
por Patricia Sposito Mechi
Durante os dias 25 e 26 de abril ocorreu, no município de São Domingos do Araguaia, o II Encontro dos Torturados do Araguaia, evento ignorado pela grande imprensa. Na oportunidade, foram realizadas oitivas (depoimentos) dos moradores da região que sofreram torturas físicas ou psicológicas, tiveram perdas econômicas ou que foram obrigadas a servirem às Forças Armadas de diversas maneiras: como mateiros, guiando as tropas pela selva, alimentando-os, informando-os, dando-lhes abrigo.
O abandono à região não é monopólio da imprensa. A ausência do Estado brasileiro, naquilo que teria de democrático, é visível nas pessoas, sem necessidade de maiores observações: “A inexistência de atendimento médico aparece nas cicatrizes, nas deformações físicas quando um dedo, um pé quebrado não é remediado pelo hospital e sim pela própria comunidade. Quando se percebe o analfabetismo sem analisar estatísticas, mas ao ver o desenho da própria assinatura ou, quando afirmam que, não tendo freqüentado a escola, não “aprenderam a assinar”.
Outra questão preocupante é os documentos pessoais. Para a Comissão de Anistia, é essencial os moradores apresentarem documentos que dêem sustentação a seus depoimentos. Contudo, são muitos os moradores que não os possuem.
O desprezo do Estado brasileiro pela região novamente se evidencia: as mulheres não possuem certidões de casamento, óbito, ou mesmo documentos de identificação dos maridos e companheiros que foram presos. A ausência dessa documentação não pode ser imputada ao morador, e sim, ao Estado; a Comissão deve encontrar mecanismos para não recair sobre o morador a responsabilidade pelos documentos que não possui. Há relatos, por exemplo, de pessoas que eram presas com documentos e retornavam sem, isso quando retornavam. Frente ao volume de denúncias de toda a sorte de arbítrios, não é improvável que a retenção dos documentos tenha sido prática dos militares na região.
Necessário frisar também que na bibliografia sobre a Guerrilha do Araguaia é recorrente a afirmação de que as Forças Armadas queriam jogá-la no esquecimento. Os militares demoraram muito tempo para reconhecer sua existência e a imprensa brasileira, somente em 1979, veiculou a primeira série de reportagens sobre o tema no Jornal da Tarde, em reportagens de autoria do jornalista Fernando Portela, posteriormente reunidas no livro Guerra de Guerrilhas no Brasil: a saga do Araguaia. (Editora Terceiro Nome, 2002).
É evidente o esforço das Forças Armadas para o pior episódio da guerra suja não ser História. E para não ser História, existem fortes indícios de que ocultou-se e destruiu-se a documentação; se foi feito nos arquivos das Forças Armadas, o que dizer dos documentos de humildes agricultores, presos pelos militares na década de 70 em Xambioá, no estado do Tocantins, região conhecida como "Bico de Papagaio"?
A desatenção do Estado brasileiro esteve presente à região durante os anos da guerrilha e mostrou sua face mais cruel: a truculência com os pobres. Se foi o estado ditatorial que transformou a “pacata miséria” em que viviam os moradores em uma guerra da qual foram obrigados a participar, remonta a tempos mais antigos, e ainda persiste no presente, os conflitos de terra, a subjugação dos agricultores pobres aos poderosos fazendeiros e os privilégios dos mais abastados.
Merece aplausos a iniciativa da Comissão de Anistia de ir até o município de São Domingos do Araguaia ouvir os moradores que, de outra maneira, teriam imensas dificuldades de verem atendidos seus direitos. Porém as indenizações são apenas um passo. A sentença pode ir além do atendimento das demandas individuais. É necessária uma indenização social, obrigando o Estado a prover a população em seu conjunto, com saneamento básico, escolas, incentivo às cooperativas agrícolas, em suma, a implementação de um projeto de atendimento emergencial à região que retire os moradores da pobreza absoluta.
Os moradores que prestam depoimentos à Comissão de Anistia não são os únicos que foram atingidos. Há pessoas, ainda hoje, que temem falar sobre a guerrilha. Pessoas que acreditam serem vigiadas, que os militares ainda estão infiltrados na região, à paisana. Alimentar essa crença é também interessante aos poderosos da região, na medida em que esvazia a luta pela terra e impede a organização da comunidade para fazer pressão frente aos poderes locais. A lembrança do terror é viva e cultivada na memória da região.
Há, em diversos relatos, sejam de moradores ou militares, referências ao desabastecimento das cidades, inflação dos preços de alimentos em função da chegada do Exército e o conseqüente aumento da demanda. O morador que teve sua roça destruída pelo Exército deve ser prontamente indenizado, mas aquele que teve de pagar mais caro porque havia mais demanda, também.
Se é possível determinar indenizações individuais, é urgente determinar uma indenização coletiva, pois todos os moradores foram atingidos pelo combate à guerrilha. A miserabilidade da maior parte da população brasileira é resultado de um Estado historicamente instituído contra os pobres, criminalizando ações, demandas e necessidades. Um Estado que privatiza o público nas mãos dos poucos grupos que se abancam nas instituições; no sul do Pará, Maranhão e norte do Tocantins, a violência histórica do Estado, ampliada e institucionalizada durante a ditadura militar, produziu os mais perversos níveis de miséria, conjugadas com as mais nefastas formas de repressão.
A memória da ação dos militares no combate à guerrilha está impressa nos corpos marcados e cansados dos moradores, no medo das autoridades, nos conflitos de terra, na ausência generalizada de atendimento às necessidades básicas da população. Os moradores que viram suas roças destruídas, que ficaram impedidos de trabalhar para si, porque tinham que trabalhar para os militares, que foram torturados, espancados, devem ser atendidos na totalidade de suas demandas.
Patricia Sposito Mechi é professora de História Contemporânea da Universidade Federal do Tocantins.
texto e ilustração da Revista Caros Amigos
www.carosamigos.com.br
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domingo, 18 de maio de 2008
E as indenizações dos moradores atingidos pela Guerrilha do Araguaia?
Marina vai manter postura independente
Brasília. Um dos últimos mitos do PT deixou o Governo Lula na última terça. A ministra do Meio Ambiente Marina Silva volta para o Senado, onde espera poder exercer com mais independência seu papel de defensora da Amazônia, da Ecologia e das causas sociais. A ex-ministra, que vem de uma família humilde e tem identificação com os seringueiros da Amazônia, deve ter uma atuação independente no Congresso Nacional, como o senador paulista Eduardo Suplicy, que nem sempre vota com o Governo Federal. Ela tem nas veias a radicalidade do amigo Chico Mendes.
