Seja colaborador do Cariri Agora

CaririAgora! é o seu espaço para intervir livremente sobre a imensidão de nosso Cariri. Sem fronteiras, sem censuras e sem firulas. Este blog é dedicado a todas as idades e opiniões. Seus textos, matérias, sugestões de pauta e opiniões serão muito bem vindos. Fale conosco: agoracariri@gmail.com

domingo, 31 de outubro de 2010

O Discurso de Dilma e Futuro do Crato - José do Vale Pinheiro Feitosa

Soberba e contorcionismo nunca fizeram bem no comentário de resultados eleitorais. Isso posto que só existem duas possibilidades: vitória ou derrota. Os vitoriosos fazem a festa, como acontece agora mesmo em Fortaleza e os derrotados silenciam. Alguém escreveu num dos blogs da região do Cariri que o Crato estava parado neste dia. Não havia nada vibrante pelo menos no curso da votação.

Uma boa explicação é a presença de Samuel Araripe, prefeito do Crato e do PSDB. Podendo tornar evidente a campanha de Serra, como aquela festa que amoleceu o coração dos assessores da prefeitura no lançamento no Tênis Clube. Foram fotos que contarão a história deste momento tumular da cidade. Ela parece acabrunhada, nada muda, tudo é igual, é o lento sonambulismo histórico.

Alguém acordará o Crato deste sonho que não cessa? Parece que na cidade, em termos políticos, não há nada que não venha da década de 50 do século passado. A prefeitura é o altar desta grande dormência. Que apenas perderá o efeito adormecido quando o quadro político da cidade mudar. E mudar igual Zé Flávio brinca com o PTB de Nova Olinda: os partidos populares realmente se organizarem e aprenderam a lição do novo tempo.

Agora mesmo é possível que alguém tente recordar a quantidade de votos que a Dilma não teve. Óbvio que os votos em Serra para tentar emparedar os sonhos dos vitoriosos. O melhor modo é comparar os dois turnos, uma vez que esta é a verdadeira história destas eleições. Em primeiro lugar, como se tornou quase uma regra, a abstenção é maior no segundo turno: foram menos 4,5 milhões de votos.

O outro fato é que os eleitores tomaram partido, se mobilizaram mais e deixaram para lá os votos em brancos e nulos: foram menos 2,4 milhões de votos num universo que representava no primeiro turno 9,5 milhões. Portanto foi um segundo turno mais politizado e com mais opções por um dos candidatos. O candidato Serra ganhou 10,2 milhões de votos em relação ao primeiro turno, mas partiu de um patamar mais baixo quando comparado a Alckmin nas eleições de 2006. E Dilma, que já estava num nível elevado de votos, recebeu mais 8,0 milhões de votos.

Portanto os vitoriosos devem se alegrar e apostar no seu projeto de governo que foi traduzido muito bem pela candidata. A própria eleição dela, uma mulher, já é uma firme resposta do eleitorado ao discurso machista e conservador do candidato desde o primeiro turno. Quem soube interpretar o primeiro discurso da candidata há de observar uma grande coisa: os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social estão no mesmo patamar do direito de opinião e expressão. Para bom entendedor está dito: a opinião e a expressão não destruirá os outros direitos.

Um dos vícios dos pais modernos é criar Mauricinhos que se derretem numa ingenuidade açucarada ou numa prepotência de Pitboy. É lavada besteira imaginar que ferir a liberdade de idéia e expressão é se contrapor a quem as tens. Aí mesmo é que se encontra a tal liberdade. O Crato só vive esta pasmaceira por que ninguém pode criticar nada que um ódio contra qualquer um se levantará uma vez se diga que exista um simples buraco de rua. Isso quem vive lendo aqui sente o tempo todo.

Então que use seu ódio, mas vou não posso esquecer o buraco. Todo mundo sabe que a base da crítica da campanha do PSDB contra Dilma nasceu naquele documento sobre direitos humanos a partir do qual criaram as questões do aborto e do casamento gay: A candidata zelará pela irrestrita liberdade de imprensa, pela mais ampla liberdade religiosa e de culto e aí o complemento necessário: pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados em nossa constituição.

