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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Skank, Jota Quest, Lulu Santos, Nando Reis: confira todas as atrações do festival Férias no Ceará 2010



Nando Reis (ex-Titã) será a atração do Crato, Jota Quest do Juazeiro e Lulu Santos de Barbalha

Pelo terceiro ano, o Governo do Estado do Ceará promove o “Férias no Ceará“, evento que reúne grandes nomes do pop-rock nacional em shows gratuitos. A partir de 7 de janeiro até dia 7 de fevereiro, os cearenses e visitantes poderão conferir apresentações de bandas nacionais na capital e em diversos municípios cearenses.

Um total de cinco atrações animarão as férias em 16 municípios, são eles: Jota Quest, Skank, Lulu Santos, Nando Reis e Biquini Cavadão. Os shows estão marcados para acontecer sempre a partir das 20h.

Programação de Janeiro de 2010
07 – quinta – Itapipoca – Jota Quest
08 – sexta – Quixeramobim – PRAÇA DIAS FERREIRA – Jota Quest
09 – sábado – Fortaleza – PARQUE DO COCÓ – Jota Quest
10 – domingo – Juazeiro do Norte – PARQUE DE EVENTOS PE. CICERO – Jota Quest
14 – quinta – Crateus – PRAÇA DA MATRIZ – Nando Reis
15 – sexta – Guaramiranga – PRAÇA DO TEATRO MUNICIPAL RAQUEL DE QUEIROZ – Nando Reis
16 – sábado – Fortaleza – PARQUE DO COCÓ – Nando Reis
17 – domingo – Crato – LARGO DA RFFSA – Nando Reis
21 – quinta – Iguatu – PRAÇA 7 DE SETEMBRO – Skank
22 – sexta – Sobral – BOULEVARD DO ARCO – Skank
23 – sabado – Fortaleza – PARQUE DO COCÓ – Skank
24 – domingo – Cascavel – PRAÇA – Skank
28 – quinta – Taua – PARQUE DA CIDADE – Lulu Santos
29 – sexta – Aracati – PRAÇA – Lulu Santos
30 – sabado – Fortaleza – PARQUE DO COCÓ – Lulu Santos
31 – domingo – Barbalha – PARQUE DA CIDADE – Lulu Santos

Postado por Janinha no Blog Cultura no Cariri

Jornal do Cariri homenageia uma das mulheres mais importantes da educação de Juazeiro do Norte

Por Nina Luiza Carvalho

Dona Assunção Gonçalves é um ser plural com vivências na arte, educação e cultura da cidade de Juazeiro do Norte. Educadora não só das letras e artes, foi para muito de seus alunos, um exemplo de mulher e determinação.
Maria Assunção Gonçalves, de 93 anos, foi batizada por Padre Cícero, em 1916. O pai, que era fumeiro, curtia os rolos de fumo dentro de casa, o que acabou intoxicando toda família. Seu tio e padrinho, José Xavier de Oliveira, muito amigo do Padre, aconselhou a família de dona Assunção a ir batizá-la com o Padre Cícero. Como ela mesma gosta de mencionar, sua família saiu dos troncos e raízes de ‘Joazeiro’ e pertence a 13° geração de Caramuru.

Quando ela nasceu, o Padre não podia mais celebrar, mas dava seus sermões em casa. Acabou sendo batizada com ele, mas sua unção foi com o vigário Esmeraldo, em 1917. Segundo ela, foi por causa do milagre do batismo que sobreviveu.

Moça de vida simples e órfã muito cedo, Assunção iria morar com uma das trabalhadoras que cuidava da casa, dona Zifinha. Mas sempre teve o apoio do seu tio José Xavier, tendo em sua prima Amália Xavier, um ícone de mulher. Declara que ela foi mais que prima, foi irmã e mãe. Precisou trabalhar desde muito cedo, surgindo dessa necessidade, o dom para as artes e a docência.

Lecionava canto, renda em bilros, retalhos, pintura, português e literatura. Foi através dessas interdisciplinares que cativou e cativa até os dias de hoje jovens e adultos pelo seu empenho à educação. É autodidata na arte de pintar. O quadro mais conhecido do Juazeiro antigo foi retratado pela mesma.

Com o diploma de Professora Rural nas mãos, ela já podia lecionar na Escola Normal Rural. Para ela, o tempo em que foi professora na Escola Normal foram seus melhores anos de vida. “Foi um tempo de muita atividade, que me entreguei inteiramente ao trabalho, que gostava porque tinha consciência do que estava fazendo. Me sentia a maior, dada a vibração de minhas alunas com os desenhos que fazia”.

Nunca foi casada e nem possui filhos naturais, mas para ela, todos os seus alunos e as pessoas em que cativas, tornam-se todos os seus filhos. Até os dias de hoje, dona Assunção nunca está só, sempre há amigos que lhe visitam todos os dias.

Afilhada de padre Cícero, lia para ele as orações e a bíblia. Para ela, foi um privilégio viver com ele. “Ele adorava crianças, era muito atencioso e simpático. Contava histórias, geralmente, sobre as coisas do evangelho, tentava sempre deixar coisas nas cabeças das pessoas que falavam de nosso Senhor”, afirma Dona Assunção. Sua morte já era esperada por ela, devido ao estado em que o mesmo se encontrava.

“Doutor Mozar já tinha desenganado. E todos os médicos que estavam na cabeceira dele diziam que ele tinha poucas horas de vida. Às 22 horas, meu pai mandou me chamar. Às 5 horas, acordei com o badalar dos sinos anunciando a morte dele. Saí pra lá, fiquei lá o dia todo”. Monsenhor Murilo também era um amigo muito especial. Afirma que ele sempre ia a casa dela e que conversavam sobre tudo.

É chamada pelos íntimos de ‘Nega’. Para a ex-professora Mundinha Paiva, Dona Assunção é uma amiga muito especial, querida pelos alunos e colegas de trabalho. “A Nega adorava ensinar, não tinha preguiça de passar o que sabia adiante, muito caprichosa e talentosa”, afirmou dona Mundinha.

Quando perguntada sobre o que mais gosta de fazer nos dias de hoje, afirma: “Gosto de receber meus amigos, de conversar, apesar da memória falha. De relembrar o passado, cuidar do meu gatinho e rezar”.

Fonte: site do Jornal do Cariri

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

EM CARTAZ: "A COMÉDIA DA MALDIÇÃO"



JANEIRO DE 2010

DIAS 06 (qua) e 07 (qui), às 19h30min
DIA 09 (sab), às 17h e 20h (duas sessões)
LOCAL: Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB) - Juazeiro do Norte-CE

DIAS 12 (ter), 13 (qua) e 14 (qui), às 19h
LOCAL: Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB) - Sousa-PB

DIA 28 (qui), às 19h
LOCAL: Teatro Violeta Arraes - Casa Grande - Nova Olinda-CE

ENTRADA GRÁTIS - INDICAÇÃO: 12 ANOS


SINOPSE:


Num pequeno povoado do interior nordestino, a linda jovem Ana Expedita, louca de paixão pelo Vigário Felizberto, vale-se de uma infalível simpatia para conquistar o coração do amado: serve-lhe café coado no fundo da calcinha. Com ele amancebada, é condenada à terrível maldição de virar Mula-sem-cabeça.

Sabendo da desgraça da filha, a rica viúva Fantina encarrega os homens da cidade da tarefa de descobrir como desfazer o encantamento e ganhar muita riqueza. É aí que Tandô, antigo namorado da viúva, se transforma em herói! Mas a menina não podia ver batina e...


