50 ANOS DE ENSINO UNIVERSITÁRIO
Este ano, comemora-se o jubileu de ouro da instalação da primeira escola de ensino superior do Cariri: a Faculdade de Filosofia de Crato. Deve-se esta instituição ao idealismo do eterno reitor Martins Filho, que contou com o decidido apoio do professor José Newton Alves de Sousa. Este último reside atualmente em Salvador (BA) onde, depois de aposentado pelas universidades baianas, fundou e dirige a Academia de Letras e Artes "Mater Salvatoris". Trata-se de ilustre cratense que teve seu nome cogitado, em 2000, na relação prévia para a escolha do “Cearense do Século”. As urnas, no entanto, deram vitória a outro cratense: Padre Cícero.
MARCO ZERO DE JUAZEIRO
Juazeiro do Norte vai ter o seu marco zero, a exemplo de Recife, Curitiba e Porto Alegre. Trata-se de um obelisco que será erguido no exato local onde surgiu a cidade, fato ocorrido em 1827, a partir da construção da capelinha de Nossa Senhora das Dores, pelo Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro. O marco zero ficará próximo à cúpula da Praça dos Romeiros, em frente à Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores. Naquelas imediações surgirá, também, a Rua do Centenário – localizada entre o Centro de Apoio ao Romeiro e os arcos da Basílica Menor – possibilitando o contorno para quem desce pela Rua São Pedro e retorna pela Avenida Padre Cícero.
ENQUANTO ISSO...
O obelisco do centenário de Crato, localizado na Praça Juazez Távora (popularmente conhecida como Praça de São Vicente) encontra-se deteriorado, carente de pintura, e escondido e espremido entre duas mal localizadas mangueiras, cujas raízes já prejudicaram os alicerces do monumento. O obelisco de Crato precisa urgentemente de estauração, juntamente com a praça. Esta, construída há 56 anos, até hoje, nunca recebeu nenhum melhormento ou conservação.
CARIRI SERVE DE MODELO
A Unesco vem incentivando o surgimento de novos geoparks no Brasil. Para tanto, o Geopark Araripe vem sendo mostrado como um modelo exitoso de geopark. Dias atrás, o governo do Mato Grosso do Sul e o Ipahn promoveram um evento para criação do Geopark na Serra da Bodoquena, que englobará parte da área do Pantanal matrogrossense. Para proferir palestras sobre o êxito da implantação do Geopark Araripe estiveram em Campo Grande (MS) os professores André Herzog e Alexandre Feitosa Sales, considerados os maiores conhecedores, no Brasil, nessa nova modalidade de preservação ambiental.
BOA INICIATIVA
Um escritório de arquitetura de Fortaleza está ultimando o projeto de revitalização das praças centrais de Crato, cujas obras terão início no segundo semestre deste ano. O projeto inclui a sinalização dessas praças, bem como de edifícios históricos da Cidade de Frei Carlos. As ruas centrais de Crato serão dotadas de placas indicativas onde constarão também os nomes antigos dessas vias urbanas. Aguarda-se, dentro da restauração das praças cratenses, a construção de um monumento ao fundador da cidade, Frei Carlos Maria de Ferrara.
TROCA, TROCA
Vem de longe, segundo Armando Rafael, o costume de mudanças nas denominações tradicionais de Crato. O cemitério público, construído em 1853, tinha o nome de Bom Jesus dos Pecadores. Nos dias atuais é chamado de Nossa Senhora da Piedade. Já a capela desse cemitério foi dedicada, inicialmente, a Nossa Senhora dos Remédios. Hoje no seu altar pontifica uma imagem de Nossa Senhora Rainha dos Corações. É Armando ainda quem lembra: no final do século 19, Crato possuía 11 ruas principais, denominadas de Rua de Santo Amaro, da Pedra Lavrada, das Laranjeiras, do Pisa, Formosa, Grande, do Fogo, da Vala, da Boa Vista, Nova e do Matadouro. Já as travessas possuíam os seguintes nomes: Travessa do Cafundó, da Caridade, do Candéia, da Matriz, do Sucupira, de São Vicente, do Charuteiro, do Cemitério, da Ribeira Velha, do Barro Vermelho, da Califórnia, do Pequizeiro, da Taboqueira, das Olarias, da Cadeia e do Pimenta. Tudo trocado por nomes de pessoas cujas biografias são desconhecidas da população...
PENSE NUMA BURAQUEIRA
No próximo dia 12 de julho começa mais uma ExpoCrato. Milhares de visitantes virão à Princesa do Cariri e vão se defrontar com um Crato de ruas esburacadas o que causa péssima impressão. Dentre elas: a Avenida Maildes de Siqueira, proximidades do Parque de Exposição, onde as pedras toscas dividem espaço com o que restou do asfalto. Muitos buracos existem também na Rua Ratisbona e Avenida Padre Cícero, saída para Juazeiro. Idem na Avenida São Sebastião, que dá acesso ao bairro Grangeiro. A pergunta que se impõe: ainda dá tempo a Operação Tapa Buraco visitar essas ruas?
CURTAS
– Juazeiro do Norte resgata seu passado histórico. A humilde casa de taipa onde nasceu a beata Maria de Araújo era exatamente onde hoje fica o prédio dos Correios. A Prefeitura de Juazeiro, em parceria com o governo federal vai afixar uma placa em memória da Beata (...)
– Desde a última quarta-feira, 24, está circulando no Cariri o nº. 27 da revista “A Província”, publicada graças aos esforços e idealismo do jornalista Jurandy Temóteo. A nova edição bateu o recorde em número de paginas: mais de duzentas (...)
– Perguntar não ofende: como anda o cronograma de construção do Metrô do Cariri, de apenas 13 quilômetros de via férrea, interligando os municípios de Crato e Juazeiro que o Governo do Ceará anunciava para entrar em operação em 2009? (...)
– Serão abertas no próximo dia 18 de julho as comemorações do centenário de Juazeiro do Norte. A data marca os cem anos de lançamento do do jornal “O Rebate”, criado pelo sacerdote cratense padre Alencar Peixoto para lutar pela independência política de Juazeiro, à época distrito de Crato (...)
As viaturas do Programa “Ronda do Quarteirão” já estão no pátio do 2º Batalhão Policial Militar, em Juazeiro do Norte, onde será implantado nesta segunda-feira, em solenidade com a participação do governador Cid Gomes e do prefeito Manoel Santana.
JUAFORRÓ
Com certeza o Juaforró deste ano bateu todas as expectativas. Para agitar ainda mais aqueles que gostam da festa, o prefeito Manoel Santana anunciou que em 2010 que Juaforró terá 30 dias. Vale registrar nesta coluna que Elba Ramalho disse durante show que realizou no Juaforró deste ano, que o evento de Juazeiro não deve nada ao São João de Caruaru.
