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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O gol - Emerson Monteiro

Início dos anos 70, tempos blindados e sonhos lotéricos também na Miranorte, cidadezinha do atual estado de Tocantins, onde Alemberg viveu parte de sua infância e guardou muitas histórias como esta que vamos contar.
Numa tarde de domingo, após a feijoada do meio-dia, na sala de visita de seu Luiz Torneiro, os amigos se achavam reunidos para acompanhar os jogos da Esportiva pelo País a fora. Na verdade era essa a diversão maior da semana.
Dona Iracema bem que se esforçava para dar de conta dos tira-gostos improvisados. Uns poucos aperitivos quentes e a festa enchiam todas as medidas, depois dos buchos cheios de feijão preto e dobradinha do almoço.
Lá pelas cinco e meia, a maioria dos placares recolhidos atendia ao cartão da apostas de seu Luiz, que muito se alegrava na transmissão da partida principal: no Maracanã. Jogavam Flamengo e Fluminense. Excluídos dois vascaínos da roda, os outros sete torciam pelo rubro-negro da Gávea, opção cravada sem sombra de dúvidas no sonho dos treze pontos.
A noite se definia calorenta, apesar de ligeira brisa que entrava pela janela da sala abafada. Sofá e poltronas pareciam mais aquecedores do que conforto, quando a soma dos pontos principiou a esfriar o sangue da turma com a hipótese do sucesso integral dos palpites. Nove jogos completados e o território ficava pequeno para tanta expectativa.
Seu Luiz chamou um dos filhos e passou as instruções:
- Vá na venda e pegue, adiantado, três brahmas geladas. - Percebeu que denunciava a certeza suada na vitória, mas disfarçou, acrescentando: - Traga também duas latas de quitute, que as coisas vão melhorar mesmo.
Compadre Zé Pedro administrava a totalização dos pontos, de ouvido ligado no receptor a válvulas, lápis e papel na mão. Outro resultado favorável, e a sorte se oferecia dadivosa.
Veio o material requisitado na bodega e a notícia se espalhara pela redondeza, arrebanhando os primeiros perus, que engrossaram o grupo e agitaram a casa. No meio do labacéu apenas uma figura permanecia quieta, desconfiada, impaciente da sala para a cozinha. Dona Iracema parecia concentrada na devoção ao santo para o empurrãozinho que faltasse. Ainda assim, cuidou com zelo de esquentar as conservas numa vasta travessa, combinadas de tomates e farinha que dessem para atender a todos.
Outros jogos se completavam e emoção grande se reservava do décimo primeiro ao décimo segundo. Houvesse saldo, teriam espocados os primeiros rojões. No entanto ouviam-se apenas os gritos estridentes da numerosa torcida. Restava aí tão só o garboso Fla X Flu. E tomem choro e gemidos.
Pelo visto, a fortuna sorriria naquela casa, naquela tarde. Daria Flamengo na cabeça, pois a partida pendia para seu término e o time garantia com facilidade o 2 x 1.
Daí generalizou-se a tensão, parecido como se os circunstantes sentissem a gravidade do momento. Por certo cada qual se punha no lugar da família de seu Luiz, em vias de realizar grande transformação. Passaria de pobre a rico, num golpe do destino. E escutaram, vindo de dentro do quarto, pungente a reza da dona Iracema, devota respeitável na frente do santuário. O locutor tremia a voz, como se vivesse o drama distante. Mãos suadas. Atenção redobrada nos lances de pequena área. E o tempo cooperando.
43 minutos do segundo tempo. 44. 45, e os descontos. Nessa hora, uma falta na cabeça da grande área a favor do Fluminense. Barreira formada, derradeiro cartucho, escaramuça debaixo das traves, e o tricolor converte:
- Gooooooooooooool! - de dentro do quarto, a explosão de alegria da fiel companheira de seu Luiz, braços aos céus, num gesto de agradecimento.
A princípio, calculou-se ter a mãe da família desvairado, produto da frustração que todos transpareciam, isso para susto de seu Luiz, que foi dizendo:
- Mas Iracema o gol foi do time adversário, e nós perdemos os treze pontos. Por que essa manifestação de alegria? - indaga receoso.
- Não é isso, não, Luiz. É que antonte faltou tempero em casa e com o dinheiro que deste para o jogo eu comprei foi os legumes e a perna de porco que vocês comeram no almoço de meio-dia, homê.

(Do livro Cinema de Janela, Terceira Margem Editora, São Paulo, 2001).

VAMOS DAR O TROCO – 50 000 VOTOS CONTRA

Pedro Esmeraldo

Com freqüência, estranhamos os últimos acontecimentos ocorridos no Crato.
Não suportamos mais essa disparidade que “há constantemente aqui” no Crato. Submergindo o espírito do cidadão comum, cobrindo de lama podre a cidade do Crato, o que ocorre no momento é querer danificar o patrimônio da cidade.
Já perdemos o centro de lazer do SESI, tudo isto provocado pelas conversas mexeriqueiras de alguns habitantes da cidade vizinha, que vivem zombando da nossa terra, arrastando tudo que temos de bom.
Constantemente, um senhor absolutista quer tirar do Crato um naco de terra e incorporar ao município de Barbalha, pois querem nos convencer que é melhor para o Cariri. Avisamos, porém, que ninguém é trouxa para não entender essa conversa atoleimada desse maldito povo que tem por objetivo dilacerar o Crato.
Se observássemos que são bem articulados pelo poder público, visto que, assim pensamos, tem apoio das falanges governamentais que fazem vista grossa, zombando da nossa paciência. Levam tudo que temos, sempre acobertados pelo apoio dos políticos da capital do estado.
A população ansiosa se encontra revoltada devido a desigualdade que há; assim, a história se repete: o fechamento do SESI e a penetração da terra do Crato para favorecer o município de Barbalha, torna-se um método abusivo que talvez seja manobrado pela vizinhança, pois o chefe do IBGE local é um cidadão entorpecente e amigo do pessoal da cidade inimiga.
Pensando bem, utilizamos um poder filosófico: “quem tem besta não compra cavalo.” Nesse caso, desejam justificar o que eles fizeram, penetrando na cidade de Barbalha, na localidade denominada de Lagoa Seca. Agora querem limpar a barra apresentando a história de um aparelho que não sabemos por que motivos fazem essa palhaçada discordante.
Nos últimos dias, observamos uma desigualdade de tratamento, proveniente do nosso governador, visto que dá prioridade a outra cidade deixando o Crato caminhar no desprezo total, pois tudo que vem é somente para beneficiar a cidade de Juazeiro do Norte.
Se levarmos em conta que um pai possui uma prole numerosa, e beneficiar somente um filho, os outros filhos ficarão com trauma psicológico. Por essa razão as cidades do Cariri, ficarão traumatizadas, vez que esse tratamento desprezível nos deixa totalmente aparvalhados e não sabemos por que razão esse governo nos despreza e permanece com ódio aos habitantes da cidade do Crato.
Essa linha demarcatória foi realizada há anos por pessoas habilidosas possuidores de licença para exercer a profissão cartográfica e razão foi transformada em lei e toda a lei deve ser respeitada.
Por essa razão, os cratenses não devem esmorecer, partir para a luta a fim de obter seus direitos.
Agora como resposta: devemos repudiar essa massa inimiga do Crato e também manifestar contrariedade nas urnas, tentando conseguir mais de 50 000 votos a favor da oposição que será o benefício de nossa causa.
Temos condições de dar 50 000 votos contrários, já que o Crato possui mais de 80 000 eleitores. Não dêem ouvidos a conversas desgastantes, pois temos de dar o troco com democracia, dizendo nós a esses ratos que nos vêem tirar a nossa paz.
Crato, 19 de agosto de 2010.