ELENCO:


Cacá Araújo: Tandô
Carla Hemanuela: Zulmira e Mãe Luzia
Charline Moura: Irmã Francilina e Ladra
Jardas Araújo: Cantador
Jéssica Lorenna Gonçalves: Cibita
Joênio Alves: Dono da Bodega
Jonyzia Fernandes: Ana Expedita
Joseany Oliveira: Beata Carmélia e Leide Zefa
Josernany Oliveira: Brincante da Mula
Márcio Wilson Silvestre: Vigário Felizberto
Orleyna Moura: Viúva Fantina
Paulo Henrique Macêdo: Fotógrafo Jorjão
Tio Bibi: Padre Sebastião

MÚSICOS:

Lifanco (Violão e Viola)
Walesvick Pinho (Percussão)
Vinicius Pinho (Percussão)


TÉCNICA:


Texto e Direção Geral: Cacá Araújo
Assistência de Direção: Orleyna Moura
Cenografia: Artesão França
Sonoplastia: Cacá Araújo
Iluminação: Danilo Brito
Maquiagem: Carla Hemanuela e Joênio Alves
Figurino: Orleyna Moura e Carla Hemanuela
Guarda-Roupa: Luciana Ferreira
Operação de Som: Lillian Carvalho
Operação de Luz: Danilo Brito
Pesquisa e Arranjos Musicais: Lifanco
Produção Executiva: Mônica Batista
Produção Geral: Sociedade Cariri das Artes

ESTE ESPETÁCULO É PARTE DO PROJETO CENA BRINCANTE, DESENVOLVIDO PELA SOCIEDADE CARIRI DAS ARTES /CIA. CEARENSE DE TEATRO BRINCANTE – PONTO DE CULTURA DO BRASIL, COM PATROCÍNIO DO MINC/GOVERNO FEDERAL, SECULT/GOVERNO DO CEARÁ E SECULT/PREFEITURA DO CRATO


A fatoração existencial de Matriuska

São poucos os títulos de livros que se permitem ao mesmo tempo a secura e o êxito. “Matriuska” é um deles. Esse é o título do livro de contos do caririense Sidney Rocha, cuidadosamente editado pela Iluminuras. Eis um sítio arqueológico encravado bem no meio do deserto cotidiano das altas tecnologias de mercado. De dentro dos dezoito pequenos contos brotam mulheres únicas, mas uma como contigüidade da outra, e todas carnavalizadas diante do inusitado que é o des-significado da vida.

A linguagem de Sidney Rocha é absurdamente adulta, adúltera, adulterada. A descontinuidade; a fragmentação; a vertigem; o desvão; o abismo; a circularidade dos labirintos; a plenitude do asfalto; a exoneração categórica do compartilhamento dos armários de rodoviária; a solidão esquizóide de uma camisinha desencolhida pela descompressão de um saco de lixo; a inutilidade premente e sem culpa da última vulgata desapropriada pelo sagrado em rota de fuga; e muito mais, além do fetiche, é claro, fazem parte do universo literário que brota aos punhados nos contos de “Matriuska”.

A sintaxe particular de Sidney Rocha na realidade não é única, ela é um desdobramento arquitetônico em fluxo que atravessa também a sintaxe de uma gama de outros desconstrutores, tais como, entre tantos, Robbe-Grillet, Claude Simon e Philippe Sollers. Mas, o que de fato isso importa? Nada. Mesmo porque a abordagem temática é outra e as intenções de descarnar o enredo até o osso passam necessariamente por outras vias. Restam aí, pois, a esfinge das pequenas narrativas como texturas refinadas da grande história e a dessacralização da eloqüência temática como fonte única da grande literatura.

O tema recorrente de “Matriuska” é a inserção da mulher no seu cotidiano, sem afetações heróicas ou humanistas. São sonhos, desilusões, desejos e fetiches, expostos sem truques teatrais ou arcabouços monumentais. Apenas o ser e o estar, sem maquinações de laboratórios ou defesas brilhantes de teses que não servem absolutamente para nada. A ambientação é urbana. Demasiadamente urbana. O livro tem cheiro de ferro, aço, vidro, plástico e asfalto. A cor predominante é o cinza chumbo do concreto. As arestas, as janelas, o riso tímido e os ruídos, ficam por conta do imenso tráfico de humanidade que existe em cada metrópole, mesmo que a província esteja registrada na carteira de identidade.

O sotaque de Sidney Rocha é extremamente simpático e envolvente. Suas pequenas histórias são rápidas, mas são duradouras. São novas trilhas abertas nesse emaranhado literário contemporâneo. São contos pequenos na quantidade de linhas, mas são enormes em seu feitio artístico. Nem os maneirismos de vitrine, as soluções programadas dos Best-sellers, os mistérios cinematográficos e nem as patéticas claquetes da chamada cultura alternativa você encontrará aqui. Também não espere a natureza ser salva, a corrupção ser extinta, o capitalismo ser desmascarado, o povo ser celebrado através do resgate das raízes culturais. Muito menos a confissão mirabolante dos sete anões no caso de estupro da panaca branca de neve.

Sugiro que a sua leitura comece exatamente pelo conto que dá título ao livro, exatamente na página 23. Quando a personagem começa retirar da bolsa todas as suas importâncias, o leitor é apresentado a um escatológico desfile de objetos e fetiches. Eis o valor de uma lembrança. Eis o ser inserido em sua significativa insignificância. É só um lampejo. É só um fôlego. A partir daí, então, você terá um universo inteiro aos seus pés, pois literalmente o seu mundo será colocado de cabeça para baixo. Esse é um livro próprio para quem tem o hábito da leitura. Mais definitivamente: é um livro impróprio para quem não largou o hábito e vive de antigas sagrações

Notícias do Crato para o Dia 05 de Janeiro de 2010

Programa Bolsa Família em Crato retorna suas atividades normais próximo dia 11

O Governo Municipal do Crato em parceria com a Secretaria de Ação Social e Coordenação do Programa Bolsa Família, encerrou suas atividades de 2009, no ultimo dia 24 de dezembro. As atividades normais irão retornar na próxima segunda-feira, dia 11, salientando que o recadastramento do Programa só começará a ser realizado no próximo mês de fevereiro.

Tradicional cortejo de Dia de Reis acontece em Crato

O município do Crato finaliza a programação para festejar Dia de Reis, no 6 de janeiro, com o tradicional cortejo dos grupos de tradição popular. O trabalho será coordenado pela Fundação Mestre Elói, através do seu presidente Catulo Teles. O desfile dos grupos de coco, reisados, banda cabaçal e a queima da lapinha, acontecem no final da tarde, na praça da Sé, saindo do Centro Cultural do Araripe, onde todos os anos os grupos inicialmente se reúnem. A festa é uma das mais tradicionais da região e conta com o apoio e infraestrutura da Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude do Crato.

Secretaria de Cultura do Crato apóia o Cine Sesi Cultural

Com o propósito de fortalecer as práticas ligadas as produções do audiovisual e da arte cinematográfica no Cariri, o Cine Sesi Cultural iniciou ontem, segunda, dia 04 a oficina de Animação para Cinema (“STOP MOTION”) no auditório do Centro Cultural do Araripe. A oficina que terá duração de 20h/a – terminando na próxima sexta-feira, dia 8 - é gratuita e conta com o patrocínio do SESI, a parceria da Secretaria da Cultura, Esporte e Juventude do Crato e com o apoio do Ponto de Cultura Carrapato Cultural.

A oficina está sendo ministrada pela equipe do instrutor de cinema Diego Mascaro, e objetiva repassar o método de produção “stop motion”, que é a técnica de animação na qual o animador trabalha fotografando personagens e objetos. Confeccionados em miniaturas, geralmente em massa de modelar, papel machê ou “bisqüí”, os modelos são movimentados e fotografados quadro a quadro. Estes quadros são posteriormente montados em uma película cinematográfica, criando a impressão de movimento. A idéia é fazer uma reflexão sobre a produção cinematográfica do Brasil, enquanto , de forma lúdica, criar, se produzir vários curtas de animação. Os resultados dessa atividade serão mostradas nos dias 19, 20 e 21 de março, em tela grande, no Centro Cultural do Araripe no Largo da RRFSA.

Fonte: Assessoria de Imprensa
Governo Municipal do Crato
Fone/Fax - (88) 3521.9960
Mais informações:


http://www.crato.ce.gov.br
http://www.prefeituramunicipaldocrato.blogspot.com

Órfãos de Padre


Nos dias de hoje, a Igreja Católica atravessa uma “entressafra” de bons Padres. A percepção é mais latente no momento da missa onde a celebração sai de sua “rotina”, o sermão. Nesta hora é que se percebe a qualidade do celebrante. No caso do Crato, e por que não do Cariri, desde a transferência de Padre Raimundo Elias para Europa, milhares de fieis ficaram órfãos de Padre.