Presidente da Sociedade Nordestina de Ecologia, Marcelo Mezel, diz que se surpreende de Marina ter ficado tanto tempo no Governo Federal. ´Há muito tempo que as opiniões dela não prevalecem. Sempre ela saia perdendo para outros ministros desenvolvimentistas. Não sei como ela ficou tanto tempo no cargo´, diz ele.
Marina enfrentou pressões durante sua gestão para permitir a importação de pneus usados, a favor da liberação dos transgênicos, pela ampliação das áreas desmatadas para cultivo. Além disso, teve dificuldades para ter apoiados novos projetos de legislação ambiental. E teve de acolher projetos criticados por ambientalistas como a transposição do Rio São Francisco.
Desmentido
A ex-ministra desmente que tenha deixado o cargo em razão de o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, Mangabeira Unger, ter sido escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para coordenar o Plano Amazônia Sustentável (PAS). Mas, ela admite não ter sido consultada sobre a indicação. ´Meu gesto não é em função do doutor Mangabeira. É uma questão de que você vai vendo um processo que cumulativamente as coisas estão andando, estão acontecendo e você percebe que começa a haver uma estagnação. E aí criar um novo acordo, com novo ministro (é a solução)´, disse.
FIQUE POR DENTRO
Marina do PT começou carreira como vereadora
Maria Osmarina Silva de Lima, a Marina do PT, mais tarde, Marina Silva, 44, começou sua carreira política nas Comunidades Eclesiais de Base, ligada à Igreja Católica. Em 1988 foi eleita vereadora de Rio Branco (AC). Dois anos depois, se elegeu deputada estadual e, em 1994, aos 38 anos, chegou ao Senado como a mais jovem senadora do país. Formada em História pela Universidade Federal do Acre, em 1985, Marina aprendeu a ler já adolescente ao se mudar para Rio Branco onde foi tratar uma hepatite. Marina tem quatro filhos, Shalon, Danilo, Moara e Mayara.
Jornal Diário do Nordeste
Candidatos usam Orkut para fazer campanha
Recife. Ferramenta relativamente nova para uso de publicidade eleitoral, a Internet vem caindo no gosto de políticos que pretendem concorrer às eleições deste ano. Nas capitais nordestinas, praticamente todos os pré-candidatos às prefeituras estão usando a rede para divulgar suas propostas de governo e aproximar-se do eleitor. Mas, como a propaganda eleitoral só é permitida a partir do dia 6 de julho, tudo é feito de forma sutil para despistar a Justiça Eleitoral. O site de relacionamentos Orkut tem sido o lugar preferido para fazer campanha antecipada no mundo virtual. No Orkut, sobram comunidades exaltando pré-candidatos e pedindo votos para os mesmos.
Para a Justiça Eleitoral, não há nenhum impedimento em divulgar as atividades parlamentares numa página na Internet. O problema está em ultrapassar esse limite. “Proposta de governo não é mais trabalho parlamentar. Quando o político faz isso, está fazendo campanha eleitoral”, distinguiu o promotor de Justiça e coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias Cíveis e Fundações da Bahia (Caocif), José Ferreira de Souza Filho.
Apresentar-se ao leitor como futuro postulante também infringe a lei eleitoral. “Estar na qualidade de pré-candidato e falar as propostas que pretende desenvolver: só isso já qualifica como propaganda. E, sendo divulgada agora, é extemporânea”, avisou o promotor de Justiça de Pernambuco, Eduardo Cajueiro. A multa para o político que faz campanha eleitoral antecipada varia entre R$ 21.282,00 e R$ 53.205,00.
Se nas páginas pessoais o limite entre divulgação de atividades políticas e promoção pessoal para fins eleitorais é tênue, a situação fica ainda mais complicada na rede de relacionamentos Orkut. Basta uma simples busca no sistema para identificar comunidades que exaltam políticos, incentivando suas candidaturas.
Na comunidade “oficial” do deputado federal Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM/BA), com 2.123 membros até sexta-feira, o debate eleitoral já está acalorado. Os integrantes da comunidade providenciaram até uma enquete para testar as intenções de voto do parlamentar para o Executivo municipal e até estadual.
Admiradores
A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), também ganhou um clube de admiradores na rede de relacionamentos. Na comunidade “Voto Luizianne Lins 2008”, com 322 membros até a sexta, os internautas expressam total apoio à recondução da prefeita ao cargo. “Esta comunidade é dirigida a todos aqueles que apóiam a reeleição da prefeita de Fortaleza Luizianne Lins”, descreve o dono da comunidade.
A mesma “homenagem” também foi prestada ao ex-deputado federal Moroni Torgan (DEM/CE), pelos 141 membros da comunidade “Moroni Torgan 2008!!!”. Nela, os participantes propõem uma “corrente rumo à Prefeitura Municipal de Fortaleza”. O atual prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho (PSB), também ganhou uma comunidade no Orkut de apoio à sua reeleição: “Ricardo Coutinho Reeleito”, mas com apenas 36 pessoas inscritas até o último dia 16.
O promotor José Ferreira de Souza Filho lembrou que usar o Orlut para fazer campanha “também é proibido”, independente se a iniciativa partiu do pré-candidato ou não.
Jornal Diário do Nordeste
Candidato pode ficar inelegível
Os partidos políticos precisam orientar melhor os seus candidatos quanto à prestação de contas da campanha eleitoral porque as normas estabelecidas pela Justiça Eleitoral estão mais rígidas e o descumprimento de alguns dispositivos poderá inviabilizar candidaturas futuras.
A abertura de conta bancária é uma das exigências que existem há alguns pleitos. Muitos candidatos deixaram de abrir a conta bancária específica para a campanha e por esse motivo tiveram as suas contas desaprovadas. Antes isso pouco representava porque somente a não apresentação das contas da campanha impedia a obtenção da certidão de quitação eleitoral, que é um dos documentos exigidos para o pedido de registro de uma candidatura.
Certidão
Para as eleições deste ano a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que trata da prestação de contas da campanha também impede o fornecimento de certidão de quitação com a Justiça Eleitoral a quem teve contas de campanha desaprovadas. A eficácia dessa medida para as eleições deste ano ainda está sendo discutida no âmbito do TSE, mas os candidatos devem ficar atentos a alguns prazos a serem cumpridos para não cometerem deslizes e terem as contas da sua campanha eleitoral desaprovadas, inviabilizando a obtenção da certidão eleitoral no curso do mandato, o que o tornaria inelegível até as eleições de 2012.
Um dos dispositivos da legislação eleitoral que devem ser observados com cautela é o início do prazo para propaganda eleitoral. O calendário do TSE para as eleições deste ano e a Resolução que dispõe sobre propaganda eleitoral dizem que a propaganda eleitoral somente será permitida a partir do dia seis de julho, um dia após o encerramento do prazo para pedido de registro das candidaturas tanto a prefeito quanto para vereadores.
