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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Saara


O Deserto do Saara (português brasileiro) ou Deserto do Sara e Deserto do Sahara (português europeu) (em árabe: الصحراء الكبرى, aṣ-ṣaḥrā´ al-koubra) é o maior deserto quente do mundo, e oficialmente é o segundo maior deserto da Terra, logo após da Antártica, pois esta última também é um deserto. Localizado no Norte da África, tem uma área total de 9 065 000 km², sendo sua área equiparável à da Europa (10 400 000 km²) e à área dos Estados Unidos, e maior que a área de muitos países continentais tais como Brasil, Austrália e Índia. O nome Saara é uma transliteração da palavra árabe صحراء, que por sua vez é a tradução da palavra tuaregue tenere (deserto). O deserto do Saara compreende parte dos seguintes países e territórios: Argélia, Burkina Faso, Chade, Egipto, Líbia, Marrocos, Saara Ocidental, Mauritânia, Mali, Níger, Senegal, Sudão, e Tunísia. Vivem cerca de 2,5 milhões de pessoas na área do Saara.



Texto: Wikipédia
Fotos: Ricardo Magno Laet Rafael (direto da Mauritânia)

Pensamento para o Dia 17/12/2010


“A influência desconcertante de Maya (ilusão) é a consequência das ações acumuladas das vidas anteriores de uma pessoa. Você pode escapar de Maya através das boas ações. Se boas ações marcaram as vidas anteriores, qualquer tendência pecaminosa pode e será dominada pelas tendências virtuosas nesta vida. Você terá fé na divindade, se conectará com o Divino e passará a vida amparada no Divino. Por outro lado, aqueles que cometeram crimes horríveis em vidas passadas têm a visão terrivelmente escurecida, e isso os impede de ver o Divino. Essa pessoa nunca se lembra de Deus e de Sua obra, nunca anseia pelo seu próprio bem e pelo bem dos outros. Eles vêem as coisas com um ponto de vista falso. Deleitam-se na iniquidade e envolvem-se em atos perversos.”
Sathya Sai Baba

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Então é Natal! - José do Vale Pinheiro Feitosa

Cadinho não existe nada inerte no mundo. Tudo nele é arte, tem uma maneira de ser ou agir. Mesmo as rochas têm ação, as pedras são modos de reações ou interações substantivas. Tudo é arte neste universo que nossos sentidos reconhecem.

Sei Mitonho, mas é que a vida é mais instável que tudo o mais. Ela parece ser restrita, não é contínua, apenas acontece por nosso saber só aqui neste minúsculo planeta. Pode acontecer noutros lugares? Pode, mas sempre se encontrará entre as coisas mais instáveis do universo.

Quando digo que não tem sentido achar que as coisas têm que ser assim mesmo é que a instabilidade tem a sabedoria do curto prazo, instantânea, tudo precisa de maior rapidez. Não é possível comemorar o natal sem denunciar a fome e a miséria que corrompem o curso instável da vida. A instabilidade, representada pela morte, não justifica a injustiça, o abandono, a traição de um futuro.

Cadinho mas não só precisávamos seres humanos maiores do que estes da miudeza enfastiada, como toda a cadeia de poder precisa ser interrompida. O poder é o instrumento último dos canalhas que destroçam a esperança, turvam a consciência. Existem humanos tão canalhas que temos ímpeto de convocar a sociedade de proteção aos animais em prol dos cães.

Pois é Mitonho, a manjedoura não foi a aceitação do simples como querem nos compor. A manjedoura foi a denúncia aos Filisteus, aos imperadores do culto material de Roma. Naquele simples que parecia evocar uma doçura compreensiva dos canalhas, havia um símbolo do quanto eram desprezíveis, do quanto estavam por trás da cadeia de miséria que ceifava a Terra Santa.

Mas Cadinho e eles transformaram a mensagem do amor que significa dedicação, a vontade que todos igualmente permaneçam presentes como ente do mundo em compartimento domiciliado, na mesa familiar que é ao mesmo tempo a união de poucos com portas fechadas para a desunião dos frágeis e vulneráveis. A única mensagem que se ouve verdadeiramente universal é o presente comercial e uma ceia farta como uma festa da fertilidade.

Mas Mitonho se é a festa do nascimento, é sempre um momento para que de fato não apenas nasça um messias, mas toda uma missão de solidariedade e união em prol da vulnerabilidade geral da vida.

O BURACO NEGRO DOS DINOSSAUROS

Luiz Domingos de Luna*

O Paredão do existencialismo humano é uma vertente a dissolver na coluna do espaço tempo, o túnel construído pelo homem, para assegurar a continuidade da vida no mais distinto período da história, ou até mesmo, antes desta.
A Ciência, em se tratando da extinção dos seres vivos, geralmente, quebra os seus métodos precisos, arraigados, comprovados e parte para teorias vagas, abstratas e pouco convincentes, via de regra, cria um cataclismo do nada, e daí a natureza mais uma vez, a engolir a vida, como uma força devoradora e bestializada de uma fatalidade que aconteceu e que, a qualquer momento, pode acontecer novamente.
A Gratuidade desta teoria, para explicar o sumiço de milhares de espécies do Planeta Terra, tem uma base religiosa muito forte, com fundamentação teórica no apocalipse e assegurada no campo filosófico da teoria do Caos. Na verdade, os princípios e os ativos que quebraram a parábola existencial, são desprezados, para dar lugar a uma questão de: acreditar ou não; assim, sempre haverá no mínimo duas versões para o mesmo fato. Muitos podem argumentar que quanto maior for o número de versões maior a possibilidade de acertos, pois, é assim que é construída a civilização humana com erros e acertos.
O problema nasce quando esta idéia é naturalizada no contexto histórico social, pois senão, vejamos: Para alguns cientistas, o aquecimento global é uma realidade inexorável com prejuízo irreversível para o planeta terra, logo se todos os agentes causadores do aquecimento fossem norteados, mesmo assim, o estrago já está feito, pois, é conseqüência de um processo ao longo dos anos.
Outros, acreditam num aquecimento sustentável, que, as saídas ou resoluções serão aplicadas e tudo não passa de algo que foi solucionado dentro de padrões normais e aceitáveis, em breve espaço de tempo.
Finalmente, há a corrente, que nem reconhece a existência do Aquecimento Global e, neste buraco negro de idéias, fica fácil, a qualquer dia, a humanidade acordar com o Planeta Terra ocupado por Dinossauros.
(*) Procurar na web




