Seja colaborador do Cariri Agora

CaririAgora! é o seu espaço para intervir livremente sobre a imensidão de nosso Cariri. Sem fronteiras, sem censuras e sem firulas. Este blog é dedicado a todas as idades e opiniões. Seus textos, matérias, sugestões de pauta e opiniões serão muito bem vindos. Fale conosco: agoracariri@gmail.com

domingo, 15 de junho de 2008

Palestra de Océlio Teixeira sobre a Festa do Pau da Bandeira


clique na imagem para ampliar

Palestra de Océlio Teixeira sobre a Festa do Pau da Bandeira


NOTICIAS DO DOMINGO


EFEMÉRIDES DO CARIRI

O presidente do Instituto Cultural do Cariri, Manoel Patrício de Aquino (Nezinho) tem um projeto: reeditar o clássico “Efemérides do Cariri”, fruto de pesquisas do historiador Irineu Pinheiro (foto ao lado). A primeira edição deste livro foi publicada há quase 50 anos. Um exemplar dessa edição é hoje uma raridade. “Efemérides do Cariri” é imprescindível para quem tem interesse em conhecer a história do Sul do Ceará.

GEOPARKS

Na próxima 4ª feira, dia 18, duas equipes (uma do governo do Ceará e outra da Urca) embarcarão para Osnabrück, Baixa Saxônia, na Alemanha, para participarem da 3ª Conferencia Internacional de Geoparks. André Herzog (ex-reitor da Urca) e Alexandre Sales (ex-diretor do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri) estarão lá. Herzog viaja a convite do governo do Ceará (que administra o Geopark Araripe). O Ceará está pleiteando para o Cariri a sede da 4ª Conferência Internacional de Geoparks, a ser realizada em 2010. Já Alexandre Sales viajou como convidado do governo de Minas Gerais, para quem presta serviços na implantação do Geopark do Quadrilátero Ferrífero. Herzog e Alexandre Sales foram implantadores do Geopark Araripe, o primeiro a ser criado no continente americano e no Hemisfério Sul.

CALDEIRÃO

O cineasta e escritor Rosemberg Cariry virá em breve ao Cariri para lançar o livro "O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto: apontamentos para a História", organizados por ele e por Firmino Holanda.

MAU GOSTO

As placas indicativas das ruas de Crato não são uniformizadas. Como o poder público não pode arcar sozinho com esse tipo de despesa está permitindo que firmas comerciais afixem essas placas. Em algumas delas, colocadas recentemente, o nome da empresa aparece com destaque, na cor vermelha, chamando mais atenção do que a denominação da rua. Confiram uma placa colocada na esquina da Rua Senador Pompeu com Praça da Sé, no prédio do Museu Vicente Leite.

ALTANEIRA

As boas iniciativas devem ser divulgadas. Ontem, dia 14, a cidade de Altaneira inaugurou a Biblioteca Pública Municipal. Que sirva de exemplo para outras cidades, muitas maiores do que Altaneira, conhecida como a Terra de Santa Teresa D’Ávila.

CAPELA DO SOCORRO

Para comemorar o centenário da Capela do Socorro – construída pelo Padre Cícero em Juazeiro do Norte – será lançado no próximo dia 20, um livrinho com breve histórico do templo, de autoria de Daniel Walker. O livrinho será distribuído gratuitamente aos interessados.

PRAÇA DA LADEIRA
A praça que está sendo construída, na Ladeira da Integração, de onde se observa uma das vistas mais privilegiadas do Crato, terá o nome de Maciel Brito. Resgata a memória de um cratense que foi superintendente do antigo INPS no Ceará.

NOVO PONTO DE CULTURA

O Ministério da Cultura acaba de reconhecer mais um Ponto de Cultura no Cariri: a Fundação Casa Grande, de Nova Olinda. Pontos de Cultura são instituições selecionadas para articularem e desenvolverem ações culturais nas comunidades onde estão instaladas. No Cariri, o Ministério de Cultura já reconheceu como Pontos de Cultura: a Sociedade de Cultura Artística de Crato, a Gráfica Lira Nordestina (em Juazeiro do Norte) e a Fundação Memorial Patativa (em Assaré).

PRESTÍGIO

Dom Fernando Panico deixou ontem a Europa, onde estava desde 25 de maio último. A partir de hoje ele participa, no Canadá, do 49º Congresso Eucarístico Internacional. O evento acontece até o próximo dia 22 na cidade de Quebec. A delegação brasileira é composta pelos arcebispos de São Paulo (cardeal Dom Odilo Sherer), de Ribeirão Preto (Dom Joviano de Lima Júnior), de Aparecida do Norte (Dom Raymundo Damasceno Assis) e pelo bispo de Crato, Dom Fernando Panico.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Acerca das "reservas indígenas" - por Armando Lopes Rafael

Sei que vou mexer, outra vez, num vespeiro...