Na prática quem começar a distribuir material de propaganda eleitoral no dia seis de julho, ainda que tenha utilizado recursos próprios para cobrir as despesas, poderá estar fazendo propaganda irregular porque o artigo 1º da resolução do TSE que define as normas para a arrecadação e aplicação de recursos para a campanha eleitoral estabelece que: Sob pena de desaprovação das contas, a arrecadação de recursos e a realização de gastos por candidatos e comitês financeiros, ainda que estimáveis em dinheiro, só poderão ocorrer após a observância dos seguintes requisitos: solicitação do registro do candidato; solicitação do registro do comitê financeiro; inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ); abertura de conta bancária específica para a movimentação financeira da campanha, salvo para os candidatos a vice-prefeito e obtenção dos recibos eleitorais.
Convém lembrar que o prazo para a apresentação dos pedidos de registro de candidatura pelos partidos políticos terminará no dia cinco de julho, às 19 horas. As contas bancárias específicas para a movimentação dos recursos da campanha somente serão abertas com o CNPJ do candidato ou do comitê financeiro e este será fornecido pela Receita Federal somente a quem pediu registro perante a Justiça Eleitoral. Então, para que toda essa documentação seja viabilizada serão necessários alguns dias após o pedido formal de registro da candidatura. Assim, o partido que pedir o registro dos seus candidatos no último dia do prazo, cinco de julho, não terá condições de promover gastos a partir do dia seis.
Jornal Diário do Nordeste
Curso no Cariri resgata antiga técnica Pinhole
Um curso de fotografia diferenciado. Longe das tecnologias digitais. O Pinhole, esquecido pela modernidade, é uma modalidade exercida com lata e um pequeno furo para entrada de luz. Na zona rural do Crato, no distrito de Ponta da Serra e arredores, essa técnica tem sido aplicada pelo fotógrafo Allan Bastos, em aulas para crianças e adolescentes, por meio da Organização Não Governamental (ONG) Verde Vida. São 30 crianças, em duas turmas. O método vem dos primórdios da fotografia.
Uma exposição já foi realizada com o resultado inicial do curso. Mas o trabalho será concluído apenas neste mês. O objeto a ser fotografado fica direcionado ao estudo de quem focaliza. O tempo de exposição dura cerca de 10 segundos. O olhar é outro. São fotos em preto e branco. Allan Bastos já fez o mesmo trabalho com crianças e adolescentes do Movimento Pró-Criança, em Recife, no Estado de Pernambuco. A experiência do fotógrafo remete a sua infância.
O projeto para ações culturais na ONG Verde Vida, com o curso de fotografia, foi iniciado em março. São crianças e jovens de 11 a 18 anos. Aproveitando o Dia Mundial da Fotografia Pinhole, foi realizada uma exposição para lembrar a arte. Para Allan, é uma oportunidade de deixar por um momento o mundo tecnológico em que vivemos. Ele explica que a fotografia Pinhole permite uma foto que necessita apenas de um recipiente protegido contra a luz e pode ser caixa ou lata, com um pequeníssimo furo e contendo material fotossensível em seu interior, que pode ser papel ou filme. Pode adaptar uma câmera já existente ou fazer artesanalmente.
O Projeto Ações Culturais para Povos Rurais está localizado no distrito de Ponta da Serra. A parceria com a Associação do Audiovisual do Cariri envolve jovens da comunidade rural. O trabalho tem o patrocínio da Petrobras e também do Criança Esperança.
O principal objetivo das ações é ampliar as atividades culturais da ONG Verde Vida, integrando profissionais das diversas áreas (audiovisual, dança, música, circo, produção cultural), com o intuito de envolver crianças e adolescentes da zona rural. A proposta se une à necessidade de estender o campo de atuação da ONG a diversas localidades do seu entorno. A finalidade tem sido atingida, com o dobro de atendimento, combatendo o êxodo rural que é o principal foco do projeto.
Atualmente as grandes ações culturais estão, geralmente, voltadas para populações de zonas urbanas, deixando as crianças e jovens da zona rural sem assistência. Para promover o desenvolvimento sociocultural desses jovens, a ONG Verde Vida, em parceria com Associação Audiovisual do Cariri e outros parceiros institucionais, formulou uma série de capacitações com o intuito de despertar neles o interesse pelo seu lugar, o aumento da auto-estima e com isso a solidificação de sua identidade.
As oficinas serão distribuídas neste ano. Tem como resultado esperado a formação de agentes culturais rurais que terão o compromisso de estimular movimentos artísticos locais, divulgando e valorizando seus saberes. A ONG foi criada em 1994, mas, legalmente fundada no ano de 1998, por iniciativa de Marcos Antônio Xenofonte de Almeida. A idéia surgiu da observação de que as crianças do local abandonavam a escola para trabalharem com os pais na roça, e as que permaneciam tinham baixo rendimento escolar.
Mais informações:
Projeto Verde Vida
Distrito de Ponta da Serra
Rua Bernardo Vieira, nº 115, município do Crato (CE)
(88) 3523.9262
Elizângela Santos
Repórter
Jornal Diário do Nordeste
Trem deve operar no fim do ano
O período de chuvas intensas nos meses de março e abril passados não deve interferir no prazo de entrega do trem de passageiros que ligará as cidades de Crato e Juazeiro do Norte. O trem, com duas composições, está pronto e passa por testes feitos pela empresa Bom Sinal, responsável pela fabricação e montagem antes de ser entregue à Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos ( Metrofor). Nova fase de testes será feita pelos engenheiros do Metrofor e a previsão é de que até o fim deste ano já esteja operando no transporte das populações dos dois municípios da região do Cariri.
A primeira composição foi mostrada e testada para o público no dia 29 de abril último. Uma espécie de ensaio como lembra Ricardo Fonseca Alves, gerente de Novos Negócios da empresa Bom Sinal. Ele disse que, naquele dia, houve um apelo social muito grande porque as pessoas estavam assistindo ao resgate de um meio de transporte que era muito utilizado no século passado. "Estacionamos (no Crato), deixamos as pessoas entrarem para ver a composição por dentro. Foi interessante que, na viagem de teste, houve quem desse sinal para parar e queriam até pagar a passagem", recorda.
Vão ser construídas nove estações de passageiros entre as duas cidades. Essa construção está em processo licitatório através da Secretaria estadual de Infra-Estrutura, mas o prazo para construí-las é de sete meses. Os testes que estão sendo feitos nas composições ferroviárias são de aceleração, frenagem, freios de emergência, faróis e outros equipamentos. Um processo que deve durar até o fim deste mês. Até o fim de junho deve ficar pronta a via permanente.
