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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Vida a dois - Emerson Monteiro

Das estatísticas recentes, e estatísticas viraram instrumentos que norteiam muitas ações desses tempos complexos, alguns números sacolejam as sólidas bases de qualquer cidadão pacato e desinformado, a exemplo do que ouvi na semana que passou, que, minuto a minuto, quatro senhoras casadas são espancadas por seus esposos em um dos lares deste País continental. Isto é, de 15 em 15 segundos se comente um delito, agressões brutais, estúpidas e inconcebíveis em qualquer mundo dito civilizado.
Ainda se ouvia, de épocas românticas, que em mulher não se bate nem com uma flor, para, noutras palavras, dizer que ninguém é saco de pancada, muito menos as representantes do belo sexo, quando, de supetão, rasgaram-se as empanadas da hipocrisia machista e a realidade fria dos números explodiu qual ferida interna de um corpo doente, desse mundo social cheio de aleijões e atrasos.
O desrespeito para com os semelhantes caracteriza fases lastimáveis da vida em grupo, impondo atitudes agressivas e a repressão do próprio sistema, contudo tratar os sintomas sem curar as origens do mal apenas mascara os conflitos, escondendo causas e multiplicando riscos posteriores.
Por isso, há mesmo que se buscar, no íntimo das pessoas, as razões virulentas de tanta perversidade, que constrangem os padrões da normalidade. Não dá mais para fingir que o problema pertence aos outros. Os pactos ora existentes reclamam doses maiores de sinceridade e mudança nas práticas contínuas que parecem longe de acabar.
As ausências de comunicação entre os que se casam demonstram quase nenhum compromisso de amizade e companheirismo, talvez, quem sabe?, só interesse material, sexual; daí, carências de religiosidade e vulgarização da maldade sujeitam a levar ao seio da família, porto seguro das tradições culturais e educativas dos filhos, durante todo tempo. Viver em comunidade começa no âmbito familiar, célula-mãe das sociedades, conceito repetido e pouco exercitado.
Quando um homem e uma mulher resolvem firmar os laços puros do matrimônio, deve haver responsabilidade, existir valores mínimos para formar o lar, sonhos de paz, apoio mútuo, trabalho, satisfação pessoal, experiências profissionais somadas, união de princípios; fora disso inexistiriam justas condições de constituir um casal no sentido pleno.
Assim, face aos acontecimentos desta hora crítica, apenas persistirá a esperança de transformar este chão comum onde vivemos e trazer de volta paz aos lares, mediante o carinho autêntico e valioso de quem acredita nas bênçãos que nascem dos laços sagrados da justa felicidade entre os casais.

CANÇÃO DO AMOR DECIDIDO


                                                          Andei na rua, na chuva

                                                          Assim
                                                          Sem pudor, sem temor, com amor
                                                          Serei sempre tua mulher

                                                          Andei descalça, andei molhada
                                                          Inda chorei pela estrada
                                                          Pulei muro, andei no escuro
                                                          Só para ser tua mulher

                                                          Virei o carro em contramão
                                                          A mil fulanos disse não
                                                          Só para ser tua mulher

                                                          Estou te esperando na rede
                                                          Vem que eu estou com sede
                                                          De ser tua mulher

                                                          Estou te esperando com sede
                                                          Vem que eu estou na rede
                                                          Só para ser tua mulher

                                                          Sempre serei tua mulher

                                                          Cacá Araújo
                                                                              Crato-Cariri-Ceará-Brasil
                                                                              cacaraujo66@yahoo.com.br

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

COMPOSITORES DO BRASIL

Amanhã se der o carneiro
O carneiro
Vou m'imbora daqui pro Rio de Janeiro
....................................
As coisas vem de lá
Eu mesmo vou buscar
E vou voltar em vídeo tapes
E revistas supercoloridas
Pra menina meio distraída
Repetir a minha voz
Que Deus salve todos nós
E Deus guarde todos vós
( Carneiro, 1974)


EDNARDO


Por Zé Nilton

O ilustre professor Marcondes Rosa, inteligência brilhante desse nosso Siará Grande, louco por música, conhecedor profundo do movimento renovador da Música Popular Brasileira made in lá de nós, o chamado “Pessoal do Ceará”, traduzia muito bem os versos de “Carneiro”, de Ednardo e Augusto Pontes. Dizia haver chegado novos tempos no Ceará, e doravante cessava ali o nosso secular destino de “ave de arribação”, não raro sob o humilhante rito de passagem: primeiro tentar a sorte no bicho pra garantir tentar a sorte no Sul.

Ainda não havia chegado os novos tempos cridos por Marcondes por isso, e foi só por isso ? fui “m´imbora daqui pro Rio de Janeiro”. Pra variar houve sorte pelo meio! Não joguei no bicho, mas o bicho homem fez a minha fezinha. E que homem! O inesquecível e educado empresário Waldir Silva, que administrava suas empresas com o coração, disse pro rapazinho:

- Já que o Sr. (tratava todo mundo por Sr.) quer ir, que vá. Mas taqui, duas passagens, uma de ida e outra de volta, caso não dê certo...

Fui. Deu certo seu Waldir, minha eterna gratidão.

O assunto aqui é música ou melhor, a música do conterrâneo Ednardo. Então eu tenho pra mim que musicalmente falando, foi preciso estar lá na cidade maravilhosa, precisamente naqueles ainda românticos anos 70, para encher-me de orgulho da música cearense embalando os dias e as noites do Rio. Nas ambiências em que circulei, descendo e subindo a velha Matacavalos (celebrizada por Machado de Assis) a rua Riachuelo, idem a Mem de Sá, rua de Ataúlfo Alves, depois a Bambina, a Dois de Dezembro, a Correia Dutra, eu pisava distraído ( ainda se podia) e me distraía ao som de Belchior, Fagner, Ednardo e o Pessoal do Ceará, no radinho de pilha que ainda hoje mora comigo.

Em 1976, quando retornava, à noite, da universidade, desde o Maracanã, ouvia, de dentro do coletivo, ao longo de suas paradas, o “Pavão Mysteriozo”, cujo som saltava dalguma janela, a música de abertura da novela “Saramandaia”, da Rede Globo.

O Ceará ajudou a criar a via de mão dupla com o centro cultural do Brasil em termos musicais a partir daqueles idos. As coisas vinham mas também saiam daqui pra lá.

E a música cearense que sai hoje nas mídias ? Bom, que “Deus salve todos nós”!

Nesta quinta-feira, a voz penitente e a música denunciadora e cheia de encanto de nosso Ednardo, no programa Compositores do Brasil, de 14 as 15 horas, na Rádio Educadora do Cariri.