Particularmente, como freqüentador assíduo de suas missas, achei na época do anúncio de sua ida para o Doutorado na Espanha, muito difícil encontrar um Padre que o substituísse a altura, mas guardava dentro de mim a esperança de encontrar alguém que passasse o “básico”. Básico significa para mim: alguém com formação e estudo suficientes para ter o compromisso de previamente organizar um sermão, baseado nas leituras da missa e que através destas deixasse aos presentes, dentro de um limite de tolerável de tempo, uma palavra de reflexão de uso prático. Resumindo: deixasse mensagens que eficientemente acrescentassem algo de motivante e real na vida de cada um.

Este desabafo é de alguém que buscou insistentemente um pastor. Fui a muitas paróquias, às vezes, em horários diferentes só pra saber se havia outro celebrante. Nada! Encontrei discursos vazios, mal organizados ou desorganizados mesmo! Frases superficiais e pouco, ou pouquíssimo, acrescentadoras. Faltava até credibilidade no que era dito pelo tom de descompromisso com o qual por algumas vezes se “jogavam” os trechos bíblicos. Comecei a achar que o problema era comigo! Não estava sendo tolerante o suficiente ou estava buscando uma cópia que simplesmente não iria aparecer do dito Padre. Comecei então a perguntar aos amigos e conhecidos onde eles assistiam a missas e se haviam encontrado um bom Padre. A resposta era sempre: “estamos indo a missa, mas os Padres...”

Neste mundo contemporâneo de tantas necessidades a maior delas deve ser a do alimento da alma. Principalmente num país em desenvolvimento como o nosso, a missa ou a celebração religiosa que seja, acaba por ser a única oportunidade de reflexão orientada de grande parte da população. Sem dúvida, a responsabilidade é enorme e os prejuízos podem ser igualmente profundos. Espero que com esse depoimento, alguns Padres procurem buscar o desenvolvimento de suas habilidades de oratória e renovar seus estudos bíblicos, filosóficos e psicológicos tão importantes na orientação de seu rebanho. Espero ainda que jovens vocacionados ao sacerdócio compreendam que seu público está mais atento ao que é oferecido, e que é preciso muito mais preparo e conhecimentos para alcançar os corações do povo de Deus.

Dimas de Castro e Silva Neto
Engenheiro Civil, Mestre em Gerenciamento da Construção
pela University of Birmingham e Professor do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri

Geopark Araripe impulsiona atividades para Conferencia Global na Malásia

Por Carolina Barros

Em 2006 o território que compreende mais de 5 mil km da Bacia Sedimentar do Araripe foi reconhecido como único Geopark do hemisfério Sul. A chancela concedida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), reconheceu a importância dos registros geológicos, paleontológicos, antropológicos, ambientais, paisagísticos e culturais que integram o patrimônio da região.

A aprovação da UNESCO, após os cinco anos, deve passar agora por uma nova análise. O processo que avalia o desenvolvimento dos trabalhos realizados para a consolidação do projeto Geopark Araripe já começou.Para manter o selo,a unidade deverá corresponder a mais de 50 critérios de desempenho obrigatório. Os itens serão somados em uma pontuação que levará em conta a qualidade das ações de desenvolvimento nas áreas de educação, gestão, meio ambiente e infra-estrutura.

Este mês uma comissão formada por representantes dos Geoparks internacionais, Ministério da Cultura e Ministério da Integração Nacional, junto a gestores da Secretaria de Cidades do Estado, URCA e do Geopark Araripe participaram do I Encontro Brasileiro de Geoparks. Na ocasião foram apresentadas as próximas etapas do projeto que passará a integrar a rede nacional, esta cuidará da criação de novas iniciativas para serem apresentadas durante a próxima Conferência Global em 2010 na Malásia.

A visita da comissão estabeleceu pontos importantes para o reconhecimento do Geopark Araripe,como apresentação da estrutura local aos representantes internacionais e estados colaboradores do Brasil. Artur Sá, coordenador científico do Geopark Arouca em Portugal se disse impressionado com o patrimônio fossilífero de Santana do Cariri.O encontro também facilitou o intercâmbio de conhecimento com novas experiências que vem acontecendo nos geoparks internacionais.

Atualmente está sendo executada uma ação para aproximar o projeto das comunidades da zona rural e do entorno dos geosítios, a idéia é integrar a população com as unidades. De acordo com Idalécio de Freitas, gerente do Geopark Araripe, a missão dos moradores destas áreas será “zelar pelo patrimônio e se constituir como ator social no processo de reconhecimento do Geopark.
Paralelo a esta iniciativa estão sendo realizados seminários em cada uma das seis cidades incluídas na área do Geopark Araripe, o objetivo é consultar a comunidade para elaborar o Plano de Ação.

O apoio científico está sendo repassado através de pesquisas de universidades como a URCA, UFC e UFRJ. Na última semana uma equipe de professores, estudantes e paleontólogos esteve visitando os geotopes para o reconhecimento das áreas. Outra parceira significativa será a do Ministério da Integração Nacional que prevê investimento de mais de 12 milhões no projeto.

Fonte: site do Jornal do Cariri

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Quase noite no Umari - Por Emerson Monteiro

Água e óleo não se misturam

Por Pedro Esmeraldo
Se de nosso lado, partimos para luta com alegria e ufanismo é porque desejamos alcançar o crescimento com equilíbrio e melhoria de produtividade com aptidões técnicas, e tudo isto sendo aplicado em todas as atividades políticas.

Quando falamos que somos contra certos atos inócuos e decrescentes "que inibem o desenvolvimento" olhamos com bons olhos as maldades que ocorrem na cidade, pois somos perseguidos por pessoas indecorosas que "constantemente" vêem nos enganando "com tapinha nas costas" imitando gato e procurando esconder as unhas, visto que o maior desejo é empurrar o Crato para o atraso, fixando-se na corrente emergente da estrada sinuosa impulsionando para o atraso. Nós, os cratenses, não reagimos aos insultos e permanecemos numa via pactuai, procurando convencer que os cratenses também pertencem a mesma origem e podemos contribuir com a mesma qualidade de trabalho a fim de alcançarmos o nosso objetivo.

Avisamos portanto, que não pertencemos a uma aldeia de índios para que venham nos atirar pedra constantemente, ameaçando esse povo que vive perseguido pelas artimanhas das cidades vizinhas. Somos fortes, não temos medo de enfrentar o barco e vimos contribuir com merecimento avantajado, não desejando cair no âmago do desespero. Mostramos que temos coragem de lutar com impetuosidade.

Prevenimos que cumprimos com a obrigação de defender a nossa terra, desincumbindo-se com esforço, com o intuito de proteger a cidade dessa política desvairada que afasta os seus verdadeiros líderes das atividades públicas. Deixam-nos esquecidos, devido a falta de apoio das autoridades de Fortaleza e permanecemos sem apetite e não temos coragem de investir atualmente no Crato. Notem bem, reclamamos o desinteresse pelas construções do Centro de Convenções e da estátua de Nossa Senhora de Fátima, que estão em marcha lenta, a passo de tartaruga, sem procurar apressar para enaltecer os ânimos do povo cratense.

Desejamos portanto, que o cratense seja mais esperto e não venha aceitar essa desigualdade acometida pelas autoridades de Fortaleza e que parece que estão esmorecida em investir no Crato e o seu desejo é ver o Crato amofinado, sem luta, deixando o povo esmorecido e sem esboçar nenhuma reação.

Pensando bem, se as autoridades se interessassem pelo Crato, ganharíamos limites favoráveis e estaríamos tão adiante que jamais poderíamos ser alcançados. Se os prefeitos passados, tivessem atividades políticas, não estaríamos sofrendo essa consequência desagradável, e os cratenses cruzariam uma linha de equilíbrio de progresso percentual.

