
O Dia das Mães é considerado a segunda melhor data do ano para o comércio brasileiro, perdendo apenas para o Natal. Embora os sinais da crise econômica já estejam refletindo no país, os lojistas têm boas expectativas para as vendas no atual período. O Governo anunciou algumas medias para diminuir os efeitos da crise, como a redução do Imposto sobre Produto Industrializados (IPI) em diversos setores da economia, e essas medidas devem surtir efeito nas vendas de maio.
No Crajubar, os lojistas acreditam que o comércio supere as expectativas com relação a 2009. Pois, o setor que alimenta as vendas no mês de maio é, na maioria das vezes, o pequeno varejo. Produtos como perfumarias, cosméticos e bijuterias geralmente são os mais cotados na hora de escolher o presente da mãe.
Esses produtos são considerados pelo diretor de marketing da CDL de Juazeiro do Norte, Israel Gondim, como os que menos sofreram os efeitos da crise. “Se fala muito em crise, mas temos que entender que os setores de alto porte econômico é que foram os mais prejudicados, a exemplo do automobilístico, mas, as pessoas que preferiram evitar esse tipo de compra e não se endividar estão tranqüilos para oferecer o presente da mãe no pequeno varejo”, afirma Israel. Segundo ele, a CDL de Juazeiro do Norte estima um aumento de 10% a 12% nas vendas para este ano.
No Crato, o presidente da CDL, Geraldo Pinheiro, disse que a crise econômica pode atingir o comércio, mas de uma maneira muito superficial. Em 2008, o comércio aumentou as vendas no mês de maio em até 40% comparado a 2007. Mas, de acordo com Geraldo, esse ano a idéia é superar esse número. “Acreditamos que agora em 2009 as vendas aumentem em até 10% com relação ao ano passado, pois embora a crise tenha atingido alguns setores, ninguém mede esforços quando o assunto é presentear a mãe”, afirma.
O vendedor da loja de eletrodoméstico Zeni, Antonio Neto, disse que desde março que a procura por produtos dessa linha já é grande. Segundo ele, a redução no IPI impulsionou o comércio de uma forma muito intensa. “As pessoas já começaram a procurar o presente no Dia das Mães aproveitando a diminuição do imposto. Com certeza esse ano vamos ter um saldo maior que ano passado”, afirmou.
A CDL de Barbalha procurou amenizar o medo do consumidor de não se endividar com diversas campanhas para facilitar os pagamentos. De acordo com Aparecida Gomes, a estimativa é de que as vendas cresçam em até 40% este ano. “Maio é o mês que mais movimenta o comércio aqui em Barbalha, pois além do Dia das Mães temos a festa de Santo Antonio já tradicional na cidade, então, as promoções são diversas e o consumidor faz a festa”, afirma. De acordo com Aparecida, este ano a CDL aguarda um saldo bastante positivo no final de maio.
Jornal do Cariri
Editoria de Cidades
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terça-feira, 5 de maio de 2009
Dia das Mães movimenta comércio no Crajubar
AÇÃO CIVIL PÚBLICA: Ministério Público aciona Samuel e cobra atenção com adolescentes
O prefeito do Crato, Samuel Araripe (PSDB), em menos de 20 dias, foi acionado duas vezes pelo Ministério Público Estadual (MPE) pelo descaso com que sua gestão vem tratando as áreas sociais da cidade. A primeira Ação Civil Pública teve por base reportagens do JC que mostraram a falta de segurança e de estrutura e as falhas do atendimento nos postos do Programa Saúde da Família. O JC mostrou, ainda, nessas reportagens, o protesto de moradores contra a falta de médicos.
A segunda ação proposta pelo MPE se refere à superlotação da Casa Abrigo do Crato, construída para atender até 10 crianças, mas já chegou a 20 menores. Hoje, esse número é de 15. A denúncia foi feita após o Conselho Tutelar informar ao MPE sobre a superlotação e pedir providências. A reclamação do Conselho Tutelar vem desde 2007, mas o prefeito Samuel Araripe a ignorou, provocando a reação do Ministério Público.
O resultado da denúncia encaminhada pelo MPE fez com que a juíza da Infância e Juventude, Geritsa Sampaio, determinasse que a prefeitura do Crato criasse dois novos abrigos. A determinação judicial passou a valer desde o dia 1º de abril e o prazo se estendeu até o dia 15 do mesmo mês, mas ainda não foi cumprida. A multa diária é de R$ 1.000,00, dinheiro que deverá ser retirado dos cofres públicos para pagar as multas impostas pela justiça.
De acordo com a secretária de Ação Social, Liduína Alves, a prefeitura está providenciando uma expansão da casa já existente, mas ainda não tem recursos e nem prazos específicos para o início da obra.
Para a coordenadora do Conselho Tutelar, Jacinta Moreira, essa expansão é insuficiente. "É necessário que se tenha mais essas casas para garantir os direitos da criança e do adolescente de forma segura", relatou. Ela explicou ainda que diariamente são feitas denúncias de maus tratos contra crianças e adolescentes e a Casa Abrigo é o espaço garantido por lei e obrigação do Município para resguardar a vida e garantir os direitos de crianças e adolescentes em áreas de risco.
A Casa Abrigo foi criada em 2002, fruto de uma exigência estabelecida no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) com a função de abrigar crianças e adolescentes que se encontram em condições de risco. Maus tratos, abandono e abuso sexual aos menores são exemplos do que as crianças que são assistidas pela casa sofrem.
Prefeitura diz estar no prazo
O chefe de gabinete da Prefeitura do Crato, Cícero França, em entrevista concedida ao JC, disse que a prefeitura ainda não pagou nenhuma multa porque não recebeu oficialmente a intimação da Justiça. “Esse processo não foi resolvido porque os documentos ainda estão com o Ministério Público. A defesa da prefeitura só começa quando a gente tem acesso aos autos”, disse.Cícero França disse que a demanda da Casa Abrigo é grande porque recebe crianças de outras cidades, mas que a Prefeitura não tem recursos para construir mais duas Casas nesse momento. Ele declarou que a Secretaria de Infra- estrutura (SEINFRA) já foi autorizada a criar um projeto de ampliação da atual Casa. Procurado pela equipe de reportagem do JC, o promotor da Infância e Juventude, Marcos de Jesus, autor da Ação Civil Pública, encontrava-se em reunião e não pode se pronunciar.
Jornal do Cariri
Editoria de Cidades
CRATO NA MIRA DOS PROMOTORES
Muito já se falou sobre os efeitos positivos da atuação do Ministério Público no acompanhamento e vigilância aos atos dos administradores públicos no Brasil. Presente e firme, a fiscalização dos promotores e procuradores colocou no primeiro plano da vida política nacional o combate à corrupção e o controle das autoridades, que antes experimentavam a tranqüila impunidade por seus atos.
O Crato experimenta hoje um momento especial. O Ministério Público da comarca tem agido com extrema competência na investigação dos desvios administrativos verificados no município, um dos mais importantes do Estado e, até por isso, merecedor de especial atenção dos órgãos fiscalizadores, tamanho o volume de dinheiro nas mãos da Prefeitura.
Os dedicados promotores de Justiça Élder Ximenes e Marcos de Jesus colocaram o dedo na ferida da Saúde Pública do Crato, o câncer da atual gestão de Samuel Araripe, que é dirigida pela secretária Maria Tavares Alves. Antes que mais mortes ocorressem, o Ministério Público ajuizou ação de improbidade contra a secretária e contra a Prefeitura por violação de princípios constitucionais da Administração Pública e para obrigar a colocação de guardas municipais ou a contratação por concurso público de seguranças para os Postos do Programa de Saúde da Família.
A tragédia na Saúde é sentida por todos. Os índices de qualidade no setor decaíram sob o governo de Samuel Araripe, colocando em risco todos os avanços do Estado do Ceará nessa delicada área. O mais grave é que somente a população mais carente sofre com esse descaso. Os ricos podem custear exames e consultas com planos privados, mas as classes menos favorecidas são obrigadas a recorrer ao sistema público, cuja realidade é tão desesperadora que o Ministério Público foi obrigado a agir. É sempre bom lembrar que as ações de improbidade dos promotores Élder Ximenes e Marcos de Jesus foram a última alternativa encontrada pelo MP. Antes disso, por meio de ofícios e outros expedientes, essas autoridades tentaram abrir os olhos do prefeito do Crato, Samuel Araripe, e de seus principais assessores na área da Saúde para o descalabro no setor. A ação dos promotores jamais poderá ser acusada de precipitada.
