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quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Convite aos músicos do Cariri
A Confiança – por Carlos Eduardo Esmeraldo
No último fim de semana que eu passei no Crato, esqueci de colocar gasolina no carro e a caminho do aeroporto, onde fora esperar uma sobrinha da minha nora, como era previsível acontecer, o veículo parou. Isto é: eu fiquei “no prego” de motorista. Como não havia nenhum posto de gasolina nas imediações, não tive dúvidas: ao primeiro moto-taxista que passou, resolvi lhe entregar uma cédula de cinqüenta reais, para que ele me trouxesse gasolina suficiente para me tirar daquela situação desagradável. Na aflição em que eu me achava, esqueci de perguntar pelo nome daquele salvador e de anotar o número da placa da sua motocicleta. Um risco: concordarão todos. Mas menos de dez minutos depois, o motociclista chegou com a gasolina, tendo prestado conta bem direitinho do dinheiro que eu lhe havia confiado. E ainda me ajudou a repor o carro em funcionamento, desobstruindo a alimentação do carburador, que como era natural, ficara entupido.
Já vai longe o tempo em que confiar nas pessoas era uma virtude natural e espontânea. Homens e mulheres carregavam dentro de si uma áurea de honestidade e de confiança mútua.
O historiador cearense Raimundo Girão, em seu livro de memórias “Palestina, uma agulha e as saudades”, nos revela que seu tio Luis Eduardo Girão, mais conhecido por Lulu, era um homem que confiava cegamente na honestidade dos outros. E sempre era correspondido.
Lulu era um misto de delegado, comerciante, fazendeiro e entendido em medicina na Morada Nova do final do século XIX e início do século XX. Espirituoso, excelente papo, possuía um coração que mal cabia dentro dele. Por mais de trinta anos, Lulu foi Delegado de Polícia de Morada Nova e graças ao seu bom humor e confiança no ser humano possuía um elevado grau de persuasão, obtendo assim os acordos mais improváveis possíveis. Sua casa era cheia de amigos e de pessoas necessitadas que enchiam a sua mesa na hora do almoço ou jantar.
Certa vez, no inicio de uma tarde quente de outubro, debaixo de um sol escaldante, Lulu viu passar pela estrada defronte da sua casa um homem solitário, com uma pequena maca às costas. Perguntou: “Amigo, de onde você vem e para onde vai debaixo desse sol de rachar?” “Venho de Canindé e vou para o Rio Grande do Norte.” Respondeu o andarilho. “Venha descansar um pouco e almoçar conosco. Vou lhe emprestar um cavalo para o senhor não seguir essa viagem tão longa, a pé.” Insistiu Lulu. E assim procedeu. Alguns amigos duvidaram se ele algum dia viria novamente aquele cavalo. Porém, dias depois, uma caravana de romeiros do Rio Grande do Norte, devotos de São Francisco, trazia de volta o cavalo de Lulu e os arreios.
Ah, que bons tempos aqueles!... E como o mundo seria bem melhor se a gente pudesse restabelecer esse grau de confiança no ser humano! Se tentarmos, será possível.
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Dr. Raiz amanhã na REFFSA Crato CE

Não percam!
Banda Dr. Raiz, Quinta agora, dia 22 de outubro às 23hs no Centro Cultural Araripe! Largo da REFFSA - Crato CE
O Show acontecerá dentro da programação do Festival Cariri da Canção!
Canções inéditas, formação original!
Dudé, Geraldo, Antônio, Evaldo, Ramon, Pantera e Junior
Por gentileza, ajudem a divulgar!!
Abraços!!
Uma política nazi-fascista - por Pedro Esmeraldo
Houve época, a cidade do Crato colocou no poder pessoas erradas, sem princípio ético, pois não tinham modelo administrativo e não se ajustava no verdadeiro caminho de uma administração segura e firme. Esses homens audaciosos, sem a mínima pretensão, empurraram o Grato para o atraso. Havia deles que era totalmente omisso e não estimulava o povo para exercer trabalho digno a fim de favorecer o crescimento participativo da cidade.
Consideramos estas pessoas distantes ao progresso, pois deixaram de lado o comportamento sério, com o intuito de impulsionar o progresso moderno, mas preferiram pedalar em barcos furados, afastando da cidade uma série de melhoramentos como: a doação do terreno para a faculdade se estabelecer aqui e outros tipos de movimentos, tudo isto causado pela falta de conhecimento e de capacitação técnica que seria o marco progressista do desenvolvimento económico e social. Por isso, Grato diminuiu o seu ritmo de crescimento, andou em marcha lenta, vez que esse tipo de política nazista enganou o povo, fazendo firulas, dizendo amém, sem nenhuma perspectiva para soerguer o crescimento desta cidade, pois preferiram imitar o slogan de Juscelino de trás para frente, ou seja regredir cem anos em dez.
E o Grato meu Deus, ficou estagnado, não avançou como deveria, permaneceu estatelado, perdido na poeira dos tempos.
Enquanto isso, outro município mais ardiloso, compreendeu a situação, adiantou-se dos demais, subiu igual a foguete e ninguém mais o acompanhará.
