaria na cozinha da casa do vaqueiro. Na estação pós prandial, as redes que os adultos mergulhavam no sono e as crianças se aquietavam até se juntar com mais alguém e se aventurar nos arredores.
Brincar sob a copa da cajaraneira ou dos pés de umbu. Seguir até a loca da pedra na encosta do serrote e de lá avistar todo a planura do revelo sertanejo. Imaginamos que nos limites da visão chegávamos a enxergar as vertentes da chapada do Araripe. Foi nesta loca de pedra que o Velho Antonio Dão se escondeu com um rifle carregado para atirar em inimigos do cangaço. Naqueles idos nas locas de pedra a mais curiosa das coisas seria observar a destreza dos cabritos e bodes aos saltos, numa beirada de abismo, com tanta naturalidade que parecia parte móvel daquele granito sertanejo. Lá pelas 16 horas catar no mato gravetos de galhos secos e juntar no terreiro da casa para a fogueira da noite.
Mais um banho de açude. O jantar e a roda em torno da fogueira. Cadeiras comuns e algumas espreguiçadeiras faziam o grande evento da noite. Mas também uma roda em que estivesse Manoel Vieira e Zé do Vale se assemelhava a algo da era de ouro da Grécia, através das ruidosas ruas da Roma Imperial e na confluência entre o Império Bizantino e a Roma dos Papas. Isso tudo misturado com dois sábios que tinham raízes profundas na vida sertaneja, na rudeza cruenta do couro de animal e das pontas das varas no canto da cerca. Os vizinhos de alguns quilômetros se aproximavam, os moradores e a conversa se expandiam no maior teatro que jamais haverá outro igual. A não ser o próprio.
O teatro se dividia em duas partes. Uma plana formando a base, menor que a outra, abobada e envolvente. Nesta base plana, embora na redução da capacidade do olho humano, sentia-se pela linha do horizonte que muito mais distância havia que nossa pouca imaginação. Nesta base ocorria todo o horizonte de eventos da terra e suas manifestações. Inclusive nós. Já na abóbada, vez por outra singrava a luz direcionada dos primeiros momentos dos satélites artificiais, por lá eventos da crosta já fugiam para o teto universal e tão intensamente cheio de planetas e estrelas que o rebaixamento da imaginação desconhece. Literalmente, a não ser por nossa velha confiança na força de gravidade, estávamos a um passo de flutuar no universo real e infinitamente maior que o cotidiano urbano.
Agora Zé, façamos a contabilidade daquelas noites: a exata dimensão do sertão; somada das histórias locais; adicionadas da cultura ocidental; do teatro universal e das telecomunicações com o estrangeiro. Dos demais já falei, resta esta telecomunicação. Um rádio transglobe, com aquelas faixas que giravam com um botão, sintonizando a rádio de Moscou, a Voz da América, a BBC de Londres, alguma estação escandinava com música clássica, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. O saldo destas noites vale toda uma vida. Até a vontade de amanhecer e entardecer tantas vezes mais quanto possível.
Pois é Zé Flávio Pinheiro Vieira, não há um minuto que não valha um século de reflexão e um século que não valha uma noite estrelada com aqueles companheiros de então.
sábado, 27 de setembro de 2008
OS FILÓSOFOS DA BATATEIRA E O DÓLAR
Naquele princípio de conversa, sem um tema para discutir as conversas surgem espontaneamente. Como uma piada, muito inocente para o gosto humorístico atual, desenvolvida por Mitonho:
- Um casal estava apaixonado. Arriados os quatro pneus e mais o de suporte. Aí o rapaz questiona a moça "como vamos casar sem dinheiro?". Ela no desejo imediato responde "meu bem me basta olhar para você que a fome passa". Casamento consumado, vem a fome e a esposa se queixa. O rapaz estranha "mas você não disse que bastava me ver para que a fome passasse?". Ao que ela responde: "mas não estou nem te vendo?".
Chico Preto, o líder dos filósofos, aproveita a história de Mitonho para iniciar a conversa:
- É isso aí. Nós somos, talvez, o único animal com maior capacidade de elaboração interior. Somo animal de inteligência, temos estratégias para defender a vida, temos manhas, seduções, mentiras e verdades, temos filosofia e história. Temos técnicas para manipular o planeta e até o espaço interplanetário. Mas continuamos dependendo da matéria do planeta para chegar nos próximos minutos.