domingo, 22 de agosto de 2010

COMÉDIA CRATENSE BRILHA EM JUAZEIRO DO NORTE-CE

ESPETÁCULO “A COMÉDIA DA MALDIÇÃO”
ENCANTA PÚBLICO EM JUAZEIRO DO NORTE-CE


Cerca de 500 pessoas lotaram a arena montada pela Cia. Cearense de Teatro Brincante na Praça Padre Cícero, em Juazeiro do Norte-CE, para apresentação da peça teatral “A Comédia da Maldição”, gentilmente doada pela Sociedade Cariri das Artes ao Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB Cariri), na noite do último sábado, 21 de agosto, com participação especial da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, de Crato-CE.

O espetáculo, que tem texto e direção de Cacá Araújo, está em cartaz há 5 anos e resgata o mito sertanejo-universal da mula-sem-cabeça, retratado num ambiente tipicamente nordestino.

A Cia. Cearense de Teatro Brincante é órgão da Sociedade Cariri das Artes, Ponto de Cultura do Brasil, com apoio do Ministério da Cultura, SECULT-CE e Prefeitura Municipal do Crato, desenvolvendo o que denominam de estética brincante de encenação, concebida a partir da incorporação de elementos da cultura tradicional popular na concepção de seus traços constitutivos, quais sejam:

a) Dramaturgia que busque temática alinhada aos contos, causos, lendas, romances e aventuras bebidas do vasto imaginário e romanceiro populares, da sabedoria ancestral de base ibérica, ameríndia e africana.

b) Interpretação que se construa a partir do e no universo dos folguedos, dos cantadores, emboladores, rabequeiros, penitentes, cânticos e dançares negros e indígenas, palhaços, pássaros e bichos da nossa fauna, brincadeiras e brinquedos populares, esculturas e objetos artesanais, bonecos e desenhos animados, temperada com elementos do Circo, da Gestualidade Física e Espiritual Nordestina e da Commedia dell'Arte.

c) Carpintaria Técnica que produza cenografia, figurino, maquiagem, coreografia, caracterização, sonoplastia, música e iluminação, fundados na xilogravura, nas inscrições rupestres, nos símbolos rurais, nos desenhos de crianças, nos cantos, danças, cantigas e instrumentos musicais populares, nas cores e sons primitivos da natureza sertaneja.

O grupo cratense levará também para as ruas outra peça de seu repertório popular, O PECADO DE CLARA MENINA, também escrita e dirigida por Cacá Araújo, e está montando mais dois espetáculos que deverão estrear em breve: O MAPA DA BOTIJA (texto de Cacá Araújo e direção de Orleyna Moura) e A DONZELA E O CANGACEIRO (texto e direção de Cacá Araújo).







sábado, 21 de agosto de 2010

Esperando o trem passar – Adaptado por Carlos Eduardo Esmeraldo

Será que alguém ainda se lembra do jornal “Tribuna do Ceará”? Pois é, há muitos anos existia por aqui um jornal com esse nome. Naquele tempo eu li nas páginas da “Tribuna” uma historinha que lembro até hoje. Vou tentar reproduzi-la ao meu modo.

Zito e Lídia casaram-se e foram morar numa casinha que haviam construído para eles, bem próxima à linha do trem, num bairro da entrada da cidade. A casa estava toda mobiliada, mas havia um problema. Toda vez que o trem passava, a porta do guarda-roupa se abria. Mesmo quando presa por uma folha de papelão dobrada ou travada pela fechadura, não tinha jeito, era só o trem passar que ela ficava aberta. Parecia que aquele móvel possuía um sismógrafo que detectava os mínimos tremores da terra sob o impacto do peso do trem. Claro que os dois pombinhos ficaram muito chateados por causa desse defeito.

Numa certa manhã, Lídia perguntou se a vizinha conhecia algum marceneiro que pudesse consertar a porta de seu guarda-roupa. Ela lhe indicou Moésio, um verdadeiro artista em tudo que fosse madeira. Mas fez uma ressalva: “Tome muito cuidado com ele. É o maior “Don Juan” desse bairro. Quando se embeleza de uma mulher, não há quem resistia aos seus encantos.” Lídia preferiu contar ao marido a existência desse marceneiro e pediu que ele fosse procurá-lo. Zito obteve informações sobre o marceneiro Moésio com um colega de trabalho, que lhe disse onde encontrá-lo e passou para ele toda fama da qual o moveleiro era possuidor. “Cuidado com sua mulher. Marque para ele ir consertar seu guarda-roupa numa hora em que você estiver em casa.” Zito assim procedeu. Marcou para o meio dia, quando ele estaria em casa para o almoço.

