
Acredito que a vida guarda uma simetria e semelhança cosmológica e ontológica. Um mundo de fenômenos sutis e invisíveis acontece paralelo ao nosso mundo de fenômenos concretos e visíveis. E muitas das vezes não percebemos, ou seja, não vemos porque não temos ainda sensibilidade para tal. Quantos de nós já se deu conta de uma fonte de luz importante que existe interiormente desligada de nossa consciência? Uma multidão vive num apagão psicológico-espiritual! E por causa disso, não consegue ver e caminhar de forma consciente pelas avenidas, estradas, becos e ruas escuras ou mal iluminadas da realidade. É um transtorno individual e coletivo psico-espiritual. O apagão material é fácil de se perceber imediatamente porque pode ser observado no instante em que acontece. Os sinais estão no contexto social e energético em que vivemos, e dependemos dessa energia que nos é familiar. É o gás que falta; é a lâmpada que não acende; é o televisor que não funciona; é o computador que não liga etc. Nos identificamos com essa energia-tecnologia e pagamos pelo seu uso. E quando tudo deixa de funcionar de uma vez só percebemos que foi um apagão, algo que aconteceu de forma geral em quase todos os lugares em que habitamos e convivemos. E logo queremos uma explicação racional dos motivos ou causas que fizeram acontecer o apagão indesejável. No apagão mais recente as autoridades alegaram interferência atmosférica: um raio atingiu um ponto crucial da malha de distribuição elétrica!!! (????) Outros por sua vez dirão que tem algo mais que não querem trazer à luz os fatos verdadeiros: falta de investimento no setor de gestão da mega-rede elétrica interligada. E assim, comissões de políticos se formam para debater e cobrar uma verdade mais convincente e real. Todos querem a verdade sobre o apagão material! Pois, o prejuízo material-econômico é imenso: perdas de produção na indústria, acidentes nas estradas e cruzamentos, assaltos, cirurgias que são afetadas, indivíduos que sofrem por falha de instrumentos que garantem a sua sobrevivência, bancos que não permitem a retirada do dinheiro etc. O caos!
E o apagão espiritual? Os sinais dele estão no comportamento dos indivíduos em suas atitudes cotidianas. É o consumo de drogas em geral; a violência gratuita; a banalização da vida; o desrespeito aos valores fundamentais-sagrados; a desigualdade e injustiça social; a riqueza concentrada nas mãos de poucos; os muros e cercas que isolam consciências e acirram disputas por mercados ou poder (político ou econômico) ; a corrupção como cultura do mais “esperto” do que o outro; a exploração do trabalho socialmente necessário em detrimento do trabalho espiritual (pessoalmente imprescindível); a massificação de propagandas persuasivas negando ou retirando a oportunidade do outro pensar, decidir e agir por sua própria consciência; a tecnologia que serve para escravizar a mente humana; a aceleração do ritmo de produção e consumo ad infinitum; a destruição e poluição do ecossistema; a exploração dos recursos naturais de forma desequilibrada e desenfreada; a perda da idéia primeira da hierarquia dos processos sutis internos e externos da natureza. É, portanto, a alienação de uma civilização dita “moderna” que mais exclui do que inclui. É a miséria interior em cada um de nós. Pois, 2/3 da humanidade não tem a oportunidade de viver dignamente como seres humanos normais. Uma boa parte da nossa população vive como animal defendendo sua propriedade e ganho material-econômico com unhas e dentes enquanto ao lado alguém sofre e precisa de uma ajuda solidária: uma palavra amiga, um pedaço de chão irmão, um prato de comida saudável, uma oportunidade de trabalho justo etc.
O apagão espiritual é, portanto, a ausência de uma consciência solidária, amorosa e holística. Infelizmente o apagão espiritual continuará porque ainda só enxergamos o apagão material-econômico. Todo nosso viver é para assegurar a luz dos valores materiais-econômicos. Enquanto isso, o caos da escuridão interior ocorre ferozmente destruindo psiques e consciências em desenvolvimento. Nossa civilização está se desabando e escurecendo por falta de luz-consciência-de-si. Hoje, precisamos mais de luz-ontologia do que de luz-tecnologia; mais de homens conscientes do que animais racionais; mais gentileza no agir do que retórica no discursar; mais verdades profundas do que conhecimentos que não falam a língua do Espírito que habita o mundo interior humano. Falta, portanto, a presença de uma super-consciência universal, holística, ética, equilibrada e fraterna em cada mundo individual humano. Sem isso, poderemos até iluminar o planeta todo com luz eletromagnética, mas com certeza escureceremos o mundo interior fazendo com que deixemos de enxergar a fonte de todas as energias e verdades.
Infelizmente nos tornaremos cada vez mais cercados de escuridão, destruição, ignorância de si e infelicidade!