- Chico, peraí! – Chambaril levantou uma questão - E a nossa alma? Temos um espírito! Algo que supera esta matéria do mundo. Chico tem uma virtude: não é arrogante nem no olhar e nem na postura e argumenta com Chambaril:
- Até hoje só a morte supera a matéria. Mas a morte não é uma entidade, uma essência, a morte é tão somente um fato, uma ocorrência que até funciona como um marco de passagem, mas não um conteúdo independente do mundo. Ela é totalmente dependente que o fato se antecipe de nascimento. Então quando digo que a vida material das pessoas é muito significativa é porque se algum de nós deixar de trocar o ar do pulmão por mais de cinco minutos, já se encontra ameaçado. E cinco minutos não é nada na nossa vida.
Zé de Dona Maria levanta uma questão de condução da reunião:
- Mas qualé o assunto mesmo da reunião? Chico ajusta sua postura na fala e se responde: É a crise americana. Biô aproveita para dar umas estocadas na arrogância americana. Chico Breca diz que nada de ruim pode acontecer com o Brasil. Fan põe o indicador puxando a pálpebra inferior do olho e diz: não afeta? Olha aqui ó!" Na verdade muitas outras visões pessimistas e outras tantas de fé no sempre forte EUA surgiram pela voz de Placa Branca, de João Barros e até pela boca do pouco falador Pinga. Chegara a hora de um encaminhamento do assunto. Tantas visões, muitas em choque não levariam a nada.
Chico retomou a palavra:
- Na busca pelo atendimento das necessidades da vida material nós compramos e vendemos estes recursos. Isso já com dinheiro arrumando a conversa e uma bem dosada regra de convencimento chamada de preço. O valor em moeda do que tenho para comprar e alguém tem para vender. Depois o mundo ficou mais esperto. As pessoas envelhecem, se aposentam, adoecem, ficam inabilitadas para o trabalho e então como a moeda é a garantia de que pode operar no mundo material, a pessoa faz poupança para os tempos ruins. E aí surge mais outra coisa.
João de Barros passa a mão sobre a pança lustrosa e brinca: aí parou. Não tem mais o que se dizer. A poupança é o fim da linha. Chico ri, pois sabe que o João deu ênfase para que a próxima explicação ficasse didaticamente mais fácil: Não. Não é o fim da linha. Aí as pessoas que querem uma coisa, mas não tem todo o dinheiro, pega emprestado de quem tem poupança e devolve aquele dinheiro com juros para compensar e estimular o poupador a emprestar. Mas aí.....
- Égua ainda tem outro aí! – Com certa irritação Bacurim exclama. Chico explica: Tem. Como o poupador pode juntar muito dinheiro, ele não tem meios para saber se quem está pedindo emprestado tem ou não condição de pagar-lhe. O que ele faz? Entrega esta atividade para um Banco. Com isso o Banco passa a ser na verdade o grande analista da capacidade do solicitante de dívida e com isso o Banco vira o maior emissor de dívida do mundo material.
- Eita ferro! É os americanos escritim. Tudo é no banco. Quem tá quebrando são os bancos. – Grita Mitonho, mas Chambaril logo rebate: Uma ova. Quem vai quebrar são as pessoas que têm poupança. Quem é devedor é caloteiro, mas o poupador é o perdedor. Chico Breca dar uma paulada final: Como não existe uma categoria separada de poupador e tomador de empréstimo, a mesma pessoa é um e outro ao mesmo tempo, todo mundo tá fodido. E Chico completa: o pior de tudo é que pelos próximos anos o mundo vai funcionar assim como um queima de estoque para balanço. Vai ficar todo mundo tonto para saber o real valor das coisas. Vai ser assim como casal se separando, cada um querendo levar vantagem sobre outro, briga de todo tamanho, pois afinal aquele céu arrumado pelo dólar é quem está em crise.
- E é assim? Desta monstruosidade? – Pinga se preocupa e Chico explica: "É isso mesmo. Como é que o mundo vai funcionar com uma regra que está toda lascada? Ninguém olha mais para o dólar sabendo do que se trata. O Brasil, podem contar aí, vai passar por um pedaço muito ruim. Não adianta achar que o dia amanheceu igual, pois hoje ele é outra coisa.
