Seja colaborador do Cariri Agora

CaririAgora! é o seu espaço para intervir livremente sobre a imensidão de nosso Cariri. Sem fronteiras, sem censuras e sem firulas. Este blog é dedicado a todas as idades e opiniões. Seus textos, matérias, sugestões de pauta e opiniões serão muito bem vindos. Fale conosco: agoracariri@gmail.com

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O Wikileaks é apenas uma novidade - José do Vale Pinheiro Feitosa

Trabalhando num texto sobre a Guerra do Ogaden em 1977 pude perceber o quanto o mito da bipolaridade da Guerra Fria é cheio de furos de interpretação. Naquele tempo o manto ideológico que cobria todo o noticiário (que representa de alguma forma uma espécie de micro-história) se resumia a capitalismo e comunismo, explicando a visão bipolar. Na verdade havia um grande desarranjo em todas as sociedades mundiais e estas, mesmo que seguindo alguns movimentos centrais da União Soviética e dos EUA, tendiam para se dispersar e se alinhar numa lógica nem sempre explicada pelos dois centros. Havia contradições nesse movimento com os tais núcleos, no caso, por exemplo, qualquer um imagina que União Soviética e Cuba estiveram ao lado da Etiópia num alinhamento automático, mas hoje se sabe que Cuba contrariou o centro hegemônico na sua ação.

Uma questão que confunde muito o cidadão nesta micro-visão do dia-a-dia do noticiário em parte é devida ao que se identifica como a interdição do debate público feito pelas mídias tradicionais, estas se tornando a mediadora entre o público e o poder. Isso representaria uma seleção de interesses que se estreitariam entre o poder e as empresas de comunicação, excluindo parte da informação ou dando-lhe interpretações muito aquém ou além do interesse público.

A internet parece ter furado este paradigma, digamos assim, da interdição pública. Os cidadãos passam a ter acesso direto, a trocarem visões horizontalmente (ao contrário do padrão vertical entre poder/mídia e público), a emitirem suas próprias interpretações. E a tecnologia que seguiu os passos da internet cresce pelo que se observa nesse sentido: sistemas de busca, postagem de um amplo material de texto, imagens e som, a velocidade de transmissão de informações, além das tecnologias de processamento em nuvem as quais permitem se criar verdadeiros geradores de informações à disposição de instituições e pessoas.

A novidade é a possibilidade da manipulação aprendida na história, quando vozes com técnicas de psicologia de massa tentam encaminhar a opinião pública para determinados efeitos. É cedo para dizer, mas tudo leva a crer que esta manipulação era um efeito da verticalização tradicional dos meios de comunicação. Numa dinâmica horizontal outras vozes se levantarão, dissidências se sustentarão, numa espécie de reparos e contrabalanços parecido com aqueles mecanismos de “check balance” que existe nas democracias na separação dos poderes e destes com a sociedade.

O caso do Wikileaks é o exemplo mais recente a desnudar o que antes eram “segredos de Estado” que se mostram cada vez mais “segredos do poder” ou em visão mais limitada a “segredos de governos”. A verdade é que os governos precisam se explicar, democraticamente, informar suas medidas e seus acordos. Se o governo é da sociedade ao contrário da visão tradicional vertical, a sociedade manda no governo e este atende ao que a sociedade deseja. Mesmo considerando as contradições para construir a vontade da sociedade, esta continua sendo a mais soberana.

Agora fica mais difícil os Governos fazerem seus acordos e só abrir a informação anos depois quando a sociedade não pode mais. Se a mídia tradicional já pusera dificuldades ao autoritarismo, agora ainda mais a instituição da arrogância perderá sentido histórico. Enfim a arrogância imperial está ficando exposta ao sol do meio dia. Mesmo que o Wikileaks venha a ser manipulado ou impedido, outros mecanismos aparecerão sobre esta nova plataforma social (a internet não é uma mera plataforma tecnológica).

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Quem vem para a beira do mar - José do Vale Pinheiro Feitosa



ESCUTE A MÚSICA E LEIA O TEXTO. ANTES DESLIGUE NA ABA DIREITA A RÁDIO PARA NÃO MISTURAR OS SONS.




Vó dava uma bicada na sua tigela de café e com um olho de luz das galáxias transfixava toda a existência. Café torrado com rapadura no caco de um tacho de barro. Café moído na força muscular. E Vó tomava o caldo preto daquela semente de chão. Os grãos de Kafa, no planalto da Etiópia, chegaram até a tigela de Vó e ela dizia:

Não vá para a beira do mar.
Não vá.

E num descuido de trilho, subi num comboio nas altas madrugadas enquanto Vó dormia. E o bicho foi torando os pilares das montanhas, atravessou os vales, serpenteou rios, riachos e levadas. Fui me largando pelo mundo, as manchas doces deixadas pela garapa que caiu pelos cantos da boca no meu bucho sumiram no tempo. E, Vó, nunca mais ouvi teu estalo de beiço sugando o café, a cada intervalo entre o sabor e a voz tão imensa quanto tudo que a Ibéria se espalhou nos sertões desta América.

Não vá para a beira do mar.
Não vá.

Mas vim Vó. Eu vim. Eu estou aqui na beira do mar. Na beira do mar com as ondas e as sereias nas pedras. Na posse de liras prisionais.

Quem vem pra beira do mar, ai
Nunca mais quer voltar, ai
Quem vem pra beira do mar, ai
Nunca mais quer voltar

E quando a madrugada rompe aqui na beira do mar, estou tão amplo como os horizontes ininterruptos. Se pego um rumo para me afastar eu vou, muito longe eu vou, mas como uma onda eu volto à beira do mar. E pego a andar na areia do mar.

Andei por andar, andei
E todo caminho deu no mar
Andei pelo mar, andei
Nas águas de Dona Janaína

Vó e tua tigela era branca ou creme? Era creme ou marrom. Qual era a cor da tigela de barro de Vó? Era de barro, como eu era de barro. E nem sei a minha cor neste levante de dia e nem as ausências de poente das ondas.

