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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

RESPOSTA AO PÉ DA LETRA – Por Pedro Esmeraldo

Ultimamente, após a tempestade sombria, tenho sido molestado por pessoas pretensiosas e insistentes cujo objetivo é macular a minha imagem.
Não sei por que motivo essas figuras maldosas se lançam contra mim, a fim de toldar a consciência, devido à queda rápida de figuras notáveis da política local.
Não sou culpado pelo desgaste de pessoas amigas que não souberam conduzir os destinos da vida.

Não atiro pedras em ninguém. Às vezes, sou obrigado a criticar quando observo alguns erros, mas confirmo: minhas críticas são admoestatórias e, portanto, não buscam desfazer dos meus amigos.

Segundo palavras dessa pessoa maldosa, respondo: não gosto de atirar em ninguém, porque tenho como meta proteger os animais, quer sejam racionais ou irracionais. Por isso, comprovo que não sou artista popular.

Não sou de tomar medidas apressadas e nem ouvir as conversas de pessoas bisbilhoteiras, pois para mim, palavras loucas não devem ser ouvidas.

Não pretendo falar mal de ninguém e nem cito nome de pessoa alguma quando pronuncio palavras desconexas ao redor de amigos.
Só procuro fazer o bem aos amigos, principalmente aqueles que são verdadeiramente amigos, e servir ao Crato.

Não é do meu feitio ser intolerante, se por acaso algum dia cair no erro, sinto-me na obrigação de pedir desculpas diante da sociedade.

Peço que da próxima vez possam respeitar as pessoas idosas e os amigos que andam em volta dos senhores de grande quilate, por isso volto a dizer: a gente tem como propósito as amizades em torno de mim mesmo. Muitas vezes, é necessário estar com as orelhas em pé e tomar cuidado para não confiar em certas pessoas de péssimas qualidades morais. Por essa maneira; lembro-me de uma frase que vou transmitir agora que foi pronunciada por alguém: Deus me livre dos amigos, porque dos inimigos eu sei me livrar. Afirmo, portanto, que se deve ter cuidados de certos amigos.

No tempo de minha infância, saí pelo sítio ao redor da minha casa com a companhia de dois cães de guarda que me protegiam na hora do perigo. Esses sim eram verdadeiros amigos e não esses que vivem andando ao redor das pessoas e por trás tiram o couro de seus amigos, que se tornam vítimas.

Crato-CE, 22 de dezembro de 2010.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Programa COMPOSITORES DO BRASIL - Rádio Educadora do Cariri

“Menino Deus
Quando a flor do teu sexo
Abrir as pétalas para o universo
Então por um lapso se encontrar
Ligando os breus, dando sentido aos mundos
E aos corações sentimentos profundos
De terna alegria, no dia
Do menino Deus
No dia do menino Deus”

(Menino Deus, Caetano Veloso)

NATAL BRASILEIRO

Por Zé Nilton

Desde que o homem captou o som ouvindo a natureza, descobriu a estrutura matemática de suas combinações e inventou uma escala tonal com infinitas possibilidades de manifestar uma melodia, a música definitivamente marca os eventos da trajetória humana.

A música, dentre múltiplas serventia, parece despertar certa substância em nosso cérebro, quando nos lembramos de algo em que ela fora testemunha.

Os acontecimentos por que passamos não se repetem, ou melhor, a atmosfera da época e o clima do momento estão ausentes nos ciclos repetitivos de nossas vidas. No entanto, caso esses momentos tenham sido emoldurados pela música – ou por aquela música que embalou e marcou aquele momento, ao ouvi-la e juntá-la ao ocorrido, entramos na aura que decolou daquela ocasião e que agora emerge na nossa lembrança.

Só para entendermos melhor: outro dia, numa entrevista, o músico Tom Zé descreveu, com pureza de detalhes, o momento em que ouviu, pela primeira vez, a voz e o violão de João Gilberto interpretando “Chega de Saudade”. Seu semblante se transfigurava à medida que ia detalhando o local, o clima, as pessoas e tudo o que se encontrava à sua volta, enquanto desfrutava daquela ocasião mágica. Assim também ocorreu com toda uma geração de jovens compositores nos idos de 1959.

Parece que essa “sobredeterminação,” como uma imagem projetada num espelho – quando a música ajuda a tecer a ocasião - aguça o sentimento de (des)prazer quando lembramos.

Caso o leitor não concorde com minhas observações, remeto-o para a leitura de um livrinho (muito substancioso), do cratense Paulo Elpídio de Menezes, - “O Crato de meu tempo”, Fortaleza: edições UFC, 2ª. edição, 1985.

Nele o autor faz uma descrição histórica de nossa cidade nos fins do século XIX, levando em conta não o calendário histórico-linear, aquele em que se vai marcando os acontecimentos numa escala evolutiva. O autor se vale dos ciclos da vida, dos ciclos festivos como forma de construir suas rememorações, que terminam por revelar uma história (social) da cidade e de seu povo. Em todos esses eventos ele cita os folguedos, as músicas, as cantigas, as brincadeiras de rua, as serenatas e descreve as letras. Enfim, fala de sua infância e adolescência revividas em sua memória enriquecida pela trilha sonora que marcaram sua lembrança. Então, o que seria do ser humano se não houvesse a música?

Acho mesmo que no Natal, assim como em outros ritos de passagem, e todos os ciclos festivos, a música ajuda muito a realçar as simbologias desses eventos.

No Brasil a música natalina é marcada pela diversidade de criação.As cantigas dos autos de natal no Brasil são expressões da cultura local. Acredito ser a música de Natal uma manifestação musical extraordinariamente rica, porquanto ela acompanha sob diversos ritmos e tons, os temas dos ciclos natalinos que se realizam em diferentes subculturas.

Por aqui tudo foi perfeitamente assimilado pelos diversos grupos que ensejaram a (des)ocupação paulatina do nosso território. No plano da música, os instrumentos, as danças, as cantigas, muitos ritmos, os autos, as coreografias etc. transplantadas por populações misturadas de todas as partes do mundo, foram acolhidas e até ressignificadas para permitirem sua continuidade no tempo...

Esse será o tema de hoje do Programa COMPOSITORES DO BRASIL. Vamos falar um pouco das músicas do natal brasileiro, de seus compositores e cantores. Lembrando da compositora Chiquinha Gonzaga, nascida em 1847, e que aos 11 anos de idade, em uma festa de Natal no lar, apresentou, com letra de seu irmão, sua primeira composição, uma música natalina: “Canção dos Pastores”.

Na sequencia:

UM NATAL BRASILEIRO, de Ivan Lins com Ivan Lins
FELIZ NATAL, de Martinho da Vila com Martinho da Vila
PRESENTE DE NATAL de Francisco Alves com Francisco Alves
ENTRADA DO BOI DE REIS, Colhido por Toinho Alves
NATAL TODO DIA, de Maauricio Gaetani, com Roupa nova
MENINO JESUS DE PRAGA, de Jorge Ben Jor, com Jorge Ben Jor
MENINO DEUS, de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, Clara Nunes
MENINO JESUS, de Geraldo Rocco, com Almir Sater
BOAS FESTAS, DE Assis VAlente, com Ná Ozzetti.
VÉSPERA DE NATAL, de Adorina Barbosa, com Demonios da Garoa
MENINO DEUS, de Caetano Veloso, com Caetano Veloso
NATAL DAS CRIANÇAS DE Belcaute, com Carequinha
CRÔNICA DO NATAL CAIPIRA, de Aldemar Paiva, com Rolando Brodrin

Quem ouvir, verá!

Programa: Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri (www.radioeducaroradocariri.com)
Telefone88) 3523-2705
Todas as quintas de 14 as 15 horas
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Operador high tech: Iderval Dias
Direção Geral: Dr. Geraldo Correia Braga










Aldo Rebelo: Monteiro Lobato no tribunal literário

O parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) de que o livro "Caçadas de Pedrinho" deve ser proibido nas escolas públicas, ou ao menos estigmatizado com o ferrão do racismo, instala no Brasil um tribunal literário.

 
A obra de Monteiro Lobato, publicada em 1933, virou ré por denúncia -é esta a palavra do processo legal-de um cidadão de Brasília, e a Câmara de Educação Básica do Conselho opinou por sua exclusão do Programa Nacional Biblioteca na Escola.

Na melhor das hipóteses, a editora deverá incluir uma "nota explicativa" nas passagens incriminadas de "preconceitos, estereótipos ou doutrinações". O Conselho recomenda que entrem no índex "todas as obras literárias que se encontrem em situação semelhante".

Se o disparate prosperar, nenhuma grande obra será lida por nossos estudantes, a não ser que aguilhoada pela restrição da "nota explicativa" -a começar da Bíblia, com suas numerosas passagens acerca da "submissão da mulher", e dos livros de José de Alencar, Machado de Assis e Graciliano Ramos; dos de Nelson Rodrigues, nem se fale. Em todos cintilam trechos politicamente incorretos.

Incapaz de perceber a camada imaginária que se interpõe entre autor e personagem, o Conselho vê em "Caçadas de Pedrinho" preconceito de cor na passagem em que Tia Nastácia, construída por Lobato como topo da bondade humana e da sabedoria popular, é supostamente discriminada pela desbocada boneca Emília, "torneirinha de asneiras", nas palavras do próprio autor: "É guerra, e guerra das boas".

Não vai escapar ninguém - nem Tia Nastácia, "que tem carne negra". Escapou aos censores que, ao final do livro, exatamente no fecho de ouro, Tia Nastácia se adianta e impede Dona Benta de se alojar no carrinho puxado pelo rinoceronte: "Tenha paciência - dizia a boa criatura. Agora chegou minha vez. Negro também é gente, sinhá...".