Essa tristeza, guardamos em nossa memória com mágoas já que não podemos esquecer essa falta de amor, que esses indivíduos, vindos não sabemos de onde, estabeleceram-se aqui, trazendo discórdia, viciando o povo a não votar em candidato da terra, pois tinham como meta mostrar o esqueleto desta cidade, entregando às pessoas de pouca inteligência e que não desejavam comungar com o povo. Certa vez, um desses algozes pronunciando palavras pífias disse-nos: "o progresso não se compra, vem naturalmente".
Retrucamos: "Olhem senhores, o progresso vem através do esforço e do trabalho árduo, aplicando vários melhoramentos, e aperfeiçoando a tecnologia, que é favorecer com infra-estrutura a qualidade do serviço que é a arte do equilíbrio técnico".
Pensando bem, temos que reagir, não podemos parar jamais, não devemos cruzar os braços, baixando a cabeça dizendo sim, sim senhor. Temos de gritar, descruzar os braços, mostrar que também temos direito de reagir, dizendo ao povo que somos capacitados e devemos receber o nosso quinhão de progresso, igual às demais cidades.
Pensem bem, senhores, as nossas obras estão paradas, ou ameaçadas de parar. Não acreditamos bem que venham satisfazer ao Crato com esses melhoramentos, já que outros municípios estão avançando, progredindo com grandes obras provenientes da capital do estado.
Temos grandes obstáculos e não devemos esmorecer, vamos cuidar de reconquistar, a fim de sermos recontemplados com essas obras, pois o Crato não deve ser esquecido nem renegado ao segundo plano.
Observamos que ultimamente, tivemos certos políticos de pensamento tacanho pois conduziu o povo para ociosidade, isso é desconfortante, é uma infâmia.
Texto de Pedro Esmeraldo
Festival Cariri da Canção começa hoje
Sedentarismo Contemporâneo - O Mal do Século XXI.
Na falta disto, vão se alimentar nas cadeias de distribuição de alimentos que oferecem às pressas, - refrigerante com hambúrguer - feito tudo a base de gordura saturada, colesterol, além da alta taxa de glicose, razão de estar aumentando em forma de progressão geométrica os casos de crianças com problemas cardíacos, diabetes mellitus, obesidade e outras mazelas como o stress, depressão...
Os seres humanos não são máquinas, não podem responder os interesses dos grandes mercados de capitais com subserviência, como justificativa a pressa com a falta de horário para alimentação.
Estamos entupindo nosso organismo de colesterol, triglicérides e glicose. Iremos pagar um preço alto pela ingestão de alimentos degradadores de nosso próprio organismo, bem como, iremos criar uma geração de obesos, porque não dizer de crianças obesas, stress, depressão; tudo isto, para nutrir a ganância de impor uma cultura alimentar rápida, desprovida de um balanceamento químico compatível com o nível de tolerância do organismo humano, um costume que distrai e destrói a vida humana.
Na verdade é uma bomba química que age interna nas entranhas do organismo como um vírus mortífero esperando a hora para entupir os capilares, veias e artérias, ao primeiro sinal a pressão já está nas alturas, a morte já a espreita, pois, o tratamento requer uma mudança de hábitos alimentares que a sociedade não está preparada para tanta imposição, privações, caminhadas, dietas, é uma exigência tão grande que, já não é exagero dizer que é o mal do século XXI é o próprio sedentarismo contemporâneo.
(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra - Aurora
Maioria das assembléias vota pela continuidade da greve no BNB
Nos demais sindicatos, a greve continua, apesar das manobras no mínimo desrespeitosas que vêm sendo adotadas pelo Banco, a exemplo do “envio” de funcionários adidos para as agências fechadas, numa tentativa explícita de enfraquecer o movimento e desmobilizar os trabalhadores. Denúncias dessa natureza têm chegado a AFBNB, são casos onde a Superintendência do Ceará tem enviado funcionários para prestar serviços em agências que estão paralisadas no Cariri.
A AFBNB ressalta o que foi veiculado em matéria divulgada ontem: o Banco deve se empenhar sim em acabar a greve, mas por caminhos dignos e corretos, como negociação de propostas que atendam aos interesses dos funcionários.
O presidente do Banco se encontra em Brasília para interlocução junto aos órgãos do governo com o objetivo de se resolver o impasse. Dessa forma, solicitamos que os funcionários se mantenham mobilizados e fortaleçam o movimento grevista até que tenhamos nova proposta para apreciação. A próxima reunião de negociação entre o Banco e as entidades representativas será quinta-feira (22).
Sindicatos que continuam em greve
Sindicato dos Bancários de Alagoas
Sindicato dos Bancários da Bahia
Sindicato dos Bancários de Caruaru (PE)
Sindicato dos Bancários do Cariri (CE)
Sindicato dos Bancários do Extremo sul da Bahia
Sindicato dos Bancários de Garanhuns (PE)
Sindicato dos Bancários de Irecê (BA)
Sindicato dos Bancários de Itabuna (BA)
Sindicato dos Bancários de Ilhéus (BA)
Sindicato dos Bancários de Jacobina (BA)
Sindicato dos Bancários de Jequié (BA)
Sindicato dos Bancários do Maranhão
Sindicato dos Bancários de Mossoró (RN)
Sindicato dos Bancários da Paraíba
Sindicato dos Bancários de Pernambuco
Sindicato dos Bancários do Piauí
Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte
Sindicato dos Bancários de Sergipe
Sindicato dos Bancários de Vitória da Conquista (BA)
Fonte: AFBNB
Posse da prefeita mirim de Juazeiro
O presidente da Câmara Municipal de Juazeiro, José de Amélia Júnior, dá posse nesta sexta-feira, 23, ao prefeito e vice-prefeito mirins do Município, na sede do legislativo municipal, às 9 horas.