A onda do mar leva
A onda do mar traz
Quem vem pra beira da praia, meu bem
Não volta nunca mais

Vó será que tu já foi? Já voltou? Ainda está naquela porta de casebre? Eu espero que os filhos de Maria, tua neta, já não se assentem na porta de um casebre. Como tu, Vó, na porta do casebre, tua tigela de café de Kafa. E não fui mesmo para a beira do mar prá nunca mais voltar?

Missão Toca de Assis em Crato – por Ticiana Rafael

A cidade de Crato, localizada ao sul do Ceará, conta atualmente com duas casas fraternas: uma masculina, de acolhimento e outra feminina, de vida contemplativa. Ambas as Missões foram trazidas a pedido do bispo diocesano Dom Fernando Panico. O Sítio Fraterno Porciúncula, fundado em 2006, localiza-se aproximadamente a dez quilômetros do centro e abriga vinte e dois ex-moradores de rua. É nesse lugar longínquo que esses irmãos necessitados recebem a atenção, o carinho e a formação espiritual de que precisam. Mas os benefícios proporcionados pela Toca de Assis não acabam aí. Os Filhos da Pobreza do Santíssimo Sacramento, além de dedicar-se aos irmãos que acolheram, vão ao encontro nas ruas daqueles que pela limitação física da casa não podem morar lá: são as chamadas pastorais de rua, realizadas semanalmente aos sábados juntamente com alguns leigos da Freternidade. Nessa oportunidade é a vez de os moradores de rua serem objeto de cuidado e amor... Na casa, os pobres dividem espaço com Jesus Sacramentado, já que lá existe uma capela onde os religiosos se revezam em adoração diariamente. Também nesse espaço ocorre uma vez a cada mês a Santa Missa, cujo maior intuito é de que os irmãos acolhidos possam dela participar. Aqui na nossa cidade, podemos contar ainda com as benesses das orações das Filhas da Pobreza do Santíssimo Sacramento. A missão das irmãs possui uma característica bem peculiar: vivendo em semi-clausura, elas dedicam integralmente o seu tempo à adoração, numa vida de total entrega e intercessão por toda a Santa Igreja, em especial por seus ministros ordenados. Assim, há aproximadamente quatro anos os pobres de rua, não sendo os únicos, são os maiores beneficiados com a chegada da Toca de Assis na cidade de Crato.

Contato
Sítio Fraterno Porciúncula
Estrada Santa Fé, Sítio Boa Vista, 110,
Km 1,5 Caixa Postal 69 ,
CEP. 63100-970 – Crato-CE
Tel: (88)3521-2097
crato@irmaos.tocadeassis.org.br

Por Ticiana Rafael
Publicada no Blog Oficial da Toca de Assis (http://tocadeassisoficial.blogspot.com/)

FÉRIAS NO CARIRI - o melhor lugar do mundo é aqui

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

PÉROLAS DE BASTIDORES


O Médico e escritor José do Vale Feitosa assim se expressou sobre o músico e cientista Paulo Vanzolini:

Zé Nilton: é uma pérola rara neste oceano de tão pouca variedade biológica. É um índio de pé de serra, um mestiço das américas, professor por vocação e um músico de verdade. Faz a nossa alma vibrar como um canto de vida. Estes textos e seus programas são algo que só lá na frente a cidade compreenderá. Os jovens sentirão a gratidão de andar nos encantos de um passado que eles jamais iriam visitar nesta volúpia do minuto por terminar. Este texto do Vanzolini é um pouco do Zé. O Vanzolini foi de uma geração de pesquisadores de campo, que se preocupava com as endemias rurais, ia em busca da cadeia das doenças para criar bases científicas para controlá-las. Uma geração profundamente influenciada por Pasteur, pela Medicina Tropical Inglesa e pela Fundação Rockfeller. Tinha nomes como Lutz, Carlos Chagas, Samuel Pessoa, Deane entre tantos heróis de histórias fabulosas por estes sertões a desbravar o Brasil dos anos 20 a 50. Vanzolini teve muito de seu conhecimento musical nestas andanças, como bem lembra o Zé Nilton com o Cuitelinho que é bonita demais meu Deus do Céu (e sou ateu).

AS 250 CRIANÇAS DE PEDRO ESMERALDO - José do Vale Pinheiro Feitosa

Vamos por partes para não criar problemas de conjunto. Numa destas viagens freqüentes entre o nordeste e o sudeste, tivemos a companhia de uma mãe com duas crianças com destino a Belém. Ela vinha da Alemanha, era casada e criava os filhos na fronteira com a Dinamarca. Na verdade o marido morava na Alemanha, mas trabalhava na Dinamarca e tinha direito de educar os filhos neste país.

O casal optara por educar os filhos numa escola dinamarquesa, ao invés da alemã, dado a relação professor aluno. Na Dinamarca cada sala de aula tinha seis a oito alunos, enquanto na Alemanha isso era mais que o dobro. Eles viam nesta concentração por sala uma vantagem relativa em termos de aprendizagem.

No Brasil esta questão foi objeto de aprovação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, definindo que o número máximo de alunos em turmas do ensino médio e dos quatro últimos anos do ensino fundamental não pode ultrapassar 35 alunos por turma. Já este número para os primeiros cinco anos do ensino fundamental seria limitado a 25 alunos.

Por qual razão abordo o assunto? É que houve uma abordagem salutar não desta questão especificamente, mas sobre o quantitativo de alunos necessários para a existência de uma escola. Salutar por que o assunto foi provocado pelo Pedro Esmeraldo em face do fechamento da escola Maria Amélia. E como tal foi respondido pelo Prefeito Samuel Araripe pelo menos no Blog do Cariri Agora por uma postagem do Dihelson Mendonça.

A primeira questão é que, democraticamente, o Prefeito do Crato ofereceu à sociedade uma visão de sua gestão de qual seja a viabilidade da existência de uma escola em termos do tamanho de alunos. Segundo o prefeito o próprio FUNDEB criou esta espécie de paradigma, qual seja uma escola não pode ter menos de 500 alunos sobre pena dr “ficar inviabilizada por conta da estrutura. Então, quanto mais alunos, melhor. Essa lei do FUNDEB é uma lei perfeita, então quanto mais alunos, mais recursos aquela escola recebe, e conseqüentemente, melhor estrutura.”