Aconteceu que o Moésio tinha uns serviços nas proximidades da casa do Zito e tão logo concluiu seu trabalho, aproveitou que estava perto da casa do seu novo cliente e por lá chegou um pouco antes do meio dia. Ao bater à porta, foi atendido por Lídia, uma morena muito bonita. Mas manteve-se sério, pois sua fama de mulherengo já estava complicando sua vida. Entrou na casa e a mulher lhe mostrou o móvel. Ele olhou, examinou cada detalhe e afirmou. “Minha senhora, o defeito é interno. Preciso ficar dentro do guarda-roupa para quando o trem passar eu descobrir onde está a falha que faz a porta abrir.” E assim foi feito.

Pouco depois das doze horas, Zito chegou apressado, pedindo que a mulher lhe servisse logo o almoço, pois ele iria verificar de perto o serviço que teria de ser feito no guarda-roupa. Passou direto para o quarto para trocar de camisa. Ao abrir o guarda-roupa, surpreso, viu Moésio abaixado lá dentro. E cheio de desconfiança perguntou: “Que diabos é que você está fazendo ai dentro?” E o pobre carpinteiro respondeu: “Se eu lhe disser que estou esperando o trem passar, o senhor não vai mesmo acreditar... não é?...”

Adaptação de Carlos Eduardo Esmeraldo
História original narrada por Chico Anísio, no jornal “Tribuna do Ceará” 1976/77(?)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

SÁBADO: A COMÉDIA DA MALDIÇÃO NA PRAÇA PADRE CÍCERO EM JUAZEIRO

Juazeiro do Norte-CE receberá o maior espetáculo de teatro popular deste século!!! 5 ANOS EM CARTAZ!!!

A Cia. Cearense de Teatro Brincante apresentará, neste sábado, dia 21 de agosto de 2010, às 19 horas, na Praça Padre Cícero, o espetáculo teatral "A COMÉDIA DA MALDIÇÃO", com texto e direção Cacá Araújo, resgatando o mito nordestino da mula-sem-cabeça, e tendo a participação especial da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, da cidade do Crato-CE, um dos maiores ícones da cultura tradicional popular do Brasil.


Atores/Personagens

Cacá Araújo: Tandô
Carla Hemanuela: Mãe Luzia
Charline Moura: Irmã Francilina
Jardas Araújo: Cantador
Edival Dias: Padre Sebastião
Joênio Alves: Dono da Bodega
Jonyzia Fernandes: Ana Expedita
Joseany Oliveira: Leide Zefa
Josernany Oliveira: Brincante da Mula
Lílian Carvalho: Beata Carmélia
Lorenna Gonçalves: Cibita
Márcio Silvestre: Vigário Felizberto
Orleyna Moura: Viúva Fantina
Paula Amorim: Ladra
Paulo Henrique Macêdo: Fotógrafo Jorjão
Samara Neres: Zulmira

Músicos

Lifanco (viola) e elenco (percussão)

Técnica

Texto e Direção Geral: Cacá Araújo
Assistência de Direção: Orleyna Moura
Cenografia: França Soares
Sonoplastia: Cacá Araújo
Iluminação: Danilo Brito
Maquiagem: Carla Hemanuela e Joênio Alves
Figurino: Orleyna Moura e Carla Hemanuela
Guarda-Roupa: Luciana Ferreira
Operação de Som: Lílian Carvalho
Operação de Luz: Danilo Brito
Música: Lifanco e Cacá Araújo
Produção Executiva: Mônica Batista
Produção Geral: Sociedade Cariri das Artes

A apresentação foi doada ao Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB-Cariri) pela Cia. Cearense de Teatro Brincante / Sociedade Cariri das Artes.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

COMPOSITORES DO BRASIL


“todo quadro negro
É todo negro, é todo negro
E eu escrevo seu nome nele
Só pra demonstrar o meu apego.
Anamaeu”...


JORGE MAUTNER

Por Zé Nilton

Tomei conhecimento de Jorge Mautner, já em estado de consagração, nos anos opacos e cinzentos da repressão militar, quando assistia, assombrado, num cantinho, um show do compositor Jads Macalé, na Concha Acústica da UERJ, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, talvez aí pelos anos de 1973 ou 1974.

Com muita presença de palco Macalé cantava a música “Cantareira”, de Gordurinha , cujo refrão diz:

“Só vendo mesmo como é que dói
Sou vendo mesmo como é que dói
Trabalhar em Madureira, viajar de Cantareira
E morar em Niterói”...

Macalé, fazendo trejeitos para o conjunto baixar o som comandava paulatinamente um fade-out, e deu início à capela e à exaustão a repetição do refrão “só vendo mesmo... E o acompanhamento musical foi caíndo numa melopéia, dando a deixa para a fala do grande Macalé.

Lá pelas tantas, incontinente, ajoelhou-se no palco, bem juntinho da turba universitária, e com as mãos postas e o olhar para os céus, recitou os versos, cadenciadamente, vociferando para quem vive o dia-a-dia aquela situação de explorado um inesperado: “puta que o pariu”! A platéia foi ao delírio naqueles idos de todas as censuras.

E gritou: Salve Jorge Mautner!

A platéia aplaudiu demais, mas eu não detectei o exclamado entre a multidão.
Só muito depois vim a conhecer aquela figura meio estranha meu doidão meio intelectual meio escritor meio síntese de uma geração prenhe de criatividade e de vanguardismo, justamente no lugar errado, no tempo errado e onde deu tudo errado para as cabeças fora do lugar.

Hoje, vendo a figura madura de Mautner ainda em franca presença no cenário da MPB, reconheço o todo da força que ele representou para a cultura brasileira.

No Compositores do Brasil, desta quinta feira, vai dá Jorge Mautner, um maldito entre os benditos, sujeito coerente e dono de uma musicalidade agradabilíssima, empunhando seu violino para qualquer marcação, feito rebequeiro nordestino.

Marginal nunca foi Jorge Mautner. Marginais foram todos que não o compreenderam no seu tempo. Pensando bem, não sei por que chamam de marginal a geraldos uranos divergentes dos “padrões normais” do tempo. Pois é este mesmo tempo que vai dizer, lá na frente, o quanto se cultivou caretice. Se liga, bicho !

