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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Edil de Fora - José do Vale Pinheiro Feitosa

Edil - na antiga Roma, funcionário ou magistrado cuja função era observar e garantir o bom estado e funcionamento de edifícios e outras obras e serviços públicos ou de interesse comum, como ruas e o tráfego, abastecimento de gêneros e de água, condições de culto e prática religiosa etc.; nas municipalidades do Império Romano, funcionário administrativo regular, de segundo escalão

Pessoal, vocês têm de entender que o Crato é final de linha; só vai ao Crato quem tem negócios lá”. – Frase dita pelo Prefeito do Crato segundo relato de José Nilton Mariano Saraiva.


Logo que li o texto do Mariano, fui fazer uma caminhada matinal. Enquanto andava uma palavra martelava minha cabeça: Juiz de Fora. Segundo a Wikipédia: “O Juiz de Fora Parte (ou simplesmente Juiz de Fora) era um magistrado nomeado pelo Rei de Portugal para atuar em concelhos onde era necessária a intervenção de um juiz isento e imparcial, que normalmente seria de fora da localidade. Em muitíssimas ocasiões, os juízes de fora assumiam também papel político, sendo indicados para presidir câmaras municipais como uma forma de controle do poder central na vida municipal.

Segundo o Houaiss Edil é um regionalismo nordestino, mesmo que seja um diacronismo obsoleto, é o mesmo que prefeito. E então temos o Edil de Fora. Pode-se chamar de Prefeito de Fora, com a mesma conotação do Juiz. No nosso querido Ceará esta instituição corrompida existe à sorrelfa.
Eleitos pelo povo para exercer o poder político dos municípios, não só das cidades, mas dos seus miseráveis e revoltados distritos, muitos prefeitos não moram por lá. Vivem em Fortaleza ou noutra cidade mais favorável à sua vida particular e familiar. Só dão atenção aos problemas dos seus municípios em alguns dias da semana, muitos chegam no final da terça e somem na quinta antes do sol se pôr.

A rigor é um prefeito terceirizado. Que apenas administra como se o município fosse apenas um negócio. E não é: é um problema coletivo, cheio de contradições e desejos de melhoria. Se fosse para administrar o fluxo de caixa, bastava apenas um contador juramentado. Se fosse para tornar em negócio a saúde, a educação, a segurança patrimonial, as obras essenciais, bastariam técnicos. Cada um cuidando das tecnologias necessárias e de seus custos.

Ora, bolas, o problema é político meu filho. Cada um tem o direito à vida que quer mas não faça o modelo dela um símbolo para as pessoas que amam e vivem nos seus municípios. Elas não estão ali apenas para receber serviços, elas acordam, respiram, se alimentam e dormem num mundo completo: com ruas, carros, escolares, alegrias, festas, esperanças e desejo de construir.

O Edil de Fora é uma aberração e o extremo da “corrupção” do papel político da autoridade mais importante das pessoas: o Prefeito. As pessoas, não respiram no Brasil e no Estado: elas vivem mesmo é nos municípios. As estrelas que brilham ali podem brilhar noutros lugares, mas os olhos que as vêm são daquele território.

Ergue-se uma Esperança de Luz - José do Vale Pinheiro Feitosa

Aos pedaços a cada dia. Guindastes imensos, homens suspensos entre as águas e o chão de cimento da beira da lagoa. Uma traquitana imensa de pequenas peças a serem montadas umas as outras. Parafusos, pinos, arrebites. Fios quilométricos entremeando a estrutura cônica da construção.

Pelos gritos dos que estão em partes distantes da imensa estrutura dando notícias da articulação de partes tão separadas. Já se percebem espirais metálicas sobre a superfície em etapas que se afila para os céus. Os olhos não têm dúvida: ali se edifica aquelas luzes que atrairão milhões de pessoas por força do natal.

A orla da Lagoa Rodrigo de Freitas se tornará num grande berçário de gentes. E gentes e seus automóveis estacionados de qualquer modo, da fieira incontrolável de engarrafamentos sem que os apitos dos guardas de trânsito nada possam. Os guardadores ganharão o seu terceiro mês de pobreza, igualmente as barracas, as pipoqueiras, tanto coco que o coqueiral do nordeste se esvaziará.

A árvore de natal da Lagoa, estamos observando, é uma paulatina construção. Uma montada de partes e eventos distintos a cada passo. Um esforço tão descomunal que logo se imagina quão importante ali se monta um grande símbolo. Um símbolo salvador. Um símbolo, quem sabe, de esperança. Um quê de alegria que contaminará as tristezas da dura realidade.

Uma festa materializada neste esforço descomunal de tantos homens pendurados. De tanta gente no interior de vigas, nas entranhas como uma trama digestiva que parece tornar aqueles seres frágeis num trânsito fisiológico. Um paradoxo entre eles e os mineiro aprisionados das minas assassinas do mundo. Os homens digeridos por alguma coisa que não se sabe bem qual a razão.

Mas é inegável que sobre esta infra-consciência do hoje observado se ergue uma grande festa. Um grande espírito do tempo, dos cursos cotidianos numa grande apoteose de liberdade e opções. Ali se erguerá a alegria com substrato, um riso provocado por algo efetivo.

E toda esta imensa construção, materializada na estrutura da árvore de Natal da Lagoa, se esparramará como um leite de rosas no coração das pessoas no dia solene de sua inauguração. Adoçará a virtude do dia e esquecerá o fel dos idos e dos acontecidos. Como uma excelência a substituir tantas coisas detestáveis no cotidiano.

Um símbolo de amor. De agradecimento. Um símbolo completando as falhas de tantos poentes. Um sinal de luz e amplitude a céu aberto muito além das paredes apertadas dos domicílios hodiernos. Como se tudo que se martela o tempo todo se esquecesse por causa deste símbolo de luzes.

Afinal, a edificação da árvore é o maior neon do comércio. Esta festa de esperança que todos cultuam em cada prateleira. Nos papéis especiais de embrulho. Sob árvores das salas humildes. Da cidra gelada a lembrar champagne. Na rabanada que engorda mais estas vidas adiposas.

As dívidas, como um cordão de rosário, a amarrá-los na trama que não permite rupturas na corrente. E no ano seguinte, repetirão os mesmo passos.

GUERRILHA CARIRIENSE SEGUE ATÉ O DIA 27 DE NOVEMBRO

Cena de "Braseiro", Cia. Yoko de Teatro, direção de Yarley de Lima, que estreou na guerrilha no dia 12.11.2010


CARIRI INSUBMISSO!!! CARIRI GUERRILHEIRO!!!

Nós, caririenses, estamos construindo o alicerce de uma nova era de desenvolvimento das artes cênicas na região, pautada na ampla geração de oportunidades e na ação cooperativada.

A Guerrilha do Ato Dramático Caririense é um poema-movimento de amor à arte e aos artistas locais. Somos 26 companhias de teatro, dança e circo bravamente unidas no propósito de ocupar um legítimo espaço na cena brasileira a partir de nossa própria terra, conquistando o merecido reconhecimento, o necessário respeito e a devida valorização do que produzimos dedicada e devotadamente.

Demonstramos, nesta cruzada, que a ousadia de nos insurgirmos soberanos e altivos derrotando o preconceito, o obscurantismo e a exclusão, é o caminho para se consolidar e manter vivas as companhias aqui atuantes, além de motivar o surgimento de novas gerações de artistas nas mais variadas tendências estéticas e em diversificadas linguagens.

Pregamos a realização de intercâmbio que inclua também a circulação de nossos espetáculos por outras regiões, estados e países, assim como recebemos prazerosamente em nossa região tantas trupes de distantes localidades e distintas nações. 

