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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Centro Cultural BNB Cariri – Programação Diária

Dia 10 de dezembro (quinta-feira)

- 14h PROGRAMA DE RÁDIO: Compositores do Brasil, com Zé Nilton Figueiredo.

Programa de Rádio semanal que traz a obra de um compositor de música brasileira. O programa faz parte de uma parceria entre o Banco do Nordeste e a Rádio Educadora do Cariri, que inclui um programação diária diversificada de segunda a sexta-feira de 14 às 15 horas.

Rádio Educadora do Cariri AM 1020. 60min.

- 15h ARTES CÊNICAS - OFICINA DE FORMAÇÃO ARTÍSTICA: Auto Expressão Através dos Jogos Dramáticos, com Fátima Morimitsu, Ivete Alexandre e Cícero Pimentel (Juazeiro do Norte - CE).

O Gosto pela arte cênica na infância é marcado pelas brincadeiras e dramatizações que naturalmente surgem nas atividades infantis seja na escola ou em casa. Os jogos dramáticos possibilitarão uma interação da criança com técnicas de expressão corporal voz e noções de figurino e adereços com materiais recicláveis. 240min.

- 15h LITERATURA/BIBLIOTECA - BIBLIOTECA VIRTUAL

O curso tem como objetivo apresentar e discutir diversas possibilidades de utilização dos recursos e serviços básicos da Internet, tais como: navegação, busca e correio eletrônico. 12 horas/aula.

- 18h NOÇÕES BÁSICAS DE UTILIZAÇÃO DA INTERNET. 180min.

- 19h30m ARTES CÊNICAS - ATO COMPACTO: Entre e Saia Para as Entre-Salas, com a Cia. Etra de Dança Contemporânea (Fortaleza-CE)

Um espetáculo de dança-instalação que pretende mostrar o cotidiano de uma casa e as diversas relações entre pessoas e objetos. A pretensão é transformar a perspectiva do lugar em ser, não apenas uma passagem, mas algo que fuja dos padrões convencionais que delimitam a dança nos palcos, deixando o público livre para criar sua relação com o espaço, os objetos, o inesperado e as incertezas. Direção: Edvan Monteiro. Classificação Indicativa: 12 anos. 40min.

Fonte: Centro Cultural BNB Cariri (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Cor nas palavras.

No ocre que toma o verde da folha
O sal da lágrima que doura o grão de areia
O verde brilhante do beija-flor que a beija
Bem no cume do rosa,
Rota na cor de chumbo do asfalto
Que alto, outro chumbo do céu nublado
Me atira uma chuva torrencial
Fonte de prismas do tiro
Quase solar que vaza a gota d’água
Arco íris em pleno céu de março
Fuma o homem o maço do cigarro
Que negro deixa teu pulmão
Puro charme do trago do lábio carnudo
Da boca de batom carmim da moça
Que roçam em mim os olhos verdes claros
É claro que este olhar não é de festim.
Rubras minhas faces que da romã
Furtou a cor.

Imagem: Desine Cardoso

É festa no sertão ou um certo Seu Zezé - Por Carlos Rafael Dias


Como definir o sertão? Ou melhor, como deixar de definir o sertão, quem o conhece, bem ou superficialmente? O sertão que passa do morto-cinza ao verde-vida como passe de mágica, logo quando as primeiras chuvas tocam-lhe o chão.

Luiz Gonzaga é um mestre nas descrições do “sertão das muié séra e dos homi trabaiadô". Sertão, ah sertão! Não lhe faltará porta-vozes à altura de sua beleza, dos seus mistérios e, também, da sua dor. Dor profunda, mas superável na alegria e na festa cotidiana celebrada em cada alpendre ou em cada latada, sob a bruxuleante luz do candeeiro ou do intenso holofote da lua cheia. Sertão de Catulo da Paixão Cearense que cantou os versos peremptórios: "não há, oh gente, oh não luar como esse do sertão". Sertão dos versos inigualáveis, belos e eternos de Patativa do Assaré. Sertão Alegre de Leonardo Mota, cronista maior da poesia e da linguagem dos rincões nordestinos. Sertão de coisas alegres e profundas, além da dor já falada. Coisas do Sertão, do saudoso “Seu Elóia”, assim como o sertanejo do Vale do Cariri chamava o Mestre Eloi Teles de Morais – comunicador de rádio, poeta, folclorista, homem de bem, de coração generoso e alma pura.

Quando Seu Eloi partiu para o sertão celestial, o sertão terreno quedou-se triste. O Forró da Casa Grande nunca mais alegrou os finais da tarde sertaneja. As aves canoras e aquela bela valsinha, tocada por um quarteto de cordas, e que faziam o fundo musical para o recital das Coisas do Meu Sertão– emudeceram por um instante. Ficou, pois, uma lacuna, mas esse vazio começa a ser preenchido como o milagre do inverno que molha o chão e tinge de verde a paisagem outrora cinzenta do sertão.

É festa no sertão de novo e a alegria volta aos finais das tardes mágicas e início das noites misteriosas que, agora, voltam a fluir nas ondas do rádio caririense.
Diariamente, das 16:30 as 18 horas, pelas ondas da Rádio Educadora do Cariri, a mesma emissora que irradiou a voz de Seu Eloi na segunda fase de sua gloriosa carreira (a primeira foi na Rádio Araripe, pioneira emissora de rádio da hinterlândia cearense), está sendo veiculado o programa Festa no Sertão, sob a apresentação de um certo Seu Zezé.

O Seu Zezé, em questão, é o mais novo comunicador de rádio do Cariri. Uma personagem diferenciada, que chama a atenção dos ouvintes apreciadores das genuínas coisas do sertão; acostumados que foram pelo jeito telúrico dos grandes sertanistas, a exemplo de Eloi Teles, de cantar o sertão e o sertanejo.

Seu Zezé é uma personagem criada por José Iderval da Silva, que também é operador de áudio da Rádio Educadora, tendo iniciado a profissão, inclusive, ao lado de Seu Eloi, nos programas Coisas do Meu Sertão e Forró da Casa Grande.

O programa Festa no Sertão completou seu primeiro aniversário no dia 6 de outubro passado e já caiu definitivamente no gosto do ouvinte que, de imediato, reconheceu a semelhança de estilo existente entre Seu Zezé e Seu Eloi. Não somente no repertório musical calcado no cancioneiro popular nordestino, mas, principalmente, na maneira envolvente de se comunicar com o público a partir dos mais puros valores sertanejos.

É festa no sertão e alegria no rádio.

Centrro Cultural BNB Cariri - Programação Diária


Dia 9 de dezembro (quarta-feira)

PROGRAMA DE RÁDIO

14h Blues (com Michel Macedo)

Programa de Rádio semanal especializado no tradicional ritmo norte-americano que conquistou o mundo. O programa faz parte de uma parceria entre o Banco do Nordeste e a Rádio Educadora do Cariri, que inclui um programação diária diversificada de segunda a sexta-feira de 14 às 15 horas. Confira.