Em outro campo, o Ministério Público também agiu para embargar a realização de um show de música popular no Credicard Hall, organizado por importante empresa de eventos. Em nome da segurança, os promotores consideraram prudente impedir o show, a fim de que fossem cumpridas as normas técnicas relativas à poluição sonora. E, no setor da Ação Social, outro segmento de grande deficiência da Prefeitura, o Poder Judiciário, atendendo a pedido dos promotores, obrigou o Crato a doar imóveis para funcionamento de casa-abrigo para adolescentes em estado de abandono.
O Crato está na mira dos homens da lei. E é bom para o povo e a sociedade que assim seja, ao menos até que as autoridades se convençam de que o mandato popular é para ser exercido em favor de todos e não apenas em prol de quem o detém.
Editorial do Jornal do Cariri
edição 5 a 11 de maio de 2009
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Conferência de comunicação
Um grupo de representantes da Comissão Pró-Conferência de Comunicação do Ceará (CPC-CE) e o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Ceará (CUT-CE), Jerônimo do Nascimento, participaram nessa quarta-feira (29/4) de reunião com o chefe de gabinete do Governo do Estado, Ivo Gomes, e com o secretário da Casa Civil, Arialdo Pinho. O objetivo do grupo foi dar início ao diálogo da CPC-CE com o governo estadual para a realização das etapas regionais da 1ª Conferência de Comunicação Social, que será realizada em dezembro, em Brasília. A partir de agora as reuniões realizadas pela Comissão serão acompanhadas pela jornalista Christianne Sales, da Coordenação de Imprensa/Casa Civil.
Participaram da reunião integrantes da Fenaj, do Sindjorce/Comitê pela Democratização da Comunicação no Ceará, da Abraço (Associação Brasileira de Rádios Comunitárias), do Sindeletro (Sindicato dos Eletricitários) e do PCdoB. Os participantes esclareceram a importância da realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), já que as políticas de comunicação (ou a falta delas) acabam afetando todos os segmentos da sociedade.
A CPC-CE entregou um documento solicitando que o governo abra caminho para o debate e constitua, na esfera estadual, um grupo de trabalho (GT) composto por secretarias e profissionais vinculados (as), para que conosco seja dado início às articulações e à mobilização para a realização de conferências municipais ou regionais, além da estadual. Foram entregues também cópias do decreto da Presidência da República convocando a 1ª Confecom e da portaria do Ministério das Comunicações constituindo a Comissão Organizadora.
Formalização
A partir desse primeiro contato formal, a CPC-CE espera que sejam ampliadas as articulações e a mobilização para a realização de conferências municipais ou regionais no Estado. O calendário de realização dessas etapas, bem como o método de eleição de delegados, ainda não estão definidos. Logo que essas regras estiverem determinadas, novas ações do Governo do Estado serão demandadas.
Para a secretária-geral do Sindjorce e representante do Comitê pela Democratização da Comunicação no Ceará, Cristiane Bonfim, a publicação do decreto presidencial e da portaria do Ministério das Comunicações sobre a Conferência e o contato da CPC-CE com o Governo do Estado vão contribuir para acelerar e ampliar a mobilização já iniciada no Ceará. A Conferência de Saúde já foi realizada 13 vezes. A de Cidades, nove. Isso demonstra o quanto demorou para que colocássemos esse tema (comunicação) em debate e o quanto precisamos avançar em relação a ele, ressalta Cristiane Bonfim.
No próximo dia 9 de maio, às 9 horas, haverá um debate sobre Democratização da Mídia e a Conferência Nacional de Comunicação, na Casa Amarela Eusélio Oliveira, com participação de representantes do Sindicato dos Jornalistas no Ceará e da Federação Nacional dos Jornalistas. O evento, promovido pelo PCdoB, será aberto ao público. No dia 30 de abril, houve palestra sobre o mesmo tema na Universidade de Fortaleza. Outros eventos tratando da Conferência devem ser realizados em breve em mais cursos de Jornalismo em Fortaleza.
Comissão Pró-Conferência de Comunicação
Desde meados de 2008 diversas entidades estão se reunindo no Ceará para fazer com que a sociedade pressione o Governo Federal a realizar a Conferência, que oferece subsídios para formular políticas públicas para o setor. Em janeiro deste ano, começou a ser organizada, de forma mais efetiva, a CPC-CE.
Representantes de mais de 20 entidades, além de pessoas físicas, têm participado das reuniões semanais da CPC-CE. O Sindjorce e o Comitê pela Democratização da Comunicação no Ceará estão representados nesse grupo. Organizações não governamentais, rádios comunitárias e educativas e entidades sindicais e estudantis, além da coordenação de Comunicação Popular da Prefeitura de Fortaleza e de mandatos parlamentares, têm participado dos encontros.
A Comissão realizou uma audiência pública, no dia 3 de abril, na Assembléia Legislativa, com o tema Construindo uma Conferência de Comunicação Popular, com cerca de 40 entidades, seguida por um seminário preparatório no dia 4 de abril.
Decreto e portaria
No dia 17 de abril foi publicado, no Diário Oficial da União, o decreto presidencial convocando para os dias 1º a 3 de dezembro, em Brasília, a 1ª Confecom. O tema da Conferência é "Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital".
Logo em seguida, por meio da Portaria 185, de 20 de abril de 2009, o Ministério das Comunicações definiu oficialmente a composição da Comissão Organizadora Nacional da Conferência. O grupo será formado por 28 membros, sendo 12 do poder público, com oito indicados pelo Executivo Federal e quatro pelo Congresso Nacional, e 16 da sociedade. Entre esses 16, estão a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).
Caberá à Comissão Organizadora Nacional (CON), entre outras funções, coordenar, supervisionar e promover a realização da 1ª Confecom, atendendo aos aspectos técnicos, políticos e administrativos, elaborar a proposta de regimento interno da Conferência, aprovar o texto base e o documento referência que irá orientar os debates, acompanhar a sistematização das proposições ao longo das etapas.
FNDC
A portaria é bem-vinda porque consolida o processo da Conferência e traz o princípio sempre defendido pelo Fórum, que é o da representação tripartite: Estado, empresários e movimentos sociais, saúda o coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), jornalista Celso Schröder. Me parece, entretanto, que há um excesso de governo num setor em que ele não é provedor. E ainda uma subrepresentação dos movimentos sociais, avalia Celso Schröder, vice-presidente da Fenaj e coordenador-geral do FNDC.
O coordenador do FNDC aponta também a redundância na representação dos jornais, que aparecem na comissão em duas representações a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação dos Jornais e Revistas do Interior do Brasil (Adjori Brasil). Schröder considera, porém, que isso não invalida o processo da grande plenária: O papel desse Comitê Organizador Nacional não pode usurpar a dimensão da Conferência, não pode substituí-la, fazer debates em nome da sociedade brasileira. Esse é o cuidado e a dimensão que essa comissão deve ter, nada além disso, finaliza.
fonte: Sinjorce
domingo, 3 de maio de 2009
Piora situação de estradas no Cariri
Outra estrada interrompida foi a CE-060, que liga Barbalha a Jardim, por cima da Serra do Araripe. As chuvas abriram um grande buraco nas proximidades do local onde, na segunda-feira, motoristas de vans e camionetes interditaram a estrada, por mais de quatro horas, queimando pneus no leito da rodovia.
Uma equipe do DER restabeleceu o trânsito de veículos, mas os motoristas continuam reclamando do péssimo estado de conservação do acesso para a cidade de Jardim.
sábado, 2 de maio de 2009
Coluna CARIRI por Tarso Araújo
Não dá mais para esperar. Operando no limite, o aeroporto Orlando Bezerra de Menezes (antigo Regional do Cariri) passará por pequena reforma neste mês de maio, já que a anunciada ampliação não saiu do papel. É a famosa "meia-sola". Com quase 20 mil passageiros/mês, o aeroporto caririense bateu novo recorde: cresceu de 49% no primeiro bimestre deste ano. Ficou em 41º lugar no ranking dos 67 aeroportos brasileiros administrados pela Infraero, com movimento superior a duas capitais: Palmas (Tocantins) e Boa Vista (Roraima). Superando, ainda, o movimento dos aeroportos de duas grandes cidades nordestinas: Campina Grande (PB) e Petrolina (PE).