Isso é importante pela oportunidade dos munícipes levantar uma série de questões para a administração municipal. A primeira e mais básica é que não cabe ao cidadão a responsabilidade para encher uma escola com alunos como solicitou, politicamente, o prefeito a Pedro Esmeraldo. Este assunto é da gestão pública, mas cabe, como foi o caso, explicar por que a fechou e não a reabrirá.

A segunda questão é que permite levantar contradições, com base na realidade da ocupação territorial da população no município do Crato e confrontá-la contra o paradigma oriundo da forma de distribuição dos recursos do FUNDEB. Isso é particularmente verdade para comunidades pequenas, em que não se tenham quinhentas crianças ou mesmo as 250 pedidas para Pedrinho “gerar”. Qual será a política da prefeitura nestes casos: condução escolar, concentração territorial de alunos etc.?

Enfim Pedro Esmeraldo e Samuel Araripe abriram um debate salutar e cabe à sociedade desdobrá-lo com toda capacidade de argumentação e espírito público que se espera da construção de um futuro melhor para a cidade e seus cidadãos.

COMPOSITORES DO BRASIL

“Um homem de moral”...(Volta por cima)

PAULO VANZOLINI

Por Zé Nilton

Interessante o compositor Paulo Vanzolini. Aliou dois domínios como suportes de seu estar no mundo que para muitos são irreconciliáveis: a estúrdia (boêmia) com os estudos.

Ao longo de seus oitenta e seis anos manteve-se sempre fiel a essas duas formas de conhecimento: a música e a ciência. Grande compositor, renovador do samba paulista, o também médico e respeitado cientista com doutoramento em Zoologia, pela Universidade Harvard, Paulo Emílio Vanzolini. Faz bonito na música como o faz nas suas pesquisas e explanações sobre os insetos. Aliás, também é um dedicado pesquisador musical. Mostrou para o Brasil a riqueza da música do centro-oeste quando recolheu pérolas do folclore da região, como aregravadísssima “Cuitelinho” , entre outras.

Esteve na URCA tempos atrás. Vi-o, de cachimbo aceso, no centro de uma roda de novos professores-pesquisadores, baforando e fazendo gestos vibrantes na direção de seu colega de profissão, o nosso eminente prof. Waltércio Almeida.

Paulista de nascença, mas foi no Rio de Janeiro que aprendeu a fazer samba entre os intervalos de seus estudos universitários, nos anos de 1940.

Diferentemente de muitos, haja visto Noel Rosa, Chico Buarque, Tom Jobim, esse filho da classe média mostrou como é possível conciliar a poesia com a academia. Talvez o triunfo de Vanzolini deva-se a sua capacidade e sensibilidade na tradução das duas artes que se completam por estarem no mesmo plano da natureza. Tom Jobim sobrava nessa possibilidade mas preferiu só a poesia.

Vale a pena saber mais sobre Paulo Vanzolini como músico e cientista, a rede é pródiga.

Sobre sua obra musical falaremos um pouco do muito que produziu, nesta quinta-feira, entre 14 e 15 horas, na Rádio Educadora do Cariri, no programa Compositores do Brasil, que há quase dois anos semanalmente destaca um compositor e sua obra, na perspectiva de atualizar a memória histórica da Música Popular Brasileira.
Na sequencia:


CUITELINHO, colhida por Paulo Vanzolini com Nara Leão
CAPOEIRA DO ARNALDO, de Paulo Vanzolini com Ary Lobo
O RATO ROEU A ROUPA DO REI DE ROMA, de Paulo Vanzolini com Paulo Vanzolini
CHORAVA NO MEIO DA RUA, de Paulo Vanzolini com Cristina Buarque
NA BOCA DA NOITE, de Paulo Vanzolini e Toquinho com Toquinho
SAMBA ERUDITO, de Paulo Vanzolini com Paulo Vanzolini
BANDEIRA DE GUERRA, de Paulo Vanzolini com Paulinho da Viola
AMOR DE TRAPO, de Paulo Vanzolini com Os Demônios da Garoa
MARIA QUE NINGUÉM QUERIA, de Paulo Vanzolini com Nelson Gonçalves
PRAÇA CLÓVIS, de Paulo Vanzolini com Chico Buarque
VOLTA POR CIMA, de Paulo Vanzolini com Maurici Moura
RONDA, de Paulo Vanzolini com Márcia

Programa: Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri (www.radioeducaroradocariri.com)
Todas as quintas de 14 as 15 horas
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Operador high tech: Iderval Dias
Direção Geral: Dr. Geraldo Correia Braga

Centro Cultural BNB Cariri - Programação Semanal

Dia 02, quinta-feira

Artes Cênicas - ATO COMPACTO
19h As Anjas Cia. Entremeios de Teatro (Crato-CE)
Para comemorar os sete anos desde a estréia do espetáculo, As Anjas estão de volta! Dezoito anos após o término de sua vida escolar, um convite misterioso reúne seis amigas de adolescência que ao se unirem vão relembrar fatos do passado e compartilhar seus dias atuais. Mas em meio a situações extremamente íntimas e cômicas um grande segredo ameaça ser revelado com a chegada de uma inesperada personagem à trama. Texto: Ueliton Rocon. Direção: Mauro César. Classificação indicativa: 12 anos. 60 min.

Dia 03, sexta-feira

Artes Integradas - Oficina de Formação Artística
15h Oficina de Pintura Artista: Monica Nador (São Paulo - SP). 180 mim.

Artes Cênicas - ATO COMPACTO
19h As Anjas Cia. Entremeios de Teatro (Crato-CE)
Para comemorar os sete anos desde a estréia do espetáculo, As Anjas estão de volta! Dezoito anos após o término de sua vida escolar, um convite misterioso reúne seis amigas de adolescência que ao se unirem vão relembrar fatos do passado e compartilhar seus dias atuais. Mas em meio a situações extremamente íntimas e cômicas um grande segredo ameaça ser revelado com a chegada de uma inesperada personagem à trama. Texto: Ueliton Rocon. Direção: Mauro César. Classificação indicativa: 12 anos. 60 min.