Mas nada disso aconteceu! Esses prefeitos, excetuando-se Dr. Raimundo e o capitão Ariovaldo, de uma incompetência fora de série e não souberam administrar esta cidade com impetuosidade. Alguns deles foram pusilânimes, não olharam bem para o futuro. Houve tanta fraqueza desses homens que um deles teve hábito de colocar faixa com propaganda dizendo que seria o maioral: Um dia apareceu um senhor desejando investir no Crato com uma escola de ensino superior, solicitando do prefeito, um terreno para execução dessa obra universitária. Pasmem senhores, esse senhor negou o terreno para esse melhoramento, alegando que o diretor da faculdade não teria capacidade técnica de construir escola de nível superior no Crato e o Crato perdeu essa grande aquisição escolar e o povo cratense ficou andando em marcha a ré, mergulhado no caminho do atraso.

Agora mesmo, somos contrários a criação de outros municípios, já que não têm condições de jeito nenhum de se elevar à categoria de cidade. Olhem que esses pequenos municípios (sem estrutura) não marcham bem pelo caminho fértil do desenvolvimento. Acarretam a desordem administrativa, já que não têm condições de seguir as leis federais com pagamento salarial obrigatório e permanecerá com o pires na mão, pedindo ajuda ao poder central, que provocará o aumento de dívida interna, acarretando a alta de juros e a corrupção administrativa.

Para isto, publicamos aqui um recorte do Jornal Diário do Nordeste, do dia 10/12/09 na coluna de Neno Cavalcante, dizendo: Dos 184 municípios no Ceará, 162 estão na margem da lei, no que se refere ao preceito constitucional que nenhum trabalhador pode ganhar menos de um salário mínimo. O dinheiro só presta para as maiores esquisitices; principalmente para usufruto do prefeito. Não sobra nada para remunerar os funcionários com o mínimo de decência e de dignidade.

Notamos ainda, referente a área geográfica deste distrito, não tem condições de ser elevado a cidade. Também não devem invadir área de outros distritos, pois consideramos jogo sujo. Acontece também que nem toda a população é favorável e nem quer deixar de ser cratense e a maior parte diz: prefiro ser cratense do que ser serrano, outrossim, avisamos que o óleo não se mistura com água, devemos tomar cuidado para não esfarelar o nosso pensamento digno de bom cratense.

Férias no Ceará: agito começa no dia 7 de janeiro

Serão seis atrações nacionais e bandas regionais farão a abertura dos shows. Todos serão gratuitos.

O período de férias promete muita agitação nos quatro cantos do Estado. Do dia 7 de janeiro ao dia 7 de fevereiro cearenses e turistas poderão conferir grandes shows de bandas nacionais e locais na quarta edição do Férias no Ceará. Quem abre a temporada de alegria são os mineiros do Jota Quest. A banda se apresentará na quinta-feira, 7 de janeiro, no município de Itapipoca, Litoral Oeste, no Campo da Antiga da Estação. A mineirada segue viagem pelo Interior e no dia 8 estará em Quixeramobim, no Sertão Central. No sábado (9), será a vez de Fortaleza conferir o Jota Quest no Parque do Cocó e no domingo (10) será a vez de Juazeiro do Norte, no Cariri, curtir o som da banda.

O Férias no Ceará percorrerá 16 municípios do Estado: Fortaleza, Itapipoca, Quixeramobim, Juazeiro do Norte, Crateús, Crato, Barbalha, Guaramiranga, Iguatu, Sobral, Cascavel, Tauá, Aracati, Camocim, São Benedito e Limoeiro do Norte. E quem vai fazer o Ceará ferver são as bandas Jota Quest, NX Zero, Skank, Biquíni Cavadão e os cantores Nando Reis e Lulu Santos. Várias bandas regionais estarão presentes na abertura dos shows.

Todas as atrações são gratuitas e começam a partir das 20 horas.

Fonte: Site do Governo do Estado do Ceará

CARIRI: Projeto busca preservação da água


Pesquisadoras avaliam qualidade da água no Interior e
envolvem comunidades na preservação

A água no Interior do Estado é desperdiçada e poluída. Esta é a avaliação parcial feita pelo projeto "Água Pra Que Te Quero", desenvolvido pelas ambientalistas Nivia Uchoa e Cris Vale nas bacias hidrográficas de Banabuiú, Salgado e Alto Jaguaribe. O foco central é uma documentação fotográfica da água e sua relação com o ser humano, no sentido de sensibilizar a sociedade sobre a preservação dos recursos hídricos para as futuras gerações.

Recentemente, elas estiveram no Crato com o objetivo de dar continuidade ao projeto, que será concluído em abril com a publicação de um documentário que será distribuído para órgãos ambientais e escolas. Começaram o trabalho pela poluição do Rio Batateira, que nasce no pé da serra e é contaminado pelos dejetos de Crato e Juazeiro, desembocando no Salgado.

De acordo com a coordenadora do projeto, Cris Vale, o trabalho pretende destacar práticas positivas e negativas do uso da água no cotidiano. Também estimula e difunde a fotografia como exercício de sensibilização, reflexão e estética através de ações de animação cultural. Neste contexto, estão sendo promovidas exposição fotográfica, conversa sobre fotografia e sua relação com a água, bem como caminhada fotográfica nos municípios participantes.

As fotos de Nivia Uchoa denunciam a riqueza da natureza e a pobreza de milhares de nordestinos que vivem miseravelmente. O homem, cercado por uma natureza exuberante, é dissolvido na lama dos rios e açudes poluídos. Uma das fotos mostra a cozinha e os utensílios domésticos de uma casa sertaneja ao lado de um sanitário. Outra foto denuncia o trabalho infantil num açude.

As ambientalistas mostram que a poluição é também resultante da pobreza extrema. O meio ambiente é analisado, sem dissociá-lo das questões humanos. Homem e rio se misturam, não se sabe onde um termina e o outro começa. Esta é a reflexão que elas pretendem despertar numa geração muito mais preocupada com o meio ambiente do que com as questões sociais.

O trabalho pretende envolver, além das prefeituras, as escolas e bibliotecas públicas, centros culturais, galerias de arte, secretarias municipais de educação, cultura, saúde e meio ambiente e Secretaria da Cultura do Estado (Secult). Além disso, os parceiros do projeto são convidados a difundir o projeto, como forma de informação e democratização do acesso às ações educacionais e culturais do projeto.

No Cariri, os municípios participantes são Barbalha, Crato, Juazeiro do Norte e Brejo Santo. O projeto "Água Pra Que Te Quero" conta com o apoio cultural da Secult, através da Lei de Incentivo à Cultura, além do apoio institucional da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) e Expresso Guanabara. A consultoria é da Anima Cult e a colaboração das prefeituras dos municípios participantes. No Crato, o apoio da Prefeitura é através das secretarias da Cultura, Esporte e Juventude, além da Secretaria do Meio Ambiente.

Fonte: site do jornal Diário do Nordeste

domingo, 3 de janeiro de 2010

Fim da guerra santa

" É impossível negar a responsabilidade de Cícero na sedição de Juazeiro, por mais que ele próprio sempre tenha afirmado o contrário. Nem Floro Bartolomeu , nem os figurões da região, agrupariam tamanho exército de sertanejos sem a bênção de Cícero .

Padre Cícero está a um passo da reabilitação. Até o último de seus dias, Cícero desejou morrer reconciliado com a Igreja que o renegou. O jornalista e escritor Lira Neto, autor de "Padre Cícero - Poder, Fé e Guerra no Sertão", fala nesta entrevista do seu livro, um dos lançamentos mais importantes de 2009, e da real possibilidade da reabilitação de Padre Cícero Romão Batista.


A partir do subtítulo - "Poder, Fé e Guerra no Sertão" -, você parece deixar claro que não poupa padre Cícero das muitas críticas negativas atiradas contra ele pelos detratores .

É evidente que não. Não escrevi o livro para poupar Cícero do que quer que seja. Fiz uma pesquisa rigorosa, procurando contextualizar o biografado em suas circunstâncias históricas. Não coloquei panos mornos, não tergiversei, não furtei ao leitor o direito de conhecer as nuances e as contradições de um personagem tão polêmico como Cícero. Procurei traçar um retrato de corpo inteiro, o mais fiel possível, deste homem profundamente enigmático e controverso. Há passagens da obra que, por certo, oferecem munição pesada para os eternos detratores do padre. Mas também há outras que explicitam o fato de que Cícero foi alvo, à época, de um inquérito eclesiástico que hoje nos parece etnocêntrico e tendencioso. A história, como sempre, é bem mais complicada do que, à primeira vista, aparenta. Mas de que "barbaridades", exatamente, você fala?