Cacá Araújo
Coordenador Geral da Guerrilha do Ato Dramático Caririense


PROGRAMAÇÃO PARA O DIA 18.11.2010 (QUINTA)

19h00min - Palco: A COMÉDIA DA MALDIÇÃO (Livre, 60min), Grupo de Teatro Curumins do Sertão, de Farias Brito-CE
20h30min - Arena: CABORÉ (Livre, 50min), Cia. Desabafo de Teatro, de Juazeiro do Norte-CE


PROGRAMAÇÃO PARA O DIA 19.11.2010 (SEXTA)

19h00min - Palco: AS IRMÃS CASTANHOLAS (12 anos, 60min), Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, de Juazeiro do Norte-CE
20h30min - Arena: AVENTAL TODO SUJO DE OVO (12 anos, 70min), Grupo Ninho de Teatro, de Juazeiro do Norte-CE

LOCAL: 
Teatro Rachel de Queiroz
Rua Dom Quintino, 913, Crato-CE-Brasil
Tel.: (88) 8801.0897 / (88) 3523.2168

REALIZAÇÃO:
Sociedade Cariri das Artes
Sociedade de Cultura Artística do Crato
Cia. Cearense de Teatro Brincante
Companhias de Artes Cênicas da Região do Cariri
PATROCÍNIO:
Prefeitura Municipal do Crato
Secretaria de Cultura do Crato
Centro Cultural Banco do Nordeste

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

COMPOSITORES DO BRASIL


O SAMBA CANÇÃO
Parte II

Por Zé Nilton

- Siga a partitura, Zezinho, isto não está ai ! Este foi o meu primeiro carão recebido de um Pe. Ágio furibundo porque ousei inverter uma tonalidade que o meu ouvido pedia no samba canção “Ave Maria no Morro”. Talvez seja por isso que ainda hoje torço o nariz para inversões às vezes descabidas nas estruturas rítmicas e de tonalidades que se fazem em certas músicas. Só fico vidrado nas repetições joãogilbertianas porque ele repete inovando em acorde, em timbre de voz, na batida e vai por aí.

Pode vê, ou melhor, ouvir os 9 minutos e seis segundos de “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, interpretado ao vivo no 19 th Montreux Jazz Festival, no dia 18 de julho de 1985. João se superou em tudo, viveu todas as suas excentricidades neste show.

Bom, mas o assunto aqui é o Samba Canção, e nesta segunda parte vamos seguir um roteiro idealizado pelo mestre Tárik de Sousa.

Nesta quinta feira, às 14 horas na Rádio Educadora do Cariri, no programa Compositores do Brasil, conversaremos, nesta última parte, sobre o ritmo e seus defensores, suas mudanças e permanência, enquanto ouviremos:

A NOITE DO MEU BEM, de Dolores Duran com Dalva de Oliveira
A VOLTA DO BOÊMIO, de Adelino Moreira com Nelson Gonçalves
BOM DIA TRISTEZA, de Adoniran Barbosa e 12. VINGANÇA, de Lupicínio Rodrigues com Linda Batista Vinicius de Moraes com Aracy de Almeida
MATRIZ OU FILIAL, de Luiz Cardim com Angela Maria e Cauby Peixoto
ME DEIXE EM PAZ, de Monsueto Menezes com Milton Nascimento e Alaíde Costa
OUÇA, de Maysa Matarazo com Maysa
AVE MARIA NO MORRO, de Herivelton Martins com Dalva de Oliveira e o Trio de Ouro
SE ALGUÉM TELEFONAR, de Alcyr Pires Vermelho e Jair Amorim com Lana Bittencourt
CHUVAS DE VERÃO, de Fernado Lobo com Caetano Veloso
RONDA, de Paulo Vanzoline com Maria Bethania
CONCEIÇÃO, de Dunga e Jair Amorim com Cauby Peixoto
VINGANÇA, de Lupicínio Rodrigues com Linda Batista

Quem ouvir verá.

Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri(www.radioeducadoradocariri.com)
Acesse: www.blogdocrato.com
Quintas-feiras. De 14 às 15 h.
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Direção Geral: Dr. Geraldo Correia Braga

Nonato Luiz - Emerson Monteiro

Neste próximo dia 20 de novembro, sábado, às 20h, no Teatro Salviano Arraes, em Crato, dar-se-ão show e lançamento do cd Estudos, Peças e Arranjos, do artista cearense Nonato Luiz. Consagrado no mundo inteiro, Nonato Luiz retorna ao Cariri para reencontrar seu público em noitada musical de alto nível, como avaliaram noutros lugares os melhores críticos.
Um dos onze filhos de Pedro Luiz, agricultor, violeiro e repentista, Raimundo Nonato de Oliveira nasceu em 1953, no vilarejo de Aroeiras, município de Lavras da Mangabeira, sul do Ceará. Ainda na infância, ganharia um cavaquinho e descobriria a música através do rádio e das apresentações dos tocadores do sertão, músicos que marcariam sua vida, sanfoneiros que animavam as festas do lugar onde vivia. Aos 11 anos mudou-se com a fimília para Fortaleza. Dois anos depois, começaria estudos de violino junto ao Conservatório Alberto Nepomuceno, da Universidade Federal do Ceará, quando se desenvolveu na técnica, sendo, então, convidado pelo maestro Orlando Leite para a Orquestra Sinfônica Henrique Jorge, na qual permaneceria por dois anos. Observou, nesta fase, sua indentificação instrumental com o violão. Aprofundou conhecimentos musicais por meio dos autores clássicos, dentre eles, com destaque, Mozart e Beethoven, distinguindo sua intuição voltada também para as origens populares da nossa música, escutando Valdir Azevedo, Jacob do Bandolim, Pixinguinha, Luiz Gonzaga e outros intérpretes.
- Numa fase mais madura, interessei-me pelo trabalho de Baden Powell, no campo do violão popular, e Andrés Segóvia, na área erudita.
Também foi importante meu convívio com o violonista clássico Darcy Villaverde, amigo e parceiro carioca, com quem percorri grande parte do Brasil, em inesquecível turnê – afirma Nonato Luiz.
No ano de 1977, iniciou o Curso de Licenciatura em Música, também na Universidade Federal cearense, que interrompeu dois anos depois, ao se transferir para o Rio de Janeiro e iniciar carreira profissional como violonista. Das aulas, no entanto, obteve muitas informações sobre teoria musical, harmonia, arranjos e sobre outros instrumentos. Como autodidata, estudou intensamente a obra dos compositores brasileiros.
- Assim os adaptei para o violão e executei, como o faço até hoje, as maravilhosas composições desses mestres. Ao mesmo tempo, recebi deles a influência que dá alicerce às minhas composições – assegura o artista.
Nonato Luiz é ocupante da cadeira n.º 18 da Academia Lavrense de Letras, possui mais de 500 composições musicais e de 30 discos gravados e viaja noutros países a propagar o tesouro musical brasileiro, a demonstrar a qualidade do talento por todos respeitado.
Este trabalho que lançará no Cariri neste dia 20 de novembro, Estudos, Peças e Arranjos, contém seis estudos, dois arranjos, além de outras peças autorais de variados estilos, frevo, choro, valsas, sendo quase todas inéditas e algumas composições recentes.

As evidências da verdade - José do Vale Pinheiro Feitosa

Nos nossos ambientes de debates, versões, argumentações, há um objetivo implícito inarredável. Todos objetivam convencer. Querem formular a assertiva final. Para atingir tais objetivos temos palavras mágicas que pretendem finalizar a contenda: desde o clássico “tenho dito” até o banal “fui”. Isso sem contar os famosos como: “isso é fato e contra fatos não existem argumentos”. Tudo afinal uma técnica para “ganhar” a argumentação.

Um clássico da técnica tem sido: uma imagem vale mais do que mil palavras. O normal é utilizarem a “foto” como a expressão da verdade, como um fato contra os qual não se pode argumentar. A outra função embutida é o poder de síntese da imagem, mas aí é o que parece restará de uma imagem nestes tempos digitais.

