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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Viva com humor

2ª GUERRILHA DO ATO DRAMÁTICO CARIRIENSE

INCLUSÃO CULTURAL, OUSADIA E TALENTO
TEATRO RACHEL DE QUEIROZ - CRATO-CE
  
PROGRAMAÇÃO PARA TERÇA-FEIRA - 23.NOV.2010

19h00min: 
LAMPIÃOZINHO (Infantil, 50min), Cia. Yoko de Teatro

20h30min: 
CURTÍSSIMAS (12 anos, 60min), Alunos do NEET / SESC

  PROGRAMAÇÃO PARA QUARTA-FEIRA - 24.NOV.2010 


19h00min:
ESPERANDO COMADRE DAIANA (12 anos, 60min), Cia. de Teatro Livre Mente
 

20h30min:
BRASEIRO (18 anos, 50min), Cia. Yoko de Teatro

A 2ª Guerrilha do Ato Dramático Caririense, iniciada no dia 5 de novembro, chega à sua última semana surpreendendo pelo grande sucesso de público e se reafirmando como a maior e principal vitrine das artes cênicas do Cariri cearense.
Com programação até o próximo dia 27, os espetáculos demonstram a diversidade estética da cena regional, expressa na obra de encenadores, atores, coreógrafos, bailarinos e dramaturgos, revelando novos e brilhantes talentos e coroando de êxito a trajetória de veteranos integrantes da nossa constelação de artistas. 

Realização:
Sociedade Cariri das Artes
Sociedade de Cultura Artística do Crato
Cia. Cearense de Teatro Brincante
Companhias de Teatro, Dança e Circo do Cariri

Patrocínio:
Prefeitura Municipal do Crato
Secretaria de Cultura do Crato
Centro Cultural Banco do Nordeste

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

1 bilhão de pessoas à margem da atenção de saúde - José do Vale Pinheiro Feitosa

É claro que não é para existir nada fora do totalitarismo de Mercado. Desde a água para beber até o transplante de órgãos se encontram condicionados às regras de acumulação, extração de mais valia do trabalho e remuneração do capital pela renda das famílias. Esta questão se torna mais intensa quando o produto demandado é construído em processos dependentes de ciência e tecnologia.

A minha geração de profissionais de saúde foi aquela que mais intensidade pôde observar na transição da assistência de saúde. Desde os anos 60 que, fora do complexo industrial militar, quem mais absorveu tecnologia foi a medicina. Em outras palavras quem mais remunerou a empresa de tecnologia, que hoje opera em bolsa, foi a demanda por saúde. A doença se tornou a grande financiadora no espaço da química física, da aparelhagem biofísica, no desenvolvimento eletroeletrônico e de sistemas computacionais.

O mais impressionante é que até mesmo a fisiopatologia (que estuda as doenças) ficou a reboque das demandas geradas à partir do desenvolvimento de certas tecnologias. Quando, por exemplo, se desenvolveu as técnicas de imagem capazes de fazer verdadeiros cortes anatômicos, de examinarem densidades nos diversos tipos de tecidos biológicos, novas entidades clínicas passaram a ser classificadas. Todas elas dependentes de tais tecnologias.

Não é exagero se dizer que a provocação não vem mais das queixas de sinais e sintomas das pessoas, mas daquilo que a tecnologia identifica e por ela mesma demanda outras análises tecnológicas. Hoje um médico ao conversar com uma pessoa pode estar diante de uma verdadeira e longa árvore de decisões, com grandes troncos, todos eles cheios de frutos tecnológicos diferentes entre si.

A terapêutica (que cuida da cura) não ficou atrás. São tantos produtos químicos, bioquímicos, antibióticos, anticorpos, vacinas, estimuladores da imunidade e tecidos entre outras enormes famílias que a especialização é a regra. Os processos cirúrgicos estão pleno de tecnologia incorporada. Cada vez mais pessoas sobrevivem inteiramente às custas de medicamentos e outros recursos terapêuticos.

Quando se fala em valor agregado, pode pensar na medicina que você não errará. Qual o resultado de um mundo com esta tecnologia toda em saúde sendo remunerada em bolsa de valores? Uma grande tensão social. Um relatório divulgado hoje pela OMS releva que: “1 bilhão de pessoas no mundo todo não tem condições de arcar com gastos relativos à saúde, e cerca de 100 milhões caem na pobreza todos os anos por causa desse tipo de gasto.”

Observaram o drama não só as pessoas não têm acesso, como o cuidar da saúde quebra economicamente as famílias. A cada ano a metade da população de uma grande nação como o Brasil vai a falência por gastos com saúde. E aí diante de um quadro deste retornam a velhas e não ultrapassadas idéias dos séculos XIX e XX: o socialismo e a social democracia. Isso na contramão do arrocho nos direitos sociais provocados pela crise econômica nos países centrais.

Enfim, mais um chute na paz dos neoliberais: a ONU recomenda que se criem impostos para financiar a saúde e que estes impostas recaiam sobre transações financeiras e remessas de lucros para o exterior.