E para os infelizes que não crem na música de qualidade e não permitem que ela chegue também às massas deste país, rogo-lhes uma praga pegando carona no brado do excelente Belchior: “eu quero é que este canto torto feito faca corte a carne de vocês”!

E para a resistência dos crentes, com a palavra, Ednardo à sua moda: merci bocu, merci bocu não há de quê.

Uma sequencia da música de e com Ednardo:

01.TERRAL
02. AVIÃO DE PAPEL
03. ARTIGO 26
04. TREM DO INTERIOR, em parceria com Belchior
05. PASTORIL, participação de Amelinha e Belchior
06. A MANGA ROSA
07. SOMOS UNS COMPOSITORES BRASILEIROS
08. VAILA, em parceria com Brandão
09. CARNEIRO, em parceria com Augusto Pontes
10. BEIRA MAR
11. INGAZEIRAS
12. ENQUANTO ENGOMO A CALÇA, em parceria com Climério
13. PAVÃO MYSTERIOZO.

Quem ouvir verá.

Programa: Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri (www.radioeducaroradocariri.com)
Telefone: (88)3523-2705
Todas as quintas de 14 as 15 horas
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Operador high tech: Iderval Dias
Direção Geral: Dr. Geraldo Correia Braga

Neste domingo no Sesc Crato Dia 12/12

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

NÃO PERCAM!!!

Polícia Inglesa Prende Julian Assange do Wikileaks - José do Vale Pinheiro Feitosa

Logo que os documentos das embaixadas americanas do mundo todo, trocando inconfidências, falando mal dos outros feito linguarudos de canto de feira, foram divulgados pelo Wikileaks, a Suécia, num rasgo de servilismo judicial, deu mandato de prisão contra Julian Assange o fundador e estimulador do blog. O pior é o orquestramento da mídia a respeito da matéria: ele é procurado por estupro. Convenhamos um crime sem apoiadores, muito diferente desta heróica resistência civil aos desmandos imperiais. No entanto já vi em muito site que na verdade o tal crime de estupro é por sexo inseguro.

A prisão de Julian Assange é política não tem como esconder. Nos últimos quinze dias todo mundo brincava que Assange havia ocupado o lugar de mais procurado de Bin Laeden. Os EUA, a Inglaterra, os países que fazem o jogo de poder mundial estão incomodados com a exposição de suas entranhas infectadas. Temem o efeito esterilizante que o debate democrático e à luz do dia tenha sobre a lógica do domínio, especialmente do domínio de classe.

Ontem mesmo há havia uma reação de hackers pelo mundo todo em defesa de Assange. Agora começou a era do embate no canal vivo das comunicações: a rede mundial de computadores de fato começa a mostrar a sua grande face e parece que não é a do Big Brother. O Banco Suíço que reteve uns caraminguás de Assange teve seu site derrubado por hackers que foram além, deram uma nota de guerra contra a prática.

Como os hackers são “soldados voluntariosos” e existem soldados mercenários logo saberemos da contra-insurgência oficial. Virão os “quadros” dos governos para o campo e fazer o mesmo. Acontece que tudo está quente. A Conferência sobre o Clima em Cancun anda para um rotundo fracasso. Muitas denúncias de efeitos climáticos desastrosos estão correndo a conferência e isso alimentará o debate e a insurgência por todo lado.

Estamos andando rapidamente para um embate mundial de natureza apropriada a nossos tempos. Com as forças destrutivas da época.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A inteligência alimentar - Emerson Monteiro

Nós humanos buscamos um jeito bom para equilibrar os elementos da natureza, para achar nisso as fórmulas ideais de viver em harmonia, no mínimo face ao mundo que nos rodeia. Arrumamos defesas que facilitem passar os dias longe dos conflitos que engolem as pessoas. Aqueles mais sabidos rompem obstáculos intransponíveis, exercitando a capacidade que possuem de cruzar as situações e abrir margens e alternativas. E os alimentos que ingerimos também se enquadram nessa ginástica, nestes tempos industriais que desafiam pela propaganda, marcas oferecidas em cada esquina, por meios ardilosos de pouco critério. A luta é fugir das regras químicas de comer o que aparece na nossa tela sem qualquer chance de pensar de outro modo.
O resultado desse totalitarismo alimentar em que se transformaram as ofertas do que sobrou para comer implica, agora, numa aventura radical de saúde fragilizada, corredor lotado nas entradas de um sistema único de saúde assoberbado e filas intermináveis à porta dos consultórios médicos.
Há países de seculares tradições que mantêm a rigidez dos hábitos de alimentação como quem cultiva verdadeiras religiões de sobrevivência. São povos educados nas linhas rígidas e familiares impostas pelos ancestrais e pela comunidade. Veem os costumes quais peças-chave de preservação da natureza a partir da criança e do jovem, impondo respeito às leis das origens milenares, na intenção de uma medicina preventiva. Acreditam serem doenças os sintomas do desequilíbrio imposto ao sistema orgânico através de hábitos errados, guardando, com isso, a conservação da ordem química do corpo à medida que evitam cair em transformações equivocadas e fora de fundamentos conhecidos, inteligentes.
Na fase ocidental dos modos industriais, no entanto, o lucro prevalece acima de tudo, a todo custo, comer casca e nó, levando de eito o que surgir pela frente. As florestas que o digam, após a febre destruidora das reservas a pretexto de exercitar práticas de mercado da madeira e produção de carne, depois seguida dos agronegócios, da soja que domina a colonização amazônica.
Comer e beber hoje se tornam, a cada ano, em atividades de risco jamais imaginado pelos pessimistas. A mesa virou campo de prova de sobrevivência; os pratos, bombas-relógios de que não conhecemos os termos de finais para na saúde. Nossos avôs, às refeições, adotavam a expressão “peixe é que morre pela boca”. No entanto a humanidade parece haver se transformado num rumoroso cardume de variados peixes expostos aos caprichos das bolsas de mercadorias, vagando tontos na maré dos acontecimentos imprevisíveis da civilização.

O MITO DA SOCIEDADE ORGÂNICA - José do Vale Pinheiro Feitosa

“Composto de partes que podem desempenhar funções diferentes, distintas e coordenadas.” (Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia – André Lalande). Mesmo que seguindo transformações as questões orgânicas não resultam do acaso, mas da organização, teria certo determinismo. Além disso o orgânico se opõe ao mecânico nos termos da filosofia romântica alemã ao se desenvolver resultando de uma força única e não de uma ação exterior ou de uma soma de ações adicionais. Em biologia se refere aos corpos capazes de exercer as funções da vida: alimentação, reprodução, sínteses etc.