Rádio Educadora do Cariri AM 1020. 60min.

ESPECIAIS - CINEMA - ARTE RETIRANTE

14h Sessão Curumim: As Aventuras de Azur e Asmar.

Os meninos Azur e Asmar foram criados juntos pela mesma mulher, Jenane. Eles cresceram como se fossem irmãos, até serem separados. Amar cresceu ouvindo as histórias da mãe sobre a lendária Fada dos Djins e, quando se torna adulto, decide partir à sua procura, contando com a ajuda do andarilho Crapoux. É quando Azur e Asmar se reencontram, agora não mais como irmãos, mas como rivais na busca da Fada. Animação. Cor. Dublado. Livre. 2006. 109min.

Local: SESC Crato.

16h Sessão Curumim: Não é Mágica: Vulcões. 78min.

Sucesso absoluto entre os jovens do mundo inteiro, tem como principal ambiente um caminhão-laboratório que viaja pelo mundo desvendando os mistérios da natureza comFred, cientista e pedagogo, Jaime, jornalista, e Manu, uma investigadora curiosa não apenas em aprender, mas entender o mecanismo que move o planeta Terra. Nesta aventura, eles aprendem e entendem o que provoca os tsunamis, como os vulcões se formam e se multiplicam pelo planeta, como acontece uma erupção e o que sai dos vulcões e a revelação de que o vulcão mais antigo do mundo está na Amazônia. França, 2006. Animação com massinha. Cor. Dublado. Livre. 78min.

Local: Caririaçu .

ARTES CÊNICAS - OFICINA DE FORMAÇÃO ARTÍSTICA

15h Oficina Auto Expressão Através dos Jogos Dramáticos.

Oficina - Autoexpressão Através dos Jogos Dramáticos, com Fátima Morimitsu, Ivete Alexandre e Cícero Pimentel (Juazeiro do Norte - CE)

O Gosto pela arte cênica na infância é marcado pelas brincadeiras e dramatizações que naturalmente surgem nas atividades infantis seja na escola ou em casa. Os jogos dramáticos possibilitará uma interação da criança com técnicas de expressão corporal voz e noções de figurino e adereços com materiais recicláveis. 240min.

Literatura/Biblioteca - BIBLIOTECA VIRTUAL
O curso tem como objetivo apresentar e discutir diversas possibilidades de utilização dos recursos e serviços básicos da Internet, tais como: navegação, busca e correio eletrônico. Inscrições: 02 a 05 de dezembro na Biblioteca Virtual. Vagas: 24. 12 horas/aula.

18h Noções Básicas de Utilização da Internet. 180min.

CINEMA - FEST CINE ARUANDA

19H Exibição de Curtas-Metragens

Mostra Diretores de Santa Maria - RS

Faltam 5 minutos

A volta do Inter de Santa Maria à Primeira Divisão do Campeonato Gaúcho a partir da emoção dos cinco narradores e dos cinco comentaristas das rádios AM de Santa Maria que transmitiram o histórico jogo de Inter-SM e Pelotas. Dir. Luiz Alberto Cassol. Doc. 2007. 20min.

Local: Sítio Carrapato, Distrito do Lameiro. Jaraguáfilmes. Fone 88 9619 1898 / 9619.1897

Fonte: Centro Cultural BNB Cariri (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte)

O ESPECTRO DA CONVENÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS EM COPENHAGUE – 2009

Ontem um texto do Jornal The Guardian eviscerou muito cedo o que mais se temia nesta Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague. Expôs a verdade dos Estados Nacionais neste debate que se entenda está no seguinte nível. O próprio título da Convenção já parte de uma convicção: existem Mudanças Climáticas. Então o debate se encontra exatamente em saber-se o verdadeiro papel da produção, distribuição e consumo no sistema capitalista que já é praticamente global. Em seguida é sair de uma sinuca de bico, jogado pelas nações mais ricas, do qual se diz: como criar uma regulação global sobre isso sem modificar o sistema capitalista?

Para eles existe uma única saída para a sinuca: os mais pobres podem poluir menos enquanto os mais ricos continuam mantendo os seus privilégios. A saída é que preserva o sistema capitalista. Que inegavelmente tem se caracterizado desde o século XIX como o sistema que cria privilegiados e tenta congelar esta divisão. Qual a questão básica?

Acontece que um sistema de privilegiados tem uma espécie de força gravitacional que puxa todos os corpos em sua direção. Tendo o privilégio por matriz é de se entender, por exemplo, que a resposta que se busca na Convenção de Copenhague já encontrava posta no mínimo com a crise do petróleo de 1973. Ali está o coração disso tudo: a civilização do petróleo, seu perfil de produção e consumo.

Quem não se lembra que naquela época os carrões americanos, consumidores de gasolina passaram por crítica severa. Quem não recorda os japoneses surgindo como aqueles que tinham uma proposta para o consumo reduzido. Qualquer um sabe do Brasil deixando de produzir carboidrato para as pessoas com finalidade de produzir álcool para a classe média andar nos produtos da indústria automobilística. Depois veio o papo que poluía menos, o álcool, pois não era o discurso do Proálcool o uso foi quem evidenciou.

Estamos em pleno verão dos “carrões”. Como dizem os cearenses das “bichonas”, que até foi mote de campanha nas eleições a governador. Depois da vitória toda a polícia voltada para os bairros privilegiados é motorizada com as “bichonas”. Consumidoras de combustíveis por quilômetros quadrados, agressoras do meio ambiente com suas práticas de Jim da Selva (ih! Isto é velho!), mas tem um nome contemporâneo e também é inglês: OF ROAD.

Aviso: não perdi o fio da meada. A Convenção do Clima na verdade é outro tema. É discutir como o sistema globalizado irá dividir o poder na produção e consumo mundial. Os pançudos do norte já disseram no The Guardian: seremos nós e os outros esperem 50 anos. Na verdade a história continuará indomada, pois não depende apenas da vontade do privilegiado em permanecer privilegiado. Por baixo dele uma calota inteira de gelo se derrete.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Família divulga carta deixada por Leila Lopes

(http://br.noticias.yahoo.com/s/08122009/48/entretenimento-familia-divulga-carta-deixada-leila.html)
1 hora, 44 minutos atrás
Por Redação Yahoo! Brasil

Na noite desta segunda-feira (7), a família de Leila Lopes, encontrada morta em seu apartamento no último dia 3, divulgou a carta deixada pela atriz. Nela, Leila diz que não queria mais viver e que estava cansada. "Não chorem, não sofram, eu estou absolutamente feliz! Era tudo o que eu queria: ter paz eterna com meu Deus e, se possível, com minha mãe."