Na mesma sexta-feira, às 10 horas, no Gabinete do prefeito Dr. Santana, o prefeito de Juazeiro empossa Cleyane Alves Araújo, como prefeita mirim e Taynara Raianne Cândida Alexandre, como vice-prefeita mirim.
As duas foram escolhidas nesta terça-feira, 20, em um evento promovido pela Secretaria de Educação de Juazeiro, quando participaram 33 candidatos entre meninos e meninas.
Para o prefeito Dr. Santana a escolha da prefeita mirim tem importância pois marca a participação de adolescentes no processo de discussão dos problemas da cidade. “Espero que a participação da juventude se amplie assim poderemos ter uma gestão mais participativa”, avalia Santana.
O prefeito de Juazeiro avalia ainda que com a participação da juventude o processo político se torna mais democrático, e a juventude pode avançar em seus direitos
Pensamento para o Dia 21/10/2009

“Saiba que Deus (Paramatma) é a meta do homem. Dirija toda a atenção para essa meta. Controle a mente, que vaga para longe da meta. Essa é a essência dos ensinamentos de todas as Escrituras Sagradas (Shastras). Apegue-se ao Atma em você. Tome refúgio nele. Medite nele sem interrupção. Então, as obrigações mundanas irão se desprender, pois o elo com o qual você se ata ao Senhor tem o poder de desatar todos os outros vínculos.”
Sathya Sai Baba
terça-feira, 20 de outubro de 2009
E-mail de Lira Neto (autor do mais novo livro sobre o Padre Cícero) para Renato Casimiro
Chegou hoje às bancas de São Paulo a edição de novembro da Aventuras na História, da editora Abril, com Cícero na capa. O título: "A Absolvição de Padre Cícero". É sobre o processo em tramitação na Santa Sé. A matéria é assinada por este seu amigo. Deve chegar às bancas do Ceará na próxima semana. Fique de olho.
Abração,
Papa recebe livro sobre a Beata Maria de Araújo
"Maria do Juazeiro, a Beata do Milagre" é o resultado da dissertação de mestrado de Maria do Carmo, defendida em 1997 na PUC (Pontífice Universidade Católica) de São Paulo. Na sua apresentação, o orientador da dissertação, Fernando Londoño, teceu elogios ao trabalho afirmando que o livro volta-se ao `milagre de Juazeiro' para questionar não só as versões que já se acreditavam definitivas, mas, também, os poderes, quer da Igreja, quer da intelectualidade da época, que as sustentaram.
Os chamados fatos extraordinários de Juazeiro em que a hóstia se transformava em sangue na boca da beata quando esta comungava, geraram punições para o Padre Cícero e sanções junto à religiosa que, por conta dessa situação, terminou apagada da história. Seguindo os rastros dos documentos, especialmente os Inquéritos levados a efeito pela Igreja do Ceará, o trabalho de Maria do Carmo recupera e resgata a figura da beata que, junto com Padre Cícero, possibilitou a fundação do Juazeiro sagrado.
A autora do livro define como um espaço divino anunciado pelo milagre e que se transformou num lugar de salvação para as almas ou "a porta do céu para os que querem se converter". A intenção da pesquisadora com esse trabalho que chegou às mãos do Papa Bento XVI, foi devolver à Beata Maria Magdalena do Espírito Santo de Araújo o seu lugar na história, entendendo o papel político que ela desempenhou na construção desse espaço sagrado.
A professora Maria do Carmo cuidou de fazer uma "limpeza" no nome da religiosa para poder "devolvê-la às ruas" de Juazeiro num patamar de igualdade com o Padre Cícero e pronta para ser melhor entendida pelo Vaticano. "Muita coisa mudou desde que a Beata entrou novamente em cena principalmente porque se demonstrou que o ocorrido em Juazeiro em 1889, e nos quatro anos seguintes que a hóstia sangrou, não foi embuste e nem truque", conclui a autora do livro.
Fonte: Miséria (através do Jornal do Cariri)
Diocese de Crato, 95 anos
1. Contextualização eclesiástica e geográfica
Crato, junto com a Arquidiocese de Fortaleza e as Dioceses de Sobral, Iguatu, Itapipoca, Limoeiro do Norte, Tianguá, Quixadá e Crateús, compõem o Regional NE 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, compreendendo o Estado do Ceará.
Situa-se no extremo sul do Estado do Ceará, limitando-se com as dioceses de Iguatu (Ceará), Cajazeiras (Paraíba), Afogados da Ingazeira e Petrolina (Pernambuco), Picos (Piauí). A sede da Diocese e algumas cidades situam-se no Vale do Cariri e Chapada do Araripe (área marcada pelo verde da vegetação, solo esponjoso calcáreo, camadas superiores do sub-solo de arenito, considerável número de fontes) e sertão que a circunda.