Não seria difícil a um intérprete minimamente atento observar que a personagem projeta a igualdade do ser humano a partir da consciência de sua cor. A maior extravagância literária de Monteiro Lobato foi o Jeca Tatu, pincelado no livro "Urupês", de 1918, como infamante retrato do brasileiro. Mereceria uma "nota explicativa"?

Disso encarregou-se, já em 1919, o jurista Rui Barbosa, na plataforma eleitoral "A Questão Social e Política no Brasil", ao interpretar o Jeca de Lobato, "símbolo de preguiça e fatalismo", como a visão que a oligarquia tinha do povo, "a síntese da concepção que têm, da nossa nacionalidade, os homens que a exploram".

Ou seja, é assim que se faz uma "nota explicativa": iluminando o texto com estudo, reflexão, debate, confronto de ideias, não com censuras de rodapé.
O caráter pernicioso dessas iniciativas não se esgota no campo literário. Decorre do erro do multiculturalismo, que reivindica a intervenção do Estado para autonomizar culturas, como se fossem minorias oprimidas em pé de guerra com a sociedade nacional.

Não tem sequer a graça da originalidade, pois é imitação servil dos Estados Unidos, país por séculos institucionalmente racista que hoje procura maquiar sua bipolaridade étnica com ações ditas afirmativas.

A distorção vem de lá, onde a obra de Mark Twain, abolicionista e anti-imperialista, é vítima dessas revisões ditas politicamente corretas. País mestiço por excelência, o Brasil dispensa a patacoada a que recorrem os que renunciam às lutas transformadoras da sociedade para tomar atalhos retóricos.

Com conselheiros desse nível, não admira que a educação esteja em situação tão difícil. Ressalvado o heroísmo dos professores, a escola pública se degrada e corre o risco de se tornar uma fonte de obscurantismo sob a orientação desses "guardiões" da cultura.

Fonte: Folha de S. Paulo

Filme expõe porões da tortura no Brasil

Quarenta anos depois, contundentes imagens de como se dava a tortura aplicada pela ditadura e desconhecidas no Brasil chegam timidamente ao país. No documentário "Brazil, a report on torture" ("Brasil, o relato de uma tortura"), parte do grupo de 70 ativistas da luta armada que foram trocados pelo embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, em 1971, relata e encena práticas como pau de arara, choque elétrico, espancamento e afogamento.


O objetivo era denunciar no exterior o que ocorria nos porões da ditadura brasileira.

O filme foi realizado em 1971, em Santiago, no Chile, para onde os brasileiros foram banidos. O documentário foi uma iniciativa dos cineastas americanos Haskel Wexler e Saul Landau, que estavam no Chile para produzir material sobre o presidente Salvador Allende e souberam da presença dos brasileiros.

Quase todos os guerrilheiros que deram depoimentos não assistiram ao filme até hoje. Dois deles se suicidaram alguns anos depois: Frei Tito e Maria Auxiliadora Lara Barcelos, uma das mais próximas amigas da presidente eleita, Dilma Rousseff, no período da Var-Palmares, no início da década de 70.

Nas imagens, os ativistas simulam vários tipos de tortura, como uma pessoa tendo seu corpo esticado, com pés e mãos amarrados entre dois carros. Simulam a "mesa de operação": sem roupa, ou só de cueca, o torturado deita na mesa, tem os braços e pernas amarrados nas extremidades e sofre pressão na espinha. Uma barra de ferro, no alto, tem um barbante amarrado aos testículos. A pessoa era obrigada a ficar por duas ou três horas na posição, suportando o peso do corpo com as mãos e braços.

O jornal O Globo enviou cópia a alguns dos protagonistas, que somente agora tiveram acesso ao documentário e relembraram o depoimento. Jean Marc Van der Weid, hoje diretor de uma ONG de agricultura alternativa, defendeu a luta armada no filme como única maneira de o povo chegar ao poder no Brasil ditatorial:

"Nunca tinha visto. Era um filme de denúncia contra a ditadura e produto de um momento inteiramente diferente de hoje. Não me lembrava nem do que falei. A ideia da luta armada era generalizada em quase todas as organizações de esquerda", disse Jean Marc, que era presidente da UNE quando foi preso e atuou na Ação Popular (AP).

Militante do PCBR, Elinor Mendes Brito aparece no documentário contando detalhes das técnicas de tortura, demonstrando no corpo de sua companheira de organização Vera Rocha Pereira em que partes eram aplicados os choques elétricos.

"Me sinto até mal assistindo hoje a essas imagens, fazendo isso com companheiros. 'Torturar' uma amiga, na demonstração, foi um horror. É um filme muito realista, e o objetivo era mostrar exatamente como eram as técnicas. Não era forçação de barra. Era emocional", disse Elinor Brito, que foi torturado em quatro instalações militares distintas. Hoje, Brito é funcionário da Comlurb, no Rio.

Fonte: O Globo

Ainda os sebastianistas

Por Marco Albertim

As cerimônias de casamento no Reino da Pedra Bonita terminavam com preces, cânticos e rezas. Todos deviam se retirar, com exceção da noiva, cuja virgindade seria removida pelo líder da comunidade, autoproclamado Rei. Na Pedra dos Sacrifícios, João Ferreira dos Santos presidia o sacrifício de homens, crianças e cães. O sangue, segundo o próprio, serviria para regar as pedras e os campos próximos. O propósito maior, porém, seria o resgate da alma de D. Sebastião, bem como a ressurreição de moços e o embranquecimento dos negros, tornando-os ricos, imortais e poderosos. Vê-se, aqui, a conotação racista de braços dados com aspirações de ascensão social.

Outro líder, João Antônio dos Santos, usava uma coroa de cipós de japecanga, fazia predições e exigindo que seus pés fossem beijados. Dizia ele que os cães imolados retornariam como dragões protetores da comunidade; já os sebastianistas sacrificados, ressuscitariam jovens, belos e ricos. O crescimento da comunidade assusta fazendeiros e autoridades. Os informes  dando conta dos sacrifícios chegam ao município de Serra Talhada. O padre Francisco Correia, missionário idoso, de muito prestígio, é enviado ao local; consegue, então, demover João Antônio de seus propósitos messiânicos. Mas João Ferreira, cunhado de João Antônio dos Santos, retoma o apostolado, tomando para si sete mulheres, vez que a poligamia era consentida.

Do alto do Trono ou Púlpito, diz que D. Sebastião lhe aparecera, mostrando-se descontente com a fraqueza e incredulidade dos fiéis. Intensifica a pregação de sacrifícios humanos e de cães. Conforme a historiadora Maria Isaura Pereira de Queiroz – O messianismo no Brasil e no mundo -, grupos se deslocavam diariamente, “arrebanhando homens, mulheres, meninos e cães para o acampamento.” Estimulados pela bebida à base de jurema, exaltados, esperavam “o grande acontecimento.” Só os que gozavam da extrema confiança do rei, tinham permissão para esmolar nas fazendas, trazendo o sustento dos acampados.

Pregando a necessidade de aplacar a cólera de D. Sebastião, João Ferreira dirige, em 14 de maio de 1838, o mais conhecido dos sacrifícios. “Calcula-se que foram sacrificados 12 homens, 30 crianças e onze mulheres, inclusive Isabel, uma das mulheres de João Ferreira.”* A matança durou três dias. Três dias depois, Pedro Antônio dos Santos, irmão do fundador da Pedra Bonita, sobe ao Púlpito e anuncia que D. Sebastião se mostrara a ele na noite anterior, reclamando a presença do rei, única vítima que faltava para ocorrer o desencantamento. João Ferreira protesta, inda que arrastado e sacrificado. Pedro Antônio dos Santos considerava-se o verdadeiro herdeiro do Reino, e tivera duas irmãs sacrificadas na matança.

A notícia chega ao conhecimento de Manoel Pereira da Silva, dono da fazenda Belém e comissário de polícia em Serra Talhada. Da varanda de sua casa, ouve o relato apavorado do vaqueiro José Gomes Vieira. Diz primeiro que fora iludido pelo seu tio, José Joaquim Vieira, ao conduzi-lo para a Serra Formosa “para ver muitas coisas bonitas e ajudá-lo na defesa dos tesouros e do Reino descoberto...”** Acrescenta que, depois de beber muito vizinha, dissera que “El-Rei Dom Sebastião estava muito desgostoso e triste com seu povo.” Arrematando: “Porque são incrédulos! Porque são fracos! Porque são falsos! (...) E finalmente porque o perseguem, não regando o Campo Encantado e não lavando as duas torres da catedral de seu Reino com o sangue necessário para quebrar de uma vez este cruel Encantamento!” **

Àquela altura, o comissário já recebera missiva de Manoel Ledo de Lima, rico fazendeiro da região, informando-o da ocorrência. Era o temor de que a matança atingisse seus domínios.

Conduzido por José Gomes Vieira, sebastianista arrependido, o comissário põe-se à frente de um grupo armado. No dia 18 do mesmo mês, deparam-se com Pedro Antônio dos Santos. O Rei está acompanhado por um séquito de mulheres, meninos e homens armados de facas, facões e cacetes. “Não os tememos! Acudam-nos as tropas do nosso Reino! Viva El-Rei Dom Sebastião”***, grita Pedro Antônio, agitando a sua coroa e atirando-se furioso ao grupo invasor. Outros sebastianistas são dizimados por homens chefiados por Simplício Pereira da Silva, fazendeiro e um dos nove irmãos do comissário. Os sebastianistas que não morrem são levados para a cadeia do município de Flores. As mulheres são soltas, as crianças entregues a famílias dispostas a criá-las.