Afinal, é Permitido ou Proibido construir edifícios altos no Crato ?


Chapada do Araripe - Crato - Dihelson Mendonça


Alguns leitores estão aí no mural do Blog do Crato, perguntando SE ou PORQUÊ seria proibido construir edifícios altos em Crato. Antes de tudo, é bom que se esclareça uma verdade: Não é proibido construir edifícios altos em Crato, mas existem leis que regulamentam até que altura EM CERTAS ÁREAS da cidade esses edifícios podem ser construídos. Se de 2, 3 ou mais pavimentos.

O objetivo maior dessas leis é preservar nosso patrimônio maior, a Chapada do Araripe. Diversas pessoas têm raiva do atual prefeito do Crato, Samuel Araripe, por ter proibido construções muito altas próximas da Chapada. Esquecem que ali é uma área de preservação ambiental, embora muita gente inescrupulosa não faz a mínima idéia do que seja PRESERVAÇÃO AMBIENTAL, mesmo em pleno século XXI, quando o mundo todo luta para salvar o planeta, e assim, salvando a nossa própria civilização.

Alguns pensam que à força do Dinheiro, podem comprar tudo, até a consciência ecológica e a vida. Não é bem assim. Entendendo que certas áreas precisam ser preservadas, e evitar o que aconteceu na orla marítima, em Fortaleza, quando construíram na década de 80 inúmeros arranha-céus que bloquearam as correntes de ar que vêm do oceano para a cidade, a mesma coisa poderia acontecer no Crato. Se construirmos paredões de edifícios a uma certa distância da Chapada do Araripe, os danos ambientais serão gigantescos. Segundo projetos e leis formulados por especialistas, o Crato foi demarcado, e somente à partir de determinada distância da Chapada do Araripe é que se pode construir arranha-céus.

Estive entrevistando Dr. Nivaldo Soares, Secretário do Meio-Ambiente do Crato na semana passada sobre este assunto, e conversando por quase 1 hora, dentre os inúmeros aspectos abordados, um dos principais é essa preocupação em restringir em certas áreas, a construção de arranha-céus. Entretanto, o secretário nos comunicou que em muitas áreas da cidade, isso é permitido; Por exemplo, nada impede que no Centro do Crato sejam construídos. Não há qualquer restrição legal quanto a isso. Já no bairro do Seminário, em certas áreas onde circulam correntes de ar, somente edificações de até 2 ou 3 pavimentos. Na Vilalta, não há limite ( teórico ) de altura, por entender que a Vilalta já se encontra muito distante da Chapada e não prejudicaria os ventos ( embora, este repórter seja contra e ache que deveriam ser proibidos também ).

Na verdade, se todo mundo começar a construir edifícios indiscriminadamente no Crato, vai acontecer o fenômeno que hoje assombra a cidade de São Paulo: O aquecimento do centro. São Paulo, hoje em dia, não consegue "esfriar", porque ali gerou-se tanto calor que não há como se dissipar para as proximidades, então forma-se um núcleo quente, e permanente. As cidades do mundo moderno se preocupam com os projetos e com o fator ecológico. Existem projetos que racionalizam o uso do espaço, da terra, das águas. Não se pode pensar mais em crescimento desordenado de uma cidade, como em Juazeiro do Norte, por exemplo, sem projeto, onde ruas estreitas, que só cabem carroças, convivem em pleno século XXI com grandes avenidas, de forma caótica.

É preciso que comece a existir no cariri uma consciência ecológica, consciência do uso racional dos recursos naturais, e do mundo que queremos deixar para nossos filhos e netos. Quando o prefeito Samuel Araripe negou a construção de edifícios e de um conjunto habitacional no sopé da Chapada do Araripe a vários empreendedores de fora, tomou a decisão correta, porque embora foram ao gabinete oferecer vantagens ao prefeito e arrecadação de IPTU para o município, o prefeito entendeu que muito mais importante neste momento que uma mísera arrecadação, é que neste momento, possamos preservar o nosso maior patrimônio: A Chapada e a Floresta do Araripe. Isto não implica em reprovar o progresso. De forma alguma! Existem hoje inúmeras áreas no município, que por sinal, é muito extenso, em que podem ser construídos edifícios, conjuntos habitacionais e fábricas, e quem desejar construir nessas áreas, tem total aval da administração. O que não podemos fazer, é por força do "Vil Metal", destruir a única coisa que distingue o Crato de tantas cidades do nosso cariri, que já começaram a depredar o seu patrimônio ecológico.

Vamos construir, decerto. O Crato precisa crescer. Mas precisa crescer de modo ecologicamente correto, aonde a ganância de alguns não possa sobrepujar os grandes valores do nosso planeta e dos padrões de civilidade.