A Diocese de Crato compreende os municípios de: Abaiara, Altaneira, Antonina do Norte, Araripe, Assaré, Aurora, Baixio, Barbalha, Barro, Brejo Santo, Campos Sales, Caririaçu, Crato, Farias Brito, Granjeiro, Ipaumirim, Jadim, Jati, Juazeiro do Norte, Lavras da Mangabeira, Mauriti, Milagres, Missão Velha, Nova Olinda, Porteiras, Potengi, Penaforte, Salitre, Santana do Cariri, Tarrafas, Umari e Várzea Alegre.
Superfície total: 17.648,4 km2.
População: 894.787 hab.
Densidade populacional: 50,70 hab/ km2
2. Contextualização histórica
A presença da Igreja Católica no Cariri, região Sul do Ceará, remonta ao século XVIII. No entanto, é com a criação da Diocese de Crato que essa presença se torna mais forte e mais profícua. A Diocese foi criada num momento em que o Cariri passava por fortes tensões políticas, sociais e religiosas, conforme abordamos anteriormente. Por outro lado, a Igreja Católica no Brasil, nesse momento, vinha de um longo processo de romanização, levado a cabo no século XIX, a partir de 1840, com o objetivo de enquadrar o catolicismo brasileiro, sobretudo sua vertente popular, nos moldes romanos. No Ceará, a única Diocese, a de Fortaleza, já não dava conta da imensa tarefa que lhe cabia: cuidar da evangelização de todo o povo cearense.
Pensada e desejada, desde 1908, segundo iniciativas de Pe. Cícero Romão Batista, a Diocese de Crato foi criada pela Bula “Catholicae Eclesiae”, de Sua Santidade o Papa Bento XV, datada de 20 de outubro de 1914. Foi desmembrada da Diocese de Fortaleza, compreendendo vinte e uma paróquias: Crato, Barbalha, Missão Velha, Jardim, Brejo Santo, Milagres, Aurora, Lavras, Umari, Icó, Iguatu,, São Mateus (Jucás), Saboeiro, , São João dos Inhamuns, Flores, Cococi, Arneiroz, Araripe, Assaré, Várzea Alegre e São Pedro do Cariri (Cariaçu). Dom Manoel da Silva Gomes, Bispo Diocesano de Fortaleza, foi nomeado Administrador Apostólico da Diocese de Crato que, por sua vez, nomeou Monsenhor Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva Vigário Capitular da mesma. Posteriormente, a 10 de março de 1915, Monsenhor Quintino foi nomeado primeiro bispo diocesano de Crato. A instalação da Diocese se realizou no dia 1º de janeiro de 1916.
Bispos da Diocese de Crato:
1. Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva
Nasceu a 31 de outubro de 1863, na cidade de Quixeramobim. Foram seus pais Antônio Rodrigues da Silva e Maria Batista Vaz e Silva. Em março de 1881 matriculou-se no Seminário de Fortaleza, recebendo a tonsura a 30 de novembro de 1884; um ano depois recebia ordens menores e em 13/07/1886 era subdiácono. Recebeu o diaconato em 30 de novembro do mesmo ano e o presbiterato em 19 de junho de 1887, das mãos de D. Joaquim José Vieira, segundo bispo do Ceará. Foi vigário de Missão Velha e depois professor e reitor (1893-1897) do Seminário São José em Crato. Assumiu a Paróquia Nossa Senhora da Penha em 23 de maio de 1900. Foi um dos responsáveis pelos passos iniciais que deram origem à Diocese de Crato em 1914. Nomeado bispo de Crato, em 10/03/1915, foi sagrado em Salvador – Bahia, a 31 de outubro de 1915. Assumiu o pastoreio diocesano em 1º de janeiro de 1916. Seu lema episcopal era: Patientia et doctrina. Faleceu no dia 28 de dezembro de 1929 em Crato.
2. Dom Francisco de Assis Pires
Eleito no dia 11/08/1931 pelo Papa Pio XI. Nasceu em Salvador, no dia 04/10/1880. Fez os estudos no Seminário de sua terra natal e no Seminário de Olinda-Recife – Pernambuco. Recebeu a ordem do presbiterato no ano de 1903 das mãos de Dom José Jerônimo Tomé da Silva, Arcebispo de Salvador. Cônego da Catedral do Salvador e Vigário Geral da Arquidiocese, esteve presente à sagração de D. Quintino, primeiro bispo de Crato. D. Augusto Álvaro da Silva, então Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, no dia 06 de dezembro de 1931, presidiu a sua sagração. No dia 10/01/1932 tomou posse como segundo bispo de Crato, tendo como lema: Non veni ministrari sed ministrare (não vim para ser servido mas para servir). Em razão da saúde debilitada, Dom Francisco solicitou um bispo auxiliar. Foi nomeado Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, eleito a 21 de abril de 1955, sendo ordenado no dia 11/06 daquele mesmo ano. Em 1960, a 10/02, faleceu Dom Francisco, já então bispo resignatário de Crato.