PENSE NUMA BURAQUEIRA
PERGUNTAR NÃO OFENDE
REELEIÇÃO À VISTA
CURTAS
- Demolido há mais de um ano, o que restou do edifício onde funcionou a cafeteria "Cinelândia" depõe contra o centro de Crato. No lado da Praça Siqueira Campos ficaram paredes-escombros; no lado da Rua Santos Dumont, só tapumes... Triste! (...)
- Lamentável o estado dos jardins do edifício que abriga a agência do Banco do Brasil e o Centro Administrativo Municipal Francisco Cícero Pierre, no centro de Crato. Tem jardineiras de "carrapicho" e outras aonde o mato vem substituindo a grama (...)
- Alguns filiados do PT de Crato procuraram o deputado federal José Nobre Guimarães e reivindicaram dele uma maior atenção para a Cidade de Frei Carlos. Nada mais justo. Guimarães foi bem votado em Crato. Os militantes petistas cratenses estão enciumados e dizem que o deputado agora só tem olhares para Juazeiro (...).
ANOTE: CENTENÁRIO DE JUAZEIRO
CIDADÃO CRATENSE
LIDERANÇA
BATE-PAPO
PADRE NERI FEITOSA 2
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Você lembra?

Eu tinha 10 anos. E começava a achar que esporte era algo realmente emocionante. Em 92 tinha acompanhado cada jogo da Seleção Masculina de Vôlei na campanha do ouro em Barcelona, depois tinha torcido pelo São Paulo nos Mundiais Interclubes - gostava do jeito do Telê -, esperava pelo Mundial de Basquete e pela Copa do Mundo.
Mas fidelidade mesmo eu tinha às corridas de Fórmula 1. Eu e meu irmão, 11 anos mais velho.
Naqueles 30 de abril e 1 de maio eu soube o que era choque. Como as pessoas podiam morrer no meio de uma disputa esportiva? A morte de Roland Ratzenberger, austríaco, foi vista como uma fatalidade. Afinal, era um desconhecido.
No dia seguinte, eu assistia ao Grande Prêmio de San Marino. Vi aquela Williams perder o controle, o capacete amarelo pender para o lado. Por que ele não sai logo desse carro?
"Morreu Ayrton Senna da Silva". Eu só tinha 10 anos. E pensava que aquilo era impossível. Vai ver perdeu as pernas, ou teve algum dano cerebral, ou ficou desfigurado. Não pode mais correr e agora vai viver como anônimo. Tinha algo de novelesco. Afinal, um ídolo não morre assim.
Aí meu irmão chorou. Minha tia chorou. E eu entendi o que era perda. Não de alguém, mas de algo. Que até hoje não sei nominar.
Há 15 anos, morria um dos pilotos mais espetaculares de todos os tempos. Não é porque morreu que virou santo.
Mas a plasticidade de seus atos, a obstinação em vencer, o compromisso com o aprimoramento e a capacidade de resistir são méritos que só cabem aos grandes.
Senna foi uma fortaleza.
E vou poder narrar as peripécias e os feitos dele aos meus filhos e netos como quem tem a certeza de que viu uma História ser feita.
É isso o que eu guardo. E vocês?
Postado por Ana Flávia Gomes
01/05/2009 10:52
Material retirado do blog GOL, do Jornal O Povo
Açudes sangrando no Ceará

O Ceará tem um novo recorde em número de açudes sangrando. Até ontem, eram 97, dos 131 monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). Antes, o maior registro de açudes que atingiram sua capacidade máxima no Estado era de 95, que sangraram no ano de 2004. O Estado tem armazenado 16,02 milhões de metros cúbicos (m³) de água, o que representa 89,86% do volume máximo no Ceará.
O maior açude do Estado, o Castanhão, está com as comportas abertas desde o último sábado, 25. Cada uma das quatro comportas está com abertura de 1,80 metro. A vazão é de 600 metros cúbicos por segundo. “Mas ainda está entrando mais do que liberando”, diz Francisco Almeida Chaves, gerente da Cogerh nas bacias do Baixo e Médio Jaguaribe. Não há previsão para o fechamento das comportas.
Por causa dos estragos causados pelas chuvas, quatro cidades do Estado já decretaram situação de emergência. Além de Itapajé e Uruburetama, as cidades de Cedro e Milhã estão na mesma situação, decretada pela Defesa Civil do Estado. São 79.626 pessoas afetadas em 48 cidades. Acaraú ainda lidera a lista com 10 mil atingidos. Em Bela Cruz, são mais 7 mil.
Das 7 horas de quarta até as 7 horas de ontem, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) registrou a maior chuva em Limoeiro do Norte - 137 milímetros (mm). Choveu muito também em Itaitinga (118 milímetros) e em Reriutaba (115 milímetros), onde a água invadiu muitas casas e as aulas foram suspensas.
De acordo com a Funceme, de 1º de janeiro até ontem, já choveu 900 milímetros em todo o Ceará. De 2004 para cá, é a maior quantidade de água. Naquele ano, de janeiro a abril, foram 942 milímetros. A diferença é que choveu mais na parte Sul do Estado. Neste ano, tem chovido mais na parte Norte do Ceará, segundo o meteorologista Eduardo Peixoto. No Litoral, as chuvas já são 60% acima da média registrada.
Muitos moradores do Interior citam que o ano de 1974 foi o que teve a maior enchente da história. A Funceme não tem como fazer um comparativo entre esse ano e o de 2009, porque em 1974 menos da metade dos municípios possuíam postos da Funceme. “Como eram menos municípios, a média do Estado tende a ficar mais alta ”, explica Peixoto. Assim, não há como fazer uma avaliação precisa, diz ele.
fonte: Jornal O Povo
1º de maio – Dia de São José Operário
São José é tão glorioso que é o único santo celebrado em duas datas no dia 19 de março, como esposo de Maria e em primeiro de maio, Padroeiro dos Trabalhadores. Esta última denominação foi instituída, diante de uma multidão de 200 mil operários, reunidos no dia 1º de Maio de 1955, na Praça de São Pedro, quando o Papa Pio XII decidiu cristianizar o Dia do Trabalho, dando-lhe como santo protetor São José Operário.
No Plano de Deus, São José teve uma participação especial: foi escolhido por Deus para ser o Pai adotivo de nosso Salvador e a Igreja o venera com títulos importantes, e sua atuação como intercessor dos fiéis tem atraído cada vez mais o número de fiéis: Guardião de Jesus e da Igreja; Padroeiro da Igreja Católica; Protetor das Famílias; Justo; "Santíssimo"; Esposo da Mãe de Deus; Chefe da Sagrada Família; Exemplo de Fidelidade; Espelho de Paciência; Modelo dos Operários; Esperança dos Enfermos; Padroeiro dos Moribundos e muitos outros mais.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
A ATUAL PANDEMIA DE INFLUENZA PODERIA TER SIDO EVITADA? - por José do Vale Pinheiro Feitosa
De qualquer modo uma determinada combinação destes subtipos costuma se adaptar ao ser humano e permanecer em circulação por vários anos. Este é o motivo pelo qual todos os anos o Ministério da Saúde do Brasil vacina a população de idosos contra tais vírus circulantes. A atual vacina não tem efeito protetor para esta pandemia, mas protege contra o vírus já efetivamente circulante no país. Por isso a campanha de vacinação será continuada buscando atingir as metas necessárias.
A tendência do vírus influenza em promover pandemias (epidemias mundiais) deve-se em primeiro lugar à sua natureza infecciosa de vias respiratórias, se transmitindo facilmente pelo ar e por objetos contaminados. Em segundo lugar decorre da intensa movimentação humana entre os continentes, especialmente a partir do comércio mundial pós-industrial. Nos últimos 200 anos já foram identificadas 10 pandemias. Uma das mais conhecidas foi a gripe espanhola de 1918-1919 (anos da primeira guerra mundial), foi do tipo A e subtipo H1N1 (não o mesmo vírus atual, pois cada uma destas combinações dos subtipos possuem variações genéticas cruzadas), mas curiosamente começou na América do Norte (EUA) e tendo como reservatório o suíno (a seguir esta questão será melhor esclarecido em relação ao modelo aviário). A última grande pandemia foi a de 1968 (Hong Kong) com o tipo A e subtipo H3N2. Guarde este subtipo que terá importância a seguir. Considere, também, que vários sorotipos e subtipos continuaram provocando surtos e epidemias em várias países ao longo dos últimos anos.