João Antônio dos Santos, fundador da comunidade e primeiro Rei, é localizado em Minas Novas do Suruá, Minas Gerais. Vivia com a família. Na viagem para Serra Talhada, é morto. Suas orelhas são arrancadas como prova de sua morte. Para a tranquilidade dos proprietários.


*Rubim Santos Leal de Aquino, Francisco Roberval Mendes e André Dutra Boucinhas – Pernambuco em chamas – revoltas e revoluções em Pernambuco

**Antonio Attico de Sousa Leite – Memória sobre a Pedra Bonita ou Reino Encantado, na comarca de Vila Bela, província de Pernambuco

***Ariano Suassuna – Romance d’A Pedra do Reino e o príncipe do sangue do vai e volta

Fonte: http://www.vermelho.org.br/

Pensamento para o Dia 22/12/2010


Pensamento para o Dia 22/12/2010
“As pessoas experimentam desespero e derrota por conta da indisciplina e da instabilidade dos sentidos. Esse é o resultado da incapacidade de controlar e orientar a inteligência e a mente! Os desejos conflitantes infectando a mente devem ser controlados e eliminados. Mergulhe a mente rebelde, que se esquiva em todas as direções, na contemplação do Nome do Senhor; o efeito será como concentrar os raios do sol através de uma lupa. Os raios espalhados desenvolvem o poder de uma chama que queima e consome. Do mesmo modo, quando as ondas de intelecto e dos sentimentos da mente tornarem-se unidirecionados através da lente convergente do Atma, eles manifestam-se como o Divino Esplendor Universal que pode queimar o mal e iluminar a alegria. Todo mundo é capaz de obter sucesso na sua profissão ou ocupação somente através de uma atenção unifocada. Mesmo a mais insignificante das tarefas necessita da qualidade da concentração para sua realização. Assim, mesmo os problemas mais difíceis submetem-se ao esforço inabalável.”
Sathya Sai Baba

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Por este ano que termina - José do Vale Pinheiro Feitosa

Nos tempos iniciais do Cariricult embarquei numa que estaria na praça da cidade do Crato, como uma espécie de vão central do Cariri, com os amigos, falando do que bem quisessem e como achassem melhor. Logo fui atalhado pelo Maurício Tavares que interpretava aquela imagem como uma espécie de ação acrítica entre os amigos, especialmente por que ali se tratavam de textos.

Como Maurício é do ramo, além de trocar as farpas de sempre com ele em defesa do que pensava, também vieram as reflexões igualmente enriquecedoras e vindas dos outros. Afinal agora existia o texto por comunicação, já não havia o burburinho simultâneo de vozes, que terminam se anulando pelo som e afinal criando um arranjo de consenso. Com texto é diferente: há o tempo solitário do escrever e a reação apenas depois, multifacetada, cheia de opiniões diferentes e, claro, de farpas com esgrimam entre corpos. O consenso é muito mais difícil e a divergência se aprofunda muito mais.

Este fenômeno que já havia surgido nos blogs, ficou mais intenso nas redes sociais, especialmente com o twitter. Agora mesmo houve um debate acirrado entre blogueiros do campo da esquerda, em razão do uso da palavra “feminazi” e o calor do incêndio foi maior e reacendia quase diariamente, exatamente no e pelo twitter. O interessante é que o incêndio deveu-se a problemas de preconceitos com o tema do feminismo, mas se revestiu essencialmente de disputas pessoais, por maior visibilidade na rede.

O que tento dizer é que este ano de 2010 foi um ano especial por dois motivos principais: a crise econômica dilacerando a zona do euro e as eleições brasileiras. Esta energia descomunal arrastou muito mais coisas que estavam um patamar abaixo e vieram para o centro dadas as semelhanças. Uma delas foi a questão da igreja católica, atravessada por mudanças extraordinárias num contraponto conservador do atual papado. Isso deixou nossos blogs em várias chamas.

As eleições presidenciais nem se fala: foi o centro das teimas. Gente abandonou o barco de alguns blogs, outros foram literalmente expulsos e muitos foram vetados sobre certos assuntos. Não foi por menos, além de haver uma grande esgrima nacional, no Ceará houve uma luta entre o passado que teimava em ficar e um novo que já havia tomado a sala principal. No Crato a força maior nasceu na própria política municipal, estimulada pelo seu governo, a sustentar opiniões de muitos debatedores.

Afinal não fiquei à margem de nada. Posso ter deixado má impressão com as divergências, mas garanto aos meus amigos que a idéia não foi agredi-los com o contraditório, apenas ser tão igual, que todos me reconheçam como parte, apesar de viver distante daí. Não quero dizer que a visão de mundo de cada um esteja errada ou superada, quando me coloco, por vezes, com outro pensamento, apenas quero dizer que ele existe. Não é convencimento, é mostrar validade de existência de mundos paralelos ou até mesmo transversais.

Gostaria de ter sido poeta, um bom contador de histórias, ter narrado transcendências que expliquem as platitudes da vida. Não consegui, mas o que consegui, foi mostrar como este filho da terra é. Sem me tornar exemplo, apenas parte do geral em transformação. Tudo muda, muito do que não muda não fica sem voz. Um dia vai aparecer um sussurro, mas depois serão gritos.

Espero que apesar de tudo, me compreendam e desculpem por nem sempre falar de flores. Mas é assim mesmo: o nosso querido Domingos Barroso fala dos insetos que passeiam nos cantos de seu olhar e sinto algo tão especial como o encanto dos “lírios dos campos”.

Enfim, isso é para desejar a todos um forte apego ao caminhar, a um ano novo sem medo do desconhecido. Desejar que estejamos nestas linhas a dar sentido coletivo a este belo e contraditório Vale do Cariri.

Ouvi de Lysâneas - Emerson Monteiro

Ao ler notícia publicada pelo jornal O Povo, nesta terça-feira (21/12/2010), a respeito da recusa do bispo cearense Dom Manuel Edmilson Cruz de uma comenda do Senado Federal, justificando a atitude como protesto pelo aumento dos subsídios dos parlamentares, votado pelo Congresso em dias da semana passada, lembrei de um texto que escrevi há duas ou três décadas e que agora apresento, a saber:
No ano de 1975, em Salvador, assisti inflamada palestra do então deputado federal Lysâneas Maciel, numa cruzada que empreendeu por vários estados para denunciar o clima de repressão que constrangia o povo brasileiro. Sabia-se mesmo sujeito à cassação de que seria vítima logo no ano seguinte, atingindo também outro corajoso parlamentar, o cearense Alencar Furtado.
De verbo fluente, destemido, sensibilizou com profundidade todos os presentes no auditório superlotado, a interpretar de forma contundente o momento de transição que enfrentávamos sob o clima rígido da força totalitária no comando das instituições políticas nacionais.
Dentre os recursos adotados na ocasião, bem aos moldes da melhor oratória evangélica, pastor que era, Lysâneas narrou episódio verificado com um pastor protestante, na Alemanha durante o regime nazista.
Zelava reverente pela sua comunidade religiosa, quando ocorreram as primeiras detenções do período negro que antecedeu a Segunda Guerra Mundial, a prenderem primeiro os líderes comunistas. Ele pensou consigo: - Não sou comunista, portanto nada tenho com isso. E omitiu-se de reagir em face da violência cruel encetada contra seres humanos.
Os senhores da ditadura de Hitler seguiram na escalada dolorosa de terror, vindo deter também os socialistas, motivando no religioso idêntico comportamento de descompromisso. Por não ser socialista, indiferente permaneceu, aceitando as manobras policiais da Gestapo.
Depois, seriam levados os homossexuais, as prostitutas, os ciganos e outras minorias perseguidas. O raciocínio se repetia, de ficar quieto diante de tudo o que observava, sem, no mínimo, falar ou demonstrar qualquer atitude contrária, perante as pessoas de sua comunidade.
Mais adiante, também prenderiam os judeus, os católicos, enquanto nada alterava das relações com as forças do poder, pois achava fora do enquadramento nos grupos perseguidos. Nem de longe avaliava possuir qualquer responsabilidade pelas vítimas das arbitrariedades.
Até que, dias depois, bateram na porta da sua igreja para levá-lo preso, e nessa hora ninguém havia que mobilizasse forças em seu auxílio e levantasse a voz pela sua liberdade, pelos seus direitos, sua cidadania democrática.
Eis, assim, exemplo de ocasiões quando os nossos rostos vêm à mostra, por conta dessa atitude sincera e verdadeira de Dom Edmilson Cruz, oportuna e atualizada, de um valor inestimável, para que não nos acomodemos aos vícios da política desvirtuada, como não sendo conosco a crua responsabilidade que a todos compete todo tempo. Admiro, pois, a coerência de pessoas deste tipo.

Os Cratenses passaram 50 anos bebendo água de uma substância Cancerígena sem saber!


A SAAEC está trocando 15Km de canos completamente degenerados em Crato.



Você já ouviu falar em Amianto ? - É um material proibido em diversos países porque causa uma doença incurável chamada ASBESTOSE, além de Câncer. ( ver foto ao lado ). O que você provavelmente não sabia é que a tubulação de água do Crato, de aproximadamente 50 anos, era feita de AMIANTO. A água que muita gente bebia no Crato passava ( e em alguns lugares ainda passa ) por esse material. O Governo do Crato nesta gestão, está trocando 15 Km de canos e substituindo por outros que têm aprovação por institutos de pesquisa, e que não causam problemas à saúde.