Trata-se do primeiro trem de passageiros fabricado na América do Sul nos últimos 20 anos. É um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), "onde utilizamos materiais de engenharia muito mais leve", complementa Ricardo Alves. As duas composições, cada uma com capacidade para 330 passageiros (100 sentados e 230 em pé), também terão espaço para portadores de necessidades especiais.
O trecho de 13 quilômetros será percorrido pelo Transporte Rápido Automotriz (Tram), equipado com ar-condiconado, a 60 quilômetros por hora. O tempo, entre as duas cidades, será variável e dependerá muito do fluxo de passageiros, mas há uma previsão média de 28 minutos. Serão 17 viagens em cada sentido (um total de 34) no horário das 6 horas às 22 horas diariamente.
SERVIÇO
Mais informações: Metrofor - telefone (85) 3101 7100 ou pelo site: www.metrofor.ce.gov.br
SAIBA MAIS
- O trem do Cariri foi idealizado em 2005, mas o contrato entre a Seinfra e a empresa Bom Sinal foi firmado em 2006. A fabricação e montagem das duas composições são feitas no município de Barbalha, na região do Cariri.
- São duas composições de tração diesel hidráulica mecânica. Os carros têm bancos individuais e são equipados com ar-condicionado. A velocidade máxima operacional é de 60 km/h.
- Vão ser construídas nove estações ferroviárias entre Juazeiro do Norte e Crato em 13 quilômetros de via singela com o aproveitamento da malha ferroviária existente.
- A demanda inicial é de cinco mil passageiros por dia, com uma freqüência horária no período de 6 horas às 22 horas. Para a fabricação e montagem das composições foram gastos R$ 4 milhões.
Fontes: Metrofor e empresa Bom Sinal
Jornal O Povo
Morre, aos 91 anos, a escritora Zélia Gattai

A escritora Zélia Gattai, de 91 anos, morreu na tarde desta sábado (17) no Hospital da Bahia, em Salvador. A autora e viúva de Jorge Amado estava internada desde 30 de março após ser submetida à cirurgia para remoção de um pólipo no intestino. Zélia reagiu lentamente, e apresentava desde a madrugada problemas pulmonares, renais e arteriais, que sinalizavam para um quadro de falência múltipla de órgãos, de acordo com avaliação da equipe médica que a assiste desde sexta-feira, quando o quadro, que era crítico, se agravou.
A estréia tardia da escritora paulistana Zélia Gattai, filha e neta de imigrantes italianos, a acadêmica, memorialista, romancista e fotógrafa estreou aos 63 anos, justamente com um livro que conta a vida de seus antepassados, Anarquistas Graças a Deus (1979), relato da formação da Colônia Cecília, tentativa de criar uma comunidade anarquista em pleno Brasil do século 19. Seu maior êxito até hoje, o livro já vendeu mais de 200 mil exemplares e foi adaptado por Walter George Durst em uma popular série de televisão, com direção de Walter Avancini, e com os atores Ney Latorraca e Débora Duarte no elenco. A minissérie foi exibida pela Rede Globo em 1984.
Nascida em São Paulo em 2 de julho de 1916, Zélia casou-se aos 20 anos com o intelectual Aldo Veiga, militante do Partido Comunista, o que a tornou próxima dos escritores da Semana de 22, especialmente Oswald e Mário de Andrade. Em 1938, seu pai, Ernesto Gattai, foi preso durante o Estado Novo, atiçando a militância política da futura escritora contra o arbítrio getulista. Com Veiga a escritora teve seu primeiro filho, Luís Carlos Veiga, em 1942.
Três anos depois, em 1945, ela conheceu o segundo marido, Jorge Amado, durante o 1º. Congresso de Escritores. Os dois trabalharam no movimento pela anistia dos presos políticos e decidiram morar juntos. Um ano depois, quando Amado foi eleito para a Câmara Federal, o casal mudou-se para o Rio, onde nasceu o filho João Jorge Amado, em 1947. Em 1948, o Partido Comunista foi declarado ilegal, o escritor perdeu seu mandato e o casal partiu para o exílio. Jorge e Zélia viveram na Europa por cinco anos, dois deles em Praga, onde nasceu a filha Paloma, em 1951. Foi nessa época que ela começou a se interessar por fotografia, atividade que renderia, no futuro, a fotobiografia do marido, Reportagem Incompleta, em 1987.
Parte da produção memorialista da escritora, que ocupava a cadeira 23 da Academia Brasileira da Letras - a mesma do marido Jorge Amado -, é dedicada ao período do exílio europeu. Em Jardim de Inverno (1988), seu quarto livro, Zélia reúne lembranças do continente europeu ainda dividido entre leste e oeste. Antes dele, Senhora dona do Baile (1984) retrata esse mundo separado pela cortina de ferro e faz desfilar por suas páginas algumas personalidades históricas do século que passou.
Dois de seus livros contam os 56 anos de convivência com o marido na Bahia, A Casa do Rio Vermelho (1999) e Memorial do Amor (2000). No primeiro, ela relata fatos curiosos sobre os intelectuais amigos que passaram pela famosa casa do casal de escritores no número 33 da rua Alagoinhas, em Salvador, entre eles o poeta Pablo Neruda. Em Memorial do Amor, ela conta a história da casa, desde a compra do terreno (com os direitos de Gabriela, Cravo e Canela, de Amado) até a escolha dos objetos de decoração adquiridos nas inúmeras viagens dos dois.
Um dos livros mais elogiados da escritora foi publicado em 1982. Chama-se Um Chapéu para Viagem Nele, Zélia narra a queda da ditadura de Getúlio Vargas, relembra a luta pela anistia dos presos políticos e conta como foi o processo de redemocratização do País.
Dois de seus livros, Città di Roma (2000) e Códigos de Família (2001), são dedicados a rememorar a formação das famílias Gattai e Amado. No primeiro, Zélia relata a chegada de seus avós italianos ao Brasil no século 19, a bordo do navio que dá título ao livro, Città di Roma. No segundo, Códigos de Família, ela conta histórias divertidas e comoventes de suas duas famílias e decodifica as mensagens dos parentes. Zélia Gattai ainda escreveu livros infantis, como Pipistrelo das Mil Cores (1989), O Segredo da Rua 18 (1991) e Jonas e a Sereia (2000).