Na noite em a atriz foi encontrada, a polícia afirmou que havia embalagens vazias de antidepressivos no apartamento. Leia abaixo, na íntegra, a carta deixada pela atriz:

"Não chorem, não sofram, eu estou ABSOLUTAMENTE FELIZ! Era tudo o que eu queria: ter paz eterna com meu Deus e, se possível, com minha mãe. Eu não me suicidei, eu parti para junto de Deus. Fiquem cientes que não bebo e não uso drogas, eu decidi que já fiz tudo que podia fazer nessa vida. Tive uma vida linda, conheci o mundo, vivi em cidades maravilhosas, tive uma família digna e conceituada em Esteio, brilhei na minha carreira, ganhei muito dinheiro e ajudei muita gente com ele. Realmente não soube administrá-lo e fui ludibriada por pessoas de má fé várias vezes, mas sempre renasci como uma fênix que sou e sempre fiquei bem de novo. Aliás, eu nunca me importei com o ter. Bom, tem muito mais sobre a minha vida, isso é só para verem como não sou covarde não, fui uma guerreira, mas cansei. É preciso coragem para deixar esta vida. Saibam todos que tiverem conhecimento desse documento que não estou desistindo da vida, estou em busca de Deus. Não é por falta de dinheiro, pois com o que tenho posso morar aqui, em Floripa ou no Sul. Mas acontece que eu não quero mais morar em lugar nenhum. Eu não quero envelhecer e sofrer. Eu vi minha mãe sofrer até a morte e não quero isso para mim. Eu quero paz! Estou cansada, cansada de cabeça! Não agüento mais pensar, pagar contas, resolver problemas... Vocês dirão: Todos vivem! Mas eu decidi que posso parar com isso, ser feliz, porque sei que Deus me perdoará e me aceitará como uma filha bondosa e generosa que sempre fui.

Aos meus fãs verdadeiros; aos jornalistas imparciais; ao Walter Negrão e sua esposa Orphilia; a LBV; ao Eduardo Gomes; ao prefeito de Itu, Herculano Neto e toda a sua equipe e ao meu amigo Zé meu muito obrigado. Às emissoras que trabalhei, obrigada. E aos colegas maravilhosos, muita luz! A todos os sites dignos que acompanharam a minha vida, SUCESSO! Ego, Esther Rocha, Thiago, Odair Del Pozzo, Felipe Campos, não se sintam esquecidos. Não posso citar nomes de amigas, pois aí seria um livro, mas Sueli você é a irmã que eu não tive. Márcia, seja sempre feliz amiga. Magrid, obrigada por tudo! Andréia, do TV Fama, beijo amiga. Tadeu (di Pietro) cadê você??? Desculpe a quem eu esqueci, a vida foi muito mais maravilhosa do que sofrida para mim. Obrigado Jesus, Nossa Senhora e meu Deus, perdoem-me e recebem-me como a filha honesta e bondosa que sempre procurei ser! Fiquem com Deus, todos! Leila Lopes.
Se existe sentimento maior que o amor, eu desconheço!"

Carreira
Após um longo período de ostracismo na carreira, Leila Lopes, 40 anos, retomou a fama em 2008, quando entrou para o elenco da produtora de filmes pornográficos Brasileirinhas. Ela estrelou o filme "Pecados e Tentações", lançado em junho daquele ano, ao lado do ator pornô Carlos Bazuka. Leila interpreta uma mulher que seduz um seminarista.

A atriz, que nasceu em 1969 na cidade de São Leopoldo (RS), fez sua primeira novela de destaque em 1990: "Pantanal", da rede Manchete. Mas tornou-se conhecida do público na pela da professorinha Lu no folhetim "Renascer", da Globo, em 1993. Leila também integrou o elenco de "O Rei do Gado", da mesma emissora, em 1996, e fez um ensaio fotográfico para a edição de março de 1997 da Revista Playboy.

"Acredito que vou pro Céu"
Antes de retomar a carreira na produtora Brasileirinhas, Leila voltou a ser notícia em 2007, quando um vídeo de uma entrevista dela para um canal evangélico virou hit na internet, com o título "O Limite da Morte".

Na conversa, a atriz descreve, de maneira confusa, um grave acidente de carro no qual se envolveu em dezembro de 1999, quando viajava com sua empresária. Disse ainda acreditar que, se morresse, iria para o Céu. O vídeo "lançou" os bordões "Berenice, segura. Nós vamos bater" e "nada mais me lembro".

As tias high-tech e as manchetes do dia - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Rosa, Maria e Raimunda viram o sol ligar o lume do dia como todo dia fazem. Tia Rosa olha para o sol vermelho nascendo por trás do Serrote do Cachimbo e pensa nas cores que predominaram na internet desde domingo. Um sol bem futebolístico, até uma bola é. Tia Maria franze o cenho de preocupação com o açude baixando o nível da água. Tia Raimunda chama as duas para lerem os jornais digitais no amanhecer desta terça feira.

E a manchete principal é: “Temporal provoca morte, interdita a Marginal Tietê e paralisa São Paulo”. Em ato quase automático, Maria volta a olhar para o seu açude minguando enquanto os paulistanos xingam a natureza cruel igual fazem aos governos do estado que não dão vazão às águas nas ruas. Rosa comenta: água não é mole não. Engana com aquela malemolência toda, mas carrega uma força por dentro capaz de mudar tudo no seu caminho.

A próxima manchete fez Raimunda puxar um riso irônico de canto de boca: “Obama recorre à saúde para controlar emissões.” Maria atenta, viu a crítica da irmã pela vírgula ferina nos lábios. Levantou a cabeça perguntando em silêncio à irmã o motivo para tal sorriso e Raimunda, fugindo ao seu habitual recato, expôs seu espírito gaiato de cearense, a maior parte das vezes escondido e explicou: por isso é que Buiu tinha razão quando dizia que era melhor um peido estrondando do que uma tripa dando nó. E Obama quer controlar as emissões com a saúde, nada mais na contramão da brincadeira de tia Raimunda.

Passaram com tédio na outra manchete que falava na morte de mais de 100 em ataques dentro de Bagdá. Tia Rosa explicou-se: esta manchete já é velha. Vem dando há mais de seis anos. E foram descendo, ou subindo, depende de quem descreve, a página do jornal até chegarem à manchete: “Madonna pensa em adotar mais uma criança”. As três empacaram na manchete. Não sabiam traduzir a frase.

Tia Raimunda diante da mudez das três expressa o sentimento coletivo: se ela pensa ninguém poderia estar sabendo. Como o jornal diz que ela pensa? O jornal já está adivinhando pensamento? Rosa balança a cabeça e estalando os lábios em desagrado diz: é que ela não pensa, ela disse ao jornalista. Mas então o jornalista está mentindo, se achando Deus, comentou tia Maria.

Mas meninas não é só isso não, continuou Raimunda. Esta Madona está virando uma mandona, parece uma creche. Aí tia Rosa pegando o espírito gozador agora para si, diz: e vai botar estes filhos adotados todinhos para morar naquele castelo lá da França onde aquele jogador de Futebol Ronaldo casou a uma modelo chamada Cacareli. Maria corrigiu o nome da modelo: não é Cacareli não, é Cigoreli! Errado as duas o certo é Cicarelli. – falou Tia Raimunda e acertou em cheio.