A foto como expressão final da verdade já não diz nada pelo menos à “primeira vista”. Pode causar uma grande impressão, mas não ser tomada como a palavra final da expressão “uma imagem vale mai....” A possibilidade de se manipular a imagem com perfeição ao olhar humano é imensa. A imagem já não pode mais ser questionada a olho nu embora este grandíssimo poder de conhecimento que é o olhar ainda mantenha muito de sua potência. Mas acontece que a manipulação pode apresentar uma imagem perfeita do Papa em ato pedófilo conforme se incendiou a imaginação popular com os párocos católicos. Só a análise eletrônica conseguiria identificar a manipulação.

Eis que a fotografia como documentação se relativizará. Talvez vá mais para a luz das artes, expressando as relações do artista com o mundo. Suas sínteses e mensagens. Suas impressões na alma do outro. Quem sabe tomará o verniz das coisas sujeitas à interpretação. Presas ao fugaz dos sentimentos e ao diferencial dos milhões de gostos em estereoscopia do olhar.

Quanto a quem ganhar a discussão? Quem disse que se discute para ganhar? Quem desconhece as falhas próprias que preenchemos com o conhecimento dos outros.

TODOS DEVEM TER FORÇA PARA AGIR

Pedro Esmeraldo

Muitos não me compreendem. Pensam que quero falar como pessoa maldosa e revoltada, querendo esmorecer o meu semelhante. Nada disso acontece comigo. Tudo que faço é em benefício da cidade e ao mesmo tempo desejo acordar o cratense, alertando-o para não cair no sono e não se descuidar dos sérios problemas que se sucedem frequentemente nesta cidade.

Finalmente, os políticos dormem juntamente com o povo e não procuram solucionar os problemas.

Na crônica anterior, intitulada “uma cidade esquecida”, recebi uma saraivada de protestos em meio de tempestade de palavras ”de baixo relevo” com vocabulário que passo a incriminar como sendo pessoa de pouca altura e que não sabe utilizar as palavras mais dóceis e amigáveis.

Recrimino com o som articulado e de gestos amáveis o rebuliço provocado por pessoa do sexo feminino ou masculino e que tem o nome de Janaína. Veio me insultar com esse vocabulário baixo e indigno, acometido por mulher de péssimo comportamento moral. Considero-a pessoa de caráter fora do normal no meio da sociedade.

Aconselho a essa senhora ou senhorita que da próxima vez venha com melhores modos e pratique melhor o uso da palavra. Aviso para ela, “a Janaína”, que não gosto de maltratar ninguém.

Quando defendo a minha terra, é porque fico com ansiedade e espero que o povo reaja às ocorrências funestas que ora acontecem nesta praça. O meu maior desejo é livrar o Crato desse esfacelamento provocado por essa massa que invade a cidade constantemente.

De há muito tempo, desde quando o Dr. Figueiredo Filho era vivo, me empurrava para o lado do jornalismo, dizendo que queria ver a juventude defender a cidade. Daí então, comecei a escrever com um português frágil e sem ânimo, mas fui à frente com muita garra.

Certo tempo depois, por causa de uma desavença política, deixei de lado a escrita. Com o ocorrer do tempo, observando o esfacelamento do Crato, resolvi voltar a lidar com a escrita.

Infelizmente, não sou compreendido e não possuo valor algum em minha terra, já que permaneço no ativismo e desligado da vida cotidiana.

Isto para mim é um gesto amargo investido por pessoas maldosas, inimigas do Crato.

Peço a Janaína ou Janaino, que seja mulher ou homem guerreiro, não venha ofender a ninguém, saiba respeitar o seu semelhante e na próxima vez diga o nome completo.

Lembrando as incongruências do passado, praticados por pessoas pertencentes à época trogloditiana, o Crato estaria tão à frente que ninguém seria capaz de alcançar. Olhem bem senhores; o Crato perdeu a Faculdade Leão Sampaio, o Campus Universitário da UFC e por último a Faculdade de Odontologia, tudo culpa da força negativa da nação troglodita.
E o pior é que esse homem pré-histórico foi empurrado pelo próprio povo e que hoje paga as inconseqüências provocativas provindas do atraso de políticos inconvenientes pertencentes à era passada.

Agora, com muita dificuldade, os políticos têm que readquirir um pouquinho do novo patrimônio, quer econômico, quer moral, empuxado pela força de vontade de todos os cratenses “se houver”, o Crato crescerá com força de vontade, a fim de poder elevar-se com o desejo de igualar-se a outros municípios gigantes, seguindo a trilha do caminho real, digno de cidade civilizada, atestando o populismo do desenvolvimento.

Para conseguir isso, é necessário que busque mais indústrias, façam impulsionar com modernidade o comércio, procurem ter uma educação digna e avançada e por fim cuidar bem da saúde de todo pessoal que é morador da cidade.

Crato, 12 .11.2010

A GUERRILHA É SUCESSO DE PÚBLICO !!!



GUERRILHA DIVULGA PROGRAMAÇÃO DESTA QUARTA, DIA 17
NO TEATRO RACHEL DE QUEIROZ, EM CRATO-CE


19h00min
- Palco: HISTÓRIAS DO TEMPO DA MAMÃE (Comédia / Livre, 60min), Grupo de Teatro Curumins do Sertão, de Farias Brito-CE

20h30min
- Arena: RETRATO (Livre, 50min), Cia. Yoko de Teatro, de Crato-CE


2ª GUERRILHA DO ATO DRAMÁTICO CARIRIENSE
ESPAÇO DE INCLUSÃO CULTURAL



A Guerrilha do Ato Dramático Caririense é um poema-ação de amor à arte e aos artistas da região. 26 companhias de teatro, dança e circo bravamente unidas no propósito de ocupar seu legítimo espaço na cena brasileira a partir de sua própria terra, conquistando o merecido reconhecimento, o necessário respeito e a devida valorização de suas obras.

Em 2011, a Guerrilha tomará o ano inteiro, com focos de debate, ações formativas, circulação de espetáculos por várias cidades... até novembro chegar novamente!!!

Cacá Araújo
Coordenador Geral


Realização:

Sociedade Cariri das Artes
Sociedade de Cultura Artística do Crato
Cia. Cearense de Teatro Brincante
Companhias de Teatro, Dança e Circo do Cariri

Patrocínio:

Prefeitura Municipal do Crato
Secretaria de Cultura do Crato
Centro Cultural Banco do Nordeste

terça-feira, 16 de novembro de 2010

CARIRIANAS


SOBRE NÓS

Por Zé Nilton(*)

Recentemente peguei uma mania de ficar pensando pelas madrugadas adentro. Altas horas e eu ali matutando coisas. Antes me pegasse transido do alumbramento bandeiriano quando disse “pensando na vida e nas mulheres que amei”. Não é. Até porque, contrariando Martinho da Vila, pouco as tive. Conto nos dedos. E aqui pra nós eu não sei elas mas eu ainda hoje mantenho uma incomensurável paixão por cada uma. Ih, dirá você que “já passou, já passou”, ele continua com seus superlativos. E eu lhe direi: continuo.

Mas voltando, há momentos melhores pra gente pensar que quando nos entregamos às insônias das horas mortas? Só sabe quem se encontra no limiar da quadra perigosa dos sessenta. Estou nessa.

E assim pensando pensei noutro dia, na ante véspera do amanhecer, sobre a questão da identidade. Sobre os elementos formadores da identidade de um povo. Aí me veio à lembrança a famosa definição do termo Cariri, lida em todos os compêndios de história como sendo um qualificativo tupi, que significa – calado, silencioso –, em contraposição a outros índios tidos como palradores incoercíveis.