Estaríamos vivendo uma metáfora social, antropológica e econômica do orgânico: August Comte chegou a pensar num organismo social – coordenação complementar de seres diferentes que cooperam em virtude destas diferenças. Mesmo quando criticada a metáfora da sociedade como um organismo ela se deitava sobre a visão hegemônica da sociedade burguesa, imaginando-se o “fim da história”, aquele momento em que todos estavam organicamente ligados, sem contradições, pois até mesmo a teoria das defesas, orgânicas como a imunidade, poderia ser utilizada para extirpar a “células cancerosas”.

Vejam que agora mesmo na guerra do alemão no Rio de Janeiro, esta visão deitou e rolou, mesmo entre pessoas com boa crítica às contradições da história. Não muito tempo fui surpreendido com a condenação moral da luta de classes, como se esta fosse meramente uma opção ideológica fundada pelo pensamento marxista e não a erosão da vida real das pessoas.

Este tema é interessante por que a organização do mundo parece cada vez mais ter os riscos orgânicos inclusive a fragilidade do que filosoficamente já se identificava como a “força única”. Hoje mesmo o Wikileaks revela os centros nevrálgicos da defesa americana no mundo todo. Até o cabo de fibra ótica da costa brasileira que faz um nó na costa de Fortaleza é considerado “vital” para a sociedade americana. Estão elencados oleodutos na Rússia, minas de Manganês no Brasil, mineração de ferro, minas de cobalto no Congo e assim por diante, como “órgão” do grande organismo imperial americano.

Agora mesmo vejam a dimensão do que acontece neste momento comigo. Estou aqui escrevendo num computador, conectado na rede mundial, pesquisando automaticamente na rede e na minha biblioteca, para depois enviar para os sites do Cariri. Antes das 10 horas alguém já estará lendo aquilo e ainda estou neste período. Então, imaginem se um simples cabo se romper: nada do faço e farei poderia acontecer. Mesmo que a sociedade ainda tenha “colaterais” para desviar o fluxo de informações para chegar ao destino.
Enfim, estão nos passando uma visão de organicidade global e totalitária tão somente para que se torne aceita a desigualdade econômica e social entre as pessoas e que cada vez mais as cabeças se tornem meras células da aceitação da versão do mundo forjada pela cultura dominante. Hoje se estima que a perseguição dos EUA ao Wikileaks pode gerar uma nova “Internacional” anti-hegemônica, anti-globalização que traduza cada pessoa em seu diferencial na sociedade.

Mesmo a visão de Gaia, a terra como um organismo vivo pode sofrer críticas.

domingo, 5 de dezembro de 2010

SONHO CAÍDO

Luiz Domingos de Luna*

O Cheiro do incenso existencial permeia a sociedade volatizada em ligas emocionais que dão sustentabilidade aos vínculos que ligam os seres humanos; assim quanto maior for a consistência da densidade do aroma, maior a solidez do tecido sociológico, ao contrário a fragmentação, a fragilidade, cinzas, sombras, o nada.

A mutação social é sempre oportuna em qualquer agrupamento humano, vez que a mesma, funciona como o um novo revigoramento de energias positivas do pulsar vivo existenciais ao contrato vigente a paisagem humana.

A corrente da vida sempre liga o elo do passado ao futuro, sendo o instante presente o marco que será absolvido as novas gerações, assim, o repasse de fluidos positivos acende a luz para dar lugar ao futuro, não vivido, mas que se pode dimensionar em abstrações, daí o motivo da racionalidade humana, a capacidade de projetar ações de um por vir, através das ações do agora.

A Racionalidade como um mastro direcionador dos passos dos seres humanos, tem conservado e assegurado a continuidade do homo sapiens no planeta terra com a soberania e supremacia as demais espécies existentes.

O Campo emocional ao vapor do vendaval do carrossel existencial é de uma textura um pouco mais complexa, vez que, além do crescimento populacional, novas tecnologias vão surgindo, novos valores vão sendo naturalizados, as exigências sociais, a cada mutação, uma nova objetiva de maior alcance a aptidão no convívio interativo da conjuntura como um todo.

O problema nasce nos conceitos, via de regra, as grandezas emocionais na literatura, na filosofia são eternizados como se o tempo não existisse. Daí uma liga emocional eternizada no passado, hoje não ter consistência de: “nada é sólido o suficiente que não se dissolva no ar”, assim, urge a necessidade de o problema vigente não pode ser resolvida a força de conceitos ultrapassados, bem como os futuros à luz da limitação do presente.

A prudência racional deve ao seu tempo, o templo, a missão de não deixar que a força dos conceitos emocionais de outrora se dissolva em sonho caído do agora, logo, a força do poder dos conceitos deve ser revista, para não sobrecarregar o peso exagerado que se coloca nas costas das gerações vindouras.
(*) Procurar na web

Inscrições da Bienal da UNE só até 15 de dezembro

O Coletivo Camaradas é um dos parceiros Bienal da UNE. O Estado do Ceará deverá inscrever mais de 100 trabalhos para atender a meta estabelecida pelo Instituto CUCA. Diversos artistas e estudantes da região do Cariri já enviaram trabalhos.

A coordenação da 7ª Bienal da UNE anunciou nesta terça-feira (30) a prorrogação do prazo para as inscrições de trabalhos nas mostras artísticas do festival. Inicialmente, a data final seria 30 de novembro. Porém, em razão da grande procura e com objetivo de ampliar a diversidade dos trabalhos que irão se apresentar na Bienal, a nova data definida é dia 15/12 (quarta-feira). Os nomes dos selecionados serão divulgados até o dia 20/12 (segunda-feira) no portal www.une.org.br. Haverá também comunicado por e-mail e telefone.

O EstudanteNet explica abaixo todas as formas que existem para participar da Bienal da UNE.

TRABALHOS SELECIONADOS PARA A 7ª BIENAL

A primeira forma de participar da Bienal da UNE é ter o seu trabalho selecionado para ser apresentado nas mostras artísticas. Caso isso ocorra, não é necessário fazer a inscrição individual (estará automaticamente abonado da taxa de R$ 100). O selecionado será ainda premiado com um pro labore e terá um alojamento específico (os alojamentos são em salas de aulas). A organização da Bienal não se responsabiliza pela alimentação e o translado até o Rio de Janeiro.

Para inscrever o seu trabalho na áreas de Artes Integradas, Música, Artes Cênicas, Artes Visuais, Audiovisual, Literatura, C&T, Mostra CUCA e Atividades Autogestionadas basta ler o regulamento da 7ª Bienal e fazer o cadastro nos links abaixo. É fácil e gratuito.
As propostas podem ser enviadas até o dia 15/12/2010. O resultado dos selecionados será divulgado até o dia 20/12/2010 no portal www.une.org.br.