O modelo de desenvolvimento e variabilidade do vírus envolve várias espécies de animais, especialmente aves, porcos, cavalos, mamíferos aquáticos entre outros. O modelo quando se refere aos humanos parece envolver, mais uma vez a economia. A intensidade da criação de aves e porcos para o abate se encontra na raiz da linha humana. O modelo leva a considerar a origem de quase todos os subtipos que atingem os humanos como oriundos de aves aquáticas, que espalham o vírus num largo horizonte intercontinental e se fixam no criadouros dos animais para abate. Então a granja e as pocilgas estão para a essência do modelo, como a aglomeração humana nas cidades é para a rápida transmissão interpessoal (pelo ar e perdigotos).
Então o modelo de decisão em Saúde Pública passa necessariamente pela questão do interesse econômico que envolve grandes empresas e grandes criadouros daqueles animais. Por isso é que incide uma feroz crítica à atual pandemia e envolve a Organização Mundial de Saúde, não sem razão liderada por asiáticos na atualidade. É que o modelo que apontava o caminho de uma nova pandemia já estava “anunciado” com a gripe de Hong Kong. A revista Science já identificara que o porco era um elo essencial para “forjar” no seu organismo o vírus aviário, tornando-o “apto” na adaptação humana e ampliando a própria virulência do H1N1 (subtipo dos suínos). Já havia a identificação de um aumento de virulência numa epidemia de porcos nos EUA em que se identificara que o subtipo H1N1 possuía genes do H3N2 da epidemia de Hong Kong.
Então fica claro que o ensaio da revista apontava uma linha para controlar a atual pandemia no interior dos criadouros de porcos. Se não fosse o Laissez Faire dos anos 90, quando o Estado Mínimo da Era Reagan considerava o Mercado acima de todos e as atividades econômicas um rolo compressor da sociedade, seria bastante provável que atual epidemia não estivesse ajuizando ainda mais a grande crise provocada por esta era.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Sindicato dos Bancários comemora 50 anos
Neste meio século de existência, o Seeb/Cariri construiu uma trajetória permeada de muitas conquistas em prol da categoria bancária da região. Foram encetadas igualmente inúmeras lutas sob a liderança desse Sindicato, não somente as campanhas salariais da categoria, mas também movimentos que mobilizaram a sociedade regional em torno de causas históricas, como a redemocratização do Estado brasileiro após a interrupção da normalidade institucional pelo golpe militar de 1964 e a campanha pela ética na política, que culminou com o impeachment do presidente Collor de Mello. Não obstante, o Seeb/Cariri sempre se manteve atuante nas lutas empreendidas pelos movimentos sociais organizados da região, estando presente em datas e manifestações como o Dia da Mulher, Dia dos Trabalhadores, Grito dos Excluídos e reformas trabalhistas e previdenciárias reivindicadas pelos trabalhadores. No campo da liberdade de imprensa, o Seeb/Cariri se destaca nacionalmente por ter produzido o primeiro programa sindical radiofônico do Brasil, veiculado na Rádio Araripe do Crato, no início da década de 1990.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
NESTA SEMANA NO BRASIL
Não sem razão o mundo poderia experimentar, começando na América do Norte, uma nova pandemia de gripe. No México já atinge centenas de pessoas nos centros urbanos e já matou 104 pessoas até o dia de hoje. Existem casos nos EUA, na Espanha e Israel. A velocidade com a qual a pandemia poderá se espalhar será bem superior aos demais anos, pois agora as viagens internacionais são mais velozes e mais freqüentes. Já existem dois casos suspeitos de brasileiros oriundos do México. O atual vírus causador é da mesma matriz das grandes pandemias citadas: o da asiática era do subtipo H2N2 e este é do subtipo H1N1. O mais importante é a enorme adaptação do atual vírus a várias espécies: segundo o CDC (Centro de Controle de Doenças americano) se trata de uma mistura jamais vista que ataca simultaneamente suínos, aves e humanos.
O Congresso Nacional com passagem aérea, também. Os deputados e senadores vivem distantes de suas casas representando o sistema parlamentar do país. O que não encontra qualquer relação moral e ética é o uso de passagens como barganha, troca, favor, privilégio e safadeza com o dinheiro público. Um garotão como aquele deputado federal do RN é bem o tipo de gente que esta classe média irresponsável tem criado e revistas como a Caras, por exemplo, têm estimulado. Então a safadeza e o senso de privilégio a expensa do povo não tem relação. Agora, finalmente, aos líderes, ao “alto clero” que tanto espezinha o “baixo” nas páginas da mídia: onde se encontra um grande discurso contra esta safadeza? Por que os grandes líderes do Congresso não deram um basta nesta farra? Por que o estilo de reação foi de um “rapazinho” de Sobral, cheio do não me toques, dizendo: ministério público é o caralho?
Agora mídia e Congresso Nacional têm inteira relação. O papel da imprensa é informar sobre os fatos relevantes da sociedade e este das passagens do Congresso o é. Agora o modo, a intensidade e a boca viciada do cachimbo da imprensa é mera intimidação com o Congresso Nacional. Os esquemas concentrados em famílias, as concessões que ocorrem em tenebrosas transações fazem dos grupos empresariais da mídia nacional inteiramente suspeitos de intimidação ao poder concedente. No mesmo modo que sociedade se escandaliza com deputados e senadores, também cabe com o vampiresco comportamento do golpismo da mídia nacional.
domingo, 26 de abril de 2009
Coluna CARIRI - por Tarso Araújo
("O POVO", edição de 26-04-2009)
RESGATE HISTÓRICO
O Cura da Catedral, padre Edmilson Neves Ferreira, tem planos de adquirir uma imagem de São Fidelis de Sigmaringa para ser venerada na Sé de Crato. Para quem não sabe, este santo foi declarado co-padroeiro de Crato, por frei Carlos Maria de Ferrara, ao construir a pequena capela de taipa, coberta de palha, dedicando-a de maneira especial à Nossa Senhora da Penha, a São Fidelis de Sigmaringa e à Santíssima Trindade. Era o início da Missão do Miranda, origem da atual cidade de Crato. Outro pensamento do padre Edmilson é construir um pequeno nicho, numa das colunas da Catedral, para abrigar a pequena imagem da Virgem Maria, mais conhecida como a “Mãe do Belo Amor”. Ela foi a primeira devoção mariana do Sul do Ceará. A histórica estatueta - já existente por volta de 1740 - foi venerada como a primeira padroeira dos cratenses na capelinha construída por frei Carlos Maria de Ferrara.
GASODUTO NO CARIRI
Deputado Manoel Salviano pediu pessoalmente ao presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, a implantação de um gasoduto no Cariri. A instalação desse gasoduto, no Sul do Ceará, diminuiria custos de produção, introduziria o gás natural como combustível para veículos e colocaria um fim na depredação da Chapada do Araripe, que está sendo desmatada por causa da madeira que é transformada em carvão. Manoel Salviano fez, também, um pronunciamento, na Câmara Federal, sobre a situação do Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, localizado em Juazeiro do Norte. Principal portão de entrada do Nordeste central, este aeroporto foi, em movimento, o que mais cresceu no Brasil, no ano passado. Mas encontra-se defasado e precisando de urgente ampliação e modernização. Ignoram-se as razões porque a Infraero - já com editais prontos para licitação das obras - ainda não tomou tal iniciativa.
DIVULGANDO A HISTÓRIA
A Secretaria de Educação de Juazeiro do Norte introduziu no currículo do ensino fundamental, duas novas disciplinas: Estudos afro-brasileiros e História de Juazeiro do Norte. Reativou, por outro lado, as aulas de Filosofia nas séries terminais. Aliás, um livro-piloto sobre a História do Juazeiro já foi escrito (entre seus colaboradores estão: Geraldo Menezes Barbosa, Daniel Walker e Renato Casimiro) e será editado para uso a rede municipal de ensino.