Para começo de conversa, após o Tupi o Cariri detém grande importância para a construção da identidade do povo brasileiro, notadamente do Nordeste. Povo numeroso ocupava grande extensão do Nordeste Central, abrangendo uma área cultural desde o norte da Bahia até o sul do Piauí, concentrando-se pelos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

Só para você ter uma idéia, quando no Século XVIII inicia-se o paulatino processo de ocupação das terras do sul da província do Ceará, inaugura-se igualmente o processo de genocídio e etnocídio das populações indígenas por empresas portuguesas, paulistas e mesmo nordestinas, por um lado, e por outro por contingentes familiares à procura de terras para a criação de gado, de pedras preciosas e do enriquecimento fundiário. E no meio disto tudo as missões catequéticas fazendo um jogo dúbio entre religião e poder.

Mesmo antes da presença de entradas e bandeiras, de forças militares, de curraleiros e de aventureiros, é bom que se diga, os primitivos habitantes das terras do Nordeste já vinham sofrendo um lento processo de dizimação, mercê de guerras intertribais pelo domínio de melhores áreas para a sobrevivência. É sabido que os Índios Tapuias, como eram denominados todos os índios não tupis, tanto por estes como pelos agentes das entradas e bandeiras, habitavam primitivamente o litoral e sofreram um paulatino processo de expulsão por grupos tupi-guarani para o interior. No interior das províncias tiveram que lutar com outras tribos por locais mais amenos e urbertosos, como beira de rios, planaltos, baixios. O nomadismo indígena levou a extinção quando não aculturação e mistura com outras guildas como sobrevivência étnica.

Um momento de grande turbulência ocorreu na maior tragédia entre os índios do Nordeste de um lado, e de outro, de colonos, de posseiros, de vaqueiros, de militares e missionários na chamada “Guerra dos Bárbaros”, ou Confederação dos Cariris. A maior rebelião dos silvícolas em terras nordestinas se arrastou por quase cinquenta anos, entre 1683 a 1713, com períodos de tréguas, de menor ou maior combate. Os agentes sociais de cabo da superioridade pela força das armas de fogo, das estratégias de combate e do apoio vezes velados vezes por interpretações das dúbias leis do estado português, enfim cumpriram seu ideal, o enfraquecimento da moral indígena e sua rendição às entradas e posses de suas terras.

Este famoso levante por parte das populações indígenas, desde o Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará como um todo resultou numa tomada de atitude do conjunto das tribos frente ao moto-contínuo de violência, covardia, subjugação e escravidão de famílias indígenas praticados por hostes de ádvenas de todas as partes. Crônicas missionárias falam de homens brutais e sanguinários, desconhecedores de leis e de limites da condição humana, despreparados para o exercício da alteridade cujo único interesse a mover sua inteligência e bravura para adentrar os longínquos, desconhecidos e temerosos sertões resumia-se tão-somente na busca do enriquecimento.

Tribos da nação Cariri destas bandas dos Cariris-Novos participaram do levante contra os bárbaros a partir de 1713 como os Icó, os Cariri, os Jenipapo, os Jucá, os Cariú entre outras, na segunda fase da Guerra, declarada pelos índios mansos e aldeados.

A visão idílica e romanceada com a qual alguns historiadores e escritores descrevem a vida das populações indígenas não condiz com a realidade de sua permanência no solo brasileiro, principalmente no nordestino. Desde que o homem branco guiado pelos tupis domesticados e escravizados (os bárbaros) pisou em solo nordestino, plantaram uma rotina de beligerância e desassossego no seio dos povos indígenas.

Usaram e abusaram de seus adjutórios em conflitos estranhos a seus interesses, recrutando-os sob pena de severos castigos para servirem em frentes de batalhas em decorrência das invasões holandesas na Bahia e em Pernambuco, da francesa no Maranhão, da guerra dos Palmares em Alagoas, do projeto expansionista da Casa da Torre, na Bahia, das lutas de potentados familiares como a dos Monte e Feitosa (nos Inhamuns e Cariri) e, por último, em movimentos pela independência como a Revolução de 1817 e na Guerra do Pinto ,em 1832. Saibam que o governo cearense convocou os últimos remanescentes indígenas para perfilarem-se juntos às forças restauradoras em favor da coroa portuguesa.

E saibam também quer quando ainda se chamava a nossa região de cariris-novos tribos que ocupavam seu espaço eram por demais fragmentadas em função dos embates tribo a tribo e dos constantes avanços de colonos e posseiros em guerras de conquista nesses tristes vales.

E digo mais, para extirpar de vez os últimos dos moicanos em terras caririenses, já que o grosso dos indesejáveis havia sido levados a pé para o litoral, em 1790, em 1860 guarnições bélicas dos estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará insurgiram-se contra remanescente dos Cariri, reduzidos entre Jardim e Milagres. Foi um massacre. O escocês Gardner noticia essas pobres figuras ainda tentando sobreviver, em 1834.

É isto. Nas minhas faltas de sono estou pensando em nós. Continuamos calados, silenciosos, arredios, amedrontados... Os bárbaros estão à vista, palradores e cheios de Crato.

Está tudo certo. Não há nada a dizer.

(*)*Antropólogo. Professor do Departamento de Ciências Sociais da URCA
E-mail: figueiredo.jnilton@gmail.com

O Mundo diz não aos dólares "fake" dos EUA - Eric Margois no Huffingyon Post

Este artigo de Margolis é o que melhor resume os resultados da Reunião do G20. Resultados que se traduziram por um tremendo não às políticas americanas de emitir 600 bilhões de dólares para tentar sair da crise. Isso já ocorrera com aquilo que o articulista chama de uma "bofetada que se ouviu em todo o planeta". Isso por que "a agência estatal chinesa de avaliação de créditos reduzindo a avaliação do crédito dos EUA e o questionando como economia líder do mundo". Na prática "a China denunciou “a deterioração da capacidade de pagamento” de Washington e previu que a emissão de bilhões em papel-moeda resultará “fundamentalmente em redução da solvência nacional”.

O articulista traduz bem o que significa a ação americana: "exportam inflação para o mundo inteiro, para reduzir sua gigantesca dívida, pagando os credores com dólares desvalorizados." A União Europeia, o Japão, China, Brasil e Rússia uniram-se na oposição à segunda “flexibilização quantitativa” de Washington, vendo nela uma ameaça à estabilidade financeira e ao comércio global. Também muito significativamente, reagiram contra a tentativa, pelos EUA, de culpar a moeda chinesa desvalorizada, pela instabilidade atual. Washington acusou a China de manipular sua moeda para mantê-la subvalorizada. Alemanha e Brasil, para grande embaraço dos EUA, acusaram os EUA de também manipular a própria moeda. O dólar depreciado faz crescer as exportações norte-americanas e prejudica as nações que exportam para os EUA. Os economistas chamam isso de “matar de fome o vizinho” – prática comercial destrutiva e predatória que teve papel importante na depressão mundial dos anos 1930.

"A onda de dinheiro fake de Washington está provocando erosão no valor do dólar, principal moeda de troca mundial. Nos dois últimos meses, o dólar norte-americano caiu mais de 6% em relação às principais moedas. Investidores assustados estão correndo para o ouro, que já valorizou 17% em 60 dias.

O governo Obama, que acaba de levar “uma surra braba” [dos eleitores nas eleições de meio de mandato, e precisa desesperadamente reduzir o desemprego, aposta que mais terapia de choque trará a economia de volta à vida. Mas a dívida interna, gigantesca, já levou ao colapso financeiro de 2008, nos EUA.

A dívida interna dos EUA atinge a cifra estratosférica de 14 trilhões de dólares. Ninguém trata vítima de envenenamento com mais veneno. É quimera imaginar que conquistaremos a prosperidade gastando dinheiro emprestado. Antes de 2007, os EUA viveram à larga, crendo em créditos inexistentes. Esse tempo acabou, mas ninguém se atreveu, até agora, a contar aos eleitores.