Bernardo Melgaço da Silva
Seja colaborador do Cariri Agora
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
O APAGÃO MATERIAL E ESPIRITUAL
Pensamento para o Dia 13/11/2009

“Abandonar o pequeno “eu” é o que realmente significa renúncia. Isso quer dizer: sublimar cada pensamento, palavra e ação em uma oferta a Deus, saturando todos os atos com intenção Divina. Cultivar o amor é a melhor disciplina espiritual. O amor se dá eternamente e nunca pede algo em troca. Derrame amor sobre os outros e você receberá de volta. Pare de compartilhar o amor e não haverá nada mais para compartilhar. O amor prospera com a renúncia; de fato, eles são inseparáveis.”
Sathya Sai Baba
O Expresso Mundo está chegando

Começa hoje a 11ª Mostra SESC Cariri de Cultura. E hoje também estou abrindo o bar-café "Expresso Mundo", na antiga estação ferroviária do Crato (RFFSA). Um local de alegria, abraços, beijos, paquera, emoções, bate-papo, boa música, encontros, leitura, cultura, despedidas, amizades, amores, e de muitas emoções.
Entre nesse expresso e viva mundos diferentes.
Expresso Mundo, onde todo mundo se expressa.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Programa Cariri Encantado destacará Mostra Sesc Cariri de Cultura
O programa Cariri Encantado de amanhã, 13 de novembro, destacará a 11ª Mostra Sesc Cariri de Cultura, entrevistando Dane de Jade (foto), coordenadora e uma das idealizadoras do evento que é considerado a maior mostra de cultura do interior do Ceará,.
O programa de amanhá veiculará as seguintes músicas:
- Raio de Fogo (Banda Montage)
- Mais Tarde, Mais Forte (Abidoral Jamacaru)
- Asas da Poesia (Gildário de Assaré)
- De Lenda e Cantigas (Zé Nilton)
- Retalhos (Luiz Carlos Salatiel e J. Flávio Vieira)-
- Fraternex (Leonardo Leo, Calazans Callou e Carlos Rafael)
- Calar o Amor (Leninha)
- Kariri com K (Moreira), com Moreira & Morais
- Não Haverá Mais um Dia (Pachelly Jamacaru)
O programa trará ainda as poesias "que futuro tem a poesia", de Chagas, e "livro de veludo", de Domingos Barroso, além de uma crônica de Lupeu Lacerda.
O programa Cariri Encantado é veiculado pela Rádio Educadora do Cariri AM 1020 todas as sextas-feiras, das 14 às 15 horas, com apoio do Centro Cultural BNB Cariri.
A apresentação é de Luiz Carlos Salatiel e Carlos Rafael.
Diversões do Crato nos anos sessenta. – Por Magali de Figueiredo Esmeraldo
Outra grande diversão eram as matinais do domingo no Crato Tênis Clube. Ali também se reunia mocidade. Essa eu podia participar, uma vez que papai e mamãe gostavam de ir, levando toda a família.
Havia também as grandes festas do Crato Tênis Clube à noite, tocadas pelos conjuntos: “Hildegardo e Seu Conjunto”, “Ases do Ritmo” de Hugo Linard e do seu pai, seu Irineu, “Ivanildo e seu Conjunto”, o “Águias” e outros.
Muitas pessoas mesmo sem gostar de dançar iam às festas para apreciar os pares que dançavam muito bem. Quem não se lembra de Salete Libório, dançando com Seu Libório, Paulo Leonardo e Vanda, Mariquinha Feitosa e seu esposo, todos eles casais “Pés de Valsa” do Crato daquela época.
No carnaval havia festas no Crato Tênis Clube que eram bastante conhecidas. Muitos foliões vinham de fora para passar o carnaval em Crato. Durante os festejos carnavalescos, além das matinais do domingo e da terça-feira, à noite o clube ficava iluminado para mais um baile de carnaval. Na quarta-feira de cinzas, todos que estavam na festa saiam acompanhando a orquestra para o encerramento do carnaval na Praça Siqueira Campos. A Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB) promovia também muitas festas e carnavais. No carnaval de rua, havia o corso. Eram vários carros desfilando com todos bem fantasiados.
Lembramos também dos cinemas que eram muito freqüentados, o Moderno, o Cassino e a Educadora.
Outra coisa que ficava lotada era a Quadra Bicentenária para as partidas do futebol de salão.
A Praça Siqueira Campos enchia-se de jovens nos fins de semana. Era de lá que os jovens marcavam encontro para irem aos cinemas, às tertúlias ou outros programas como serestas e luaradas.
A Praça da Sé era um local para os casais namorarem nos bancos, à sombra dos oitiseiros e outras árvores. Era mais sossegada do que a Praça Siqueira Campos. Em setembro, durante a Festa da Padroeira, a praça ficava toda iluminada, repleta de barracas de cachorro quente, pipoqueiros, vendedores de filhós, charutos, roletes de cana, bombons, enfim comida para todos os gostos. Uma multidão de cratenses enchia a praça, para assistir a novena e participar das atrações.
Outro evento conhecido no Crato e que já era muito animado nos anos sessentas, era a Exposição Agropecuária. A casa dos meus pais fica localizada na Rua Leandro Bezerra, subida para a Exposição. Eu e minhas amigas sentávamos em uma pequena mureta que acompanhava o jardim da nossa casa. Ficava impressionada com a quantidade de pessoas que passava em direção a Exposição. Hoje o fluxo de pessoas é muito maior.