O asbesto (da palavra grega ἀσβεστος, "indestrutível", "imortal", "inextinguível"), também conhecido como amianto (do grego αμίαντος, puro, sem sujidade sem mácula) , é uma designação comercial genérica para a variedade fibrosa de seis minerais metamórficos de ocorrência natural e utilizados em vários produtos comerciais. Trata-se de um material com grande flexibilidade e resistências tênsil, química, térmica e eléctrica muito elevadas e que além disso pode ser tecido.

Patologias causadas por Amianto

Já em 1898 o inspector-chefe de fábricas no Reino Unido relatava ao parlamento no seu relatório anual os efeitos malignos do pó de asbesto ( amianto ). Nele afirmava que a natureza aguçada como vidro das partículas quando presentes no ar em qualquer quantidade é nociva, como se deveria esperar. Em 1906 uma comissão do parlamento britânico confirmou os primeiros casos de morte causada por asbesto e recomendou que fosse melhorada a ventilação nos locais de trabalho, entre outras medidas. Em 1918 uma companhia de seguros dos Estados Unidos efectuou um estudo que demonstrava a ocorrência de mortes prematuras na indústria do asbesto e em 1926 a comissão de acidentes industriais de Massachusetts concedeu pela primeira vez a um trabalhador doente da indústria o direito à primeira compensação por doença causada por asbesto. Muitos dos afectados pela exposição ao asbesto nos Estados Unidos trabalhavam na construção naval durante a Segunda Guerra Mundial. Os problemas com o asbesto surgem quando as fibras se dispersam no ar e são inaladas. Devido ao tamanho das fibras, os pulmões não conseguem expeli-las [Casarrett & Doull's Toxicology (2001), pp 520-522].

Entre as doenças causadas pelo asbesto incluem-se:

* Asbestose - Inicialmente diagnosticada entre trabalhadores da indústria naval dos Estados Unidos, a asbestose consiste de lesões do tecido pulmonar causadas por um ácido produzido pelo organismo na tentativa de dissolver as fibras. As lesões podem tornar-se extensas ao ponto de não permitirem o funcionamento dos pulmões. O tempo de latência (período que a doença leva a manifestar-se) é geralmente 10 a 20 anos.

* Mesotelioma - Um cancro do revestimento mesotelial (pleura) do pulmão. A única causa conhecida é a exposição ao asbesto. O período de latência do mesotelioma pode ser de 20 a 50 anos. A maior parte dos doentes morre em menos de 12 meses após o diagnóstico.

* Cancro - Cancros do pulmão, do tracto gastrointestinal do rim e laringe foram associados ao asbesto. O período de latência é muitas vezes 15 a 30 anos.

* verrugas de asbesto - produzidas quando fibras aguçadas se alojam na pele sendo recobertas por esta causando crescimentos benignos semelhantes a calos.

* placas pleurais - espessamento de parte da pleura visível por meio de radiografias em indivíduos expostos ao asbesto.

* espessamento pleural difuso - semelhante à anterior. Geralmente assimptomática, pode causar perda de capacidade respiratória se a sua extensão for grande.

Riscos da exposição ao asbesto

Quase todas as pessoas são expostas ao asbesto em algum momento das suas vidas. No entanto, a maioria das pessoas não adoece em consequência dessa exposição. As pessoas que adoecem devido à exposição ao asbesto são geralmente aquelas expostas de forma regular, a maior parte das vezes no seu posto de trabalho em que contactam directamente com o material ou através de contacto ambiental substancial.

Vários estudos sugerem que os efeitos nocivos do Amianto são muito maiores no grupo das Anfíbolas. Experimentos com ratos de laboratório já provocaram a indução de processo cancerígeno causado por Amianto Crisotila, porém em doses muito altas que sequer são encontradas fora do ambiente de laboratório.

Hoje o uso do Amianto Anfibólio é proibido em todo o mundo. O Amianto Crisotila já é proibido em algumas regiões do planeta porém ainda é amplamente comercializado em vários países, apesar de muitos defenderem a sua proibição total.

Proibição

* No Brasil, alguns estados (Rio Grande do Sul, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo) e municípios brasileiros proibiram a industrialização e a comercialização de todos os tipos de amianto, inclusive o crisotila. Por outro lado, a Lei Federal nº 9055, de 1º de julho de 1995 dispõe sobre a mineração, industrialização, transporte e comercialização do amianto e dos produtos que o contém. O Decreto nº 2350 de 1997 regulamenta a Lei nº 9.055.Há um projeto em andamento para o banimento do amianto em todo o território brasileiro.O relatório sugere a desativação da única mina de amianto ainda em operação no Brasil, localizada em Minaçu (GO).O projeto está a ser votado.1

* A União Europeia proíbe toda e qualquer utilização do amianto no seu território desde 1 de Janeiro de 2005, estando a sua extração igualmente proibida. Os trabalhadores que tenham que lidar com o amianto nas suas actividades de remoção do mesmo estão sujeitos a especiais condições de trabalho.

* O Canadá proíbe o uso do amianto no próprio país e é um dos maiores exportadores mundiais do produto, juntamente com a Rússia; seus maiores clientes são países em desenvolvimento.

* Diversos países proíbem o uso do amianto. Na América do Sul o uso do amianto é proibido na Argentina, no Chile e no Uruguai.

* Discussões entre especialistas, ambientalistas, ONG's e empresas sugerem que para alguns o tema sobre o banimento do Amianto se trata mais de uma questão político-econômica do que propriamente de saúde pública. Muitos defendem a proibição total do minério sem sequer saber que existem dois grupos distintos de amianto.

Fonte: Wikipedia

Bispo recusa homenagem do Senado em protesto contra aumento

Eduardo Bresciani
Do G1, em Brasília

Dom Manuel da Cruz durante sessão especial no Senado Federal nesta terça-feira (21)
(Foto: J. Freitas / Agência Senado)

O bispo de Limoeiro do Norte (CE), Dom Manuel Edmilson da Cruz, recusou nesta terça-feira (21) receber uma comenda do Senado Federal. Ele afirmou que sua atitude era para protestar contra o aumento salarial de 61,8% aprovado pelos parlamentares em causa própria. A homenagem recusada por ele é a Comenda dos Direitos Humanos Dom Helder Câmara.

A recusa do bispo foi feita em um discurso no plenário do próprio Senado. Ele criticou os parlamentares por aprovar o aumento deste montante para o próprio salário. “Quem assim procedeu não é parlamentar, é para lamentar”, disse.

O religioso afirmou que a comenda que lhe foi oferecida não honra a história de Dom Helder Câmara, que teve atuação destacada na luta pelos direitos humanos durante o regime militar.

"A comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi Dom Helder Câmara. Não representa. Desfigura-a, porém. Sem ressentimentos e agindo por amor e por respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la. Ela é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão, à cidadã contribuinte para o bem de todos, com o suor de seu rosto e a dignidade de seu trabalho”, afirmou o bispo. Ele destacou que o aumento dado aos parlamentares deveria ter como base o reajuste que será concedido ao salário mínimo, de cerca de 6%. “O aumento a ser ajustado deveria guardar sempre a mesma proporção que o aumento do salário mínimo e da aposentadoria. Isso não acontece. O que acontece, repito, é um atentado contra os direitos humanos do nosso povo”.

O senador José Nery (PSOL-PA) disse compreender a atitude do bispo. “Entendemos o gesto, o grito, a exigência de Dom Edmilson da Cruz”. Nery, que foi um dos três senadores a se manifestar na votação de forma contrária ao aumento, deu prosseguimento a sessão após a atitude do religioso.

Dom Manuel Edmilson da Cruz foi indicado para receber a comenda pelo senador Inácio Arruda (PC do B-CE). Além dele, foram indicados para a homenagem Dom Pedro Casaldáliga, Marcelo Freixo, Wagner de La Torre e Antônio Roberto Cardoso. Apenas este último também estava presente e discursou. Ele afirmou estar “incomodado” com a homenagem, mas disse a ter aceitado porque ela se enquadra dentro de um contexto histórico e de um reconhecimento ao trabalho de Dom Helder Câmara.

Fonte: G1

LÁGRIMA

Foto de Stálin Araújo

Por que não chega
A raiva, o ódio e a rebeldia
Deste amor profano?
E eu beberei até o sol sair
Me tostar as faces

Por que não chega
A fome e a falsa coragem
de gritar, subir, pular
Cair d'um edifício?
E acabarei co'a dor
Morrendo em teu louvor

Por que tu não não vens de noiva?
Pra me afogar na cama
Pra me acender o corpo
E amar, correr, suar
Melar, gemer, urrar
E só sair de dentro
Quando o amor se destruir
Se o amor se destruir
Fugir, morrer, saltar
Pela janela

Por que não chega
A decisão, o sim, o não
A flor, a faca?
Pra me mostrar o brilho, se for
Ou a escuridão


Cacá Araújo

Crato-Cariri-Ceará-Brasil

Pensamento para o Dia 21/12/2010



“Certa vez, Draupadi perguntou a Dharmaraja: "Senhor! Você é, sem dúvida, o mais elevado entre aqueles que seguem sem hesitação o caminho do Dharma; mesmo assim, como é que tal calamidade terrível lhe aconteceu? Dharmaraja respondeu: " Draupadi, não sofra. Olhe para a cordilheira do Himalaia. Quão magnífica, gloriosa, bela e sublime ela é! É um fenômeno tão esplêndido que Eu a amo sem limites. Isso não me dará nada, mas minha natureza é amar o belo, o sublime. Então, aqui também vivo em amor. A personificação dessa sublime beleza é Deus. Esse é o significado e a importância do amor por Deus. Deus é a única entidade que vale a pena amar. Essa é a razão pela qual eu O amo. Eu não desejo nenhum favor Dele. Não vou rezar para qualquer benefício. Que Ele me mantenha onde Ele quiser me manter. A maior recompensa para o meu amor é Seu amor! Meu amor não é um artigo no mercado." Assim, Dharmaraja ensinou Draupadi que o Amor é uma qualidade Divina e deve ser assim tratado. O Amor é a natureza espontânea daqueles que estão sempre presentes na consciência do Atma (Eu Superior).”
Sathya Sai Baba

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Laura no Natal - José do Vale Pinheiro Feitosa

Laura nasceu neste domingo do dia 19 de dezembro de 2010, menos dois dias em que, há 62 anos, nascera o avô. Naquele final de década dos anos quarenta, o mundo era só esperança, mesmo com a Bomba Atômica e o veneno da Guerra Fria já sendo inoculado, uma era de progresso humano começava.