Objetos do desejo - Emerson Monteiro

Celulares, computadores, automóveis, televisores, casas, aviões, armas mortíferas, novelas e outros sonhos de consumo desta era de aço, plástico e substâncias poluentes, formam a dinâmica das horas cheias do frenesi impaciente de que quase ninguém consegue escapar, da ansiedade por novos equipamentos de uso contínuo a preços módicos, do despertar ao adormecer, viagem elétrica diária de uma antena a outra, quais voos de aranhas tontas, desencontradas. Serão máquinas incandescentes, unção dos metais com os nervos das orelhas, narinas, dos lábios, numa velocidade estonteante rumo do mesmo nada original das aventuras de antigamente.
Essa proximidade do homem com os objetos guardaria, por isso, ligação estreita do sujeito e suas vinculações junto ao mundo arredondado. Resumem os grandes filósofos tudo ser só energia em movimento, ainda que aspectos concretos imponham respeito e dúvidas, na relação com o alimento abstrato do pensamento de materialistas que querem ver ou pegar cada coisa.
A juventude, porém, questiona as cogitações simples dos filósofos. Os moços querem viver a todo custo experiências da civilização que herdaram, nos filmes, livros e máquinas reduzidas made in China. O Brasil chegou agora à marca de possuir celulares equivalentes ao tanto dos seus habitantes, em números absolutos.
Jamais a humanidade inteira atingiu tamanha capacidade física de se comunicar. No entanto o quadro preocupa o sossego e o falado progresso. Margem enorme de meios ainda representa pouco para aquietar o furor dos dramas individuais, pois as pessoas transferem às outras práticas e limitações senis do que haveremos de vencer depois, imposto do caminho da felicidade.
Nunca se fotografou tanto, se filmou tanto, gravou tanta música, quanto nesta época, e os frutos parecem não corresponder ao nível da tecnologia obtida pela raça humana.
O desejo peca na própria satisfação do enigma exigente dos consumidores, que, por mais busquem atender aos corações apaixonados, esbarram nas impossibilidades e angústias de um mundo vazio, atitudes desencontradas, guerras e traumas.
Contanto que forneçam esperanças novas, as tais maquininhas desta hora disseram muito pouco daquilo que se aguardava das matemáticas e pesquisas do homem civilizado. Há, sim, reservas maiores no desconhecido para serem aprimoradas que mostrarão o rosto de dominar os vícios e entrar na outra face da história, quando as marcas do egoísmo sumirão das telas, sombras apagadas pelas luzes da perfeição verdadeira.

Tédio enfastiado e Alegria conquistada - José do Vale Pinheiro Feitosa

No encontro das águas do Solimões e Rio Negro ambas descem paralelas com muitos quilômetros, lado a lado, sem se misturarem. Uma linha nítida separa as duas. Muito adiante as águas recebem mais afluentes e descem até se tornarem uma solução apenas.

O cristianismo já tinha vislumbrando o Amazonas: aquele em que as águas são apenas uma. A igreja com seus filósofos e teólogos é que depois inventou o batismo a partir do qual os que já eram criaturas de Deus por certo foram arrastados para um estado de paganismo para receberem o ritual de qualidade do cristão. Enfim, era o mais político dos atos: os que tomam partido têm a mesma doutrina na irmandade em Cristo.

Não era bem disso que queria falar, era um paralelo. Falo de uma família amiga. Acorda às 11 horas e faz o desjejum em estado de absoluto DIET, outros desdobramentos LIGHT e o tédio da abundância à mesa. Cremes, chapéus, e o arrastar renitente da criançada atravessando os sinais irritantes, os calçadões da salvação do colesterol e as areias mercantis de Ipanema.

Tudo farto e abundante. Dinheiro naquela escala não é problema. Nem no restaurante das 17 horas, no shopping das 21 horas, no cinema das 22 horas e o jantar da madrugada. Facilidades, climatização do veículo com barulho de pena, as câmaras de segurança do edifício e a lenga lenga se vai dormir ou ver um pouco mais de televisão. Termina o final de semana da família amiga, pois no amanhecer tem que correr atrás da grana para mais finais de semanas iguais.

No quilômetro 19 da Teresópolis-Friburgo, Hotel Cachoeira do Frade. Cinqüenta alojamentos para até cinco pessoas em cada. Pensão completa. Piscina ao ar livre e piscina térmica, sauna, toboágua, lagos com patos e carneiros, cavalos para passear, tirolesas para saltar, trilhas e um ambiente rural com serviço completo. Só precisa estar.

Um grupo imenso do subúrbio. Igreja Maranata. Uma grande excursão. Alugaram todos os quartos desde a sexta-feira à noite até o almoço do Domingo. Toda estrutura do hotel sendo utilizada. Comer até não caber mais de tanta abundância. Bebida alcoólica não, mas o resto rola de boca em boca. Namoricos, paqueras no meio da irmandade. Casais trocando amabilidades. Uma festa de imensa dádiva, tudo é sublime e fora dos padrões da vida de rotina.

Foi quando uma senhora alourada pela pintura, com a voz rouca, esganiçada, talvez aí por conseqüência e causa ao mesmo tempo daquele tom de “pato rouco”. Aproxima-se de uma mesa em que se sentam seis amigos e diz:

- Olha o relógio. Não demora a carruagem virar abóbora. Espera-me um tanque de lavar roupa e uma pia de panelas e pratos sujos.

O grupo cai na gargalhada e ela completa:

- Enquanto ainda faltam algumas horas, vamos curtindo o baile. Cinderela desfila.

A Festa Cristã- por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Está se aproximando o Natal, a festa cristã que comemora o nascimento de Jesus, o nosso Salvador. Falta mais ou menos um mês, mas o comércio já decorou suas lojas com motivos natalinos, muitas cores, tudo para atrair a clientela para o consumo. É uma pena que o verdadeiro sentido do Natal passa distante da comemoração atual. Com o passar dos anos tudo foi se modificando. Ninguém se preocupa mais com a “Missa do Galo” ou com o que é mais importante, o amor a Deus e ao próximo que é a mensagem maior que trouxe o nosso aniversariante.