Pelo Twitter @bienaldaune, os interessados poderão acompanhar outras informações. Em breve será lançado também o hotsite da Bienal. Dúvidas poderão ser esclarecidas pelo e-mail bienal@une.org.br.

É TEMPO DE LAPINHAS...

LAPINHAS VIVAS
O sagrado na simplicidade de um povo plural

Lapinha de Mãe Celina (Crato-CE-Brasil) - Foto de Antonio Vicelmo
  
 A influência ancestral dos três principais mundos formadores da alma brasileira permanece pulsante na vida do sertanejo simples, cuja religiosidade se manifesta à flor de seus atos e ditos. E é na efervescência dessa estética universal que nascem e se fortalecem as tradições culturais populares; em nosso caso, resultantes do caldeamento cultural havido entre os indígenas donos da terra, os brancos ibéricos invasores e os negros de várias nações para cá trazidos como escravos.

A Lapinha assume, neste contexto, uma espécie de demonstração da prevalência do cristianismo sobre as crenças e religiões dos outros povos. Entretanto não escapa à aculturação decorrente dessa convivência, sabida por nós nada pacífica ou cordial. J. de Figueiredo Filho, em seu O Folclore no Cariri (1960: p. 32) nos afirma que à Lapinha, “de procedência lusitana, foi acrescentada muita cousa de fonte indígena ou africana, como os caboclos, a canção da formosa tapuia, ou temas inteiramente abrasileirados.” Na mesma obra (pp. 33-39), ilustra seu caráter multicultural verificando a presença do anjo, índios, do sol, da lua, baianas, beija-flor, pastores, vaqueiros... além dos três Reis Magos. 

Lapinha de Mãe Celina (Crato-CE-Brasil) - Foto de Antonio Vicelmo


É a Lapinha Viva, pois, a reconstituição dramática popular da visita dos três Reis Magos ao recém-nascido Jesus, com o fim de lhe ofertarem presentes. Sua significação transita da representação quase que ainda medieval, com pessoas interpretando santos, bichos e coisas da natureza como simples e profunda louvação ao Deus-Menino, até a complexa peça de antropologia cultural que traz em si grande parte da história da humanidade. Lá estão não somente símbolos de culto cristão, católico, mas fortes traços que nos remetem aos primitivos tempos em que o homem vivia em diálogo e harmonia com a natureza, assim como elementos que podem “contar” os processos de formação cultural e social da nação brasileira, sem descuidar de nos remeter aos povos ancestrais de antes do encontro em nossas terras.

Hoje, no Cariri, as nossas Lapinhas Vivas apresentam praticamente as mesmas características dramáticas de outrora, sendo acrescidas quase sempre da louvação de um grupo de Reisado, que também representa a peregrinação dos Reis Magos a Belém, pertencendo ambos ao ciclo natalino, e, às vezes, de uma Banda Cabaçal. Quando se juntam os três folguedos, multiplicam-se a beleza estética, o brilho dramático, o riso brincante, o alcance histórico.

O fortalecimento e a difusão do folclore e das manifestações tradicionais populares, a exemplo das Lapinhas, devem servir principalmente à causa do (re)descobrimento de nossa identidade cultural, pois que oferecem uma farta leitura do mundo em variadas dimensões e diferentes tempos. É a história se doando generosamente à elaboração de um novo pensamento, que dê vazão a sinceras atitudes libertárias, que restabeleça o espírito e a festa da dignidade humana, da democracia, do respeito à natureza, da felicidade, do amor.   

Cacá Araújo
Professor, ator, dramaturgo e folclorista
Diretor da Cia. Cearense de Teatro Brincante
Crato - Cariri - Ceará - Brasil

sábado, 4 de dezembro de 2010

PREZADO AMIGO DR. MIGUEL SOARES, BOA SORTE NO DESTINO DA PREFEITURA - POR PEDRO ESMERALDO*

Tomando conhecimento de sua eleição a prefeito, alegrei-me bastante, pois como grande admirador e apaixonado pelo Crato, anseio, em sua gestão, dias promissores, dependendo apenas de sua vontade e de seu interesse em resolver os problemas, ora angustiantes e insolventes.

Não, Dr. Miguel, não há nada difícil quando se usa da boa vontade para trabalhar. Tudo depende de boa vontade, capacidade de trabalho e saber dirigir com altivez os caminhos certos, dentro de um ambiente sadio, (empregando normas de acordo com as necessidades do meio ambiente). Mostre aos inimigos do Crato (no caso, o Juazeiro), que nós não estamos parados, acomodados perante os primeiros obstáculos e nem tão pouco desesperados da sorte. Todo tempo é tempo de reagir. Basta querer e querer é poder. Vou mais longe para tomar melhores esclarecimentos: querer é lutar, é saber agir e comportar-se dignamente em toda sua plenitude.

Bem me lembro de uma grande maranhense Coelho Neto: esperar que o fruto caia da árvore é predestinar-se a comê-lo podre.

Vamos meu amigo, não deixe cair da árvore o fruto apodrecido. Apanhe-o antes; esforce-se, consiga solucionar todos os problemas que afligem o Crato, mormente agora quando nós estamos completamente alheios ao sistema moderno, a nova marcha progressista, porque não dizer; seguimos pra frente com o tempo que voa celeremente em destino incerto. Chegou a vez do Crato. É hora de lutar, de brigar, fazer-se compreendido pelas autoridades competentes, mostrar o que o Crato tem de bom, o que faz compreender e distribuir metas progressistas dentro de um sistema técnico e equilibrado.

Não pare como prefeito. Suba, seja mais alto, faça todo o possível para assumir a liderança, pois me parece que todos os atuais líderes estão esquecendo a terra que lhes fez crescerem.

Arranje tudo que é bom. Faça uma administração sóbria e segura. Cuide com carinho dos problemas urbanos, hospitalares, educacionais, etc. Não esqueça das metas prioritárias que, a meu ver, devem ser cuidadas com carinhosa e valiosa atenção. Três grandes obras, sem esquecer das demais, seriam suas “meninas dos olhos” e recobririam as falhas existentes, dando melhor consistência ao fluxo de progresso do Cariri. Para melhores esclarecimentos, sem querer intrometer-me dentro de sua administração (mas é preciso lembrar), cito as metas que seriam no dizer de gíria aquele “plá “para apagar o pessimismo reinante no seio do povo cratense. Primeiro: uma feira livre semanal (se possível aos sábados para contrabalancear com a de Juazeiro); segundo: outro grande centro de abastecimento; terceiro: um luxuoso hotel de feições turísticas, digno com o crescimento da cidade. Além dessas, há outras obras de suma importância, e que trariam por certo um avanço ao progresso do Crato. Não esqueça de abrir novas ruas, todas pavimentadas. Faça uma grande avenida circular, partindo do Crato, subindo ao pé da serra do Araripe, cognominando-a avenida do contorno.