BOA NOTÍCIA
O ex-vice-reitor da Urca, professor José Nilton de Figueiredo, comunicando que conseguiu - junto ao deputado estadual Teodoro Soares (PSDB) - recursos para implantar a “home-page” do Instituto Cultural do Cariri na Internet. Por conta disso, todas as matérias publicadas na revista Itaytera (a partir do nº. 1, editado em 1954) poderão vir a ser disponibilizadas, na Internet, para quem quiser pesquisar. É a democratização de um valioso acervo, hoje nas mãos de poucas
VELHA ESQUERDA
Crato está a necessitar de um pesquisador para resgatar a ação da velha esquerda que existiu no Cariri antes de 1964. Bons tempos aqueles! Os esquerdistas eram pessoas idealistas e idôneas. Marcaram época no Crato homens da índole de um Ferreira de Assis, José de Figueiredo Brito, Raimundo Coelho Bezerra de Farias, Ernani Silva, Juvêncio Mariano, Otacílio Anselmo, Wellington Alves (Tonton), Geraldo Formiga, Elói Teles, José Valdesley Alves, José Figueiredo de Brito Filho, Rui de Figueiredo Bezerra, Olival Honor, Ivan Figueiredo, dentre outros... Somente em 2002, a esquerda chegaria ao poder no Brasil...
CURTAS
> Estão previstas a construção de 51 mil moradias dentro do programa “Minha Casa, Minha Vida” no estado do Ceará. 4 mil delas serão construídas no Juazeiro do Norte (...)
->A torre da Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores está a necessitar de nova pintura. A última ali feita ocorreu quando o pároco ainda era o saudoso monsenhor Murilo de Sá Barreto (...)
> Autor de várias biografias (dentre elas do presidente Castelo Banco, do escritor José de Alencar e da cantora Maísa), o jornalista Lira Neto está escrevendo nova biografia do Padre Cícero. O lançamento já tem data marcada: 22 de julho de 2011, data do centenário de Juazeiro do Norte (...)
> Em seis anos de governo o presidente Lula já esteve em Juazeiro do Norte em 4 ocasiões. As visitas foram restritas ao Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, em meio a rígidas medidas de segurança (...)
ANOTE: KIT BEBUM
Esta foi postada no “site” Juaonline: “Com o surgimento da Lei Seca, onde é proibido beber e dirigir, um comerciário muito conhecido na sociedade juazeirense, Américo Capelli, está divulgando - através de e-mails e nas emissoras de rádio - a prestação do seguinte serviço: “Caso você queira tomar umas e outras, agora tem quem pode trazê-lo de volta a casa, com toda segurança e ainda guardar seu carro na garagem. Assim, você poderá usufruir o melhor da festa, bebendo à vontade. Esse serviço inteligente custa apenas R$ 35,00. Utilizando-o, você não vai ser multado pagando quase R$ 1.000,00 (Mil Reais). Os telefones para contato são: (88) 8804 - 7814 ou (88) 9928 - 2241”.
JOÃO ARAÚJO SOBRINHO.
O comandante da Casa dos Relojoeiros, está sempre movimentando o mundo ótico, seja ele levando um grupo de 12 colaboradores para a maior “Feira Ótica da América Latina,” em São Paulo - entre executivos, gerentes, consultores - e agora, mostrando os lançamentos da feira em mega desfile na “Semana da Moda”, no Cariri Shopping. São por essas e outras ações, que a Casa os Relojoeiros é líder no ramo em que atua.
sábado, 25 de abril de 2009
Do seriado "Coisas da República"
Brasil
O DIA DE ÍNDIO DE JOAQUIM BARBOSA
A descompostura quase provoca uma crise institucional no STF por causa do destempero de Joaquim Barbosa – justo ele, um ministro símbolo de coragem, cultura, inteligência e elegância
Alexandre Oltramari
POLÍTICA NO TRIBUNAL
A cena, transmitida pela tevê, começou quando Barbosa acusou Mendes de esconder informações dos colegas. Era falso. Barbosa desconhecia detalhes do processo porque estava de licença médica quando o caso foi julgado. A discussão já seria preocupante se terminasse aí. Mas ela continuou. Irritado com uma afirmação de Gilmar Mendes de que não tinha condições de dar lição a ninguém, Barbosa perdeu de vez a compostura. "Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste país", acusou o ministro. "Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com seus capangas de Mato Grosso, ministro Gilmar." Mato Grosso é o estado natal do presidente do STF. Capanga é como são chamados os pistoleiros que agem ali.
A maneira inadequada com que o ministro Barbosa expôs suas divergências com o presidente do STF quase mergulhou a corte numa crise institucional. Terminado o bate-boca, o ministro se retirou do STF sem falar com ninguém. Seus colegas, porém, realizaram uma reunião fechada em busca de solução para o conflito. Houve quem defendesse a abertura de processo contra Joaquim Barbosa e até se falou na possibilidade de seu impeachment. Afastada a sugestão mais radical, os ministros discutiram uma moção de censura pública contra Barbosa, mas também não houve consenso. A tese que prevaleceu, depois de três horas de discussão, foi a diplomática. Os ministros decidiram prestigiar Mendes, por meio de uma nota na qual lamentam o episódio e reafirmam sua confiança nele, sem mencionar uma palavra sobre o comportamento de Barbosa. Em almoço com dois colegas no dia seguinte, Barbosa admitiu que se excedeu, principalmente ao acusar o presidente do STF de possuir "capangas", mas descartou a possibilidade de se desculpar publicamente pelo episódio. O presidente do STF, por sua vez, também preferiu encerrar o caso. "Não há crise, não há arranhão. A imagem do Judiciário é a melhor possível", disse Mendes.
Ao contrário do que a altercação da semana passada sugere, Mendes e Barbosa têm muitos pontos de comunhão profissional e pessoal. Ambos estudaram na Universidade de Brasília, ingressaram no Ministério Público por concurso e complementaram seus estudos no exterior. A dupla também comunga o mesmo temperamento explosivo, embora esse traço de personalidade seja mais visível em Barbosa, que já se desentendeu com sete de seus colegas no STF e no Tribunal Superior Eleitoral. Mendes, ex-assessor de Fernando Henrique Cardoso e ex-ministro da Advocacia-Geral da União, foi indicado pelo presidente tucano em 2002. Barbosa, filho de pedreiro, que sempre estudou em escola pública, recebeu a toga de Lula em 2003. Foi escolhido por seus inegáveis méritos jurídicos, mas também pela disposição do presidente da República de nomear alguém com o perfil de Barbosa.
As rusgas entre Mendes e Barbosa, evidentemente, afloraram muito mais pelo que os separa do que pelo que os une. Ambos têm visões de mundo antagônicas. Considerado um elitista pelos adversários, Mendes costuma ser criticado pela maneira arrogante com que expõe suas ideias em público. Deve-se a ele, contudo, o recente desmonte do estado policial que começava a fincar estacas no coração da democracia brasileira. Já Joaquim Barbosa é considerado um procurador da República disfarçado de ministro. Ele acha que o clamor popular deve ser levado em conta pelos juízes, principalmente quando se trata de punir ricos e poderosos, e discorda das críticas que Mendes tem feito à Polícia Federal e ao Ministério Público. O ministro terá uma chance e tanto de colocar em prática suas convicções. Ele é o relator do processo criminal contra os 39 réus do mensalão, o esquema petista que desviava dinheiro público para corromper parlamentares no Congresso em troca de apoio ao governo. Barbosa já deu sinais inequívocos de que dará uma lição de isenção e coerência no caso do mensalão – este, sim, fornido de provas.
(Fonte:VEJA)
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Barbalha vai realizar Congresso de Folclore e Seminário sobre Religiosidade Popular
Será realizado, no período de 26 a 31 de maio do corrente ano, na cidade de Barbalha, o II Congresso Cearense do Folclore e o I Seminário sobre Cultura, Religiosidade e Festas Populares do Cariri. O evento tem como objetivo principal propiciar a estudiosos, professores, alunos e comunidade em geral um espaço de debates e discussões acadêmicas multidisciplinares acerca da cultura, da religiosidade e das festas populares, tendo como referência a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antonio de Barbalha. A promoção e realização são da Prefeitura Municipal de Barbalha, através da Secretaria da Cultura e Turismo, da Comissão Cearense do Folclore e do Centro Pró-Memória de Barbalha Josafá Magalhães.