A URCA sediou um evento fundamental par ao atual momento do Cariri. O anúncio, por parte do presidente da Agência Nacional de Petróleo, Haroldo Lima, do início das pesquisas geológicas para saber se há ou não petróleo no Cariri. O evento contou com a participação de prefeitos caririenses, deputados, e com a presença do senador Inácio Arruda (PC do B), um dos políticos que mais lutou para que as pesquisas acontecessem.
O secretário Camilo Santana, do desenvolvimento agrário, vem trabalhando fortemente para o sucesso da Expocrato 2009, que deve alcançar em termos de negócios mais movimentação financeira do que a Expocrato do ano passado.
Seja colaborador do Cariri Agora
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Notinhas sobre o Cariri
Coletivo Camaradas vai se transformar em ONG
O Coletivo Camaradas tem feito um trabalho de resgate da atividade de artistas plásticos, abrindo espaço para intervenções artísticas em vários espaços urbanos e discutindo a importância da arte engajada.
Esse esforço levou à formação do blog do coletivo, tendo como colaboradores artistas plásticos, músicos, poetas, escritos, jornalistas e cronistas. Para aprofundar o debate sobre a importância do resgate da cultura regional, o coletivo vai agora se transformar em uma Organização Não-Governamental (ONG).
Para Alexandre Lucas, coordenador do coletivo, esse é um processo de amadurecimento natural do coletivo, que precisa avançar na formatação de projetos e ações de incentivo a uma intervenção cultural que privilegie o regional. A assembléia de fundação da ONG se dará no próximo sábado, 4 de julho, ao ar livre, no bairro Gesso, em Crato.
Esse bairro, aliás, é o mote do filme “Cabaré – Memórias de uma Vida”, produzido por integrantes do Coletivo Camaradas. Após a fundação da ONG o filme será exibido “no meio da rua” como definem os integrantes do coletivo, para que toda a comunidade acompanhe a película.
Concurso público em Juazeiro do Norte
Estão abertas as inscrições para o Concurso Público de Juazeiro do Norte. O período para as inscrições começa hoje (29/06) e se encerrará no dia 17 de julho de 2009.
A Prefeitura de Juazeiro do Norte está ofertando 766 vagas distribuídas em 12 secretarias do município, com salários de até R$ 4.500 Reais. As inscrições devem ser feitas, exclusivamente, pela internet, no endereço eletrônico: www.cev.urca.br.
A taxa de inscrição é de R$ 40 Reais para ensino médio e R$ 80 reais para ensino superior. Estão isentos da taxa de inscrição, Doadores de Sangue conforme Lei Estadual 12.559/95, e todos os servidores que comprovem que possui algum tipo de vínculo funcional com o Município de Juazeiro do Norte, conforme Lei 2.193, de 23 de maio de 1997.
O cartão de identificação do candidato, deverá ser entregue de 02 a 09 de agosto, e as provas serão aplicadas no dia 16 de agosto.
O Edital do Concurso com todas as correções já está disponível para downloads no site da Prefeitura de Juazeiro do Norte: www.juazeiro.ce.gov.br
Tipos populares do Crato (5)
Capela
O Crato sempre foi uma terra de contrastes. A elite convive (até certo ponto) com os seus subprodutos: bêbados, homossexuais, prostitutas, mendigos e loucos.
Dentre esses subprodutos, um homossexual impôs respeito tanto pela dignidade como pela valentia. Era Capela, um espécime alto, corpulento e de cor branca. Não tenho certeza, mas parece que ele trabalhava nos inúmeros cabarés existentes além da linha férrea, que era um verdadeiro divisor entre a boa sociedade cratense e a aquela que era taxada como a pior das escórias.
Em 1983, estávamos eu, Jackson Bola Bantim e Leonel Araripe, fazendo a pré-produção de um filme que pretendíamos realizar na bitola super-8. O filme já tinha um roteiro escrito (de autoria de Leonel Araripe) e até um título, que fazia jus ao seu enredo vanguardista: Um lance de dados, numa alusão ao poema de Mallarmé. O filme só não foi concluído por falta de verba.
Mas, num dos estudos de iluminação e locação, feito ao amanhecer, nos trilhos próximos da Estação da Rffsa, encontramos Capela, que não sabíamos se vinha chegando ou se ia indo embora, pois havia cabarés nas duas direções. Mas, fizemos algo temerário: pedimos para Capela posar para uma fotografia.
Ele, amavelmente, consentiu e até fez pose.
domingo, 28 de junho de 2009
Os governos das Américas e o Golpe Militar de Honduras
Então vem o golpe de Honduras. Irá se sustentar? Sabemos que nenhum golpe de Estado se sustenta sem apoio de Nações Estrageiras fortes. Durante a noite vamos observar as falas dos presidentes das repúblicas nos três continentes. Amahã vamos sentir as medidas práticas.
O grande teste é o seguinte: se de fato os golpistas mantiverem o poder e ele não for restaurado ao presidente eleito, tudo o mais se reverte. Em saltos da história não é possível conviver simultaneamente com a afirmativa e a negativa na mesma frase.
sábado, 27 de junho de 2009
Desastre de um transgênico ou um crime ambiental? - por José do Vale Pinheiro Feitosa
Ao se tornar sedentário, aquele homem de caça e colheita, foi de encontro à natureza: funcionou como um redutor de diversidades. A monocultura, como a soja, a cana, a laranja, a uva entre tantas, é o exemplo mais acabado e que se encontra na raiz da extinção de espécies e, portanto, da diversidade na terra.
Não é por acaso que os estudos se voltaram para um elo perdido da humanidade, para a pré-história, quando outros alimentos, mais ricos que os atuais, eram utilizados. Um caso clássico é o do Amaranto a grãos.
O Amaranto a grãos foi cultivado há cinco mil anos pelos povos primitivos do México, junto com a abóbora e a pimenta. Na cultura Asteca o Amaranto se destaca como uma grande fonte de nutrientes, de qualidade terapêutica e ritualística. Eram aproveitados os grãos até como farinha para diversos alimentos como os tamales e das folhas se faziam molhos deliciosos.
Como rito a farinha do Amaranto era oferecida no panteão dos deuses astecas e simultaneamente comidas pelos fiéis como se faz com o pão na comunhão com o cristo. Desta mesma farinha se fazia uma pasta com qual se elaboravam artesanatos para as crianças recém-nascidas, com motivos de flechas, arcos etc.
Segundo pesquisadores, o rito com o Amaranto e o abandono do seu cultivo decorreu da perseguição cristã e da imposição seletiva pelas escolhas dos conquistadores europeus. O Amaranto virou uma erva daninha da monocultura do século XX em todas as Américas, especialmente nas grandes extensões de soja.
Mais do que uma vingança vinda da pré-história o que passo a relatar é uma comprovação daquilo que a soberba e a ganância monopolista do capital faz. Falo da questão da agricultura e da criação de animais geneticamente modificados (TRANSGÊNICOS). Como sabemos objeto de grandes discussões científicas, por vezes até mesmo extremadas.