Dia 04, sábado

Artes Integradas - Oficina de Formação Artística
15h Oficina de Pintura Artista: Monica Nador (São Paulo - SP). 180 mim.

Atividades Infantis - CRIANÇA E ARTE

14h Construindo Histórias: Rimas pra que te quero - Andrea Samara (Juazeiro do Norte - CE) Será desenvolvida a partir de poemas de autores variados, trabalhando com placas de palavras e frases, permitindo que as crianças brinquem com elas formando assim um grande jogo com a participação de todos. 60min

14h Bibliotequinha Virtual. Instrutor: Gilvan de Sousa. 240min.

15h Teatro Infantil: Para Papai Noel! - Grupo 3x4 de Teatro (Fortaleza - CE) Três duendes organizam as cartas enviadas por crianças para Papai Noel, em meio ao monte de cartas encontram um presente para o bom velhinho. Curiosos, sem querer-querendo, abrem o envelope acidentalmente e descobrem um livro de contos natalinos. Os duendes lêem e revivem essas histórias, interagindo com o público e lembrando do verdadeiro espírito de natal. 60min.

16h Oficina de Arte: Histórias e Retalhos - Bette Gomes (Juazeiro do Norte) O Trabalho com histórias é de fundamental importância para as crianças, pois estimula a criatividade e faz com que ampliem o seu conhecimento de mundo, enriquecendo também o imaginário. 60min

17h Teatro Infantil: Para Papai Noel! - Grupo 3x4 de Teatro (Fortaleza - CE) Três duendes organizam as cartas de crianças enviadas para Papai Noel, em meio ao monte de cartas encontram um presente para o bom velhinho. Curiosos, sem quere-querendo, abrem o envelope acidentalmente e descobrem um livro de contos natalinos. Os duendes lêem e revivem essas histórias, interagindo com o público e lembrando do verdadeiro espírito de natal. 60min.

Cinema - IMAGEM EM MOVIMENTO
CineCafé/Mediador: Elvis Pinheiro
18h30 Felicidade
Ambientado em Nova Jersey, o núcleo central do filme formado por três irmãs: a mais velha malcasada com um psicoterapeuta homossexual e pedófilo, a do meio ninfomaníaca, e a mais jovem tenta vencer a timidez com a ajuda das canções que compõe. As três se unem a vários outros personagens, aparentemente desconexos, em busca da felicidade pura e simples. Direção Todd Solondz. 134min

Fonte: CCBNB Cariri

Prefeito Samuel Araripe faz Proposta ao Pedro Esmeraldo sobre a Escola Maria Amélia



"Se o Pedrinho Esmeraldo conseguir um mínimo de 250 alunos do próprio local, a fim de manter a escola em funcionamento, eu, Prefeito Samuel Araripe, reabro a escolinha Maria Amélia"


Prefeito Samuel Araripe

Visando esclarecer os fatos que acontecem na nossa cidade, o Blog do Crato foi conversar com o prefeito Samuel Araripe sobre a questão levantada pelo Sr. Pedro Esmerado, quanto ao fechamento já há alguns anos da escolinha Maria Amélia que funcionava no Sítio São José. Entrevistado por mim, o prefeito Samuel Araripe disse o seguinte:

SA - "O Pedrinho Esmeraldo esteve há algum tempo em conversa comigo sobre o fechamento dessa escola. Eu lamento bastante que um veículo de educação seja fechado, mas existe um número mínimo de alunos para que uma escola possa manter-se. As despesas são enormes e o local não comportava. Era prejuízo para o município. Depois de explicar a ele todo o procedimento e os elevados custos, eu ainda lhe fiz uma proposta, que mantenho até hoje: -- Se o Pedrinho Esmeraldo conseguir arrumar um mínimo de 250 alunos do próprio local para garantir o funcionamento, eu, Prefeito Samuel Araripe, reabro a escolinha Maria Amélia. Sabe quando o Pedrinho voltou lá ? Nunca mais. Acho que ele não conseguiu esses alunos. Agora, temos que passar para o público como é que a coisa toda funciona para se manter uma escola:

Hoje, a tese universal, é de que a escola tem que ter no mínimo, 500 alunos. Porque cada aluno recebe um valor do FUNDEB. A título só de exemplo, pra pessoa compreender, o valor exato, depois eu te passo quanto cada aluno recebe, vamos supor uma escola com 1000 alunos. Então cada aluno vale 1000 reais/ano ( para o Fundeb ). Então aquela escola recebe do FUNDEB, R$ 1.000.000,00 ( Hum Milhão de reais ano ). Então, uma escola com um orçamento de 1 milhão/ano vai ter tudo que o aluno precisa, vai ter computador, vai ter material didático, vai ter fardamento, vai ter uma quadra coberta...agora, quando a escola tem menos alunos, por exemplo, uma escola com 50 alunos; A Manutenção daquela escola precisa daquela que tem muitos alunos pra poder suprir, aí tem que ter pra pagar a mesma estrutura: Vigia, energia, telefone, diretora, professora, merendeira, e por aí vai. Então, a tese é que a escola tem que ter...o ideal seria uma escola de 1.000 alunos pra frente.

DM - Mas se fosse de 50 ( alunos ), seriam 50 x 1000...

SA - É, R$ 50.000/Ano. Olha a diferença! Pra você pagar o salário do professor, da diretora, da energia, do telefone, então, ela fica inviabilizada por conta da estrutura. Então, quanto mais alunos, melhor. Essa lei do FUNDEB é uma lei perfeita, então quanto mais alunos, mais recursos aquela escola recebe, e consequentemente, melhor estrutura.

Mas sustento a minha palavra: Se o Pedrinho Esmeraldo , a quem tenho grande estima e consideração, por já haver por muitas vezes demonstrado que se preocupa com os problemas do Crato, conseguir um mínimo de 250 alunos do próprio local que viabilize a sustentação da escola Maria Amélia, Eu, Samuel Araripe reabrirei a escola.

