Mãe é tudo!
Mãe é a geradora,
Mãe é a parideira,
Filho da maravilhosa, Dona Salette.
Foto: Heládio Duarte
Até meus vinte e poucos anos, se não me falha a memória, circulava no Ceará o trem de passageiros. Este percorria o trecho de Crato a Fortaleza, e vice- versa, passando por Aurora, minha cidade natal. Este percurso nós os fizemos por diversas ocasiões, principalmente quando da saída e do retorno das férias escolares, pois estudávamos em Fortaleza. E quando havia festa em Aurora era o nosso principal meio de transporte. Neste dia era lotação certa.
Os horários variavam muito. De início o trem saía pela madrugada, de Crato com destino à Capital Cearense. Depois mudou. Passou a pegar o trilho por volta das treze ou quatorze horas. Se eu não me engano, este foi o último horário estabelecido pela REFFESA para este percurso. Com certeza, também foi o melhor para nós que sempre nos deslocávamos para os festejos em Aurora. Daí, pegávamos o retorno pela madrugada, vindo de Fortaleza, por volta das cinco horas da manhã, já nos “finalmente” da festa.
De Crato até Aurora interpunham-se as estações de Juazeiro do Norte, Missão Velha e Ingazeiras. Dentre estas havia algumas paradas obrigatórias. Destas lembro-me somente da parada de Várzea Redonda, a qual fica entre Aurora e Ingazeiras, justamente porque embarquei lá por muitas vezes.
O transporte ferroviário era, naquele tempo, o mais em conta. Mesmo assim, para economizar e gastar no próprio refeitório do trem, em algumas ocasiões, driblávamos o cobrador, e não pagávamos a passagem, ou liquidávamos de uns e outros não, pois era muito fácil fazer isto. Noutra eu conto como fazíamos para despistá-lo. Além do mais a viagem era uma maravilha. Trafegávamos sempre em família e, freqüentemente íamos no restaurante tomando uma cervejinha, beliscando alguma coisa, conversando e, dependendo da sorte, “ficando” como se fala hoje em dia.
Este local chamado restaurante era um vagão preparado para este fim. Tinha garçom, geladeiras, cadeiras, etc., prontinho para curtirmos aquela aventura com tranqüilidade. Sacolejava muito e eventualmente tínhamos que nos agarrar ao que estava sobre a mesa. A gente já era tão conhecido, que tinha “cadeira cativa”. O bom é que, aqui e acolá, sobrava uma garota e a gente “lavava a égua”. Bebíamos e comíamos, ao mesmo tempo, até chegar à estação final.
Geralmente embarcávamos em Juazeiro do Norte. Outras vezes, em Aurora. A primeira estação, quando tomávamos o trem de ferro na Terra do Padre Cícero, era Missão Velha. Ali começávamos as comilanças. Saboreávamos a melhor macaxeira do Ceará. As pessoas comentavam que esta era cultivada dentro do cemitério local motivo daquele sabor inigualável.
Entre Missão Velha e Ingazeiras, já próximo desta, ocorria um fato curioso e pitoresco. Havia um garoto que, trajando-se de Chefe de Estação, a caráter mesmo, logo que notava a aproximação do comboio, vindo de qualquer direção e em qualquer horário, tocava um sino, semelhante ao que se fazia nas estações ferroviárias quando da partida e da chegada dos trens.
Outro fato que merece registro era o momento que o trem passava nas demais estações de seu percurso. Nas cidades pequenas como Cedro, Piquet Carneiro, Capistrano, Lavras da Mangabeira, e todas as demais do mesmo porte, esta ocasião era muito festejada. Todos se reuniam para prestigiar. Eu mesmo não perdia uma passagem de trem. Era muito divertida esta ocasião.
Este meio de transporte jamais deveria ter sido desativado no Nordeste Brasileiro. Era de baixo custo e de alto impacto sócio-econômico. Muitos o usavam para transportar pequenos animais, quantidades inexpressivas de mercadorias. Lembro-me que na estação de Juazeiro do Norte tinha até uma pequena feira livre nas chegadas e partidas dos trens de passageiros. Era um verdadeiro Mercado Persa. Ali se encontrava de tudo. Podia-se procurar que se encontrava até bainha prá foice. “Do penico à bomba atômica” esta seria e expressão mais apropriada para este evento.