Qual o núcleo duro e racional da cautela com a manipulação e dispersão destes organismos geneticamente modificados? A primeira delas era o monopólio que as empresas de manipulação genética passariam a ter na produção dos alimentos da humanidade. Com isso tornando a iniciativa privada o cárcere dos países e dos povos. Tudo pelo lucro e a humanidade como suserana.
A segunda tinha por base a possível hibridização entre os seres geneticamente modificados e os demais. Em outras palavras, genes modificados poderiam migrar para outros seres vivos, inclusive de espécie diferente. Os grandes manipuladores negaram isso e “compraram consciências”, pois este era, inegavelmente, um fenômeno evidente na natureza: a transferência contínua de genes intra e entre espécies.
A terceira era a seleção natural. Desde muitos séculos (não apenas com Darwin que sistematizou o conceito) que se conhece o poder da seleção natural. Como também se conhece o poder ainda maior num território de monocultura, já que a seleção além de ocorrer velozmente, termina por ser substituída por uma ou poucas espécies.
Mesmo assim grandes Multinacionais como a MONSANTO, velha conhecida das lutas pelo Meio Ambiente, foi em frente e as plantas geneticamente modificadas se espalham pelo mundo todo. No Brasil a estratégia destas empresas foi corroendo por dentro das instituições e dos plantadores até que por força violenta do fato consumado, se estabeleceu.
Agora nos EUA se comprovou a migração de um gene da soja geneticamente modificada, chamada Roundup Ready para o Amaranto. Aquele mesmo que alimentava os Astecas e se tornaram a erva daninha incontrolável da cultura de soja. Como funciona a estratégia da Monsanto?
A Monsanto descobriu e produziu o Roundup, um herbicida que destrói qualquer erva daninha, inclusive a soja. É o que se chama um herbicida total. Num segundo passo a Monsanto manipula geneticamente a soja, introduzindo um gene que resiste ao Roundup. Um negócio das arábias: ganha no grão para plantio e torna cativo o plantador ao seu herbicida.
Aí aconteceu o que negavam, agora se pode afirmar e a Monsanto tem de responder por isso nos tribunais: houve hibridação entre a soja e o Amaranto. Agora só dar Amaranto, muito mais “competente” que a soja no processo de seleção natural. Os campos que antes eram de soja, agora são de Amaranto. Já se identificaram nos EUA cinco mil hectares e outros cinqüenta mil estão sob ameaça.
Tem uma saída. Sem a Monsanto por ganância, a civilização que renegou o Amaranto nos seus primórdios, agora o terá no prato. Modificado geneticamente, mas certamente livre do herbicida e da concorrência com outras espécies.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Tipos populares do Crato(4)
Tandor
Não tenho a mínima idéia da origem ou do porquê do nome Tandor. Também, os vocabularistas mais recentes não o citam. Só resta, pois, a lembrança dos que o ouviram e que o associam a um velhinho de cor negra, de cerca de um metro e meio de altura e que percorria, serelepe, as ruas do Crato, vestindo um traje exótico que lembrava um cangaceiro extemporâneo. Usava um chapéu de couro, uma espécie de farda de brim azul, de onde pendiam um sem-número de enfeites, como medalhas e fitilhos, calçava uma sandália “currulepe” e, no peito e ao redor da cintura, entrelaçavam-lhe cartucheiras que, em vez de balas, acondicionavam vidrinhos com líquidos de diversas cores. Nestes vidrinhos estavam o meio de vida de Tandor, que ele batizou como “mijo de moça”, e os vendia como se fosse uma panacéia para espinhela caída, mau olhado, dor nas juntas, coceira, pereba etc.
Dizia-se que Tandor, quando jovem, tinha sido cangaceiro ou jagunço. Essa informação pode ser um mito, construído a partir da representação que ele assumiu a partir de suas veste. Ou pode ser verdade.
Na década de 1970, Emerson Monteiro dirigiu um filme em Super-8, intitulado Terra Ardente, no qual Tandor foi um figurante, fazendo justamente o papel de um jagunço.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Tipos populares do Crato (3)
O Brigadeiro
Com a simples menção deste nome - O Brigadeiro -, nós, crianças do bairro Buenos Aires, tremíamos de medo. Isso por conta das histórias (ou seriam estórias?) que se propalavam ao seu respeito. Eram histórias que o pintavam como um homem duro, implacável, violento e, por conseguinte, bastante temido.
O Brigadeiro José Macedo ou simplesmente O Brigadeiro, como era comumente conhecido no Crato, já era um militar reformado quando eu era criança. Talvez, tenha sido o único cratense a atingir a mais alta patente da Aeronáutica Brasileira Enveredou-se na política, candidatando-se, em 1972, a vice-prefeito, na chapa encabeçada por Walter Peixoto, que depois seria prefeito do Crato por duas vezes. Era também proprietário de terra e de um engenho de cachaça. Sua casa ficava a poucos metros da minha, na Rua da Cruz, cercada por muros altos e portões sempre fechados.
Por trás da sua casa, havia (e ainda há) um belo e extenso palmeiral, conhecido ainda hoje como o Palmeiral do Brigadeiro; formado por centenas de babaçus nativos e constituindo-se numa preciosa reserva ecológica. Se esse palmeiral ainda existe, o mérito é do Brigadeiro, que além de preservá-lo, legou esta missão aos herdeiros.
Durante o período da minha infância, quando era vizinho do Brigadeiro, não me lembro de tê-lo conhecido pessoalmente. Só vim conhecê-lo no fim da adolescência, quando o Brigadeiro já estava no ocaso da vida e era um assíduo frequentador da Praça Siqueira Campos.
Uma única vez, eu conversei com ele. Foi na Loja Bolart, de propriedade de Jackson “Bola” Bantim, no início da década de 1980. A Bolart era uma loja especializada em artigos culturais (discos, livros, pôsteres, cordel, jornais, revistas, camisetas temáticas) e plantas e peixes ornamentais. A loja, situada na Rua Mons. Feitosa, próximo à Praça Siqueira Campos, era ponto de encontro de artistas, que naquele tempo, estavam órfãos de espaços aglutinadores dos amantes da arte e da cultura.
Um dia estava tomando conta da loja, a pedido de Jackson Bantim, que teve que dar uma saidinha, e eis que chega o Brigadeiro. A despeito de sua idade avançada, era um homem forte, esbelto, ereto e elegante. Depois de olhar as mercadorias expostas nas prateleiras, deteve-se em frente a um pôster de Che Guevara, com aquela clássica foto de Alberto Korda e a famosa frase “hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás”. Chamou-me e me disse: burro, este rapaz! Deixou um futuro promissor como médico para ser guerrilheiro em Cuba.
Na época, este comentário seria uma afronta à minha pessoa e às minhas crenças políticas, calcadas que eram na ideologia de esquerda. No entanto, apenas achei graça daquela observação.
Do lendário Brigadeiro José Macedo, não se poderia ouvir outra coisa.