Reportagem: Dihelson Mendonça

terça-feira, 30 de novembro de 2010

ELEMENTOS ESTÉTICOS DA CENA BRINCANTE

Xilogravura de Carlos Henrique (Crato-CE)
 
I – Conceituação:

A estética brincante de encenação reside na incorporação de elementos da cultura tradicional popular na concepção de seus traços constitutivos, quais sejam:

a) Dramaturgia que busque temática alinhada aos contos, causos, lendas, romances e aventuras bebidas do vasto imaginário e romanceiro populares, da sabedoria ancestral de base ibérica, ameríndia e africana.

b) Interpretação que se construa a partir do e no universo dos folguedos, dos cantadores, emboladores, rabequeiros, penitentes, cânticos e dançares negros e indígenas, palhaços, pássaros e bichos da nossa fauna, brincadeiras e brinquedos populares, esculturas e objetos artesanais, bonecos e desenhos animados, temperada com elementos do Circo, da Gestualidade Física e Espiritual Nordestina e da Commedia dell'Arte.

c) Carpintaria Técnica que produza cenografia, figurino, maquiagem, coreografia, caracterização, sonoplastia, música e iluminação, fundados na xilogravura, nas inscrições rupestres, nos símbolos rurais, nos desenhos de crianças, nos cantos, danças, cantigas e instrumentos musicais populares, nas cores e sons primitivos da natureza sertaneja.

Xilogravura de Carlos Henrique (Crato-CE)


II – Objetivos do projeto CENA BRINCANTE:

1. Difundir valores do folclore e da cultura nordestina através de estética dramática sertaneja, alinhada ao imaginário popular e ao resgate de tradições ancestrais, que remontam aos processos iniciais de formação do povo brasileiro, a partir de matrizes de origem ameríndia, africana e européia;

2. Oportunizar a formação de platéias, especialmente juvenis, inspirando senso crítico e auto-estima em termos de identidade cultural, potencializando-as para o convívio e interação com outras culturas e linguagens artísticas;

3. Estimular a congregação de estudiosos, pesquisadores, produtores, atores, encenadores, mestres da cultura tradicional popular, brincantes, autores e técnicos em torno da discussão de proposta estética de leitura e releitura da história, das tradições e do imaginário do sertão nordestino como fonte inspiradora de criação em artes cênicas, literatura, música, dança e noutros processos de manifestação da alma indômita do artista nordestino;

4. Contribuir na consolidação dos artistas e do produto cultural como importantes e fundamentais na geração de renda e desenvolvimento sócio-cultural com dignidade e valorização humana.


Xilogravura de Carlos Henrique (Crato-CE)


III – Considerações essenciais:

O projeto CENA BRINCANTE, desenvolvido pela Cia. Cearense de Teatro Brincante / Sociedade Cariri das Artes - Ponto de Cultura do Brasil, dirigido por Cacá Araújo, reveste-se de singular importância porque propõe o fortalecimento da tendência de valorizar a cultura tradicional popular nordestina como leitmotiv nas variadas linguagens artísticas. Neste caso particular, na viabilização de dramaturgia encenação alinhadas ao resgate e à difusão de tradições folclóricas, fundada na expressão do imaginário popular, nas lendas, nos causos, nas aventuras, na história, nos mistérios que habitam a alma afoita e brincante do sertanejo, cujo sangue saltitante se perpetua no riso e na dor, na graça e no sofrimento, na desventura e na esperança.

É uma ação de pesquisa e realização cênica de caráter popular e com perspectiva de povo, que também se justificada por beneficiar a comunidade regional com a facilidade de acesso a bens e serviços culturais, encontrando-se e reencontrando-se com e no seu próprio mundo, resultado que é da fusão de três mundos originais que nasceram de outros, revelando-nos o caráter universal de qualquer gesto humano.


Cacá Araújo
Diretor - (88) 8801.0897

Pra quem gosta de MÚSICA DE QUALIDADE - Festival de Choro e Jazz em Jericoacoara


CULTURA: FESTIVAL DE CHORO E JAZZ DE JERICOACOARA


Com as presenças de alguns dos maiores nomes da música instrumental e vocal do Brasil, o II Festival de Choro e Jazz de Jericoacoara prova que veio para ficar. Presenças de grandes nomes como Hermeto Pascoal, Arismar do Espírito Santo, Banda Mantiqueira, Yamandú Costa, Théo de Barros, Trio Curupira, Moderna Tradição, Dori Caymmi, um dos mais famosos acordeonistas do mundo: Richard Galliano, Renato Braz, Cléber Almeida, o violonista Maurício Carrilho, o cantor Celso Viáfora, a cantora Joyce Moreno, e o pequeno Guiliano Eriston estarão no Festival na praia.

A segunda edição do Festival de Choro e Jazz de Jericoacoara começa amanhã e segue até próximo sábado. Entre as atrações, Yamandú Costa e Dori Caymmi. Mar, sol, dunas, boa mesa e brisa de tranquilidade. Quer mais? Que tal cinco dias com grandes nomes da música instrumental, nacional e internacional, se apresentando ao ar livre, de graça, na badaladíssima praia do litoral oeste do Ceará: Jericoacoara! Pois é lá mesmo, na antiga vila de pescadores, encravada bem no meio do Parque Nacional homônimo, que começa amanhã, 30, e segue até próximo sábado, dia 4, a segunda edição do "Festival de Choro e Jazz Jericoacoara". Para o evento de 2010, o responsável pela produção da iniciativa, o paulistano Antonio Ivan, mais conhecido como Capucho, destaca que a proposta do Festival é intensificar a integração das linguagens entre chorões e jazzistas.