3. Dom Vicente de Paulo Araújo Matos
Nasceu na Cidade de Iatapagé – Ceará, no dia 11 de junho de 1918. Preparou-se para o sacerdócio no Seminário Metropolitano de Fortaleza, onde recebeu a ordem do presbiterato no dia 29 de junho de 1942, das mãos de Dom Antônio Almeida Lustosa, Arcebispo Metropolitano de Fortaleza. Foi eleito bispo titular de Antioquia no Meandro e Bispo Auxiliar de Crato a 21 de abril de 1955 pelo Papa Pio XII. Sua ordenação episcopal deu-se no dia 11 de junho do mesmo ano na Igreja do Cristo Rei em Fortaleza. Dom Antônio de Almeida Lustosa foi o sagrante principal e consagrantes D. Francisco de Assis Pires e Dom Aureliano Matos, bispo de Limoeiro do Norte. Tomou posse como bispo auxiliar de Crato no dia 15 de agosto de 1955. Foi Vigário Capitular de Crato após a renúncia de D. Francisco e em 22/01/1961 foi nomeado 3º bispo diocesano de Crato, tomou posse a 19 de março. Seu lema episcopal foi: Vicente dabo manna (Ao vencedor darei o maná). Seu pastoreio foi marcado pela ação social impulsionada pelo Concílio Vaticano II e pela CNBB.
4. Dom Newton Holanda Gurgel
Nasceu na cidade de Acopiara, Ceará. Filho de Francisco Gurgel Valente e Aurélia Holanda Gurgel. Entrou no Seminário do Crato no ano de 1937, cursou Filosofia no Seminário Arquidiocesano de Fortaleza e Teologia no Seminário Arquidiocesano de João Pessoa – Paraíba. Recebeu a ordem do presbiterato no dia 17 de dezembro de 1949, pelas mãos de D. Francisco de Assis Pires, na cidade de Milagres - Ceará. Foi pároco de Campos Sales, professor e reitor do Seminário Diocesano São José. Em 28 de abril de 1979 foi nomeado Bispo auxiliar de Crato, tendo sido sagrado em Roma no dia 27 de maio do mesmo ano, por Sua Santidade o Papa João Paulo II. Tomou posse aos 07/07/1979. Escolheu como lema episcopal Certa bonum certamen – Combate o bom combate. Após o afastamento de D. Vicente, por motivo de saúde, D. Newton assumiu a Diocese como Administrador Diocesano e, em 1994, foi nomeado, por João Paulo II, o quarto bispo diocesano de Crato. Cargo que assumiu no dia 09/01/1994. Ao completar 75 anos apresentou a sua renúncia, sendo esta aceita apenas em 02/05/2001, passando a ser Administrador Apostólico enquanto D. Fernando Panico, que foi nomeado como quinto bispo de Crato, tomava posse. O que aconteceu no dia 29/06/2001.
5. Dom Fernando Panico
Filho de Vito António Panico e de Lúcia Maria Carmela Piri. Nasceu em Tricase (Lecce), Itália, no dia 01 de janeiro de 1946. Em 1964, ingressou na Sociedade dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus. De 1967 a 1968 cursou a Faculdade de Filosofia na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, obtendo o Diploma de Bacharelado em Filosofia para a habilitação ao ensino. Nos anos 1969 e 1970, frequentou os cursos de Teologia no "Istituto Teológico Fiorentino", em Florença. Retornou a Roma para continuar os estudos de Teologia no "Pontifício Ateneo SanfAnselmo", aonde obteve o Diploma "magna cum laude" de Bacharel em Teologia. Durante os últimos três anos de sua formação acadêmica, desempenhou o cargo de bibliotecário da Biblioteca no Escolasticado Teológico de sua Congregação em Roma. Aos 31 de outubro de 1971 foi ordenado Padre, em Roma. Em dezembro de 1974 chega ao Brasil, para exercer seu ministério missionário no Maranhão. Em 1989 é transferido para São Paulo, a fim de iniciar o curso de Doutorado em Liturgia, na Pontifícia Faculdade de Nossa Senhora da Assunção. No dia 02 de junho de 1993, o papa João Paulo II o nomeou Bispo da vacante sede diocesana de Oeiras-Floriano, no Piauí. Aos 15 de agosto de 1993 foi sagrado Bispo, no Estádio Municipal de Floriano. No dia 02 de maio de 2001, o Papa João Paulo II o transferiu para a sede episcopal de Crato, no Ceara. Aos 29 de junho de 2001 tomou posse da nova Diocese, como quinto bispo de Crato. Como Bispo de Crato, publicou três Cartas Pastorais:
1."Corações ao Alto, Igreja de Crato" (2001)
2."Romarias e Reconciliação", sobre uma nova postura eclesial diante das Romarias e do Pé. Cícero Romão Batista (2003);
3.O católico e as Eleições. Orientações pastorais. (2004).
FONTE: http://www.diocesedecrato.org.br/
Biografia de Padre Cícero chega às livrarias
Tradicional missa em memória do Padre Cícero aconteceu hoje em Juazeiro
A morte de Padre Cícero é lembrada todos os meses, no dia 20, quando há missas em memória ao santo popular em Juazeiro do Norte.Hoje, às 6 horas da manhã, aconteceu mais uma missa em celebração da memória do santo popular nordestino, patriarca de Juazeiro do Norte, Padre Cícero Romão Batista.