Laura sentiu a luz do mundo pela primeira vez vindo das fontes artificiais da maternidade, dos flashes da fotografia digital, foi para uma incubadora que lhe deu calor a partir da eletricidade. Ela está num mundo muito mais complexo, muito mais avançado e que se pergunta todo dia como resolver as dores dos incertos dias.

Laura e o mundo: o quanto Laura é o próprio mundo e ele é o quantum de Laura, não se precisa responder. A resposta já é da natureza mesma do nascer. Não se nasce por acaso, é uma necessidade, um impulso de futuro, uma mutação contínua, com a qual jamais se encontrará um ponto final na sentença do que seja o mundo e Laura.

Para contabilidade dos que já estavam no mundo antes de Laura, resta um haver por multiplicar, como acréscimo do cotidiano. Sempre que imagino o 25 tios que a herança nordestina do avô de Laura lhe deu, não me veio o amor dividido dos pais, mas a imensa capacidade de multiplicar que tem o amor que tantas vezes o tratamos com o meloso banal de algumas frases de algibeira.

Isso posto que Laura, irmã de Sofia, é uma frase que se basta e diz tudo, mas não diz o que comumente pensamos como natural. Não existe uma ordem entre Laura e Sofia, esta primeiro e Laura depois. Não é um ranking de preferências ou particularidades. Em outras palavras a ordem cronológica entre as duas é apenas isso, não leva a maiores diferenciações que não seja apenas que Laura e Sofia, como de restos todos, somos parte únicas do mundo.

Quando se explica o que foi dito no parágrafo anterior, se revela a preocupação da longa tradição ocidental e até mesmo oriental: o primogênito. A ordem de herança e poder não cabe mais no mundo de Laura e Sofia. A primogenitura foi ultrapassada há muito, resta em algumas mentalidades apenas como o comum dos retalhos de arcaísmo que se pregam no corpo do presente.

Laura, neste exato momento que escrevo completa 24 horas no pleno do ambiente, tem uma calma de transição que não parece “chocada” com o salto qualitativo em sua vida. Dorme, muito raro faz um breve choro e ainda não tem a volúpia oral, mas os olhos se abrem e examinam a luz desconhecida por alguns momentos. Um parecer para sua mente universal, uma breve impressão sobre uma nova realidade.

Laura não é uma tela em branco pronta para receber a escrita do mundo. Há muito que ela é algo de existência, de vida, de experiência, uma imensidão de novidades que já havia mesmo antes dos nossos olhares a vista nua. Pois é verdade que já a víramos por ultrassonografia, mas agora tudo parece o primeiro momento. É que ela está, bem ali, com seu breve respirar e ruídos orais que já denotam a voz do infinito mundo.

O NATAL EM AQUARIUS

O Natal em Aquarius
Luiz Domingos de Luna*
Outro dia recebi a notificação para passar o natal em meu planeta natal Aquarius, confesso que fui acometido por uma emoção muito prazerosa, passar as festividades natalinas no meu querido Planeta Natal – Aquarius. Foi algo muito forte, muito presente, muita árvore, ai pensei Lá em Aquarius não tem árvore, lá o tempo real não existe, logo, este convite de meu retorno, era a meu ver no mínimo fajuto.
Sofri muito, durante a espera, visto saber que lá a possibilidade da existência do natal é algo totalmente impossível. Finalmente, como combinado, a nave a me esperar, já acostumado, entrei na cápsula, ou seja, no desmaterializador da matéria e fui para o bóson negro e ainda pude sentir a nave a mil vezes acima da velocidade da luz, como já estava desmaterizado, nem me preocupei com a teoria de Albert Einstein, pois eu era somente um porção de íons.
Chegando lá, pelo retroversor gravitacional, ganhei o meu formato habitual e o novo chip. Os irmãos gritavam é natal, é natal é natal, Pensei, o chip que colocaram em mim não deve está funcionado, pois este tipo de memória pertence aos terráqueos, jamais aos aquarianos.
O Instrutor foi logo ordenando, tragam o papai Noel para a ceia natalina entrei na fila como de costume e. trouxeram um espécie de caixote, com o Papail Noel, para a minha surpresa, o papai Noel existindo de verdade, num natal de verdade. Parecia uma alucinação, será que os humanos estão colonizando Aquarius. Foi o que me veio no pensamento, porém como já é sabido, nós Aquarianos não pensamos, foi somente um refluxo químico da memória terrestre.
O Instrutor de ordem, disse: este ano nós temos natal como se fazem no planeta terra, inclusive o papail Noel, tragam o papai Noel e apresentem a sociedade aquariana, e o irmão apresentou ao papai Noel para todos nós. Eu, como sempre, não me contive, perguntei:como é o nome do nosso papai Noel ? O instrutor disse é o GRAJ -1 uma bactéria que existe em abundância no Lago Mono na Califórnia, no Planeta Terra.
Eu fiquei logo emocionado, se bem que em Aquarius, não existe emoção e gritei, tragam o fósforo para acender a vela da ceia natalina.
O Irmão a lado disse: comporte-se, você não está no Planeta Terra, fiquei preocupado e perguntei o que eu fiz de errado? - Você falou em fósforo. Aqui não existe fósforo. E como vocês chamam fósforo aqui – Esqueceu irmão - esqueci – Arsênio.
(*) Procurar na web

Um jeito de falar esquecido no tempo – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Eu sou de um tempo em que tínhamos mais juízo, pois não víamos televisão, coisa desconhecida por nós cratenses. Falávamos nosso próprio dialeto, hoje substituído pela linguagem padronizada das novelas globais.

Nas tardes de domingo íamos aos programas de auditório das Rádios Educadora do Cariri e Araripe, para vaiar com um sonoro “fiufiu” os calouros que “levavam” “gongo”. E os locutores dessas “estações” de rádio eram chamados de “espiques”.

Que tempos bons aqueles em que nos divertíamos nos dias de feira! As ruas ficavam “apinhadas” de “beradeiros”, que de “boca aberta” “espiavam” “abismados” as janelas do Banco Caixeiral. Mal chegávamos à feira, os “moleques de rua”, “doidinhos” para ganhar alguns “tostões”, iam logo perguntando: “tem carrego”? “Tadinho deles!” Exclamavam algumas “beatas Filhas de Maria”, “compadecidas” daquelas crianças “sem pai nem mãe”. E como era bom ouvir os “chapeados” conduzindo pelas ruas e calçadas “caixões de pinho”, ou grandes “balaios” com as compras e, sufocados pelo peso, gritarem “Óia a mala, óia a mala, óia a mala!...” para pedir passagem no meio da “matutada”.

E quantas vezes eu fiquei na “entradinha” da “Rua da Cruz” esperando a “sopa” para ir ao Juazeiro? Quando as “peruas”, não passavam “entulhadas” de passageiros, eu ia nelas. “Doutras vezes”, algum “chofer” de caminhão “mais camarada" oferecia um “bigu” na “boléia”. Mas para o São José, como “dava só uma légua”, eu ia mesmo era “de pés”. Mas só chegava lá pela “boquinha da noite”, cansado e com “dor desviada”.

Nas seções matinais das séries do Cassino, em dias de domingo, havia uns “cabinhas” “enrolões” que passavam “checho” no porteiro e entravam “de graça”. Era comum a fita “cortar” “parando” o filme. Ouvia-se logo um grito de algum “maloqueiro” exigindo uma “reparação”: “meu dinheiro!” E nós meninos, influenciados por essas séries, quando fazíamos alguma brincadeira mais “arriscada” para “empunhar” os amigos, gritávamos: “thantantan: o perigo da série”!

Perdi a conta de quantas viagens eu fiz no “Misto” do Bodocó que subia a serra pela ladeira da “Matança” e descia na “banda de lá” pela ladeira do “Cancão”, até chegar no “Novo Exu”.

Fui freguês da Casa Abidoral, onde comprava uma porção de “alvaiade” para deixar branquinhos os meus “fanabus” e assim não tirar nota baixa nas aulas de “Educação Física”, que aconteciam às cinco horas da madruga. Quem não fosse com os “fanabus” bem limpinhos levava um grande “carão” do professor, que não tolerava “fanabus emporcalhados”.