Nisto o café cheirou desde a cozinha em que ebulia e as três pararam a sessão de jornais na internet. O dia prometia muito calor no sertão do Potengi.

Pensamento para o Dia 08/12/2009


“Valores morais e espirituais precisam ser honrados com a mesma intensidade, ou mesmo mais, que os valores econômicos e materiais. A vida deve ser uma mistura harmoniosa desses valores, com ênfase na força moral. A honra de uma nação depende de sua moralidade. Uma nação sem moralidade está predestinada ao desastre. A moralidade deve ser cultivada no coração nutrindo-o com amor. Somente então podemos ter segurança, justiça, lei e ordem. Se o amor entre as pessoas diminui, as nações se enfraquecerão e a humanidade perecerá.”
Sathya Sai Baba

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“A gratidão é uma virtude suprema. A ingratidão é um pecado grave. Não há perdão para a pessoa ingrata. Um homem sem essa virtude suprema de gratidão é pior que um animal cruel. Tendo recebido sua riqueza, educação e habilidades da sociedade, se ele não serve à causa da sociedade, sua riqueza, educação e habilidades são apenas puro desperdício. O homem é uma criatura da sociedade e deve tudo à sociedade. Se você deseja salvaguardar o seu futuro, você deve ser grato àqueles que o ajudaram em seus tempos difíceis e permitiram-lhe atender suas necessidades pessoais.”
Sathya Sai Baba

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“O segredo da paz está em servir e amar todos os seres. A melhor forma de serviço é o de promover o crescimento dos sábios e buscadores, que são os praticantes da vida superior. Não fale depreciativamente dos servos de Deus; não obstrua a caridade do generoso; não desencoraje o estudo das escrituras, mesmo que você não possa promover nenhum deles.”

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

URCA de Luto pelo falecimento do Professor Antônio Esmeraldo

O corpo do professor será velado durante o dia de hoje, no Salão Principal da Universidade, no hall da biblioteca. Reitoria decreta luto oficial e suspende atvidades acadêmicas e administrativas. Veja a Portaria:
O Reitor da Fundação Universidade Regional do Cariri (URCA), Professor Plácido Cidade Nuvens, no uso das atribuições legais e com fundamento no que dispõe o artigo 15 do Estatuto da Universidade Regional do Cariri, aprovado pelo Decreto nº 18.136, de 16 de setembro de 1986,

Considerando a infausta ocorrência do falecimento do Sr. ANTÔNIO JOSÉ ESMERALDO, Professor do Departamento de Pedagogia da URCA e expressando inteira solidariedade à família,

Resolve:

Art 1º SUSPENDER as atividades Acadêmicas Administrativas e DECRETAR luto oficial por um dia, hasteando as bandeiras a meio mastro e enviar mensagens de condolências à família do docente, cujo falecimento ocorreu em 6 de dezembro de 2009.

Art 2º Esta portaria entrará em vigor na presente data, revogadas as disposições e, contrário.

COMUNIQUE-SE, REGISTRE-SE E CUMPRA-SE

Reitoria da URCA, em Crato, 07 de dezembro de 209.

Plácido Cidade Nuvens
Reitor
Fonte: Site da URCA

O Vôo da águia

Luiz Domingos de Luna*
I
No tapete da vida sitiante
Restrito a orla vegetal
Sem riqueza material
O sonho no horizonte
II
No tabuleiro do jogo existencial
Cada movimento estudado
Um universo, criado
A onda em movimento espiral
III
Cruza do sonho à luz
Aurora boreal a confirmar
O Vôo da águia a voar
Uma paisagem reluz
IV
O Cariri dá rosto feliz
Aurora levanta a voz
Ceará nascente e foz
Tempo senhor juiz
V

A águia canta no ar
O Tempo ao templo parado
A vida some em segundos
A águia não pode mais voar
VI
Na curva da estrada
O choque do pavio
Como um navio
Vida emparedada
VII
Vida transfigurada
No além do mistério
Existe um critério
Águia de luz
Em outro universo
Seu brilho no verso
No caminho de luz!

+ Poesia feita ao maior empresário de Aurora- Tarcísio Gonçalves -falecimento dia 04 de dezembro,2009.
(*) Colaborador Blog Cariri Agora !

Centro Cultural BNB Cariri – Programação Diária


Dia 7 de dezembro (segunda-feira)

14h PROGRAMA DE RÁDIO

MPB (com Roberto Marques)

Programa de Rádio semanal que divulga a música brasileira de qualidade e alternativa. O programa faz parte de uma parceria entre o Banco do Nordeste e a Rádio Educadora do Cariri, que inclui um programação diária diversificada de segunda a sexta-feira de 14 às 15 horas. Confira.

Rádio Educadora do Cariri AM 1020. 60min.

19h ESPECIAIS - CINEMA - IMAGEM EM MOVIMENTO

Baile Perfumado. 93min.

Baile perfumado promove uma mistura curiosa de gêneros ao incorporar ficção ao retrato documental. No filme de Paulo Caldas e Lírio Ferreira, revivemos a saga do libanês Benjamin Abrahão, mascate responsável pelas únicas imagens de Virgulino Ferreira, o Lampião, quando este vivia em plena campanha no sertão nordestino, enfocando o aburguesamento do cangaço e a modernização do Sertão. Direção: Lírio Ferreira e Paulo Caldas, PE, 1998. Classificação: 14 anos. 93min.

Local: SESC-Crato (Rua André Cartaxo, 443, Centro).
ARTES VISUAIS

Exposições

Espaço Mestre Noza

Período: Permanente

O CCBNB homenageia Inocêncio da Costa, o Mestre Noza, com um espaço expositivo contendo 59 estatuetas de vários santos e um álbum com 15 gravuras, intitulado: "Via Sacra". Todas as obras expostas são do acervo particular do historiador Renato Casimiro.

Anjos Di - Freitas (Juazeiro do Norte - CE)

Período: 03 de novembro a 05 de janeiro de 2009

"Sacralização do espaço" é a palavra de ordem em Juazeiro do Norte. Alheio ao querer dos seus moradores e visitantes, a dimensão do sagrado, do devocional, com seu pertencimento simbólico de saberes universais e ancestrais, que é compartilhado por todos, nas ruas, casas, no modo de vida e de ser. A exposição busca trazer esta dimensão a um outro espaço, espaço que faça parte do cotidiano viver das pessoas, onde elas possam se reconhecer e ver a si mesmas, como agentes da construção desta grande instalação, constantemente construída, que é Juazeiro do Norte.