Quando os portugueses chegaram ao Brasil, em 1500, encontraram aqui povos indígenas, dóceis, respeitadores da natureza, limpos e amistosos. Certo? Errado.
Ao contrário de certas visões idílicas e falseadas de hoje, historiadores do porte de um Varnahagen ou de um Pe. Serafim Leite nos mostra, em suas obras, a face real dos primitivos índios brasileiros.
O objetivo dos povos indígenas, segundo eles, era: comer, beber, caçar, combater e matar. Eram nômades. Exploravam a agricultura rudimentar até o esgotamento do solo. Então iam para outras paragens, onde prosseguiam dizimando a flora e a fauna. Não tinham laços sociais e as tribos se fragmentavam a cada dia. A promiscuidade em que viviam era total. Eram seres humanos totalmente rudes, astutos mentirosos e traiçoeiros. Muitos eram canibais, como os caetés que mataram e comeram o bispo de Salvador, Dom Pero Fernandes Sardinha. Nas lutas fratricidas os índios comiam os inimigos por vingança.
Nas ocas onde moravam, apesar do pouco espaço, viviam esparramados de cem a duzentos índios, em meio a um odor nauseabundo, pois eles eram tão preguiçosos que nem se levantavam das pútridas redes, onde dormiam, para satisfazer suas necessidades naturais.
Em muitas tribos, além do canibalismo, eram comuns o homossexualismo, o alcoolismo e o infanticídio. Uma criança que nascesse com defeito físico era de pronto assassinada. Às vezes matavam até recém-nascidos do sexo feminino, quando entendiam que a população de mulheres já estava no número ideal. Afinal a mulher não servia para a luta com as tribos rivais.
Hoje só se dá ênfase ao caráter exploratório dos portugueses, sugando as riquezas da colônia. É verdade que isso também aconteceu. Mas, diferente dos Estados Unidos – que dizimaram impiedosamente populações indígenas no seu território – os portugueses foram responsáveis pela ação missionária e civilizatória dos índios no Brasil. Muitos portugueses se casaram com índias dando início a numerosas famílias que ainda hoje possuem descendentes espalhados pelo Brasil.
Hoje, diferente do início da colonização portuguesa, o governo federal vem criando reservas indígenas (algumas maiores do que alguns países europeus) trancafiando ali os poucos milhares de índios aculturados existentes no Brasil. E tudo sob o argumento da preservação da “cultura indígena" e incentivando o retorno deles à barbárie de uma vida nômade, longe do progresso e das conquistas científicas dos tempos atuais.
Tornando, enfim, esses índios semelhantes a animais que vivem num zoológico pré-histórico.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

EM MATÉRIA DE SAÚDE A CAMPANHA AMERICANA É MAIS CORRETA QUE A CAMPANHA DOS LIBERAIS TERCEIRO MUNDISTA DO BRASIL

Os grandes jornais brasileiros, além das televisões, estão fazendo campanha aberta contra a contribuição para a saúde, aprovada por margem apertada ontem na Câmara Federal. É uma campanha clássica, ao estilo das centrais sindicais, expondo o nome dos deputados que votaram a favor, mas não os que foram contra. No final uma tabela de como votaram os partidos. Sem dúvida nenhuma quem andou vendo manchete ou lendo jornais hoje no Brasil está contra o imposto e de algum modo contaminado contra do Sistema Único de Saúde. E é que se encontra a grande questão.


Os liberais brasileiros continuam firmes em suas fortalezas ideológicas. Eles compreendem o mundo como a livre iniciativa, a grande concorrência e a justiça para os vencedores. Como vivem em sociedades de massa, apontam o raciocínio marginal que afinal todos ganharão. Não é verdade, seguramente em relação à saúde pública. E neste setor esta verdade se acentua à proporção de que novas e caras tecnologias são incorporadas ao cenário médico. A saúde pública se tornou um indicador das desigualdades sociais e econômicas (muitos outros existem) e este efeito, com as caras tecnologias, apenas se acentuam. A verdade é que estas tecnologias promovem a longevidade.


Estes jornais estão vivendo num ambiente democrático. Mas não fazem jornalismo, não informam, não confrontam, não debatem. Apenas acusam e como acusam. O mais paradoxal deste conteúdo ideológico é que eles dizem que não existem classes sociais e nem lutas de classe, mas não têm como negar: o jornalismo brasileiro fomenta a luta de classe. Fomenta mais do que qualquer socialista, qualquer membro do MST ou da Via Campesina. Agora mesmo estes jornalistas a soldo de ideologias violentas estão fomentando o ódio da classe média contra o sistema público de saúde.


E é fácil a classe média ser pegue em processo irracional. Lembremos do nazifascismo que a história foi exuberante nisso. Acontece que a classe média que paga plano de saúde, paga imposto mas teve uma renúncia fiscal que se estima em R$ 20 bilhões, mas esta conta pelo lado pagador. Se considerarmos as despesas dos planos de saúde com assistência de saúde e esta renúncia fiscal, as classes médias cuidaram de sua saúde com dezenas de vez mais dinheiro e mais tecnologia e mais desigualdade em relação ao resto.

Os jornais fazem um discurso de revoltados. Ainda não organizaram piquetes e nem quebra-quebra, mas preparam os espíritos para isso. Acontece que a classe média brasileira é protegida com ações de vigilância sanitária e epidemiológica, tem seus planos de saúde regulados, recebe vacinações, têm emergências à sua disposição, sistemas de ambulância e no mais remoto município algum serviço de saúde pública. Isso se faz com recursos públicos e no sentido universal da promoção, prevenção e recuperação da saúde. Não se pode imaginar, como alguns argumentos marginais espalham, que seja o Sistema Único de Saúde um mero prestador de assistência médica. Quem faz isso são os serviços de saúde, o SUS é o próprio dever do Estado com a saúde dos cidadãos brasileiros como apregoa a Constituição.