Livros publicados
1979 - Anarquistas, Graças a Deus (memórias)
1982 - Um Chapéu Para Viagem (memórias)
1984 - Senhora Dona do Baile (memórias)
1987 - Reportagem Incompleta (memórias)
1988 - Jardim de Inverno (memórias)
1989 - Pipistrelo das Mil Cores (literatura infantil)
1991 - O Segredo da Rua 18 (literatura infantil)
1992 - Chão de Meninos (memórias)
1995 - Crônica de Uma Namorada (romance)
1999 - A Casa do Rio Vermelho (memórias)
2000 - Cittá di Roma (memórias)
2001 - Códigos de Família
2002 - Um Baiano Romântico e Sensual
Jornal O Povo
sábado, 17 de maio de 2008
Coluna Cariri - Tarso Araújo - "O Povo" 18-05-2008
ANOTE: PATRIMÔNIO IMATERIAL
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Apelo
Nem fumo de rolo fumado
És uma rapunzel solitária
Nessa selva de homens brutos
Que nós humanos perdemos
Ou melhor ganhamos
Nossa credencial pro inferno
Iremos lembrar o que essa guerrilha machista e marxista fez e faz
Em nome de uma ideologia e de um comandante fulano de tal
Que mereceria ser enforcado com suas próprias tripas
Para poupar seus cabelos de seda
Que representam a solidão e a sabedoria
De uma mãe sem filha
No exílio e vítima, quase morta
Mas que teima em ficar viva
Antes que todos os vírus
Encetem uma campanha
Pra aniquilar a sordidez
De uma política sem vez, sem Homens, e dignidade nenhuma
A Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha – Parte 1
O Cortejo com o Pau da Bandeira de Santo Antônio, como momento oficial de abertura dos festejos em homenagem ao Santo Padroeiro, teve início em 1928, por iniciativa do vigário Padre José Correia de Lima, que se inspirou no costume popular existente em Barbalha de hastear a bandeira do santo festejado durante as festas juninas e por ocasião das renovações. Ao longo desses oitenta anos muitas foram as mudanças ocorridas na forma de realização desse evento religioso popular. No entanto, os significados, embora tenham sofrido algumas alterações, permanecem até hoje: homenagem ao santo padroeiro e afirmação social e religiosa dos carregadores, bem como da sua força e virilidade.
Segundo os carregadores antigos a escolha do pau da bandeira nem sempre foi uma tarefa fácil. Algumas vezes o pau escolhido não era aceito pelo conjunto dos carregadores, pois o mesmo não atendia aos requisitos exigidos, quais sejam: o pau da bandeira deve ser grande e grosso. Colocar nos ombros um pau maneiro ou pouco pesado não fazia e não faz sentido. O orgulho dos carregadores é entrar na cidade carregando um grande pau. A própria população de Barbalha não aceita um mastro diferente.
Ainda segundo os carregadores antigos, pelo menos desde os anos 40 do século passado, a escolha e o corte do pau ocorrem alguns dias antes do carregamento. Desses dois momentos participavam apenas alguns homens, coordenados pelo Chefe do Pau ou Capitão do Pau, como hoje é chamado o líder dos carregadores. A partir de meados dos anos 90, no entanto, o número de participantes começou a aumentar consideravelmente. Hoje, são centenas de pessoas que sobem a serra para acompanharem o corte do pau. Com isso, o momento do corte do pau transformou-se numa grande festa, quando homens e mulheres adentram a mata, muitas vezes sem a devida consciência ecológica.
Nesse sentido, creio que, atualmente, a questão fundamental é: como conciliar a preservação dessa inestimável expressão cultural e religiosa do povo brasileiro com a preservação do meio ambiente? Na minha visão o problema reside não propriamente no corte da árvore, mesmo porque centenas de mudas são plantadas. Nem no instrumento que corta a árvore ou no dia em que ocorre o corte, como argumenta o respeitável representante do Instituto Chico Mendes na matéria postado pelo jornalista Tarso Araújo.
Océlio Teixeira de Souza
Professor do Departamento de História da URCA e autor da dissertação de mestrado: A Festa do Pau da Bandeira de Barbalha: entre o controle e a autonomia (1928 – 1998), apresentada em agosto de 2000 ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.
Polêmica sobre o pau da bandeira

Reaberta a polêmica em torno do corte do pau da bandeira da festa de Santo Antônio de Barbalha que tradicionalmente é iniciada no primeiro domingo de junho, com o carregamento do pau da bandeira, e termina no dia 13, data consagrada ao padroeiro da cidade. Na audiência pública realizada, ontem, no Fórum do Município, com a presença da promotora de Justiça Efigênia Coelho Cruz, foi discutido o Termo de Conduta apresentado pelo chefe da Unidade de Conservação Federal da Área de Proteção Ambiental do Araripe, Jackson Antero, fazendo exigências para o corte do pau.
Segundo o relatório elaborado pelo Instituto Chico Mendes, que esteve no sítio São Joaquim, local onde a árvore é cortada, serão obedecidas as seguintes determinações: Que o corte do pau (angico) seja feito sob responsabilidade da fábrica de cimento Itapuí, proprietária da área. A madeira deve ser cortada com uma serra e puxada com um trator até a chamada "cama do pau", local em que o tronco é colocado para secar a fim de ser transportado pelos devotos de Santo Antônio na abertura da festa.
O documento exige ainda que o corte seja feito na segunda-feira (21), com o acompanhamento de uma equipe da Área de Proteção Ambiental do Araripe, com o número mínimo de cortadores. O termo de conduta exige ainda o cumprimento do compromisso assumido no ano passado de que seria utilizado um só pau para todas as festas do Município.
Por fim, o documento responsabiliza a fábrica Itapuí por eventuais danos causados ao meio ambiente. A negociação parou nesta exigência. A direção da fábrica não se comprometeu a assumir a responsabilidade. O impasse foi parcialmente resolvido com um telefonema do prefeito de Barbalha Rommel Feijó se responsabilizando pelos danos causados ao meio ambiente.
O "Capitão do Pau" Rildo Teles Cardoso saiu da reunião com a incumbência de solicitar um documento da direção da Itapuí, repassando a co-responsabilidade pelo corte do pau à Prefeitura de Barbalha. Se tudo correr bem , o pau será cortado segunda-feira . Mas o impasse não está resolvido. Houve apenas um pequeno avanço, diz Cardoso. A promotora de justiça de Barbalha adverte que "a lei existe para ser cumprida".
"É a primeira vez que isso acontece. O corte do pau sempre ocorreu no domingo", lembra Rildo Teles, advertindo que está sendo quebrada uma tradição de 80 anos" "Em nome dessa tradição estão degradando a Área de Proteção Ambiental” , reage o chefe da Unidade de Conservação Federal da APA-Araripe, Jackson Antero de Sousa, esclarecendo que a destruição não está restrita apenas ao corte do pau. "Queremos impedir a farra do corte".