Vamos falar do homem, da obra e do tempo de Jorge Mautner, enquanto ouviremos:

BEM TE VIU, com Jorge Mautner
SAMBA DOS ANIMAIS, de Jorge Mautner com Lulu Santos
SAMBA JAMBO, de Jorge Mautner e Nelson Jacobina com Jorge Mautner
TODO ERRADO (não peço desculpas), de Jorge Mauter com Jorge Mautner e Caetano Veloso
ENCANTADOR DE SERPENTES, de Jorge Mautner com Jorge Mautner
ORQUÍDEA NEGRA, de Jorge Mauter com Jorge Mautner e Zé Ramalho
CACHORRO LOUCO, de Jorge Mautner com Jorge Mautner
BOLINHAS DE GUDE, de Jorge Mautner com Jorge Mautner
SOM DO MEU VIOLINO, de Jorge Mautner com Jorge Mautner
RAINHA DO EGITO, de Jorge Mautner com Jorge Mautner
MARACATU ATÔMICO, de Jorge Mautner e Nelson Jacobina com Gilbetro Gil
QUERO SER LOCOMOTIVA, de Jorge Mautner com Wanderléa

Quem ouvir verá!

COMPOSITORES DO BRASIL
Rádio Educadora do Cariri- 1020 –
www.radioeducadoradocariri.com (acesse no www.blogdocrato.com)
Todas as quintas-feiras, de 14 as 15 horas
Pesquisa, Produção e Apresentação de Zé Nilton

A força do querer - Emerson Monteiro

Nas situações diversas em que a vida se mostra, perguntas saltam à nossa frente, pedindo interpretação das origens dos acontecimentos. Por mais grossos sejam os cadernos usados, sobram detalhes do lado de fora para exame posterior. De tudo por tudo querem as pessoas saber os motivos. Mas a correria diária segue no embalo constante, quase sem deixar espaço na busca dos mistérios.
Presos na dúvida materialista, muitos rejeitam as religiões, conformados aos prazeres imediatos. Farinha pouca, meu pirão primeiro, diz o povo. Na incerteza do futuro, derrubam árvores para comer uma única safra.
Por isso, vícios arregimentam força, pela imprevidência das pessoas quanto ao futuro. O incerto pelo duvidoso. Na juventude, esse velho costume sujeita um tanto de dependentes, pois eles dão preferência aos gozos da carne, invés do planejamento de futuro harmonioso. Quando ainda têm oportunidade, lá adiante se lamentam: Soubesse eu o que sei agora...
Vencer aos instintos nocivos salvaria o bem que nos espera nas possibilidades promissoras. Será reunir forças suficientes e conter os impulsos, para usufruir de novas ofertas. Quantos presidiários vivem arrependidos por perder o autocontrole em horas críticas. Atendem impulso destrutivo e destroem a liberdade, laçados nas malhas do remorso cruel.
Daí o conceito de que vitorioso não é quem vence os outros. Vencer a si mesmo eis na verdade o que conta. Evitar a derrota, ser conquistador dos instintos da perversidade, dos vícios, da vaidade humana.
Quem consegue elaborar outro roteiro na vida, submeter o erro e reconstruir as chances de obter a paz da consciência, receberá à vitória, além de demonstrar pelo exemplo o que outros necessitam.
Independente, no entanto, dessas aspirações comunitárias, valerá a satisfação pessoal de reverter vida trágica e descobrir caminhos de alegria e realizações interiores.
Para os místicos, Deus é isto, a vida que pulsa nas veias, no tempo e na luz perfeita do Universo. Está no amor entre as criaturas. No bem que produz em prol dos menos favorecidos. Nas forças da Natureza. No gosto de viver com ânimo forte, saúde física e mental, resultado de dedicação aos fatores da virtude. E a força do querer fala disto com bravura no coração dos heróis da espiritualidade.

PERSEGUIÇÃO

PEDRO ESMERALDO
Isto é a pura verdade! O Crato vem sendo sumariamente perseguido por malfeitores que permanecem sob a sombra do governador e dizem ainda que não há jeito para solucionar esse problema. Essa medida éestarrecedora, já que o cratense anda apavorado. Argumentam que os políticos desta terra que se acomodam, cruzam os braços, não se esforçam para solucionar o problema e ainda dizem amém, porque não tem representação política em Brasília.

É claro que o principal mentor dessas medidas discordantes é o nosso governador, visto que faz vista grossa e aceita com passividade as injunções malditas da vizinha cidade que anda atormentando, deixando-nos cabisbaixo, sem tomar decisões e nem saber apelar com sinceridade a fim de sairmos desse impasse.

Agora mesmo, estamos acompanhando com tristeza o fechamento doSESI. Consideramos essa medida como sendo um jogo sujo, visto que esseprédio foi construído a rigor, com muito esmero, dando condições para ser umsetor de lazer e do ensino regional, pois os homens do passado tiveram aincumbência de dar ao Crato esse melhoramento. Uma equipe de malfeitores/beneficiados pelo governador, troca de posição, preferindo dar vez àpermanência do SESI de Juazeiro, cujo prédio foi construído com molde simples para satisfazer os anseios do povo daquela cidade. Consideramos essa medida absolutista, preferenciada, simplesmente para denegrir a cidade do Crato.

Também deixamos nosso protesto e reclamamos das medidas arbritarias do pessoal do IBGE que quer dilacerar o Crato, tomando terras para beneficiar a cidade de Barbalha, pois um cidadão proveniente do Cariri Oeste, acoplado aos políticos de Juazeiro, vem nos provocar sem mais nem menos a fim de nos prejudicar para satisfazer aos anseios desses políticos maldosos, gananciosos que só almejam o crescimento de Juazeiro do Norte.

Um cidadão desconexo vem nos atormentar, proveniente do Cariri Oeste, querendo mostrar qualidade que não possui. Seria melhor que esse homem nos deixe, pois o Crato tem repugnância de suas medidas falaciosas.

Ocorre que esses homens têm o prazer de torturar e levar avante a sua campanha mal cheirosa buscando voto nesta cidade pedindo harmonia, dizendo que ama o Crato.

Nos dias de hoje, tomamos conhecimento de uma conversa que nos deixou atormentados. Trata-se de quererem privatizar a SAAEC. Não sabemos se isto é verdade, mas tomamos conhecimento de pessoas que trabalham naquele órgão público.