Observamos que o mundo está violento, as pessoas egoístas, descriminado e desrespeitando umas as outras, como o caso de jovens paulistas, que na internet disseram palavras horríveis com os nordestinos. O que lemos nos jornais e assistimos na televisão, são notícias de muita violência, de jovens agredindo outros jovens, pessoas matando outras pessoas sem motivo algum, o uso das drogas que também mata e provoca a violência. Tudo isso acontece em conseqüência da ausência de Deus e dos valores morais e cristãos tão afastados dos homens e mulheres nos dias atuais.

Se abrirmos a Bíblia no Evangelho de Marcos (12,28) vamos observar que um doutor da Lei perguntou a Jesus: “Qual o primeiro de todos os mandamentos”? Jesus respondeu: “O primeiro mandamento é este: Ouça ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor! E ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, com todo o seu entendimento e com toda a sua força. O segundo mandamento é este: Ame ao seu próximo como a si mesmo. Não existe outro mandamento mais importante que esses dois”. Jesus quer mostrar para os doutores da Lei que sem o amor a Deus e ao próximo, as leis e as tradições traem o projeto de Deus. Se a nossa sociedade entendesse que o amor a Deus e ao próximo é a chave que abre o caminho da paz e da felicidade, na certa teríamos um mundo sem violência e sem guerras. Jesus no mandamento do amor a Deus e ao próximo sintetiza a essência da vida humana em duas faces inseparáveis. Primeiro entregando-se totalmente a Deus e, vivendo uma relação de fraternidade com o próximo.

É importante que reflitamos que um Natal mais perfeito é aquele em que possamos viver a mensagem do aniversariante. Além dos presentes aos familiares e amigos, o amor à família e ao próximo de modo geral. Quem sabe partilhando o nosso alimento, a nossa ceia natalina com os que menos têm, estaremos preparados para no próximo ano sairmos do nosso egoísmo e abrirmos o nosso coração para Deus? Agindo dessa maneira, ajudaremos a transformar o mundo para que o amor reine entre todos.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

domingo, 21 de novembro de 2010

A GUERRILHA VALORIZA AS ARTES CÊNICAS DO CARIRI

PROGRAMAÇÃO DE SEGUNDA, DIA 22.NOV.2010


19h00min: O VELÓRIO SHOW 
(12 anos, 60min), Cia. dos Sem, de Juazeiro do Norte-CE
 

20h30min: ITINERÁRIO ALÉM DO PONTO 
(Livre, 40min), Cia. Armadilhas Cênicas, de Crato-CE

2ª GUERRILHA DO ATO DRAMÁTICO CARIRIENSE
Teatro Rachel de Queiroz - Crato-CE
5 a 27 de novembro de 2010

Realização:
Sociedade Cariri das Artes
Sociedade de Cultura Artística do Crato
Cia. Cearense de Teatro Brincante
Companhias de Teatro, Dança e Circo do Cariri

Patrocínio:
Prefeitura Municipal do Crato
Secretaria de Cultura do Crato
Centro Cultural Banco do Nordeste

O que posso fazer? – por Pedro Esmeraldo

Tinha feito o propósito de não me meter mais neste assunto do fechamento da Escola Maria Amélia Esmeraldo, localizada no sítio São José. Agora, diante das novas circunstâncias – e para não ser omisso – sou obrigado a retornar ao assunto.

Estava à tardinha em minha casa, quando vieram avisar-se de que havia pessoas nocivas à sociedade preparando-se para demolir o prédio da Escolinha Maria Amélia Esmeraldo. Respondi que nada podia fazer, já que as autoridades responsáveis do município nada fizeram para evitar o fechamento daquela Escola. Confirmei que não encontrava apoio dessas autoridades e acreditava que o objetivo agora era o de aferrolhar aquela escola, em detrimento da educação das crianças residentes naquela comunidade. Parecia até pirraça dessas autoridades, com o intuito de querer-me aparvalhar, pensando que me iam me prejudicar ou enxovalhar minha consciência.

Até parece que essas autoridades faziam isso de propósito, ao fazer vistas grossas sobre o deterioramento que vinha ocorrendo naquele prédio público. Preferiram abandoná-lo, entregando-o ao acaso, ao invés de solucionar os problemas que ali vêm ocorrendo. Não demonstram, como se vê, interesse com o desenvolvimento educativo das crianças daquela localidade do município de Crato.

Reafirmo, categoricamente, que sou uma pessoa imbuída no desejo de servir a causa pública, com honradez e sem esmorecer neste meu trabalho. Permitam-me confirmar que os descendentes do doador do terreno à Prefeitura do Crato, para no local ser construída a Escolinha Maria Amélia Esmeraldo, fato ocorrido no início da década de 1970, dilaceraram aquele prédio, como se aquele terreno ainda fosse deles, num gesto nocivo, destruindo um patrimônio público, num comportamento reprovável. Esta atitude abominável só pode ter como propósito o de readquirir o terreno anteriormente doado. Julgam-se, esses destruidores, com o direito de depredar a referida escola, causando prejuízo aos os habitantes daquela comunidade que querem um estabelecimento de ensino para as crianças pobres ali residentes.