Nisso passa uma ambulância do socorro de emergência com buzina a todo grito na direção do bairro. A reunião não tem mais quem segure. Filósofo é ingrato como todo ser humano. Surge uma novidade e todo mundo corre para saber do que se trata. Não tem nem ritual de encerramento. Cada um queria seguir à frente dos outros para se antecipar nas explicações. Os filósofos da Batateira estão ficando um tanto parecido com o meio acadêmico.
José Miguel Vivanco, diretor da organização de direitos humanos Human Rights Watch, conta, pela primeira vez em detalhes, como foi deportado da Venezuela por divulgarrelatório sobre as arbitrariedades do governo chavista
Diogo Schelp
Gilberto Tadday e Fernando Llano/AP
Como foi a sua expulsão da Venezuela?
Os policiais estavam esperando por vocês na porta do quarto?
O que o senhor fez?
Não lhe permitiram entrar em seu quarto?
Seu colega foi junto?
Como vocês saíram?
Vocês foram levados diretamente ao aeroporto?
O avião estava esperando por vocês?
Houve algum problema na entrada na Venezuela?
O governo venezuelano os acusou de estarem a serviço do governo americano. Faz sentido?
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Boa notícia
Arrecadação federal bate outro recorde
25 de Setembro de 2008 17:53-->
Comentário:
Lembremos de outra Notícia, esta divulgada em 27-10-2007:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje a prorrogação da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira–CPMF. A PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prorroga a cobrança da CPMF até 2011 está no Senado, onde enfrenta a resistência da oposição para ser aprovada. Lula acrescentou: “"Todo brasileiro de bom senso sabe perfeitamente bem que não há país ou empresa no mundo que possa prescindir de um imposto que lhe garanta R$ 40 bilhões no orçamento sem criar outro imposto. Até porque eles (os senadores oposicionistas) sabem que se não aprovar, quem vai perder é o povo brasileiro e o povo que se beneficia das políticas públicas que estão previstas nos investimentos do governo".
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Lucho Torres Bedoya
Amanhã (26) e nos dias seguintes, 27 e 28, realizar-se-á, em Fortaleza, o Seminário Estadual em Ciências da Religião intitulado: Milagre, Martírio e Protagonismo da Tradição Religiosa Popular de Juazeiro: Pe. Cícero, Beata Maria de Araújo, Romeiros/as e Romarias. O evento é promovido pelo Instituto de Ciências Religiosas - Icre. O assunto, que continua a despertar interesse, suscitando reações e posicionamentos diversos, será abordado em intensa programação que consistirá de conferências, seminários temáticos, oficinas, mesa redonda e atividades artístico-culturais (sala de exposição, teatro, repentes, e apresentação musical), oferecidos por pesquisadores qualificados da área e por conhecidos mestres da cultura.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Saiu na "Folha de S.Paulo", 23-09-2008
23/09/2008 - 05h29
Combate à corrupção "estanca" no Brasil, diz Transparência Internacional
da BBC Brasil
O combate à corrupção "parece ter estancado" no Brasil nos últimos anos, segundo o relatório anual da organização Transparência Internacional (TI), divulgado nesta terça-feira. O índice de percepção de corrupção --que reflete como cidadãos em diversos países vêem o combate a este mal-- calculado para o Brasil permaneceu em 3,5 pontos, intocado em relação ao ano passado, em uma escala que varia de 0 a 10. Segundo a ONG, a situação do Brasil é ilustrativa da regional: 22 dos 32 países da região incluídos no levantamento ficaram abaixo dos 5 pontos, o que indica problemas sérios de corrupção. Destes, 11 sequer passaram dos 3 pontos, marco indicativo de corrupção desenfreada. Em sua análise para as Américas, a TI qualificou os resultados como "tendência infeliz para a região nos últimos anos". "Os esforços anticorrupção parecem ter estancado, o que é particularmente perturbador à luz dos programas de reformas de muitos governos", afirma o comunicado da ONG. Judiciário A pontuação foi obtida pela análise de diversos indicadores --no caso brasileiro, sete foram utilizados como fonte. As pesquisas mostraram que a América Latina tem o pior nível de confiança no seu Judiciário: quase três em cada quatro latino-americanos entrevistados em dez países da região declararam acreditar que existe corrupção nesta esfera de poder, afirmou a TI. Além disso, 54% dos entrevistados em uma pesquisa no ano passado disseram esperar que a corrupção aumente nos próximos três anos --uma proporção que era de 43% há quatro anos. "Esses elementos comuns parecem ser fatores determinantes no perpétuo sentimento de impasse na luta contra a corrupção na América Latina e no Caribe", afirmou o documento. "A região avançou significativamente na adoção de convenções e instrumentos legais contra a corrupção, mas está claro que muitos países ainda carecem da aplicação efetiva da lei." O professor Johann Graf Lambsdorff, da Universidade de Passau, que elabora o Índice para a TI, diz que há evidências de que melhorar um ponto no índice de percepção da corrupção aumenta as receitas de um país em até 4%, e a afluência de capital em até 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto).