No entra-e-sai, e desce e sobe das várias estações, fazíamos novas amizades e revíamos velhos amigos e companheiros. Além de alavancar o comércio com suas trocas e vendas de mercadorias as mais diversas e extravagantes possíveis, o trem de ferro sobre os trilhos de aço, num vai-e-vem apressado e impaciente, também construía muitos amores e paixões, e alavancava muitas esperanças e desilusões.
José Arimatéia de Macêdo
Médico
Site: www.arimateia.med.br
E-mail: arimateia@gmail.com

Chega hoje à Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, um grupo de músicos e dançarinos do Senegal, país da África Ocidental. A visita faz parte do Projeto Raízes, proposto pelo músico Jefferson Gonçalves para o Itamaraty e inclui oficinas de dança e música, além de um show no sábado, dia nove. O grupo vai participar da programação da Mostra Cariri das Artes de Língua Portuguesa, uma iniciativa da Fundação Casa grande, que foi viabilizada pelo edital BNB de Cultura 2009. Já está chegando a hora. De 12 (terça) a 16 (sábado) de maio a Casa Grande recebe músicos e paletrantes de cinco países representantes da cultura lusófona. Toda a programação da Mostra Cariri das Artes dos Países de Língua Portuguesa será gratuita. No entanto, por ter lotação máxima de 200 pessoas para os recitais musicais no teatro e 50 vagas diárias para as palestras com gestores culturais, é preciso garantir inscrição!
Acesse: http://mostraplp.wordpress.com


O Dia das Mães é considerado a segunda melhor data do ano para o comércio brasileiro, perdendo apenas para o Natal. Embora os sinais da crise econômica já estejam refletindo no país, os lojistas têm boas expectativas para as vendas no atual período. O Governo anunciou algumas medias para diminuir os efeitos da crise, como a redução do Imposto sobre Produto Industrializados (IPI) em diversos setores da economia, e essas medidas devem surtir efeito nas vendas de maio.
No Crajubar, os lojistas acreditam que o comércio supere as expectativas com relação a 2009. Pois, o setor que alimenta as vendas no mês de maio é, na maioria das vezes, o pequeno varejo. Produtos como perfumarias, cosméticos e bijuterias geralmente são os mais cotados na hora de escolher o presente da mãe.
Esses produtos são considerados pelo diretor de marketing da CDL de Juazeiro do Norte, Israel Gondim, como os que menos sofreram os efeitos da crise. “Se fala muito em crise, mas temos que entender que os setores de alto porte econômico é que foram os mais prejudicados, a exemplo do automobilístico, mas, as pessoas que preferiram evitar esse tipo de compra e não se endividar estão tranqüilos para oferecer o presente da mãe no pequeno varejo”, afirma Israel. Segundo ele, a CDL de Juazeiro do Norte estima um aumento de 10% a 12% nas vendas para este ano.
No Crato, o presidente da CDL, Geraldo Pinheiro, disse que a crise econômica pode atingir o comércio, mas de uma maneira muito superficial. Em 2008, o comércio aumentou as vendas no mês de maio em até 40% comparado a 2007. Mas, de acordo com Geraldo, esse ano a idéia é superar esse número. “Acreditamos que agora em 2009 as vendas aumentem em até 10% com relação ao ano passado, pois embora a crise tenha atingido alguns setores, ninguém mede esforços quando o assunto é presentear a mãe”, afirma.
O vendedor da loja de eletrodoméstico Zeni, Antonio Neto, disse que desde março que a procura por produtos dessa linha já é grande. Segundo ele, a redução no IPI impulsionou o comércio de uma forma muito intensa. “As pessoas já começaram a procurar o presente no Dia das Mães aproveitando a diminuição do imposto. Com certeza esse ano vamos ter um saldo maior que ano passado”, afirmou.
A CDL de Barbalha procurou amenizar o medo do consumidor de não se endividar com diversas campanhas para facilitar os pagamentos. De acordo com Aparecida Gomes, a estimativa é de que as vendas cresçam em até 40% este ano. “Maio é o mês que mais movimenta o comércio aqui em Barbalha, pois além do Dia das Mães temos a festa de Santo Antonio já tradicional na cidade, então, as promoções são diversas e o consumidor faz a festa”, afirma. De acordo com Aparecida, este ano a CDL aguarda um saldo bastante positivo no final de maio.