É vergonhoso, é infamante aquele que fez a doação de um bem, querer depois reaver o terreno doado. Qualquer cidadão sensato, que se preocupa com o desenvolvimento da educação rural, fica satisfeito em ver uma escola funcionando. Por isso, a título de sugestão, peço – mais uma vez – a essas autoridades que mandem reconstruir a Escola Maria Amélia Esmeraldo, transformando-a no estabelecimento de ensino de iniciação infantil com todos os requisitos favoráveis ao desenvolvimento da aprendizagem escolar.

Senhores: pensem no povo que sempre lhes deu apoio. Favoreçam o bom desempenho de uma unidade escolar. Retribuam com melhoramentos os impostos pagos pela sociedade. E mais: usem suas autoridades para cobrar aos que destruíram o patrimônio público, obrigando-os a pagarem do seu bolso a reconstrução de uma, deixando-a do jeito de como ela existia tempos atrás...

A GUERRILHA ESTÁ FERVENDO!!! BAL'ARTES PRA TODO LADO!!!

PROGRAMAÇÃO DE DOMINGO, DIA 21.NOV.2010

19h00min - AMARRAS 
(Livre, 40min), Dakini Cia. de Dança
 


20h30min - NUDEZ SEM CASTIGO 
(14 anos, 50min), Grupo Centauro de Teatro

A Guerrilha do Ato Dramático Caririense é um poema-ação de amor à arte e aos artistas da região. 26 companhias de teatro, dança e circo bravamente unidas no propósito de ocupar seu legítimo espaço na cena brasileira a partir de sua própria terra, conquistando o merecido reconhecimento, o necessário respeito e a devida valorização de suas obras.

Realização:
Sociedade Cariri das Artes
Sociedade de Cultura Artística do Crato
Cia. Cearense de Teatro Brincante
Companhias de Teatro, Dança e Circo do Cariri

Patrocínio:
Prefeitura Municipal do Crato
Secretaria de Cultura do Crato
Centro Cultural Banco do Nordeste

sábado, 20 de novembro de 2010

Em defesa da narrativa

Convidado da 12ª Mostra Sesc Cariri de Cultura, o escritor Ronaldo Correia de Brito fala da influência da cultura sertaneja em sua obra e sai em defesa da narrativa tradicional


Fonte: site da Revista Cult

Foto: DelWilker Sousa

Ronaldo Correia de Brito é um filho do Cariri cearense. Nascido em Crato, município no sopé da Chapada do Araripe, Ronaldo vivenciou desde menino a cultura local, permeada pela marcante tradição do teatro, das danças populares e, sobretudo, da oralidade. Após participar do seminário A Reinvenção do Nordeste, no qual falou sobre as raízes da dramaturgia popular nordestina, o escritor concedeu a entrevista à CULT.

CULT – Você é um filho do Cariri. De que forma a cultura local se manifesta em sua obra?
Ronaldo Correia de Brito – Devido à romaria do Padre Cícero, populações pobres de todo o nordeste migraram para cá. Essas populações eram pobres economicamente, mas eram ricas em cultura. Elas trouxeram toda uma cultura teatral, histórica, artesanal, musical, uma cultura do romanceiro tradicional. Então, o Juazeiro ficou sendo milagrosamente um celeiro de um saber muito antigo que vem desde a Península Ibérica e também da cultura árabe e que aqui se estabelece. Por se manter impermeável durante muito tempo ao cinema, à televisão e ao rádio, essa tradição se guarda como um grande celeiro de todas essas manifestações artísticas. Então isso foi muito importante para a minha formação.

Você acredita que essa tradição cultural é devidamente preservada?
Essa cultura é dinâmica, não é imobilista. O artista popular tem uma visão não imobilista; ele tem a cultura como um bem vivo e em transformação, então, com a chegada da televisão, do rádio e do cinema, com as permanentes migrações e mudanças nesse meio, essa cultura se refaz, se recondiciona, adquire outros formatos. Para se ter uma ideia, aqui neste lugar foi possível se engendrar uma mitologia própria em torno do Pde. Cícero. Ele ocupa um espaço no panteão religioso no lugar do Cristo. Aqui, o Pde. Cícero é mais importante na formação religiosa do povo, ele tem um lugar de mais destaque e de mais veneração do que o próprio Cristo.

Um dos temas mais discutidos na literatura contemporânea é a crise da narrativa, dos gêneros. Por outro lado, você vem de uma tradição na qual a oralidade e a conotação de histórias são muito marcantes. Como você concilia essas duas vertentes?
Uma questão é a oralidade. Mário de Andrade e Câmara Cascudo viam o lugar da oralidade na literatura brasileira como uma questão a ser resolvida. Nosso escritor exponencial, Guimarães Rosa, cria um ritmo narrativo marcadamente oral. Nós somos um país de muita tradição oral, mas isso não impede que a gente tenha uma rica tradição escrita. O fato de que a gente tenha de resolver essa questão da oralidade, encontrar um lugar para nossa oralidade, não nos impede de ter uma grande literatura escrita. Eu acho, pelo contrário, que o Brasil vive um excelente momento, há muito tempo não se vivia um momento tão bom em relação à escrita.

Quando falo da crise, me refiro a uma tradição que se debruça sobre a falibilidade da narrativa, da palavra escrita, dos gêneros, como faz Clarice Lispector e o próprio Guimarães Rosa, que, ciente das limitações da linguagem, amplia seu alcance, com seus neologismos.