Por: Dihelson Mendonça
Assessoria de Imprensa
- Governo do Crato

Os tesouros deste mundo - Emerson Monteiro

A importância dos objetos, sentimentos, ideias, guarda relação estreita com a prática das pessoas no decorrer da existência, a ponto de muitas perderem o juízo buscando satisfazer o instinto de querer mais uma coisa do que outra. Não poucas pessoas vendem a alma para atender aos desejos loucos, e atropelam os outros, gastam o que não têm, utilizam mecanismos sujos, a ponto de matar, roubar, destruir, no impulso desesperado de alimentar aquelas necessidades artificiais surgidas no afã da dominação dos objetivos planejados.
A fome doentia dos desejos errados existe na história desde que o homem é homem, pela ganância das guerras, dos saques, perseguições, negócios escusos, invejas e ambições desmedidas. Tudo pó e poeira da matéria em desintegração. O apetite avassalador do favorecimento a qualquer custo mostra a face melancólica dessa humanidade, o lado sem luz da epopéia das criaturas rumo aos afagos da ilusão, que só produzem miséria e respostas trágicas, nas caminhadas pelo mundo.
A traça e a ferrugem, no entanto, destroem, numa velocidade impressionante, tais equívocos, sob o comando de uma lei estudada sob o nome de ação e reação, tanto na física, quanto nas escolas religiosas. Nada fica impune fora dos ditames originais e eternos da natureza, que conduz os acontecimentos. Dia de muito é véspera de pouco. Dia de tudo é véspera de nada.
Quem quiser contrariar as normas desta sabedoria, guardada no decorrer dos séculos e milênios, que experimente, pois, mais cedo ou mais tarde, provará do desencanto. Há um tanto de exemplos de que o crime não compensa, em todo tempo e lugar. Mesmo assim, ainda impera o desejo ganancioso, que demonstra o atraso da raça teimosa e inconsequente, quando se sabe que o desengano da vista é furar os olhos, no dizer do povo.
No entanto, a dor ensina a gemer, e inúmeros escolhem estradas tortuosas do vício e do crime invés dos valores equilibrados e justos da paz e da coerência. Esse impasse nas decisões vale a todo minuto, conquanto vive-se decidindo qual dos dois caminhos escolher a fim de realizar os sonhos. Ouvi, certa vez, alguém afirmar que “o castigo do vício é o próprio vício; e o mérito da virtude é a própria virtude”. A consciência refletirá como praticar esta vida. O itinerário aonde nos leva ninguém desconhece. A estação final do processo vida espera a todos, equivocados ou prudentes. Portanto, o teorema traz consigo a solução do mistério de todas as intenções pessoais.

Pensamento para o Dia 16/12/2010



“Desenvolver fé no Princípio Atma e amá-Lo sinceramente é a verdadeira adoração. Há apenas um Ser Divino. Sinta que isso é mais digno de amor que qualquer objeto aqui ou no futuro — essa é a verdadeira adoração que você pode oferecer a Deus. Isso é o que os Vedas ensinam. Os Vedas não ensinam a aceitação de um conjunto de regras e restrições terrivelmente difíceis. Eles não constroem diante de você uma prisão onde o homem está encerrado pelas barras de causa e efeito. Eles nos ensinam que existe Um que é o Soberano por trás de todas essas regras e restrições, Um que é o âmago de cada objeto, cada unidade de energia, cada partícula ou átomo e Um que somente sob Suas ordens os cinco elementos —éter, ar, água, fogo e terra– operam. Ame-O, adore-O, venere-O — essa é a grande filosofia do Amor, elaborada nos Vedas.”

Sathya Sai Baba

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Programa COMPOSITORES DO BRASIL - Rádio Educadora do Cariri

HERIVELTO MARTINS

Por Zé Nilton

Para Stela Brito

O excelente Célio Silva, o mais perfeito imitador de Francisco Alves nestes cariris, e dizem até que o superava em graves, agudos e na maviosidade da voz, teve um filho chamado Geraldo. Voz de soronidade perfeita. Fossem baixos, agudos, sopranos, contraltos. Em todas as tonalidades ele chegava à música. O garoto também tinha um jeitão arredio, humor de altos e baixos, nunca era do mesmo jeito da cambada de meninos que fazia parte dos músicos fundadores dos primeiros projetos de Pe. Ágio, recém saído do Seminário S. José, em 1962, para criar um núcleo religioso-musical na comunidade da Vila Santa Terezinha, no caminho do Lameiro.

No seu livro, “Um sonho Realizado”, o sacerdote narra um episódio de possessão em que o personagem principal seria o nosso inocente Geraldo. Interessante a narrativa do Padre.

Lembro-me demais do primo Geraldo cantando “Ave Maria no Morro”, fazendo a primeira voz em uma dupla fantástica. Afinadíssimo. Nunca me esqueço da sua voz que sumiu para sempre. Foi com ele pra bem longe desse Brasil.

Caros amigos sei que não vem ao caso, mas deixem me revelar umas lembranças.

Ficava morto de vergonha quando o mons. Pedro Rocha, que todo o ano oferecia um concerto de natal para a comunidade do Hospital São Francisco de Assis, anunciava, erguendo a mão para cima do estreito palco:

- E vamos nos deleitar neste momento, ouvindo a Orquestra do Pe. Ágio! A cortina se abria. Um pequeno conjunto de músicos aparecia, sob a batuta do velho mestre, que também tocava flauta ou acordeom.