Uma grande multidão participou da missa, celebrada pelo pároco da Basílica de Nossa da Dores, padre Paulo Lemos, e realizada na praça da Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. É lá, embaixo do altar, que o corpo do padre está enterrado. Após a missa, é tradição para os milhares de romeiros visitar a imagem do padre na colina do Horto.
Centenário
Fonte: Blog de Juazeiro e jornal O Povo
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
As Cores da Flores - Por Claude Bloc
Matizes das flores/cores
sobre infindáveis cinzentos,
sonhos que vão nos olhos,
no sangue de cada um
.
pétalas e sépalas
alvores matinais
reflexão e entendimento
entre a luz e os tons
Imagens do Cariri
Pensamento para o Dia 19/10/2009

“A corda é confundida com uma cobra e o observador foge com medo. Isso nos lembra que o olho é somente uma janela através da qual a alma vê o mundo externo. A alma é a força motriz de todos os sentidos. De que serve o olho quando você não possui ‘Samadrishti’. ‘Sama’ significa Brahman, a Realidade Absoluta; ‘Samadrishti’ significar ver apenas Deus (Brahman), o Uno, em todas as coisas e a toda hora. Essa Unidade (Ekathwam) é a verdade fundamental. Todas as outras experiências são falsas. Considere isso em sua meditação. Fixe isso em sua consciência interna. Esse é o caminho da Libertação.”
Sathya Sai Baba
domingo, 18 de outubro de 2009
A ETERNA INDECISÃO ENTRE O OURO (MATÉRIA REAL) E A VIRTUDE (ESPÍRITO IDEAL): O CONHECIMENTO RACIONAL DO HOMEM E A EXPERIÊNCIA SENSÍVEL

"O único tirano que aceito em minha vida é uma voz doce e suave em meu interior" - Gandhi
"O ouro e a virtude são como dois pesos colocados nos pratos de uma balança de tal modo que um não pode subir sem que desça o outro" - Platão
"A ardente aspiração de nos conhecermos e de conhecer nossos semelhantes encontrou expressão na sentença délfica: "conhece-te a ti mesmo". Esta é a fonte principal de toda psicologia. Como, porém, o desejo é o conhecer tudo sobre o homem, seus mais íntimos segredos, tal desejo nunca pode ser efetivado no conhecimento de tipo normal, no conhecimento só pelo conhecimento. Ainda que conheçamos mil vezes mais sobre nós mesmos, nunca alcançaremos o fundo. Permaneceremos ainda um enigma para nós próprios, como nossos semelhantes continuarão sendo um enigma para nós. O meio único de conhecimento completo está no ato do amor: esse ato transcende o pensamento, transcende as palavras. É mergulho ousado na experiência da união...O problema de conhecer o homem é paralelo ao problema religioso de conhecer Deus" (1).
"Em geral o homem está tão atarefado pelo imediato viver, que gasta a maior parte de seu tempo e o melhor de suas energias para construir um arranjo existencial que lhe dê a sensação de bem-estar e segurança material. Isso quer dizer que em geral o homem não filosofa, não discute os pressupostos de seu arranjo, não des-vela o vigor que o move e domina. Ele está num concreto arranjado. Vive-o. E quando pensa faz mais ideologia que filosofia, isto é, pensa elucubrando teorias e idéias que falam mais de um determinado modo de viver que da própria vida" (2).
"Ocupados na tarefa do uso do conhecimento, os homens perdem o "verdadeiro" sentido do conhecimento" (3).
"Pois, todo saber real é um saber crítico, quer dizer, consciente de si mesmo, de seus projetos, de seu significado, de seu alcance, de seus limites, de suas possibilidades. Portanto, ele é ao mesmo tempo um saber do conteúdo e um saber do saber" (4).
"Um de nossos problemas, hoje em dia, é que não estamos familiarizados com a literatura do espírito. Estamos interessados nas notícias do dia e nos problemas do momento. Antigamente o campus de uma universidade era uma espécie de área hermeticamente fechada, onde as notícias do dia não se chocavam com a atenção que você dedicava à vida interior, nem com a magnífica herança humana que recebemos de nossa grande tradição - Platão, Confúncio, o Buda, Goethe e outros, que falam dos valores eternos, que têm a ver com o centro de nossas vidas. Quando um dia você ficar velho e, tendo as necessidades imediatas todas atendidas, então se voltar para a vida, aí bem, se você não souber onde está ou o que é esse centro, você vai sofrer. As literaturas grega e latina e a Bíblia costumavam fazer parte da educação de toda gente. Tendo sido suprimidas, toda uma tradição de informação mitológica se perdeu. Muitas histórias se conservavam, de hábito, na mente das pessoas. Quando a história está em sua mente, você percebe sua relevância para com aquilo que esteja acontecendo em sua vida. Isso dá perspectiva ao que lhe está acontecendo. Com a perda disso, perdemos efetivamente algo, porque não possuímos nada semelhante para pôr no lugar. Esses bocados de informação, provenientes dos tempos antigos, que têm a ver com os temas que sempre deram sustentação à vida humana, que construíram civilizações e enformaram religiões através dos séculos, têm a ver com os profundos limiares da travessia, e se você não souber o que dizem os sinais ao longo do caminho, terá de produzi-los por sua conta" (5).