Recordações de uma Paisagem não Vista - Divino Sobral (Goiana-GO)

Curadoria: Daniela Labra

Período: 17 de outubro a 31 de dezembro de 2009

Recordações de uma paisagem não vista é um projeto inédito do artista goiano Divino Sobral, que dá seqüência à série de bordados em tecido que realiza desde 2000. Nestas obras, o artista cria narrativas bordadas em peças de vestuário e de uso doméstico envelhecidas manualmente, a partir de lembranças e impressões pessoais. Para este projeto em Juazeiro do Norte, Divino Sobral bordará estórias e lembranças de cearenses residentes em Goiânia, convidados a narrar memórias de tempos vividos em suas cidades de origem.

Além da Lata - Bené Pereira (Sousa-PB)

Período da Exposição: 28 de outubro a 31 de dezembro de 2009

Esculturas confeccionadas com materiais reciclados, como: lata, ferro, arame, tampinhas de metal, que demonstram, através de suas expressões, os vários sentimentos e atitudes humanas.

Local: CCBNB Cariri (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte)

Fonte: CCBNB

Crato amado, idolatrado!

Há aproximadamente 4 meses, mais precisamente na semana da Expocrato 2009, quando escrevi para esse jornal o artigo: “Parque de Exposições, Xodó dos Cratenses”, a proposta do Governo do Estado de mudar o local do Parque de Exposições do Crato era o assunto mais comentado e debatido em todos os lugares. Onde quer que houvesse duas ou mais pessoas reunidas, o assunto era o mesmo. O momento era de ebulição e a rejeição a idéia, por parte da população, foi enorme! Audiência pública, discursos inflamados dos dois lados, bate-bocas. Espíritos de “porco” à parte, o resultado foi positivo para a população do Crato.

Acredito, e essa é uma opinião pessoal, que o Crato tantas vezes colocado como irmão “pobre” de Juazeiro e coadjuvante no cenário político regional, teve no grito do seu povo, o alerta na defesa de suas tradições, o clamor ao respeito de sua opinião, optando pela permanência do local do evento (exposição) onde está! Postura que fez reviver os ideais e diligência herdados da heroína, de outrora, Dona Barbara de Alencar. O levante social fez o governante maior deste estado repensar seu ponto de vista, anunciando em seu discurso, em pleno palanque do picadeiro do parque, a formação de uma comissão que avaliaria e decidiria a melhor solução para o povo do Crato.

Foi preciso que um ícone da cidade fosse ameaçado para que sua população se unisse e saísse em defesa de seus interesses. Quem dera se todas as causas importantes fossem tão bem defendidas como essa. Causas como EDUCAÇAO, saúde, transporte, lazer e habitação, mas vamos deixar esse assunto para outro momento. O ponto é: passados quase 4 meses o assunto morreu! Não se fala mais nisso! Reforma geral ou construção de um novo parque? Não se decidi nada! A última notícia relacionada foi a construção de um muro limítrofe e nada mais.

O problema é ainda mais profundo. Qualquer que seja a decisão, já está atrasada! Se a solução for pela reforma, adequação do espaço, do parque as atuais demandas de público, estamos atrasados. Se a solução for pela construção de um parque num outro terreno distante do atual, também estamos atrasados. Pelo andar da carruagem, o maior evento da cidade, sucesso de público desde sua criação, terá em 2010 mais uma edição espremida no terço de terreno ocupado pela cinqüentenária estrutura.

A população precisa estar atenta ao andamento do assunto e cobrar uma definição da dita comissão. Do ponto de vista de engenharia, precisa cobrar a conclusão do estudo de viabilidade, projetos, licitação e a mesma atenção ao cumprimento do cronograma que o governo demonstra com outras obras como a do Hospital Regional Regional (Juazeiro do Norte), Trem do Cariri, CEASA (Barbalha) e mais recentemente o Centro de Convenções de Crato. Afinal, como foi amplamente divulgado, são 25 milhões de reais dos cofres do estado para construção de um parque moderno, no terreno do Parque Pedro Felício Cavalcante ou noutro qualquer.

“Abram dos olhos, meu povo!”
O Crato precisa continuar sendo: ”...amado, idolatrado!”

domingo, 6 de dezembro de 2009

E deu flamengo. - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Ali pelas três da tarde o Rio começou a esvaziar suas ruas. Não tanto quanto uma copa do mundo, mas uma evidente vazão. A não ser as poças de gente ao redor dos bares, em praças.

Agora aqui no entorno do meu ouvido só escuto a festa do povo. Buzinas, tambores, gritos, cantos, fogos, até o céu permanece azul apesar de já estarmos com um intenso dourado no pôr do sol. O Rio viveu um dia especial de futebol: o Vasco voltou à primeirona, o Botafogo e o Fluminense não se rebaixaram.

Mas o grito que ecoa nos céus é o flamengo. Meu filho, de volta do marcanã, acaba de me telefonar ainda da estação do Largo do Machado: foi sofrido pai. Ouviu Carlos Esmeraldo, foi sofrido, o Grêmio não deu mole não. Não tinha motivo para dar mole. Claro que tinha motivo de derrubar esta potência de torcida em pleno Maracanã. Não quero exagerar, mas seria igual a um Uruguai (aliás são tudo daquela região mesmo) nos tirando a copa de 50 em pleno Maracanã.

E o melhor de tudo. Sabe pela cabeça de quem? De um caririzeiro. De um caririense. De um cabra humilde que, chorando, disse para as câmaras da globo: é algo especial, eu como jogador, eu como torcedor do flamengo viver este momento. Nesta horas eu queria ter a cabeça de um Ronaldo Angelim.

Maracanã Cheio: FLAMENGO CAMPEÃO - por José do Vale Pinheiro Feitosa

O sábado foi concentrado. Choveu a maior parte do tempo. À noite explodiram as luzes da Árvore de Natal da Lagoa. Pareciam anunciar o espetáculo do dia seguinte. Somos milhões ali no quarto em que ouvia os fogos, no apartamento de baixo e no de cima, na esquina, belo bairro, na cidade e no Brasil.

O domingo acordou claro com nuvens brancas numa brejeirice de chorinho. São tantas esperanças. A vitória e o campeonato depois de tantos anos. Mandingas. Afeições aos objetos com os quais se viram as vitórias que conduziram os flamenguistas até hoje. Atos de fé. Tudo como uma imensa certeza, pendente dos deuses do futebol, imprevisíveis e marotos.

O Grêmio cede. Ninguém no futebol pode passar para a história fazendo corpo mole. O Peru passou uma boiada de gols argentinos na copa de 78 e até hoje amarga uma decepção de sua torcida. O Equador e a Bolívia têm muito mais graça. Contando, é claro com a localização de suas capitais, pois Lima fica no nível do mar igual ao Rio de Janeiro.

O flamengo tem de ser campeão com as próprias pernas. Comandado pelo Andrade aquele do timaço dos anos oitenta. O primeiro negro a comandar um time de futebol no olimpo da pelota brasileira. As coincidências são tantas e os desejos iguais que o domingo de Maracanã ficará para a história. Será o grande evento antes do gigante adormecer para reformas até a copa do mundo aqui no país.