Nas noites de domingo as “meninas moças”, usando um “califon” bem maior para os seus tamanhos, “tirado escondido” da mamãe ou das irmãs mais velhas, vestindo “saia godê” sobre “anáguas” com ”bicos” e “bem engomadinhas” e uma blusa “banlon” “arrodeavam” a Praça Siqueira Campos. Perdemos a conta do número de voltas que elas davam em torno da praça. Mas se elas fossem “enfileiradas” na estrada, daria para ir “inté” Fortaleza. Nós, “marmanjos”, ficávamos postados em pé na “beirada” da calçada, vestidos numa calça “faroeste” ou de “tergal” e finíssima camisa “volta ao mundo” para “flertar” com aquelas que nos dirigiam um “encabulado” olhar. E elas comentavam entre si: O meu flerte é um "pão", mas muito "acanhado"! Já faz quatro domingos que ele lança “um olhar pidão” e ainda não teve coragem de “encostar”. E aqueles rapazes mais “atirados” corriam o risco de receber uma “rabissaca” e a qualificação de “bicho veio enxerido”.

De um lado da praça, um grupo de “marmanjos” ficava na calçada da Loja Frigidere para “espiar” as “brechas” dadas pelas “balzaquianas”, quando elas sentavam nos bancos e, provocava os curiosos cruzando as pernas. Em certas ocasiões, as mais “sem cerimônia” recebiam uma “salva de palmas”.

Os “brotinhos” recebiam das mamães a recomendação para voltarem cedo para casa, pois não havia luz elétrica na cidade e, as ruas eram um verdadeiro “breu”. Elas tinham medo dos “rabos de burro”! Então, às nove horas da noite do domingo, a praça ficava um “ôco”. E nós íamos “merendar” na Sorveteria Bantim. Pedíamos uma “bananada”, ou “abacatada”, enquanto alguns comiam um “pão com ovo” acompanhado de “ponche” de maracujá

Quando arranjávamos uma namorada, uns três meses depois, os amigos perguntavam: “Já pegou na mão”? Era a maior ousadia que se permitia e a suspeita de que o namoro “era pra casar”. E quando um casal andava pelas calçadas e o namorado não cedia o lado da parede para a namorada, surgia logo a pergunta: “Tá vendendo?

Todos os dias, “depois” do almoço, “um magote de faladores da vida alheia”, sentava-se no “patamar” da Igreja da Sé para “tirar o couro” de quem passasse “rua abaixo ou rua acima”. Se por acaso um “barbeiro” “guiasse” um velho jipe 52 do pai e “arranhasse” a marcha, vinha logo a exclamação: “Uma abacatada!” E quando se ia contar um boato, perguntava-se antes: vocês me pagam as “alvíssaras”? Se o fato já fosse conhecido, respondiam: “boneco!” Ou substituíam a fala por um gesto equivalente: segurando a ponta da camisa e prendendo-a com os dedos “cata piolho” e o “fura bolo” em forma de circulo.

Naquele tempo, na seleção cratense, o “golquíper” era um Anjo, os “beques”: Silvio e Charuto, os “ralfes”: Peba e Enoque e o “centerfor” era Anduiá. Depois que trocaram os nomes dessas posições, o Crato nunca mais teve futebol que valesse “dois vinténs”.

Se você, amigo leitor, que se “deu ao trabalho” de ler até aqui “essas mal traçadas linhas”, tiver mais de sessenta anos, e não entendeu “patavina”, então é porque você não é “de” Crato! Uma cidade “metida a besta”, que hoje tem costumes globalizados.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

pensamento do dia 19/12/2010



“O segredo supremo é que você deve viver, no mundo onde nasceu, como a flor de lótus que, embora nascida na água, flutua sobre ela sem ser afetada ou molhada por ela. Obviamente é bom amar e adorar a Deus a fim de obter alguns frutos valiosos agora ou no futuro. Mas, já que não há fruto ou objeto mais valioso e interessante que Deus, os Vedas nos advertem a amar Deus sem nenhum traço de desejo em nossas mentes. Ame, desde que você ame por causa do amor. Ame a Deus apenas, sem qualquer outro desejo ou pretensão, pois tudo que Ele possa dar nada mais é do que Ele Próprio.”
Sathya Sai Baba

Culturas Indígenas

Guarani é oficializado como segunda língua em município do Mato Grosso do Sul


O guarani é a segunda língua oficial do município de Tacuru, no Mato Grosso do Sul. O município é o segundo do país a adotar um idioma indígena como língua oficial, depois da sanção, pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 24 de maio, do Projeto de lei que oficializa a língua guarani em Tacuru. Com a nova lei, os serviços públicos básicos na área de saúde e as campanhas de prevenção de doenças neste município devem, a partir de agora, prestar informações em guarani e em português.

O primeiro município do Brasil a adotar idioma indígena como língua oficial, além do português, foi São Gabriel da Cachoeira, localizado no extremo norte do Amazonas. Além do português, São Gabriel tem três línguas indígenas oficiais: o Nheengatu, o Tukano e o Baniwa.

Em Tacuru, pequeno município no cone sul do estado do Mato Grosso do Sul, próximo ao Paraguai formado por uma população de 9.554 habitantes, segundo estimativa do IBGE de 2009, 30% de seus habitantes são guarani residentes na aldeia de Jaguapiré, situada no município. A maioria dos 3.245 indígenas de Tacuru não é bilíngue, ou seja, fala somente o Guarani o que dificulta o acesso aos serviços públicos mais essenciais.
Com a nova lei, a Prefeitura de Tacuru se compromete a apoiar e a incentivar o ensino da língua guarani nas escolas e nos meios de comunicação do município. A lei estabelece também que nenhuma pessoa poderá ser discriminada em razão da língua oficial falada, devendo ser respeitada e valorizada as variedades da língua guarani, como o kaiowá, o ñandeva e o mbya.

O Ministério Público Federal do Mato Grosso do Sul (MPF-MS) elogiou a aprovação da medida e argumentou que o Brasil é multiétnico e que o português não pode ser considerado a única língua utilizada no país.  O MPF lembrou que o Brasil é signatário do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, que determina que, nos Estados onde haja minorias étnicas ou linguísticas, pessoas pertencentes a esses grupos não poderão ser privadas de usar sua própria língua.

A Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre os Povos Indígenas e Tribais determina, dentre outras coisas, que deverão ser adotadas medidas para garantir que os membros das minorias étnicas possam compreender e se fazer compreender em procedimentos legais, facilitando para eles, se for necessário, intérpretes ou outros meios eficazes.

Em Paranhos, também no Mato Grosso do Sul, tramita um projeto de lei semelhante ao aprovado em Tacuru, que propõe a oficialização do idioma guarani como segunda língua do município. Em Paranhos existem 4.250 indígenas guarani. Em todo o estado do Mato Grosso do Sul são 68.824 indígenas, divididos em 75 aldeias.

Para o secretário da Identidade e Diversidade Cultural/MinC, Américo Córdula, a oficialização da língua guarani em mais um município brasileiro vai ao encontro das políticas culturais desenvolvidas pelo Ministério da Cultura de proteção e promoção dos saberes tradicionais dos povos indígenas.

No mês de fevereiro (de 2 a 5), a SID/MinC realizou, juntamente com a Itaipu Binacional, o Encontro dos Povos Guarani da América do Sul - Aty Guasu Ñande Reko Resakã Yvy Rupa que reuniu cerca de 800 índios da etnia do Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina, em Diamante D”Oeste, no Paraná, para discutir formas de fortalecer o intercâmbio cultural entre as comunidades dos quatro países.

“Temos no Brasil uma comunidade de aproximadamente um milhão de indígenas, formada por 270 povos diferentes, falantes de mais de 180 línguas”, informa Córdula. Segundo ele, a população indígena brasileira é detentora de uma grande diversidade cultural, que deve ser protegida por seu caráter formador da nacionalidade brasileira. Com esse objetivo, a SID/MinC já realizou dois prêmios culturais (2006 e 2007) voltados para as comunidades tradicionais indígenas. Foram investidos R$ 3,6 milhões para a premiação de 182 projetos em todo o Brasil.

Este ano, no mês de março, foi criado o primeiro Colegiado de Culturas Indígenas, formado por 15 titulares e 15 suplentes representantes do segmento. No último dia 1º, foi eleito o conselheiro do Colegiado para o Plenário do Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC).

Maria das Dores do Prado, da etnia Pankararu, foi escolhida para defender, junto ao CNPC, as políticas públicas voltadas para a valorização da cultura de todas as comunidades indígenas brasileiras. Um das reivindicações defendidas pelo segmento durante a Conferência Nacional de Cultural, realizada em março, quando se deu a eleição do Colegiado, é a manutenção de todas as línguas nativas.
(Heli Espíndola-Comunicação/SID)

Publicado por Karina Miranda no site do MINC.

Fonte: http://revistaraiz.uol.com.br

domingo, 19 de dezembro de 2010

Nascimento do Menino Deus é teatro vivo nas lapinhas

Lapinha de Mãe Celina (Crato-CE-Brasil)

Por mais antiga que seja, a tradição natalina de montar lapinhas continua presente nas famílias cearenses
 
Crato. Universal, abrangente, calorosa. Assim é a festa de Natal, uma das mais coloridas celebrações da humanidade, é também a maior festa da cristandade, da civilização surgida do cristianismo no Ocidente. Não há quem consiga ignorar a data por mais que a sociedade de consumo insista em transformar o evento num banquete profano, no qual a figura importada do Papai Noel procura assumir o lugar do Menino Jesus.