Falar do Crato dos anos sessenta, não é tirar o mérito do Crato de hoje. É só para lembrar que os jovens ou adolescentes daquela época, que hoje estão chegando aos sessenta anos, que aquele era um tempo feliz. Podemos contar para os filhos e netos que no futuro também irão relembrar os momentos felizes da juventude deles, pois “recordar é viver”.
A infância, a adolescência e a juventude, são fases da nossa vida que servem para alicerçar a vida adulta. São essas experiências vividas na infância e juventude, que nos fizeram amadurecer para nos tornamos adultos equilibrados e felizes.
Por Magali de Figueiredo Esmeraldo
Juazeiro terá encontro de iniciação científica
O II Encontro de Iniciação Científica/I Encontro de Extensão será promovido pela Faculdade Paraíso do Ceará – FAP com a temática Em busca da Responsabilidade Social Acadêmica, e tem por objetivo discutir as questões relacionadas às pesquisas de caráter social. É intuito desse encontro: despertar a vocação para a produção científica no meio acadêmico e socializar os trabalhos de Iniciação Científica e Extensão desenvolvidos por estudantes e professores do ensino superior, com ênfase na produção da região do Cariri cearense. O evento é aberto ao público em geral e conta com palestras, apresentação de trabalhos, mini-cursos e atividades culturais.
Camilo Santana apóia prefeito de Juazeiro com programa leite fome zero
Com apoio do secretário de Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará, Camilo Santana, a cidade de Juazeiro será incluída no Programa Leite Fome Zero. O contato foi feito pelo próprio secretário com o prefeito de Juazeiro Dr. Santana, que agradeceu o apoio. O Programa Leite Fome Zero consiste numa parceria do Município com os governos Federal e Estadual para distribuição de leite com famílias previamente cadastradas e de baixa renda. O Secretário Camilo Santana o programa é fundamental para a população carentes dos municípios, e agora, Juazeiro poderá atender às famílias que realmente precisam desse benefício.
Jogos estudantis de Juazeiro serão abertos hoje
A Prefeitura realiza nesta quinta-feira, 12, a abertura oficial dos Jogos Estudantis de Juazeiro do Norte (JEJUNOS). O prefeito Dr. Santana vai abrir pessoalmente os jogos, às 16 horas, no Ginásio Poliesportivo. De acordo com o secretário Aurélio Matias será a oportunidade para os estudantes poderem se unir cada vez mais, praticar esportes, trocar experiências e disputar de forma sadia o título de campeão dos jogos.
Os JEJUNOS 2009, contarão com a participação de 79 escolas, totalizando cerca de 3.000 jovens atletas, com quinze modalidades esportivas: atletismo, judô, karatê, capoeira, natação, tênis de mesa, xadrez, basquetebol, futsal, handebol, voleibol, vôlei de praia, carimba, câmbio e futebol de campo. As partidas foram distribuídas e acontecerão no Estádio Romeirão, Ginásio Poliesportivo, e nas quadras do CERE, SESI, Colégio Salesianos e Escola Lili Neri. Os jogos prosseguem até o dia 19 de novembro.
Pensamento para o Dia 12/11/2009

“A atitude correta de um devoto deveria ser de uma total rendição. Como um devoto declarou, ‘Estou lhe oferecendo o coração que Você me deu. Não tenho nada que possa chamar de meu, pois tudo pertence a Você. Eu Lhe ofereço o que é Seu.’ Enquanto este espírito de entrega não for desenvolvido, o homem terá que nascer repetidas vezes. Deve-se oferecer o próprio coração ao Divino e não se contentar em oferecer apenas flores e frutos.”
Sathya Sai Baba
Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária
Música – COMPOSITORES DO BRASIL
14h Programa de Rádio na Educadora do Cariri AM. 180min.
Atividades Infantis - HORA DO RECREIO
Local: Liceu Anderson B. Carvalho (Juazeiro do Norte)
13h30 Reisado Manoel Messias. 30min.
Local: E.E.M Gov. Adalto Bezerra (Juazeiro do Norte)
14h30 Reisado Manoel Messias. 30min.
Local: E.E.F.M Maria Amélia Bezerra (Juazeiro do Norte)
16h Reisado Manoel Messias. 30min.
Literatura/Biblioteca - OFICINA DE FORMAÇÃO ARTÍSTICA
15h Contadores e Contamores. 240min.
Literatura/Biblioteca - BIBLIOTECA VIRTUAL
18h Noções Básicas de Utilização da Internet. 180min.
Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte
Fone (88) 3512.2855 - Fax (88) 3511.4582
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
11ª Mostra SESC Cariri de Cultura será aberta nesta sexta-feira
O evento conta com homenagem da Câmara do Crato ao presidente do Sistema Fecomércio, Luís Gastão Bittencourt, com entrega do título de Cidadão Cratense em reconhecimento aos benefícios que o Sistema Fecomércio tem desenvolvido na Região do Cariri, em especial pelo município do Crato, a Câmara Municipal do Crato, por unanimidade, concede o título de Cidadão Cratense ao presidente da Fecomércio Luís Gastão Bittencourt.
Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária
Dia 11/11, quarta-feira
Atividades Infantis - HORA DO RECREIO
Local: E.E.F. Julita Farias. (Caririaçu)
15h30 A Triste Partida. 20min.
Atividades Infantis - ARTE RETIRANTE
Local: Caririaçu
16h 100 Canal: Casa de Sementes Senhor dos Exércitos. 5min.
16h05 Sessão Curumim: Espanta Tubarões. 89min.
Literatura/Biblioteca - OFICINA DE FORMAÇÃO ARTÍSTICA
15h Contadores e Contamores. 240min.
Literatura/Biblioteca - BIBLIOTECA VIRTUAL
18h Noções Básicas de Utilização da Internet. 180min.
Atividades Infantis - ARTE RETIRANTE
Local: Sítio Belorizonte, Distrito de Lameiro (Crato)
19h Os Piratas que Não Fazem Nada. 85min.
Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte
Fone (88) 3512.2855 - Fax (88) 3511.4582
YUNG E A PERCEPÇÃO DO REAL
"O ideal e objetivo da ciência não consistem em dar uma descrição, a mais exata possível, dos fatos - a ciência não pode competir com a câmara fotográfica ou com o gravador de som - mas em estabelecer a lei que nada mais é do que a expressão abreviada de processos múltiplos que, no entanto, mantêm certa unidade. Este objetivo se sobrepõe, por intermédio da concepção, ao puramente empírico, mas será sempre, apesar de sua validade geral e comprovada, um produto da constelação psicológica subjetiva do pesquisador. Na elaboração de teorias e conceitos científicos há muita coisa de sorte pessoal. Há também uma equação pessoal psicológica e não apenas psicofísica. Enxergamos cores, mas não o comprimento das ondas. Esta realidade bem conhecida deve ser levada em conta na psicologia, mais do que em qualquer outro campo. O efeito dessa equação pessoal já começa na observação. Vemos aquilo que melhor podemos ver a partir de nós mesmos. Assim, vemos, em primeiro lugar, o cisco no olho do irmão. Sem dúvida o cisco está lá, mas a trave está no nosso olho - e pertubará de certa forma o ato de ver. Desconfio do princípio da "pura observação" na assim chamada psicologia objetiva, a não ser que nos limitemos á lente do cronoscópio, taquistoscópio e outros aparelhos "psicológicos". Assim nos garantimos também contra uma demasia exploração dos fatos psicológicos da experiência. Esta equação pessoal psicológica aparece mais ainda guando se trata de expor ou comunicar o que se observou, sem falar da concepção e abstração do material experimental. Em parte alguma, como no campo da psicologia, é exigência absolutamente básica que o observador e pesquisador sejam adequados a seu objeto, no sentido de serem capazes de ver uma e outra coisa. Exigir que só se olhe objetivamente nem entra em cogitação, pois isto é demais. O fato de a observação e a interpretação subjetivas concordarem com os fatos objetivos prova a verdade da concepção apenas na medida em que esta última não pretenda ser válida em geral, mas tão-somente para aquela área do objeto que está sendo considerada. Nesse sentido, é exatamente a trave no nosso próprio olho que nos possibilita ver o cisco no olho do irmão. E nesse caso a trave no nosso olho não prova que o irmão não tenha um cisco no seu olho, como ficou dito. Mas a pertubação de nossa visão leva facilmente a uma teoria geral de que todos os ciscos são traves. Reconhecer e levar em consideração o condicionamento subjetivo dos conhecimentos em geral e dos conhecimentos psicológicos em particular é a condição essencial e correta de uma psique diferente da do sujeito que observa. Esta condição só será satisfeita quando o observador estiver suficientemente informado sobre a extensão e a natureza de sua própria personalidade. E só poderá estar suficientemente informado quando se tiver libertado da influência niveladora das opiniões coletivas e, assim, tiver chegado a uma concepção clara de sua própria individualidade" (p.25-27).
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Pela esquerda ou pela direita?
Sem arrodeios, existem duas regras, básicas, de trânsito que são desrespeitadas diariamente e que sozinhas devem representar a maior parte os acidentes em nossos dias: ultrapassagens proibidas pela direita; e guardar a faixa da esquerda sem pretender nenhuma ultrapassagem. Todos nós, dirigindo carros, motos ou dentro de algum transporte coletivo, por algum tempo, durante o dia estamos expostos a este tipo de situação.De maneira geral, ultrapassar exclusivamente pela esquerda é regra NUNCA obedecida pelos motoqueiros. É impressionante! A motocicleta deve passar esta “impressão” ao condutor de “donos da situação”, seres intocáveis, perfeitos, incapazes de cometer erros de cálculo no tempo de uma ultrapassagem ou até mesmo da capacidade de reagir a um movimento inesperado de um motorista que será ultrapassado. Não é raro encontrarmos motoristas de carros, grandes ou pequenos, cometendo a mesma séria infração. O fato é que, exceto raríssimas exceções e ai me incluo, TODOS ultrapassam pela direita! Levados, talvez, pela impaciência de esperar infinitamente a hora em que o “magnífico” motorista à sua frente resolva tomar à faixa da direita e liberar a via, de ultrapassagem, para ultrapassagem.