A outra farsa é querer elogiar a candidata agora já criando as garras com que irá se contrapor a ela. É claro que ela governará para todos. Que a oposição é uma escola de melhoria de governo, que inclusive se o Crato tiver funcionando bem deve fazer muito bem à cidade, mas não parece.
O discurso da presidenta eleita é bem diferente daquele de Lula nas suas duas eleições. O mundo passa por uma crise financeira e agora os especuladores já estão no seu devido lugar e ela qualifica muito bem isso quando diz: a retomada dos mercados de financiamento, limitando a alavancagem e a especulação desmedida, que aumentam a volatilidade dos capitais e das moedas.
Afirma a questão do uso das riquezas nacionais para o desenvolvimento dos brasileiros, mas de uma forma clara e dizendo claramente qual o método. O método da partilha que efetivamente separa capital, estado e define o destino da riqueza para o desenvolvimento das bases sociais: educação, saúde, segurança e desenvolvimento da renda dos brasileiros. Definitivamente, não alienaremos nossas riquezas para deixar ao povo só migalhas.

Ao terminar sua manifestação, a presidenta Eleita, como a consolidar as posições do seu projeto eleitoral, seja pela seu agradecimento pessoal e, principalmente pela força política nele identifica o lócus desta força e ela é Lula. Os arautos da oposição não podem jogar pedras no presidente sem atingir, simultaneamente, a presidenta eleita.

Na minha opinião o Crato mudará muito nas próximas eleições. O Ceará já mudou muito nestas. Agora o espaço político está arejado e aquela preguiça que a pessoa identificou no dia de hoje é apenas o silêncio que anuncia que daqui para frente tudo vai ser diferente. E não apenas pela vitória da candidata, mas principalmente pela derrota daqueles que controlavam o passado.

Onde você estava nestas eleições? - José do Vale Pinheiro Feitosa

Sabemos que uma tática do embate político é caricaturar o adversário. Dar-lhe nomes que podem pegar como um apelido. Enfim derrotar a imagem pública dele. Nestas eleições foi usada pelos dois lados e se propagou no novo meio que é a internet.

Um meio diferente, muito mais capilar e que funciona, por vezes, como um eco que repete uma voz muitas vezes. É território pantanoso, das manifestações mais belas e do mais abjeto do obscurantismo do pensamento humano. E será até o ponto em que as próprias manifestações se tornem banais e todos saibam, de pronto, a cantiga do trololó.

Ontem pelo meio da noite recebi uma “mensagem”, que se originara de outra multiplicada e aquela fora enviada para um mealing de mil pessoas. Eu soube, pois é de um amigo jornalista. Qual o teor?

Ele como eleitor do Serra vibrava com o apoio da Marina ao candidato na última hora e trazia um link para uma página da ex-candidata. De cara estranhei, a Marina já havia anunciado sua posição, tinha se manifestado contra a campanha de Serra de envolvê-la de modo farsante. Então abri o link e estava lá uma matéria que fazia parte da enganação engenhosa e que maculou a credibilidade do meu amigo.

A página era a da Marina. Só que o link remetia para uma postagem de agosto de 2010, ainda no primeiro turno. Na essência ela dizia que não reconhecia a Dilma como eleita, que a conhecia pelos papéis que tivera no governo. Era a posição de quem disputava e acreditava na disputa, jamais iria reconhecer que a fatura já estaria pronta no primeiro turno.

Ora, imediatamente procurei a página da Marina e lá deveria encontrar o que ela dizia. Ao abrir as postagens dos últimos dias não falavam disso. Imediatamente denunciei o fato ao amigo que teve de repassar para o seu imenso mealing o desmentido.

A lição que tomei disso é que do mesmo modo que desconfio da manipulação em certos assuntos da mídia, agora mais do que nunca temos de ter o mesmo em relação ao universo da internet, de qualquer natureza: site, blogs, redes sociais e e-mails. Quantos não já receberam textos de autores famosos que não são deles, apenas alguém se achando um gênio esquecido, faz um besteirol e manda adiante com o nome do Veríssimo, do Jabor, Quitana e etc.

Aliás a maior manipulação foi de um poema de Mayakovisk que a extrema-direita inverteu, no seu acordar das sombras com a era Bush, inclusive por aqui, andou espalhando na internet. Aliás, eis uma má notícia. A extrema-direita soube se aproveitar do pântano geral da rede.

Dizem que a campanha de Serra contratou um Indiano cuja natureza dele é criar uma trama de divulgação de fatos, que envolve amigos nossos (assim como fazem os ladrões de senha) que nos repassam, que usam de táticas pervertidas de deturpação de imagens, de invencionices de fatos, dentro de uma malha ampla de manipulações.