O Natal trás de volta a lapinha, uma das mais expressivas manifestações da cultura popular do Cariri, carregando consigo o mais puro sentimento cristão do povo simples. É o caso da Lapinha Viva de "Mãe Celina" , do Bairro Muriti, representada por personagens do presépio, que são vividos por jovens da comunidade, a maioria da mesma família, que trazem no sangue a arte de reisado do Mestre Dedé de Luna e a religiosidade de dona Celina Luna que, há mais de 50 anos, arma sua lapinha na sala da frente de sua casa num ato, segundo afirma, de devoção.

Este ano, a Lapinha "Mãe Celina" vai se apresentar na cidade de Aurora e no Centro Cultural do Banco do Nordeste, em Fortaleza. No Crato, a apresentação será no dia 6 de janeiro. Dia de Reis que, segundo a tradição cristã, seria aquele em que Jesus Cristo recém-nascido recebera a visita dos três Reis Magos: Melchior, Gaspar e Baltazar. Nesta data, encerram-se para os católicos os festejos natalícios - sendo o dia em que são desarmados os presépios e, por conseguinte, são retirados todos os enfeites natalícios.

"A influência ancestral dos três principais mundos formadores da alma brasileira permanece pulsante na vida do sertanejo simples, cuja religiosidade se manifesta à flor de seus atos e ditos", diz o folclorista e dramaturgo Cacá Araújo, lembrando que "é na efervescência dessa estética universal que nascem e se fortalecem as tradições culturais populares. Em nosso caso, resultantes do caldeamento cultural ocorrido entre os indígenas donos da terra, os brancos ibéricos invasores e os negros de várias nações para cá trazidos como escravos".

Longe dos grandes gastos feitos por algumas pessoas durante o período natalino para ornamentar suas residências, comércios e ruas, as irmãs Mazé e Penha Luna revivem o Natal, usando como principal matéria-prima o amor pela festa do nascimento do menino Jesus e a união familiar, que é o exemplo maior da família sagrada formada por Jesus, Maria e José.

A casa de mãe Celina, no Muriti, é um verdadeiro ateliê, onde as irmãs Mazé e Penha Luna fabricam artesanalmente a indumentária dos grupos folclóricos (lapinha, reisado e pastoril) que fazem do Crato a "Capital da Cultura" do Cariri. O património cultural e artístico de uma comunidade constitui o maior legado que se pode deixar às novas gerações. O conhecimento, a recriação e a divulgação da sua cultura popular contribuem decisivamente para o fortalecimento dos laços sociais, para o enriquecimento humano das suas gentes e para a dinamização econômica local e regional. A lapinha, portanto, é mais do que um auto de Natal. É a expressão de uma arte popular que está enraizada na alma de pessoas simples que ajudam a conquistar o futuro cada vez mais globalizado, fortalecendo os alicerces da identidade e os valores ancestrais que caracterizam esta comunidade.

Para a mestre da Cultura Mazé Luna, a dramatização do tema, além de manter uma tradição familiar, surgiu como necessidade de mais fácil compreensão do episódio da Natividade. A cena parada, embora de sentido evocativo, do nascimento de Jesus, movimenta-se, ganha vida, sai do seu mutismo, com a incorporação de recursos, não apenas visuais, também sonoros. "É uma forma simples de interpretação do texto sagrado", justifica Mazé.

História
Conta a Bíblia que um anjo anunciou para Maria que ela daria a luz a Jesus, o filho de Deus. Na véspera do nascimento, o casal viajou de Nazaré para Belém, chegando à noite de Natal. Como não encontraram lugar para dormir, eles tiveram de ficar no estábulo de uma estalagem. E ali mesmo, entre bois e cabras, Jesus nasceu sendo enrolado com panos e deitado em uma manjedoura. Pastores que estavam próximos com seus rebanhos foram avisados por um anjo e visitaram o bebê. Três Reis Magos que viajavam há dias, seguindo a estrela guia igualmente, encontraram o lugar e ofereceram presentes ao Menino: ouro, mirra e incenso. No retorno, espalharam a notícia de que havia nascido o filho de Deus. A Lapinha assume, neste contexto, uma espécie de demonstração da prevalência do Cristianismo sobre as crenças e religiões dos outros povos. Entretanto, não escapa à aculturação decorrente dessa convivência O presépio, em sua forma original, fiel à dignidade da homenagem que pretende prestar ao nascimento de Jesus, é tipicamente hierático: dramático, na sequência das cenas e sacramental no modo de ser cristão. Caracteristicamente piedoso na maneira humilde e respeitosa de ser religioso, explica Maria da Penha Luna, irmã de Mazé, esclarecendo que a lapinha é a reconstituição dramática popular da visita dos três Reis Magos ao recém-nascido Jesus, com o fim de lhe ofertarem presentes.

Representação
Sua significação é inspirada na representação quase que ainda medieval, com pessoas interpretando santos, bichos e coisas da natureza como simples e profunda louvação ao Deus-Menino, até a complexa peça de antropologia cultural que traz em si grande parte da história da humanidade. A professora Veridiana Pedrosa diz que lá estão não só símbolos de culto cristão, católico, "mas fortes traços que nos remetem aos primitivos tempos em que o homem vivia em diálogo e harmonia com a natureza". Lembra que a lapinha está na alma da criança. É como protesto inconsciente a mercantilização do Natal que pretende transformar Papai Noel no herói do momento.

Tradição

"A lapinha é tradição familiar e uma forma simples de interpretar o texto sagrado"Mazé de LunaMestra da cultura

"A lapinha é ainda a reconstituição da visita dos três Reis Magos ao menino Jesus"Maria da Penha Luna,
Folclorista

"Na lapinha estão fortes traços que nos remetem aos primitivos tempos"Veriadiana Pedroza
Professora

FESTEJOS

Apresentação termina no Dia de Reis


Crato. Desde sua origem, o Natal é carregado de magia. Gritos, cantigas, forma rudimentar do culto, um rito de cunho teatral, o drama litúrgico ou religioso medieval ganha modificações no decorrer dos séculos. Dos templos, a teatralização ganha praças, largos, ruas e vielas, carros ambulantes, autos sacramentais e natalinos.

O folclorista e dramaturgo, Cacá Araújo, destaca que, no Cariri, as lapinhas vivas apresentam praticamente as mesmas características dramáticas de outrora, sendo acrescidas quase sempre da louvação de um grupo de Reisado, que também representa a peregrinação dos Reis Magos a Belém, pertencendo ambos ao ciclo natalino, e, às vezes, de uma Banda Cabaçal. Quando se juntam os três folguedos, multiplica-se a beleza estética, o brilho dramático, o riso brincante, o alcance histórico. O folclorista acrescenta que "o fortalecimento e a difusão do folclore e das manifestações tradicionais populares, a exemplo das lapinhas, devem servir principalmente à causa do (re) descobrimento de nossa identidade cultural, pois que oferecem uma farta leitura do mundo em variadas dimensões e diferentes tempos. É a história se doando generosamente à elaboração de um novo pensamento, que dê vazão a sinceras atitudes libertárias, que restabeleça o espírito e a festa da dignidade humana, da democracia, do respeito à natureza, da felicidade, do amor", complementa.

Diz o folclorista Câmara Cascudo, ainda, que a lapinha é a denominação popular do pastoril, com a diferença de que era representada a série de pequeninos autos, diante do presépio, sem interferência de cenas alheias ao devocionário.

Por lapinha, segundo Cascudo, seria denominado o pastoril que se apresentava diante dos presépios, ou seja, o grupo de pastoras que faziam as suas louvações na noite de Natal, cantando e dançando diante do presépio, divididas por dois cordões - o azul e o encarnado, as cores votivas de Nossa Senhora e de Nosso Senhor. Em outras palavras, tratava-se de uma ação teatral de tema sacro.

Enquanto o presépio representa uma das tradições natalinas, assim como a árvore de Natal, a lapinha ainda se encontra bem conservada, particularmente no Nordeste do Brasil. O folclorista Câmara Cascudo ressalta, em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, que, por tradição, a Sagrada Família se recolheu a uma caverna (uma lapa ou gruta), onde nasceu Jesus. Vem, daí, o termo lapinha.

Antônio Vicelmo, Repórter do DN



Fonte: Diário do Nordeste, Caderno Regional, em 19/12/2010.

J. Lindemberg de Aquino - Emerson Monteiro

Queremos tecer aqui, em algumas e poucas palavras, um comentário a propósito de personalidade a quem o Cariri deve boa parte da evidência que hoje detém neste mundão imenso de Meu Deus; falar a respeito do João Lindemberg de Aquino, jornalista inteligente, possuidor de talento inquestionável já reconhecido nas letras nordestinas, e autor emérito do livro Roteiro Biográfico das Ruas do Crato, trabalho permanente para os estudos da história desta Região.
Durante décadas, anos 50, 60 e 70, pelos menos, os principais registros da movimentação social, economia e política do interior cearense da região sul ganharam notoriedade, sobretudo nas páginas dos jornais de Fortaleza, através das matérias que ele encaminhava para publicação.
Nos seus escritos, Lindemberg mostrou especial dedicação à vida social caririense, aos acontecimentos e lideranças que nortearam o progresso deste vale onde habitamos, conquanto agora mesmo apenas usufrua de uma vida recolhida e afastada deste meio que, com carinho e trabalho, ajudou a construir e onde estabeleceu numeroso círculo de amizades.
Quando, em 1953, o Instituto Cultural do Cariri encetava caminhada, dentre os seus fundadores ele ali se encontrava na função de Secretário da primeira diretoria, ao lado dos nomes expressivos de Figueiredo Filho, Irineu Pinheiro, Padre Antônio Gomes, Huberto Cabral e outros.
Desde cedo que busquei assisto de perto a trajetória intelectual deste cidadão cratense integrado ao meio, ainda de quando exercia um cargo no atendimento do INPS, em Crato, assessorava diversas administrações municipais cratenses e escrevia crônicas diárias para as Rádios Araripe e Educadora, além de testemunhar os principais acontecimentos sociais também das comunas próximas, divulgando-os na grande imprensa do Estado e do País. Nisto aplicou-se durante décadas inteiras, favorecendo o encaminhamento de temas progressista e atualizando as influências políticas e educacionais, o que marcaria bases no nosso crescimento histórico.
Dotado, pois, de paixão verdadeira pelo que realizou em termos de jornalismo sociocomunitário, Lindemberg de Aquino chamou a si a preservação da autoestima deste povo caririense, anotando para as gerações futuras efemérides e valores que eternizou com a sua pena.
Perante tais aspectos que caracterizam existência de tantos préstimos, cabe-nos reconhecer o êxito das ações que empreendeu e dedicar o melhor tributo de reconhecimento a João Lindemberg de Aquino por tudo que fez valer em prol da gente deste lugar.