O Irã não pode ser examinado com imbecilidades
Esta mídia que aparenta um zelo pelos fatos, mas escorrega no próprio umbigo quando tenta olhar seus valores transpostos para outros povos. Mas não apenas escorrega, levanta um olhar maniqueísta em que o bem é sempre o ocidente e o mal os outros. De fato a ética ocidental nunca superou o problema da alteridade e procura transpor “cirurgicamente” suas instituições para terceiros.
Neste dias as lágrimas de crocodilo se derramaram a sorrelfa pelos monitores de televisão. O filho do antigo Xá do Irã expôs copiosas lágrimas nas páginas chorosas do Ocidente. Ontem mesmo no Jornal Nacional, tão neutro que transmite as notícias de Israel como se sabe inimigo do Irã, entrevistava um Israelita de origem Iraniana e este chorava lágrimas “amargas” pelo povo do Irã. Parece ironia, mas não é, pois os Palestinos são vítimas de Israel e lágrimas pelo vizinho não existem.
A Inglaterra que não tem nenhum perdão da história pelo massacre de culturas pelo mundo todo, que mandou soldados destruir o Iraque recentemente, é o núcleo de tenebrosas visões. Deseja o domínio do Islã, melhor dizendo dos lagos subterrâneo daquele líquido preto e viscoso que se formam em imensa região. Ninguém efetivamente pensa no povo do Irã, apenas nas vantagens do seu território, por isso mesmo o corpo ensangüentado da jovem baleada é o símbolo do sacrifício tão útil para justificar ações que mutilam.
Será que alguém em sã consciência imagina que o discurso inusitado do Presidente Francês no Parlamento, condenando a burca e levantando a liberdade das mulheres não tem nada com esta jovem iraniana? É a mesma coisa, a velha propaganda maniqueísta ocidental, que se constitui numa peça única em todas as agências de notícias do mundo e por isso mesmo uma peça urdida e aplicada em benefício da surrada democracia européia.
Mesmo quem nasceu após a segunda guerra mundial desconfia que os Europeus pouco tenham a ensinar de globalização ou sistema mundial de paz e democracia. Destruíram suas florestas, arrasaram seus ecossistemas, esgotaram seus recursos, se expandiram agressivamente por todos os continentes e realizaram as guerras mais terríveis que resultaram em carnificinas sem igual em qualquer continente. Os norte-americanos apenas acrescentaram a eficácia da tecnologia e a eficiência de suas instituições a este mesmo modelo.
Sem dúvida que o Irã passa por grandes transformações. Que ela nasceu seguramente da revolução que derrubou o Xá. Ou nos tornamos todos imbecis ao não observar que os bons níveis de educação alcançados naquele país foi justamente uma política deliberada de anos e anos da revolução? Apenas a título de exemplificação, hoje mesmo a Miriam Leitão no Bom Dia Brasil, falava na conquista da mulher iraniana. Claro que o resultado de apenas 4% de mulheres analfabetas naquele país, em que 55% das vagas universitárias sejam ocupadas por elas faz parte de uma política de anos de incentivo à educação feminina. Ou estamos obnubilados e imaginamos que a morte daquela jovem significa que o regime persegue as mulheres. Entendemos o maniqueísmo?
É importante que se entenda o seguinte: o Irã há anos tem um projeto de nação. Já foi agredido pelo Iraque por financiamento do EUA, é ameaçado pela potência nuclear de Israel e desde alguns anos para cá é ameaçado pela Europa e os EUA por desenvolver energia nuclear. E sabem o motivo? É que tudo no Irã tem projeto de longo prazo, para cinqüenta anos adiante. Conheci quadros dos organismos internacionais que se admiravam da visão estratégica de todas as instituições iranianas.
Mais ainda, o Irã tem milionários (Rafsajani, aquele que já mandou por lá é um burguesão clássico e se opõe ao atual presidente), tem um capitalismo em ebulição e tem pobres e trabalhadores explorados. Nada diferente do resto do mundo “globalizado”. Mas o Irã tem plano estratégico e tem muitos viés que unem seu projeto, inclusive atraindo esta classe média que aparentemente se rebela. Um outro fato inegável é que o Ocidente em crise pouco oferece a quem tem problema. O Irã já se junta ao esquema de aliança da Ásia, se aproximará dos BRICs e portanto da América Latina e da África.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Tipos populares do Crato (2)
Sorriso
Todas as cidades prezam e desprezam, com a mesma intensidade, seus loucos. É uma espécie de catarse, para as pessoas tidas como normais extravasarem a pressão que pode levá-las à loucura.
No Crato, não é diferente. Ainda, hoje, apesar do rápido crescimento observado nos últimos anos, tanto do seu perímetro urbano quanto de sua população, é comum o triste espetáculo de malhação pública das pessoas tidas como exóticas, a exemplo dos bêbados, homossexuais e loucos.
Sorriso era uma louca que só vivia sorrindo, perambulando maltrapilha pelas ruas, becos e avenidas.
Em tempos de moralismo extremado, o tabu da virgindade era muito forte. Havia um forte preconceito contra as garotas que não fossem virgens, o que, fatalmente, custaria um casamento dentro do padrão esperado. Para os garotos, só restava uma alternativa para aliviar a libido: fazer sexo com prostitutas. No entanto, essa via era problemática. Só os maiores de dezoito anos podiam frequentar os prostíbulos (aqui chamados de cabaré). Os comissários de menores, a quem chamávamos de “come-sapo”, eram implacáveis e, por isso, muito temidos. Ou seja, sexo com prostitutas nos cabarés era uma possibilidade muito difícil. Restavam duas opções: as empregadas domésticas ou as loucas. E dentre as loucas, Sorriso era a primeira opção.
Sorriso teve muitas gestações indesejadas e, por conseguinte, muitos filhos indesejados também.
Por isso, talvez, Sorriso vivia a embalar uma boneca de plástico, como que lhe substituindo os filhos, tomados dela para serem criados por famílias abastadas ou não.
sábado, 20 de junho de 2009
Preito e gratidão a Lourival Luciano Filho
Ao final desta tarde fui surpreendido com a infausta notícia do falecimento do professor e psicólogo Lourival Luciano Filho, antes de tudo um colega, companheiro e amigo.
Trabalhei e convivi com Lourival por quase duas décadas, principalmente na Comissão Executiva do Vestibular – CEV da URCA. Boas lembranças tenho deste convívio, pautado por uma postura séria, competente e ética.
Depois, quando assumi a árdua função de presidente da CEV, sempre contei com a colaboração prestimosa e eficiente do professor Lourival.
Só tenho que agradecê-lo por tudo isso e desejar à família enlutada, o conforto que só a fé é dispensadora.
Tipos populares do Crato (1)
Maria Roxa
A personagem deste artigo, que eu me lembre, não cheguei a conhecer pessoalmente. Mas, por outro lado, o seu nome era por demais conhecido no bairro onde vivi a minha infância. Ela morava, junto com uma grande família, entre parentes mais próximos e agregados, na Rua André Cartaxo. Eu morava na Rua Teodorico Teles, também conhecida como Rua da Cruz.