Por exemplo, na relação de Cícero com Floro Bartolomeu durante a sedição de Juazeiro, praticamente o padre foi poupado no seu livro.

Não concordo, em absoluto, com tal ponto de vista. Ao contrário. É impossível negar a responsabilidade de Cícero na chamada sedição de Juazeiro, por mais que ele próprio sempre tenha afirmado o contrário. Basta dizer que seria impraticável, para Floro e para os demais chefetes daquele movimento armado, arregimentar tamanho "exército" de sertanejos sem a bênção explícita de Padre Cícero Romão Batista. Os documentos citados no livro, com todas as letras, mostram que o padre se comunicava ativamente com a vanguarda da sedição. Se Floro era o líder material da revolta, Cícero era o mentor espiritual dela. Contudo, os documentos também comprovam que a ação de Floro e de Cícero estava "legitimada" por uma articulação de bastidores com o governo federal, que queria depor um adversário político, o então governante do Ceará, Franco Rabelo. Mais uma vez, qualquer tentativa de interpretação maniqueísta do episódio tende a cair por terra. É um exercício inútil buscar vilões e mocinhos nesta biografia de Cícero.

Você quer dizer que Cícero, junto a Floro Bartolomeu, envolveu o então presidente Hermes da Fonseca e o poderoso senador Pinheiro Machado para derrubar Franco Rabelo e restabelecer a oligarquia acyolina?

A questão estaria mais bem colocada na ordem contrária. O sinal dessa questão está invertido. A deposição de Rabelo foi tramada no Rio de Janeiro, no Morro da Graça, na casa de Pinheiro Machado, então a eminência parda da República, o homem mais poderoso do Brasil à época. Reduzir a sedição a um episódio provinciano é um erro atroz. O Palácio do Catete, então sede do governo federal, aproveitou-se das instabilidades políticas do cenário regional e utilizou-se da influência de Padre Cícero para derrubar o opositor que ocupava a cadeira de governante do Ceará. Uma mão lavou a outra. Floro viajou ao Rio para acertar pessoalmente com Pinheiro Machado os detalhes do movimento, enquanto os dois bebericavam licores em taças de cristal. Num lance rocambolesco, a correspondência entre os conspiradores de Juazeiro e os de Fortaleza foi interceptada pela polícia e trocada por envelopes com papéis em branco. A trama estava descoberta. Floro Bartolomeu não viu outra saída senão antecipar-se à repressão que viria, deflagrando a revolta por conta própria e antes da hora.

Quando formou o exército de jagunços para derrubar Franco Rabelo, Cícero já não deveria saber que seria impossível controlar tamanha tropa de bandoleiros e cangaceiros?

O "exército" arregimentado por Floro era composto por sertanejos das mais variadas procedências. Havia agricultores e beatos entre eles, mas também notórios jagunços e cangaceiros. Gente que não pensou duas vezes antes de pegar no rifle e no bacamarte para defender Juazeiro, que parecia condenada a se tornar uma nova e trágica Canudos, pois tropas estaduais foram enviadas ao sertão com o objetivo de destruir a cidade. São célebres os mandamentos de Cícero aos combatentes: não atirar por trás, não matar quem estivesse fugindo, não saquear as cidades, não violar as mulheres. Mas, numa guerra, no fogo cerrado, a primeira vítima logicamente é a racionalidade. Os conselhos do padre foram ignorados. Valeu a máxima de que não se faz uma revolução sem os incendiários; mas também é impossível governar com eles. De fato, após a vitória dos homens de Floro, o governo federal decretou a intervenção e não permitiu que Juazeiro nomeasse nenhum membro efetivo do governo na nova ordem estabelecida.

Mas por que, afinal, Cícero colocou tanto poder nas mãos de um homem irascível e difícil como Floro?

Já houve quem classificasse Floro como uma espécie de alter-ego de Cícero. Não faltou até quem quisesse adivinhar uma relação platônica inconfessada entre aqueles homens aparentemente tão desiguais. Prefiro dizer que, naquele momento, um tornou-se útil ao outro. Em pouco tempo, eram indispensáveis entre si. O livro mostra as raízes da relação. Exponho de forma minuciosa as motivações de ambos. Floro, médico, rábula e garimpeiro, era um aventureiro em busca de fortuna e de poder. Por seu turno, Cícero, já proscrito pela Igreja, reconheceu na astúcia de Floro Bartolomeu a oportunidade de se reinventar no território escorregadio da política cearense.

JOSÉ ANDERSON SANDES
Editor do Caderno 3 do jornal Diário do Nordeste

O Nascimento dos humanos

Luiz Domingos de Luna*
O cheiro dos seres humanos é algo muito forte, via de regra, usamos os nossos sentidos como janelas para o mundo exterior, de fato, a silhueta do homo sapiens corrobora para a exteriorização do nosso ser, nós somos meros captadores e consumidores de meio externo, há sempre um preocupação exagerada com a exterioridade, até parece que esta preocupação está timbrada no nosso DNA, em prosseguimento, as formas sociais vão desenhando o espaço pensamental de cada um, vivemos numa eterna fábrica de seres humanos, ou desumanos, pois o circulo cultural permeado em cada um tem um potencial modificador, capaz inclusive, de mascarar o direcionamento biológico.
O Contrato Social é a base, ou motor primeiro, para a harmonia do homem no espaço tempo vez que, um contrato obsoleto cria masmorras para sociedade, ou presilhas inoportunas, que inviabilizam a harmonia na floresta humana.
O Nascimento pleno do ser humano surge quando ele é capaz de colocar a sua objetiva para o seu interior, observar que o disforme social, é uma coletânea dos disformes individuais que, a elasticidade do tempo, esta geléia vai ganhando corpo, solidez e unicidade. É este monstro que assusta a sociedade e a coletividade humana como um todo.
Falta ao ser humano o pigmento radioativo do bem comum em todas as suas dimensões, desde o menor tecido sociológico ao maior.
Enquanto não existir um contrato social que dê a legitimidade, a legalidade das forças internas presente em cada um para a disposição da aptidão do estar sempre a serviço do bem comum, por que no final das contas somos a massa humana planetária em movimento num carrossel giratório na roldana deste tapete tortuoso – Todo planeta sofre, se abala e chora.
(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra – Aurora -CE
(*) Colaborador do blog Cariri Agora !



Alacoque Bezerra: uma vida dedicada a educação


Por Mirelly Morais

Maria Alacoque Bezerra de Menezes exerceu importantes papéis em todas as áreas que atuou: professora, empresária, banqueira, senadora, escritora, mãe, avó e bisavó. Hoje aos 87, vive cercada de carinho no casarão da família, em Juazeiro do Norte.

Descendente daqueles que fundaram o Tabuleiro Grande, onde hoje se situa a cidade de Juazeiro do Norte, neta do brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, nasceu na localidade de “Salgadinho”, pedaço de terra às margens do Rio Salgado, aos 10 de fevereiro de1922.

Filha de José Bezerra de Menezes e Maria Amélia Bezerra de Menezes, a primogênita de 7 irmãos, Leandro Bezerra, Adauto e Humberto Bezerra, Neide, Orlando e Ivan Bezerra, Alacoque foi aquela que sempre esteve na sua terra. Casou-se com José Maria de Figueiredo, com quem teve três filhos: Amélia Maria, Ivanhoé e Magda, sendo avó de 4 netos e 5 bisnetos.

Educada inicialmente no Cariri, tendo cursado o ensino primário em Juazeiro e o secundário no Instituto Santa Tereza, na cidade do Crato, Alacoque foi para Fortaleza e formou-se normalista pelo Colégio das Dorotéias, retornando para lecionar na cidade natal como mestra.