Já pensou como ela seria útil para fomentar o turismo? Como ficaria o visitante impressionado ao se deparar com as belezas panorâmicas de todo o vale do Cariri, que é uma dádiva da natureza, oásis do Nordeste? E o nome do Crato bem alto, dentro da programação turística do Brasil? Já pensou que bem faria ao comércio, à indústria. Enfim, daria nome ao Crato dentro do figurino nacional? Não, meu grande chefe, não esmoreça, avance, corra, não pare, pois tempo é ouro. Faço votos que o amanhã lhe seja grato por todas essas realizações feitas dentro de pouco espaço de tempo.

E a nossa rodoviária? Ah, não esqueça a rodoviária que é ponte vital para a vida econômica, não só do Crato, mas de todo o Cariri.

Dentro destes problemas acima citados, o que mais de vem à tona é o econômico, Dr. Miguel! Fomos vítimas de um governador alheio aos problemas do Crato. Não contribuiu com nada, nunca procurou dar soluções aos problemas angustiantes que no dizer de Camilo Calazans - (um dos dirigentes do Banco do Brasil) – chamou de pré-falimentar do Crato. Pelo gosto do governador, o Crato estaria estagnado, diluído, perdido nas poeiras dos tempos, absolvido pelo desgaste sócio-econômico.

Enganou-se, como bem assim enganaram-se todos os seus inimigos. O Crato vive, o Crato cresce, seus filhos lutam, basta ver que temos homens capazes, de alto gabarito, assim como de estirpe de nosso prefeito eleito – Dr. Miguel Soares.

Vamos em frente, seguindo o rumo do destino. Faça o que puder, mas faça-o de verdade. Mostre e determine a essa corja de inimigos do Crato que também somos fortes. Boa sorte na sua árdua tarefa.

*Artigo escrito por Frederico Barbaroxa da Ponta da Serra. (Pedro Esmeraldo) em 1970.

Foto: cratonoticias.wordpress.com

LA CAMARADA

Foto: WB

El mundo es feo
es poluído demás, el mundo capitalista

Yo quiero una camarada que ame la lucha
y que en la lucha ame como los colibris
sin sair de la missión
sin que perca la ternura
mismo com el fuzil en las manos

Que el baton nunca manche la profundidad de su sensualidad
de mujer
de deusa

Que el baton de poeira e polvora
nunca negue la violência revolucionária de las balas
contra la burguesia

Sus lábios serán perseverantemente dulces
y dulces serán sus gestos en las noches de placer

Nuestras manos serán firmes
serán el propio fuego
y nuestro fuego, explosión
y la revolución tendrá más una brasa llamuscante

Caminaremos com plumas bermejas en el sombrero
tres mil balas en el cinturión
y un millón de amor en el corazón

Corazón guerrillero, corazón proletário
sedento de liberdad

Te espero caminando
te quiero, camarada

Dulce, serena, nua y armada...

Te quiero, musa revolta
Te amo, mujer proletária!


Cacá Araújo 
Crato-Cariri-Ceará-Brasil

LA FELICIDAD

Maria Isaura Araújo


Llegará el tiempo
en que las bestias feroces
serón devoradas por la ira de los bravos
y el amargor de la miseria
non mas manchará nuestras noches

El tiempo
en que ofertaremos balas al emperador
non tardará

Non tardará el tiempo
en que nuestros ojos serón felices
e nuestros bezos serón dulces

Llegará el tiempo
en que nuestros deseos serón plata
y seremos ardientes...

Nuestros hijos
poderón sorrir todo el sorriso
que tienen para sorrir

El tiempo llegará...


Cacá Araújo

Crato-Cariri-Ceará-Brasil

E o papel municipal no ensino da juventude? - José do Vale Pinheiro Feitosa

O Pedro Esmeraldo e o prefeito Samuel Araripe, ambos de famílias tradicionais do Crato, abriram interessante e simbólico debate sobre educação no município do Crato. Nesta semana mesmo foi divulgado o Relatório do Todos Pela Educação, com metas de elevação da educação brasileira. Esta instituição composta por empresários, educadores, cientistas tem acompanhado a educação em todo o país. O relatório, por sinal, não deixa o Ceará tão ruim assim. Em parte, talvez, devido à política educacional da gestão estadual que ainda hoje se vincula ao ensino fundamental em muitos municípios.

Simbólica por se tratar de um debate motivado por uma escola fechada quase no limite entre Crato e Juazeiro e leva o nome de uma mulher especial para a sua ancestralidade. Pensando nisso fui buscar os dados do IBGE sobre educação em três municípios chaves da nossa bela região do Cariri: Crato, Juazeiro e Barbalha.

O mais importante é que estas cidades se tornaram centros universitários no coração do nordeste e vale a pena imaginar sobre que estrato dos ensinos pré-escolar, fundamental e médio este ensino superior se sustenta. Aliás, os números nos deixa pessimistas, pois não é improvável que as referidas cidades apenas se tornem sede para atrair jovens de outras regiões.

O Crato, por sinal, sempre foi referência para toda uma região, essa é uma vocação histórica. Talvez isso ainda explique a importância do ensino privado na cidade, muito do qual sobre as estruturas da Igreja Católica. Mas vamos aos números das três cidades.

Falamos de cidades diferentes em população e proporção de população urbana: Juazeiro é a maior com os dados preliminares do censo de 2010 já contando uma população de 249.936 habitantes dos quais 96% vive na zona urbana; Crato já tem uma população 121.462 habitantes com 83% na zona urbana e Barbalha com uma população de 55.373 habitantes e uma população urbana de apenas 63,8%.

Nas três cidades ainda existem escolas estaduais no ensino fundamental, nenhum município tem escola de ensino médio e o ensino privado de nível médio é mais freqüente em Crato. Teria que fazer estudos de indicadores por faixa etária da população em idade escolar mas para poupar tempo, considerei que a estrutura etária das três cidades é assemelhada e portanto não teria problema em compará-las usando como denominador a população total para cada de tipo de matrícula. O que vi foi que nos indicadores de matriculas no pré-escolar e no ensino fundamental Barbalha (4,4% / 18,7%) leva vantagem sobre os outros dois municípios e estes se assemelham muito nos dois indicadores (Juazeiro: 3,2% / 17,3% ; Crato: 3,4% / 17,8%).

Tomando o número de matrículas feitas nas escolas municipais para os dois níveis de ensino (pré-escolar e fundamental) como forma de representar o esforço da gestão do município vimos que: mais uma vez Barbalha se destaca (75,9% e 76,8%), Juazeiro com uma ligeira vantagem sobre o Crato no ensino fundamental (68,1% contra 63,8%), porém muito inferior em termos do ensino pré-escolar (46,2% contra 60,8%).