Finalmente eis o grande partido contra a saúde pública. Antigamente se dizia partido sanitário aquele segmento de militantes que lutava por uma saúde pública. O partido anti-sanitário é formado por: grandes jornais, redes de televisão, PSDB, DEM, PSOL, PPS em total unanimidade. Os demais partidos se dividiram entre o sim, não e não votou. O mais safado de tudo: o presidente do PT não foi à votação e os jornais que fazem campanha contra expuseram ainda mais suas vilanias, destacando este fato no adversário. Mas ora, se é jornalismo planfetário, porque estigmatizar quem engrossou as próprias fileiras.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

A bandeira do Ceará - por Armando Lopes Rafael

Bandeira do Ceará

Bandeira do Brasil Império
Após o golpe militar de 15 de novembro de 1889 – que nos impôs o regime republicano – foi criada uma nova bandeira para o Brasil. Esta, se constituía numa imitação barata da norte-americana. Era composta de listas horizontais verdes e amarelas, e um quadrado azul – na parte esquerda de cima – com estrelas brancas a representar os Estados, antigas Províncias. A reação – a esta nova bandeira republicana – foi tão negativa junto à população do Rio de Janeiro, que as novas autoridades, quatro dias depois, voltaram atrás. Resolveram manter a bandeira do Brasil Monárquico, substituindo apenas o belíssimo escudo imperial por uma esfera azul, cortada com a frase positivista “Ordem e Progresso”.

Vale o registro: a bandeira do Brasil Império foi criada por inspiração do Imperador Dom Pedro I. Este escolheu o verde (cor da Casa Real dos Bragança) e o amarelo (cor da Casa dos Habsburgo, da Imperatriz Leopoldina). Coube ao pintor Debret fazer o desenho da bela bandeira verde-ouro, que continua a ser o nosso maior símbolo, apesar das modificações citadas acima.

Dos atuais pavilhões dos estados brasileiros, o único a lembrar a Bandeira da Monarquia é o do Ceará. Ela surgiu assim: o comerciante fortalezense João Tibúrcio Albano tinha por hábito – no início do século passado – hastear, nas datas importantes, a bandeira do Maranhão, terra da sua esposa. Como cearense João Tibúrcio Albano ficava frustrado, pois seu torrão natal ainda não possuía um pavilhão. Um dia teve a idéia de adaptar às armas do Ceará numa bandeira brasileira. Para isso, mudou a cor da esfera. Saiu a azul com estrelas substituída pela esfera de cor branca. Consta no Anuário do Ceará: “por muito tempo a bandeira idealizada por João Tibúrcio Albano serviu de modelo a muitas outras que tremularam nas sacadas dos nossos educandários. Só em 1922 o Presidente Justiniano de Serpa assinava decreto instituindo o pavilhão cearense, determinando fosse este formado do retângulo verde e o losango amarelo da bandeira nacional, tendo ao centro um circulo branco em meio do qual deveria situar-se o escudo do Ceará”. Em 1967 o Governador Plácido Castelo assinou a Lei 8.889 que definia a composição da bandeira do Ceará.

A história do Estado tem desses fatos interessantes! A exemplo da Consagração do Ceará ao Coração de Jesus, feita por iniciativa do nosso primeiro bispo, Dom Luiz Antônio dos Santos, com anuência das mais altas autoridades civis e militares da província, em 15 de setembro de 1878. Talvez por isso, apesar da insânia e violência dos dias atuais, o Ceará – terra de gente religiosa e pacífica – continua a trilhar os caminhos da civilização cristã.

terça-feira, 10 de junho de 2008

"De fato se desejarmos escapar à crença de que este mundo assim apresentado é verdadeiro e não queremos permitir a permanência de sua percepção enganosa, devemos considerar a existência de pelo menos três mundos num : o primeiro seria o mundo tal como nos fazem vê-lo, segundo seria o mundo tal como ele é e o terceiro o mundo como ele pode ser: uma outra globalização." E professor aparece em trechos reforçando estas idéias: "O segundo é o dinheiro, mas o dinheiro no estado puro". "Consumo que é hoje o grande fundamentalismo". "Eu creio que as condições da história atual permitem ver que outra realidade é possível". "Precisamos recomeçar o debate da civilização".

Trechos do Professor Milton Santos no filme de Silvio Tendler: Encontro com Milton Santos – O mundo global visto no lado de . Quem quiser ver trechos de uma entrevista de Milton Santo para Roberto D´Avila procure no You Tube pelo nome do professor. Garanto que será um momento de grande reflexão pessoal e se você for professor: um grande material didático para o debate em sala de aula.

VIDA E MORTE DO JORNALISMO

Robert Fisk, jornalista inglês do The Independent, é a expressão exata que aindaesperança nesta selva de "versões", de "servilismo", de "ativismo" que tenta manipular os fatos para sustentar determinadas políticas de Estado ou de classes sociais e econômicas. Fisk é o correspondente do jornal no Oriente Médio, faz jornalismo como referência humana, como sistematização de regras e instrumento da reflexão dos seus leitores sobre os fatos. Em recente artigo Jornalismo’ de dizer o que é... como se não fosse*, traduzido no blog do Bourdoukan é lição de como as velhas práticas do nazifascismo e do stalinismo ainda são prevalentes no jornalismo mundial, especialmente o americano. Isso ele não disse, mas é muito evidente nas revistas semanais brasileiras e nos jornais diários. Vejam como ele vai fundo nesta questão:

"A cobertura manipulada torna mais fácil aceitar a guerra, e, há muito tempo, os jornalistas tornaram-se cúmplices dos políticos e governantes, no trabalho de tornar aceitáveis, para os públicos audientes e leitores, o conflito e a morte. O jornalismo de televisão, assim, se tornou armamento letal, adjunto no ofício de matar.