Além de desestabilizar o câmbio e o comércio, o maremoto de moeda norte-americana jorra sobre os mercados emergentes, onde os investidores norte-americanos vão em busca de melhores taxas de juro que os miseráveis 0,03% que encontram em casa.

De fato, é bem possível que os fóruns econômicos da semana passa na Coreia do Sul e no Japão tenham sido o começo do fim da era do dólar norte-americano, que comandou as finanças e o comércio planetário desde 1945. A fonte primária do poder dos EUA é a economia e a força financeira. O dinheiro tem mais poder que aviões bombardeiros e divisões aerotransportadas.

O dólar continua rei, mas a era de sua supremacia internacional parece estar terminando. À medida que o dólar enfraquece, enfraquece o poder dos EUA no mundo. A culpa por tudo isso é, integralmente, dos políticos norte-americanos e dos oligarcas de Wall Street.

Semana passada, Washington foi varrida por rara onda de bom-senso. Painel presidencial bipartidário sobre redução da dívida pública propôs corte de $4 trilhões nos gastos federais.

No alvo dos cortes propostos, todas as vacas sagradas políticas. O corte proposto na carne da mais sagrada delas – o orçamento militar – é da ordem de $700 bilhões. Um terço das bases militares dos EUA pelo mundo terão de ser fechadas. E terá de haver cortes na seguridade social e nos subsídios para hipotecas; aumento na idade mínima para aposentadorias; e congelamento total de vários dos projetos locais dos quais muitos políticos fazem meio de vida. Além de previsível aumento de impostos.

O ranger de dentes já começou. Infelizmente, cortes de gastos drásticos e impopulares são altamente improváveis, sobretudo num Congresso no qual Republicanos e Democratas estarão em eterno empate. Os EUA precisariam de um ditador econômico, para conseguir implementar todo o Plano de salvação proposto pelo Painel.

A China já tem o seu ditador econômico – por ironia, é o Partido Comunista. Os EUA, mortalmente viciados em guerras e dívidas, só têm paralisia política e fiscal."

Em outras palavra, acrescento a Margolis, o ditador econômico é o mesmo ditador político, não existe separação entre os dois. Não é repetição da história, mas um padrão a lembrar as ditaduras do anos 30.

Transportes públicos - Emerson Monteiro

Urgentes providências exigem os serviços públicos no Brasil, a exemplo dos transportes urbanos, que favorecem sobretudo os proprietários de automóveis, proprietários dos veículos e também das ruas todo tempo. Enquanto disparam suas bólides luxuosas e faiscantes para os lugares aconchegantes das residências e dos escritórios de lucrativas empresas, a pessoa tradicional, egressa das camadas já excluídas da grande massa humana, mofa pelas calçadas à espera dos ônibus trepidantes e morosos, na aventura pelo pão de cada dia.
Sempre falam nisso os parlamentares, no entanto as leis pouco representam dessa preocupação em termos práticos que demonstrem retorno correspondente do quanto custam os nossos legisladores dos três níveis. Notaram o drama do zé povinho dependurado, nos momentos de pico, nas portas empanturradas de gente até o gogó, sem ergueram a voz nas tribunas que traduza medidas correspondentes.
Desde que me entendo de gente vem sendo assim. O transporte público brasileiro deve séculos de respostas aos simples usuários das periferias na sua luta insana pelo sustento e pela sobrevivência, no ir e vir das cidades.
Nesse mundo a fora existem pesquisas de meios alternativos de combustíveis dos transportes, desde álcool de beterraba a energia elétrica, mesmo assim a gasolina ainda reinará por umas duas décadas. Barateando o custo de consumo por certo aparecerão chances de lembrar o operário, a faxineira, o estudante pobre, o pequeno empreendedor, no esforço de vencer distâncias.
O carro elétrico, no Japão, país limitado nas suas reservas petrolíferas, isenta de impostos os consumidores, facilitando uso e aquisição, numa possibilidade menos agressiva aos recursos naturais. A pesquisa da energia solar, outro meio alternativo, cresce todo momento, sem qualquer prejuízo ao meio ambiente, energia renovável e limpa.
Quando adotadas outras fontes energéticas, o petróleo achar-se-á liberado para novas aplicações durante a civilização tecnológica destes tempos petroquímicos.
A expectativa por isso de usar com mais racionalidade os instrumentos oferecidos pela natureza bem que pode somar elementos ao espírito dos governantes, no sentido de olhar a grande população em seu amplo aspecto. Será o que exige a democracia das ruas, livre de ver os índices populacionais qual peças de manobra e lucro das multinacionais, ausente de critérios justos no trato organização política.

O Paradigma da Atual Crise do Capitalismo - resumo de um artigo de Jorge Beinstein

Artigo Original - O naufrágio do Centro do Mundo

A crise pela qual passa o sistema capitalista mundial é um imenso desastre, provocando rupturas radicais, gerando processo amplo de decadência social. Vem da década de 70, deteriorando a cultura produtiva e a precarização laboral que diminui a pressão salarial sobre a rentabilidade capitalista e a competitividade internacional. Degradou a coesão laboral e o interesse dos assalariados pelas estruturas de produção. Ineficácia dos processos de inovação, déficit crônico do comércio exterior (nos EUA foi $815 bilhões em 2007).

Expandem-se os negócios financeiros e a concentração de renda. A expansão absorve capitais industriais e de atividades produtivas. Faltam recursos para as empresas se desenvolverem e competir, e o Estado para financiar gastos militares e civis. A concentração de renda nos EUA é o desastre: em 2007 os 1% mais rico da população absorveu 20% da Renda Nacional (em 1980 ERA 7%). Os 10 % absorvem quase 50% da renda nacional hoje.

A concentração além de não gerar poupança e investimento industrial, gerou consumo e negócios improdutivos. Consumo de tecnologias da informação e da comunicação num universo virtual acima do mundo mágico, onde fantasia e realidade se misturam. Resultou em desintegração social, aumento da criminalidade, criminalização de pobres, marginais e minorias étnicas. A população aprisionada é a maior do mundo nos EUA: 7,2 milhões de norte-americanos sob custódia judicial. Com menos de 5% da população mundial, têm 25% de todos os presos do planeta.

O centro dinâmico da economia dos EUA é o Complexo Industrial Militar convergindo o Estado, a indústria e a ciência. Em 2008 este Complexo gerou um gasto de 1,1 trilhões de dólares. Nesse ano, aproximadamente 30 milhões de pessoas (número equivalente a 20% da População Economicamente Ativa) viviam dele. Embora responsável pela expansão do consumo de massa, a partir daí ele se transformou em fator decisivo do déficit fiscal, causando inflação e desvalorização internacional do dólar.

A outra questão é que a sofisticação tecnológica se encapsulou nas armas e não em aplicações civis, reduzindo a competitividade industrial. A separação entre a ciência militar (devoradora de fundos e de talentos) e a indústria civil lembra o período terminal da ex-União Soviética. O Complexo está na raiz da decadência do Estado com perda da sua capacidade integradora (declínio da segurança social, predominância da cultura elitista em seus centros de decisão, etc.), da degradação da infra-estrutura, déficit fiscal crônico e aumento da dívida pública.

A dependência energética é um paradigma das agruras do futuro. Os EUA importam 65% do petróleo que consomem, num cenário mundial de redução da produção de petróleo por esgotamento das reservas. A substituição por biocombustíveis reduz a disponibilidade de terras agrícolas para alimentos, com aumento geral dos preços e efeito inflacionário. O EUA além de não aproveitaram a vantagem energética do século XX não aplicaram qualquer racionalidade para encontrar alternativas. Em parte por pressão das petroleiras cada vez mais detentoras do “espírito selvagem” do capitalismo e ávidas por lucros. Resultado: mergulharam na cultura de curto prazo da hegemonia financeira, subordinando-se completamente aos interesses imediatos dos grupos econômicos dominantes.