Jornal do Cariri
Editoria de Cidades
imagem: www.palavrasiluminadas.com
O prefeito do Crato, Samuel Araripe (PSDB), em menos de 20 dias, foi acionado duas vezes pelo Ministério Público Estadual (MPE) pelo descaso com que sua gestão vem tratando as áreas sociais da cidade. A primeira Ação Civil Pública teve por base reportagens do JC que mostraram a falta de segurança e de estrutura e as falhas do atendimento nos postos do Programa Saúde da Família. O JC mostrou, ainda, nessas reportagens, o protesto de moradores contra a falta de médicos.
A segunda ação proposta pelo MPE se refere à superlotação da Casa Abrigo do Crato, construída para atender até 10 crianças, mas já chegou a 20 menores. Hoje, esse número é de 15. A denúncia foi feita após o Conselho Tutelar informar ao MPE sobre a superlotação e pedir providências. A reclamação do Conselho Tutelar vem desde 2007, mas o prefeito Samuel Araripe a ignorou, provocando a reação do Ministério Público.
O resultado da denúncia encaminhada pelo MPE fez com que a juíza da Infância e Juventude, Geritsa Sampaio, determinasse que a prefeitura do Crato criasse dois novos abrigos. A determinação judicial passou a valer desde o dia 1º de abril e o prazo se estendeu até o dia 15 do mesmo mês, mas ainda não foi cumprida. A multa diária é de R$ 1.000,00, dinheiro que deverá ser retirado dos cofres públicos para pagar as multas impostas pela justiça.
De acordo com a secretária de Ação Social, Liduína Alves, a prefeitura está providenciando uma expansão da casa já existente, mas ainda não tem recursos e nem prazos específicos para o início da obra.
Para a coordenadora do Conselho Tutelar, Jacinta Moreira, essa expansão é insuficiente. "É necessário que se tenha mais essas casas para garantir os direitos da criança e do adolescente de forma segura", relatou. Ela explicou ainda que diariamente são feitas denúncias de maus tratos contra crianças e adolescentes e a Casa Abrigo é o espaço garantido por lei e obrigação do Município para resguardar a vida e garantir os direitos de crianças e adolescentes em áreas de risco.
A Casa Abrigo foi criada em 2002, fruto de uma exigência estabelecida no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) com a função de abrigar crianças e adolescentes que se encontram em condições de risco. Maus tratos, abandono e abuso sexual aos menores são exemplos do que as crianças que são assistidas pela casa sofrem.
Prefeitura diz estar no prazo
O chefe de gabinete da Prefeitura do Crato, Cícero França, em entrevista concedida ao JC, disse que a prefeitura ainda não pagou nenhuma multa porque não recebeu oficialmente a intimação da Justiça. “Esse processo não foi resolvido porque os documentos ainda estão com o Ministério Público. A defesa da prefeitura só começa quando a gente tem acesso aos autos”, disse.Cícero França disse que a demanda da Casa Abrigo é grande porque recebe crianças de outras cidades, mas que a Prefeitura não tem recursos para construir mais duas Casas nesse momento. Ele declarou que a Secretaria de Infra- estrutura (SEINFRA) já foi autorizada a criar um projeto de ampliação da atual Casa. Procurado pela equipe de reportagem do JC, o promotor da Infância e Juventude, Marcos de Jesus, autor da Ação Civil Pública, encontrava-se em reunião e não pode se pronunciar.
Jornal do Cariri
Editoria de Cidades
Muito já se falou sobre os efeitos positivos da atuação do Ministério Público no acompanhamento e vigilância aos atos dos administradores públicos no Brasil. Presente e firme, a fiscalização dos promotores e procuradores colocou no primeiro plano da vida política nacional o combate à corrupção e o controle das autoridades, que antes experimentavam a tranqüila impunidade por seus atos.
O Crato experimenta hoje um momento especial. O Ministério Público da comarca tem agido com extrema competência na investigação dos desvios administrativos verificados no município, um dos mais importantes do Estado e, até por isso, merecedor de especial atenção dos órgãos fiscalizadores, tamanho o volume de dinheiro nas mãos da Prefeitura.