O amado Monsenhor não se esquecia dos tempos em que Pe. Ágio criou, manteve elevou a musicalidade caririense com a Orquestra de Música do Seminário S. José, chegando a uma composição de 53 músicos. E ali, às vezes um quarteto, um quinteto, um sexteto estava sempre presentes no natal do Hospital.

Não esqueço de uma vez, em 1966. Num show de natal no Hospital foi anunciada a próxima sequencia:

- Vamos ouvir, bradou o feliz Monsenhor, embandeirando o seu inseparável lenço, com a “orquestra do Pe. Ágio”, (pra nós era o Sexteto Villa-Lobos), a música “ Olê, Olá”! Aplausos gerais. A platéia esperava a bela música de Chico Buarque, que tocava todos os dias nas rádios. Eu gelei, pois já andava me enxerindo pras músicas de Chico. Não era. Acompanhamos a dupla de ouro Geraldo/Heládio na famosa toada de um músico paulista que dizia:

"Olá, olê, deixa o meu pinho gemer
Olê, olá, deixa o pinho soluçar"...

O nome de Herivelto Martins está comigo desde há muito. Fiquei maravilhado quando João Gilberto gravou Izaura, com Miúcha, no seu disco capa branca, produzido no México, recebido de presente de uma grande paixão, lá no meu Rio de outrora.

As histórias desse mestre da Música Popular Brasileira estão por aí nas blogesferas. Sua trajetória amorosa, agonística e musical pode ser lida. Um excelente compositor, dono de uma versatilidade no infindável universo da sonoridade, com mais de 500 músicas gravadas. Graças ao milagre da parafernália tecnológica elas nos chegam até hoje através de gravações e regravações, que por certo farão presenças ad seculam, seculorum, enquanto espaço houver para a música que nossos e os futuros ouvidos hão de captar.

Herivelto Martins. Parte de sua história e discografia será apresentada e comentada no Programa Compositores do Brasil, desta quinta-feira, na Rádio Educadora do Cariri, a partir das 14 horas.

Na sequencia:

DOIS CORAÇÕES, de Herivelto Martins e Waldemar Gomes com Dalva De Oliveira e Francisco Alves
CAMISOLA DO DIA, de Herivelto Martins e David Nasser com Maria Betânia
MAIS UMA LÁGRIMA, de Herivelto Martins, com o Trio De Ouro
TEU ERRO, de Herivelto Martians com Nelson Gonçalves
SEGREDO, de Herivelto Martins e Marino Pinto, com Dalva De Oliveira e Pery Ribeiro
PENSANDO EM TI, de Herivelto Martins e David Nasser com Edith Veiga
NEGRO TELEFONE, de Herivelto Martins e David Nasser com Pery Ribeiro
ATIRASTE UMA PEDRA, de Herivelto Martins e David Nasser, com Ney Matogrosso
NEGA MANHOSA, de Herivelto Martins com Zeca Pagodinho
CABELOS BRANCOS, de Herivelto Martins e Marino Pinto com Oswaldo Montenegro
AVE MARIA NO MORRO, de Herivelto Martins, com Helena de Lima
ISAURA, de Herivelton Martins e Roberto Roberti, com João Gilberto e Miúcha

Quem ouvir verá!

Programa: Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri (www.radioeducaroradocariri.com)
Telefone: (88)3523-2705
Todas as quintas de 14 as 15 horas
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Operador high tech: Iderval Dias
Direção Geral: Dr. Geraldo Correia Braga

ANDAR

Foto de Diogo Stálin Araújo
O problema sugere a solução,
a catástrofe o nada mais.

O vento sopra,
o rio viceja,
a flor se espalma e se revolta...

Todos
buscam a dianteira
e grande é o cortejo:
terço,
rosário,
bendidos e malditos,
cânticos e sacrifícios.

E tudo se redesenha
numa grotesca imagem de incertezas,
retrato da nossa existência...

Cacá Araújo
Crato-Cariri-Ceará-Brasil

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

NOSSA IDENTIDADE PULSA

Catirina e Mateus do Reisado Decolores Dedé de Luna do Muriti (Crato-CE) / Foto de Cacá Araújo

O Folclore nordestino é a expressão máxima da fusão de mundos que se deu no doloroso processo de colonização em terras brasileiras. Neste contexto, o Cariri cearense é uma das maiores vitrines da cultura tradicional popular, mostrando raízes profundas e demonstrando resistência e teimosia quando se trata da manifestação de folguedos, brincadeiras e festas tradicionais que nos remetem à nossa ancestralidade.

Às novas gerações deve ser ofertado o banquete das matrizes culturais que podem explicar o passado, consolidar a identidade e fortalecer o espírito de soberania, sentimento de pertença e auto-estima. Os folguedos populares, patrimônios imateriais, são peças fundamentais da antropologia, posto que contam sobre costumes, crenças, comportamento, organização social.

Cientes da importância estratégica da cultura no desenvolvimento da nação, a sociedade e os poderes públicos devem atuar mais vigorosamente na organização e defesa das manifestações tradicionais populares, procurando, neste sentido, resgatar, preservar, desenvolver e difundir o Folclore e a Cultura Popular como referências na construção da alma nordestina e brasileira.

Nós somos um povo plural, como todos os outros, em todos os aspectos, o que não significa dizer que tenhamos que ser depositários do lixo cultural produzido pela humanidade. Ser plural é possuir variadas dimensões numa mesma existência; é contemplar no indivíduo a multiplicidade do espírito e do imaginário formadores da alma do povo, sacralizada e profanada pela mesma mão. Tudo obrado não pelo acaso, mas fruto do amalgamar que os séculos anteriores ofertaram em festa, em guerras, em tempos de bom e de mau humor dos ritos da natureza, dos animais, dos homens, das coisas.  