O modelo, revestido por um manto ideológico de liberalismo, subordinou o sistema tecnológico ocidental-moderno à cultura individualista (por exemplo, o automóvel), como estilo de vida dominante. Tal cultura vive da exploração intensiva de recursos naturais não renováveis ou na destruição dos ciclos de reprodução dos recursos renováveis. Desse modo o capitalismo industrial se tornou “independente” dos ritmos naturais, submetendo brutalmente a natureza. O que era progresso nos séculos XIX e XX, como a grande proeza da civilização burguesa, era uma de suas irracionalidades fundamentais.

O sistema produtivo perdeu dinamismo e recebeu transfusões de artificialidades: expansão do consumo privado (das classes altas), gastos militares e atividades parasitárias lideradas pelo sistema financeiro, provocando crescentes desequilíbrios fiscais, acumulação incessante de dívidas públicas e privadas. A dívida pública americana atingiu em 2008 a quantia de $ 9,5 trilhões e a dívida total dos norte-americanos (pública mais privada) estava em $ 53 trilhões o equivalente ao Produto Bruto mundial. As bolhas são a imagem de um caldeirão fervendo: consumindo muito além das suas possibilidades produtivas.

Os EUA passaram a observar na sua paisagem o levantar de vôos de uma série de tendências perversas: déficits comercial, fiscal e energético, os gastos militares, o número de presos e as dívidas públicas e privadas. Enquanto os corpos nocivos subiam, os objetos benéficos começaram a cair: redução da taxa de poupança pessoal e a queda do valor internacional do dólar, com declínio da supremacia imperial. Totalidade social decadente com convergência de fatos culturais, tecnológicos, sociais, políticos, militares, etc. Ó conjunto leva a uma visão da degradação do capitalismo estatista-keynesiano. Tem-se uma louca corrida militar contra um inimigo (terrorista) global imaginário, bolha imobiliária e das dívidas que estavam ocultas pelos números de aumento do Produto Interno Bruto e a sensação (midiática) de prosperidade.

Os EUA são o paradigma da crise mundial por ser o centro do mundo (do capitalismo global) e seu declínio é a redução do espaço essencial da interpenetração produtiva, comercial e financeira em escala planetária. Estamos numa trama muito densa da qual nenhuma economia capitalista desenvolvida ou subdesenvolvida ousa escapar (a não ser rompendo o funcionamento do capitalismo composto por classes dominantes locais altamente globais). A expansão econômica na Europa, China e outros países subdesenvolvidos e o efêmero japonês, foi apenas a prosperidade da expansão consumista-financeira norte-americana.

Os EUA tem 25% do PB Mundial é o primeiro importador global e principal cliente da China, Índia, Japão e Inglaterra, e o da Alemanha, fora da Europa. A rede dos negócios com produtos financeiros derivados (mais de 600 trilhões de dólares ou 12 vezes o Produto Bruto Mundial) articula-se a partir da estrutura financeira norte-americana. As bolhas que nascem nos EUA se espalham no mundo como, as ondas de uma pedra sobre as águas de um lago. A movimentação econômica do mundo articula-se a partir do mercado americano.

Os Estados Unidos consomem em excesso, pagando com seus dólares desvalorizados e impondo seu entesouramento (na forma de reservas) e títulos públicos, que financiaram seus déficits fiscais. Foi também, graças a esse parasitismo que europeus, chineses, japoneses, etc., puseram no mercado imperial as suas exportações de mercadorias e de excedentes de capitais. O parasitismo financeiro é norte-americano e universal e reproduz capitalismos centrais e periféricos que precisam ultrapassar seus mercados locais, para fazer crescer seus benefícios. A Europa Ocidental, o Japão e a China, exportam graças aos seus baixos salários (comprimindo seu mercado interno).

Em outras palavras é a própria “globalização” que está afundando: não a nave principal da frota (se assim fosse, numerosas embarcações poderiam salvar-se). Neste sentido as saídas apontadas não passam de ilusões conservadoras: descolamento de várias economias industriais e subdesenvolvidas da recessão imperial e renascimento do intervencionismo keynesiano. Nos países centrais houve um fenômeno duplo: degradação geral dos Estados submetidos aos grupos financeiros, perdendo legitimidade social e sendo progressivamente ultrapassados pelo sistema econômico mundial. O estado intervencionista (de raiz keynesiana) nos países centrais nunca desapareceu, apenas modificou as estratégias: reforçando a concentração de renda e os desenvolvimentos parasitários. Deixou de ser, ontem, integrador social, produtivista-industrial para ser, hoje, elitista, neoliberal e virtualista-financeiro. No mundo subdesenvolvido regrediu até ser triturado, e o retorno ao Estado interventor-desenvolvimentista é impossível: as burguesias dominantes locais, estão transnacionalizadas ou sob a tutela direta de empresas transnacionais.

A crise, neste sentido, seria da degeneração estrutural do Estado, sua insuficiência e sua impotência perante um mundo capitalista grande e complexo demais. Estaríamos numa decadência global (econômica-institucional-política-militar-tecnológica). Como os EUA não constituem um mundo à parte como a URSS, mas o centro da cultura universal, a implosão americana faria um estrago sem precedentes na história humana. Neste sentido esta seria uma crise superior à 1914 e afeta a todos, indistintamente. Todo o edifício de idéias, de certezas de diversos matizes, construído ao longo de mais de dois séculos de capitalismo industrial, está começando a apresentar rachaduras.

HOJE NA GUERRILHA (TERÇA-FEIRA, 16/11/2010)

TEATRO RACHEL DE QUEIROZ
Tel.: (88) 8801.0897 / (88) 3523.2168
Crato - Ceará - Brasil


19h00min - Palco: DONA PATINHA VAI SER MISS (Comédia Infantil, 50min), Cia. Teatral Anjos da Alegria


20h30min - Arena: BURRA, NÃO É NADA DISSO QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO (Dança / Livre, 60min), Allysson Amâncio Cia. de Dança

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ruptura dos canais de socorro ao Sofrimento - José do Vale Pinheiro Feitosa

Nem sempre é o esquecimento aquele que faz renascer as atrocidades da história. Por vezes são as paixões irracionais de certos períodos que as põe em prática novamente. Na última eleição o que mais chamou a atenção foi o “renascimento” dos setores envolvidos com a repressão política na época da ditadura militar. Ex-quadros ligados à tortura, militares reformados encastelados no Clube Militar, com mandato legislativo e em blogs e site, usaram a estrutura da campanha do PSDB para se ativarem no meio.

O Jornal A Folha de São Paulo foi ativa nesta prática, desde o momento que tornou manchete uma ficha falsa da candidata Dilma Roussef, elaborada por um site ligado aos quadros da repressão. Aqueles e-mails que inundaram as caixas de correio falando do jovem militar metralhado, de que a candidata não poderia ir aos EUA impedida como seqüestradora do embaixador americano nos idos de 68, como a história de ser filha de búlgaro e assim por diante. A velha máquina fascista de perseguição a comunistas e liberais da política.

Todos sabemos que a história não está fora como escrita nas folhas das cascas mortas das árvores. A história nos confronta o tempo todo, desde o momento que se leu e repassou aquelas mensagens, quanto das vezes em que as reproduziu em conversas. Lembro de uma das coisas mais impressionantes que me ocorreu no confronto direto com a história.

Era meu terceiro ano no Rio de Janeiro. Esta imensa e indigesta cidade, com a qual não tinha grandes relações e ainda decifrava seu modo de operar. Após estágio na ainda provinciana cidade de Fortaleza, agora as dimensões eram de bordas imprecisas. Onde parar e como começar? As questões eram efetivamente transcendentais e estrangeiras para mim. Estagiava num hospital de Doenças Infecciosas e Parasitárias durante a grande epidemia de Meningite da década de 70.