"Teremos aqui o encontro de nomes representativos da cena musical do Brasil, Argentina e França. Estão vindo artistas antenados com a música contemporânea e tradicional do mundo inteiro. Estamos certos de que, novamente, esse evento proporcionará momentos e experiências bem instigantes", destaca produtor. Quem abre os trabalhos, amanhã, a partir das 20h, no palco montado na praça principal, e única do vilarejo, é o representante da cena local Guiliano Eriston. O garoto virtuose, de apenas 13 anos, nascido em Bela Cruz, Interior do Ceará, acumula no currículo, além de sete anos de carreira, acompanhamentos a artistas como Roberta Sá, Davi Moraes, Toninho Horta, Pedro Luiz e outros. Nessa mesma noite, às 21h, o grupo de solistas "Moderna Tradição" formado por Benjamim Taubkin (pianista), Izaías Bueno de Almeida (bandolinista), Israel 7 Cordas (violonista), Nailor Proveta (saxofonista e clarinetista), e Guello (percussionista), vêm de São Paulo mostrar o que é que o choro tem.

Na sequência, a partir das 23h, a "Banda Mantiqueira", comandada pelo arranjador Nailor Proveta, juntamente com alguns músicos da "Moderna Tradição", garantem a elegância do final da festa com peças de Tom Jobim, Pixinguinha e Cartola, dentre muitos outros.

Programação

As apresentações da segunda noite do Festival de Choro e Jazz de Jericoacoara fica a cargo do "Trio Curupira", também de São Paulo, formado pelos jovens instrumentistas André Marques, Ricardo Zohyo e Cleber Almeida. Às 23h, ninguém menos que o cearense Manassés, dará o ar da graça no palco montado na Rua Principal.

Na quarta-feira, o acordeonista francês Richard Galliano, vem mostrar sua música globalizada que mescla tango argentino e jazz. Logo após, os irmãos Rudi y Nini Flores, vêm compartilhar o Chamamé, ritmo da província de Corrientes, na Argentina, lugar onde nasceram. Os "hermanos" contarão com a participação especial do gaúcho da fronteira e acordeonista, Luiz Carlos Borges.

Os dois últimos dias serão especiais. Na quinta-feira, 3, o maestro baiano Dori Caymmi chega para lançar seu mais recente CD, "Mundo de Dentro" e divide o palco com o paulistano Renato Braz. Ainda nessa noite, a cantora Joyce Moreno, relança o CD "Feminina", um marco na carreira da intérprete que traz, dentre outras canções, a inesquecível "Clareana", finalista do Festival MPB-80 e que, em 2010, completa 30 anos de lançamento.

A apresentação da diva terá participação especial do violonista carioca Théo de Barros. No sábado, o Festival de Choro e Jazz de Jericoacoara recebe as estrelas de primeira grandeza Yamandú Costa e Hermeto Pascoal. O evento vai promover também oficinas, cujos horários e datas ainda não estão definidos. Agora é arrumar as malas, atravessar as dunas, garimpar um lugar para se hospedar e aproveitar a mistura de som e música proposta pelo Festival de Choro e Jazz.

Oficinas

Prática de Conjunto e Guitarra
Arismar do Espírito Santo

Violão
Maurício Carrilho

Violão
Alessandro Penezzi

Piano
André Marques

Composição
Celso Viáfora

Sax
Marcelo Bernardes

Panorama da MPB
Pedro Aragão

Flauta
Toninho Carrasqueira

Percussão
Cléber Almeida

Bateria
Márcio Bahia

MAIS INFORMAÇÕES

II Festival de Choro e Jazz de Jericoacoara, de 30 de novembro a 4 de dezembro, às 21h, na Praça Principal da Vila. Contato: (11) 8152.4387

NATERCIA ROCHA
Reportagem do Diário do Nordeste

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Eduardo Campos precisa ser mais Arraes - José do Vale Pinheiro Feitosa

O Governador Eduardo Campos de Pernambuco, eleito no primeiro turno com uma proporção muito alta de votos, neto de um político progressista histórico, Miguel Arraes, precisa ouvir opiniões mais políticas sobre a questão da saúde pública. Uma coisa que destacou Miguel Arraes foi justamente o compromisso com a sociedade. A universalidade dos direitos sociais e uma visão progressista da economia e do bem estar geral.

Eduardo Campos não pode se tornar uma nova marionete do pensamento conservador brasileiro. Jovem, talentoso e um líder bem forjado, não deveria cair neste discurso classe média da saída de alguns sobre a desigualdade geral. Eduardo Campos tem de acordar para o verdadeiro papel de líder nordestino uma vez que seu partido é hegemônico ali e ele tem que se confrontar com a dupla familiar dos Gomes no Ceará. Uma grande oportunidade para quem tem um lado e uma herança histórica.

O primeiro tropeço de um líder político, ou, melhor, o primeiro degrau conservador, é querer tratar a política como uma gerência de empresa ou mera economia doméstica. Ora a questão dos custos crescentes da saúde não é apenas uma questão das contas do Estado. Ela, mesmo nos EUA, com base no negócio privado dos Planos de Saúde, é um problema amplo da sociedade e, portanto, da saúde. O problema da relação de gastos com saúde (pública e privada) e valor do PIB é uma questão política nacional. Os EUA já marcham para 15% do PIB e com resultados absolutamente perdedores em ampla generalidade.

Quem pôs na cabeça de Eduardo Campos que a gestão privada da saúde é mais eficiente, ou é incompetente para assessor um jovem político ou tem má fé e esconde as agruras dos planos de saúde se defrontando com gastos crescentes, margens de lucros decrescentes e os prestadores de saúde o tempo todo insatisfeitos. Qualquer beneficiário de Plano de Saúde reconhece a limitação dos médicos credenciados, as consultas de 10 minutos, as dificuldades de realizar exames, de internar-se e ser atendido pelo seu médico.

O Brasil efetivamente precisa aumentar gastos com saúde e se for pelo direito universal só poderá ser feito com impostos. Igualmente o líder político tem de se preocupar com o equilíbrio social das várias funções do Estado e da sociedade: obras, saúde, educação, segurança etc. Do mesmo modo é preciso regular e dar melhor função de melhor aproveitamento à incorporação e uso das tecnologias sempre caras em saúde. Em terceiro lugar, como um líder que tem vôo para ser nacional, o jovem governador tem de vir para o debate da ganância dos produtores de tecnologia, com contas em Bolsa de Valores e que têm de remunerar capitalistas com grandes margens de lucros. Para isso é preciso uma política de C&T com apoio da sociedade e do Estado para que a tecnologia de saúde barateasse, inclusive com a produção pública de muitos insumos.