Eu acho que hoje a literatura se ocupa muito dessa crise da narrativa. Isso funciona para a obra de Ricardo Piglia, por exemplo, que faz do romance um campo para o ensaio, para a narrativa, para discussão. A questão é que o romance, a novela e o conto se tornaram espaços não apenas para narrar. Não que isso já não existisse na obra de Thomas Mann, mas sem dúvida isso se acentuou, mas por um movimento, uma moda, de negar a narrativa em si, o gosto pela narrativa.

E o que você acha desse movimento?
Eu acho que está em franco declínio. Ao mesmo tempo em que há escritores que estão introduzindo no romance todas as possibilidades de ficção e transformando um conto em um ensaio e em mil outras formas, também surge a narrativa em si mesma. O leitor continua apreciando muito a narrativa pura. Se você for atrás desses grandes Best-sellers, se formos descobrir o que faz com que eles vendam tanto, não é só a máquina editorial, é um gosto mesmo por ler narrativas, pois as pessoas gostam de ler uma história que tenha princípio, meio e fim. Dostoiévski, por exemplo, sem dúvida que ele se estende em questões filosóficas, morais e religiosas, mas há histórias contadas ali, muitas delas. Então eu acho que o gosto por narrar e o prazer em ler narrativas continuam, vão sempre prevalecer.

Revista Cult » A dialética da libertação: contracultura e sociedade unidimensional

Para ler esta intertessante matéria veiculada no site da revista Cult, clique no link abaixo:

Revista Cult » A dialética da libertação: contracultura e sociedade unidimensional

VIVA A GUERRILHA!!! AVANTE, GUERRILHEIROS!!!



ESPETÁCULOS DESTE SÁBADO, DIA 20.NOV.2010:

19h00min - Palco: PÁSSARO DE VOO CURTO (Livre, 60min), Cia. Entremeios de Teatro
20h30min - Arena: BODAS DE SANGUE (12 anos, 50min), Grupo Centauro de Teatro








Realização:
Sociedade Cariri das Artes
Sociedade de Cultura Artística do Crato
Cia. Cearense de Teatro Brincante
Companhias de Teatro, Dança e Circo do Cariri

Patrocínio:
Prefeitura Municipal do Crato
Secretaria de Cultura do Crato
Centro Cultural Banco do Nordeste

A cólera no Haiti e nos Haitianos - José do Vale Pinheiro Feitosa

A cólera, que praticamente desaparecera das Américas entre o final do século XIX e início do século XX, retornou ao continente pelo Sul, no meio de uma grande crise de crescimento e desenvolvimento. Chegou pelo Pacífico, aportou a costa do Peru, foi exuberante nos comedores de ceviche, atravessou os Andes e caiu na calha do Rio Maranon. Acontece que este é o nosso Solimões e logo explodia em Tabatinga, na tríplice fronteira, Brasil, Peru e Colômbia.

Pela calha do Amazonas ela desceu, logo atingiu São Luis do Maranhão e nos caminhões de compradores de roupa da malha costureira de Pernambuco se espalhou no Nordeste. Aí vimos a expressão clara de que uma epidemia não é um fenômeno de um micróbio, ela é um fenômeno histórico, cultural, econômico e profundamente social.

Naquela época estava na Comissão Nacional que cuidava do assunto e conversei com muitos governadores da região. Joaquim Francisco de Pernambuco havia proibido comer peixe e tomar banho de mar. Resultado, matou uma das fontes de renda do Estado: o turismo. Fomos lá e mostramos que aquilo não tinha fundamento científico, que para pegar cólera num mar diluído, era preciso beber tanta água salgada que adoecia do volume e não da cólera. Que o peixe era apenas questão de higiene. Joaquim tomou banho em Boa Viagem para a imprensa filmar e fotografar e comeu uma boa peixada pernambucana.

Na Paraíba Cunha Lima passava por algo igual. Fizemos um plano para recuperar não apenas a cólera, mas a cólera que atacava o turismo da Paraíba. E mais ainda, não adiantaria se vangloriar que meu Estado não tem cólera para atrair os turistas amedrontados, o problema era de todos. Enfim a cólera é um problema de todos.

Esta situação do Haiti é muito mais do que um Terremoto, a desgraça política de um povo e a miséria de suas vidas. A cólera no Haiti é um crime da humanidade nestes tempos de salve-se quem puder. Tanto tempo e as verbas não chegam. Tanta desgraça e não tem efetivamente uma grande mobilização para ajudar o país. Tanta gente desempregada e os governos não têm a capacidade de estimular a esperança. Deixaram tudo abaixo da mão pesada e morta e dizem que invisível do mercado.

Olhem que a maior desgraça da cólera no Brasil, ali onde se viu a face terrível, igual a esta do Haiti, ocorreu em Fortaleza. Aliás, esta capital entre os anos 90 e esta primeira dezena dos anos dois mil, já sofreu dois grandes dramas inigualáveis: uma Epidemia de Cólera e uma de Dengue. Ambas sob a égide de Tasso Jereissati e sua grei. A Epidemia de Cólera apenas cessou quando os susceptíveis à doença se esgotaram, ou seja, quando todos os expostos à falta de água adquiriram a doença. O canal do trabalhador talvez tenha salvo o futuro da cidade e o Ceará tem uma proteção.

Só para se ter uma idéia: a cólera não atingiu o sudeste e o sul e a diferença foi água limpa para beber. O mundo é incapaz de dar água boa aos haitianos. Os haitianos têm razão de atacar o mundo. Dirão que é terrorismo, e alguém, com razão dirá: um terrorismo limitado e o outro, do resto da humanidade, provoca um genocídio em larga escala. E este genocídio no Mar do Caribe, tem o dedo infectados do EUA e ainda tem gente com antolhos e um espelho retrovisor olhando para as desgraças do comunismo soviético.