Fonte: Site Miséria
Imagem: http://diariodonordeste.globo.com/imagem.asp?Imagem=213415
TRE DEBATE INSTRUÇÕES DO TSE PARA ELEIÇÕES MUNICIPAIS

Por: Beto Almeida
A presidente do TRE-CE, desembargadora Huguette Braquehais, e a corregedora regional eleitoral, desembargadora Gizela Nunes da Costa, abrirão nesta sexta-feira, às 8h, no auditório da Escola Superior da Magistratura do Estado do Ceará, o Seminário de Direito Eleitoral para debater as Instruções do TSE para as eleições municipais deste ano.
O seminário, que acontece nesta sexta e no sábado, das 8h às 17h, irá avaliar aspectos mais relevantes à fiscalização, à normalidade e à regularidade do processo eleitoral. O evento ainda homenageará o vice-presidente do STJ, ministro César Asfor Rocha, juntamente com a desembargadora Huguette Braquehais, presidente do TRE-CE, e os juristas Aroldo Mota e Djalma Pinto.
Dentre os palestrantes, o juiz Luiz Márcio Victor Alves Pereira, coordenador da Fiscalização de Propaganda do TRE do Rio de Janeiro, que abordará o tema "Propaganda Eleitoral: aspectos gerais; Reflexos e Jurisprudência com o advento da Lei nº 11.300/06; Abordagem em uma nova perspectiva, Eleições Limpas, Cidade Limpa".
Às18 horas desta sexta-feira, haverá ainda o lançamento da 4ª edição do livro "Teoria e Prática do Direito Eleitoral", do promotor eleitoral Edson de Resende Castro, coordenador do Centro de Apoio Operacional Eleitoral do MP de Minas Gerais, que também será um dos palestrantes do evento, no painel "Uso da Máquina Administrativa e Captação Ilícita de Sufrágio".
A programação do evento prevê ainda no sábado, às 12 horas, o lançamento dos manuais "Propaganda Eleitoral" e "Normas de Serviço para as Zonas Eleitorais", pela Corregedoria Regional Eleitoral do Ceará. A concepção dos manuais, que serão distribuídos em CD-Rom’s, é baseada na experiência pioneira da Corregedoria Eleitoral de Mato Grosso do Sul, adaptada à realidade do Ceará.
Os manuais serão uma referência para os servidores de todas as zonas eleitorais do Estado, e de suma importância na orientação de como proceder em todas as situações decorrentes das eleições, como filiação partidária, multas eleitorais, etc., vindo a contribuir assim para a agilização dos trabalhos ao longo do processo de organização e realização das eleições.
Estão convidados para assistir e participar dos debates os juízes, promotores e chefes de cartório de todas as zonas eleitorais do Estado, bem como assessores e corregedores de outros Tribunais Eleitorais.
O auditório da ESMEC, local do evento, fica na rua Ramires Maranhão do Vale, nº 70, Água Fria, Fortaleza. (com informações da assessoria de imprensa do TRE-CE)
Site Ceará Agora
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TCM prepara a lista com ex-prefeitos
A ex-prefeita de Caucaia, Yara Guerra Silva, será incluída na relação que o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) vai entregar à Justiça Eleitoral com os nomes de gestores públicos que tiveram contas julgadas irregulares com nota de improbidade administrativa. Durante a sessão de ontem outras 13 contas de gestão foram julgadas pelo TCM como irregulares com nota de improbidade administrativa.
As contas de Yara Guerra referem-se ao Fundo Municipal de Educação em Caucaia. Várias irregularidades foram constatadas, inclusive ausência de licitação, o que gerou multas de R$ 160.573,00.
Também tiveram contas julgadas irregulares com nota de improbidade José Nilson Soares Frota - Fundo Municipal de Assistência Social de Massapê no exercício de 2000; Adriana Maria de Freitas Dias - Fundo Municipal de Assistência Social de Guaramiranga em 2000; Sheyla Martins Alves - Fundo de Saúde de Farias Brito em 2002; Francisco Roneudo Pinheiro - Secretaria de Finanças e Planejamento de Solonópole no exercício de 2005; Maria de Fátima Félix Lacerda - Secretaria de Turismo e Esportes de Icapuí em 2005.
Jornal Diário do Nordeste
Deputado alerta para insegurança
A segurança pública continua sendo um dos principais gargalos da administração Cid Gomes (PSB). Pelo menos é o que se pode aferir nas críticas e cobranças quase que diárias de oposicionistas e aliados, na Assembléia Legislativa. Na sessão de ontem mais uma vez os parlamentares cobraram ações mais contundentes para reprimir o avanço da criminalidade no Ceará. O apelo veio da base governista, em pronunciamento do deputado Antônio Granja (PSB), e teve como endereço a situação do município de Jaguaretama. Segundo o socialista, a cidade está dominada por pistoleiros.
“Ali virou uma terra sem lei, uma terra dominada por bandidos”, lamentou. O desabafo de Granja foi acompanhado por lideranças políticas do município, que ocupavam as galerias do Plenário 13 de Maio. Eles estiveram no parlamento para pedir a intervenção daquela Casa em favor do município. Na tarde de ontem, Granja, acompanhado do líder do Governo, deputado Nelson Martins (PT), e pelas lideranças de Jaguaretama, formalizaram a cobrança em reunião com o secretário de Segurança, Roberto Monteiro.
Conforme Granja, nos últimos dois anos houve um aumento significativo da violência naquela localidade, que ocupava a sétima posição em violência no Estado, e atualmente assume a liderança. Em 2006 foram dez crimes de pistolagem, em 2007 foram seis, e de janeiro a maio deste ano mais cinco pessoas foram mortas por pistoleiros. “Peço clemência ao governador, pelo povo de Jaguaretama”, apelou.
Segundo ele, o mais grave é que a Polícia e as autoridades judiciais sabem que são os marginais que atuam nessa modalidade de crime na região, têm conhecimento onde eles se escondem, mas nada é feito para impedir a ação dos bandidos. Sem ter a quem recorrer, ele diz que a população está “apavorada” com a situação. “As autoridades sabem quem são, e de onde partem as ações, alguns bandidos têm vários mandados e prisão, mas continuam lá, ameaçando as pessoas, à revelia da lei”, reclamou Granja.
O deputado destacou a abordagem feita pelo Diário do Nordeste sobre a problemática daquele município, citando matéria veiculada recentemente na editoria de Polícia denunciando a situação.
Jornal Diário do Nordeste
Equipamento amplia exame de HIV no Cariri
O tratamento de Aids no Cariri ganha um reforço com um equipamento para medir a carga viral CD4 dos pacientes portadores de HIV e detectar a existência do vírus em crianças filhas de mães portadoras do vírus. O equipamento “Citometria de fluxo laser”, de mais de US$ 200 mil, será cedido pelo Ministério da Saúde, como resultado de um trabalho desenvolvido por profissionais de saúde do município, tendo à frente a infectologista Ângela Gimbo, ex-coordenadora do Programa DST/Aids e da parceria das secretarias de Saúde do Estado e do município. Em 2005, foi inaugurado o Bloco de Infectologia.