"Desastre humanitário"
Dinamarca e Suécia lideram o ranking, desta vez ao lado da Nova Zelândia --o antigo terceiro lugar, a Noruega, ficou em 14º e foi uma queda marcante no relatório deste ano, notou a ONG. Piores
Já a Somália, Mianmar, Iraque e Haiti registraram os piores índices. A Transparência Internacional procurou destacar o que chamou de "relação fatal" entre pobreza, instituições decadentes e corrupção. O mal adicionará US$ 50 bilhões --cerca de metade do volume de ajuda econômica anual global-- ao custo de alcançar os Objetivos do Milênio em acesso a água e saneamento básico, estimou a ONG. "Nos países mais pobres, os níveis de corrupção podem ser a diferença entre a vida e a morte quando está em jogo o dinheiro que vai para hospitais ou para água potável", disse a presidente da TI, Huguette Labelle. "Os altos e persistentes níveis de corrupção e pobreza que assolam muitas das sociedades mundiais são o equivalente a um desastre humanitário e não podem ser tolerados." Ela notou que mesmo nos países ricos o problema é preocupante, normalmente por falta de uma legislação que fiscalize a atuação das grandes companhias em outros países.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
A ARTE COMO DISCURSO POLÍTICO
O texto de Frei Betto deve tocar fundo os corações de muitas pessoas que sente profundamente a evolução dos tempos presentes. Por isso mesmo é preciso contemplar que a arte cinematográfica não é a causa disso tudo. Apenas reflete um ordenamento da vida social e econômica que tem por eixo exatamente esta simultaneidade de vida. Em última análise uma conformação intelectual e sensitiva com uma realidade efetivamente imposta, histórica, pois terá fim, fruto de movimentos sociais e políticos. Enfim, toda esta volúpia de poder e riqueza é a regra do ordenamento geral. Afinal o cinema é uma mera narrativa da "ideologia" desta ordem, pode ser um pouco mais, se apresentar como crítica a ela, mas convenhamos que neste quase século e meio de sua existência ele é pouco demais para o tempo da história.
O outro dado a se considerar é o papel da música e da poesia com o qual Frei Betto explicita uma verdadeira experiência mística. Neste sentido a alma do frade se encontra num estágio por demais contemplativo para que ele se dê conta da força de sua argumentação na primeira parte do artigo. Seria como se diante de tanto desalento frente ao quadro geral da humanidade, nele encontrasse uma pepita brilhante com a qual pudesse finalizar de modo positivo o seu pessimismo introdutório. Mas também isso não é possível. Afinal a música e a poesia não se colocam em "categoria" distinta do cinema. Aliás, todos são partes dos mesmos recursos culturais dos tempos atuais. O próprio Nietzsche em suas diatribes contra Wagner, quase que na escala do dissabor pessoal, já alertava isso em relação à música. É que a música e a poesia são "discursos" humanos, históricos, providos de toda carga de tempo, assim como o cinema, portanto de ideologia, com intenções de se tornarem politicamente dominantes. No meu entender, por mais que gostasse de navegar na utopia de Frei Betto, não pude deixar de pegar na maçaneta da porta do tempo em que estes ficam para trás e um novo tempo se abre como uma utopia datada, mas certamente no território da humanidade.
Custos da Monarquia
Rogério da Silva Tjader (*)
Anos atrás, a revista Time publicou um artigo sob o título “A Magia da Monarquia Continua”, no qual constava textualmente:
“Uma das principais críticas à Monarquia consiste em dizer que ela é demasiadamente dispendiosa. Mas os Presidentes de Repúblicas também gastam e não estão aptos a governar com reis e rainhas que para isso foram educados. E os Presidentes nem sempre são tão honestos como eles, desde os europeus até os asiáticos.”