Nonato Luiz lança CD hoje no Cariri


O violão mais doce, potente e vibrante de Nonato Luiz vai nos encher de emoção nesse final de semana em Crato. O Cariri recebe “Estudos, Peças e Arranjos”, o mais novo trabalho do internacional violonista cearense e cidadão cratense. Assim ele se apresenta hoje no Teatro Municipal Salviano Arraes Saraiva.

Indicado como um dos melhores violonistas brasileiros da atualidade, Nonato Luiz nasceu em São José, distrito de Lavras da Mangabeira e, à partir de Fortaleza ganhou o mundo.

A música de Nonato Luiz reflete o seu estilo multicultural: sobre sólidas bases musicais nordestinas, passeia pelos clássicos, eruditos e populares, emprestando-lhes brilho, suavidade e muita harmonia. O título do álbum navega pelo esmero em um trabalho cuidadoso e rico em sons e ritmos, em música de grandiosa qualidade.

Em "Estudos, Peças e Arranjos" o violão de Nonato Luiz nos acompanha através da magia, do encantamento e da alegria de estar com ele. Em uma viagem que, juntos, nos transportaremos para um distante que não importa aonde vai se chegar.

Se devesse ainda persistir qualquer dúvida sobre a magia desta noite, ouça "Estudos, Peças e Arranjos” , executado por esse artista que adotamos como filho.

SERVIÇO
Show de lançamento do CD "Estudos, Peças e Arranjos" do violonista Nonato Luiz
DATA: 20 de novembro de 2010
LOCAL: Teatro Municipal Salviano Arraes Saraiva (Antigo Cine Moderno no Calçadão)
HORA: 20h
ENTRADA FRANCA

CONTATOS: Kaika Luiz - 8816.3062/9931.2138

Urgência da reforma política - Emerson Monteiro

A constante abordagem dos assuntos pela mídia enfraquece o conteúdo de palavras utilizadas, motivando o desestímulo quanto a matérias que, por vezes, necessitam maiores considerações e aprofundamento. De tanto se falar em determinados itens, nas pautas jornalísticas, resulta na inércia da acomodação e do costume, isso automatizando o som e o significado desses conceitos, envernizando, empalidecendo suas potencialidades.
Uma ocorrência do tipo fica por conta do falar em demasia na tão sonhada e propalada reforma política brasileira, há muito presente nos discursos e nas notícias, sem, contudo, levantar a cabeça do papel e chegar às vias da realidade real. A cada ano de eleição, falam-se multidões na carência de que o Brasil evoluirá quase nada em termos institucionais caso permanece distante a tal reforma política eleitoral.
De tanto ouvir, os ouvidos acostumam e perdem o interesse nos conteúdos entre quem escuta e o que dizem as palavras, até chegar a indiferença e acomodação das intenções de quem fala conteúdos expostos e pouco absorvidos, dada a sua profundidade virar apenas repetição de superficialidades pouco esclarecidas.
Reforma política, portanto, quer significar, acima de tanta fumaça jogada sobre sua importância, o passo inicial e inevitável para a qualificação da política, no que diz respeito à prática da cidadania plena, ou seja, o ato de votar e ser votado. Será ação fundamental para o saneamento verdadeiro das formas arcaicas viciadas de fazer política nas terras nacionais.
Somente uma boa reforma política oferecerá condições eficientes para a boa administração pública no nosso País. Através dela, dar-se-á o disciplinamento das votações, com a localização territorial das lideranças no seu espaço de influência social, evitando o perverso paraquedismo de candidatos estranhos invadirem o campo e anular o potencial autêntico das populações. Ela adotara, dentre as propostas, o voto distrital ou voto distrital misto.
E outros elementos a comporão, quais sejam, no meio de outros: A eliminação dos privilégios dos caciques, na hora da escolha dos candidatos dentro dos partidos. Eleição também dos suplentes de Senador. Aumento da representatividade, com escolhas proporcionais a todas as regiões, no Congresso Nacional. Redução da força eleitoral dos presidentes de partidos. Exclusão do foro privilegiado de políticos no exercício do mandato. Ampliação dos efeitos da chamada ficha limpa. Cortar em definitivo as regalias e mordomias dos representantes, e retorná-los à vala comum de onde nunca deveriam ter saído. Adoção do financiamento público das campanhas, com peso igual nos custos a todos os candidatos independente das diferenças patrimoniais, com o extermínio, bem na fonte, da famigerada compra de voto, excrescência e prostituição da consciência de cidadãos desavisados e corrompidos.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Mas que almoço indigesto! – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Quando estudante em Salvador, entre os companheiros de residência, havia um jovem de Alagoinhas, Wedner Costa, um amigo que não vejo há mais de quarenta anos. Soube que hoje ele é um conceituado cardiologista na capital baiana.

Na Semana Santa de 1965, a convite de Wedner, conheci Alagoinhas. Bem depressa fiquei encantado com a beleza da cidade, pois me lembrou o nosso querido Crato. Cidade quase do mesmo tamanho da nossa, igualmente limpa, bem arborizada, repleta de praças acolhedoras com jardins bem cuidados. Além do mais, o português Agostinho Ribeiro da Silva, meu quinto avô pelo lado Esmeraldo, se fixou em Alagoinhas, tão logo chegou ao Brasil ai pelo final do século XVII. Além de tudo isso, fui distinguido com fidalguia pela hospitalidade dos pais de Wedner.