Antigamente, ainda podíamos crer – e cremos, não foi? – que os jornalistas devíamos “dizer o que é como é”. Leiam o grande jornalismo de guerra da 2ª Guerra Mundial, e entenderão o que digo. Os Ed Murrows e Richard Dimblebys, os Howard K. Smiths e Alan Moorheads não algemavam as próprias palavras nem mudavam os fatos que narravam, nem se engasgavam com a verdadeporquealgum leitor ou ouvinte ‘preferia’ não saber ou ‘preferia’ saber coisa diferente do que de fato acontecera.


Portanto, é preciso dizercolônia”, para o que é colônia; “ocupação” é ocupação; “muro” é MURO. Um dos últimos modos humanamente decentes de reportar a realidade da guerra é fazer-ver que guerra não é questão de vitória ou derrota. A guerra sempre é manifestação horrenda do total fracasso do espírito humano. Sempre é."


Com estas palavras Fisk encerra o seu artigo que se referia ao diálogo que tivera com um colega americano por ocasião da mudança deste do Oriente Médio. Achando que o colega iria com a sensação de ter perdido um grande assunto, Fisk ficou surpresa com a sua resposta: "guardasse meus lamentos para o jornalista que viria substituí-lo. Que partia com sensação de enorme alívio. Que, longe do Oriente Médio, estaria livre da tarefa de alterar a verdade, porque a verdade irritava muito alguns leitores muito falantes, do seu jornal."


E o colega de Fisk enumerou uma série de "censuras" nas palavras que eram promovidas com a finalidade de modificar a realidade em benefício do agente agressor. "Sempre escrevi que o Partido Likud, de Israel, é “da direita” – ele continuou. “Masalgum tempo meus editores insistem para que eu não escreva... o que eu escrevia. Muitos leitores têm protestado.” E daí?, perguntei. “Daí... O jornal aboliu a expressão “da direita”, se se fala do Likud.” E assim a semântica para enganar foi ocorrendo por exemplo quando se fala na expropriação de terras dos palestinos: "colônias" virou "assentamento" que virou "bairros judeus". Do mesmo modo "terra palestina ocupada" virou sob a égide do ex-secretário Colin Powell "território disputado". O "MURO" que se constrói para separar os palestinos, invadindo o território deste povo, devido ao mal estar do Muro de Berlim, se tornou "barreira de segurança". Falando a respeito Fisk: "Assim, os palestinos que protestem violentamente contra cerquinhas e portões ficam automaticamente estigmatizados como pervertidos ou loucos. O modo de usar a língua escrita e falada contribui para a condenação dos palestinos."

Fisk lembra muito bem da semântica que diariamente inunda nossos jornais televisivos, em diversos assuntos, especialmente na guerra do Iraque: "Jornalistas dos EUA, praticamente todos, falaram emsoldados dos EUA”, nos primeiros dias do levante no Iraque — referindo-se às tropas norte-americanas invasoras; e falaram sempre emrebeldes”, “terroristasouremanescentes”, ao se referir ao regime deposto."

Quando recordo este tipo de matéria aqui no nosso blog regional, não pretendo levar ninguém à exacerbação. Não tenho a intenção de dizer que estas técnicas são males de uma determinada ideologia ou política. Apenas quero dizer que isso faz parte da massa de informações que recebemos diariamente. Que nenhum povo do mundo tem o passe livre apriorístico de uma vez tendo sido vítima de tais falácias, não as venha, também, cometê-las. Espero apenas que nosso espírito crítico seja qualificado sobre tais coisas, para que possamos nos humanizar ainda mais no sentido da nossa liberdade de expressão e de construir um futuro mais real e mais igualitário.

11 de junho: Centenário de Nascimento do vidente de Fátima

1908 – 11 de junho – 2008
Centenário de Nascimento do pastorinho Francisco Marto

Comemora-se neste a 11 de Junho de 2008, o centenário do nascimento do beato Francisco Marto. O vidente das Aparições de Fátima ficou conhecido por ser aquele que gostava mais de rezar a “Jesus escondido”.

Francisco Marto nasceu no dia 11 de Junho de 1908, em Aljustrel, paróquia de Fátima. Era filho de Manuel Pedro Marto e de Olímpia de Jesus, irmão de Jacinta Marto (1910-1920) e primo de Lúcia de Jesus (1907-2005). Foi a estes que apareceu um Anjo, na Primavera, Verão e Outono de 1916, na Loca do Cabeço e no Poço da Casa da Lúcia, e Nossa Senhora do Rosário, a 13 de Maio, Junho, Julho, Setembro e Outubro de 1917, na Cova da Iria, e a 19 de Agosto de 1917, no sítio dos Valinhos.
Francisco Marto adoeceu a 23 de Dezembro de 1918, de gripe pneumônica, e veio a falecer a 4 de Abril de 1919. O seu processo de beatificação foi iniciado no dia 30 de Abril de 1952, juntamente com o da sua irmã Jacinta. Mas só foi enviado para a Congregação para a Causa dos Santos, a 3 de Agosto de 1979. Foi aberto, a 20 de Dezembro desse ano.
Em Abril de 1981, foi dado parecer positivo à possibilidade da prática de virtudes heróicas, por parte de crianças, e, por isso, poderem ser beatificadas e canonizadas crianças não-mártires. O decreto sobre as virtudes heróicas dos dois pastorinhos foi assinado pelo Papa João Paulo II, a 13 de Maio de 1989, sendo-lhe concedido o título de veneráveis.
O Papa João Paulo II, em Fátima, no dia 13 de Maio de 2000, beatificou os pastorinhos Francisco e Jacinta Marto.