Á noite, rouco, com a alegria plantada bem aqui no meu peito. Estarei vitorioso. Terei conquistado o mundo. A vida, a posição no arco das incertezas do improvável mundo. Certo que nesta noite tudo estará resolvido. Encaixado. O mundo é bem luminoso como ontem foi a árvore de natal da Lagoa.

Mas e se não for assim? Se a derrota baixar como um temporal no meu ser? Se a noite se prolongar no silêncio dos torcedores do flamengo? Se nos bares chorarmos os lances que poderiam e não foram? Se for uma madrugada de frustrações e a segunda uma enxurrada de gozação dos adversários?

Não tem nada não. Numa sociedade que nos obriga a ser vencedor. Que detesta os perdedores. Que vangloria as estrelas. Numa sociedade tão competitiva como nos vendem, estarei coletivamente entre os derrotados. Somos tantos e milhões que a nossa derrota se torna a limpeza destas derrotas a conta gotas do dia-a-dia em nossas profissões e no salário que não termina o mês.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Cariri






Tarso Araújo (Jornal O Povo)


NATAL DE LUZ
A Câmara de Dirigentes Lojistas de Juazeiro, a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL) e a Prefeitura lançam no próximo dia 8, na Praça Padre Cícero, o Natal de Luz. As principais praças e pontos preferenciais da cidade serão bem iluminados. Juazeiro ficará bem bonita para este Natal.

NOVO PORTAL DO GEOPARK
O Geopark Araripe teve seu novo portal, lançado no último dia 27. O portal traz um visual mais moderno, com mais opções de navegação e interatividade. É possível acessar diversos artigos, notícias, informações sobre eventos e mapas da região do Cariri. O portal conta com um conteúdo multimídia amplo e diversificado: vídeos, fotos de visitas conduzidas mais recentemente e com conteúdos educativos. O desenvolvimento do novo portal está sendo coordenado pela Universidade Regional do Cariri (Urca) e pelo Governo do Estado. A sua concepção e criação foi elaborada pelo projetista de Web, Regis Monteiro Nogueira, que há cinco anos está a frente dos projetos de sites da Urca. Para visitar o novo portal: www.geoparkararipe.org.

DOM FERNANDO
No próximo domingo, 13 de dezembro, dom Fernando Panico comemora 35 anos de sua chegada ao Brasil. Era 1974, num dia dedicado a Santa Luzia, quando o jovem padre Fernando desembarcou em São Luís do Maranhão. A partir daquela data, ele faria do Nordeste brasileiro o seu campo de apostolado. Em 1993, foi nomeado bispo da diocese de Oeiras-Floriano, no Piauí. Em 29 de junho de 2001, assumiu a diocese de Crato. Se fosse exigido definir dom Fernando Panico com três palavras essas seriam: ``Um homem bom``. Nos dias atuais ele é, indiscutivelmente, a pessoa de maior liderança no Cariri.

C'EST FINI


Depois de mais de quarenta anos de existência a Viação Brasília que fazia a ligação interurbana entre as cidades da Região Metropolitana do Cariri encerrou suas atividades. Ela pertencia ao empresário Raimundo Ferreira, o qual, no auge de suas atividades, chegou a possuir quatro empresas: Rio Negro, Rápido Juazeiro, Pensatur e Varzealegrense. Agora o transporte rodoviário entre Juazeiro do Norte-Crato-Barbalha-Missão Velha está sendo feito por uma empresa de Fortaleza, a Via Metro.

CENTENÁRIO EM JUAZEIRO
Ousados. Assim podem ser definidos os projetos para comemorar o centenário de emancipação política de Juazeiro do Norte a ocorrer em 22 de julho de 2011. A Prefeitura se propõe a construir a Praça do Centenário (onde ficará o marco zero da fundação da cidade); um rancho comunitário para hospedagem de romeiros pobres; o Museu Municipal e quatro portais nas entradas de Juazeiro do Norte, além do Portal da Fé, este a ser localizado no início da rua que dá acesso ao Horto. Também estão previstas outras providências, a exemplo da afixação de placas identificando os prédios históricos da Terra do Padre Cícero.

CANTORIA E REPENTE
Para a Unesco, o patrimônio cultural imaterial é formado por práticas, representações, expressões e conhecimentos que são transmitidos ao longo do tempo por várias gerações. Nessa área, poucas regiões do Brasil são tão ricas como o Cariri cearense. Nossas manifestações populares ainda são pouco divulgadas. Já é tempo de se resgatar, por exemplo, as criações de Sílvio Grangeiro e Francivaldo Oliveira, mestres da cantoria e repente. Outra manifestação que aguarda reconhecimento é a Orquestra de Rabecas Cego Oliveira, sediada em Juazeiro do Norte, cujo repertório inclui Villa-lobos, Hermeto Pascoal e músicas de tradição oral do Cariri.

BATE-PAPO

VISITA

Quem esteve na Região do Cariri foi o professor Freire Neto. Coordenador do projeto Rapadura Cultural, Freire, vez por outra, vem à nossa região para interagir com a imprensa local ou dar aulas. Na última visita pôde dar aula no auditório do Cariri Shopping para dezenas de estudantes que se preparavam para o vestibular.

CURTAS
- No âmbito do projeto ``Quintais Produtivos``, a Prefeitura de Barbalha vem trocando garrafas Pet por mudas frutíferas. Os vasilhames de plástico estão sendo recolhidos para serem utilizados na decoração do Natal. Já as pessoas levam para casa mudas de coqueiros, laranjeiras, mangueiras, tangerineiras, dentre outras.

- Uma virtude não se pode negar à população de Juazeiro do Norte: ela sabe ser grata aos benfeitores da sua cidade. Diferente de Crato, cujo maior benfeitor, dom Vicente Matos, quando vivo era alvo de maledicência. Depois de morto, além de esquecido, dom Vicente nunca foi homenageado com seu nome numa das ruas de Crato.

- Com a criação - por dom Fernando Panico - da Paróquia de São Francisco, do município de Baixio, no último dia 21, a diocese de Crato só perde em número de paróquias para a arquidiocese de Fortaleza.

- Mais um ano que termina e os prometidos projetos de recuperação das praças centrais de Crato não saíram do papel.

Fonte: O Povo On Line

Prefeito Manoel Santana conversa com comunidade do São José




O prefeito de Juazeiro do Norte Dr. Santana abriu ontem à noite, mais uma edição do projeto Prefeitura nos bairros. O encontro entre o prefeito e a comunidade aconteceu na escola Antonio Ferreira de Melo, no bairro São José.

Cerce de 500 pessoas puderam conversar com o prefeito de Juazeiro e apresentar suas críticas, opiniões e sugestões ao Governo da Revolução Democrática.

Participaram do encontro, além do prefeito, o vice-prefeito José Roberto Celestino, secretários municipais, vereadores, imprensa, lideranças comunitárias e a população.