Foi uma semana inesquecível em que vivemos noitadas memoráveis. Depressa fiz amizade com dois jovens de Alagoinhas, ex-colegas de Wedner: Zenon e Homero, que posteriormente foram meus colegas na Escola Politécnica. Como a maioria dos baianos, eles tocavam violão e Homero tinha uma excelente voz. E todas as noites eu os acompanhava em serenatas pelas ruas da cidade até altas horas. Durante o dia, as moças pediam para que eles fizessem serenata na rua em que elas moravam.

No domingo pela manhã, dia do nosso retorno a Salvador, o senhor Lourival, pai do Wedner, me perguntou se eu já havia comido carne de sariguê. Perguntei a ele o que era sariguê, pois nunca ouvira tal nome. E ele me respondeu que era uma pequena caça que havia em abundância por lá e que iria ao mercado para comprá-la.

Achei o almoço delicioso. A carne preparada ao molho parecia com galinha cozida no caldo. Comi e ainda repeti.

Quando terminei o almoço, o pai do Wedner me perguntou por que no Ceará a gente não comia sariguê. Respondi que não existia essa caça em nossa terra. Ele então me disse que tinha, e que sariguê era conhecido no Ceará por “cassaco” ou “gambá”. Passei o resto da tarde contendo a reviravolta do meu estômago.

Mas sariguê não foi o único prato indigesto que degustei na minha vida. Quando trabalhava na Coelce, tinha como atribuição principal o atendimento aos políticos de todas as cores e ideologia um tanto quanto paupérrima. Então me especializei em engolir “sapos”. Por isso faço questão de passar longe de um cururu. E por segurança, não aceito comidas exóticas, pois pode ser que em algum lugar cachorro ou macaco tenham nomes que sugiram algo bem apetitoso.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

GUERRILHA DAS ARTES HOJE

PROGRAMAÇÃO DA GUERRILHA
PARA O DIA 19.11.2010 (SEXTA-FEIRA)

TEATRO RACHEL DE QUEIROZ
Rua Dom Quintino, 913 - Centro - Crato - Ceará 
Tel.: (88) 3523.2168 / (88) 8801.0897 

 
19h00min
AS IRMÃS CASTANHOLAS (12 anos, 60min), Cia. Mandacaru de Artes e Eventos



20h30min
AVENTAL TODO SUJO DE OVO (12 anos, 70min), Grupo Ninho de Teatro


DEPOIMENTOS:
 
Yarley de Lima, ator e diretor teatral, Crato-CE: "A Guerrilha do Ato Dramático Caririense oportuniza o crescimento e valorização das Artes Cênicas na Região do Cariri, bem como a formação de platéia. Parabenizo aos idealizadores pela iniciativa e, em nome de toda Cia. Yoko de Teatro, agradeço a oportunidade."

Prof. Wilton, Farias Brito-CE: "Tenho que dar parabéns pelo esforço em nome da cultura caririense e das artes, pois é graças a essas companhias de teatro todas e cada uma delas que a arte caririense se mantém viva e pulsante. (...) como caririense, professor de história regional e amante das artes, eu agradeço e torço para que esse sucesso que vocês estão demonstrando continue a aumentar até que a arte de nossa região seja tão valorizada como realmente merece..."

REALIZAÇÃO:
Sociedade Cariri das Artes
Sociedade de Cultura Artística do Crato
Cia. Cearense de Teatro Brincante
Companhias de Artes Cênicas da Região do Cariri

PATROCÍNIO:
Prefeitura Municipal do Crato
Secretaria de Cultura do Crato
Centro Cultural Banco do Nordeste

PARA FAZER CRÍTICA NÃO TEM LIMITE

Pedro Esmeraldo

Antes pensava que lutava sozinho, mas noto que tenho seguidores em meu caminho.

Encontrei apoio moral do meu irmão Carlos Esmeraldo, engenheiro, professor que me deixou glorificado com as suas encorajadoras palavras que me vêem incentivar para continuar na luta e seguir com esperança o meu combate em defesa do Crato.

Ambicionava encontrar outra corrente de homens dignos e que queiram elevar o espírito diante da transfiguração de cidadão cratense. Por isso, desejo encontrar com amigos que venham auxiliar-me e levar o barco para fora das águas revoltas.

O que mais me impressiona é ver o Crato gigante e associado ao desenvolvimento que se faz, tornar-se estranho quando se vê a falta de decisão desses políticos que perambulam para lá e para cá, estendendo a mão mirrada aos políticos “inimigos da cidade”, dizendo “amém”, e entregando os pontos com muita facilidade.

Agora mesmo, fico com medo do retorno de um político pré-histórico que vive zanzando nas praças, falando mal de administrações passadas, como se a dele fosse uma figuração importante que fez medo do Crato cair na bancarrota e ficar perdido no seio da sociedade.

Em tempos passados, Crato sofreu da síndrome de homens despreparados para exercerem as funções políticas.

Procuro relembrar alguns homens do passado, já que foram notáveis em seu trabalho. Deixaram marcas indeléveis. Bem que queria vislumbrar o Crato de outrora.

Quero ver o Crato bem alumiado e enaltecido, forçando o cratense a lutar sem medo, gritando quando for preciso, com o desejo de transformá-la em modelo e que não venha cair no mesmo erro do passado, sem coragem de viajar, sem luta e sem arrojo.