No meu pequeno hospital universitário, escondíamos quadros do Partido Comunista Brasileiro, naquela altura vítimas de feroz perseguição política. Então estou de plantão, quase que solitário no Hospital. Por coincidência cuido de uma criança em estado grave, acabara de fazer-lhe uma punção para tirar líquido da sua coluna vertebral e analisar a evolução da doença, quando entrou um senhor de meia idade, carregando um chapéu pela mão e de cabeça baixa.

Esperou o fim do procedimento e timidamente se aproximou da beira do leito onde eu fazia as anotações para enviar o material biológico ao laboratório. Aproximou-se e identificou-se como pai da criança. Não me pediu por palavras, mas seus olhos suplicavam por uma palavra minha e lhe relatei o estado do filho, demonstrando otimismo. O líquor (colhido da coluna) estava mais claro e aquilo era sinal de boa evolução e o quadro neurológico não parecia apontar seqüelas.

Ele relaxou e com emoção começou a falar de seu estado quase clandestino, por isso sua dor só pudera se defrontar com o estágio da doença do filho naquela hora. Ele era policial civil, recrutado pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury para atuar na repressão à esquerda brasileira em São Paulo. Se soubesse de mim lhe seria vítima e eu era uma das salvações do seu filho o qual se recuperou muito bem e deve ter dado netos àquele pai. Não o imagino, se ainda estiver vivo, como autor daquelas mensagens, mas nada impede que o seja.

Como bem diz Maria Helena Moreira Alves no seu livro sobre a ação política da ditadura: a censura sobre a tortura impõe o silêncio; este silêncio isola os que sofrem a repressão e a exploração econômica e este isolamento impede que outros setores da sociedade viessem em socorro. Enfim, uma ação política que quebrava antropologicamente o maior esteio da cultura: a solidariedade entre as pessoas. Aquela mesma que profundamente me ligou ao drama daquela família de um policial envolvido com a repressão e a tortura.

Nunca é demais perguntar-se sobre o teu papel nestas ditas horas.

Diz-me dos teus desejos que dir-te-ei quem és - José do Vale Pinheiro Feitosa

“Dize-me com quem andas que te direi quem és”, é um conselho (ou uma condenação) sobre as influências dos amigos e companheiros em nossas vidas. Só que isso leva a um erro fundamental: ninguém é apenas a sua companhia. Se fosse assim, o que se dizer do ponto de vista de cada companhia: seriam o que os outros são e assim os efeitos múltiplos se anulariam, onde afinal começa a influência ou a causa? Ou seja, quando todos se influenciam de modo recíproco, ninguém influencia ninguém.

Igualmente poderíamos dizer: “diz-me o que desejas que te direi quem és”. Vejam o que os especialistas americanos identificam como as cinco tendências em tecnologia para 2011: consolidação e possibilidade de pagamento pelas empresas das informações contidas em sites de relacionamento; tecnologia verde, aplicativos para smartphones, banda larga móvel e 4G. Para estes especialistas o “tablets (como iPad), a tecnologia 3D e os livros eletrônicos não se destacam diante deste “formadores de opinião”.

Para estes senhores do futuro a equação é a seguinte: indústria tecnológica sempre mudando, evoluindo e inovando; a tecnologia está tão ligada à vida que não se sabe quem guia quem; a relação é tão próxima que no futuro não se separarão tecnologia e ser humano. Isso é um claro exagero de vendedor da indústria, mas é revelador como estes “ideólogos” continuam pensando o futuro como uma cadeia que aprisiona “consumidores”.
Os EUA pensam em dinheiro e tudo se deriva desse modo. Isso não significa a universalidade, está cada vez mais claro que a moeda embora tratada como um Deus, onipresente e onisciente, perde cada vez mais potência de conversibilidade, ou melhor, de representação das transações humanas. Por exemplo, é o enfraquecimento do próprio dólar como moeda das trocas mundiais. Sem contar uma coisa mais radical, a tradução financeira já não representa mais o retorno em projetos de produção de energia, para estes apenas a própria energia despendida para implementá-lo pode ser a medida do retorno.

Por isso logo imagina que coisas como Google ou outros poderão se apropriar das informações pessoais colocadas online para vender às empresas. Eles logo imaginam que as companhias vão usar os dados pessoais numa transação autorizada pelo consumidor como parte de um acordo de negócios. Isso seria muito importante em vídeos produzidos por pessoas ou pequenos produtores, gerando programas, conteúdos e shows individuais que será pagos e consumidos na rede. A questão do vídeo consumido desta forma guarda estreita relação com a tecnologia de Alta Definição, quando é agradável assistir programas longos na tela do computador, inclusive dada convergência entre monitor e as televisões.

Os smartphones representam outro tipo de convergência tecnológica, quando o acesso à internet passará para os meios dos celulares. Neste sentido o cabo também teria um fim na internet com há aconteceu com os telefones fixos. As redes de telefonia 4G deverão acelerar esta tendência de conexão através da rede de celulares, com banda larga móvel em casa. Por isso mesmo setor que mais cresceu que foi o de softwares, continuará crescendo criando aplicativos para os telefones celulares.

A Tecnologia Verde é uma oportunidade estimulada pelo governo. Ela é importante não pela sua amplitude, mas, ao contrário, por sua pontualidade. Se precisa de equipamentos que consumam menos energia e por aí virão novidades na esfera dos produtos eletrônicos.

GUERRILHA DAS ARTES E DO AMOR !!!

A MAIOR AGENDA DE ESPETÁCULOS DO NORDESTE BRASILEIRO
TEATRO RACHEL DE QUEIROZ - CRATO-CE-BRASIL
DE 5 A 27 DE NOVEMBRO DE 2010



PROGRAMAÇÃO DE HOJE, DIA 15:


19h00min - Palco: UMA ÚLTIMA VEZ (14 anos, 60min), Cia. Arte e Cultura, Crato-CE
20h30min - Arena: ESPERANDO GODOT (12 anos, 20min), Cia. Os Dois de Teatro, Juazeiro do Norte-CE


PROGRAMAÇÃO DE AMANHÃ, DIA 16:


19h00min - Palco: DONA PATINHA VAI SER MISS (Infantil, 50min), Cia. Teatral Anjos da Alegria, Crato-CE
20h30min - Arena: BURRA, NÃO É NADA DISSO QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO (Livre, 60min), Allysson Amâncio Cia. de Dança, Juazeiro do Norte-CE


MENSAGENS:


Ana Cristina Diôgo (ONG JURITI):
“Salve! Salve! Guerrilheiros e guerrilheiras do Cariri, que resistem com arte... Agora me lembrei de Geraldo Vandré: ‘No quintal da minha casa, não se varre com vassoura, varre com ponta de sabre, bala de metralhadora...’ (...) Todo sucesso nesta Segunda Guerrilha de onde sai vitoriosa a arte resistente do Cariri.”

Padre Rocildo Alves Lima Filho:
“Cacá, abraços! Estou em sintonia, mesmo de longe (Roma). Sucesso e parabéns!”

Orleyna Moura (Atriz): "Não podemos simplesmente nos transformar em platéia para espetáculos visitantes. Temos uma vasta produção artística e cultural de alta qualidade estética que deveria circular por outras regiões, estados e até por outros países"

Cacá Araújo (Dramaturgo, Coordenador Geral da Guerrilha):
“É muito importante e decisivo o patrocínio da Prefeitura do Crato e do Centro Cultural Banco do Nordeste, o que nos faz confiar que para o ano 2011 a Guerrilha terá mais apoio e se estenderá por mais espaços, podendo reunir um maior número de espetáculos. A tendência é que cada companhia de teatro e dança possa desde já realizar ações que se integrem às demais, formando um grande circuito de cooperação e fomento que funcione durante o ano inteiro, discutindo e contribuindo para melhoria de políticas públicas no setor, além de semear o chão caririense com o labor de seus artistas e o aplauso de sua maravilhosa platéia.