Precisamos fortalecer o movimento em defesa da cultura tradicional popular como forma de resgatar as mais profundas raízes dos povos do sertão nordestino, tomando-as pela universalidade, evidenciando as manifestações que traduzem a variedade de influências que marcaram a alma do nosso povo: o canto, a dança, o verso, a religiosidade, a história.

Nestes tempos de neo-imperialismo, devemos construir um caminho original e naturalmente legítimo de autodeterminação cultural, sem negar as raízes formadoras e afirmando uma cultura própria, resultante desse caldeamento que se insere no contexto histórico e não cessa, ganhando e perdendo novos elementos, seguindo o curso dialético da transformação cotidiana de homens e povos.

Fortaleçamos as trincheiras de combate à agressão cultural perpetrada pelo império dos potentados da economia mundial, que contam com a complacência de muitos agentes da mídia e da política nacional a serviço de interesses estranhos à Nação brasileira.

Cacá Araújo
Professor, Dramaturgo, Folclorista
cacaraujo66@yahoo.com.br
Crato-Cariri-Ceará-Brasil

PACTO PELA CULTURA NO ESTADO DO CEARÁ

Segue abaixo-assinado à sociedade em geral a respeito do PACTO PELA CULTURA NO ESTADO DO CEARÁ. O Documento é resultado de dois Fóruns Gerais das Linguagens Artísticas do Ceará, que contou com artistas e representantes das suas entidades mais diversas. Nele, há a posição de um consenso da classe artística cearense a respeito das políticas culturais a serem produzidas pelo Governo do Estado em seu próximo mandato, prestes a iniciar.

Busca-se o mais amplo apoio ao documento, a fim de que ele seja discutido em audiência pública com o governador reeleito, Cid Gomes, a classe artística do Ceará e a sociedade civil.

Leiam o manifesto dos artistas cearenses, apoiem com suas assinaturas e divulguem!

O Pacto será entregue ao governador próximo dia 15 de dezembro.

VAMOS JUNTOS E FORTES EM FAVOR DE UMA GUINADA NA CULTURA DE NOSSO ESTADO!

SEGUE LINK DO ABAIXO ASSINADO:


Ilmo. Governador reeleito, Cid Ferreira Gomes,

Nós, artistas do Ceará, integrantes das diversas linguagens artísticas e de suas entidades representativas, viemos, por meio deste documento público, convocá-lo para o diálogo cultural. Neste momento de transição de mandatos, capitaneados por seu governo, ensejam-se novas oportunidades de políticas públicas. O que, essencialmente, inclui a cultura.

Após uma série de encontros entre representantes das entidades artísticas, resultando em dois grandes Fóruns Gerais das Linguagens, os artistas do Ceará, em histórica mobilização, posicionam-se por um lugar central da cultura nas políticas de desenvolvimento social.

Está claro que uma visão progressista de governo não será completa sem considerar a atividade artístico-cultural como um bem público, um direito de todos e um agente de transformação social. Sabe-se hoje, em todo o mundo, que o progresso material, isoladamente, não assegura o bem estar coletivo, quando acossado pela violência, o preconceito, o individualismo, a insensibilidade, em suma, pela carência de novas idéias, práticas e percepções humanas. Indícios de um panorama futuro pouco animador.

Por outro lado, e o fato é também notório, nestes tempos de hiper informação e de ascensão do trabalho imaterial, fica a certeza de que a atividade cultural humana tende a contagiar todos os segmentos da vida social – do político ao econômico -, dando-lhes, enfim, uma dimensão mais afetiva e inteligente. Nem só de máquinas e pão vive o homem, afinal.

Cientes, portanto, desse caráter revolucionário da cultura, que não se pode limitar num “luxo” social, um supérfluo, sendo, ao contrário, um fator transformador, propomos, neste documento, uma mudança substancial na política cultural do novo governo - que, afinal, é de todos nós. Política esta que, a rigor, é social, transdisciplinar, de interesse geral. A afetar diferentes aspectos da realidade cearense.

Seguem abaixo as principais propostas da classe artística do Ceará para a política cultural do Estado, apoiadas, em abaixo-assinado por todo o espectro da sociedade.

Em conjunto a essas propostas, solicitamos seu debate em audiência pública com o Sr. Governador Cid Gomes, realizada em caráter de urgência, entre dezembro de 2010 e janeiro de 2011, período fundamental de implantação do seu novo governo.

Desejamos que Estado e sociedade civil organizada firmem um verdadeiro pacto pela cultura do Ceará, visando o seu mais amplo desenvolvimento!

Em defesa do comprometimento público com:

1- Uma política cultural transversal: criação de Núcleos Culturais nas secretarias de educação, turismo e segurança pública, que trabalhem de modo integrado com a secretaria de cultura.

2- A reestruturação da Secretaria de Cultura: ampliação de quadro de funcionários a partir de concurso público. Criação de departamentos de linguagens artísticas, a fim de atender suas demandas específicas, dirigidos por profissionais da área, eleitos em seus respectivos fóruns. Princípio aplicado à gestão dos equipamentos culturais do Estado: exigência de qualificação profissional e legitimidade artística para os seus gestores, sobretudo para o próximo secretário de cultura.

3- Uma política de difusão da atividade artística cearense: estratégias integradas de acesso da população aos bens culturais e divulgação da produção cultural do Ceará por todo o país, através de mostras, feiras, festivais, lançamentos, eventos em geral. Valorização da TV Ceará (TVC) e outros canais públicos de mídia como importante divulgador da cultura e da produção cultural cearense.