Relembramos bem que não desejamos ver o fim do Crato, mas, se isso acontecer, colocaremos uma placa com o seguinte dizeres: aqui restam as ruínas do Crato, alvissareira, perseguida pelos políticas da cidade vizinha e dos chefões da capital do estado. Devemos ter oposição, não intriga, mas o que estão fazendo conosco vamos partir para a intriga.

Crato -CE, 17 de Agosto de 2010.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Almas Gêmeas- Barbalha 100anos - José Joaquim Teles Marrocos.

Luiz Domingos de Luna*
Qual o dispositivo mágico, que acionou, quando do pretenso noivado entre a rica barbalhense, Ana Grangeiro Chaves, filha de Antonio Sampaio, proprietário do maior empório comercial do Cariri – Casa Sampaio, com o primo pobre e caixeiro da Casa Sampaio – Salustiano Grangeiro de Luna, ao tiro certeiro de José Joaquim Teles Marrocos, ao abade Geral do Mosteiro de São Bento, Rio de Janeiro, em 1901, Dom Gerardo Van Caloen, à solicitação do Caipira do Cariri, Salustiano Grangeiro de Luna ao ingresso na multissecular ordem Beneditina.
Em janeiro de 1902, a sociedade Barbalhense, assiste a partida do Jovem Salustiano Grangeiro de Luna para, do vínculo nupcial quebrado, ao manto protetor da Ordem de São Bento,uma nova história, deixando para trás uma jovem linda, noiva graciosa e apaixonada, em lágrimas ardentes, aos olhos lacrimejantes , de toda uma comunidade, que, em espanto, não conseguia entender o por quê da ruptura do sentimento nobre que une os seres humanos
Pobre Ana! Pobre Salustiano, o amor dissolvido na fumaça de um mistério, a sondar nos mais longínquos espaços das grandezas emocionais e sentimentais, Uma ruptura, ou uma união eterna?
Na Revolta dos fuzileiros Navais, chamada revolta da Chibata, em dezembro, 1910. Salustiano perde dois dedos da mão direita, o indicador e o médio, na defesa da abadia de Nossa Senhora de Monte Serrati, porém, já com ordenação sacerdotal no dia 04 de Janeiro, 1910, na mesma Abadia, pela imposição das mãos de Dom Gerardo Van Caloen abade Geral do Mosteiro de São Bento Rio de Janeiro.
67 anos de vida monástica, graças ao semeador, José Joaquim Teles Marrocos, nasce finalmente, o primeiro prior do Mosteiro de São Bento da região do Cariri Cearense – D. Joaquim Grangeiro de Luna, a assumir a Abadia de nossa Senhora de Monte Serrati no Rio de Janeiro, deixa para trás o seu nome de Batismo, Salustiano Grangeiro de Luna. Ainda hoje no mosteiro a Lápide Dom. Joaquim Grangeiro de Luna falecido aos 22 de novembro, 1969.
O Grito mágico de José Joaquim Teles Marrocos, a ecoar nos ouvidos de Ana Grangeiro Chaves,/ Prima Bandu/ pois, também, encontra acolhida na congregação das missionárias beneditinas, na qual viveu longa existência em Olinda, vindo a falecer em 1968. Por ai se vê, que ambos Salustiano e Bandú / Dom Joaquim e Madre Benta/, se realizaram plenamente na vocação que o senhor lhes indicou, através do abalizado mestre, José Joaquim Teles Marrocos.
(*) Professor – Aurora – Ceará
(*) É colaborador do Blog Cariri Agora
Email: deuteronomioarte@ig.com.br
Livro Pesquisa: Um menino Caipira que se Fez Monge { Dom Joaquim Grangeiro de Luna} Notas Sobre o Tio Monge, Escritas por Padre Luna. Missão Velha -1979.

Festa de abertura do Encontro dos PIAdores


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Arrastaí!

A volta de Miguel Arraes ao Crato

Casa de Dona Benigna, mãe de Miguel Arraes (foto capturada do Cariricaturas)

Em 1979, após a Lei da Anistia ter sido aprovada no Congresso Nacional, centenas de exilados começaram a retornar ao Brasil, dentre eles os ex-governadores Leonel Brizola e Miguel Arraes. Lembro bem dessa época, pois ainda menino, despertava para a história política do país, com grande curiosidade pelas coisas mais recente e próximas.

Lembro com nitidez dos acontecimentos daquela época. A volta do pluripartidarismo, com as siglas que eram anunciadas: PMDB, PDS, PP, PDT, PT e o então legalizado PCB. O debate voltava a fluir, com a distensão do regime e os lançamentos editoriais que ajudavam a construir a memória da luta contra a ditadura. Um livro, particularmente, chamou-me atenção e ajudou na minha formação política: Carbonários, Memória de uma Guerrilha Perdida, de Alfredo Sirkys.

Melhor que o passado escrito era o passado que voltava ao vivo e em cores. Lembro, assim, com riqueza de detalhes, da volta triunfal de Miguel Arraes ao Crato, para reencontrar, depois de 15 anos, sua mãe, dona Benigna. Era sábado, por volta do meio-dia quando ele chegou à casa localizada no início da rua Dr. João Pessoa, que estava lotada de gente, espalhada pelo enorme jardim, pela sala, cozinha e quartos. Antes, ele percorreu algumas ruas em carro-aberto, à frente de uma carreata, saudado pelo povo.

Fui para este evento porque Arraes sempre foi um nome familiar. Meu pai, durante a permanência de Miguel Arraes no exílio, na Argélia, dava assistência à sua mãe e irmãs que residiam no Crato. Como era leitor assíduo de jornais e revistas, papai colecionava toda e qualquer referência a Miguel Arraes e repassava para elas. Quando retornou, Miguel Arraes, em cortesia, ofereceu ao meu pai o livro Jogos do Poder, de sua autoria, com dedicatória e agradecimento.