Eduardo Campos abandonará a bandeira de Arraes se quiser ocupar o vazio do neoliberalismo. Ele é de um partido socialista e como tal, não deve acreditar meramente na teoria do pêndulo: contra Estado e a favor do Estado. Isso não existe, mas uma sociedade desigual, precisando direitos universais continua sendo um grande e histórico desafio para as lideranças políticas. Eduardo, em que pese o orgulho de ser “Campos”, precisa ser mais “Arraes”. Não pode meramente incursionar nos corredores atapetados que recebem os passos dos prestadores de serviço da velha e arcaica elite brasileira.

ESPETÁCULO IMPERDÍVEL!!!

Pensamento para o Dia 29/11/2010



“O processo de purificação do instrumento interno do homem no cadinho do discurso, do sentimento e da ação unidirecionados e voltados apenas para Deus é chamado penitência (Thapas). A consciência interna, então, se livra de todas as imperfeições e defeitos. Quando a consciência interior tornar-se pura e imaculada, Deus residirá nela. Finalmente, ele experimentará a visão do Próprio Senhor dentro dele.”

Sathya Sai Baba

domingo, 28 de novembro de 2010

GUERRILHA VITORIOSA!!!

Nossos mais sinceros agradecimentos a todos e todas que colaboraram para o êxito da 2ª GUERRILHA DO ATO DRAMÁTICO CARIRIENSE. 

Beijos Brincantes!!!



GUERRILHA CARIRIENSE
Letra de Cacá Araújo / Música de Lifanco

A arte
que brota das veias guerreiras
resgata o passado, tempera o presente e alimenta o futuro

Guerrilha do amor, nação Cariri
teatro no palco, na rua, na arena
a canção, o folguedo, o circo e a dança
da vida e da alma do povo são chamas

A arte
que brota das veias guerreiras
resgata o passado, tempera o presente e alimenta o futuro

Guerrilha do amor, nação Cariri
no sol da batalha conquistando aplausos
atores, atrizes, brincantes, cantores
poetas do drama, do corpo e das cores

A arte
que brota das mãos guerrilheiras traz
amando e lutando, sorrindo e sonhando
a mensagem dos deuses em busca da paz

SERTANEJAS - POR CLAUDE BLOC

o QUE
O que seria do preto se não fosse o branco? 

 
O que seria da penela se não fosse a tampa? 

O que seria da mão se não fosse o pilão? 
Que sentido teria a vida? 
Claude Bloc

sábado, 27 de novembro de 2010

A INTERNET EM AQUARIUS

Luiz Domingos de Luna*
Outro dia fui convidado a retornar, ao meu planeta natal – Aquarius, como de sempre, peguei a nave e embarquei, nem liguei mais para o processo de desintegração, matéria, energia, matéria escura, buracos negros, galáxias, quasares, velocidade, acelerador de partículas, motor de regressão de gravidade.
Como já estou acostumado com as mutações existenciais do universo paralelo, fiz desta vez uma viagem tranqüila e segura, vez estar desintegrado em íons imantados a um grande imã, sem prejuízo molecular para minha reintegração material em Aquarius, ao entrar na nossa galáxia Atenas, nem ao som do ruído do redutor gravitacional me foi motivo de preocupação inicial á viagem.
Aos procedimentos, já bastante expostos na série aquarianos, fui convidado a participar da plenária. O Tema: A Instalação de uma torre de transmissão da internet em Aquarius, eu já fui ficando alegre, pois estas viagens sempre são cansativas e desgastantes, assim em futuro breve, a minha comunicação com os aquarianos seria confortavelmente on line, sem prejuízo para os altíssimos gastos com a minha trajetória - Terra Aquarius – Aquarius Terra.
O Projetista foi logo dizendo, nós temos sérios problemas para esta transmissão, primeiro: a densidade da atmosfera terrestre é muito alta, segundo: o campo gravitacional terrestre é muito forte, além do fato da inconstância climática ser de uma variedade muito intensa para a nossa preciosa tecnologia. Vez que, um raio na terra, poderia desencadear uma ruptura em toda a rede de computadores, vez que a transmissão da matéria escura para a matéria não escura cria um campo gravitacional que, em se tratando da terra, teria que se fazer um refluxo, sairia assim, um problema para os terráqueos e criariam inúmeros para os Aquarianos.
Depois de um debate enriquecedor entre o calculador de potencia e o revisor gravitacional, o seqüenciador de ondas pediu a palavra e disse: Em alto e bom tom: Pelos relatórios consta que uma comunicação entre Terra e Marte para compreensão duraria mais de 72 horas, vez a velocidade de o som ser ainda muito lenta.
Aquarius fica a uma distancia mil vezes superior/ a terra marte/ logo o projeto deveria ser abortado. O Filósofo aquariano pediu a palavra e perguntou quem forneceu aqueles dados/ são dados dos terrestres:/ O Filósofo riu, e disse: realmente vocês têm razão, mas tem um probleminha – Perguntei – Qual? O Sábio Aquariano respondeu vocês querem uma comunicação regressiva de 100o anos, ou em tempo real? A Emoção tomou de conta, se bem que em Aquarius não existe emoção, todos gritaram: em tempo real - O filósofo, queridos aquarianos: em Aquarius o tempo real não existe- O Silencio tomou conta de todos nós.
Série: Aquarianos
Texto: Lendas Futuras
Luiz Domingos de Luna
Procurar na web