Durante esse tempo, fez o curso superior na Universidade Regional do Cariri (URCA). Com o título de terceiro grau, foi diretora do principal grupo escolar de Juazeiro, o Grupo Escolar Padre Cícero. Passou por outras instituições de ensino e logo depois foi nomeada Delegada Regional de Ensino no Cariri. Trabalhou em prol do aperfeiçoamento e difusão do ensino secundário, ampliando serviços e assistindo toda a Região, tendo inclusive, trazido para Juazeiro a sede da antiga DERE (Atualmente Crede) e conquistando o reconhecimento por parte do Estado, quando homenageada no momento em que deixou o cargo no órgão.

Com suas características de educadora, dedicou sua vida ao magistério e construiu um grande número de amizades, que nunca deixaram de frequentar sua casa, é o que atesta o Dr. Nildo Rodrigues, criado e educado por Alacoque, que se emociona ao falar da pessoa por quem tem tanto apreço. “Ela é uma pessoa dedicada aos outros”.

Primeira senadora
No cenário político também ganhou destaque: Alacoque Bezerra foi a primeira mulher cearense a ocupar uma cadeira no Senado da República, exercendo mandato de 18/10/1989 a 15/02/1990. Assumiu na vaga do Senador José Afonso Sancho, do qual era suplente quando eleita no pleito de 15 de novembro de 1982, pela legenda do PDS. Reforçou sua luta pela educação, tendo apresentado projetos para regulamentação do piso salarial para o magistério e defendendo a qualificação da merenda escolar.

Para o historiador Geraldo Barbosa, “Alacoque é hoje considerada símbolo da nossa cultura pelo que realizou na educação, podendo ser comparada a professora Amália Xavier de Oliveira, a primeira educadora de Juazeiro, diz Dr. Geraldo, acrescentando seus valores comportamentais e éticos e a desenvoltura cultural com que deu sua parcela de contribuição para a educação de Juazeiro. Ela fez a biografia do seu pai, num livro intitulado: José Bezerra de Menezes, o pacificador.

Coube ao jornalista Blanchard Girão escrever um livro sobre a vida dela. Que foi publicado pela Editora ABC, intitulado de: Alacoque Bezerra - A Madrinha de Juazeiro.

Fonte: site do Jornal do Cariri

Livro da Irmã Edaltraut será lançado dia 16 de janeiro





Será no próximo dia 16 de janeiro, em Barbalha, o lançamento do livro Um pouco de perfume – Realce Editora e Ind. Gráfica, Fortaleza (CE), 242 páginas – que resgata alguns escritos de Irmã Edeltraut Lerch nas áreas da Administração Hospitalar e Religiosidade. O livro – que teve como editor, coordenador e revisor, o advogado Emerson Monteiro – recebeu apoio cultural dos empresários Raimundo Tadeu e Luiziane Alencar.

A apresentação da obra é de Armando Lopes Rafael. A capa e diagramação são de Cláudio Henrique Peixoto. Fotos da capa: Emerson Monteiro. Editora: BSG - Juazeiro do Norte CE. Gráfica: Realce - Fortaleza CE.

No final do livro constam ainda iconografia e depoimentos de Napoleão Tavares Neves, Geraldo Menezes Barbosa e Teresinha de Jesus Couto Duarte.

Trechos:
“Um japonês de 18 anos jogou-se de um rochedo, deixando como despedida este bilhete lacônico:
“Suicidei-me por não saber o sentido de minha vida”.

O que é afinal a vida?

A vida é o que dela fazemos. Cada pessoa recebe de Deus uma chance. Livres, podemos valorizar ao máximo, ou jogar fora essa oportunidade que o Criador nos enseja.

Definimos a vida de acordo com a nossa filosofia existencial, segundo nosso lucro de valores. É a nossa mentalidade que empresta as dimensões a tudo. Somos o que pensamos”.

“Torna-se velho quando se deixa de progredir na vida. Cabe a cada um interrogar-se. Não passamos a ser velhos por ter vivido certo número de anos. “Passamos a ser velhos quando abandonamos o nosso ideal de vida” (General MacArthur) .

Alguém é velho quando os pesares toma nele o lugar dos sonhos...”

Release de Armando Lopes Rafael.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Convite da Associação Nacional dos Professores de História (ANPHU/Ceará) para o lançamento do XII Encontro Estadual de História do Ceará

Convidamos os colegas historiadores para participarem do lançamento do XII Encontro Estadual de História do Ceará, que ocorrerá no Cariri de 21 a 25 de junho de 2010.


O lançamento ocorrerá na URCA, escola anfitriã, no dia 08 de janeiro (sexta-feira), às 19:00 h.

Na oportunidade também será lançado o site da ANPUH-CE e o primeiro número da EMBORNAL (revista eletrônica da ANPUH-CE ), onde também será lançada a chamada de artigos para o segundo número.

Será um momento de importantes conquistas para a nossa entidade que em 2010 completará 39 anos.

Esperamos por vocês no Crato.

Prof. Altermar Muniz

(Presidente da ANPUH-CE)

Férias no Ceará: Jota Quest abrirá temporada de shows


O objetivo é movimentar, com shows gratuitos, o público jovem e turistas, com bandas locais e nacionais

Tudo pronto para o festival “Férias no Ceará”, uma promoção do Governo do Estado, que terá início no próximo dia 7 e se estenderá até 7 de fevereiro em várias regiões. O objetivo é movimentar, com shows gratuitos, o público jovem e turistas, com bandas locais e nacionais.

Quem abre a temporada é a banda Jota Quest, que vai se apresentar na quinta-feira, no município de Itapipoca (Litoral Oeste), no Campo da Antiga da Estação. A mineirada segue viagem pelo Interior e no dia 8 estará em Quixeramobim (Sertão Central). No sábado, será a vez de Fortaleza conferir o Jota Quest no Parque do Cocó e no domingo será a vez de Juazeiro do Norte (Região do Cariri) aproveitar o som da banda.

O Férias no Ceará percorrerá 16 municípios do Estado e todas as atrações se apresentarão sempre a partir das 20 horas.
Fonte: site do Diário do Nordeste

Folia de Reis encena temas medievais nas ruas do Cariri


Reisado do Mestre Aldenir é considerado um dos mais originais folguedos folclóricos mantidos atualmente. As apresentações acontecem à medida que o grupo de Reisado chega à casa onde existe um presépio montado

De origem portuguesa, Aldenir Aguiar é o mestre do Reisado que mantém o controle sobre os guerreiros brincantes

O reisado tem personagens variados que rememoram trechos do nascimento do Menino Deus. Toda a encenação é marcada pelo aspecto religioso, mesmo que a plateia esteja alheia a isto

Até o dia 6 de janeiro, quando comemora-se o Dia de Reis, serão realizadas apresentações de reisados no Cariri

As imagens coloridas do Reisado estão de volta aos terreiros das casas simples do sertão. De repente, guerreiros com danças e roupas medievais levam para as ruas a encenação dos romances de cavalaria, dos duelos sagrados entre mouros, cristãos e judeus, um espetáculo de arte e beleza que migrou da Península Ibérica para os palcos de chão batido do Cariri. É a Folia de Reis ou Reisado, um dos mais originais folguedos folclóricos mantidos atualmente.

À frente da caravana de guerreiros destaca-se o mestre Aldenir que, de espada em punho, comanda o exército de defensores do Menino Jesus contra a fúria dos soldados do Rei Herodes. Como herói dos filmes de espadachins, o mestre parte para a luta. Os gestos milenares, na interpretação do cineasta Rosemberg Cariry, perfuram os nossos corações pequenos.

Mestre Aldenir, segundo Cariry, não é apenas um mestre de Reisado, "é um príncipe, um fidalgo, de sangue real, reencarnado de dom Sebastião, o jovem rei que, segundo a mitologia portuguesa, perde sua vida em batalha". Ainda hoje, o sebastianismo sobrevive no imaginário popular, revivido pelo Mestre Aldenir que, na vida real, é também um fidalgo de tradicional família caririense.

Alto, magro, olhos azuis e educado, Aldenir Aguiar Callou perdeu no decorrer dos anos, o sobrenome Callou, de origem portuguesa, mas não perdeu a fidalguia. No comando de seus guerreiros ele se transmuda em rei. O mestre e o contramestre são as figuras mais importantes do Reisado e usam fitas cruzadas no peito, capas de renda e ombreiras para diferenciarem-se dos demais foliões.