Tenho este livro sob a minha guarda. Bem guardado e com carinho

domingo, 15 de agosto de 2010

MESTRE RAIMUNDO ANICETO É HOMENAGEADO NO FESTIVAL TANGOLOMANGO 2010





MESTRE RAIMUNDO ANICETO É HOMENAGEADO NO FESTIVAL TANGOLOMANGO 2010


O Festival Tangolomango é um evento multicultural que acontece programação de palestras, oficinas, mostras audiovisuais, apresentações de música, teatro, circo e dança. Firmou-se como um espaço de divulgação e troca de experiências de iniciativas que promovem a democratização da cultura e comunicação.

Inspirado num fazer coletivo e integrado, grupos de várias partes do País se interpuseram durante três dias de trabalho e intercâmbio de experiências, efetivando-se no dia 7 de agosto de 2010 numa apresentação única e imperdível no anfiteatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza-CE.

Este ano, o Tangolomango homenageou dois Mestres da Cultura cearenses: Mestre Zé Pio e Mestre Raimundo Aniceto, do Crato, consolidando sua missão de não apenas prestigiar valores da cultura regional mas, sobretudo, de permitir o diálogo entre diversas expressões contemporâneas ou populares do fazer artístico.

Mestre Raimundo Aniceto, batizado Raimundo José da Silva, lidera a Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, a mais importante do país, em atividade há mais de meio século.

A Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto participou do evento através da Sociedade Cariri das Artes, e foi acompanhada pelo cineasta e produtor cultural Jackson Bantim, um dos mais ardoros combatentes em defesa da cultura popular no Cariri.

O folclorista, ator e dramaturgo Cacá Araújo, diretor da Cia. Cearense de Teatro Brincante e membro da Sociedade Cariri das Artes, reconhece na arte e sabedoria dos Irmãos Aniceto a profundidade da alma universal do povo caririense, o que a transforma num dos mais significativos símbolos do patrimônio imaterial da nação brasileira.










sábado, 14 de agosto de 2010

QUE REI SOU EU?

Pedro Esmeraldo

Do tempo de minha infância, lembro-me de uma música carnavalesca intitulada “Que rei sou eu: sem reinado e sem coroa, sem castelo e sem rainha, afinal que rei sou eu?”.

Nesse caso, confronto esta música carnavalesca com a posição dos políticos do Crato e seus filhos, que permanecem acomodados diante das fronteiras de comportamento injurioso provocado pelos inimigos número um desta cidade, que são os políticos carcarás que vem de fora e que aqui permanecem durante a campanha eleitoral.

Antes, Crato era possuidor de um rei dinâmico, oportuno, vibrador, mas neste caso, após o início da década de oitenta, o rei cratense caiu no anonimato, sem castelo e sem coroa, sem reinado e sem rainha. Afinal, quem exerceu essa posição de rei e deixou o Crato cair na bancarrota? O que o Crato possuía de bom foi surrupiado pelos piratas inimigos, astuciosos, manobristas, já que dominam esse povo com palavras entorpecentes a fim de levar o que a cidade tem de melhor qualidade. Esse rei enferrujado se desgastou pela força corrosiva do tempo.

Seus filhos (os da cidade), principalmente os políticos, acomodam-se e se despedem facilmente das canseiras políticas. Não enfrentam mais as poeiras dos corruptos eleitoreiros. São barrados por simples palavras lisonjeiras e fogem da luta e não enfrentam os desafios que ocorrem constantemente nesta cidade. São corroídos pela ganância de seus seguidores. Não possuem rainha que venha orientar e encorajar quando se defrontam com as dificuldades. Não há nenhuma manifestação contrária para que possam reagir contra os disparates pecaminosos, tudo isto estimulado pela fraqueza de seus auxiliares, o que com certeza, o rei destronado não substitui por motivos alguns e que ninguém possa entender.

É preciso que haja uma renovação de valores, colocando jovens autênticos e eficientes, que tenham disposição para o trabalho, principalmente trabalhando com amor ao Crato. Só assim poderá conseguir um rei autêntico, valente e que tenha boa vontade de trabalhar e esboçar coragem para trazer boas perspectivas e construir um novo castelo com reinado e com rainha.

Crato-CE, 13.08.2010

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Autor de bengalada em José Dirceu morre em Brasília


Fábio Góis

Em 29 de novembro de 2005, o escritor curitibano Yves Hublet, belga de nascimento, ganhou notoriedade depois de desferir golpes de bengala no então deputado federal José Dirceu (confira o vídeo abaixo). Hoje (terça, 3), durante o esforço concentrado de votações plenárias no Senado, o vice-líder do PSDB, Alvaro Dias (PR), pediu a palavra para apontar as “circunstâncias suspeitas” da morte de Yves, ocorrida no último dia 26 de julho, em Brasília.

Yves morreu aos 72 anos, completados em abril, e seu corpo foi cremado. Segundo seu amigo e editor Airo Zamoner, dono da editora Protexto, que publicava os textos de Yves, o escritor enfrentou diversos problemas no país depois das bengaladas, e então mudou-se para a Bélgica. Com dupla cidadania, Yves voltou para Curitiba (PR) em maio a fim de tratar da edição de um novo livro e resolver problemas matrimoniais (um novo casamento o aguardava na Europa). Mas tinha de passar por Brasília antes do retorno à Bélgica.

O editor disse ainda que, ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Brasília, Yves foi preso e ficou incomunicável. “É uma denúncia séria”, disse Alvaro ao Congresso em Foco. “Ele teve de deixar o Brasil e foi preso ao desembarcar em Brasília. Não sei em que condições ele foi preso, mas ele ficou doente na prisão e foi hospitalizado sob escolta.”

O episódio das bengaladas aconteceu no auge da crise política do mensalão, que culminou com a instauração de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). Ex-ministro-chefe da Casa Civil, Dirceu foi apontado pelo ministro Joaquim Barbosa, relator do caso no STF, como chefe de uma “sofisticada quadrilha” que comprava apoio parlamentar para a aprovação de projetos governistas no Congresso.

A agressão a Dirceu, que teve o mandato cassado em meio às denúncias, foi feita no momento em que o deputado deixava o plenário da Câmara. Na ocasião, os seguranças da Casa detiveram Yves e o levaram para prestar depoimento na Polícia Legislativa. A atuação dos agentes levou à reação do então senador Leonel Pavan (PSDB-SC), que foi à tribuna do plenário pedir “compreensão”. “Este senhor de 70 anos certamente está mostrando a indignação de milhares e milhares de pessoas do Brasil inteiro”, disse Pavan, em apelo ao presidente da Câmara na época, Aldo Rebelo (PcdoB-SP).