Maria Roxa, eu sabia, era piauiense e adepta da umbanda (ou candomblé), mas que, sob o forte preconceito e intolerância, bastante arraigados numa cidade de raízes católicas como o Crato, principalmente há trinta ou quarenta anos atrás, - era sinônimo de macumba, pura e simplesmente. Macumba era, ainda, sinônimo de magia negra, feitiço, pacto com forças ocultas e malignas. Portanto, Maria Roxa era conhecida, pejorativamente, como A Feiticeira. Dizia-se, inclusive, que o casarão onde ela residia, dispunha de um porão onde eram realizados os rituais da primitiva religião, heranças da etnia afro que para o Brasil foi transplantada na época da colonização lusitana, obrigada à prestação de trabalho escravo.
Ouvia todas essas histórias, com bastante interesse e tomada por aquela impressão própria da infância cheia de imaginação. Não sentia a repulsa que percebia existir nas pessoas adultas. A minha aguda curiosidade, ao contrário, atraia-me para aquela mulher diferente, difamada por preservar suas raízes negreiras (o apelido Maria Roxa era um sintoma da cor de sua pele) e aquele imenso e misterioso casarão, de primeiro andar e de um suposto porão. Contentou-me, pois, quando fui colega de escola de Cival, neto de Maria Roxa. Era a oportunidade de adentrar aquela dimensão desconhecida.
E a oportunidade se deu, quando Cival me chamou para ir até a sua casa. Para minha surpresa, além do tamanho desta (enorme, principalmente sob a perspectiva de uma criança que comumente superdimensiona as coisas), não havia nada de diferente por lá.
Resgatar, mesmo que sob a etérea perspectiva infantil, personagens marginalizadas por conta de um padrão diferente do comportamento dominante, é, da minha parte, uma maneira de fazer justiça, ainda que tardia.
Por Sarney, Lula até desafia Constituição – por Augusto Antunes (*)
Brasília tornou-se uma ilha da fantasia para deputados e senadores, que usam seus cargos de representantes do povo para locupletar-se e obter vantagens para seus apaniguados. O corolário evidente é que a capital se transformou numa imagem de pesadelo para os que pagam a conta: nós, os milhões de contribuintes; nós, as dezenas milhões de pessoas comuns. É tal o resumo da ópera brasiliense - eles, os poderosos, os "incomuns", se lixam cada vez mais para a opinião pública, para os bons modos, para a Constituição. Minam, assim, a crença na democracia e os alicerces de uma nação que almeja a civilização.
Esse espetáculo deprimente teve outra cena triste na semana passada. Seu protagonista: o presidente Lula. Desde que se viu na contingência política de ter que defender os crimes dos seus partidários envolvidos no mensalão, Lula teve que entregar a bandeira da ética - que ele empunhou com desenvoltura antes de chegar ao Palácio do Planalto. A rendição do presidente se deu naquela célebre entrevista concedida em Paris, em 2005, nos tempos em que a corrupção causava ainda algum constrangimento. Sem os corretivos vindos de cima, a turma do baixo, do médio e do alto clero da base aliada sentiu-se mais livres do que nunca. Sempre que um de seus membros está prestes a se afogar, eis que surge o presidente, solidário, oferecendo o conforto de suas palavras amigas.
Nem precisa ser compadre de pitar cigarrilha, como o leal companheiro Delúbio Soares, estrela do mensalão. Pode ser do PMDB, do PP ou do PTB. Pode até ser, vá lá, um "grande ladrão", adjetivo com o qual Lula descrevia o senador José Sarney quando este era presidente da República.
Há cinco meses, o Congresso Nacional enfrenta uma infindável onda de escândalos. Ela envolve parlamentares e altos funcionários com mordomias, nepotismo e suspeitas de corrupção. Aos 79 de idade, 54 de política, Sarney, o mais longevo e experiente dos políticos brasileiros, é apontado como mentor e beneficiário da máquina clandestina que operava a burocracia do Senado. Inerte diante das denúncias, o senador tentou defender-se no plenário, com argumentos tão frágeis quanto os azulejos portugueses de São Luís. Do Cazaquistão, onde se encontrava em visita oficial, Lula atirou-lhe a bóia.
"O senador tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum", disse o presidente. E continuou: "Não sei a quem interessa enfraquecer o Poder Legislativo no Brasil. Quando o Congresso foi desmoralizado e fechado, foi muito pior para a democracia". Não satisfeito, acrescentou: "Eu sempre fico preocupado quando começa no Brasil esse processo de denúncias, porque ele não tem fim e depois não acontece nada". Ao afirmar que Sarney merece um tratamento diferenciado, o presidente atropelou o preceito constitucional expresso no artigo 5º, que estabelece a igualdade de todos perante a lei. "Lula foi absolutamente infeliz. Reforçou a idéia de que um é melhor do que o outro. Restabeleceu a lógica do 'você sabe com quem está falando?'. Bateu de frente na Constituição e no princípio basilar da democracia", resume o cientista político Marco Antônio Villa.
Na véspera da declaração de apoio de Lula, o senador "incomum" subiu à tribuna. Em um discurso de pouco mais de meia hora, disse que a crise não é dele, mas de todo o Senado, e que não aceita ser julgado por questões menores, o que é uma “falta de respeito para quem tem mais de 50 anos de vida pública”. Em 1890, Benjamin Constant, ardoroso republicano brasileiro, saiu de uma audiência com o Marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do Brasil, indignado com o tratamento que lhe fora dispensado. "Não era esta a República que eu sonhava", disse Constant. Mais de um século depois, sua frase continua a ressoar entre os milhões de cidadãos que vivem sob o império da lei, sem privilégios e pagando a conta dos "incomuns" de Brasília.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Sua Alteza o Príncipe Dom Pedro Luiz – por Ibsen Noronha
(In memoriam)
Dom Pedro Luiz de Orleans e Bragança desapareceu na flor da juventude, na primavera da Vida. Nos seus poucos anos de existência procurou ser exímio em tudo que fez. Buscou desempenhar bem os seus deveres de dinasta do Trono do Brasil; e, com a discrição e o charme da alta Nobreza, defendeu e divulgou os ideais monarquistas.
Evidente que um Príncipe que desassombradamente falava de Política e Religião jamais poderia deixar de entusiasmar, nestes tempos de crise e penúria moral. No Brasil, por diversas vezes, tive a honra de acompanhar mon Prince em eventos monarquistas. Suas intervenções, sempre breves, mas densas, serviam de estímulo para a defesa dos ideais de Restauração e de Moralização deste imenso Império chamado Brasil. A delicadeza de Dom Pedro Luiz para com todas as pessoas é outro aspecto inesquecível da sua personalidade. E o seu Amor pela Pátria edificava que bem soubesse observar mais esta virtude.