4- O apoio a mudanças na legislação cultural: aumentar a participação da cultura para 2% do orçamento do Estado. Duplicar o percentual de renúncia fiscal destinada ao Fundo Estadual de Cultura (FEC), não estabelecendo nenhum tipo de teto orçamentário para ele. Converter o Conselho Estadual de Cultura, hoje apenas consultivo, para o caráter deliberativo, autônomo à decisão sobre os investimentos do FEC, atendendo de modo equilibrado às diferentes linguagens artísticas.

Para além de reivindicações, propostas concretas e viáveis. Todas de interesse geral dos cearenses, e por isso apoiadas no abaixo-assinado que se segue, em defesa do Pacto pela Cultura no Estado Ceará:

Os signatários

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A FORÇA DO GESTO COLETIVO

Foto de Cacá Araújo
 

O movimento comunitário já traz em sua denominação a ideia de coletivo, de ação, de comunidade. No contexto da luta política evoca a tarefa reivindicatória das entidades representativas dos moradores de um bairro, de uma vila, de um distrito, junto aos poderes constituídos, especialmente o executivo. Isso é o usual e beira a mesmice, chegando, em muitos casos, a ser instrumento de negócio eleitoreiro engendrado por lideranças hipócritas e avessas aos verdadeiros interesses do povo.

Entretanto, há outro percurso a ser trilhado: a organização das massas populares em defesa do anseio comum. O movimento comunitário tem que assumir sua função revolucionária de educar permanentemente o povo na prática das lutas transformadoras. É a busca incansável do necessário gesto coletivo: a fusão de atitudes a partir da tomada de consciência de que é preciso mudar. E a mudança primeira é no campo das idéias, na compreensão das injustiças e mazelas sociais como resultantes do capitalismo, este monstro que dilacera a alma e escraviza o corpo. E na esperança de que um novo modo de viver é possível.  Daí nascerá a revolta e a insurreição. E nada nem ninguém poderá deter a força do gesto coletivo.

Bertolt Brecht (1898-1956), dramaturgo, poeta e encenador alemão, faz uma séria advertência através de seu poema “Nada é impossível de mudar”:

"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito
como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural,
nada deve parecer impossível de mudar.”

O povo, esta é uma verdade absoluta, já acumulou, ao longo da história, todos os dissabores da exploração, da miséria, da opressão, da violência, do preconceito, da tirania, da ira de deuses de barro e papel...

Que tudo isso, portanto, provoque a combustão ativadora da consciência popular e sacuda do movimento comunitário a poeira da subserviência, do lugar-comum, do oportunismo, da inércia. Assim, creio, se forjará como peça fundamental na edificação da justiça social.

Cacá Araújo
Professor, Dramaturgo, Folclorista, Cidadão

O FIM DOS PRESSUPOSTOS por VERISSIMO

(CADERNO OPINIÃO, JORNAL O GLOBO, Domingo 12 de dezembro de 2010, p.7)

"Em poucos dias, duas certezas científicas tiveram que ser abandonadas. Pesquisadores da Nasa descobriram que pode haver vida sem os componentes químicos até hoje considerados indispensáveis para a sua formação, e astrônomos descobriram que há muito mais estrelas além da Via Láctea do que se imaginava. Ou seja: aumentou a possibilidade de haver formas de vida desconhecidas em outros planetas e aumentou (triplicou, dizem os astrônomos) a quantidade de planetas em que elas podem existir.

Os novos cálculos sobre a quantidade de estrelas, se entendi bem, o que eu duvido, partem da constatação de que muitas das outras galáxias são elípticas, e não espirais como a Via Láctea, e que a proporção de estrelas-anãs para estrelas grandes, sóis, que é de cem anãs para cada sol na nossa galáxia, e de 2 ou 3 mil para cada sol nas galáxias elípticas. As estrelas-anãs de galáxias distantes não são vistas , são inferidas, mas calculam que haveria pelo menos um trilhão de estrelas a mais do que se supunha no Universo. O que significa mais alguns trilhões de planetas em volta dos sóis e quatrilhões de satélites em volta dos planetas. Isso sem levar em conta – para não enlouquecer – que o Universo visível talvez seja só uma fração do Universo real, cuja luz ainda não chegou até aqui.

O que as duas revelações significam é que pressupostos básicos, como o de que só a nossa composição química permitia a vida e que todas as galáxias se comportavam como a Via Láctea, não eram mais do que presunção. Sua desmoralização é mais um capítulo no lento afastamento da Humanidade das suas certezas, que começou com Copérnico e a prova de que a Terra circundava o Sol, e não o contrário. O que virá agora? Quando descobriram o comportamento esquizofrênico das partículas subatômicas, há alguns anos, foi um aviso para desconfiar de todos os pressupostos até aqui, das bactérias ao cosmo. Aguardam-se novas surpresas.

Quanto á vida em outros planetas é cedo para imaginar a Fifa organizando o primeiro campeonato interplanetário. Mas já dá para prever problemas como o antidoping: o que é tóxico para um time pode ser vital para a seleção da lua de Saturno, por exemplo".