Quem vê a barba do vizinho arder...

É bom acompanhar a crise política que vem ocorrendo no Rio Grande do Sul...
Ela é consequência do loteamento político de cargos em troca de apoio partidário. A mídia informa hoje que a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), decidiu criar um gabinete de transição para enfrentar a crise política e promover "uma ampla reestruturação da atual administração".
A esta altura o estrago já está feito e é irreversível...
No Ceará persistem alguns exemplos do erro cometido no Rio Grande do Sul. É só aguardar no que vai dar...

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Esqueceram a miscigenação - por Armando Lopes Rafael

Certa mídia e setores acadêmicos voltam a bater no velho chavão: os portugueses foram responsáveis pelo genocídio dos índios! Afirmam, à exaustão, que à época do descobrimento existiam entre 5 a 7 milhões de silvícolas no Brasil.
Não há base científica para se avaliar quantos índios habitavam aqui em 1500. Mas como hoje só temos cerca de 430 mil índios abusam do argumento de que houve chacinas contra as populações indígenas. O assunto merece uma reflexão serena!
Houve, é verdade, sangrentas batalhas entre europeus e índios. Como havia cruéis batalhas entre as próprias tribos que se dizimavam entre si. Mas temos de reconhecer que um grande número de indígenas foi aculturado, assimilando o modus vivendi do português.
Por que não falam também da grande miscigenação ocorrida entre os colonizadores lusos e as raças indígenas que aqui viviam? Dificilmente se encontra hoje um brasileiro com características só européias. Todos nós carregamos nas veias um percentual de sangue indígena e africano. Muitos portugueses, alguns até fidalgos, se consorciaram com índias de tribos amigas. O casamento, na Igreja Católica, de Diogo Álvares ( o "Caramuru") e a índia Paraguassu é o exemplo clássico do português e da índia que deram origem a inúmeras e importantes famílias brasileiras. Do casal citado, por exemplo, descendem, aqui no Cariri, os Bezerra de Menezes, os Pinheiro e os Esmeraldo, dentre outras famílias...


Lembram do lendário Jerônimo de Albuquerque, cunhado de Duarte Coelho Pereira, primeiro donatário de Pernambuco? Jeronimo foi casado com uma filha do cacique Uirá-Ubi ( arco verde, no idioma nativo) pai de 34 filhos (entre legítimos e ilegítimos). Dele descende em linha direta o primeiro cardeal da América Latina, Dom Joaquim Arcoverde Albuquerque Cavalcanti. E o que dizer das uniões naturais, entre lusos e índias, habitualmente muito fecundas, que deram origem a importantes clãs familiares brasileiros? Ficaria longo e enfadonho falar dessa miscigenação que resultou numa raça mestiça forte, fruto de uma e outra etnias, cujo resultado foram os bandeirantes paulistas, conhecidos como Raça de Gigantes, responsáveis pela conquista do imenso interior brasileiro...

Fatos da história do Brasil


Há 124 anos o Ceará libertava os escravos

por Armando Lopes Rafael

A província do Ceará foi a primeira do Brasil a abolir a escravidão da raça negra. Este episódio histórico, que ainda hoje nos enche de orgulho, levou José do Patrocínio, durante uma conferência, em favor da abolição, a denominar o Ceará de "Terra da Luz, Berço da Liberdade”. Como Terra da Luz ficou sendo conhecido o
Ceará.
Antes de falar dessa epopéia cearense faço um rápido retrospecto sobre o instituto da escravatura. Uma das primeiras preocupações do historiador deve ser a análise do fato histórico a partir da mentalidade da população, ao tempo que esse feito ocorreu. É fácil lançar libelos contra figuras e casos da nossa história quando se julga acontecimentos de cem ou duzentos anos atrás, pela ótica do hoje.

Uma análise serena requer um recuo ao modus vivendi da época. A servidão da raça negra é um desses exemplos. A escravidão ocorreu em quase todo o mundo. Teve início no século XVI, por necessidade da mão-de-obra para as lavouras das terras que eram descobertas. O regime de sujeição da simpática raça negra não foi criação da sociedade brasileira. A história nos mostra: no nosso país quem mais combateu a mancha da escravidão negra foi a Família Imperial Brasileira.