Em suas palavras o prefeito apresentou as realizações feitas até agora em sua administração. No tocante à saúde Santana falou da implantação da Unidade de Pronto Atendimento do posto Frei Jeremias, a compra do PSIC (hoje Hospital Maria Amélia), a redução da mortalidade infantil no Município, entre outras realizações.

Santana destacou ainda obras realizadas em Juazeiro no ano de 2009, e disse que 2010 será um grande ano para os juazeirenses. “O ano que vem faremos muitas obras e ações importantes com o intuito de melhorar a qualidade de vida de todos e todas”, anunciou.

O prefeito falou ainda do projeto de recapeamento asfáltico da cidade, que já abrange 96 ruas e avenidas de todo o Juazeiro, a melhoria na limpeza pública com a municipalização do Departamento de Limpeza e o reforço na educação, com doação de fardamento e material escolar para estudantes da rede pública municipal de ensino.

O Natal - por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Desde a segunda quinzena de novembro que a cidade de Fortaleza está repleta de luzes, com muitas propagandas. O comércio usa todos os artifícios para atrair o consumidor, a fim de que este gaste seu décimo terceiro salário em compras. É bom presentear as pessoas nessa época, pois demonstramos amor àqueles que nos são caros. No sistema capitalista em que vivemos, poucas pessoas acumulam riquezas, gerando exclusão social. É importante que lembremos também dessas vítimas das injustiças, partilhando também do nosso alimento. O ideal seria que todos os brasileiros tivessem o direito a uma vida digna, durante o ano todo. Entretanto, podemos fazer a nossa pequena parte, pondo em prática a virtude da caridade para com os mais necessitados. Caridade é amor e foi para pregar o amor, a fraternidade, a paz e a justiça que Deus, na sua infinita bondade, mandou o seu Filho Jesus Cristo, para salvação da humanidade.

O milagre da multiplicação dos pães, que é o milagre da partilha é narrado pelos quatro Evangelistas. Nele Jesus nos mostra que havendo partilha, os alimentos serão suficientes para todos e ainda sobrará. O Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus, 14,13-21, relata o seguinte: “Quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu, e foi de barca para um lugar deserto e afastado. Mas, quando as multidões ficaram sabendo disso, saíram das cidades, e o seguiram a pé. Ao sair da barca, Jesus viu grande multidão. Teve compaixão deles, e curou os que estavam doentes. Ao entardecer, os discípulos chegaram perto de Jesus e disseram: “Este lugar é deserto, e a hora já vai adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar alguma coisa para comer.” Mas Jesus lhes disse: “Eles não precisam ir embora. Vocês é que têm de lhes dar de comer.” Os discípulos responderam: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes.” Jesus disse: “tragam isso aqui.” Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama. Depois pegou os cinco pães e dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães, e os deu aos discípulos; os discípulos distribuíram às multidões. Todos comeram, ficaram satisfeitos, e ainda recolheram doze cestos cheios de pedaços que sobraram. O número dos que comeram era mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.” Jesus, com o milagre da partilha dos pães e dos peixes, quis nos mostrar que essa proposta era para construção de uma nova sociedade, fundamentada na partilha igualitária dos bens da vida, que Deus nos deu. Jesus continua fiel à missão de reunir e servir ao seu povo, principalmente a multidões de sofredores. Com essa atitude, Jesus está realizando os sinais de uma nova maneira de viver e de anunciar o Reino de Deus.

Refletindo esse Evangelho da multiplicação dos pães, chegaremos à conclusão, que nós, seguidores de Jesus não deveremos ficar insensíveis nesse Natal, nem no restante do ano, para os mais necessitados. Assim como Jesus, vamos servir ao nosso irmão carente.

O sentido do Natal foi desvirtuado. Demonstrar o nosso amor na troca de presentes, no espírito voltado para os mais pobres, é muito bom. No entanto, ultimamente a festa natalina foi se afastando do que é mais importante, a nossa preparação para a vinda de Jesus, o nosso Salvador. O Natal é a festa de aniversário de Jesus. Como é nosso costume presentear os aniversariantes, devemos dar a Jesus nosso compromisso de mudança de vida e adesão ao seu projeto. Festas, luzes, compras, encontros com os amigos, nada disso deve ofuscar o verdadeiro sentido do Natal.

Estamos vivendo o advento que é tempo de preparação, de alegria, de expectativa para a chegada de Jesus Cristo. É um momento propício ao arrependimento e a promoção da fraternidade e da paz. O verdadeiro cristão aproveita esse tempo para avaliar o que construiu de bom e de ruim durante o ano e, procurar colocar-se diante de si mesmo e de Deus, assumindo o compromisso de trabalhar não só pelo sucesso material, mas também pelo crescimento espiritual.

O ideal é que todos, cristãos e não cristãos irmanados na mesma fé em Deus, de mãos dadas e de coração aberto ao amor, pratiquemos a fraternidade.

Feliz Natal e um Ano Novo cheio de felicidades e paz é o que eu desejo a todos os leitores.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

O CARIRI É BRASIL



O fortalecimento da cultura popular como fator de identidade e desenvolvimento regional no sentido de favorecer a qualidade de vida de mestres, brincantes e artistas populares, a partir de suas comunidades e da valorização da memória e do folclore como temperos da auto-estima e do redescobrimento de nossas origens, passa necessariamente por um amplo investimento no turismo cultural, e, de certo modo, pela “desespetacularização” dos folguedos, promovendo distritos, vilas e bairros como destinos turísticos, seja o receptivo para o país e o mundo, seja o de mobilização interna, dotando-lhes de infra-estrutura adequada e gerando oportunidades de ocupação, renda e estímulo à transmissão do saber popular aos mais jovens.

Deve-se entender como sagrado o financiamento da manutenção de nossa identidade cultural representada pelos grupos folclóricos e outras manifestações da cultura imaterial, principalmente através de políticas de fomento e fortalecimento de instituições culturais sérias. Faz-se necessária uma grande cruzada em benefício da divulgação, da informação, da educação. Nós precisamos voltar a reconhecer nosso próprio rosto. Para isso é fundamental que nos vejamos também na televisão, nos cinemas, nos teatros, nos jornais, nas revistas, nas escolas, nas praças, nos ouçamos nas rádios e nos encontremos nos grandes eventos postados nos palcos principais. Temos, por outro lado, que ter assegurada a sobrevivência material dos nossos brincantes, através da adoção de medidas em favor do trabalho, seja no campo, seja na indústria ou em outra frente, o que os deixará livres para preservar e difundir seus saberes em situação de dignidade humana.

No Cariri é onde reside a alma do Ceará. Os principais elementos culturais formadores da identidade cearense, nordestina e nacional estão presentes em nossa região, vivos e pulsantes. Inquietos e indômitos. Aqui se plantou e ainda brota a ancestralidade ibérica, ameríndia e africana, caldeada através dos séculos, fundida pela força da história.