Renato Rabelo: O legado leninista e a nova luta pelo socialismo

No seminário Pensar Lênin: aspectos contemporâneos de sua teoria – realizado sábado em São Paulo – o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, fez uma intervenção sobre as experiências socialistas, a importância do líder russo e os desafios atuais do movimento comunista. Trazendo a análise para os dias de hoje, disse: “o grande desafio colocado para os revolucionários de todo mundo hoje é justamente vincar uma corrente marxista forte através de um partido revolucionário forte e influente”. Acompanhe.

 
O período que vai da grande revolução proletária de Outubro de 1917 na Rússia à débâcle contra-revolucionária de 1989/1991 – do ponto de vista histórico — é um tempo diminuto. Mas seu impacto no movimento revolucionário no mundo foi muito grande. Na atualidade, ao debatermos aqui neste seminário os aspectos contemporâneos da teoria de Vladimir Ilich Lênin, precisamos extrair as lições desta primeira importante experiência de construção do socialismo na história da humanidade.

Lênin foi o líder revolucionário mais destacado de nossa era e um grande teórico. Sua projeção vai muito além da Revolução Russa. Transformou-se numa referência, um pensador de grande estatura, um grande estrategista. Na verdade, ele formulou a teoria e a política para a revolução proletária do século XX e contribuiu decisivamente para os êxitos da luta de libertação nacional e a construção do campo socialista. Entretanto, com a crise da experiência socialista, cujo ápice foi 1989/1991, os ideólogos capitalistas vaticinaram a eternidade do capitalismo. Passamos a viver um mundo unipolar, onde os Estados Unidos assumem o controle quase absoluto de uma ofensiva imperialista em todos os terrenos, especialmente com a aplicação das políticas neoliberais.

Ensinamentos da derrota do socialismo na URSS

Diante da derrota desta primeira experiência de construção do socialismo, observamos dois tipos de conduta bem definidos no movimento revolucionário mundial. Os que renunciaram ao legado socialista e os que mantiveram a identidade socialista. Estes últimos são os que buscaram compreender o que havia ocorrido na URSS e no Leste Europeu e procuraram absorver os ensinamentos. No Brasil, estes ensinamentos apontam para uma situação em que nos perdemos em preceitos formais que de maneira sintética poderiam ser resumidos assim:

- A ideia da inevitabilidade de duas etapas da revolução em países dependentes;
- A concepção da existência de modelo universal de socialismo para todos os países e um esquema de socialismo que deveria ser seguido em todo o mundo;
- A compreensão programática de que deveria haver trânsito direto para o socialismo.

Estas ideias dificultaram muito descortinar o horizonte político, impedindo que desvendássemos claramente a realidade brasileira num primeiro plano na formulação programática.

No 8º. Congresso do PCdoB em 1992 e em sua 9ª Conferência Nacional sobre o Programa, de 1995, nos dedicamos a estudar e compreender porque houve este desmoronamento por dentro do regime soviético. Além das questões que o Partido já havia chamado a atenção – como o golpe promovido por Nikita Khruschev e setores do Exército contra a direção bolchevique – constatamos problemas graves na concepção da direção do novo governo implantado como, por exemplo, a fossilização do sistema de soviets, que deixaram de ter a função de uma instância de poder das massas no processo de construção socialista.

Aos poucos estes soviets foram sendo subestimados e as relações entre o governo e o povo foram se enfraquecendo, assim como as relações entre o Partido Comunista e o movimento dos trabalhadores na União Soviética. O marxismo-leninismo acabou se restringindo a uma doutrina de Estado para justificar as políticas e ações de governo. Ocorreu simultaneamente uma estagnação evidente do modelo de desenvolvimento econômico e do trabalho teórico revolucionário de construção da nova sociedade.

O resgate do pensamento leninista

O PCdoB desde meados da década de 90 do século passado procurou estudar um dos aspectos do pensamento leninista deixados na penumbra pelo movimento comunista que foi a questão da transição do capitalismo para o socialismo. João Amazonas, líder de nosso Partido, debruçou-se sobre a obra de Lênin especialmente no período de 1918 a 1923, onde ele oferece ensinamentos sobra a transição de países atrasados para um estágio superior de sociedade. Lênin esboça então uma teoria da transição para o socialismo, a partir da proposta da Nova Política Econômica, conhecida por NEP. Partia do raciocínio de que o socialismo deveria ser um sistema mais avançado do que o capitalismo. Pensar em socialismo em países atrasados e até com características feudais seria um non sense. O desafio foi levar adiante esta tarefa socialista. A teoria que embasava a NEP levava em consideração problemas de método, de tempo, de lugar e da dinâmica revolucionária.

A NEP procurou enfrentar uma séria defasagem entre a situação atrasada das forças produtivas na União Soviética do início dos anos 20 para patamares mais avançados. O problema central se tratava de como criar base material para fazer surgir o socialismo e de como o capitalismo poderia ser usado para o desenvolvimento das forças produtivas nos marcos do poder democrático-popular.

Muitos anos depois tanto a República Popular da China nos anos 80 como a República Socialista do Vietnã nos anos 90 seguem caminhos parecidos com suas características peculiares. A fase primária do construção do socialismo — segundo os chineses — ainda terá 50 anos pela frente. Os chineses e vietnamitas encontraram uma saída com a política de reforma e abertura. No caso de Cuba e da Coréia o bloqueio imperialista impõe sacrifícios a seus povos que além disso enfrentam sistematicamente tragédias naturais. Mesmo assim buscam saídas próprias diante do cerco violento capitaneado pelos Estados Unidos. Haverão de promover ainda várias etapas de transição para superar as dificuldades.

A nova luta pelo socialismo

O grande desafio colocado para os revolucionários de todo mundo hoje é justamente vincar uma corrente marxista forte através de um partido revolucionário forte e influente, respeitado em cada um de seus países, o que naturalmente supõe avançar teórica e ideologicamente, para desenvolver o marxismo e o leninismo para a nossa época. Assim como Lênin no início do século XX enfrentou a questão de buscar uma saída para desencadear a revolução na Rússia – um país atrasado do ponto de vista das relações de produção, um “elo frágil da cadeia imperialista”, como dizia Lênin, onde a revolução proletária poderia se iniciar – sendo que a análise predominante na época era de que o processo revolucionário dar-se-ia primeiramente onde estas relações de produção estivessem mais avançadas, como conceberam Karl Marx e Friedrich Engels em suas obras do final do século XIX.

Com este espírito de luta o partido comunista, diante das novas exigências, deve levantar a bandeira da retomada da luta pelo socialismo. Assim poderemos enfrentar a lógica do desenvolvimento desigual e o processo de centralização e concentração do capital na era do imperialismo. A falsa euforia propagandeada por Francis Fukuyama e seu “Fim da História” foi abatida com a eclosão da terceira grande crise do sistema econômico e financeiro mundial em 2007 e 2008, com repercussões que se fazem sentir ainda hoje com a falência do neoliberalismo na Grécia e a situação precária da Espanha, Portugal e do próprio sistema da União Europeia.

Historicamente o capitalismo está superado

A grande questão é que historicamente o capitalismo está superado, mas ideológica e politicamente continua vivo. Os revolucionários se colocam diante de duas situações básicas na atualidade:

- promover o acúmulo de forças nos países capitalistas para a transição ao socialismo;
- lutar pela construção do socialismo nos países que não sucumbiram à negação deste mesmo socialismo, respeitando suas características próprias. Além destas duas condições deveremos levar em conta também a busca de alternativas ao capitalismo, como se faz hoje na Venezuela, processo que merece ser acompanhado e que serve de lastro para novos caminhos. Como já vimos, não existe um referencial único de luta revolucionária rumo ao socialismo.

No caso do Brasil houve um esforço de combinar a luta nacional com a luta social, e de entrelaçar a luta pela democracia com a luta pela soberania para nos aproximar do socialismo. Neste sentido, o Programa Socialista do PCdoB está estruturado em dois pontos essenciais: o rumo socialista e o caminho nacional, popular e de integração com os povos da América Latina. A atuação partidária se desdobra em três frentes: na luta parlamentar e a participação em governos, na luta de ideias e na intervenção no movimento social de forma articulada, para nos permitir o crescimento e a expansão. As alianças são parte fundamental deste processo. O certo é que sem o ciclo aberto por Luiz Inácio Lula da Silva não poderíamos realizar no Brasil o atual acúmulo de forças. (...)


Fonte: http://www.vermelho.org.br/, em 12 de Maio de 2010.