A família de Dom Pedro II não possuía escravos para dar o bom exemplo à sociedade. Cabe a pergunta: por que Dom Pedro II não acabou de vez com a escravidão? Não estava ao seu alcance emancipar os escravos! Diferente de hoje, à época do 2ºº Reinado a maioria do Parlamento era contrária às iniciativas do Imperador e favorável à manutenção da escravidão. Fortes razões econômicas motivavam deputados e senadores do Império a manterem o status quo. O Poder Legislativo Imperial era tão respeitado, que, em 1910, Rui Barbosa escreveria: “Na Monarquia o Parlamento era um escola de estadistas. Na República converteu-se numa praça de negócios".
No 2o Reinado vivia num Estado de Direito Democrático. A imprensa era livre.
O Partido Conservador e o Partido Liberal se revezavam no poder. Circulava até um jornal republicano defendendo a queda da Monarquia. A Constituição, que nunca fora desrespeitada (como viria a acontecer na República) não concedia ao Imperador, por exemplo, dispor de um instrumento tipo a Medida Provisória, usada hoje abusivamente pelo poderoso Presidente da República, Luiz Inácio da Silva.
Entretanto de Dom Pedro II e da Princesa Isabel partiram todas as iniciativas que visavam extinguir, de forma gradual, a escravidão no Brasil. Utilizaram para isso o respeito, prestígio e confiança de que eram portadores junto à sociedade brasileira, influenciando parlamentares e ministros nesse objetivo. Tudo feito constitucionalmente, através de leis conhecidas como: "Euzébio de Queiroz" (1850), "Nabuco de Araújo" (1854) "Lei do Ventre Livre" (1871), "Lei dos Sexagenários" (1885), culminando com a "Lei Áurea", assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888.
Parcela da sociedade brasileira de então também entendia que a escravidão se constituía numa gritante injustiça. No Ceará, consoante tradição corrente, os escravos não sofriam a opressão e a impiedade, como gemiam seus irmãos de raça nos cativeiros de outras províncias. Talvez por não existir aqui uma elite econômica (como ocorria em Pernambuco, Bahia, Minas, Rio de Janeiro, São Paulo). O escravo no Ceará, com raras exceções, era quase gente da família. Esses negros compartilhavam, mesmo sendo escravos, os acontecimentos alegres e tristes das famílias dos seus senhores. Mesmo assim no último quartel do século XIX já se registravam no Ceará campanhas contra a escravidão. Não tiveram, os cearenses, igual paciência e prudência do Imperador e da Princesa Isabel no trato desse assunto.
Sociedades antiescravistas foram surgindo com a adesão de pessoas de todas as categorias sociais da província. Uma delas, a Sociedade Perseverança e Porvir tinha entre seus membros Antônio Soares Teixeira Júnior, Francisco Araújo, Antônio Martins, Manoel Albano Filho, José Amaral, José Teodorico da Costa, Antônio Cruz Saldanha, Alfredo Salgado, Joaquim José de Oliveira e José Barros da Silva. Em 1880 foi fundada a Sociedade Libertadora Cearense com 225 sócios. Nessa sociedade militavam João Cordeiro, Frederico Borges, Antônio Bezerra, Almino Tavares Afonso, Isaac Amaral e José Marrocos.
Em janeiro de 1881 o jangadeiro Francisco José do Nascimento afirmou que no porto do Ceará não embarcariam mais escravos. Por esse gesto passou à história como o "Dragão do Mar". Essa determinação foi cumprida. Em agosto daquele ano os jangadeiros impediram o embarque, no vapor Espírito Santo, de duas escravas, apesar da presença do Chefe de Polícia, Dr. Torquato Viana, que tentava coagir os humildes homens do mar a obedecer à lei. O fato é que no tumulto "polícia versus jangadeiros", o abolicionista José Carlos Silva Jataí desapareceu com as duas negras, livrando-as do embarque.

Em 1882 surgiu a mais influente sociedade, o Centro Abolicionista 25 de dezembro, que entre seus membros contava com o conhecido historiador cearense Barão de Studart. A partir daí a campanha abolicionista foi num crescendo. No dia 1º de janeiro de 1883, Acarape foi o primeiro município cearense a libertar seus escravos. Por isso o município mudou de nome e passou a chamar-se Redenção. Finalmente no dia 25 de março de 1884 foi abolida a escravidão em toda a província do Ceará. O número de negros libertos, naquela data, totalizou 35.508.

Isso quatro anos e dois meses antes da Lei Áurea, aprovada a duras penas pelo Parlamento do Império, depois de intensas negociações da Princesa Regente Isabel. Ela tomou essa decisão final em nome de Dom Pedro II e no seu próprio, como legítima representante do povo brasileiro. A Princesa Isabel afirmou dias depois que, mesmo pressentindo que a libertação da raça negra poderia representar a queda da Monarquia, não hesitara em assinar a lei.

O tempo provou que ela tinha razão...

sábado, 7 de junho de 2008

E AGORA JOSÉ?

A ciência por mais que revele evidências não tem condições de criar normas definitivas para a vida humana. Dois fatos sustentam a frase: a) a ciência fala no condicional dos eventos presentes na ocasião do anunciado científico e b) a espécie humana além de muito criativa é muito apegada a regras oriundas delas mesmo e por isso mesmo mutáveis.

Como diz o Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz: os bancos centrais formam um fechado clube, dado a manias e modismos. Demonstrando o aspecto tipicamente humano do temporário e transitório ele aponta para os idos de 80 e 90 quando a hegemonia do monetarismo (teoria simplista de Milton Friedman) redundou num rotundo desastre econômico e social das nações em todos os continentes. Agora o economista aponta para as políticas fundamentalistas de controle da inflação pelo aumento dos juros. Na verdade ele não aponta para a teoria (ou não teoria) por trás de tais políticas assim como acentua o seu traço essencialmente hegemônico dos países centrais, especialmente os EUA.

Acontece que toda vez que o regime de metas de inflação aciona o gatilho dos juros altos reflete apenas que os luminares de hoje na verdade estão testando uma teoria rala em diversos países e o Brasil entre eles. Onde estaria a quase certeza que tais testes falharão? È que as inflações deste ano não decorrem da macroeconomia dos países, mas sim da inflação internacional, especialmente da energia e dos alimentos. Por isso a inflação aumenta na China e no Vietnam, por exemplo, mas no EUA ela é baixa, se mantém em 3%. Neste caso os aumentos de juros na China e no Vietnam seriam inócuos, pois a inflação é importada. A única elevação de juros que poderia fazer diferença na produção mundial seria a americana, enquanto este aumento na China não afetará os preços internacionais.