Os dedicados promotores de Justiça Élder Ximenes e Marcos de Jesus colocaram o dedo na ferida da Saúde Pública do Crato, o câncer da atual gestão de Samuel Araripe, que é dirigida pela secretária Maria Tavares Alves. Antes que mais mortes ocorressem, o Ministério Público ajuizou ação de improbidade contra a secretária e contra a Prefeitura por violação de princípios constitucionais da Administração Pública e para obrigar a colocação de guardas municipais ou a contratação por concurso público de seguranças para os Postos do Programa de Saúde da Família.
A tragédia na Saúde é sentida por todos. Os índices de qualidade no setor decaíram sob o governo de Samuel Araripe, colocando em risco todos os avanços do Estado do Ceará nessa delicada área. O mais grave é que somente a população mais carente sofre com esse descaso. Os ricos podem custear exames e consultas com planos privados, mas as classes menos favorecidas são obrigadas a recorrer ao sistema público, cuja realidade é tão desesperadora que o Ministério Público foi obrigado a agir. É sempre bom lembrar que as ações de improbidade dos promotores Élder Ximenes e Marcos de Jesus foram a última alternativa encontrada pelo MP. Antes disso, por meio de ofícios e outros expedientes, essas autoridades tentaram abrir os olhos do prefeito do Crato, Samuel Araripe, e de seus principais assessores na área da Saúde para o descalabro no setor. A ação dos promotores jamais poderá ser acusada de precipitada.
Em outro campo, o Ministério Público também agiu para embargar a realização de um show de música popular no Credicard Hall, organizado por importante empresa de eventos. Em nome da segurança, os promotores consideraram prudente impedir o show, a fim de que fossem cumpridas as normas técnicas relativas à poluição sonora. E, no setor da Ação Social, outro segmento de grande deficiência da Prefeitura, o Poder Judiciário, atendendo a pedido dos promotores, obrigou o Crato a doar imóveis para funcionamento de casa-abrigo para adolescentes em estado de abandono.
O Crato está na mira dos homens da lei. E é bom para o povo e a sociedade que assim seja, ao menos até que as autoridades se convençam de que o mandato popular é para ser exercido em favor de todos e não apenas em prol de quem o detém.
Editorial do Jornal do Cariri
edição 5 a 11 de maio de 2009
Um grupo de representantes da Comissão Pró-Conferência de Comunicação do Ceará (CPC-CE) e o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Ceará (CUT-CE), Jerônimo do Nascimento, participaram nessa quarta-feira (29/4) de reunião com o chefe de gabinete do Governo do Estado, Ivo Gomes, e com o secretário da Casa Civil, Arialdo Pinho. O objetivo do grupo foi dar início ao diálogo da CPC-CE com o governo estadual para a realização das etapas regionais da 1ª Conferência de Comunicação Social, que será realizada em dezembro, em Brasília. A partir de agora as reuniões realizadas pela Comissão serão acompanhadas pela jornalista Christianne Sales, da Coordenação de Imprensa/Casa Civil.
Participaram da reunião integrantes da Fenaj, do Sindjorce/Comitê pela Democratização da Comunicação no Ceará, da Abraço (Associação Brasileira de Rádios Comunitárias), do Sindeletro (Sindicato dos Eletricitários) e do PCdoB. Os participantes esclareceram a importância da realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), já que as políticas de comunicação (ou a falta delas) acabam afetando todos os segmentos da sociedade.
A CPC-CE entregou um documento solicitando que o governo abra caminho para o debate e constitua, na esfera estadual, um grupo de trabalho (GT) composto por secretarias e profissionais vinculados (as), para que conosco seja dado início às articulações e à mobilização para a realização de conferências municipais ou regionais, além da estadual. Foram entregues também cópias do decreto da Presidência da República convocando a 1ª Confecom e da portaria do Ministério das Comunicações constituindo a Comissão Organizadora.
Formalização
A partir desse primeiro contato formal, a CPC-CE espera que sejam ampliadas as articulações e a mobilização para a realização de conferências municipais ou regionais no Estado. O calendário de realização dessas etapas, bem como o método de eleição de delegados, ainda não estão definidos. Logo que essas regras estiverem determinadas, novas ações do Governo do Estado serão demandadas.