Portanto, cada gesto, saber ou fazer tradicional tem profundidade universal. É também argamassa para a elaboração da contemporaneidade. Folguedos, religiosidade, história, culinária, mitos, lendas, enfim, nossos saberes e fazeres contribuem significativamente para manter vivo o corpo cearense. A cultura popular caririense, costumo dizer, é um conjunto de antropologia social que nos revela em nossa mais profunda e remota história; é também a manifestação do espírito brincante, religioso, profano e criativo do Brasil.

Prof. Cacá Araújo
Dramaturgo, Folclorista, Poeta, Ator e Diretor de Teatro

TRADIÇÃO POPULAR DO CICLO NATALINO

Lapinha de Mãe Celina - Crato-CE


LAPINHAS VIVAS
A manifestação do sagrado na simplicidade de um povo plural

A influência ancestral dos três principais mundos formadores da alma brasileira permanece pulsante na vida do sertanejo simples, cuja religiosidade se manifesta à flor de seus atos e ditos. E é na efervescência dessa estética universal que nascem e se fortalecem as tradições culturais populares; em nosso caso, resultantes do caldeamento cultural havido entre os indígenas donos da terra, os brancos ibéricos invasores e os negros de várias nações para cá trazidos como escravos.

A Lapinha assume, neste contexto, uma espécie de demonstração da prevalência do cristianismo sobre as crenças e religiões dos outros povos. Entretanto não escapa à aculturação decorrente dessa convivência, sabida por nós nada pacífica ou cordial. J. de Figueiredo Filho, em seu O Folclore no Cariri (1960: p. 32) nos afirma que à Lapinha, “de procedência lusitana, foi acrescentada muita cousa de fonte indígena ou africana, como os caboclos, a canção da formosa tapuia, ou temas inteiramente abrasileirados.” Na mesma obra (pp. 33-39), ilustra seu caráter multicultural verificando a presença do anjo, índios, do sol, da lua, baianas, beija-flor, pastores, vaqueiros... além dos três Reis Magos.

Reis Magos do Circo-Escola Alegria


É a Lapinha Viva, pois, a reconstituição dramática popular da visita dos três Reis Magos ao recém-nascido Jesus, com o fim de lhe ofertarem presentes. Sua significação transita da representação quase que ainda medieval, com pessoas interpretando santos, bichos e coisas da natureza como simples e profunda louvação ao Deus-Menino, até a complexa peça de antropologia cultural que traz em si grande parte da história da humanidade. Lá estão não somente símbolos de culto cristão, católico, mas fortes traços que nos remetem aos primitivos tempos em que o homem vivia em diálogo e harmonia com a natureza, assim como elementos que podem “contar” os processos de formação cultural e social da nação brasileira, sem descuidar de nos remeter aos povos ancestrais de antes do encontro em nossas terras.

Hoje, no Cariri, as nossas Lapinhas Vivas apresentam praticamente as mesmas características dramáticas de outrora, sendo acrescidas quase sempre da louvação de um grupo de Reisado, que também representa a peregrinação dos Reis Magos a Belém, pertencendo ambos ao ciclo natalino, e, às vezes, de uma Banda Cabaçal. Quando se juntam os três folguedos, multiplicam-se a beleza estética, o brilho dramático, o riso brincante, o alcance histórico.

O fortalecimento e a difusão do folclore e das manifestações tradicionais populares, a exemplo das Lapinhas, devem servir principalmente à causa do (re)descobrimento de nossa identidade cultural, pois que oferecem uma farta leitura do mundo em variadas dimensões e diferentes tempos. É a história se doando generosamente à elaboração de um novo pensamento, que dê vazão a sinceras atitudes libertárias, que restabeleça o espírito e a festa da dignidade humana, da democracia, do respeito à natureza, da felicidade, do amor.

Cacá Araújo
Professor, dramaturgo e folclorista
Diretor da Cia. Cearense de Teatro Brincante

Cariri: Um todo de uma parte ou uma parte de um todo


Por Alexandre Lucas*


O Cariri é um misto de confluências de cores e cultos, reduto de engenharia artística em que as engrenagens são movidas pelos fazeres e pensares populares e contemporâneos.

No Cariri a maquina humana bebe do passado e do futuro para alimentar a alma presente. Aqui é terra firme aonde pousam o soldadinho da chapada e os pássaros mecânicos, em que em que a tecnologia de ponta convive com o ferro de passar a carvão. O Cariri perpassa caminhos do autoflagelo marcado pelo catolicismo popular e das profanas músicas da indústria do embrutecimento cultural.

Pelas ruas das cidades temos os contrastes. Temos o budega e o Shopping Center, os possuidores e os despossuidores Temos a vida circulando, num tempo que não pára.

A região tem raízes fincadas numa realidade concreta que indiscutivelmente é associada à confluência da vida, aos intercâmbios, os embates e as influências do campo econômico, geográfico, cultural e social, num continuo processo dialético.

O Cariri não tem formato fechado, pelo contrário tem culturas e artes que são históricas e sociais, como é qualquer outra parte do mundo.

O Cariri não pode ser visto como um fragmento isolado dentro de uma totalidade, mas compreendido como parte entranhada desta totalidade, recheada por antagonismos e confluências nos mais diversos aspectos.
Em tempos de globalização, o processo e as formas de produção e reprodução da existência humana, ocorre numa velocidade quase que instantânea e não estamos inertes a esses acontecimentos.

É deste Cariri do campo e da cidade, da indústria e da oficina de fundo de quintal, do operário e do empresário, da Igreja Católica e dos terreiros das religiões de Matriz Africana, das brincadeiras populares, do imaginário que se mistura com o real, da diversidade e da pluralidade que nos alimentamos.

No entanto é preciso atentar para não caímos no discurso apaixonado que nos coloca distante da realidade e nos encaixota regionalmente. O Cariri é uma região da cultura com suas peculiaridades, como qualquer outra localidade aonde existem homens e mulheres, pois somente com seres humanos é possível se produzir cultura.

A produção simbólica do nosso povo não se fixa no tempo, ela acompanha os acontecimentos, através de sobressaltos, vagarosidades e instantaneidades. As manifestações simbólicas e artísticas permeiam-se dentro do motor da realidade.

A comunhão das danças profanas e sagradas, as vestes dos brincantes, o cordel, as formas de organização dos grupos, os fazeres contemporâneos e populares não são eternos na sua forma original sofrem influências do tempo e do espaço, assim como também acontece com a grande indústria da cultura.

Pensar o Cariri em termos de arte e de cultura como algo eterno e puro é desalojar a capacidade produtiva e criativa do nosso povo. No esmeril da construção humana sofremos uma lapidação de acréscimos, hibridismos e de reinvenção da vida.

No entanto precisamos comer com voracidade a história do nosso povo Kariri, a plural e diversificada produção dos habitantes desta terra e o que a humanidade já produziu e produz, como fez o grande poeta comunista Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré que se alimentou da realidade dos oprimidos e explorados do Cariri e da história da humanidade para produzir os seus versos afiados com regionalidade e universalidade.

*Coordenador do Coletivo Camaradas, pedagogo e artista/educador.