“Há, realmente, situações obscuras que precisam ser esclarecidas”, acrescentou Alvaro. “Alegou-se que [Yves] estava com câncer. Ele teria falado com uma assistente social e passou o telefone de uma ex-namorada de Curitiba de nome Solange. Foi ela quem recebeu o telefonema de Brasília comunicando o falecimento. O corpo dele foi cremado por lá”, detalhou o editor Zamoner, segundo o blog do jornalista Aluizio Amorim.

Fonte: Congresso em Foco

O CRATO PARA OS CRATENSES

Pedro Esmeraldo

Não podemos entender, mas ficamos perplexos quando observamos a falta de interesse de alguns políticos para trabalhar em prol da cidade do Crato “não teem objetividade”. Esquecem de apoiar, em período eleitoral, os candidatos da terra, dão prioridade aos abutres que veem de fora, causam desprezo aos nossos aspirantes que desejam exercer cargo público.

A maioria deles prefere dar ouvidos às conversas divergentes dos inimigos de nossa terra, veem atormentar o espírito já conturbado dos cratenses, distribuindo com facilidade o vil metal, preferem enganar o povo com migalhas e palavras ocas.

Em certo tempo, Crato não conseguia mais apoiar os seus filhos “quer adotivos, quer legítimos”, por motivos óbvios, entre eles, estão alguns vereadores que dão integral apoio aos imaginários inimigos, que por equívoco, buscam os nossos votos prometendo trabalhar com empenho a favor da terrinha.

Ledo engano. Devemos compreender que esses abutres só aparecem aqui em épocas eleitorais para depois virem dar com o “burro n’água” fazendo reuniões esdrúxulas a fim de levar o que temos de bom.

Após o pleito eleitoral, esses homens inconseqüentes e intolerantes, mudam de idéia, esquecem seus compromissos e nunca mais aparecem nesta terra a não ser, quando há algum interesse a seu favor. Com isso, somos traídos por essa massa de homens repugnantes que facilmente esquecem “a terrinha” que lhe deu guarida.

Por isso, pedimos aos cratenses, esqueçam esses abutres, pois devemos lembrar do Crato com firmeza e coragem, expulsando-os, tangendo-os para distante e pedindo que nunca mais volte à esta cidade.

Dêem valor à prata de casa, não esqueçam de cobrar os compromissos, não votem por dinheiro, pois o voto é o dever do cidadão. Exijam trabalho, honestidade e peçam que o que nos façam seja com amor, com sinceridade e com o pensamento para o futuro.

Não deixem de valorizar o cidadão da terra, por que somente neles é que poderemos confiar.

Pensemos na situação do SESI – Crato. Querem fechar por motivos fúteis. Não deixem de valorizar os bons valores de Crato e nem sonhar em prestar homenagens aos carcarás predadores.

Crato, 11 de agosto de 2010.

Pensamento para o Dia 12/08/2010


“A pessoa que dedica sua vida a obter o conhecimento do Atma, que é o seu verdadeiro Eu, deve possuir as sagradas virtudes e elas devem moldar seu comportamento e suas sagradas relações. Pois, nenhum conhecimento pode ser maior do que o caráter virtuoso. Caráter é poder, realmente falando. Para as pessoas que têm dedicado seus últimos anos na aquisição de ensino superior, excelente caráter é uma qualificação indispensável. Toda religião salienta a mesma necessidade, não como uma condição especial de credo, mas como a própria base da vida e conduta espiritual. Aqueles que levam uma vida nesses caminhos jamais serão prejudicados. Eles serão dotados de mérito sagrado.”
Sathya Sai Baba

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

COMPOSITORES DO BRASIL


Nossa homenagem aos 100 anos de

HAROLDO LOBO

Por Zé Nilton

“Depois das aulas, no bonde, no ponto de ônibus ou no bate-papo das confeitarias, as alunas do Instituto de Educação chegam a comentar o interesse com que aquele estranho vem acompanhando a conversa. Os olhos do homem de traços mongóis e terno banco de linho parecem duas câmaras a registrar todos os movimentos das futuras professorinhas. Ele não perde uma palavra sequer, muitas mocinhas até se afastam, para ficar longe daquele intrometido.

Dentro do ônibus, às vezes, ele finge indiferença, mas quem se preocupar mais com seus gestos verá que discretamente ele faz anotações, escrevendo frases inteiras ou rabiscando apenas algumas palavras. Seus dedos batem com ritmo num ponto qualquer do banco da frente ou na palma da outra mão, enquanto um leve movimento nos lábios denunciam que ele está solfejando alguma música. E os olhos asiáticos de repente ganham um brilho especial: ele acaba de fazer alguma descoberta”. (Nova História da Música Popular Brasileira. Abril Cultural, 1977).

De descoberta em descoberta, entendamos, de música em música, Haroldo Lobo ((Rio de Janeiro, 22 de julho de 1910 - Rio de Janeiro, 20 de julho de 1965) é um compositor brasileiro dos mais produtivos da Música Popular Brasileira principalmente em músicas de carnaval.

Até meados de 1960, a indústria fonográfica brasileira trabalhava com duas frentes comerciais: a música de carnaval e a música de meio de ano. Em tempos mais recuados os maiores investimentos corriam para o filão carnavalesco. Reparem nas chanchadas da Atlântica como a empresa do carnaval fazia girar a fortuna no mundo artístico e cultural.

Haroldo Lobo, com 80 por cento de suas músicas registradas em parceria com o excelente Milton de Oliveira, fez de tudo em se falando de composição. Diria mesmo todos os ritmos. E gostava de usar os animais da fauna ou suas onomatopéias em suas músicas, coisa inusitada no cancioneiro brasileiro.
Remetemos o leitor para os sites sobre o assunto caso queira saber mais desse mostro sagrado de nossa canção. Dê um presente ao grande compositor pelos seus 100 anos de nascimento. Ouça-o.