A Juventude não foi feita para o prazer, mas para o heroísmo! Certa vez citou esta belíssima frase de Paul Claudel. E comoveu a muitos… Eis uma verdade, uma grande verdade, que saída dos seus lábios calava profundamente nas almas. Dom Pedro Luiz foi levado jovem e não mais teremos a honra e o prazer do seu convívio. Voluntas Dei Pax nostra!Mas a sua memória será sempre lembrada com admiração e servirá de constante estímulo para grandes lutas e dedicações em prol da Monarquia.
(Transcrito do Jornal do Cariri, edição de 16 de junho de 2009)
Passeio sentimental pelas ruas do Crato (final)
Saudades da Cinelândia
Hora de voltar para casa e encerrar o passeio. O sol estava quente e fazia um calor sufocante. Bebericava a garrafinha d’água enquanto fazia o caminho de volta. Fui pela Rua Dr. João Pessoa, antiga Rua Grande. Pensei sobre a mudança dos nomes das ruas do Crato, outrora poéticas e bucólicas: Travessa Califórnia, Rua das Laranjeiras, Rua do Fogo, Rua da Cruz, Rua da Palha, Rua da Pedra Lavrada, Rua da Saudade... Agora, na sua grande maioria, as ruas homenageiam personalidades políticas que pouco ou nada tiveram a ver com o Crato.
Nas imediações do Calçadão, senti uma tristeza profunda ao ver ainda baldio o terreno que antes abrigava o prédio do antigo Grande Hotel, onde no térreo funcionava a Lanchonete Cinelândia, ponto de encontro de várias gerações de cratenses, onde se tomava um concorrido café expresso, apesar de Genésio, um dos proprietários, não ser uma unanimidade como atendente bem-humorado. Pessoalmente, nunca tive do que reclamar. Genésio, talvez em atenção ao meu pai, de quem era grande amigo, sempre me atendeu bem, até com mesura. Várias vezes, ele me dispensou de pagar o cafezinho.
A Peste Burocrática – por Pedro Esmeraldo
Dizem que quem tem os olhos fundos começa a chorar cedo. Por isso, estamos aqui relembrando do plano do governo estadual em querer tirar do centro do Crato o Parque de Exposição Agropecuária já tem como desejo de esvaziar o Crato. Essas medidas obscuras de transplante de local, tornam-se intoleráveis, visto que não dão acesso aos pobres, em comparecer aos festejos agrícolas que anualmente, comemoramos com muita ênfase e para relembrarmos os efeitos memoráveis dos trabalhos dignos e da movimentação política e social ocorrida durante os anos subsequentes.
Nós, com essa mudança não seríamos contemplados com os festejos brilhantes e passaríamos a permanecer em uma situação de tristeza e de revolta, já que, não seriamos capacitados a nos deslocar a fim de participar desse grandioso festão.
Por essa razão, estamos relembrando ás autoridades locais, pedindo que lutem e não deixem de fazer movimentos contrários com o intuito de evitar essas diabruras de pessoas maldosas que tem por finalidade esvaziar o Crato para engrandecer outro município.
As vezes, pensamos que estamos sendo dominados por políticos maliciosos que têm vontade de esfriar o movimento progressista desta cidade e ao mesmo tempo, temos a nítida impressão que querem acabar com o nosso movimento expositivo, ludibriando o povo com promessas falsas, dizendo que querem dar presente ao Crato visto que trazem verbas avantajadas, que contemplarão com grandes movimentos apreciáveis que beneficiarão ao povo.
Lembramos ao digno povo que não caia mais nas conversas loucas, pois não devemos acreditar em políticos obscuros, dizendo serem amigos, mas o seu único o objetivo é impedir a cidade crescer com equilíbrio.
Já levaram grandes bens públicos desta cidade, é preciso dar um basta nisso pois, a terrinha não pode mais suportar economicamente esse movimento sombrio que nos vem impedir e avantajar o plano ação a fim assegurar o bom desempenho do poder executivo.
Falam em melhorar o Parque de Exposição com tecnologia moderna, mas asseguramos a esses inimigos do Crato que o Parque atual tem condições de empregar meios técnicos para acompanhar o modernismo.
Ainda, queremos lembrar a esses homens astuciosos e aventureiros, que aqui, só vêem a angariar votos, tirando a nossa fatia que seria os nossos votos, deixando-nos de lado os nossos préstimos para que nos agigantem em nosso crescimento. Por isso, somos favoráveis que haja movimento satisfatório em favor do voto distrital o que seriamos favorecidos somente com os candidatos locais e evitaríamos beneficiar esses mamelucos que vêem de fora.
Voltando o assunto da exposição, nós os cratenses, mesmo sem força política, vamos lutar com o intuito de impedir que mudem de local essa exposição, visto que traria uma grande lacuna no desenvolvimento da cidade. A exposição do Crato vem de várias décadas e tem como melhorar tecnicamente sem precisar sair desta cidade e por conseguinte, continuará no ritmo de crescimento e que no futuro próximo, ela se tomará uma das maiores exposições do país.
Enquanto a expansão da URCA, lembramos aos inimigos do Crato, por trás do terreno da agronomia (UFC), há um terreno fabuloso, com cerca de doze hectares para a construção da nova URCA. Dizemos ainda que com essa medida favorável, o povo agradecerá e ao mesmo tempo, ficará satisfeito, pois o local é muito aprazível e será um local que se adaptará ao movimento estudantil das três principais cidades do cariri.
Se quiser melhorar o parque apliquem dinheiro com carinho e dêem ao Crato o que ele merece.
Passeio sentimental pelas ruas do Crato (III)
Da Rua da saudade a saudade daquela rua
Do Largo da Rffsa, depois de constatar a impecável infra-estrutura montada para o São João Festeiro, evento promovido pela administração pública, decidi ir até a feira, já há algum tempo localizada na beira do canal, a partir do Mercado Walter Peixoto. Para chegar lá fui, inicialmente, pela Rua Almirante Alexandrino, com seus armazéns de secos e molhados e o mercado velho. Lembrei do tradicional caldo de carne com tapioca que lá degustávamos, nas madrugadinhas de domingo, depois dos bailes da vida. Dobrei na Rua Nelson Alencar, no trecho onde antes pulsava a Rua da Saudade, um nome poético para uma rua que abrigava os sonhos, as lágrimas e os sorrisos das mulheres de vida fácil (que não era fácil coisa nenhuma). Quando criança, morador da Rua Cel. Raimundo Lobo, distante dois quarteirões dali, sempre pisava a calçada daquela rua, quando ia comprar pão na Panificadora Progresso, bem próximo dos restaurantes O Guanabara, de propriedade do lendário boêmio Neném, e Gaibu Centro, pertencente a Zé Taveira, primeiro empresário da noite cratense. Ontem, quando pisei naquela artéria, que nunca deixou de sangrar, senti saudade de algo que não experimentei, mas, que, no entanto, sempre sentia.