Isso mexeu com muita a prática da oposição na atual campanha. Em São Paulo havia uma rede imensa para espalhar estes spams. O mais clássico foi que mal acabara de receber um texto indignado contra o PT e Dilma dizendo que um site petista estaria estimulando a guerra contra a igreja, a matéria já aparecia dentro de um grupo imenso de pessoas. A história envolvia eleitores do PSDB do estado como repassadores e tinha uma articulação no twitter da Soninha que é era um dos braços da campanha.

No meio da tarde o esquema tinha se desmascarado e Soninha, após ter ampliado o assunto até não mais vê, fez tipo de fui enganada pela rede. Acho que teve muita gente enganada, mas muitos foram adiante mesmo sabendo que era assunto fajuto. Tudo pela vitória, pensavam. E ainda se acham no direito de dar lições de moralidade e ética.

Dilma chega ao dia da eleição com 55% das intenções de voto, aponta Datafolha

Dilma Rousseff (PT) chega ao dia da eleição com 55% dos votos válidos, segundo pesquisa Datafolha realizada ontem e hoje. Está dez pontos à frente de José Serra (PSDB), que pontuou 45%. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais.

O Datafolha entrevistou 6.554 pessoas neste sábado, um número maior do que o de outras sondagens recentes. A pesquisa foi encomendada pela Folha e pela Rede Globo e está registrada no TSE sob o número 37903/2010.

Se confirmar nas urnas o resultado do Datafolha, Dilma será eleita a 40ª presidente do Brasil. A corrida eleitoral tem se mantido estável nos últimos 15 dias, com os dois candidatos variando apenas dentro da margem de erro do levantamento.

Na última quinta-feira, Dilma tinha 56% e oscilou negativamente um ponto. Serra estava com 44% e deslizou um ponto para cima. Do ponto de vista estatístico, é impossível afirmar se houve ou não variação no período.

Quando se consideram os votos totais, Dilma tem 51% contra 41% de Serra. Ambos oscilaram positivamente um ponto cada de quinta-feira até ontem. O percentual de indecisos continua em 4%. E há também 4% de eleitores decididos a votar em branco, nulo ou nenhum.

A campanha de segundo turno agora em outubro mostrou uma recuperação de Dilma em todos os segmentos analisados ontem pelo Datafolha, com exceção de dois grupos: os eleitores da região Sul e os do interior do país.

No Sul, a petista começou o mês com 43% contra 48% de seu adversário tucano. Ontem, Dilma estava com 42% e ainda perdia para Serra, que pontuou 50%.

Entre os eleitores do interior, a candidata do PT ficou no mesmo lugar. Começou outubro com 50% e ontem tinha o mesmo percentual. Mesmo assim, está sete pontos à frente de Serra (43%).

A arrancada mais significativa de Dilma se deu nas regiões metropolitanas (de 44% para 52% neste mês) e no Sudeste (de 41% para 48%). O Sudeste concentra 45% dos eleitores do país. Serra, que é paulista e fez sua carreira política na região, tem 44%, o mesmo percentual do início do mês.

No Nordeste (25% dos eleitores brasileiros), a petista manteve neste mês sua liderança sobre o tucano. No início de outubro, tinha 62%. Ontem, segundo o Datafolha, Dilma estava com 63% e uma frente de 33 pontos sobre Serra, cuja pontuação na região foi de 30%.

O principal reduto do tucano é o Sul. Mas ele avançou pouco durante o mês, de 48% para 50%. Dilma, cuja carreira se deu no Rio Grande do Sul, não conseguiu se recuperar entre os sulistas.

Nas regiões Norte e Centro-Oeste, os dos candidatos a presidente começaram o mês empatados tecnicamente: Serra com 46% e Dilma com 44%. Ao longo da campanha, a curva se inverteu. Ontem, a petista estava com 50% e o tucano com 42%.

A pesquisa Datafolha confirma a força de Dilma entre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos (44% do total do país). A petista tem 56% nesse segmento contra 36% de Serra.

Fonte: Folha.com

sábado, 30 de outubro de 2010


Ontem encontrei Edilma em plena atividade com Ernesto e Ricardo (seus irmãos) e mais outros componentes do grupo de organização do IV SALÃO DE OUTUBRO

Os trabalhos expostos foram analisados e julgados pela comissão composta por Divani, Noemita, Pachelly ,Tarcísio Pierre .

Edilma parecia um dínamo. Apesar de cansada pelo empenho e pela trabalheira de dias seguidos, manteve tudo muito organizado e impecável.