O simples vive da fé - Emerson Monteiro

Invés de sair às cegas catando mistérios e trombando caixas vazias largadas em estradas distantes, a gente simples se alimenta na fé com um propósito superior que lhe indica os passos de seres vivos pelas entranhas dos rochedos tortuosos dessa humanidade, livre de outras perguntas inventadas, braços abertos ao trabalho e aos deveres que a vida impõe.
Houvesse outro jeito de tocar o barco, os milhões de criaturas seguiriam nessa respiração bem sua, constante, ao ritmo dos elementos, nas tiradas dos mundos inevitáveis. Santos do povo falam disso, de uma força descomunal que move e agarra com persistência o seguir das criaturas aos lugares desconhecidos do universo, única alternativa do processo vida.
Os seres anônimos, heróis desconhecidos, agem assim, movidos na ânsia de manter sua respiração sob valores trazidos brutos nas cheias do presente às margens do amanhã, máquinas históricas de uma tradição que se mexe de dentro do peito da certeza, que tem de ser desse modo, e pronto. A religiosidade monumental das pessoas cala fundo o íntimo da alma dessa multidão silenciosa, produzindo certezas a todo instante, matéria prima do futuro, no fluir sem parar das eras e tradições inesquecíveis e satisfatórias da existência comum dos dias delas.
O bater do coração alimenta essa energia original que gira as engrenagens, por cima de pedra e pau, e, com isso, permite acontecer histórias pessoais a todo o momento, dadas dimensões maravilhosas e segredos de continuar a qualquer preço bom a experiência de se conduzir em frente e estabelecer as bases dos novos continentes, nas horas de toda sobrevivência, do menorzinho ao maior de todos nós. Uma ação se soma às outras ações, linha após linha, fio condutor de nomes, pessoas e objetos, fora e dentro das aparências, peças de um xadrez de luta e parto dos momentos que se sucedem.
Caminha a sociedade dos seres humanos como formigueiro de gente e produção, necessário ao calendário e aos relógios, estômago do tempo e dos lugares, luzes nessa escuridão que clareia as famílias e os destinos, até serem felizes para sempre. Santuários de orações fervorosas, eles alimentam o desejo de seguir os passos, na convicção de que existe um sentido maior que abre as portas do amor, nas intenções de quem deseja o bem para seu valor absoluto.
Desse modo, os simples vivem da fé, de olhos voltados à mesma Eternidade que os contempla e os criou, e lhes deixa soltos no ar, perante a estrada que abraça com os pés e rasga a cada passo. Um saber mais que perfeito da melhor sabedoria os orienta, pois conhecem o tecido com que tecem o manto da Eternidade. E só isso os torna suficientes ao justo querer de Deus.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Desenvolvimento regional do Cariri: em quê pé se encontra a questão da região metropolitana? - José do Vale Pinheiro Feitosa

Uma questão que temos de refletir muito no Cariri se deve a aspectos de ensino e pesquisa, especialmente das atividades de extensão das universidades que operam na região. E quando digo isso não falo tão somente dos que aqui no blog escrevem. Mesmo que reflitamos coisas importantes, nossa força política se resume a trazer a reflexão para a luz de vários leitores.

Quando falo em refletir, penso na Associação Comercial, nas Associações de Classe, nos Sindicatos e claro numa matriz organizada que possa conduzir a demanda até às universidades. Vejamos a questão do poder de alavancar desenvolvimento econômico e social que estas universidades têm.
Antes um reconhecimento: a simples existência delas, trazendo alunos, estimulando professores estudarem mais, já tem um fator de estimulo ao desenvolvimento muito grande. A questão é que pode ir além, especialmente através das atividades de extensão e com o grande potencial que possuem para maturar investimento e promover melhorias.

Além do mais pensemos em grandes linhas estratégicas para a região e em seguida um esforço coordenado de tudo que tem vocação para desenvolver estas linhas: Universidades, SEBRAE, SESC, SENAI, Escolas Técnicas, etc. Não precisamos usurpar as hierarquias internadas das instituições, querendo criar apenas um ente burocrático regional para controlá-las. É possível criar um Plano Estratégico e criar uma comissão geral de acompanhamento do plano.

Existem muitas possibilidades, mas as Associações e as Organizações Sociais, Econômica e Políticas precisam criar um “fórum” para levantar as necessidades e criar planos de superação. É preciso dar conhecimento do que se precisa antes de tudo.

Não vale apenas o termo escrito dos resultados do Fórum é preciso criar uma instância permanente em que todos os agentes estejam presentes, durante todo o ano e de modo independente das forças externas à região. Não é preciso que venha nada de fora a não ser aquilo que for consenso regional que venha.

Uma coisa que não temos notícia é sobre a implementação da questão da Região Metropolitana. Se ela não vier com a capacidade de articular a realidade, criar um plano estratégico integrador e acompanhar este plano, ela se torna apenas uma letra morta. Alguém aqui no blog poderia dar notícia sobre o assunto?

POEMA DO LUGAR NENHUM

Foto de Cacá Araújo

a caravana
ruma remando ruminando
rimando sem sal
salvando as pedras paradas
pois elas com elas
sem elas
não são mais que elas
cansadas
ao dispor
paralelas
sem velas

plantas tantas ouvindo
sorrindo bradando grunhindo
cantando chorando calando se indo...

e o nada se instala
e a vala se cava e as almas se deitam
e as folhas se caem se ralam e se espalham
se perdem se queimam se voam...

e a caravana se esgana se dana estremece
não volta nem vai nem fica
padece
a vida entardece
anoitece
fenece

e o mundo imundo sem fundo
se cai
se afunda
se vai

se morre
se nasce
se morre...