Tendo como temática o eixo “Festa Popular: cultura, tradição e fé”, o evento científico-cultural terá conferências, mesas redondas, grupos de trabalho, comunicações cientificas e apresentações culturais com grupos da cultura popular tradicional. Será realizado também o Curso de Atualização em Folclore, destinado, sobretudo, aos professores da área de ciências humanas da rede municipal de ensino, estando, porém aberto a professores das redes estadual e particular.
As inscrições para participar do evento e para apresentação de trabalho científico já se encontram abertas, podendo ser feitas através do e-mail:
Importante: AS INSCRIÇÕES SÃO GRATUITAS
Maiores informações:
E-mail: comissaocearensedefolclore@bol.com.br;
Quem se emociona com Susan Boyle?
Afinal tudo é produção, tudo é feito para platéias de uma economia em crise. O sinal dos tempos. Panis et circensis. Por isso mesmo o escritor Marcelo Carneiro da Cunha, no blog Terra Magazine de Bob Fernandes, pretende ser Susan Boyle. E pretende por ser um escritor que tem o quê dizer, pretende dizer e escreve sem parar mesmo não tendo o sucesso de um Paulo Coelho. Então ele quer algo divino (ou midiático pois é o caso de Susan Boyle): “aquele instante de boa e pura mágica, em todos os anos que vieram antes, todo mundo viu apenas o jeito desengonçado e improvável de Susan e não a artista”. Marcelo acredita que Susan tem a “essência” do artista, aquela que fala ao coração dos homens e se comunica com Deus. Não disse, mas foi isso que ficou subentendido em sua solidão de artista que não arrasta multidões.
Circulou pela Internet a mais cabal prova que estamos criando a cultura, como nossos teóricos bem o dizem, a estética da crise. Já vimos isso em filmes de época, em pintura, literatura e até mesmo da arquitetura. Voltemos aos anos 30 e tudo se encontra bem catalogado. A estética da manipulação das pessoas em sofrimento, para que aplaquem sua raiva com a ruptura do progresso que lhes prometeram e não veio. Esta manipulação não é nova, sempre ocorreu, mas agora ela se encontra nitidamente dirigida para este sentido. Basta identificar as explicações que a imprensa inglesa oferta ao seu público.
Para muitos Susan é uma mensageira vinda para acordar a humanidade das frivolidades mundanas, quando a feiúra da personagem é a contraprova de uma Gisele Brünchen dos saborosos anos do consumo americano. Ou então seria Susan um anjo de esperança neste desespero mundial da crise capitalista. Susan seria uma “madre” trazendo esperança para as famílias em franca decadência no tecido social, a falta de emprego, a dignidade e a sanidade mental. Enfim, aquela que tinha tudo contra si, para os padrões vigentes na produção cultural capitalista, supera-se e esta superação é uma mensagem potente para que tudo mude para permanecer como se encontra. Isso quer dizer: a crítica não se encontra ao modo de produção, mas vangloriar os esfarrapados que na loteria do improvável conquistam o prêmio em pleno coliseu televiso.
Tudo encenado, as emoções dosadas, a música da mesma dimensão do investimento financeiro em superproduções, pois sem aquela música, sem aquela emoção já de todo “elaborada” por milhões de pessoas que puderam previamente pagar um ingresso nas grandes cidades do mundo para assistir ao musical, ou compraram os CDs e DVDs.
Afinal é Susan o anjo da indústria de entretimento globalizada a serviço dos anos de crise. Serviço tão perfeitamente adequado ao momento tecnológico de modo a apenas assim ocorrer em razão do You Tube.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Coluna Política - do jornalista Donizete Arruda
Santana com as mãos na cabeça
domingo, 19 de abril de 2009
Coluna CARIRI, por Tarso Araújo
CIDADÃO CRATENSEO
SÃO JOÃO
I Expo São João, acontecerá no Crato, no Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcanti., O evento é uma promoção da Comissão Gestora da Expocrato, Câmara de Dirigentes Lojistas, Sindlojas e Associação Comercial, com apoio do Governo do Estado e da prefeitura do Crato. Para o presidente da CG da Expocrato, Dr. Leitão Moura, será um São João para a família caririense, com barracas vendendo comidas típicas, festival de quadrilhas juninas e shows com artistas regionais. Destaque para a participação de Joãozinho do Exu, Fábio Carneirinho, Zé de Benona e Epitácio Pessoa.
O QUE FAZ O PROGRESSO
Que atividade - nos dias atuais - alavanca o vertiginoso crescimento de Juazeiro do Norte? Errou quem cravou a opção “romarias”. Hoje, segundo o pesquisador Daniel Walker, o ensino universitário e as grandes empresas que se instalaram na Terra do Padre Cícero são as molas principais do seu desenvolvimento. São ofertados 40 cursos de graduação em Juazeiro do Norte. O “boom” imobiliário do bairro Lagoa Seca, com pousadas, pequenos edifícios residenciais, restaurantes, etc. tiveram incremento após a instalação da faculdade de medicina. Vale por dezenas de romarias, diz Daniel Walker. É verdade. As romarias são feitas por pessoas de baixo poder aquisitivo, que se hospedam em “ranchos para romeiros” e gastam pouco dinheiro.
NOVA POSTURA
Mesmo assim, Daniel Walker faz questão de acentuar a importância do turismo religioso para Juazeiro do Norte. Ele foi - há 40 anos - importante para deflagrar o crescimento da cidade. E mesmo hoje possibilita inserir a Terra do Padre Cícero no espaço midiático brasileiro o ano todo. Hoje, Juazeiro do Norte cresce por gravidade. Seu raio de influência econômica não se resume aos 31 municípios do Cariri. Abrange de Serra Talhada e Salgueiro (PE) a Picos (PI); de Cajazeiras e Sousa (PB) a Iguatu e a região dos Inhamuns, no Ceará.
POLUIÇÃO VISUAL
Recebido com muita expectativa, o projeto para despoluição visual das ruas de Crato parece que esfriou. Até agora só foram retiradas pouco mais de duas dezenas das placas publicitárias abusivas. E isso, por adesão espontânea de alguns comerciantes. A população cobra para Crato o que foi feito pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab: proibição, por lei, de colocação de placas gigantes em fachadas comerciais, além de nova legislação com rígidos critérios para os anúncios de lojas e produtos. Em São Paulo, Kassab deu um prazo para retirada das publicidades abusivas. Findo o prazo, a própria Prefeitura retirou as remanescentes. É o que tem de ser feito também em Crato, diz o povo.
PRECIOSIDADE
No final de sua administração à frente da Urca, o ex-reitor André Herzog, mandou publicar uma edição fac-similar de “Apontamentos para a história do Cariri”, escrito por João Brígido em 1858. Esse livro foi publicado inicialmente pelo “Diário de Pernambuco”, de Recife, em forma de folhetim, em 1861. A 2ª edição ocorreu em 1888 publicada pela Tipografia da Gazeta do Norte, de Fortaleza. Muito provavelmente esta é a primeira publicação sobre a História da Região do Cariri, constituindo-se, portanto, numa verdadeira preciosidade para os pesquisadores, profissionais e interessados na história do sul-cearense. Como ficou pendente (junto à editora Expressão Gráfica de Fortaleza) a prestação final da nova edição desse livro, o professor Jurandy Temóteo, num gesto louvável, adquiriu junto à editora cerca de cem exemplares, todos vendidos - em pouco tempo - através de venda nas bancas de jornal de Crato. Não se sabe se o restante da edição ainda existe ou já foi incinerada...
VELHO SOCIALISTA
Um dos mais lendários socialistas cratenses, José de Figueiredo Brito, teve sua vida resgatada em livro. A iniciativa partiu dos seus filhos Telma e Heitor, autores de “José de Figueiredo Brito - lutas e trajetória”. O velho socialista acreditava que a defesa dos humildes deveria ser feita através das ideias no contexto revolucionário da época. Por conta disso foi perseguido pelo movimento militar de 1964 que o aposentou compulsoriamente do emprego, com prejuízos financeiros. Visceralmente honesto, insubmisso, intelectual de valor, José de Figueiredo Brito terminou seus dias em Recife, aonde faleceu em 1989.
CURTAS
> Juazeiro do Norte e Crato já começam a sofrer as consequências do caos no trânsito em suas apertadas ruas. Em ambas as cidades, há anos a malha viária não recebe ampliação. Já o número de carros aumenta a cada mês. E o que tem feito os Demutrans? Multar os motoristas (...)