Antes de adentrar a afamada Feira do Crato, passei antes em frente aonde funcionava as boates Pilão e Aquários, respectivamente cada uma no seu devido tempo. Lembro um pouco da Boate Pilão, ambientada em decoração rústica, feita à base de palha. Mas, lembro bem do Aquários, onde, nas noites de domingo, juntamente com meu irmão Helano e os amigos Coquil e Bolinha, ia extravasar a libido característica da puberdade. Tomávamos um trago de bebida e íamos, cheios de artificial coragem, tentar arrumar namorada. No mínimo, éramos contemplados com uma dança ao som romântico de Roberto Carlos, quando aproveitávamos para um esfregão mais demorado, que, na época, chamava-se “pinada”.
A Feira do Crato
A Feira do Crato continua pujante, colorida, movimentada; mas, muito diferente daquela do meu tempo de criança. Na década de 1970, a feira do Crato ocupava as principais e centrais ruas da cidade. E em cada rua, uma especialidade da economia local. A Rua João Pessoa se dividia entre cereais, leguminosas (arroz, feijão e milho) e farinha. A Rua Senador Pompeu, na altura do já demolido prédio onde funcionou o Clube Cariri, era o espaço de comercialização de rapadura. A Rua Bárbara de Alencar, entre os Correios e o Mercado Redondo (hoje o Palácio Alexandre Arraes, sede da Prefeitura), era o “departamento” de produtos artesanais: instrumentos (enxada, foice, facas, facões), utilitários (pote, esteira, vassoura, candeeiro, cachimbo), lúdicos (bonequinhos de barro e de madeira) decorativos (flores de papel crepom) e sacros (estátuas e imagens de santo). Por trás do Mercado Redondo, a feira de frutas e pescados.
Hoje, prevalece a comercialização de produtos industrializados em série, mas os produtos artesanais ainda resistem. O que não se vê, praticamente, são os artistas populares que, outrora, animavam a feira com música, poesia e dança. Nesta última segunda-feira, por conta da programação do São João Festeiro, um grupo de forró pé-de-serra animava os feirantes. E a animação que se celebrava por conta, chamava a atenção dos transeuntes.
A música do centro da cidade
Prossegui o meu passeio, saindo da feira fui em busca do centro da cidade. Passei na loja de Amilton, que vende CDs e DVDs, além de receber pagamento de títulos e contas. Mas, além de vender discos, Amilton é uma pessoa cuja decência nos torna cativa do seu convívio.
Lembrei, então, das lojas de discos que existiam nas imediações, há mais de trinta anos, como as Lojas Primo, O Rouxinol, Nazareno e Discosom.
Naquela época reinavam soberanos, os discos de vinil (compacto e Long Playing) e a fita cassete. Eram produtos caros e considerados supérfluos. Portanto, ouvia-se música, principalmente, no rádio.
O Crato tinha duas emissoras de rádio (que ainda existem): Rádio Educadora do Cariri e Rádio Araripe do Crato. Nas tardes de domingo, um programa era líder de audiência: o Paradinha 1020, transmitido pela Rádio Educadora e apresentado por Evandro Bezerra, desfilando as vinte músicas mais tocadas na semana. Lembro de alguns dos hits daquele tempo: Bilú Tetéia, Farofa-fá-fá, Emanuela (versão de uma canção italiana), Homem com H e a minha preferida, Nuvem Passageira, de Hermes Aquino, cuja letra era mais ou menos assim:
Eu sou nuvem passageira que com o vento se vai
Eu sou como um cristal bonito que se quebra quando cai
Não adianta escrever seu nome numa pedra
Pois essa pedra em pó vai se transformar
Sou um castelo de cartas frágil como o tempo
Sou um castelo de areia na beira do mar
Difusoras de som e de sonhos
Quando sai da loja de Amilton, escutei por todo o centro da cidade o som da Rádio Centro, pertencente a Alemberg Quindins, o que me evocou as antigas difusoras existentes na pré-era do rádio local, como a Amplificadora Cratense, da qual o jornalista Huberto Cabral sabe detalhes mínimos. De uma delas, sei de uma história, que ouvi narrada da boca do próprio protagonista.
Luís Sarmento, natural de Cajazeiras, Paraíba, radicou-se muito jovem no Crato, casado que foi com dona Leda, uma das honrada filhas do senhor Zé Camilo, pessoa histórica pelo fato de ter conhecido o Beato José Lourenço, ao o qual serviu como motorista, transportando mercadorias e pessoas. O depoimento de Seu José Camilo faz parte do documentário Caldeirão da Santa cruz do Deserto, de Rosemberg Cariry, filmado em 1984.
Luís Sarmento, dono de uma amplificadora, que estava a dar-lhe prejuízo, a despeito do custo de manutenção ser mínimo, colocou-a à venda e por preço por demais proibitivo a qualquer um dos mais ricos cratenses. Queria, a todo custo, um caminhão em troca da primitiva emissora.
Só restava-lhe uma possibilidade, vender a o trambolho à Diocese do Crato, que, sabia-se bem, era a única que tinha condição de pagar tão alto valor. No entanto, era preciso provocar um alto e relevante interesse para que o senhor bispo, conhecido “mão-de-vaca”, viesse a adquirir a velha amplificadora, cujo maior valor era a sua penetração incondicional nos ouvidos e mentes dos cratenses. Não havia como fugir daquela “irradiação” se não fosse correr para o sopé da serra ou para outra paragem mais distante.
Luís Sarmento, sabendo deste importante e valioso detalhe, foi falar com o bispo. Disse-lhe que, como bom católico que era, vinha resistido a renitentes propostas dos protestantes para vender sua amplificadora, mas que a última proposta tinha sido irrecusável. Portanto, só faria negócio com os protestantes se o bispo lhe desse aval.
Fez negócio com a Diocese. Trocou dez alto-falantes, um amplificador e um microfone por um caminhão e quatro pneus.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Um passeio sentimental pelas ruas do Crato (II)
Um lugar de pessoas de bem
Da Praça da Sé, em direção ao centro, pode-se seguir em várias direções. Ou à esquerda, passando pela Rua Pedro II, atravessando canal do Rio Grangeiro, aonde se chega ao bairro São José, local do ciclópico e centenário Seminário São José. Ou indo em frente, aonde se chega à Praça Siqueira Campos, a “Boca Maldita” cratense, e, ato contínuo, à principal artéria comercial do Crato, a Rua João Pessoa, que, por sua vez, dá acesso ao bairro Vila Alta.