Já deu pra notar que, atribuo parte dos problemas de trânsito aos que guiam veículos de 2 rodas, mas tenho meus argumentos. Quantos motoqueiros, em cada 10 que você conhece, têm carteira? Não conheço a estatística oficial, mas já ouvi dizer que seriam 4, ou até mesmo 5, “sem habilitação” na região do CRAJUBAR. Se partimos para cidades vizinhas esse número deve subir para 6 ou 7! Ou seja, não passaram pelos exames, muito menos pela preparação necessária ao entendimento de todas as regras de legislação e primeiros-socorros no trânsito. Quem nunca viu uma moto deitada no chão ao lado de algum desatento ou desafortunado motoqueiro? Estes são levados a conhecerem seus limites quando são abalroados e caem vítimas de sua própria imprudência ou imperícia. A desvantagem das motos é que não há cintos de segurança, nem air-bags, e que o pára-choque normalmente é a cabeça, tórax ou os membros do condutor e garupeiro.
Quero deixar uma mensagem aos, nobres, motoristas “proprietários das faixas da esquerda” dizendo: “Deixem-nos passar!”. Vocês também precisarão disto uma hora! Deixem o orgulho de lado, digo a ignorância, e entendam que não tem direito exclusivo do uso da faixa, apenas porque chegou ali primeiro! Quer chegar em primeiro lugar? Vá a um autódromo! Lá você pode ter sua chance. Arrisco dizer que, esse gesto evitaria pelo menos metade dos acidentes com moto que ocorrem, muitas vezes, da desatenção do motorista que trafega pela esquerda e devido à imprudência de motoqueiro que insiste em ultrapassar pela direita. Apelo também aos gestores do trânsito local que promovam campanhas educativas! Divulguem as estatísticas de acidentes e infrações. Fiscalizem veículos e condutores. Punam os infratores! A educação é ponto fraco de nossa nação. A educação no trânsito, ou a FALTA de educação, vem fazendo vítimas a todo instante. Não sejamos as próximas.
Dimas de Castro e Silva Neto
pela University of Birmingham e Professor do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri
Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária
Dia 10/11, terça-feira
Música - CULTURA DE TODO MUNDO
14h Programa de Rádio na Educadora do Cariri AM. 180min.
Artes Cênicas - OFICINA DE FORMAÇÃO ARTÍSTICA
15h Contadores e Contamores. 240min.
Atividades Infantis - HORA DO RECREIO
Local: E.E.F. Arara Azul. (Caririaçu)
15h30 A Triste Partida. 20min.
Literatura/Biblioteca - BIBLIOTECA VIRTUAL
18h Noções Básicas de Utilização da Internet. 180min.
Cinema - 100 CANAL
18h30 Mulheres Rurais. 5min.
Cinema - IMAGEM EM MOVIMENTO
18h35 Estorvo. 95min.
Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte
Fone (88) 3512.2855 - Fax (88) 3511.4582
Câmara de Juazeiro aprova lei que proíbe cobrança da taxa de esgoto
Por Mirelly Morais (do Jornal do Cariri)A cobrança da taxa de esgoto no município de Juazeiro do Norte há muito vem sendo questionada. A população reclamou e foi ouvida pelos poderes públicos. A Câmara Municipal aprovou um projeto de Lei que proíbe a cobrança da taxa de esgoto pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). O projeto foi sancionado pelo prefeito Manoel Santana e virou Lei. Restam agora, aos poderes municipais, as medidas cabíveis ao cumprimento da Lei.
O contrato de concessão dos serviços entre a prefeitura e a Cagece foi realizado, no ano de 2003, pelo então prefeito Carlos Cruz e deve durar por 30 anos. A Lei versa que a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (CAGECE) fica proibida de cobrar tarifa referente à taxa de esgoto no município de Juazeiro do Norte, até que se conclua o saneamento básico e seja oferecido um serviço de qualidade à população.
O vereador Roberto Sampaio Lima (PSB), autor do projeto, declarou-se muito feliz com a sanção da lei. Segundo ele, “era uma luta antiga para tentar combater a famigerada taxa de esgoto”. De acordo com o vereador, “o saneamento básico de Juazeiro é uma farsa, nunca houve saneamento na cidade”. Sampaio acrescentou que “essa Lei representa o marco de uma luta antiga da população” e que a Cagece, independente do acordo contratual, deve seguir a determinação da Lei municipal.
De acordo com o presidente da Casa, José de Amélia Júnior (PSL), a Lei é totalmente constitucional e legal, não podendo ser questionada. Porém, ele alerta que não tem eficácia imediata, podendo passar a valer somente decorrido o prazo do contrato atual entre a Cagece e a prefeitura de Juazeiro, que foi realizado com base em Lei anterior.