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
(1) FROMM, Erich. A Arte de Amar. p.44
(2) BUZZI, Arcângelo R. Introdução ao Pensar, p.172.
(3) HÜHNE, Leda Miranda. Metodologia Científica: Caderno de Textos e Técnicas. Rio de Janeiro: Agir, 1988, p.38.
(4) LEADIRIDRE, Jean, Filosofia e Práxis Científica, p.45.
(5) CAMPBELL, Joseph- O Poder do Mito: Joseph Campbell, com Bill Moyers, São Paulo: Palas Athena, 1990, p.3-4.
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Obs.: A questão que se coloca para o homem moderno não é aquela de escolher ou seguir um caminho de perfeição. Mas, entre saber superar a ilusão da percepção do ego e transcendê-la para ver com mais propriedade a essência por detrás das aparências do mundo humano. Em outras palavras, cada ser humano precisa perceber o epifenômeno em que se está inserido onde as realidades se entrelaçam e escondem as suas diversas dimensões na multidimensionalidade do ser. Querer enxergar a realidade a partir de uma visão tridimensional racional é uma limitação que precisa de disciplina interior para ser superada. A verdade da realidade nunca é dada, mas conquistada pelo esforço pessoal de transformar o desconhecido em conhecido, e o conhecido em autoconhecimento de si e do cosmo. Esse é o desafio humano em todos os tempos: Luz e mistério; imanência e transcendência; humano e supra-humano; saber e ignorar as leis; viver e morrer.
A vida nos foi dada para que possamos revelar a luz que existe e sempre existiu em nós. Não basta crer e viver guiado apenas pela razão e o instinto. Temos que superar a crença pela força da fé; superar o instinto pela força da intuição. Viver e não apenas sobreviver; amar e não apenas desejar. "Vós conhecereis a Verdade - a Verdade vos libertará" - Bíblia.
O propósito de tudo é o mistério da consciência em seu processo evolutivo. Pois, "entre o céu e a terra existem tantos mistérios, que nossa vã filosofia....".
Energia Elétrica: consumidores pagam R$ 1 bilhão a mais por ano
Erro em cálculo de reajuste tarifário faz distribuidoras de energia embolsarem valor indevido; TCU diz que prejuízo é de R$ 7 bi. Problema está no critério adotado para aplicação do reajuste tarifário, que não captura ganhos esperados com a demanda futura
AGNALDO BRITO
DA REPORTAGEM LOCAL - FSP
Os consumidores brasileiros pagam R$ 1 bilhão a mais por ano pela energia elétrica devido a um erro no cálculo das tarifas aplicadas nas contas de luz. A falha se repete desde 2002, período durante o qual pode ter sido sacado do bolso do consumidor uma cifra estimada em R$ 7 bilhões. O governo sabe do problema há dois anos, mas não tomou nenhuma medida efetiva para resolvê-lo.
O valor indevido é cobrado de todos os consumidores regulares das concessionárias de energia elétrica. Hoje, são 63 milhões de ligações existentes no território nacional, distribuídas em 63 companhias no país -a maior parte são empresas privadas.
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), responsável pelos cálculos, admite que o erro faz o consumidor pagar valores indevidos às concessionárias desde 2002, ano da publicação de uma portaria apontada como o foco do problema.
O valor pago a mais engorda a receita das distribuidoras, que desde então se apropriam do recurso. A Aneel condena a atitude. Afirma que o ato é "eticamente discutível", mas diz que não dispõe de nenhum mecanismo para exigir a devolução do dinheiro ou uma compensação para o consumidor.
"[Ficar com o dinheiro] é eticamente discutível, mas isso que as distribuidoras estão fazendo é o que legalmente está constituído. Nós temos plena certeza que esse é um dinheiro que não pertence à distribuidora", diz David Antunes Lima, superintendente de regulação econômica da Aneel.
A reportagem da Folha procurou a direção da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), mas a organização disse que "optou por não se manifestar sobre o assunto".
A falha
O erro começa no reajuste tarifário, aplicado todos os anos, exceto no ano da revisão tarifária -que ocorre em intervalos de quatro anos em todas as distribuidoras. Ao aplicar o reajuste, a Aneel o faz sobre a receita total dos 12 meses anteriores. A agência concluiu que o correto seria aplicar o reajuste sobre a receita futura, não a dos 12 meses anteriores. Só assim o modelo captaria o aumento de demanda. É aí que está a falha.
Pelo modelo falho, o consumidor paga mais do que devia para a distribuidora custear os 11 encargos setoriais embutidos na tarifa, que financiam do programa federal para a baixa renda Luz para Todos ao custeio da compra de combustível para as térmicas amazônicas. Essa conta é rateada todos os anos para as distribuidoras, que a repassam aos consumidores.
A Aneel utiliza um exemplo para explicar a falha. Se uma distribuidora (como a Eletropaulo, a Cemig ou a Cemar) tiver de arrecadar para o governo R$ 1 bilhão para custear sua parte na conta de encargos do sistema, o aumento da demanda por energia poderá fazer com que a concessionária arrecade R$ 1,05 bilhão.