Em relação ao ensino médio o Crato se destaca em relação aos dois municípios, 5,7% contra 4,4% e 4,5% e é muito provável que aí o diferencial seja a tradicional escola privada na cidade que nem sempre matricula habitantes permanentes. Vale ressaltar que a gestão municipal não faz qualquer diferença em termos de matrícula neste indicador.

Centro Cultural BNB Cariri - Programação Semana (5 a 11/12)

Dia 05, domingo
Artes Integradas - Oficina de Formação Artística
15h Oficina de Pintura Artista: Monica Nador (São Paulo - SP). 180 mim.

Artes Integradas - ARTE RETIRANTE
Local: Praça da Matriz (Potengi-CE)
17h30 Nas Garras do Capa Bode Cia Wancilu's Gat (Crato-CE) - O espetáculo aborda de forma divertida e irreverente, com texto e personagens tipicamente nordestinos, os meios de prevenção das DST's. Direção: Wanderley Tavares. Classificação indicativa: 12 anos. 60min.

Dia 07, terça-feira
Literatura/Biblioteca - CURSO DE APRECIAÇÃO DE ARTE
15h Licença poética: a experiência do prazer
Paula Izabela (Juazeiro do Norte-CE)
Em homenagem ao aniversário de 75 anos da mineira Adélia Prado, um dos nomes mais expressivos da Literatura Contemporânea, despertaremos no leitor a sensibilidade e a reflexão crítica sobre o fazer poético.Nº de vagas: 40. Carga horária: 12 horas/aula

Artes Cênicas - ATO COMPACTO
19h As Anjas Cia. Entremeios de Teatro (Crato-CE)
Para comemorar os sete anos desde a estréia do espetáculo, As Anjas estão de volta! Dezoito anos após o término de sua vida escolar, um convite misterioso reúne seis amigas de adolescência que ao se unirem vão relembrar fatos do passado e compartilhar seus dias atuais. Mas em meio a situações extremamente íntimas e cômicas um grande segredo ameaça ser revelado com a chegada de uma inesperada personagem à trama. Texto: Ueliton Rocon. Direção: Mauro César. Classificação indicativa: 12 anos. 60 min.

Dia 08, quarta-feira
Artes Integradas - ARTE RETIRANTE
Local: Centro Cultural Dr. Raimundo de Oliveira Borges (Caririaçu - CE)
8h Sessão Currumim: O mistério do cachorrinho perdido. (Brasil, 2006). Três crianças acham um cachorrinho perdido e se envolvem em uma grande aventura. Cor. Ficção. Livre. 23 mim.

Literatura/Biblioteca - CURSO DE APRECIAÇÃO DE ARTE
15h Licença poética: a experiência do prazer
Paula Izabela (Juazeiro do Norte-CE)

Artes Cênicas - ATO COMPACTO
19h As Anjas Cia. Entremeios de Teatro (Crato-CE)
Para comemorar os sete anos desde a estréia do espetáculo, As Anjas estão de volta! Dezoito anos após o término de sua vida escolar, um convite misterioso reúne seis amigas de adolescência que ao se unirem vão relembrar fatos do passado e compartilhar seus dias atuais. Mas em meio a situações extremamente íntimas e cômicas um grande segredo ameaça ser revelado com a chegada de uma inesperada personagem à trama. Texto: Ueliton Rocon. Direção: Mauro César. Classificação indicativa: 12 anos. 60 min.

Artes Integradas - Oficina de Formação Artística
19h Oficina de Fotografia. Ministrante: Jonathas Andrade (Recife-PE). Ressaca Tropical é uma instalação de fotografias articuladas com páginas de um diário amoroso encontrado no lixo do Recife. Isoladamente, os componentes de Ressaca são documentos históricos. Porém, juntos, compõem uma grande ficção de cidade; um cenário que confunde o construir com o destruir, uma cidade que possui o mesmo retrato geral sempre, não importa o passar dos anos.

Dia 09, quinta-feira
Literatura/Biblioteca - CURSO DE APRECIAÇÃO DE ARTE
15h Licença poética: a experiência do prazer
Paula Izabela (Juazeiro do Norte-CE)

Artes Integradas - Oficina de Formação Artística
19h Oficina de Fotografia. Ministrante: Jonathas Andrade (Recife-PE). Ressaca Tropical é uma instalação de fotografias articuladas com páginas de um diário amoroso encontrado no lixo do Recife. Isoladamente, os componentes de Ressaca são documentos históricos. Porém, juntos, compõem uma grande ficção de cidade; um cenário que confunde o construir com o destruir, uma cidade que possui o mesmo retrato geral sempre, não importa o passar dos anos.

Música: ROCK CORDEL
19h30 Iron Doll (Juazeiro do Norte - CE) - A banda formada em 2009 por ex-integrantes de outras bandas, trás para o público um repertório variado, com covers e músicas próprias do rock nacional com vertentes do Hard Core, Punk e o Rock Romântico. 60 min.

Dia 10, sexta-feira
Literatura/Biblioteca - CURSO DE APRECIAÇÃO DE ARTE
15h Licença poética: a experiência do prazer
Paula Izabela (Juazeiro do Norte-CE)

Literatura/Biblioteca - CLUBE DO LEITOR
17h30 Millôr: descobrir outro dia é o orvalho da poesia. Prof. Facilitador Éder Tertuliano (Juazeiro do Norte) - Cartunista, jornalista, cronista, dramaturgo, roteirista, tradutor e poeta, este é Millôr Fernandes - indicado como leitura obrigatória para os vestibulandos da URCA. Na ocasião, faremos uma retrospectiva dos "87 anos dele mesmo". 90min.

Artes Integradas - Oficina de Formação Artística
19h Oficina de Fotografia. Ministrante: Jonathas Andrade (Recife-PE). Ressaca Tropical é uma instalação de fotografias articuladas com páginas de um diário amoroso encontrado no lixo do Recife. Isoladamente, os componentes de Ressaca são documentos históricos. Porém, juntos, compõem uma grande ficção de cidade; um cenário que confunde o construir com o destruir, uma cidade que possui o mesmo retrato geral sempre, não importa o passar dos anos.

Cinema - CURTA MUITO
Local: Centro Municipal de Arte e Cultura, Rua José Edmilson Rocha S/N Centro (Potengi-CE)
19h A Itinerância da 4ª edição da Mostra Curtas Cariri, que acontecerá nos dias 10 e 11 de dezembro de 2010, na Cidade de Potengi/CE, objetiva divulgar a produção audiovisual brasileira e incentivar a produção de curtas-metragens no estado, divulgar e traçar paralelos com a produção nacional e ainda discutir meios e estratégias para a distribuição e formação de platéia para o cinema brasileiro.Curadoria: Franklin Lacerda (jaraguáfilmes).