Versão questionada pelo vereador Gledson Bezerra (PTB), que alertou sobre a aplicação da Lei dizendo que esta pode vir a ser questionada, porém, de imediato, deve-se fazer valer o seu cumprimento. Pois de acordo com ele, “a Lei é sim de aplicação imediata”. Segundo ele, a partir da publicação, a população deve parar de pagar a taxa de esgoto, “até que a Cagece, sentindo-se prejudicada, acione o judiciário para que este resolva o caso”, conclui Gledson. A Cagece foi procurada pela reportagem para pronunciar-se a respeito, mas alegou ainda não ter sido oficialmente comunicada da decisão.
No palco, 16 companhias de teatro do Cariri
Por Vitória Régia (do Jornal do Cariri)Descrita como forma de reconhecer, incentivar, fortalecer e divulgar a produção dos dramaturgos e encenadores da região, a 1ª Guerrilha do Ato Dramático Cearense acontece e efetiva sua proposta em quase todo o mês de novembro, desde o dia 7. Contando com a apresentação de 16 espetáculos de companhias daqui, sendo seis peças infantis e 10 adultas, as quais se apresentam em praças públicas do Crato.
Conforme o professor e dramaturgo Cacá Araújo, esse festival contribuiu com mais força aos profissionais do teatro. Para estarem em atividade, eles têm de ultrapassar problemas financeiros, pouca oportunidade de aprendizagem de técnicas e raros contatos com artífices de sucesso, o que prejudica intimamente o processo de produção.
Dificuldades que foram dribladas com a criação de uma cooperativa de artes cênicas para o Cariri. “Esses grupos isolados tem um baixo poder de fogo. Juntos têm mais chance de captar recursos”, disse Cacá. Mas o benefício não chega somente aos artistas. Os organizadores têm a pretensão de humanizar o público, o que é prioridade em seus trabalhos e usam para isso, alguns elementos da arte.
Sobre o papel de formação, o professor protesta: “não podem fazer música, poesia, peças e qualquer outra obra sem levar em conta a história de um povo”. Os guerrilheiros visam até contribuir com o turismo cultural. Sim, porque segundo o professor, o turista quer conhecer outra cultura e não chegar aqui e ver a dele. O que torna tão importante a ação de fortalecer a cultura local.
Padre Pedro Inácio Ribeiro - O Santo do Sertão
Nascido em Missão Velha, em 19 de maio de 1902, Pedro Inácio passou sua infância e juventude na cidade de Crato. Sentindo inclinação para o sacerdócio estudou no Seminário São José de Crato e no Seminário da Prainha, em Fortaleza, vindo a ser ordenado sacerdote no dia 17 de abril de 1927, na Catedral de Nossa Senhora da Penha de Crato, pelo primeiro bispo da diocese, Dom Quintino. Em 1º de janeiro de 1930 assumiu a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, de Brejo Santo, onde permaneceu até a data do seu falecimento, ocorrido em 3 de janeiro de 1973.
Em Brejo Santo seu sacerdócio não foi vivido mediante obras especiais ou de caráter extraordinário, mas sim na fidelidade cotidiana do exercício do ministério que abraçou. Reside aí, provavelmente, a dimensão da santidade sacerdotal atribuída ao Padre Pedro Ribeiro. Na verdade, ele viveu seu sacerdócio na consistência do amor a Cristo e a sua Igreja; no amor aos pobres e necessitados; na compaixão pelas almas desviadas e no amor pela pregação do Evangelho de Jesus Cristo. Aliado a tudo isso, a simplicidade, mansidão e humildade de que era dotado o Padre Pedro Ribeiro contribuíram para ele conquistar o afeto de adultos e crianças. Todos em Brejo Santo tinham carinho por seu pastor.
O trabalho missionário de Padre Pedro não foi feito somente no município de Brejo Santo. Durante alguns anos ele deu assistência ao povo da cidade e da zona rural de Porteiras, conforme atesta o historiador Napoleão Tavares Neves, no texto “O Padre Pedro que conheci”, escrito a partir da leitura feita por ele do opúsculo “O Santo do Sertão–Uma biografia”, publicado pela Fundação Memorial Padre Pedro Inácio Ribeiro, de Brejo Santo.
Segundo Maria Santana Leite – na monografia “Pequena História da Paróquia de Brejo Santo”: “O Padre Pedro foi sempre um pai espiritual para todos os paroquianos. Estava sempre preocupado com os agricultores sofridos, especialmente na época da seca, quando as famílias pobres da zona rural passavam necessidades. Era um entusiasta com a catequese das crianças a quem dedicava um carinho todo especial, participando das aulas de catecismo, levando-as a passear em momentos de lazer, promovendo brincadeiras, além de distribuir moedas e pequenos brindes à criançada.
“Evangelizou mais com seu desprendimento das coisas materiais, sua vida de oração, adoração e contemplação; pelo seu testemunho de vida, do que mesmo pelas pregações, embora nunca deixasse de fazer as homilias por mais simples que fosse. A tônica de suas pregações era sempre o amor, a partilha, a vida de santidade. Sua metodologia era a do perdão. Pregava um Deus Pai amoroso, misericordioso. Nunca julgava nem condenava ninguém, pelo contrário incentivava e conduzia à conversão. “Além do Sagrado Coração de Jesus, era devotíssimo de Maria Santíssima, de Santa Teresinha do Menino Jesus e de São Geraldo”.