Para a secretária-geral do Sindjorce e representante do Comitê pela Democratização da Comunicação no Ceará, Cristiane Bonfim, a publicação do decreto presidencial e da portaria do Ministério das Comunicações sobre a Conferência e o contato da CPC-CE com o Governo do Estado vão contribuir para acelerar e ampliar a mobilização já iniciada no Ceará. A Conferência de Saúde já foi realizada 13 vezes. A de Cidades, nove. Isso demonstra o quanto demorou para que colocássemos esse tema (comunicação) em debate e o quanto precisamos avançar em relação a ele, ressalta Cristiane Bonfim.
No próximo dia 9 de maio, às 9 horas, haverá um debate sobre Democratização da Mídia e a Conferência Nacional de Comunicação, na Casa Amarela Eusélio Oliveira, com participação de representantes do Sindicato dos Jornalistas no Ceará e da Federação Nacional dos Jornalistas. O evento, promovido pelo PCdoB, será aberto ao público. No dia 30 de abril, houve palestra sobre o mesmo tema na Universidade de Fortaleza. Outros eventos tratando da Conferência devem ser realizados em breve em mais cursos de Jornalismo em Fortaleza.
Comissão Pró-Conferência de Comunicação
Desde meados de 2008 diversas entidades estão se reunindo no Ceará para fazer com que a sociedade pressione o Governo Federal a realizar a Conferência, que oferece subsídios para formular políticas públicas para o setor. Em janeiro deste ano, começou a ser organizada, de forma mais efetiva, a CPC-CE.
Representantes de mais de 20 entidades, além de pessoas físicas, têm participado das reuniões semanais da CPC-CE. O Sindjorce e o Comitê pela Democratização da Comunicação no Ceará estão representados nesse grupo. Organizações não governamentais, rádios comunitárias e educativas e entidades sindicais e estudantis, além da coordenação de Comunicação Popular da Prefeitura de Fortaleza e de mandatos parlamentares, têm participado dos encontros.
A Comissão realizou uma audiência pública, no dia 3 de abril, na Assembléia Legislativa, com o tema Construindo uma Conferência de Comunicação Popular, com cerca de 40 entidades, seguida por um seminário preparatório no dia 4 de abril.
Decreto e portaria
No dia 17 de abril foi publicado, no Diário Oficial da União, o decreto presidencial convocando para os dias 1º a 3 de dezembro, em Brasília, a 1ª Confecom. O tema da Conferência é "Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital".
Logo em seguida, por meio da Portaria 185, de 20 de abril de 2009, o Ministério das Comunicações definiu oficialmente a composição da Comissão Organizadora Nacional da Conferência. O grupo será formado por 28 membros, sendo 12 do poder público, com oito indicados pelo Executivo Federal e quatro pelo Congresso Nacional, e 16 da sociedade. Entre esses 16, estão a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).
Caberá à Comissão Organizadora Nacional (CON), entre outras funções, coordenar, supervisionar e promover a realização da 1ª Confecom, atendendo aos aspectos técnicos, políticos e administrativos, elaborar a proposta de regimento interno da Conferência, aprovar o texto base e o documento referência que irá orientar os debates, acompanhar a sistematização das proposições ao longo das etapas.
FNDC
A portaria é bem-vinda porque consolida o processo da Conferência e traz o princípio sempre defendido pelo Fórum, que é o da representação tripartite: Estado, empresários e movimentos sociais, saúda o coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), jornalista Celso Schröder. Me parece, entretanto, que há um excesso de governo num setor em que ele não é provedor. E ainda uma subrepresentação dos movimentos sociais, avalia Celso Schröder, vice-presidente da Fenaj e coordenador-geral do FNDC.
O coordenador do FNDC aponta também a redundância na representação dos jornais, que aparecem na comissão em duas representações a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação dos Jornais e Revistas do Interior do Brasil (Adjori Brasil). Schröder considera, porém, que isso não invalida o processo da grande plenária: O papel desse Comitê Organizador Nacional não pode usurpar a dimensão da Conferência, não pode substituí-la, fazer debates em nome da sociedade brasileira. Esse é o cuidado e a dimensão que essa comissão deve ter, nada além disso, finaliza.
fonte: Sinjorce

Eu tinha 10 anos. E começava a achar que esporte era algo realmente emocionante. Em 92 tinha acompanhado cada jogo da Seleção Masculina de Vôlei na campanha do ouro em Barcelona, depois tinha torcido pelo São Paulo nos Mundiais Interclubes - gostava do jeito do Telê -, esperava pelo Mundial de Basquete e pela Copa do Mundo.