Vale a pena ver a Mostra hoje, dia 30, às 20 na
GALERIA DA REFFESA - CENTRO CULTURAL ARARIPE

***
CONFIRAM E VISITEM ESSE GRANDE EVENTO

Comissão (parcial)
Tela de Edilma (Metamorfose)
(Já apreciada por dois visitantes curiosos)
Esculturas...
(E um sorriso amarelo esculpido no rosto do visitante anônimo)
Homenagens

Para ver as obras dos artistas concorrentes apareçam e deleitem-se!


Claude Bloc


Renascer duas vezes...
(no mesmo dia)
- Claude Bloc -

Dia 28 foi dia de grande aventura. Peguei o avião em Fortaleza, já com atraso de mais de 1 hora, e por duas vezes, cheguei a sobrevoar Juazeiro, mas devido a "uma falha técnica" o avião teve que retornar a Fortaleza.

Imaginem o ânimo das pessoas dentro daquela nave, em meio às nuvens, naquelas alturas sendo supreendidas com o retorno. O voo prosseguia e, de repente, eram vistas de novo as formações montanhosas da região de Caririaçu e o aviso encabulado do comandante sobre um problema nos "flats" que não permitiam pouso na pista curta de Juazeiro.

A agitação teve início, mas sem pânico. Pessoas começaram a circular pela nave em busca de informações mais precisas. Uma menininha loura corria de lá pra cá... Gente(s) com compromissos inadiáveis começaram a "chiar"... e finalmente visualizamos  Fortaleza e , nessa hora, as orações se apertaram para que o pouso acontecesse sem complicações... Deu certo!

Esperamos no aeroporto para uma definição e posicionamento por parte da empresa. Alguns desistiram de um novo embarque na exata hora em que pisaram o solo. A grande maioria esperou pra ver.

Às 19 horas, fomos chamados para um reembarque. A empresa afirmando tudo estar garantido em termos de segurança. Começou a nova viagem. Agora já no escuro. Lá de cima  as luzes das cidades iam aparecendo e sumindo e, de novo, aconteceu a frenagem no ar indicando que íamos descer. Novamente lá estava Juazeiro e suas casas, e suas ruas. Mas, novamente, fomos informados de mais um retorno frustrante e sombrio. Feições tensas apareciam em cada pessoa... 

Novo pouso. A cada chegada telefonemas mil avisando a quem esperava no aeroporto de Juazeiro pelos passageiros que "tudo estava bem". 

A empresa então providenciou (e só desta vez) um recambiamento dos passageiros para o voo da Gol de 23:45h e ofereceu o jantar para quem aceitasse prosseguir a viagem. Novo check-in na nova empresa. Saída pontual... Chegada ao destino, FINALMENTE, com as graças de Deus!!!

Vejam os ESCRITOS DE BORDO:

Asas
Tenho asas
Prontas para voar
Asas beta-gama-delta
livres
e
soltas

Eis que embarco
Sobre as nuvens
Sobre o tempo
Sobre as horas
Horas de ninar
Dias de sorrir
Asas minhas sobre o Cariri.


O Voo

Estou a caminho
as nuvens não as vejo
lá embaixo
apenas as luzes das muitas cidades.
O dia escureceu
e todos nós renascemos.

O pouso

Não sei porque me lembrei de Caldas Aulete. Talvez porque estou a mil metros do chão e me faltam palavras. Aqui não tenho dicionário nem banco de dados. Apenas adrenalina correndo célere pelo corpo.

O medo de alguma forma arrefeceu-se. Pus-me em oração e uma confortável paz se fez. Mente aberta à vida e às alegrias dos (re)encontros fazem-me sorrir sem respostas... Não era a hora!!! Então fora de hora agradeço a ventura de pousar mais uma vez no Cariri e lá também pousar meus sonhos.



O Desembarque

Desço da nave, mãe dos meus medos. Respiro profundamente o ar fresco da minha terra. Bebo a doçura do encontro. Encontro a segurança do solo.

Piso devagar para senti-lo e sinto-o meu. Descubro em solo, o solo da noite e o silêncio embriagante da Chapada no chegar das horas ( no Cariri).

Claude Bloc

O Senhor e o Solado de Sapato - José do Vale Pinheiro Feitosa

Tudo neste mundo se diferencia. Eis que o nosso panorama seja tão rico.