Então as medidas macroeconômicas mais contundentes para a ameaça da inflação deveriam ser internas e que favoreçam a produção e descolem a economia interna da insuficiência mundial. Elevar juros, diminuindo a demanda agregada especialmente em alguns bens e serviços, não modifica o quadro externo como se disse. Então o laboratório de experiências adotaria medidas mais drásticas ainda nos juros, reduzindo o emprego e gerando uma amarga solução no nível social. Ou seja, a panacéia que domaria a liberalização comercial mundial demonstra claramente as suas limitações.

E agora? Vozes se elevarão no sentido de seguir exemplos dos paises mais fortes, que liberalizam, mas criam muralhas de proteção interna à sua economia doméstica. Vejam que saímos do encontro da FAO em Roma sem mudanças substanciais no panorama: a Europa e os EUA continuarão com suas políticas econômicas na Agricultura que protegerão seus consumidores e produtores.

Nisso tudo uma grande contradição na era da Globalização. Se todos recorrem ás metas de inflação a produção mundial cairá e a inflação internacional se acentuará assim como, do mesmo modo, isso aprofundara a crise ainda mais se todos buscarem se proteger em bloco. De fato a humanidade necessita de novos arranjos, novas verdades científicas e de muito senso de que é necessário agir no próprio interesse, E isso não será fácil com o espectro da degradação ambiental estiolando a vontade de todos.

Nação envergonhada - por Themístocles de Castro e Silva

Vejam como é o Brasil no reinado de Lula. O governo demitiu uma ministra de Estado porque usou indevidamente o dinheiro público, através do tal Cartão Corporativo.
Diante de outros escândalos divulgados pela imprensa, o Congresso criou uma CPI para apurar as denúncias. A esta altura, o governo já não negava seu propósito de esconder tudo, pois sabia que fatos graves ocorreram e estavam ocorrendo com o uso do cartão.
Se fosse um governo honesto, sério, teria colaborado para apuração das denúncias. O que houve, porém, foi exatamente o contrário, como, aliás, todos previam.
Até hoje Lula da Silva não acredita que os quarenta denunciados pelo "mensalão" tenham feito nada demais. Se pudesse, canonizaria José Dirceu, Delúbio, José Genoíno e demais do mesmo time. À custa de liberação de verbas do Orçamento, que continua sendo o maior instrumento de corrupção da República, segundo o velho ACM, indicou para a CPI somente aqueles elementos que, pelo dinheiro, estariam de seu lado de qualquer maneira, isto é, que não admitiriam apurar nada, para não comprometer a honorabilidade do presidente e de seu governo. O resultado já foi conhecido. A CPI aprovou um relatório que não indiciou ninguém. Só faltou sugerir a volta da ministra flagrada em desvio de conduta.


Mas ocorre que também será encaminhada ao Ministério Público o voto em separado da oposição, com amplos detalhes sobre o escândalo dos cartões. E ninguém acredita que, entre o relatório sob encomenda, escondendo a corrupção, e outro com a verdade dos fatos, o procurador da República prefira passar a mão na cabeça dos que enveredaram pelos caminhos do ilícito. Nunca um presidente conseguiu desmoralizar o Congresso tanto quanto o Sr. Luís Inácio desde os tempos de deputado, com aquela famosa frase dos "300 picaretas". Quis o destino que, como presidente, fossem eles os guardiões de seus interesses pessoais e políticos. Mais uma vez a Nação está envergonhada.


Themístocles de Castro e Silva - Jornalista e advogado

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Jornal O POVO: açudes estão cheios no Ceará...

Vista aérea do açude do Castanhão

Ceará: recorde
Cogerh: açudes atingem maior acúmulo de água desde 2004

Daniela Nogueira, da Redação


O recorde foi quebrado. Segundo a Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh), o volume total dos 129 reservatórios que monitora chegou a 85,57%. Até ontem, ainda havia 45 açudes sangrando

06/06/2008 00:48
O Ceará atingiu, na manhã de ontem, o maior acúmulo de água em seus reservatórios desde 2004. A capacidade máxima nos açudes monitorados pela Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh) chegou a cerca de 15 bilhões e 247 milhões de metros cúbicos (m³). Em percentual, o volume atingiu 85,57% da capacidade total dos locais. Em 2004, o recorde foi batido com 85,55%. A diferença é que, atualmente, a Cogerh monitora 129 açudes no Estado. Há quatro anos, o órgão fazia a verificação de 123.

De acordo com Flávio Ferreira, técnico de monitoramento da Cogerh, esse acréscimo de seis açudes que passaram a ser acompanhados pela Companhia deve ser levado em conta. Mas não há como afirmar se, sem eles, o recorde podia ser atingido. Ou se eles contribuíram para ultrapassar a marca do ano de 2004, quando os açudes tiveram um acúmulo de aproximadamente 15 bilhões e 20 milhões de metros cúbicos. A diferença chega a 227 milhões a mais de água nos reservatórios cearenses hoje. "O que se pode afirmar é que já estamos acumulando mais água do que em 2004. São seis reservatórios a mais, porque à medida em que novos vão sendo construídos, eles vão sendo entregues para a Cogerh fazer o monitoramento", explica o técnico.