O aparelho será instalado no Laboratório Central de Juazeiro. No local, são realizadas reformas para receber o equipamento, nos próximos 60 dias e estará voltado, principalmente, para a realização de testes em crianças, auxiliando na detecção mais rápida e no tratamento. Em Juazeiro, há algumas crianças que estão expostas ao vírus, pela ausência de equipamentos para detectar a doença. A alternativa nesses casos é encaminhar o exame para Fortaleza, mas há grande dificuldade, conforme o secretário de Saúde, Micaelce Santana.
Ele afirma que a Prefeitura vai entrar com apoio financeiro para instalação do equipamento e o Estado com o prédio. Os exames serão feitos em toda macrorregional, incluindo cidades do Interior de Pernambuco, como Exu. Em Juazeiro, há pacientes daquela localidade. Atualmente, 320 pacientes em acompanhamento na cidade ainda não desenvolveram a doença, mas estão em acompanhamento e 120 estão infectados. A maior parte dos pacientes é de Juazeiro, conforme enfermeira do Bloco de Infectologia. Cerca de 60%, e há um número maior de mulheres infectadas. O atendimento dos pacientes também não se restringe apenas a Juazeiro.
Segundo o secretário, esse é o terceiro aparelho do gênero em todo o Interior do Nordeste. Ele afirma que as instalações para o equipamento de grande sensibilidade são diferenciadas. “Juazeiro terá um suporte maior. Antes o sangue era enviado para Fortaleza e ficávamos aguardando o resultado para iniciar o tratamento”, diz a enfermeira Janiere Maciel Mendes, coordenadora do Programa DST/Aids.
Infectologia
O Bloco de Infectologia, localizado no Hospital Santo Inácio, é o local para tratamento de doenças infecto-contagiosas na cidade, mas desde que foi inaugurado, não houve internamento de pacientes, que são repassados para os blocos do próprio hospital. No local também são repassados os medicamentos. Desde que foi instalado na cidade, representou avanço importante no tratamento da Aids, onde também há coordenação de uma faculdade de Juazeiro e estudantes realizam período de estágio.
Há mais de um ano, o local se encontra sem um psicólogo. Há necessidade de um auxiliar de Enfermagem. Um infectologista e uma enfermeira realiza atualmente o acompanhamento dos pacientes. Não se sabe informar porque o local não realizou internamentos até o momento. Arlene Bezerra, enfermeira da infectologia, afirma que com certeza o aparelho será importante.
Isso, segundo Arlene, irá não somente prestar um serviço de antecipação no tratamento, mas evitar que haja transmissão. Ela ressalta que o crescimento no número de pessoas infectadas em Juazeiro tem sido motivo de preocupação e para isso é importante intensificar o trabalho educativo.
A idéia, de acordo com Janiere, é dar funcionalidade na área de internamento ao setor. Esse funcionamento, ressalta, é providenciado com toda a equipe. Segundo a coordenadora do Programa DST/Aids, a medição viral é a determinação direta da quantidade de HIV no sangue de um paciente. “É medida a quantidade de cópias HIV por mililitro de plasma sangüíneo. A carga viral é um marcador muito preciso para o progresso da infecção, sendo hoje em dia o indicador mais importante da eficácia da terapia antiretroviral ou da necessidade de alterar, ou não, a terapia que se utiliza”, explica.
Conforme Janiere Maciel, o objetivo da terapia é atingir uma carga viral mais reduzida possível. O CD4 ou células T4 é um tipo especial de glóbulos brancos que desempenham um papel importante e central no sistema imunitário do corpo do ser humano portador.
ELIZÂNGELA SANTOS
Repórter
Mais informações:
Secretaria de Saúde de Juazeiro do Norte/ Programa DST/Aids
Rua José Marrocos, s/n, Bairro Santa Teresa
(88) 3512.3396
Publicado no Jornal Diário do Nordeste, edição de hoje!
Abertas as inscrições das Bolsas Avina para jornalistas

Estão abertas até 1º de julho próximo as inscrições para a segunda edição das Bolsas Avina de Pesquisa Jornalística para o Desenvolvimento Sustentável, projeto que tem como objetivo cooperar com os meios de comunicação e os profissionais da imprensa para a produção de pesquisa sobre temas relevantes na busca de modelos sustentáveis de desenvolvimento na América Latina.
Este ano foi acrescentada mais uma categoria às cinco já existentes: Arte e Sociedade, com o tema educação. Esta nova categoria é fruto de uma parceria da Fundação Avina com a Casa Daros, no Rio de Janeiro, braço na América Latina da importante coleção sediada em Zurique, Suíça, a Daros-Latinamerica. O objetivo é estimular a publicação de reportagens que incentivem a produção artística contemporânea na América Latina.
A Casa Daros – dirigida pelo cubano Eugenio Valdés Figueiroa e pela carioca Isabella Rosado Nunes – pretende ser uma plataforma de encontro, reflexão e diálogo, tendo como foco a articulação da arte, da educação e da comunicação, e acompanhando a produção artística latino-americana, através de exposições, oficinas, residência de artistas, fóruns, seminários, entre outras atividades. A educação é o fio condutor de todas essas ações, inspirada no pensamento de Paulo Freire de que "ensinar é saber ouvir", e de que "a educação é um processo sempre inconcluso de interaç& atilde;o horizontal". É neste sentido que a educação e a prática artística comp artilham a mesma natureza. Com recursos próprios, a Casa Daros dará continuidade à filosofia que norteia a Daros-Latinamerica, em Zurique, de circulação permanente da coleção, e de dar visibilidade à produção latino-americana.
A Fundação Avina é sediada no Panamá, e se associa com líderes sociais e do empresariado em suas iniciativas para o desenvolvimento sustentável na América Latina.
As Bolsas Avina de Pesquisa Jornalística para o Desenvolvimento Sustentável somam um total de 250 mil dólares, divididos em seis categorias temáticas. Além de “Arte e sociedade”, os outros temas são: “Mudança Climática”, “Transparência”, “Negócios inclusivos”, “Inclusão Social”, e “Integração da América Latina”. Os tetos para cada bolsa são de 6 mil dólares para TV, e 4 mil dólares para jornalistas ligados a jornais, revistas, internet, rádio e agências de notícias.
As inscrições devem ser feitas pelo site da Avina, www.Avina.net (ou diretamente no link http://www.avina.net/web/siteavina.nsf/page?open), até as 22h (10 p.m.), hora de Brasília (Brasil), da terça-feira 1º de julho de 2008.
Um júri composto por pessoas reconhecidas na área de arte e educação escolherá as melhores propostas de trabalho, de acordo com as normas do regulamento no site da Avina. Os demais temas terão cada um, também dois jurados de comprovada excelência nas áreas específicas.