Um senhor, dado a chistes, querendo um cruzado no adversário, já foi presidente da república do Brasil e diz que mudou a história do país. Não mudou no essencial, mas o grande enredo do papel do Estado Nacional e dos mais pobres.

Ao final do seu mandato as famílias ricas estavam mais bilionárias e os pobres uma pobreza que nem imaginavam. Este senhor quebrou o país algumas vezes e recebeu alguns cheques do amigo do Norte para descontar na praça. E se foi e os avalistas, os brasileiros, pagaram a conta.

O solado do sapato desse senhor se fricciona ao solo que pisa. Acostumou-se aos tapetes macios, aos passos silenciosos, como um anjo flutuando nas nuvens. Ontem se arrastou no piso de um hotel de luxo, carregando o senhor para uma palestra a investidores estrangeiros antecipando a fatura que o seu candidato entregará.

É solado bem conservado. Apenas tem de se atritar ao solo algumas horas do dia. Antigamente eram mais do que 14 horas das 24 que os pés do senhor tinham. Hoje se esqueceram do senhor, a aventura dos ávidos por poder se encontra em penumbra. O solado adormece no sapateiro como um gato de madame.

Mas o candidato do senhor se desmaterializou do original. Gira como biruta em vendaval. E chamaram o senhor para uma caminhada no áspero das ruas. No solo que mendigos adormecem, ali onde o crack é fumado. Tem nomes de causar suspiros aos brasileiros: viaduto do Chá, Vale do Anhaganbaú. E o senhor a salvar o mundo com os passos no indesejado espinho em que se arranham os pobres.

E o solado é o espelho do dono. Nem bem alguns cumprimentos dos políticos acima do chão. Passos no sofrimento do piso irregular. Dos buracos da prefeitura, das poças de águas impermeáveis do solo, no cocô dos cães, no lodo do mijo dos mendigos. O solado desempenhava o papel pior a que seu senhor se sujeitara.

E se foi. O solado não suportou a dor da humilhação. Separou-se do sapato e se fingiu de morto numa quina de paralelepípedo. O senhor horrorizado com aquele fujão das horas amargas, também se foi. Havia um motivo superior, não ajudaria a vitória se aparecesse na televisão mancando pela diferença de nível.

E se despediu com seu modo de repetir as frases em sinal de “touché” aos que lhe incomodam: já ganhou! Já ganhou! Já ganhou! Já! Já!

E apascentou-se do calor e das ruas fétidas no ar condicionado da sua carruagem macia.

RAPADURA CULTURARTE APRESENTA: “Alumiação” Nº 01

Prof. Jorge Carvalho, mentor e apresentador do Rapadura Culturart

“Dedicado a Eloi Teles” - 10 Anos de Saudade - e ao Bairro Batateiras
Tributo de saudade a Zé Gonzaga

DATA: 30 de outubro de 2010
LOCAL: Barracão do Folclore - Bairro Vila Lobo
HORÁRIO: 17 Horas

PROGRAMAÇÃO
1. Apresentação do Maneiro-Pau do Baixio do Muquém.
2. Apresentação do Reisado do Mestre Aldenir.
3. Forró Flor do Piqui.

CONVIDADOS
Mestre Cirilo, Mestres Raimundo e Antônio Aniceto, Mestra Zulene, Mestra Edite, Mestre Galego, Mestras Penha e Mazé, Luciano Carneiro, Mestre Vicente Flor, Mestre Pedro...

SERÁ SERVIDO MUCUNZÁ, CAFÉ E BOLO DE MILHO

CNBB defende declarações do papa Bento 16 sobre o aborto

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) saiu em defensa nesta sexta-feira da declaração do papa Bento 16 que recomendou que bispos brasileiros preguem voto contra políticos que defendam aberta ou veladamente o aborto.

Em nota, a entidade afirma que "acolheu com gratidão" as palavras do papa que reforçam seu posicionamento de que padres orientem politicamente os fiéis brasileiros.

Para a CNBB, cada bispo tem direito de pregar, além de valores religiosos, voto em determinado projeto político.

"Em seu pronunciamento, o Santo Padre confirmou a preocupação constante da Igreja no Brasil em defesa da vida, da família e da liberdade religiosa. O Santo Padre enfatizou o direito e o dever de cada Bispo, em sua Diocese, de orientar seus fiéis em questões de fé e moral, inclusive em matéria política, confirmando o que a CNBB havia recordado em documentos, notas e entrevistas anteriores", diz a nota.

A declaração do papa gerou críticas entre aliados da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, que acusaram a igreja de extrapolar suas funções.