Evento reúne arte urbana e poesia popular no Dia da Consciência Negra no Crato



Por Marlon Torres*

O Coletivo Camaradas propiciará a mistura do Rap e do Repente no dia 20 de novembro, a partir das 19 horas, no Largo da RFFSA.

Sete cordas, onze silabas, dez linhas ... é por traz desse universo numérico que se esconde os segredos dos versos dos repentistas, ou feitos de repente. A sonoridade de rimas, compassos e tônicas, de uma frase milimetricamente produzida em instantes é que faz torna imortal essa arte já imortalizada no coração de tantos sertanejos.


A musicalidade da sextilha, a velocidade de um martelo e o compasso do famoso galope a beira mar, traduzem os sentimentos que de quem produz essas maravilhas da cultura popular.


Essa arte com o passar do tempo foi evoluindo sem perder a graciosidade. O pandeiro que guiava a marcação de um coco de embolada foi lentamente substituído por discos de vinil. A viola, companheira fiel do poeta repentista foi dando espaço para as “techinics”, e os baiões extraídos do pinho nordestino agora são equalizados em mixers. Com isso surge uma nova versão de improvisadores, o MC ( Mestre de Cerimônia) que em cima da batida explosiva do RAP canta o seu dia-a-dia em um improviso assim como fazem os repentistas.


O Rap de Repente visa mesclar essas duas vertentes do improviso num só balaio de rima e métrica. O velho e o novo se misturam num contexto atual sem perder sua característica própria.


O evento é aberto para a participação do público. Portanto MCs, poetas e o público em geral podem participar da brincadeira que abordará temáticas ligadas ao Dia da Consciência Negra.


*MC, artista visual, professor e integrante do Coletivo Camaradas

domingo, 14 de novembro de 2010

A República - José do Vale Pinheiro Feitosa

A monarquia sofre abalos desde o sistema de produção industrial e o fim da terra agropastoril como valor essencial. E emergência dos trabalhadores fora do campo, implicando rapidamente no fim da família, praticamente destruiu um dos esteios fundamentais do poder monárquico. Sem o poder patriarcal ou matriarcal a monarquia perde sentido e se transforma numa poliarquia. Em outras palavras o governo de muitos, que “reside numa coletividade ampla”.

A institucionalidade da República moderna foi essencialmente revolucionária. Nasceu com o sistema de produção capitalista, com a mobilidade transcontinental de trabalhadores, com o colonialismo e com a Reforma Protestante. Esta última lancetou o centro simbólico da monarquia na Civilização Ocidental: o poder Papal. A própria emergência do Renascimento e das guerras das cidades-estado italianas, já antecipavam o que aconteceria em Reforma logo alguns anos após.

Uma das coisas mais contraditórias na modernidade é um monarquista que reza pela cartilha liberal de Adam Smith. A radicalidade deste pensador inglês é tamanha que nem mesmo a idéia de Deus sobrevive nos moldes bíblicos, embora a bíblia protestante seja muito útil para controlar os trabalhadores, mas não os capitalistas. As revoluções (Inglesa, Americana e Francesa) foram a matriz da moderna poliarquia, tenha ou não nome de República.

Enquanto os Ingleses conquistaram a acumulação capitalista, deixando a terra apenas como símbolo de riqueza e prestígio da “nobreza” e mantendo a integridade das grandes famílias tradicionais que fizeram o império, os Franceses foram mais longe. A revolução Francesa foi profundamente anticlerical ao destruir os enormes feudos sobre domínio do clero, mexeu na estrutura das famílias tradicionais e fizeram a emergência de uma nova gente urbana, os burgueses. Esta última revolução instituiu o poder da burguesia (Napoleão foi fundamental nisso) e se tornou o modelo para toda a história a partir daí.

A Revolução Americana foi, de fato, a fundadora da República Moderna. Os pioneiros foram mais longe que os ingleses e franceses, foram buscar os princípios na Grécia e em Roma. Naquele país foi criado o maior ensaio político, social e econômico, jamais visto para fundar um sistema que estava morto e para os quais não havia referência no novo sistema de produção. Mesmo com as contribuições que podem se aparentar entre o positivismo e outras estruturas de pensamento da burguesia que começava a dominar, sem dúvida nenhuma, foram os EUA que fizeram o experimento da República Moderna.

O Brasil, amanhã, comemorará 121 anos da Proclamação da República. Ao contrário do que se imagina foi um curso não revolucionário de uma revolução que já acontecera praticamente no início do século XIX. As guerras napoleônicas, invadindo a península ibérica estão na matriz do moderno Estado brasileiro: a fundação dele com a transposição da corte portuguesa para as Américas; a Independência, a Constituição de 1824 e depois a própria Monarquia Constitucional.

Numa sociedade de massa, sem o domínio das corporações ou de elites, quando a democracia será mais direta e menos representativa, a República Moderna será superada. Há quem imagine um equilíbrio vivo de todos, com maior igualdade e com a arquitetura do tempo presente e futuro sendo construído pela coletividade ampla. E o indivíduo, onde este estará? Na diversidade atômica da coletividade.

GUERRILHEIROS SE ENCONTRAM NO CARIRI


A coordenação 2ª Guerrilha do Ato Dramático Caririense agradece a visita do dramaturgo Ariano Suassuna à região e divulga a programação deste domingo, dia 14 de novembro de 2010:

19h00min - Palco: O HÓSPEDE (12 anos, 60min), Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, Juazeiro do Norte-CE

20h30min - Arena: DESMISTIFICANDO TABUS (14 anos, 50min), Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, Juazeiro do Norte-CE

LOCAL:
Teatro Rachel de Queiroz, Crato-CE (Tel.: 88-3523.2168 / 88-8801.0897)

sábado, 13 de novembro de 2010

REMEXENDO A SAUDADE...

CASA MINHA, CASA TUA
- Claude Bloc -

Casa minha, casa tua
De reboco ou de taipa
Cerca de vara trançada
Plantinhas pelo terreiro

Pinhão roxo na entrada
Pra espantar mal olhado
Latada lá no oitão.
Casa minha, casa tua
Lá no sertão é assim.


Lá na parede da sala,
Os santos dizem Amém
A imagem de Jesus
O Coração de Maria
São Sebastião, São José
E Frei Damião também

Flores de pano e papel
Pra enfeitar nossos sonhos
Retratos de seu Mané
E seus 10 filhos risonhos
Armador pra todo lado
Na parede embuçada
Tamboretes e cadeiras
E rede pra descansar.
Na mesa, linda toalha
De chita bem fulorada
Na panela reservada
Nata, fubá e coalhada.

Na cama, bem esticada
Uma colcha de retalho.
No canto um guarda-roupa
Uma janela sem trinco
Um chinelo já bem gasto
Rosário, véu e uns brincos.

Uma sela pra montar
Espingarda soca-soca,
e um bornal pra nós caçar
buscar preá lá na broca.

De noite um candeeiro
Em cima da prateleira
Um rosário no pescoço
Pros santos nos proteger
E uma rede limpinha
Pra gente adormecer.
Na cozinha o fogão
Queimando lenha cheirosa
Um pote e uma quartinha
Com a água bem fresquinha

Latas brilhando no armário
Cheias de arroz e feijão
Café de manjirioba
Milho para o mungunzá.

Galinhas pelo terreiro
Buscando de noite o poleiro
Um chiqueiro caprichado
Pra guardar as criação

Pilão, moinho e chaleira
Fazem festa na cozinha.
E no nosso coração
Casa tua, casa minha
Muita alegria e festa
Pois hoje em dia nos resta
Saudade desse sertão.

Claude Bloc