O mestre é o regente do espetáculo. Utilizando apitos, gestos e ordens, comanda a entrada e saída de peças e o andamento das execuções musicais. A indumentária é adornada com muitos espelhinhos, bordados dourados e flores artificiais, de onde pendem fitas compridas de várias cores; saiote de cetim ou cetineta de cores vivas, até a altura dos joelhos, enfeitado com gregas e galões, tendo por baixo saia branca, com babados, blusa, peitoral, capa e meias vermelhas.

Como o próprio nome indica, o mestre ou embaixador tem que saber os versos tradicionais e também saber como improvisar outros, além de ser o responsável pelo grupo e pela maior parte das decisões, já que é um líder. Quando chega a uma casa onde está montado o presépio, é obrigatória a cantoria da anunciação do nascimento de Jesus, frente à representação popular da cena bíblica. Depois de "feita a obrigação", isto é, cantados os versos de fundo religioso, o mestre pode começar a improvisar, sobre temas sagrados ou não. Aldenir assume de corpo e alma o comando do Reisado.

No meio dos guerreiros ele se transforma em menino. Fora da ribalta sertaneja, o mestre lamenta a falta de apoio para manter o grupo. Os cachês, de R$ 200, em média, por apresentação, para dividir com 20 brincantes, não são suficientes para manter os integrantes, que são geralmente trabalhadores rurais, operários e estudantes. Muitas vezes, ele retira do salário que o Estado lhe paga como Mestre da Cultura parte do dinheiro para comprar as roupas.

Mestre Aldenir mantém três grupos folclóricos: o infantil, o de homens adultos e o feminino e masculino. Assim, fica mais fácil formar um grupo para apresentações não programadas. Fica mais fácil também, segundo o mestre, fazer a substituição. Ele justifica que a maioria dos brincantes estuda e trabalha. Ele diz que geralmente as mulheres, quando completam 15 anos, são as que mais desistem de brincar o Reisado.

MAIS INFORMAÇÕES
Casa do Folclore
R. Antonio Edson Gomes de Melo, 202 - Crato
(88) 3523.3583



HISTÓRIA RELIGIOSA
Brincantes fazem reverência a sábios

No Interior, o Reisado é uma dança do período natalino em comemoração ao nascimento do Menino Jesus e em homenagem aos Reis Magos: Gaspar, Melchior e Baltazar, que levaram ouro, incenso e mirra, que representam as três dimensões de Cristo (realeza, divindade e humanidade). O ponto alto da festa é o dia 6 de janeiro que, segundo a tradição católica, marca o dia para a veneração aos Reis Magos. Nesta data encerram-se os festejos natalícios, quando são desarmados presépios e as palhas queimadas.

Mestre Aldenir garante que as cinzas das palhas da lapinha são medicinais. O chá de cinzas é indicado no tratamento das dores de barriga, estômago e cabeça. "Eu mesmo já fiquei bom de uma dor de dente", afirma. "Afinal, aquelas folhas protegeram o Menino Deus".

Festa colorida
A característica principal do reisado está no uso de muitos adereços, trajes com cores quentes e chapéus ricamente enfeitados com fitas coloridas e espelhinhos. É composto de quatro a seis mascarados que dão vida, hilaridade e rebuliço à brincadeira. Eles também devem proteger o Menino Jesus e confundir os soldados de Herodes.

Acrobatas e declamadores representam os soldados perseguidores do Menino. O Reisado tem ainda rei, mestre-sala, alferes, a burrinha, o boi, o jaraguá, a arara, o caipora, a ema, entre outros personagens que podem aparecer, dependendo da região em que esta festa é realizada. Uma orquestra de violão, banjos, zabumba, triângulo, pandeiros, maracás e sanfonas animam os brincantes. Seus acordes servem de orientação às vozes e ordenam a evolução do espetáculo.

Solista e coro
A história narrada por intermédio de cantos é contada por um solista e um coro responde a ele uníssono por repetidas vezes. Os cânticos de chegada e de despedida são os mais belos da música folclórica nordestina.

Mas é na zona rural que o Reisado aflora em sua forma mais pura. Os brincantes batem de porta em porta brindando os amigos com sua energia e contagiante alegria, além do espetáculo que se constitui de uma peça teatral cantada, com entremeios cômicos. Depois, os integrantes do Reisado, em uma onda desordenada, vão espraiando-se pelas ruas. Versões mais modernizadas do evento acrescentam novas figuras ao seu culto secular. Reza um costume que, no Dia de Reis, deve-se escrever o nome dos três Reis Magos em um pedaço de papel branco e colocá-lo na porta de entrada da casa, para que haja durante todo ano, fartura, saúde e felicidade. O Dia de Reis também é conhecido como o Dia de Gratidão.

Uma das atrações do Reisado são os Mateus, espécies de palhaços, ou bobos da corte. As suas "momices" e caricaturas têm a intenção representativa de desviar a atenção dos soldados do rei Herodes da pessoa do Menino Jesus. Movimentam-se livremente. A presença deles tem fundo religioso: a conversão dos soldados de Herodes, o que, aliás, é comum nas Folias de Reis de outras regiões. Entretanto, ocorre a despeito da conscientização do aspecto religioso.

ORIGEM
Festa do Sol marca início do folguedo

A Folia do Reisado tem sua origem primária na Festa do Sol Invencível, comemorada pelos romanos e depois adotada pelos egípcios. A festa romana era comemorada em 25 de dezembro (calendário gregoriano) e a egípcia em 6 de janeiro. No século III, ficou estabelecido que dia 25 de dezembro se festejaria o nascimento de Cristo e 6 de janeiro, Dia dos Reis.

O Reisado chegou ao Brasil por meio dos colonizadores portugueses, que ainda conservam a tradição em suas pequenas aldeias, celebrando o nascimento do Menino Jesus. Em Portugal é conhecido como Reisada ou Reseiro.

No Brasil, a festa é uma espécie de revista popular, recheada de histórias folclóricas, mas sua essência continua a mesma, com uma mistura de temas sacros e profanos. O Reisado é formado por um grupo de músicos, cantores e dançarinos que percorrem as ruas das cidades e até propriedades rurais, de porta em porta, anunciando a chegada do Messias.

Antônio Vicelmo
Repórter

Missão de Pe. Ibiapina no Cariri faz 145 anos



Por Antonio Vicelmo para o jornal Diário do Nordeste


A data até o momento passou despercebida na região. Atuação do Padre Ibiapina no Cariri influenciou Padre Cícero

O ano de 2009 termina sem nenhuma comemoração dos 145 anos do início da ação missionária do Padre Mestre Ibiapina em terras caririenses. Uma data que, até o momento, passou despercebida, apesar dele ter deixado uma extensa obra social na região do Cariri, entre as quais a construção de casas de caridade, cemitérios, igrejas, açudes e barragens. Atualmente, o processo de canonização de padre Ibiapina encontra-se na Congregação das Causas dos Santos, no Vaticano.

Padre Ibiapina já é oficialmente reconhecido como Servo de Deus, após o documento "Nihil Obstat" da Santa Sé, emitido a 18 de fevereiro de 1992. No último dia 17 de setembro, por ocasião da visita "ad limina", os 22 bispos do Regional Nordeste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que abrange os Estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte), tendo à frente o arcebispo de Maceió, Dom Antônio Muniz Fernandes, solicitaram celeridade no processo de canonização do Apóstolo do Nordeste.

Esquecimento
"Infelizmente, não costumamos cultivar nossa memória", lamenta o professor de História da Universidade Regional do Cariri (Urca), Océlio Teixeira. O pesquisador também considera que "Padre Ibiapina, com certeza, foi o maior cearense do século XIX".

Numa época em que a Igreja Católica vivia atrelada ao Estado imperial e o clero, por sua vez, vivia longe do povo, Padre Ibiapina deu curso a um novo modelo e, conforme escreve José Comblim, rompeu "radicalmente com essa estrutura eclesiástica tradicional. Na idade em que muitos sacerdotes já pensam no seu estabelecimento definitivo, numa função sedentária que lhe permita economizar as energias declinantes, Ibiapina escolhe a vida itinerante no interior".