Aqui todos são vítimas da perfídia, da discórdia e da calúnia, já que fica isolado dos benefícios governamentais que esperam transformar a cidade no mesmo modelo dos tempos passados, sem luta, apática e desencorajada.

E lembro-me das revoltas dos governadores pertencentes aos estados detentores do pré-sal que, por causa de uma simples perda de royalties alvoroçaram-se com gritos estridentes, reclamando seus direitos.

E agora, o perguntamos: por que esses políticos não lutam em defesa da terra? Por que se calam quando encontram os mais simples obstáculos? Por que em vez de trabalhar pelo filho da terra, preferem dar seu palpite pelo simples fator de permanecerem submissos aos açoites dos poderosos? Por que não reagimos a esses cruéis inimigos, virando as costas, mandando irem pescar em outro lugar?

Infelizmente, essas figuras do Crato estão esquecidas porque o homem pré-histórico acomodou o cratense moderno, amoldando-o à sua maneira, fez-se calar diante dos momentos sombrios e das dificuldades crescentes e que empurram o Crato para cair no abismo do esquecimento.

Crato, 19 de novembro de 2010.

Fragatas aos céus - José do Vale Pinheiro Feitosa

Além do gavião peneirador, quem mais plana nos céus da minha terra é o urubu. E a ave planadora é uma das maravilhas do universo. Aqueles movimentos de giro, de despencar, com um friozinho na barriga, até uma nova lâmina de flutuação. Pairar sobre os ares é o sonho mais sublime destas duas pernas fincadas na gravidade.

Só romper esta força onipresente, é um feito de sublimação desta nossa sólida vida. Horas passava, à sombra da minha casa, com o rosto voltado para o céu azul, olhando os urubus naquelas alturas. Transportando-me em imaginação para o que viam, os largos horizontes que ultrapassavam estas visões rotineiras do imediato mundo.

No Rio de Janeiro levei algum tempo para me despir do planar dos urubus. É que por aqui, especialmente nas zonas costeiras, planava outro tipo de ave. Mais leve e de maior altitude que aqueles urubus, que se apartavam do grupo e iam mais alto que o alto de todos. Levei tempo para me despir, mas desde o primeiro minuto lhe vi como uma ave de formato diferente: as asas eram anguladas e a cauda bifurcada.

Vendo aquele planador estranho tomava como referência os pterodáctilos das profundezas do tempo. Mas os seres voadores iam às alturas. Sobre os céus do Rio de Janeiro. Eram as Fragatas, Tesourões ou João Grande, que habitam as ilhas costeiras como o arquipélago das Cagarras. Que tem semelhança com nome substantivo “cagarraz” o mesmo que mergulhão e também de uma ave que habita a ilha da madeira, mas não se encontra nas Américas. O mais provável, até por que sua primeira notação foi num mapa francês (1730), com o nome de Ilha Cagade e depois um mapa português com o nome de Ilha Cagado. Na verdade o arquipélago é tingido de branco por tanto cálcio dos dejetos das aves comedoras de peixes.

As fragatas pertencem a uma das cinco famílias da ordem dos Pelecaniformes. A família fregatidae tem coloração geralmente preta, asas muito longas, estreitas e angulosas, além das caudas bifurcadas como uma tesoura. São aves de menos peso por unidade de superfície da asa. Os ossos são pneumáticos, leves e elásticos e elas nunca pousam na água pois encharcam rapidamente e nem nas praias. Descansam pousadas em ilhas, empoleiradas ou sobre rochas. E o mais espetacular dos sonhos, descansam planando.

A fragata que vive no Rio de Janeiro é a Fragata magnificens, e confirmo o sentimento do ornitólogo que assim a nomeou. Elas podem atingir 106cm de comprimento e suas asas têm uma envergadura que supera 2m. Na última quarta feira, num dia de chuvas, com tempo de suspender coisas leves nos ares, fui visitar um amigo no Leblon e da varanda do apartamento dele meus sentimentos voaram. Arrebatados do rés do chão das conversas políticas e técnicas.

Centenas de fragatas magnificens, em grupos como as praças do interior em noite de festas, em alturas distintas e separados no espaço generoso do céu. Elas giravam em eixos imaginários em cada grupo. Tomavam os céus do Rio de Janeiro entre o Leblon e o Morro Dois Irmãos. Aquilo efetivamente era um Avatar da natureza, por sobre o concreto armado e distante das pedras onde descansam. Mas não repetirei a ciência: as fragatas não descansavam. Elas festejavam a oportunidade do ar ascendente e nele tirava a seiva lúdica do viver. O lúdico esquecido nesta danação do trabalho cá embaixo entre os homo sapiens.

Pensamento para o Dia 15/11/2010


“A essência das virtudes, bons pensamentos e amor deve ser oferecida a Deus como um fruto cultivado pelo seu próprio Sadhana (exercício espiritual). O mundo será beneficiado por um indivíduo que tenha boa conduta. Se começa a pegar fogo em uma árvore na floresta, esse fogo não irá parar depois de queimar essa única árvore. O fogo irá se espalhar e queimar a floresta inteira. Do mesmo modo, se há um indivíduo que possui más qualidades, ele irá danificar toda a comunidade, além de se arruinar. Por outro lado, se houver uma árvore que esteja carregada de flores perfumadas, ela irá preencher toda a região com boa fragrância. Da mesma maneira, se houver um indivíduo com um nobre código de conduta, ele não somente irá melhorar a si mesmo, mas também irá melhorar toda a sociedade ao redor dele através de sua boa conduta.”
Sathya Sai Baba