No ajuste, a Aneel verifica se a distribuidora pagou R$ 1 bilhão, como era devido. Os R$ 50 milhões adicionais recolhidos dos consumidores são embolsados pela distribuidora. Esse mecanismo se repete e se acumula nos últimos anos. Pela regra do setor elétrico, isso não poderia ocorrer, porque a distribuidora não pode auferir nenhum tipo de ganho no recolhimento de um encargo.
A remuneração da empresa só pode ser obtida pela prestação do serviço de distribuição -fatia já prevista na composição da tarifa paga pelos consumidores. Na prática, a concessionária tira um ganho clandestino anual dos consumidores.
Pelo atual modelo, isso só não ocorreria se houvesse queda no consumo de energia, o que em regra não ocorre. Em geral, segundo cálculo do próprio governo, o mercado brasileiro de energia elétrica cresce à taxa de 5,1% ao ano. Sem providências para consertar o problema, o consumidor seguirá pagando mais pela energia.
FONTE: Folha de São Paulo, Domingo, 18/10/2009 - Caderno: DINHEIRO
Á CONTROLADORIA DO CLIMA, URGENTE - Por Emerson Monteiro
O movimento dos dias enrijece a consciência de quem gosta do prato feito, de preferência cifs e sem ter de lavar depois do uso. O tal “farinha pouca, meu pirão primeiro”, dito baiano dos mais consistentes, a propósito do descaso com que a humanidade conduz só nos beiços do umbigo essa crise monumental sem precedentes do clima do Planeta.
Poucos fenômenos da história conhecida demonstram o tamanho da bronca desse egoísmo galopante que agora parece dominar a mentalidade dos mortais comuns. Iniciaram a longa caminhada futucando beiras de mangue, à busca dos siris abobalhados, catando gravetos para assar javali, no fundo das cavernas escuras, regado a suco de amoras fáceis, nas matas ali por perto, e hoje, graças ao uso do desenvolvido de ferro e fogo, arrombam as portas mais intransponíveis do ecossistema, a pretexto de aumentar os ganhos nos produtos internos brutos, para engordar o erário das nações e gerar lucros fantásticos, desaparecidos no ventre promíscuo da besta e nos esgotos das bolsas do mundo, cifras faraônicas transmitidas no cair da tarde pelas telinhas fosforescentes e práticas dos caixões eletrônicos trepidantes.
Enquanto isso, as mãos atadas dos indivíduos apenas perguntam, através das pontas de dedos aos teclados dóceis, onde e quando terminará tanta imbecilidade produzida na farra das autopistas, excrementos de massa informe comandada ao som da voz dos expoentes forjados à custa da ganância e do peso em ouro retirado ou a retirar dos cofres da mesma fornalha coletividade. Líderes artificiais, inautênticos, animais de laboratórios, genéricos, transgênicos.
No outro dia, de narizes entupidos, amarrados nos para-brisas da existência metálica, gargantas doloridas, olhos ansiosos, barrigas obesas, dilatadas ao vento, na força dos momentos incertos das curvas da estrada de Santos, etc.
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(Bom, até aqui era o que vinha escrevendo, nesta manhã bonita de domingo de outubro, quando a máquina travou (das tantas desobediências que comete no transcorrer das produções bissextas).
Nessa hora, enquanto aguardava o retorno das funções, pensei comigo: Também, cara, tu, numa época dessas de calor e sequidão, ondas gigantes, incêndios de matas, desmatamentos galopantes, bombas nucleares acesas em poder de povoados, resolve desancar a civilização para teu puro deleite doméstico de fim de semana, no teu ócio desse quintal solitário, sem quaisquer conseqüências práticas, lógicas e racionais? Quer destoar, com isso e sem condições algum, o velho coro dos contentes, sem mais nem menos, muito menos autoridade? Baixe a bola, cara, e deixe correr o barco. Logo tu, que vem dos termos memoráveis da estação das flores, The Beatles, Tropicalismo, Cinema Novo, egresso desconfiado sobrevivente da geração perdida dos anos 60, escondido na burocracia dominante, boêmio inveterado, lotado de literatura até dizer chega? E esquecido, nos dias de sol que se apresentam mais constantes e tórridos, das madrugadas esplendorosas e suas alvoradas magistrais? Calma, meu irmão camarada, a toda geração suas contradições e esperanças, e não foste tu que iniciou o projeto do Universo. Jamais queira tirar a alegria dos que riem nas praças ao som das pagodeiras intensas. Deixe transitar, na tela do infinito os dramas cotidianos, mesclados na dança das horas. Viver a vida, sorrir e sonhar. Faça sua parte. “A cada dia se bastam as preocupações de cada dia”. Cumpra o papel que lhe compete, que assim não atrapalha a performance dos outros, nem esgota suas chances de sucesso).
Deste modo, cumpri a promessa feita a mim mesmo de que, caso recuperasse o documento (qual se verificou) me retrataria perante o leitor, em tempo de reavaliar as ideias que vinha chegando um tanto amargosas quanto à atualidade. Desta vez ninguém fala de guerra ou desassossego. Nada disso, pois “há um tempo para o pássaro, há um tempo para o peixe”, do poema de Vinicius de Morais. Esteja pronto a todo instante. Viva a vida com arte!