Pode ocorrer que ao ouvir amanhã no Compositores do Brasil algumas de suas composições sendo a maioria em ritmo de carnaval, talvez alguém interrogue:
- Música de carnaval a essa hora ? E ainda mais das antigas ? Direi:

- Sim, e porque não? Os defensores da cultura de mass media não absolutizaram o ritmo forró (muito embora o produto não o traduza) como hits de todos os momentos? Então lá vai nossa vingança. Ouviremos:

O PASSARINHO DO RELÓGIO, de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira com Aracy de Almeida;
ALLAH-LA-Ô, de Haroldo Lobo e Nássara Carlos Galhardo ;
ALÔ, PANDEIRO, (Não é economia), de Haroldo Lobo e Wilson Batista com Jorge Goulart;
CABO LAURINDO, de Haroldo Lobo e Wilson Batista com Jorge Veiga e Cyro Monteiro;
GUIOMAR, de Haroldo Lobo e Wilson Batista com Joel e Gaúcho;
PRA SEU GOVERNO, de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira com Gilberto Milfont;
EMÍLIA, de Haroldo Lobo e Wilson Batista com vassourinha;
TRISTEZA, de Haroldo Lobo e Niltinho, com Jair Rodrigues
MARGARIDA, de Haroldo Lobo e Wilson Batista com Quatro Ases e um Coringa;
E O 56 NÃO VEIO, de Haroldo Lobo e Wilson Batista com Deo e o conjunto de Zé Menezes;
JURO, Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, J.B. de Carvalho e conjunto Tupí
COMO SE FAZ UMA CUÍCA, de Haroldo Lobo e Wilson Batista com Anjos do Inferno;
A COROA DO REI, de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira com Dircinha Batista.

Quem ouvir verá!

COMPOSITORES DO BRASIL
Rádio Educadora do Cariri – 1020 (www.blogdocrato.blogspot.com)
Quintas-feiras, de 14 às 15 horas
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Abertura do Armazém Cultural Bar

Recordações - Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Lembrando a minha infância me veio à mente como o Crato era uma cidade tranqüila. As ruas eram calçadas com paralelepípedos. Poucos carros transitavam na rua Dr. João Pessoa. que era arborizada com fícus, umas árvores frondosas que já deviam ter uns cinqüenta anos de vida. Uma dessas árvores localizava-se na calçada da casa em que eu morava, sombreava e refrescava a nossa morada do sol causticante.

Na rua Dr. João Pessoa, além das muitas residências, havia também várias lojas de comércio: A Babilônia, Casas Tamoio, Armazém Recife, Elite Foto, de Diomedes Pinheiro, A Pernambucana, todas essas no mesmo quarteirão da minha casa. Num passado mais remoto tinha o Bar e Sorveteria Cairú e, posteriormente quando não existia mais o bar, o local foi ocupado pelo Banco de Crédito Comercial.

Gostava muito do lugar em que eu morava, pois era perto da Praça Juarez Távora, da Igreja de São Vicente Férrer e do Instituto São Vicente Férrer, escola em que estudei a partir dos meus oito anos de idade. Antes, com menos idade, estudei no Externato Cinco de Julho que funcionava no mesmo prédio da Escola Técnica do Comercio do Crato.

O local que eu morava ficava a um quarteirão e meio da Praça Siqueira Campos, portanto perto dos Cinemas Moderno e Cassino. Assistir filmes naquela época era um excelente programa, uma vez que não havia televisão. Hoje a cidade recebe excelentes imagens de televisão, porém não possui mais nenhum cinema, o que é pena...

Com a tranqüilidade da cidade, às vezes, minha mãe me deixava brincar na casa de minhas primas e de algumas amigas que moravam próximo da nossa casa. Permitia que eu fosse assistir a Bênção do Santíssimo no início da noite, realizada pelo Padre Frederico na Igreja de São Vicente. Em poucos segundos chegava lá, pois saía correndo, atravessava a Praça Juarez Távora e logo estava na Igreja.

Numa manhã ensolarada, como eu estava de férias, consegui autorização dos meus pais, para brincar na casa de uma amiga que morava numa rua paralela a João Pessoa. Encontrei a minha amiga chorando muito porque havia rasgado o seu livro e estava com muito medo que a sua mãe brigasse com ela. Queria colar o livro com água e me perguntou se dava certo. Falei que não. Procurei consolá-la e depois fui para casa. Tão logo cheguei, pouco tempo depois, minha amiga veio ainda chorando dizer que sua mãe estava me chamando. Ela me levou até a loja em que sua mãe era proprietária. Fiquei sem entender porque na presença de todos os clientes, ela com muita grosseria, me acusou de ter rasgado o livro da filha e que eu teria que pagar. Nesse dia senti o meu coração de criança dolorido por ter sido injustiçada e humilhada diante de tanta gente. Corri aos prantos para casa. Chegando lá, me dirigi ao consultório de dentista do meu pai, que ficava na sala da frente da nossa casa e, soluçando lhe relatei o ocorrido. Tenho a maior gratidão pela atitude dele que acreditou em mim. Quando meu pai abriu a carteira me entregando o dinheiro para pagar o livro, veio o meu reconhecimento de que sempre tive um pai presente, que dialogava e me apoiava. Com essa atitude, tive a certeza de que sempre poderia contar com ele.

Já estava na calçada para ir deixar o dinheiro, quando a minha amiga se aproximou dizendo que sua mãe já sabia que eu não tinha rasgado o livro, portanto não precisava pagar. Não fiquei com raiva da minha amiga, pois ela estava com tanto medo, que não pensou no que estava fazendo ao me acusar. A atitude da mãe dela de me envergonhar em público me deixou magoada. Colocar uma criança numa situação constrangedora não é bonito. Entretanto, logo tudo foi perdoado e esquecido, pois apesar de ser uma menina, eu percebi que devia agradecer a Deus por ter um pai maravilhoso que na minha primeira aflição, me socorreu e aliviou o meu sofrimento.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

FORMAÇÃO ROMUALDO: UM MILAGRE PALEONTOLÓGICO

(foto no set de filmagens)

Em fase de finalização o documentário do diretor Jackson Bantim que registra a Formação Romualdo, tesouro de fósseis tridimensionais do Geopark Araripe. A pesquisa e roteiro ficaram por conta do Dr. Antonio Alamo Feitosa, Professor da Universidade Regional do Cariri - URCA.

Fonte: Blogue Bantim Produções