Fiz a opção de seguir à direita da Praça da Sé, pois pretendia chegar até o Largo da Rffsa, onde hoje está erguido um pólo de lazer e entretenimento, o Centro de Referência Cultural e Turística do Araripe. Fui com o propósito de conhecer a cidade cenográfica que foi montada para o evento junino promovido pela administração pública, o São João Festeiro. Fui, pois, pela Rua Senador Pompeu, onde estão localizadas a Câmara Municipal e diversificadas lojas comerciais e agências bancárias. Para chegar até o Largo da Rffsa, fui pela Rua Bárbara de Alencar, passando em frente ao Crato Hotel e pela Praça Francisco Sá, que antes era conhecida como Praça da Estação. Neste local, foi erigido um dos ícones do Crato, o monumento do Cristo Redentor, semelhante, na forma, ao ícone principal da capital carioca. Na coluna do monumento, o dístico-lema da cidade: Sede bem-vindo! Nesta terra há lugar para todas as pessoas de boa vontade.
Passeio sentimental pelas ruas do Crato (I)
Aproveitei a manhã desta segunda-feira para fazer um passeio por algumas ruas do Crato. O ponto de partida foi a casa de minha mãe, na rua Cícero Araripe, bairro do Pimenta, aproveitando o fato de ter dormido lá, fazendo-lhe companhia. Nesta rua, ficam dois prédios característicos da modernidade cratense: os prédios de apartamento Serra Azul e Guimar, ambos construídos por seu João Felipe, na década de 1960, e os primeiros feitos com fins de moradia. Depois, na rua Cel. Antonio Luiz, passei em frente ao Crato Tênis Clube, reduto da elite cratense, que imita a arquitetura de tradicionais clubes da capital cearense, como o Náutico e o Ideal. Seguindo em frente, em direção ao centro da cidade, tem-se uma sucessão de lugares históricos ou representativos. Inicialmente, o Campus do Pimenta da URCA e o Hospital São Francisco, cujo prédio, agora em reforma, data da década de 1940. Em seguida, a Praça Alexandre Arraes que durante toda a segunda metade do século XX foi o aprazível Parque Municipal, espaço de grandes eventos culturais, esportivos e de entretenimento, a exemplo das memoráveis partidas de futebol de salão e dos saudosos festivais de música, na Quadra Bicentenário, e do Salão de Outubro, sob os frondosos oitizeiros. Em um mesmo quarteirão, apinham-se o Colégio Santa Teresa e sua bucólica capela, o Palácio Episcopal e a casa onde funcionou o Senado da Câmara do Crato, famosa por ter sediado o julgamento do caudilho Pinto Madeira, por conta da revolta absolutista de 1831. Em seguida, descortina-se, imponente e majestosamente, a Praça da Sé, no quadrilátero onde a cidade do Crato originou-se. Além do belo e histórico logradouro, este espaço detém outros pontos históricos, turísticos e sagrados, como a Catedral de Nossa Senhora da Penha, a casa da heroína e revolucionária Bárbara de Alencar, apesar de totalmente descaracterizada, a Casa de Câmara e Cadeia, construída por ordem de Dom Pedro II, em meados do século XIX, e onde hoje funcionam os museus Histórico e de Arte. Não obstante, várias casas antigas encontram-se preservadas, conservando suas belas fachadas. É um dos mais belos cartões postais do Crato.
domingo, 14 de junho de 2009
Enterro à cubana
Queridos Papai e Mamãe, estou lhes enviando os restos de tia Josefa para que façam seu enterro em Cuba como ela queria. Desculpem por não poder acompanhá-la, mas vocês compreenderão que tive muitos gastos com todas as coisas que, aproveitando as circunstâncias, lhes envio. Vocês encontrarão dentro do caixão:
* sob o corpo, o seguinte: 12 latas de atum “Bumble Bee”, 12 frascos de condicionador e 12 de xampú “Paul Mitchell”, 12 frascos de Vaselina “Intensive Care” (muito boa para a pele - não serve para cozinhar!), 12 tubos de pasta de dente Colgate, 12 escovas de dente e 12 latas de “Spam” das boas (são espanholas) e 4 latas de “chouriço” El Miño (de verdade). Repartam com a família (sem brigas!!!)
* Nos pés de titia estão um par de ténis Reebok novos, tamanho 9 para o Joseíto (é para ele, pois com o cadáver de titio não se mandou nada para ele, e ele ficou amuado). Sob a cabeça há 4 pares de “popis” novos para os filhos de António, são de cores diferentes (por favor, repito não briguem!).
* A tia está vestida com 15 pulôveres “Ralph Lauren”, um é para o Robertinho e os demais para seus filhos e netos. Ela também usa uma dezena de sutians Wonder Bra (meu favorito), dividam entre as mulheres e também os 20 esmaltes de unhas Revlon que estão nos cantos do caixão. As 3 dezenas de calcinhas Victoria’s Secret devem ser repartidos entre minhas sobrinhas e primas. A titia também está vestida com 9 calças Docker’s e 3 jeans Lee; papai, fique com 3 e as outras são para os meninos. O relógio suíço que papai me pediu está no pulso esquerdo da titia. Ela também está usando o que mamãe pediu (pulseiras, anéis, etc).
A gargantilha que titia está usando é para a prima Rebeca e também os anéis que ela tem nos pés. E os 8 pares de meias Chanel que ela veste são para repartir entre as conhecidas e amigas, ou, se quiserem, as vendam (por favor, não briguem por causa destas coisas, não briguem).
* A dentadura que pusemos na titia é para o vovô, que ainda que não tenha muito o que mastigar, com ela se dará melhor (que ele a use, custou caro). Os óculos bifocais, são para o Alfredito, pois são do mesmo grau que ele usa, e também o chapéu que a tia usa. Os aparelhos para surdez que ela tem nos ouvidos são para a Carola. Eles não são exatamente os que ela necessita, mas que os use mesmo assim, porque são caríssimos. Os olhos da titia não são dela, são de vidro. Tirem-nos e nas órbitas vao encontrar a corrente de ouro para o Gustavo e o anel de brilhantes para o casamento da Katiuska. A peruca platinada com reflexos dourados que a titia usa também é para a Katiuska, que vai brilhar, linda, em seu casamento. Tirem tudo que lhes enviei antes que antes se dêem conta e fiquem com tudo!
Com amor, sua filha Carmencita.
PS: Por favor, arrumem uma roupa para vestir a tia para o enterro e mandem rezar uma missa pelo descanso de sua alma, pois realmente ela ajudou até depois de morta. Como vocês repararam o caixão é de madeira boa (não dá cupim); podem desmontá-lo e fazer os pés da cama de mamãe e outros consertos em casa. O vidro do caixão serve para fazer um porta-retrato da fotografia da vovó, que está, há anos precisando de um novo. Com o forro do caixão, que é de cetim branco ($ 20,99 o metro) Katiuska pode fazer o seu vestido de noiva. Não esqueçam, com a alegria destes presentes, de vestir a titia para o enterro.
POR FAVOR, NÃO BRIGUEM PELAS COISAS, POIS ENQUANTO PUDER MANDAREI MAIS. Com a morte de tia Josefa, tia Blanca caiu doente; não desanimem, logo, logo, vocês receberão mais coisas. Beijos, beijos, beijos, Carmencita.
(postado originalmente en lo 26 de julio de 2002, em Miami)