Música: PALCO INSTRUMENTAL
19h30 Espedito Lopes: violando o violão (Sousa - PB) - Um show que proporcionará ao público o som da música erudita com influência das composições de J. S. Bach e Dilermando Reis. 60min.

Dia 11, sábado
Atividades Infantis - CRIANÇA E ARTE
14h Construindo Histórias: Rimas pra que te quero - Andrea Samara (Juazeiro do Norte - CE) Será desenvolvida a partir de poemas de autores variados, trabalhando com placas de palavras e frases, permitindo que as crianças brinquem com elas formando assim um grande jogo com a participação de todos. 60min

14h Bibliotequinha Virtual. Instrutor: Gilvan de Sousa. 240min.

15h Teatro Infantil: Para Papai Noel! - Grupo 3x4 de Teatro (Fortaleza - CE) Três duendes organizam as cartas de crianças enviadas para Papai Noel, em meio ao monte de cartas encontram um presente para o bom velhinho. Curiosos, sem quere-querendo, abrem o envelope acidentalmente e descobrem um livro de contos natalinos. Os duendes lêem e revivem essas histórias, interagindo com o público e lembrando do verdadeiro espírito de natal. 60min.

16h Oficina de Arte: Histórias e Retalhos - Bette Gomes (Juazeiro do Norte) O Trabalho com histórias é de fundamental importância para as crianças, pois estimula a criatividade e faz com que ampliem o seu conhecimento de mundo, enriquecendo também o imaginário. 60min

17h Teatro Infantil: Para Papai Noel! - Grupo 3x4 de Teatro (Fortaleza - CE) Três duendes organizam as cartas de crianças enviadas para Papai Noel, em meio ao monte de cartas encontram um presente para o bom velhinho. Curiosos, sem quere-querendo, abrem o envelope acidentalmente e descobrem um livro de contos natalinos. Os duendes lêem e revivem essas histórias, interagindo com o público e lembrando do verdadeiro espírito de natal. 60min.

Cinema - IMAGEM EM MOVIMENTO
CineCafé/Mediador: Elvis Pinheiro
18h30 As Virgens Suicidas
Durante a década de 70, o filme enfoca os Lisbon, uma família saudável e próspera que vive num bairro de classe média de Michigan. O Sr. Lisbon (James Woods) um professor de matemática e sua esposa uma rigorosa religiosa, mãe de cinco atraentes adolescentes, que atraem a atenção dos rapazes da região. Porém, quando Cecília (Hanna R. Hall), de apenas 13 anos, comete suicídio, as relações familiares se decompõem rumo a um crescente isolamento e super proteção das demais filhas, que não podem mais ter qualquer tipo de interação social com rapazes. Mas a proibição apenas atiça ainda mais as garotas a arranjarem meios de burlar as rígidas regras de sua mãe. Direção Sofia Coppola. 97min.

Artes Integradas - Oficina de Formação Artística
19h Oficina de Fotografia. Ministrante: Jonathas Andrade (Recife-PE). Ressaca Tropical é uma instalação de fotografias articuladas com páginas de um diário amoroso encontrado no lixo do Recife. Isoladamente, os componentes de Ressaca são documentos históricos. Porém, juntos, compõem uma grande ficção de cidade; um cenário que confunde o construir com o destruir, uma cidade que possui o mesmo retrato geral sempre, não importa o passar dos anos.

ARTES VISUAIS
19h Abertura da exposição Primavera do Sertão do Artista: José Roberto Macedo (Juazeiro do Norte-CE)
A caatinga esconde belezas e cores que são finalmente reveladas pela lente atenta do artista. Com uma biodiversidade incrível e uma infinidade de tons às vezes fortes, outras vezes mais sutis, as flores deste rico ecossistema são mostradas em toda a sua plenitude pelo olhar do fotógrafo José Roberto Macedo.

Cinema - CURTA MUITO
Local: Centro Municipal de Arte e Cultura, Rua José Edmilson Rocha S/N Centro (Potengi-CE)

19h A Itinerância da 4ª edição da Mostra Curtas Cariri, que acontecerá nos dias 10 e 11 de dezembro de 2010, na Cidade de Potengi/CE, objetiva divulgar a produção audiovisual brasileira e incentivar a produção de curtas-metragens no estado, divulgar e traçar paralelos com a produção nacional e ainda discutir meios e estratégias para a distribuição e formação de platéia para o cinema brasileiro.Curadoria: Franklin Lacerda (jaraguáfilmes).

Música: ARTE RETIRANTE
Local: SESC Crato

20h Espedito Lopes: Violando o Violão (Sousa - PB) - Um show que proporcionará ao público o som da música erudita com influência das composições de J. S. Bach e Dilermando Reis. 60min.
 
Fonte: CCBNB Cariri

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O Wikileaks é apenas uma novidade - José do Vale Pinheiro Feitosa

Trabalhando num texto sobre a Guerra do Ogaden em 1977 pude perceber o quanto o mito da bipolaridade da Guerra Fria é cheio de furos de interpretação. Naquele tempo o manto ideológico que cobria todo o noticiário (que representa de alguma forma uma espécie de micro-história) se resumia a capitalismo e comunismo, explicando a visão bipolar. Na verdade havia um grande desarranjo em todas as sociedades mundiais e estas, mesmo que seguindo alguns movimentos centrais da União Soviética e dos EUA, tendiam para se dispersar e se alinhar numa lógica nem sempre explicada pelos dois centros. Havia contradições nesse movimento com os tais núcleos, no caso, por exemplo, qualquer um imagina que União Soviética e Cuba estiveram ao lado da Etiópia num alinhamento automático, mas hoje se sabe que Cuba contrariou o centro hegemônico na sua ação.

Uma questão que confunde muito o cidadão nesta micro-visão do dia-a-dia do noticiário em parte é devida ao que se identifica como a interdição do debate público feito pelas mídias tradicionais, estas se tornando a mediadora entre o público e o poder. Isso representaria uma seleção de interesses que se estreitariam entre o poder e as empresas de comunicação, excluindo parte da informação ou dando-lhe interpretações muito aquém ou além do interesse público.

A internet parece ter furado este paradigma, digamos assim, da interdição pública. Os cidadãos passam a ter acesso direto, a trocarem visões horizontalmente (ao contrário do padrão vertical entre poder/mídia e público), a emitirem suas próprias interpretações. E a tecnologia que seguiu os passos da internet cresce pelo que se observa nesse sentido: sistemas de busca, postagem de um amplo material de texto, imagens e som, a velocidade de transmissão de informações, além das tecnologias de processamento em nuvem as quais permitem se criar verdadeiros geradores de informações à disposição de instituições e pessoas.