O assessor da Cáritas Diocesana, Alex Josberto Andrade Sampaio, a quem cabe a animação das ações sociais da Diocese do Crato, informou que as comemorações da atuação do Padre Ibiapina na região foram transferidas para o mês de novembro. Ele diz que o Padre Ibiapina é fonte do trabalho pastoral da Diocese.

Visitas
O trabalho missionário do Padre Ibiapina, também conhecido como "apóstolo do Nordeste" na região do Cariri teve início em 14 de outubro de 1864, na então vila de Missão Velha, estendendo-se até o início de fevereiro do ano seguinte. Durante esse período ele visitou, além de Missão Velha, a vila de Barbalha e o povoado de Conceição do Cariri, hoje município de Porteiras.

Como principal obra dessa primeira visita à região, Padre Ibiapina inaugurou, em 2 de fevereiro de 1865, a Casa de Caridade da vila de Missão Velha. A ideia de base das Casas de Caridade fundadas pelo religioso por todo o Nordeste era o acolhimento das pequenas órfãs. Ali as meninas receberiam uma educação completa e seriam preparadas para serem boas esposas e mães de família.

A educação nestas casas era tão boa, a cargo das irmãs que ficaram conhecidas por beatas, que muitas famílias pediram para que suas filhas pudessem participar da formação. Nas Casas de Caridade havia também a "roda de enjeitados" pela qual se recebiam as crianças cujas mães não tinham condições para criá-las.

Influência
Desse ato de inauguração da Casa de Caridade de Missão Velha participou o cratense Cícero Romão Batista, à época um jovem de cerca de vinte anos de idade, que segundo os mais diversos estudiosos foi fortemente influenciado pela pregação do Padre Ibiapina e pelo seu exemplo de serviço ao povo pobre e humilde do Cariri. Cícero viria a se tornar um dos líderes religiosos mais importantes da região, fazendo da cidade que fundou, Juazeiro do Norte, um polo de peregrinação.

A segunda visita à região ocorreu no período de maio de 1868 a agosto de 1869, passando mais de um ano na região. Nessa etapa, ele visitou Missão Velha, Barbalha, Caldas (vila de Barbalha), Crato, Goianinha (atual distrito de Jamacaru), Jardim, Porteiras, Milagres, Brejo Santo e Vila de São Pedro (atualmente Abaiara). As principais ações foram a construção de capelas, recuperação de igrejas e três Casas da Caridade.

A terceira e última visita do religioso ao Cariri ocorreu no período de 9 de fevereiro de 1870 a 25 de abril do mesmo ano. Visitou as Casas de Caridade implantadas na região. Depois dessa data, Ibiapina não realizou mais missões no Ceará. O padre peregrino continuou seu trabalho missionário até 1876, quando foi acometido por uma doença que o deixou paralítico, não podendo se locomover sozinho. Passou a residir na Casa de Caridade de Santa Fé, na Paraíba. Nessa Casa, ele viveu mais sete anos, participando ativamente da vida da comunidade. Faleceu no dia 19 de fevereiro de 1883.

BIOGRAFIA
Religioso optou pela vida missionária
José Antônio Pereira Ibiapina nasceu em 5 de agosto de 1806, na Vila de Sobral. Era o terceiro filho do casal Francisco Miguel Pereira e Teresa Maria de Jesus. Em 1816, sua família se transfere para a vila de Icó e Ibiapina é matriculado na escola do professor José Felipe. Nessa vila seu pai trabalhou como tabelião público, sendo convidado em 1919 para ocupar o mesmo cargo na recém-criada Comarca do Crato. Em Crato, Ibiapina teve aulas com o José Manuel Felipe Gonçalves.

Diante das agitações políticas após a Revolução Pernambucana de 1817, que teve na vila de Crato um de seus pilares no Ceará, o pai de Ibiapina, em 1820, resolve enviar o filho para a recém-criada vila de Jardim para estudar com o latinista Joaquim Teotônio Sobreira de Melo. Em 1823, toda a família se transfere para Fortaleza. Nesse ano morre sua mãe e Ibiapina ingressa no Seminário de Olinda, onde permaneceu por um curto período.

Em Fortaleza seu pai e seu irmão mais velho, Alexandre, se envolveram na Confederação do Equador. O pai foi fuzilado em 1825, e o irmão, preso em Fernando de Noronha, onde morreu pouco tempo depois. Ibiapina, que voltara ao Ceará no inicio de 1824, teve que assumir e manter financeiramente a família. Segundo o estudioso padre Francisco Sadoc de Araújo, foi nessa época que adotou o sobrenome Ibiapina, uma homenagem do pai à povoação de São Pedro de Ibiapina, como também fizeram outros confederados a fim de homenagear topônimos regionais.

Em 1828, Ibiapina retorna ao Seminário de Olinda para continuar os estudos. No entanto, permanece apenas seis meses. Após o seminário, Ibiapina ingressou no Curso de Direito do Recife, concluindo em 1832. No ano seguinte, Ibiapina exerce o cargo de professor substituto de Direito Natural na Faculdade de Olinda, foi eleito Deputado Geral e nomeado, em dezembro, Juiz de Direito da Comarca de Campo Maior (hoje Quixeramobim) do Ceará.

Concluídos os trabalhos legislativos, em 1837, Ibiapina voltou para o Recife e resolve exercer a advocacia. No entanto, ele passa a exercer efetivamente a profissão na Paraíba. Em 1840 volta ao Recife e continua a exercer a advocacia. A partir de 1850, no entanto, Ibiapina resolve abandonar seus trabalhos forenses e inicia um período dedicado à meditação e exercícios de piedade.

Após três anos de meditação e reflexão, Ibiapina decide-se pelo sacerdócio. Nesse sentido, em 12 de julho de 1853, aos 47 anos de idade, ele se tona Padre Ibiapina. Logo após sua ordenação, o Bispo Dom João da Purificação o nomeia Vigário Geral e Provedor do Bispado, e professor de Eloquência do Seminário de Olinda, mas opta pela vida missionária.

Padre Ibiapina começou então seu trabalho missionário pelo Interior do Nordeste. Até sua morte, em 13 de fevereiro de 1883, ele peregrinou por Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Piauí e Paraíba. Em cada lugar ele pregava, orientava, promovia reconciliações, construía açudes, igrejas, cemitérios, cacimbas, dentre outras tantas obras.

Em diversas vilas construiu Casas de Caridade, destinadas a moças pobres. Elas eram educadas para a fé, o exercício dos trabalhos domésticos e para o casamento. No Ceará ele esteve entre 1862 a 1870. Primeiro na região norte, na vila de Sobral e adjacências. Depois no Cariri, sul da província.

MAIS INFORMAÇÕES
Cúria Diocesana
Rua Teófilo Siqueira, 631
(88) 3521.1110
Fax: (88) 3523.7819.


Antônio Vicelmo
Repórter

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Santana recupera saúde e educação de Juazeiro do Norte



O prefeito de Juazeiro do Norte, Manoel Santana (PT) terminou a última semana de 2009, com uma série de obras que serão realizadas. Ele assinou, em praça pública a ordem de serviço para reformar 33 escolas. Ainda durante a última semana do ano, foi assinada a ordem de serviço para reforma do centro de dermatologia. Os trabalhos de recapeamento asfáltico da cidade continuam este início de 2010. Até agora já foram reasfaltadas 96 ruas e avenidas de Juazeiro, dentre elas, Rua José Marrocos, Avenida Castelo Branco, Rua São Pedro ,dentre outras.

Mesmo sendo constantemente atacado pela imprensa do PSDB, proprietária de emissoras de rádio e TV em Juazeiro, Santana fez algo inédito pela saúde: universalizou o atendimento para crianças e adolescentes, comprou um hospital para crianças e criou a Unidade de Pronto Atendimento do bairro Franciscanos. Agora, Juazeiro do Norte tem uma das mais completas redes de atendimento de saúde pública do interior do Estado, que se completará com a inauguração do Hospital Regional, ainda este ano de 2010.

Na imagem, Ricardo Lima, secretário de Educação ,e Santana, prefeito de Juazeiro, assinam ordem de serviço para reforma das escolas da rede pública municipal.