Mas fidelidade mesmo eu tinha às corridas de Fórmula 1. Eu e meu irmão, 11 anos mais velho.
Naqueles 30 de abril e 1 de maio eu soube o que era choque. Como as pessoas podiam morrer no meio de uma disputa esportiva? A morte de Roland Ratzenberger, austríaco, foi vista como uma fatalidade. Afinal, era um desconhecido.
No dia seguinte, eu assistia ao Grande Prêmio de San Marino. Vi aquela Williams perder o controle, o capacete amarelo pender para o lado. Por que ele não sai logo desse carro?
"Morreu Ayrton Senna da Silva". Eu só tinha 10 anos. E pensava que aquilo era impossível. Vai ver perdeu as pernas, ou teve algum dano cerebral, ou ficou desfigurado. Não pode mais correr e agora vai viver como anônimo. Tinha algo de novelesco. Afinal, um ídolo não morre assim.
Aí meu irmão chorou. Minha tia chorou. E eu entendi o que era perda. Não de alguém, mas de algo. Que até hoje não sei nominar.
Há 15 anos, morria um dos pilotos mais espetaculares de todos os tempos. Não é porque morreu que virou santo.
Mas a plasticidade de seus atos, a obstinação em vencer, o compromisso com o aprimoramento e a capacidade de resistir são méritos que só cabem aos grandes.
Senna foi uma fortaleza.
E vou poder narrar as peripécias e os feitos dele aos meus filhos e netos como quem tem a certeza de que viu uma História ser feita.
É isso o que eu guardo. E vocês?
Postado por Ana Flávia Gomes
01/05/2009 10:52
Material retirado do blog GOL, do Jornal O Povo

O Ceará tem um novo recorde em número de açudes sangrando. Até ontem, eram 97, dos 131 monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). Antes, o maior registro de açudes que atingiram sua capacidade máxima no Estado era de 95, que sangraram no ano de 2004. O Estado tem armazenado 16,02 milhões de metros cúbicos (m³) de água, o que representa 89,86% do volume máximo no Ceará.
O maior açude do Estado, o Castanhão, está com as comportas abertas desde o último sábado, 25. Cada uma das quatro comportas está com abertura de 1,80 metro. A vazão é de 600 metros cúbicos por segundo. “Mas ainda está entrando mais do que liberando”, diz Francisco Almeida Chaves, gerente da Cogerh nas bacias do Baixo e Médio Jaguaribe. Não há previsão para o fechamento das comportas.
Por causa dos estragos causados pelas chuvas, quatro cidades do Estado já decretaram situação de emergência. Além de Itapajé e Uruburetama, as cidades de Cedro e Milhã estão na mesma situação, decretada pela Defesa Civil do Estado. São 79.626 pessoas afetadas em 48 cidades. Acaraú ainda lidera a lista com 10 mil atingidos. Em Bela Cruz, são mais 7 mil.
Das 7 horas de quarta até as 7 horas de ontem, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) registrou a maior chuva em Limoeiro do Norte - 137 milímetros (mm). Choveu muito também em Itaitinga (118 milímetros) e em Reriutaba (115 milímetros), onde a água invadiu muitas casas e as aulas foram suspensas.
De acordo com a Funceme, de 1º de janeiro até ontem, já choveu 900 milímetros em todo o Ceará. De 2004 para cá, é a maior quantidade de água. Naquele ano, de janeiro a abril, foram 942 milímetros. A diferença é que choveu mais na parte Sul do Estado. Neste ano, tem chovido mais na parte Norte do Ceará, segundo o meteorologista Eduardo Peixoto. No Litoral, as chuvas já são 60% acima da média registrada.