Cacá Araújo
Crato-Cariri-Ceará-Brasil 

sábado, 11 de dezembro de 2010

ESPETÁCULO DE DANÇA

Aos Cuidados - Espaços Públicos

Luiz Domingos de Luna*

Desde o período do pleistoceno, na era cenozóica, que o homem rasteja no tapete de seu substrato - o solo terrestre. Esta vertente existencial tem sido o palco dos acontecimentos históricos e base para as intempéries negativistas que sujam as páginas do pulsar vivo nesta bolinha, livre e desprotegida, a vagar num infinito misterioso até o umbral de um pensamento construído ou a construir.
“Os aptos sobrevivem” tiveram os não aptos, a missão de ficar a disposição como coadjuvantes, no teatro da existência, a esperar a sua própria extinção, fatalidade esta, dito pelo homem e comprovada pelo testemunho da história. Portanto, independente da comprovação da teoria, os fatos, por si só – já denunciam esta realidade imutável.
São incontáveis os filósofos debruçados sobre este aro –Solo- a permutar debates sobre a existência ou não, do tempo real, pois, o imbróglio sempre a incomodar a inteligência em projeção, visto a curvatura de um universo móvel – Um organismo vivo a planar em matéria, ou mesmo na ausência desta, como uma força desafiadora a mente humana, seja em tempo ido, ou a ir ?
A grandeza temporal, como um plasma abstrato, tem seu poder de impacto sobre a vida, que no Planeta Terra é luz motriz, logo, ponto de questionamento sempre, vez os seres vivos passarem por escalas bem delimitadas ao seu tempo no carrossel existencial.
Todo ser humano precisa do campo geográfico para desafiar o seu tempo, sua história, seu marco, sua presença, seus passos, seu mural de convívio interativo, com os demais; portanto, cuidar, zelar, dar brilho a este piso, é na verdade, preservar a extensão humana no espaço tempo; assim, fazer isto, não é nenhum mérito, ou vitória ou qualquer adjetivo, mas sim, uma prova a mais, de que os aptos somente são aptos, por terem buscado o caminho da civilidade, na construção da Civilização Humana.
(*) Procurar na web

A Lei da Ficha Limpa persegue João e Janete Capibaribe - José do Vale Pinheiro Feitosa

Uma pessoa furiosa com instrumento cortante por arma mata o agredido. Um cirurgião de posse de um bisturi, racional, com passos controlados, salva a vida. Ambos são o mesmo instrumento cortante com sentidos diametralmente opostos.

Estamos falando de instrumentos e uma lei em que pese o seu fundo cultural, social e econômico, não deixa de ter a mesma natureza. A justiça opera o instrumento usando técnicas tal qual o cirurgião ou a pessoa furiosa em relação ao instrumento cortante.

Esse é o caso da Lei da Ficha Limpa que parece ter “lavado a alma” de certos segmentos da classe média brasileira. Foi colocando um instrumento cortante em mãos da justiça e que será utilizada por furiosos e racionais.

O caso mais emblemático ocorre com o casal João e Janete Capibaribe do Amapá. Ele eleito senador e ela deputada federal. Ambos foram cassados por supostas compras de votos, fato negado por eles e entendido como verdadeiro pelos operadores da Justiça Eleitoral.

A condenação dos dois ocorreu em setembro de 2002 e a Ministra Carmem Lúcia do Tribunal Superior Eleitoral mandou retirar o nome de ambos no instituto da recente diplomação. Estamos diante do preciosismo entre datas: se valerá a data do registro da candidatura ou a data das eleições como regra para completar os oito anos facultados pela Lei da Ficha Limpa.

Como foram condenados em setembro de 2002, em outubro, dia das eleições, estariam fora das regras da Lei, mas não foi assim que a Ministra entendeu. Têm que arcar com novas despesas para se defenderem no STF num processo misto de assassinato e cirurgia, do qual não se consegue registrar os limites.

Por isso a Lei da Ficha Limpa faz parte daquelas instituições apropriadas ao controle popular, visando instrumentalizar as elites no poder. A Justiça efetivamente não protege o grande coletivo social de um país como o Brasil. Ela é cara, os operadores têm face de classe social e as decisões são elásticas numa margem em que a sutileza faz toda a diferença em favor dos mais ricos e mais entrosados na “classe”.

O que é uma cratera na vida real das pessoas, decide-se por uma “exegese” de partículas de uma frase legal. Os longos textos que têm um linguajar técnico absurdo, fazendo a hermenêutica que embasará a decisão da Corte, tem por finalidade tornar a norma um toldo esotérico até para cidadãos letrados e pós-doutorados em assunto diverso.

A Lei da Ficha Limpa é um instrumento para assassinar carreiras políticas em favor da largada e chegada de muitos. Quem viver verá. Os exemplos chamados emblemáticos como de Jáder Barbalho e Joaquim Roriz são o picadeiro para esconder as “palhaçadas” da lâmina de Brutus em César.

Não afirmo que isso seja o caso da Ministra, é possível que seja a cirurgiã em face de detalhes da operação. Mas fica evidente que o jogo de datas para aplicar a lei, mesmo sendo uma lei nova, tem um rumo certo e histórico na perseguição ao casal Capibaribe.

CANTIGA DO SORRISO ETERNO

ETERNIDADE

Um belo canto exala toda flor.
Seu olhar, seu sorriso, é poesia
Que se mostra e se esconde todo dia
Espalhando a semente do amor!

Encanta-nos silente o seu fulgor...
Como deusa nos prende em sua magia,
Alegrando quem antes só sofria,
Transformando em prazer o que era dor!

Quem lhe beija partilha a grande sorte
De viver feito luz na natureza
Mesmo tendo em carne visto a morte.

Desta forma ninguém há de sumir,  
Pois herdando da flor sua pureza     
Fica eterno o presente no porvir!


Cacá Araújo
Crato-Cariri-Ceará-Brasil