A novidade é a possibilidade da manipulação aprendida na história, quando vozes com técnicas de psicologia de massa tentam encaminhar a opinião pública para determinados efeitos. É cedo para dizer, mas tudo leva a crer que esta manipulação era um efeito da verticalização tradicional dos meios de comunicação. Numa dinâmica horizontal outras vozes se levantarão, dissidências se sustentarão, numa espécie de reparos e contrabalanços parecido com aqueles mecanismos de “check balance” que existe nas democracias na separação dos poderes e destes com a sociedade.

O caso do Wikileaks é o exemplo mais recente a desnudar o que antes eram “segredos de Estado” que se mostram cada vez mais “segredos do poder” ou em visão mais limitada a “segredos de governos”. A verdade é que os governos precisam se explicar, democraticamente, informar suas medidas e seus acordos. Se o governo é da sociedade ao contrário da visão tradicional vertical, a sociedade manda no governo e este atende ao que a sociedade deseja. Mesmo considerando as contradições para construir a vontade da sociedade, esta continua sendo a mais soberana.

Agora fica mais difícil os Governos fazerem seus acordos e só abrir a informação anos depois quando a sociedade não pode mais. Se a mídia tradicional já pusera dificuldades ao autoritarismo, agora ainda mais a instituição da arrogância perderá sentido histórico. Enfim a arrogância imperial está ficando exposta ao sol do meio dia. Mesmo que o Wikileaks venha a ser manipulado ou impedido, outros mecanismos aparecerão sobre esta nova plataforma social (a internet não é uma mera plataforma tecnológica).

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Quem vem para a beira do mar - José do Vale Pinheiro Feitosa



ESCUTE A MÚSICA E LEIA O TEXTO. ANTES DESLIGUE NA ABA DIREITA A RÁDIO PARA NÃO MISTURAR OS SONS.




Vó dava uma bicada na sua tigela de café e com um olho de luz das galáxias transfixava toda a existência. Café torrado com rapadura no caco de um tacho de barro. Café moído na força muscular. E Vó tomava o caldo preto daquela semente de chão. Os grãos de Kafa, no planalto da Etiópia, chegaram até a tigela de Vó e ela dizia:

Não vá para a beira do mar.
Não vá.

E num descuido de trilho, subi num comboio nas altas madrugadas enquanto Vó dormia. E o bicho foi torando os pilares das montanhas, atravessou os vales, serpenteou rios, riachos e levadas. Fui me largando pelo mundo, as manchas doces deixadas pela garapa que caiu pelos cantos da boca no meu bucho sumiram no tempo. E, Vó, nunca mais ouvi teu estalo de beiço sugando o café, a cada intervalo entre o sabor e a voz tão imensa quanto tudo que a Ibéria se espalhou nos sertões desta América.

Não vá para a beira do mar.
Não vá.

Mas vim Vó. Eu vim. Eu estou aqui na beira do mar. Na beira do mar com as ondas e as sereias nas pedras. Na posse de liras prisionais.

Quem vem pra beira do mar, ai
Nunca mais quer voltar, ai
Quem vem pra beira do mar, ai
Nunca mais quer voltar

E quando a madrugada rompe aqui na beira do mar, estou tão amplo como os horizontes ininterruptos. Se pego um rumo para me afastar eu vou, muito longe eu vou, mas como uma onda eu volto à beira do mar. E pego a andar na areia do mar.

Andei por andar, andei
E todo caminho deu no mar
Andei pelo mar, andei
Nas águas de Dona Janaína

Vó e tua tigela era branca ou creme? Era creme ou marrom. Qual era a cor da tigela de barro de Vó? Era de barro, como eu era de barro. E nem sei a minha cor neste levante de dia e nem as ausências de poente das ondas.

A onda do mar leva
A onda do mar traz
Quem vem pra beira da praia, meu bem
Não volta nunca mais

Vó será que tu já foi? Já voltou? Ainda está naquela porta de casebre? Eu espero que os filhos de Maria, tua neta, já não se assentem na porta de um casebre. Como tu, Vó, na porta do casebre, tua tigela de café de Kafa. E não fui mesmo para a beira do mar prá nunca mais voltar?

Missão Toca de Assis em Crato – por Ticiana Rafael

A cidade de Crato, localizada ao sul do Ceará, conta atualmente com duas casas fraternas: uma masculina, de acolhimento e outra feminina, de vida contemplativa. Ambas as Missões foram trazidas a pedido do bispo diocesano Dom Fernando Panico. O Sítio Fraterno Porciúncula, fundado em 2006, localiza-se aproximadamente a dez quilômetros do centro e abriga vinte e dois ex-moradores de rua. É nesse lugar longínquo que esses irmãos necessitados recebem a atenção, o carinho e a formação espiritual de que precisam. Mas os benefícios proporcionados pela Toca de Assis não acabam aí. Os Filhos da Pobreza do Santíssimo Sacramento, além de dedicar-se aos irmãos que acolheram, vão ao encontro nas ruas daqueles que pela limitação física da casa não podem morar lá: são as chamadas pastorais de rua, realizadas semanalmente aos sábados juntamente com alguns leigos da Freternidade. Nessa oportunidade é a vez de os moradores de rua serem objeto de cuidado e amor... Na casa, os pobres dividem espaço com Jesus Sacramentado, já que lá existe uma capela onde os religiosos se revezam em adoração diariamente. Também nesse espaço ocorre uma vez a cada mês a Santa Missa, cujo maior intuito é de que os irmãos acolhidos possam dela participar. Aqui na nossa cidade, podemos contar ainda com as benesses das orações das Filhas da Pobreza do Santíssimo Sacramento. A missão das irmãs possui uma característica bem peculiar: vivendo em semi-clausura, elas dedicam integralmente o seu tempo à adoração, numa vida de total entrega e intercessão por toda a Santa Igreja, em especial por seus ministros ordenados. Assim, há aproximadamente quatro anos os pobres de rua, não sendo os únicos, são os maiores beneficiados com a chegada da Toca de Assis na cidade de Crato.

Contato
Sítio Fraterno Porciúncula
Estrada Santa Fé, Sítio Boa Vista, 110,
Km 1,5 Caixa Postal 69 ,
CEP. 63100-970 – Crato-CE
Tel: (88)3521-2097
crato@irmaos.tocadeassis.org.br

Por Ticiana Rafael
Publicada no Blog Oficial da Toca de Assis (http://tocadeassisoficial.blogspot.com/)

FÉRIAS NO CARIRI - o melhor lugar do mundo é aqui