Por ocasião da independência da Noruega, quando o Parlamento votava a forma de governo a ser adotada, a Monarquia foi escolhida por 100 votos contra 4 a favor do regime republicano. Nansen – o Presidente do Parlamento – justificou o resultado dizendo:
“Optamos pela Monarquia por 3 razões básicas: é muito mais barata, concede mais liberdade, além de ter mais autoridade para defender os interesses nacionais”.
(*) Rogério da Silva Tjader é professor de História, titular em várias Faculdades, no Estado do Rio de Janeiro.
Duas cenas na vida do Padre Cícero
Nota: as cenas acima foram relatadas por Maria Assunção Gonçalves, que conviveu com o Padre Cícero, ao autor destas linhas, e gravadas em julho de 2004.
sábado, 20 de setembro de 2008
ONDE ANDA VOCÊ?
O que deu errado? Uma longa fase de crescimento rápido, inflação e juros baixos e estabilidade macroeconômica gerou complacência e elevou a disposição para riscos. A estabilidade levou à instabilidade. (Martin Wolf – Financial Times)
Aí dizemos dos Estados enfraquecidos, insuficientes para coisas complexas. Estados enxugados e reduzidos a uma linha de base que não interviesse nas leis de ouro do capitalismo. Aliás, cada vez mais as leis do capitalismo se reduzem a uma única: demanda e oferta. Uma vez deixada ao sabor dos seus movimentos, os agentes racionais, que se disseminam no mercado, conhecem exatamente a estrutura da economia e deste modo são capazes de se antecipar à evolução dos fatos. Aí o mundo segue. Mas o mundo é como um animal mesmo, mais que o outro animal do mercado, agita-se e a racionalidade perde a tramontana. Só não se imaginava que um ultra liberal como Martin Wolf viesse dizer que a regra de ouro, ela mesma, levasse à crise.
Mas tem um dado que nos deixa mais confusos. E confusão como sintoma mesmo de um contraditório que atravessa nossa visão, mas não o entendemos, pois nosso modelo de mundo racional se antepõe a esta visão. Ambos não combinam. Qual seja, se o neoliberalismo enxugou os Estados, levou tudo ao Estado Mínimo, que tanta grana é essa que sai das burras dos Estados nacionais para encher as malfadadas ações do mercado? Então o Estado era mínimo, mas o caixa era máximo? O Estado nada podia, era insuficiente e agora pode tudo, até nos salvar de uma quebradeira ao estilo anos 30? O Estado pode fazer guerra ao terrorismo, punir nações não pagadoras, punir populações rebeldes? Tem algo efetivamente contraditório nisso tudo.
Uma maneira de dirimir a contradição é contemplar se efetivamente ela existe. E ao que tudo leva a crer ela não existe. Jamais o capitalismo pôde abdicar dos Estados Nacionais. Apenas precisava limar limites nacionais para que os capitais, especialmente o financeiro, pudessem fazer o jogo livre de "novos produtos" para ganhar dinheiro, inventar a securitização, os derivados e jogar solto na face oculta da Globalização. Mas aí vem a revelação clara da era neoliberal: não se tratava de reformas para o livre mercado, mas de controle sobre os ganhos do trabalho e a proteção social que os movimentos trabalhistas haviam implantado nas sociedades do pós-segunda guerra.
A prova cabal foi a ampliação a quase início do século XX das desigualdades sociais em todo o ocidente. E agora que os Estados têm que salvar as empresas, como fica a questão do trabalho e das sociedades? Será muito pouco improvável que uma crise social não surja deste cenário. Uma crise social que tenderá a rever todo o rebaixamento da vida dos trabalhadores. Não é possível que após a farra das empresas um novo arranjo não se faça. Uma das coisas que mais chocou nos fatos da agonia do Leahman Brothers não foi apenas a sua quebra, mas essencialmente reconhecer-se que o banco operava com produtos fora da regulamentação, "inovadores" e o pior de todos os pecados, não contabilizados.
Uma contabilidade mentirosa, que não revele a verdadeira situação das empresas, é um dano irreparável ao capitalismo. Especialmente ao que resta de vida nele que são os chamados "agentes racionais" pois como este poderão tomar atitudes racionais se as informações não se ajustam à realidade? E vejamos que isso é um grande problema nos EUA, todas as famosas agências de risco erraram feio em sua previsão. Todas estão no furacão da crise, prestes a quebrar ou serem vendidas. A racionalidade esteve a serviço do irracional.