Muitos moradores do Interior citam que o ano de 1974 foi o que teve a maior enchente da história. A Funceme não tem como fazer um comparativo entre esse ano e o de 2009, porque em 1974 menos da metade dos municípios possuíam postos da Funceme. “Como eram menos municípios, a média do Estado tende a ficar mais alta ”, explica Peixoto. Assim, não há como fazer uma avaliação precisa, diz ele.
fonte: Jornal O Povo
("O POVO", edição de 26-04-2009)
Brasil
O DIA DE ÍNDIO DE JOAQUIM BARBOSA
A descompostura quase provoca uma crise institucional no STF por causa do destempero de Joaquim Barbosa – justo ele, um ministro símbolo de coragem, cultura, inteligência e elegância
Alexandre Oltramari
POLÍTICA NO TRIBUNAL
A cena, transmitida pela tevê, começou quando Barbosa acusou Mendes de esconder informações dos colegas. Era falso. Barbosa desconhecia detalhes do processo porque estava de licença médica quando o caso foi julgado. A discussão já seria preocupante se terminasse aí. Mas ela continuou. Irritado com uma afirmação de Gilmar Mendes de que não tinha condições de dar lição a ninguém, Barbosa perdeu de vez a compostura. "Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste país", acusou o ministro. "Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com seus capangas de Mato Grosso, ministro Gilmar." Mato Grosso é o estado natal do presidente do STF. Capanga é como são chamados os pistoleiros que agem ali.
A maneira inadequada com que o ministro Barbosa expôs suas divergências com o presidente do STF quase mergulhou a corte numa crise institucional. Terminado o bate-boca, o ministro se retirou do STF sem falar com ninguém. Seus colegas, porém, realizaram uma reunião fechada em busca de solução para o conflito. Houve quem defendesse a abertura de processo contra Joaquim Barbosa e até se falou na possibilidade de seu impeachment. Afastada a sugestão mais radical, os ministros discutiram uma moção de censura pública contra Barbosa, mas também não houve consenso. A tese que prevaleceu, depois de três horas de discussão, foi a diplomática. Os ministros decidiram prestigiar Mendes, por meio de uma nota na qual lamentam o episódio e reafirmam sua confiança nele, sem mencionar uma palavra sobre o comportamento de Barbosa. Em almoço com dois colegas no dia seguinte, Barbosa admitiu que se excedeu, principalmente ao acusar o presidente do STF de possuir "capangas", mas descartou a possibilidade de se desculpar publicamente pelo episódio. O presidente do STF, por sua vez, também preferiu encerrar o caso. "Não há crise, não há arranhão. A imagem do Judiciário é a melhor possível", disse Mendes.
Ao contrário do que a altercação da semana passada sugere, Mendes e Barbosa têm muitos pontos de comunhão profissional e pessoal. Ambos estudaram na Universidade de Brasília, ingressaram no Ministério Público por concurso e complementaram seus estudos no exterior. A dupla também comunga o mesmo temperamento explosivo, embora esse traço de personalidade seja mais visível em Barbosa, que já se desentendeu com sete de seus colegas no STF e no Tribunal Superior Eleitoral. Mendes, ex-assessor de Fernando Henrique Cardoso e ex-ministro da Advocacia-Geral da União, foi indicado pelo presidente tucano em 2002. Barbosa, filho de pedreiro, que sempre estudou em escola pública, recebeu a toga de Lula em 2003. Foi escolhido por seus inegáveis méritos jurídicos, mas também pela disposição do presidente da República de nomear alguém com o perfil de Barbosa.
As rusgas entre Mendes e Barbosa, evidentemente, afloraram muito mais pelo que os separa do que pelo que os une. Ambos têm visões de mundo antagônicas. Considerado um elitista pelos adversários, Mendes costuma ser criticado pela maneira arrogante com que expõe suas ideias em público. Deve-se a ele, contudo, o recente desmonte do estado policial que começava a fincar estacas no coração da democracia brasileira. Já Joaquim Barbosa é considerado um procurador da República disfarçado de ministro. Ele acha que o clamor popular deve ser levado em conta pelos juízes, principalmente quando se trata de punir ricos e poderosos, e discorda das críticas que Mendes tem feito à Polícia Federal e ao Ministério Público. O ministro terá uma chance e tanto de colocar em prática suas convicções. Ele é o relator do processo criminal contra os 39 réus do mensalão, o esquema petista que desviava dinheiro público para corromper parlamentares no Congresso em troca de apoio ao governo. Barbosa já deu sinais inequívocos de que dará uma lição de isenção e coerência no caso do mensalão – este, sim, fornido de provas.
(Fonte:VEJA)