Idolatria primária - Emerson Monteiro

Tanto que se dá valor a coisas irrelevantes nesta vida que ao encontrar aquilo que na verdade pede atenção ficam as pessoas meio desconfiadas, achando que esqueceram o que de importante haveria e é essencial para levar aos bolsos e dotar a vida. São os efeitos colaterais da distração impostos pelos instrumentos modernos, vícios inconvenientes da ilusão.
A realidade mesma, a que merece respeito e ocupação dos sentidos, quantas vezes deixamos de lado, o amor aos filhos, aos pais, ao marido, à mulher, ao próximo, que se tornaram assuntos vulgares, matéria das novelas sucessivas da televisão, reino vasto das emoções enlatadas...
Para onde dirigir a visão, o indivíduo cumpre determinações do mercado de consumo, até em termos de crença, que, para muitos, raia campos de mera credulidade, preenchimento das fichas do invisível a preço do imediatismo.
No entanto a fome de justiça e a fé continuam rasgando as entranhas dos tempos e dos costumes. Aceitar o desconhecido precisa de consciência, pois a dureza do solo cotidiano assim exige. Essa atitude conformista de engolir as pílulas douradas do esquecimento da realidade jamais satisfará o desejo de equilíbrio que nasce com a gente e sobreviverá para sempre nos demais.
Preencher o vazio apenas com farrapos desnecessários anestesia durante algum tempo, contudo a cólica volta mais forte na sensação de inutilidade e perda de mínimas condições de amor. Disso anda cheio o mundo, homens impacientes, angustiados e agressivos, sem responder ao para que viessem e sumiram longe na próxima curva, fora de ao menos oferecer outros meios e exemplos aos que os aguardaram, na solução dos dramas existenciais elementares.
Nesse apetite agoniado de música nova os dentes mastigaram fel de pedra e poeira, disparos sem qualquer nexo revolucionário a não ser a intenção de ferir os céus da boca das feras inexistentes da droga, no padrão oficial da vontade.
Correm pelas ruas ventos de medo na forma dos ídolos vagos de quaisquer significados. Gente complexa, desavisada no estágio das consequências do que querem, e fazem lama onde antes havia ar puro, água limpa e esperança. Isso constrange, revira de dentro as barrigas famintas de outros sonhos que não fossem tão só de desespero e temor.
Os tais batalhões de gente agressiva pelo simples gesto de ferir, vingar o que ninguém sabe quando, embalados na ira dos atores no palco gigantesco das florestas das cidades artificiais produzem massas, batatas estragadas e luas cinzentas, que ainda brilham no espaço desses turnos assustados.
Silenciosas, gerações inteiras fixam os olhos nas imagens de terras estranhas, senhores de cicatrizes e tatuagens escuras, vestes andrajosas, garras afiadas, numa praia deserta e maré de esperas insistentes. Só.
As carcaças de barcos antigos projetam suas sombras no pôr do sol envoltas nas águas verdes que estiram os dedos às várias outras estações perdidas nas praias dos mundos enigmáticos.

CARIRI É BRASIL

Brincantes do Reisado Infantil Mestre Dedé de Luna - Crato-CE-Brasil (Foto de Júlio César)

O fortalecimento da cultura popular como fator de identidade e desenvolvimento regional no sentido de favorecer a qualidade de vida de mestres, brincantes e artistas populares, a partir de suas comunidades e da valorização da memória e do folclore como temperos da auto-estima e do redescobrimento de nossas origens, passa necessariamente por um amplo investimento no turismo cultural, e, de certo modo, pela “desespetacularização”  dos folguedos, promovendo distritos, vilas e bairros como destinos turísticos, seja o receptivo para o país e o mundo, seja o de mobilização interna, dotando-lhes de infra-estrutura adequada e gerando oportunidades de ocupação, renda e estímulo à transmissão do saber popular aos mais jovens.

Deve-se entender como sagrado o financiamento da manutenção de nossa identidade cultural representada pelos grupos folclóricos e outras manifestações da cultura imaterial, principalmente através de políticas de fomento e fortalecimento de instituições culturais sérias. Faz-se necessária uma grande cruzada em benefício da divulgação, da informação, da educação. Nós precisamos voltar a reconhecer nosso próprio rosto. Para isso é fundamental que nos vejamos também na televisão, nos cinemas, nos teatros, nos jornais, nas revistas, nas escolas, nas praças, nos ouçamos nas rádios e nos encontremos nos grandes eventos postados nos palcos principais. Temos, por outro lado, que ter assegurada a sobrevivência material dos nossos brincantes, através da adoção de medidas em favor do trabalho, seja no campo, seja na indústria ou em outra frente, o que os deixará livres para preservar e difundir seus saberes em situação de dignidade humana. 

No Cariri é onde reside a alma do Ceará. Os principais elementos culturais formadores da identidade cearense, nordestina e nacional estão presentes em nossa região, vivos e pulsantes. Inquietos e indômitos. Aqui se plantou e ainda brota a ancestralidade ibérica, ameríndia e africana, caldeada através dos séculos, fundida pela força da história.

Portanto, cada gesto, saber ou fazer tradicional tem profundidade universal. É também argamassa para a elaboração da contemporaneidade. Folguedos, religiosidade, história, culinária, mitos, lendas, enfim, nossos saberes e fazeres contribuem significativamente para manter vivo o corpo cearense. A cultura popular caririense, costumo dizer, é um conjunto de antropologia sociocultural que nos revela em nossa mais profunda e remota história; é também a manifestação do espírito brincante, religioso, profano e criativo do Brasil. 

Cacá Araújo
Professor, ator, dramaturgo e folclorista
Diretor da Cia. Cearense de Teatro Brincante













Reisado Mestre Dedé de Luna (Crato-Cariri-Ceará-Brasil)
Fotos de Júlio César

Pensamento para o Dia 27/11/2010


“Dos instrumentos utilizados por todos, o corpo com as mãos prontas executa o pensamento que é expresso em palavras. As ações, a obra, o trabalho com os quais a mão do homem está engajada, esses são a fonte de toda a felicidade ou miséria para todos. O homem afirma que está feliz ou que está ansioso ou com medo, ou que está em apuros. Ele atribui a causa dessas condições a qualquer outra pessoa que não ele próprio. Essa crença baseia-se em um fundamento errado. Felicidade e miséria são devidas às suas próprias ações. Se alguém aceita ou rejeita essa verdade, ele terá de sofrer todas as consequências de suas ações. Essa é a lei da natureza.”
Sathya Sai Baba