Nos últimos quinze anos de sua vida, Padre Pedro Inácio Ribeiro foi acometido de forte reumatismo que o deixou paralítico. Nos tempos finais perdeu também a visão. Nunca reclamou de nenhuma dessas provações.
Ele foi, enfim, um sacerdote bom, piedoso e santo, que fez um bem imenso aos seus paroquianos.
(*) Armando Lopes Rafael , colaborador deste blogue, é historiador. O artigo foi publicado no Jornal do Cariri, edição de 10 a 16/11/09.
Pela esquerda ou pela direita?
De maneira geral, ultrapassar exclusivamente pela esquerda é regra NUNCA obedecida pelos motoqueiros. É impressionante! A motocicleta deve passar esta “impressão” ao condutor de “donos da situação”, seres intocáveis, perfeitos, incapazes de cometer erros de cálculo no tempo de uma ultrapassagem ou até mesmo da capacidade de reagir a um movimento inesperado de um motorista que será ultrapassado. Não é raro encontrarmos motoristas de carros, grandes ou pequenos, cometendo a mesma séria infração. O fato é que, exceto raríssimas exceções e ai me incluo, TODOS ultrapassam pela direita! Levados, talvez, pela impaciência de esperar infinitamente a hora em que o “magnífico” motorista à sua frente resolva tomar à faixa da direita e liberar a via, de ultrapassagem, para ultrapassagem.
Já deu pra notar que, atribuo parte dos problemas de trânsito aos que guiam veículos de 2 rodas, mas tenho meus argumentos. Quantos motoqueiros, em cada 10 que você conhece, têm carteira? Não conheço a estatística oficial, mas já ouvi dizer que seriam 4, ou até mesmo 5, “sem habilitação” na região do CRAJUBAR. Se partimos para cidades vizinhas esse número deve subir para 6 ou 7! Ou seja, não passaram pelos exames, muito menos pela preparação necessária ao entendimento de todas as regras de legislação e primeiros-socorros no trânsito. Quem nunca viu uma moto deitada no chão ao lado de algum desatento ou desafortunado motoqueiro? Estes são levados a conhecerem seus limites quando são abalroados e caem vítimas de sua própria imprudência ou imperícia. A desvantagem das motos é que não há cintos de segurança, nem air-bags, e que o pára-choque normalmente é a cabeça, tórax ou os membros do condutor e garupeiro.
Quero deixar uma mensagem aos, nobres, motoristas “proprietários das faixas da esquerda” dizendo: “Deixem-nos passar!”. Vocês também precisarão disto uma hora! Deixem o orgulho de lado, digo a ignorância, e entendam que não tem direito exclusivo do uso da faixa, apenas porque chegou ali primeiro! Quer chegar em primeiro lugar? Vá a um autódromo! Lá você pode ter sua chance. Arrisco dizer que, esse gesto evitaria pelo menos metade dos acidentes com moto que ocorrem, muitas vezes, da desatenção do motorista que trafega pela esquerda e devido à imprudência de motoqueiro que insiste em ultrapassar pela direita. Apelo também aos gestores do trânsito local que promovam campanhas educativas! Divulguem as estatísticas de acidentes e infrações. Fiscalizem veículos e condutores. Punam os infratores! A EDUCAÇÃO é ponto fraco de nossa nação. A educação no trânsito, ou a FALTA de educação, vem fazendo vítimas a todo instante. Não sejamos as próximas.
* Dimas de Castro e Silva Neto, colaborador deste blogue, é Engenheiro Civil, Mestre em Gerenciamento da Construção pela University of Birmingham e Professor do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri. Artigo publicado no Jornal do Cariri, edição de 10 a 16/11/09.
ÉTICA - MAURÍCIO C. DELAMARO
PARTE DA TESE DE DOUTORADO DEFENDIDA, EM 1997 NA COPPE/UFRJ, POR MAURÍCIO CÉSAR DELAMARO:
“Numa primeira aproximação, digo que a Ética surge como ciência do ethos. Ou, como saber racional sobre o ethos. Nela está presente a centralidade do logos discursivo.
Para Aristóteles - que, seguindo Sócrates e Platão, se propõe a constituir a Ética com um estatuto de saber autônomo - a existência do ethos é indiscutível. O ethos se apresenta, primeiramente, como “costume, esquema praxeológico durável, estilo de vida e ação”. Neste sentido, ethos é morada do homem. Torna o mundo habitável, pois rompe com o reino da natureza ou physis - caracterizado pela regularidade e onde impera a necessidade - para abri-lo ao reino da liberdade, onde imperam os costumes, os hábitos, as normas, os interditos, os valores e as ações significantes. O ethos é “morada a partir da qual a realidade se descobre como dotada de significação e valor”. A sua característica de durabilidade não significa que o ethos em tanto que espaço existencial humano possa vir a ser, em qualquer tempo, uma morada pronta e acabada. Cabe ao homem, incessantemente, reconstruí-la.