> A Secretaria das Cidades do Ceará recebeu sinal verde do Banco Mundial para contratar consultoria com a finalidade de implantação efetiva dos nove geotopes que compõe o Geopark Araripe (...)
> No próximo dia 22 serão iniciados os festejos a São José Operário, padroeiro do distrito da Ponta da Serra e do bairro Lameiro, ambos em Crato (...)
> O novo bispo de Iguatu, o carmelita dom frei João José Costa, tomou posse ontem e virá, em breve, visitar o Seminário São José de Crato. Ali estudam dez seminaristas da sua diocese (...)
ANOTE: 102 ANOS DE VIDA
Raimundo de Oliveira Borges, nosso intelectual maior, completará - no próximo dia 2 de julho - 102 anos de vida. Lúcido e produtivo, ele já escreveu mais de vinte livros e se dedica, no momento, a copilar - para posterior publicação - os dez melhores discursos que ouviu ao longo de sua existência. Admirável este velho advogado, intelectual de renome e uma das reservas morais do Cariri! Nascido, em 1907, na Vila de São Pedro do Crato - hoje Caririaçu - Raimundo de Oliveira Borges foi promotor e diretor das três faculdades isoladas (Filosofia, Ciências Econômicas e Direito) que deram origem à Universidade Regional do Cariri - Urca.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
A CRISE DELES É A NOSSA - por José do Vale Pinheiro Feitosa
Mudamos de parágrafo e com ele para a crise como origem. A crise em primeiro lugar é a crise da liderança que emergiu vitoriosa da guerra fria. Emergiu com uma política neoliberal que tinha, nesta liderança, a armada por ameaça, a pujança tecnológica por encanto, a ficção cinematográfica como ideologia e o mercado como um Deus. Claro que um Deus terreno, a própria liderança: com sua moeda de pretensão de banco central do mundo, seu consumismo capaz de fazer crescer galpões industriais pelo planeta, seu estilo de vida e pensamento capaz de dar lições até as tribos mais remotas do Sahel. Em segundo lugar é a crise dos liderados, agora sem referências, desconfiados do líder, abandonados pelo eixo organizador e desprovidos de iniciativas. Junte o primeiro lugar e o segundo com o modo de eleger presidentes da república nos EUA (lembre da primeira eleição de Bush) e entenda a razão do primeiro presidente negro, descendente de africanos, morador da Ásia e que se entusiasma a ponto de dizer é o cara, com lideranças terceiro-mundistas. Entenda o líder de vestes rotas assumindo o papel do amigo do esfarrapado.
A crise de liderança, também não é divina. Pensando-se onipresente, onisciente e onipotente, os EUA tinham que viver a humildade do dia-a-dia. Ele só seria o que é se desse aos americanos o que desejam: emprego, renda e consumo. E como criar esta mágica. Aí é que vem o artifício que enfeita o horror dos tempos presentes. Ele inventa o que não tem, desregulamenta, flexibiliza, se torna uma criatividade sobre o encanto de coitados, criam mágicas que paralisam os demais povos. A primeira das grandes questões que referiam o valor, o preço, o quanto algo efetivamente vale em comparação com outra coisa é CONTABILIDADE. Sem uma contabilidade confiável, não se tem referência de valor de um negócio, de uma empresa. As contas confiáveis são fundamentais. Vimos que tudo isso se tornou engodo nos EUA. A outra face é a previsibilidade na aposta do capitalismo, aí as Agências de Risco, os modelos estatísticos, o paroxismo da econometria, se tornaram inteira ficção, estavam a serviço do invento e da criatividade dos chamados derivativos e por aí o EUA enganaram todo mundo.
Num dado a crise tem um sentido. Aquele de substituir a herança do pós-segunda guerra e restabelecer a consciência moral e solidária dos povos.
terça-feira, 14 de abril de 2009
A DRAMATURGIA DE CACÁ ARAÚJO

Entrevista concedida por Cacá Araújo à jornalista Thereza Dantas, para o site Dramaturgia Contemporânea. É só conferir o site pelo :www.dramaturgiacontemporanea.com.br/agenda
1. Quais textos já foram montados?
- “A Comédia da Maldição”, em 2005 e 2007, com direção minha e atuação da Cia. Cearense de Teatro Brincante, no Teatro Rachel de Queiroz, Crato-CE. Tem reestréia marcada para maio de 2009, no Teatro SESC Patativa do Assaré, em Juazeiro do Norte-CE.
- “O Pecado de Clara Menina”, estreou em 2007 no Teatro Rachel de Queiroz, Crato-CE, e circula pela região do Cariri cearense, também com minha direção e atuação da Cia. Cearense de Teatro Brincante. Continua em cartaz em 2009, devendo seguir para Sousa-PB e Fortaleza-CE.
- “As presepadas de Zé Ozébe”, foi criada em 2007, inicialmente encenada por alunos do Curso de Teatro da Sociedade de Cultura Artística do Crato (Turma de Cacá Araújo, dez/2007, com direção de Daniel Rodrigues). Depois foi montada pela Cia. Impulso de Teatro, de Juazeiro do Norte-CE, com direção de Mauro César, desta feita estreando em 2008 no Teatro do Centro Cultural do Banco do Nordeste (Juazeiro do Norte-CE), circula no Cariri cearense e paraibano. Continua em cartaz em 2009. Deve ser encenada em Feira de Santana-BA, sob a direção de Marcelo Czar.
- “Monólogos das Flores Violadas”, encenada em 2008, com apresentações no Teatro do Centro Cultural do Banco do Nordeste (Juazeiro do Norte-CE) e Teatro do SESC (Crato-CE), dirigida mim e interpretada pela excelente atriz Carla Hemanuela.
- “Lágrimas no papel”, que estreou em 2008, direção minha, na Faculdade Leão Sampaio - Curso de Serviço Social (Juazeiro do Norte-CE), tem a brilhante interpretação da atriz Françoi Fernandes. Ainda em cartaz em 2009, recentemente foi apresentada no Teatro do SESC em Crato-CE e Juazeiro do Norte-CE.
- “A Donzela e o Cangaceiro”, em fase de montagem, com direção minha e elenco da Cia. Cearense de Teatro Brincante tem estréia prevista para o segundo semestre de 2009, no Teatro Rachel de Queiroz, Crato-CE.
2. A linguagem de suas peças é muito coloquial nordestina, porque você faz isso?
Tenho preferência pela escrita de textos no que chamo de “dialeto nordestino”, que é uma variação lingüística identitária e reveladora da alma popular da região, a um só tempo local e universal, pelo que traz do arsenal vocabular ibérico e, em menores proporções, de outras partes do mundo. Uso, ainda, o verso popular, que nos remete aos trovadores medievais e nos aproxima dos cantadores e repentistas, tão emblemáticos da nossa cultura. Também sempre elejo como motivos centrais causos, lendas e mitos ancestrais como forma de manter vibrantes nossas raízes culturais, de difundir nossas tradições através dessa contação de histórias espetacular que é o teatro. É uma contribuição modesta à gloriosa luta pela afirmação nacional, respeitando toda a diversidade sem se deixar engolir pelos detentores do poder econômico e midiático, seja de dentro ou de fora do país. É a celebração da harmonia universal das diferenças! Somente assim a alma não se destrói, e a contemporaneidade não perde a seiva ancestral que a torna legítima de um povo ou nação.
Mas também escrevo sobre temáticas políticas e sociais numa linguagem, digamos, urbana, como é o caso de meus dois monólogos e de outros projetos que tenho prontos, sempre, nestes casos, seguindo a linha “engajada” de denúncia, de luta social, de forte teor ideológico e de combate ao capitalismo e às injustiças por ele produzidas.
3. Você acredita que esse coloquialismo pode gerar um sentimento regionalista e não sair das fronteiras do Nordeste?
Independente disso, nós já somos vítimas de um preconceito imbecil e arrogante por parte da grande mídia e de certa intelectualidade elitista principalmente do Sul e Sudeste, que não admite arte que não seja moldada em seus parâmetros estéticos e lingüísticos ou nos de seus “superiores” estrangeiros. Vêem-nos com menores, inferiores, até mesmo quando “macaqueamos” seus modelos. Mas felizmente essa é uma tendência que está ficando ultrapassada, especialmente quando se tem em curso políticas públicas que valorizam a diversidade, como é o caso atualmente do desempenho do governo federal.