Os resultados serão divulgados durante o mês de setembro de 2008, na página web da Avina. Em novembro, será realizado o II Encontro Latino-americano de Bolsas Avina, em local a ser definido, que reunirá todos os contemplados com o objetivo de um intercâmbio de informação e experiências.
Poderão se inscrever repórteres, repórteres fotográficos, jornalistas “freelance”, editores, chefes de redação ou editores executivos. Em todos os casos, a proposta deve ter como foco geográfico a chamada América Latina.
O regulamento e demais informações importantes estão disponíveis no site da Avina (www.Avina.net).
Mais informações: CW&A Comunicação
Claudia Noronha / Beatriz Caillaux / Marcos Noronha
21 2286.7926 e 21 3285.8687
claudia@cwea.com.br / beatriz@cwea.com.br /
lido@cwea.com.br
Casa Daros
Célia Abend – Gerente de Comunicação
21 2275.0246
celia.abend@casadaros.net
Pílula dá cheiro e emagrece, diz pesquisador
Escolher um desodorante pode parecer uma tarefa simples, mas não é para quem sofre com alergias. Nem sempre é fácil conseguir um produto que não agride a pele e tem odor agradável. E justamente por não conseguir encontrar nada que não causasse irritação, uma técnica de laboratório resolveu parar de passar desodorante e passou a "comê-lo".
Mesmo produtos sem álcool e indicados por dermatologistas provocavam coceira, vermelhidão e irritavam a pele de Olga Maria Ramos, 50 anos. Por causa do clima quente em Fortaleza, ela conta que precisava lavar as axilas várias vezes por dia para evitar o odor de suor e, freqüentemente, ficava "constrangida" quando "tinha de levantar o braço." O martírio terminou quando ela descobriu a "pílula de perfume".
A pílula de perfume foi desenvolvida pelo Parque de Desenvolvimento Tecnológico (Padetec) da Universidade Federal do Ceará (UFC buscar), em 2004. A cápsula contém quitosana e óleo de lavanda, substâncias que são eliminadas pelo suor. O resultado é que o corpo passa a exalar o aroma – "muito suave", segundo Afrânio Craveiro, diretor do Padetec e coordenador de pesquisa do projeto da cápsula de perfume.
"A quitosana é um produto usado tradicionalmente para emagrecimento, porque é uma fibra natural que absorve gordura. Nós juntamos a propriedade do óleo de lavanda com a quitosana, então a pessoa combate o colesterol, elimina gordura e exala o cheiro. É o mesmo princípio das pílulas de alho, que também exalam cheiro, mas um que não é agradável", diz Craveiro.
Apesar do cheiro contínuo, Olga Maria afirma que nunca ficou enjoada. "É um perfume fraco e não acho enjoativo para o dia-a-dia. Meu marido e meu filho nunca reclamaram, pelo contrário, já que antes eu sofria com o problema do suor. Agora, eu posso até ir à academia sem passar vergonha", diz.
De acordo com o pesquisador, não há contra-indicações, já que é natural e não prejudica o organismo, além de ajudar a combater o colesterol. Porém, não pode ser consumida por pessoas que têm alergia a frutos do mar.
É preciso ingerir seis cápsulas durante um dia e, a partir do segundo dia, já é possível sentir a liberação do aroma. Por enquanto, apenas o cheiro de lavanda está disponível, mas os pesquisadores já prepararam fragrâncias de cravo e canela.
Desde 2006, a pílula criada no Padetec começou a ser produzida e vendida pela empresa Polymar.
Proteção ao meio ambiente
Craveiro afirmou que a pílula foi desenvolvida quando os pesquisadores do Padetec estudavam o problema ambiental causado e pelo acúmulo de resíduos de crustáceos. Os pesquisadores retiram a quitosana da carapaça de crustáceos.
"As carapaças de camarão, siri, lagostas e outros frutos do mar são descartadas de maneira incorreta e poluem o meio ambiente. Nós transformamos esses resíduos em um produto natural que combate o colesterol e ajuda a não poluir o ambiente", diz Afrânio. "No Japão, a quitosana já é usada em produtos medicinais há duas décadas."
Projeto contra a poluição
Além de absorver gorduras do organismo, os pesquisadores descobriram que a substância tem de absorver até oito vezes o seu peso em óleo. De acordo com Craveiro, o Padetec faz pesquisas para eliminar vazamento de petróleo de mares e rios com a quitosana.
Atualmente, existem três pesquisas que estudam como a substância pode ser usada contra a despoluição.
"Jogamos esferas magnetizadas em cima da mancha de óleo. Elas chupam o produto e, depois, são puxadas por meio de um duto para um navio. O princípio é parecido para o de spray. As partículas coagulam o óleo, que se transforma em uma espécie de massa, que também é tirada da água. Outra possibilidade é o uso de filtros de quitosana, que retém o óleo e permite a saída da água purificada", diz Craveiro.
Craveiro explicou que o óleo ou petróleo absorvido pode ser separado quimicamente do material, que pode ser reaproveitado novamente depois.
Anvisa
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa buscar) afirmou que as pílulas de perfume, vendidas com o nome Fybersense, têm registro como alimento natural. O uso é livre, ou seja, não precisa de prescrição médica.
Segundo a Anvisa, o produto não pode ser vendido como medicamento ou cosmético.
Serviço
O Fybersense é vendido pelo site da empresa Polymar e também em lojas de produtos naturais em todo o país. O frasco com 90 cápsulas custa cerca de R$ 35.
Destaque da imprensa nesta sexta-feira: Hugo Chávez patrocina as FARC
Segundo os governos da Colômbia e dos Estados Unidos, o material apreendido com Reyes comprova que Chávez patrocinava os terroristas, suprindo-os com armas e dinheiro. A Interpol não analisou, porém, o conteúdo dos arquivos, apenas a sua autenticidade. Ao todo, havia nos computadores 37.872 textos, 452 planilhas, 210.000 imagens e 10.537 vídeos, de acordo com o site do jornal colombiano El Tiempo.
Tanto Chávez quanto Rafael Correa, presidente do Equador e também envolvido nas denúncias, negaram as acusações, dizendo que tudo se trata de uma campanha "suja" liderada pelos Estados Unidos. O coronel venezuelano chegou a acusar a Colômbia de fraudar os documentos e disse que a investigação da Interpol se trata de um "show".
Encerrada a investigação forense, o secretário-geral da Interpol, Ronald Noble, convocou uma entrevista coletiva para anunciar que as análises mostraram que a Colômbia não modificou, criou ou deletou arquivo algum. "Não houve nenhum tipo de alteração", completou Noble.