Num segundo sentido, ethos diz respeito aos hábitos apreendidos pelo sujeito singular, graças à repetição. O ethos, aqui, manifesta-se como constância no agir que se contrapõe aos impulsos do desejo e das paixões. A constância, adquirida pela repetição dos mesmos atos, não advém do reino da necessidade que é a physis, mas, sim, do ethos, em tanto que costume.
Uma questão fundamental. O ethos como costume, estilo de vida e ação; enfim, como morada; embora construído e incessantemente reconstruído, não é pura invenção e criação da arbitrariedade humana. Ele é o espaço, por excelência, onde se manifesta o finalismo do Bem. É um espaço teleológico. É na morada do ethos “que o logos torna-se compreensão e expressão do ser do homem como exigência radical do dever ser ou do Bem”. O ethos, então, não é pura e simplesmente construção do homem tal qual ele se apresente, casuisticamente, nas diversas épocas histórico-culturais; é, antes, espaço de auto-construção do homem segundo uma finalidade que é sua: o Bem.
A articulação entre ethos como morada e ethos como hábito pode, então, aparecer. O primeiro é o conjunto de princípios, normas e estilos que plasmam o segundo. Quando a praxis humana - não acidental, mas regida pela constância do hábito - está conforme ao ethos como morada - ela pode ser chamada ética. E o hábito, aí, é virtude.
Esses dois momentos do ethos é que possibilitam Platão a edificar a ciência do ethos não apenas como ciência da Justiça e do Bem, mas, também, como ciência da ação boa e justa, que é ação segundo o hábito que é virtude. É justamente a ação humana - que, repito, é o percurso entre o que o agente é e o que o agente tende a ser, segundo o finalismo da ação - que representa a instância mediadora entre a universalidade abstrata do ethos como costume e a universalidade singularizada do agente no ethos como hábito.
A concepção do ethos como espaço teleologicamente orientado para o Bem - ou “como a face da cultura que se volta para o horizonte do dever-ser ou do Bem” - é congruente com a formulação de uma ciência do ethos como ciência do Bem. Mas, para tanto, a Ética deferia ser fundada sobre um tipo de conhecimento ou saber absolutamente primeiro: uma ontologia. Ela depende da possibilidade de se chegar ao conhecimento do logos do ser, a uma arqué panton - um princípio de tudo -, um Absoluto transcendente, eterno, imutável. A forma de se chegar a tal conhecimento seria a contemplação, ou teoria. Então - entendendo teoria como era entendida por Platão e Aristóteles, ou seja, como contemplação do Absoluto - podemos perceber a Ética como instância mediadora entre a teoria e a praxis.
A teoria e a praxis expressam dois modos do homem ser, com posturas específicas frente ao mundo. A teoria está “voltada para as coisas, aliás, em última análise, para aquilo que, nas coisas, (é) imutável, eterno, divino. Ela pretende articular um saber apodíctico da ordem universal de todas as coisas em suas estruturas essenciais. Através desse saber, o homem entrava em sintonia com a harmonia da ordem cósmica e se assemelhava ao ser divino, pensando como contemplação pura”. A praxis, em contrapartida, refere-se à ordem do contingente e do condicionado: aos modos concretos de viver institucionalizados na convivência dos homens através dos costumes e estilos que regulam e sustentam as formas concretas de ser homem. No entanto, é dentro desse mundo condicionado que está em jogo a conquista da humanidade do homem: a praxis é “ação através de que o homem se faz homem, isto é, através de que suas potencialidades se atualizam e ele conquista seu ser,(...) é a ação dos homens na busca de si mesmos, e o realizar-se do homem na ação pela mediação da ação, é, em última análise, auto-construção do homem segundo a ordem cósmica universal”. E, como a teoria tematizava a ordem universal, perante a qual o homem situa sua ação, o papel primeiro da Ética como ciência era o de oferecer ao saber prático os pressupostos gerais da ação, sempre adequados à teoria.
Eis, aqui, o porquê da Ética não ser pura e simplesmente a codificação racional do ethos histórico vivido por uma comunidade. Mais que codificadora, ela tem um papel de crítica, de reforma, de atualização e revigoramento dos costumes e instituições vigentes em determinado momento histórico, pois que busca adequá-los aos pressupostos gerais advindos das intuições da teoria e, em suma, do Absoluto eterno, a-histórico, transcendente.
Faço notar, ainda, que o fundamento primeiro - o Absoluto, que é origem de tudo, princípio absoluto, causa inicial - é também causa final ou objetivo último da vida humana. Tal concepção foi trabalhada filosoficamente de distintas formas na história do ocidente, mas permaneceu uma constante em diversas de nossas modernidades. Por exemplo, o Bem platônico, a Natureza aristotélica e o Deus cristão são, ao mesmo tempo, causa inicial e final. A busca humana desse Bem fundamental último está articulada a bens que lhe são subalternos, cuja vivência concreta pelo sujeito singular e histórico dá-se como exercício de virtudes. Cada uma dessas vivências é “... como uma atualização de uma excelência segundo um fim não redutível ao indivíduo-tal-como-ele-é, mas que o molda, através da moral, para ser tal-como-ele-deve-ser-segundo-o-fim-que-é-seu”.