Creio que o fato de privilegiarmos nossa linguagem pode gerar desinteresse por parte dos grandes patrocinadores privados de origem não-nordestina e internacionais, embriagados pela mídia e enlouquecidos pela sede de lucros. Mas penso que circuitos alternativos subsidiados pelo poder público realizados por instituições sérias como o SESC, BNB, FUNARTE e outras, via editais ou mesmo através de festivais e outras iniciativas, poderão desmistificar esse falso entendimento de regionalismo e proclamar a universalidade de qualquer gesto artístico.
Outra vertente importante é no campo midiático. O Brasil não pode mais bancar o monopólio da informação e da veiculação de símbolos culturais nas mãos de um punhado de produtores e intelectuais de uma única região ou estado. Precisamos regionalizar a nossa produção televisiva e informativa para que a diversidade nacional seja respeitada. Quando falo regionalizar é no sentido de difundir a arte, a notícia, os costumes, a história, a vida do povo de cada região geográfica e cultural, sem impor as neuras comportamentais estrangeiras nem os modismos novelísticos da vez. A democratização efetiva dos meios de comunicação é um caminho indispensável. Na minha opinião deveria ser tudo estatizado, laicizado, “gratuitizado”, com efetivo e eficiente controle social. Nada de “Marinhos”, “Macedos” e outros arremedos de paladinos da comunicação.
Não podemos, também, descuidar dos processos educacionais formais. A escola tem que ser um centro múltiplo: receptor, produtor, irradiador e intercambiador da ciência e da arte. Digo isso porque vejo a Educação como centro da emancipação humana. Somente através dela pode salvar o homem da desgraça, da barbárie, da destruição. Mas precisamos mudar os paradigmas ideológicos dominantes.
4. Existe alguma regra na construção dos seus dramas?
Sou um dramaturgo autodidata. Li e leio muito sobre tudo, de história e teoria literária aos clássicos e atuais conhecidos e desconhecidos autores. Cordéis, romances, política, poemas...
Considero-me privilegiado por ser aluno de Aristóteles, Platão, Sócrates, Sófocles, Eurípides, Ésquilo, Plauto, Racine, Molière, Goldoni, Brecht, Meyerhold, Stanislavski, Marx, Engels, Stálin, João Amazonas, Ângelo Arrôyo, Plínio Marcos, Dario Fo, Nelson Rodrigues, Maria Clara Machado, Lourdes Ramalho, Ariano Suassuna, Dias Gomes, Guarnieri, Boal, Câmara Cascudo, Oswaldo Barroso, Rosemberg Caririy, Mário de Andrade, Patativa do Assaré, Correinha, Leandro Gomes de Barros, Galego Aboiador, Marreco, Gavião, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Pedro Bandeira de Caldas, Raimundo Aniceto, Mestre Aldenir, do transeunte, do bêbado, da meretriz, da criança, do vento... e de tantas e tantos incontáveis mestres e loucos!
Não costumo seguir regras na criação de minhas obras, apenas estabeleço um argumento inicial, que depois deriva para narrativas mais detalhadas, seguindo-se da elaboração do texto propriamente dito. Como sou ator e diretor, gosto de abusar de rubricas, pois escrevo para eu mesmo encenar, embora não proíba que outros diretores e companhias montem meus textos.
5. Você está escrevendo um livro sobre o gestual do teatro nordestino. Poderia nos contar um pouco sobre esse trabalho?
Não é exatamente um livro. Estou pesquisando e experimentando o que chamo de “cena brincante”, que é um mergulho na tradição dos folguedos populares (Reisado, Maneiro pau, Coco, Bandas cabaçais etc.), na inspiração dos mitos (Lobisomem, Caipora, Lula-sem-cabeça...), no aconchego dos causos e lendas, nos movimentos faunescos (gestualidade animal), no antropo-homem sertanejo... ligando isso tudo a nossa ancestralidade. Estamos à procura do “gesto dramático universal”, por isso a palavra falada, dita, não pode ser impeditiva de circulação de um espetáculo. Pretendo, entretanto, publicar essa experiência.
6. Quais são os personagens arquetípicos do teatro nordestino?
O Nordeste é mais legitimamente universal do que qualquer outra região do país. Aqui residem os elementos formadores do grande mosaico cultural que é o Brasil, caldeado por mais de quinhentos anos. Aqui nós temos ibéricos, mouros, africanos e ameríndios. Somos talvez o maior exemplo da possibilidade de unidade de contrários, de harmonia da diversidade, de beleza e de multiplicidade de cores.
Neste sentido, nossos personagens arquetípicos vêm de tempos medievos e de pelejas nem sempre alegres ou brincantes. É o Bobo-Grilo-Malasartes-Mateus-Povo que diverte os poderosos ao tempo em que deles se vinga e astuciosamente persegue a felicidade. É o valente, a donzela, o bicho-mito que apavora e fortalece uma moral religiosa, a fera que se transforma, o príncipe que liberta... Somos um povo “aventuroso” desde os nossos antepassados. Estamos sempre recontando a extraordinária epopéia da busca da felicidade, reeditando permanentemente a comédia e a tragédia de se viver digladiando contra a opressão (monstro) para salvar a princesa (liberdade). Isso é resquício da colonização católica. Temos nossos Zumbis e outros mitos e heróis que nos remetem ao índio, ao cangaço e às façanhas revolucionárias que nossa maravilhosa história teima em reacender.
7. O que se aproxima mais do teatro nordestino hoje, a comédia dell'arte ou a dramaturgia contemporânea?
Vejo a commedia dell’arte como a síntese genética do teatro nordestino, pois este, mais apegado à tradição das ruas e das feiras, soube melhor traduzir a essência da alma popular, não se deixando levar pela tendência neurótica do urbanóide narcotizado pelo vírus estadunidense ou pela vertente européia degenerada.
Quero até fazer um parênteses quanto à questão da contemporaneidade. É que as épocas estão se fundindo como que a caldear uma nova existência e o que tiver raiz profunda sobreviverá. Por isso não podemos nos perder do nosso tronco, sob pena de termos que penar mamando no peito de quem não nos pariu e até nos comportarmos como sendo outro, pensando sermos nós. Imagino e sou convicto de que o nosso “novo”, o nosso “contemporâneo” não deve se perder da “umbilicalidade” original.
8. Como você vê a produção do teatro nordestino hoje?
O verdadeiro teatro nordestino é a festa dionisíaca mais original, efervescente e respeitável que conheço, pois, via de regra, não tem apelo nem pêlo dos gatinhos e gatinhas da mídia novelística que garante bilheterias e dispensa talento. Vejo autores mais destacados como o Ariano Suassuna, Hermilo Borba Filho e Lourdes Ramalho, serem, por nós notabilizados, junto a Oswald Barroso, Marcos Barbosa, Emmanuel Nogueira, Cacá Araújo e Wanderley Tavares dentre outros, com algum espaço na produção e circulação, ainda que circunscrita praticamente ao Ceará e ao Nordeste.
9. Como você vê a produção do teatro brasileiro?
Acompanho o que a internet, jornais e revistas me oferecem. Depois o que consigo ver por aqui, não sendo muito, mas sempre de muita valia.
Entendo que o teatro brasileiro terá sua dimensão reconhecida em todos os sentidos quando o povo conseguir olhar para o espelho e vir a si mesmo, com suas ambições, perfeições e defecções, sonhos, alentos e desalentos, feiúras e belezas, aventuras e desventuras... motivos de orgulho e de auto-estima revigorados! Hoje o nosso teatro ainda é, no conjunto majoritário, a expressão de poucas companhias de famosos e ou privilegiados pelo grande patrocinador privado ou estatal, fruto de lobby midiático.
Entretanto, a produção não cessa e se diversifica na riqueza do temário, da história, da ousadia e do talento de homens e mulheres que se afirmam na condução da cena brasileira alternativa. Não se pode desconhecer a interpretação magistral de um Autran e de uma Montenegro ou Pêra, sem também elencar gente nossa como Ricardo Correia, Salviano Saraiva, Orleyna Moura e muitas e muitos...
Em, 5 de abril do ano 2009.
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