Os açudes que a Cogerh analisa representam cerca de 90% da capacidade hídrica do Estado. Dos cerca de 8 mil açudes existentes no Estado, 129 são monitorados pela Companhia. Segundo Flávio Ferreira, pode ser pouco quando se vê apenas a quantidade. Mas eles são os maiores. "Os outros têm uma capacidade muito pequena de acumulação e não são monitorados", afirma. As informações dos açudes são recebidas diariamente pelos técnicos. Desde o início do período chuvoso deste ano, 81 açudes do Ceará já sangraram. Ou seja, atingiram sua capacidade máxima de armazenamento. Desses, 45 até ontem continuavam sangrando. A situação pode mudar dependendo das próximas chuvas.

E elas vão continuar por mais que o período chuvoso no Estado já tenha terminado. Conforme Namir Mello, da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), o Ceará está no período pós-estação chuvosa, que corresponde à estação chuvosa da Zona da Mata, uma área que vai da Bahia até a cidade de Natal (RN). Nesta época, existe a possibilidade de chover no Ceará: "Quando está chovendo muito lá, aqui também chove". O período chuvoso dessa zona dura de maio até agosto. Por isso, devemos ainda ter chuvas, mesmo que menos intensas, durante os próximos meses.

Das 7 horas de quarta-feira até o mesmo horário de ontem, foram registradas chuvas em 66 municípios do Ceará. Tudo dentro da normalidade, com uma média de 20 milímetros (mm). As exceções são a Meruoca, onde houve 86 mm, e Viçosa do Ceará e Ubajara, nas quais houve registro de cerca de 40 mm, por serem regiões de serra, onde, normalmente, chove mais.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

O preço do Estado


Viver no Brasil é muito, muito caro!

Alguém discorda? E por quê? Manter e ampliar a infra-estrutura do país custa muito dinheiro. Dinheiro que vem do? Exato! Do bolso do brasileiro, contribuinte, extraído através dos gordos impostos arrecadados pela União, Governos Estadual e Municipal. É I.O.F., é I.C.M.S.,é I.P.T.U.,é I.P.V.A., e o leão do I.R. todo santo ano! Paga o trabalhador comum, paga o comerciante, paga o empresário. Cada um dando o que lhe é, devidamente, “indevido”. A sonegação é ilegal. Entretanto, mais e mais se houve falar de empresários que, devido a essa carga tributária, adotam esta prática como única solução para a sobrevivência de suas empresas. Os Governos recolhem impostos necessários ao pagamento de suas vultosas despesas. Essas despesas são definidas todo ano em, igualmente, vultosos Orçamentos. Orçamentos deveriam ser ferramentas muito bem elaboradas, munidas de um preciso levantamento dos custos de cada item de despesa. O problema é que aqui os Governos arrecadam mais e se recebe, proporcionalmente, menos. Em países de primeiro mundo, ou em crescente e ordenado desenvolvimento, a carga é muito menor e a população desfruta de muito mais educação, saúde, transporte, segurança... essas coisas que os políticos “prometem como sem falta” e faltam como sem dúvida!

Pra falar num Cearês claro: Faz raiva!
Se, a maioria da população, “acostumada” a tanta pobreza, vez por outra reclama, imagine para quem teve a oportunidade de presenciar a realidade de outros países da Europa ou até desta mesma América. No Brasil, uma educação gratuita de péssima qualidade, onde alunos de 3ª. série não sabem ler e nem escrever, um S.U.S. desacreditado, um sistema de transporte de péssima qualidade e mal definido, cidades sem infra-estrutura suficiente de saneamento, habitação e segurança, que aliás é resultado da falta de tudo isso. A situação só não é pior graças ao esforço diário dos bravos profissionais da educação, saúde, transporte, segurança, que lutam de todas as formas para atender a população, com os poucos recursos que dispõem. Lá fora, há escolas e universidades para quem quiser e oportunidades para quem buscar. Ninguém fica doente por muito tempo. Hospitais e recursos humanos em número suficiente, tratamento dentário, oftalmológico... Sim, óculos também são de graça! O transporte urbano é, na sua grande maioria, feito de trem, mais barato, rápido, melhor distribuído e menos poluente. Pode-se andar, despreocupadamente, pelas ruas das grandes cidades, reflexo de uma sociedade de mais oportunidades e menos desigualdades e conseqüentemente mais segura.

Por outro lado, somos um país privilegiado. É notória a quantidade e qualidade de recursos naturais do Brasil. Aqui também não há catástrofes naturais, nem atentados. Nenhum furacão ou terremoto, como o que abalou a China, que derruba prédios, matando pessoas. Não estamos sob ameaça de carros e homens-bomba. Não estamos em guerra com nenhum país. Nossos problemas são solúveis. Depende, apenas, de nós mesmo e não somente da interferência Divina. Se escolhermos melhor quem vai ter as “chaves dos cofres” há mais chances de mudarmos esta penosa realidade. A incompetência administrativa não é tolerada na iniciativa privada. Por que tolerá-la na administração pública, quando se trata de governantes, nossos “representantes” e “servidores”, eleitos pelo nosso valioso voto? Quem paga caro, em regra geral, é mais exigente. Sejamos mais exigentes, estamos podendo!

Dimas de Castro e Silva Neto, M.Sc.
Eng. Civil, Prof. do Departamento de Construção Civil da URCA