A CNBB explicou que o encontro de ontem com o papa ocorre anualmente para "apresentar o balanço das principais atividades", "bem como acolher sugestões e orientações, refletir sobre opções e alternativas pastorais" e que a reunião coincidiu com a passagem dos bispos maranhenses.

Em encontro com bispos do Maranhão, em Roma, o papa reiterou a posição católica a respeito do aborto, condenando o uso de projetos políticos que defendam a descriminalização da prática. "Os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas."

Segundo o papa, a democracia só existe quando "reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana".

Bento 16 fez um "vivo apelo a favor da educação religiosa" nas escolas públicas e pediu ainda pela presença de símbolos religiosos em locais públicos. O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, é citado como um exemplo de monumento que contribuiu para o "enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade".

Fonte: Folha.com

Presidenciáveis se ignoram em debate da Globo e centram falas em propostas

Vanderlei Almeida/AFP

Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) evitaram a troca de acusações diretas no debate da TV Globo, último encontro entre os presidenciáveis. Os candidatos se ignoraram e apenas fizeram críticas indiretas.

O tom do encontro foi o da apresentação de propostas, muitas delas já feitas durante a campanha e nos outros nove debates que aconteceram.

O debate teve três blocos com perguntas feitas por eleitores indecisos. Cada candidato respondia a uma pergunta de um eleitor indeciso com réplica e tréplica entre Dilma e Serra.

No terceiro bloco, Serra falou no aumento da arrecadação de impostos. Sem citar o governo Fernando Henrique Cardoso, Dilma respondeu que hoje a economia cresce mais e que antes era quase zero.

"Você arrecada mais porque as pessoas consumiram mais, tiveram mais renda e lucraram mais", disse a petista.

Ao falar de educação, ela também deu uma cutucada no governo anterior. "Não sei se você sabe, mas estava proibido fazer escola técnica pelo governo federal."

Nas considerações finais, a petista disse que não guarda mágoas dos ataques que sofreu.

"Nessa campanha em alguns momentos eu fiquei muito triste das calúnias que sofri."

Serra também fez críticas indiretas ao governo Lula e à política econômica, ao defender uma economia mais forte. "O Brasil é um dos países do mundo com menos investimento. Inclusive menos que no passado."

O momento de maior descontração foi um quase bate boca entre Dilma e o mediador Willian Bonner por conta de um erro no relógio que marcava o tempo.

INDIRETAS
O primeiro bloco foi o mais quente. "O exemplo tem que vim de cima. O chefe de governo tem que começar dando exemplo escolhendo bem as equipes e punindo quando há alguma irregularidade", afirmou o tucano, ao ser questionado sobre a corrupção.

Ele ainda falou dos ataques aos órgãos de controle como o TCU (Tribunal de Contas da União), criticado diversas vezes por Lula.

Serra citou o caso dos aloprados do PT nas eleições de 2006. "Tem casos que estão insepultos que não foram feitos nada", disse.

"A corrupção no Brasil chegou a níveis insuportáveis", completou.

Também no primeiro bloco, Dilma citou o escândalo dos Sanguessugas de 2006. "Foi na área da saúde, tanto é que chamou de sanguessugas", disse.

Ela defendeu o trabalho da Polícia Federal durante o governo Lula. Segundo ela, foram presos pela primeira vez governadores e grandes empresários.

"O importante é investigar e punir. Doa a quem doer", afirmou a petista, que ainda tratou da Controladoria Geral da União.

Ela criticou o governo Fernando Henrique Cardoso. "É importante que não haja o engavetador -geral da República", afirmou a candidata em referência ao apelido do procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, durante o mandato de FHC.

Por diversas vezes, Dilma soltou frases do tipo "muito importante essa pergunta".

TOM AMENO
No segundo bloco, Dilma e Serra sustentaram um tom ameno.

Na pergunta mais dura do debate, a eleitora indecisa disse que ambos mostram uma saúde de qualidade no programa eleitoral, e afirmou que, no entanto, a população é "tratada como lixo" e "sofre como animais" nas filas de hospitais.

O tucano afirmou que o governo encolheu "em seis ou sete" pontos percentuais as verbas para a saúde. A candidata petista disse que o Brasil tem "um problema sério de qualidade da saúde".

"Se a gente não reconhecer, não melhora", disse Dilma, que disse assumir um compromisso de jogar o "peso" do governo federal na qualidade da prestação dos recursos para Estados e Municípios.

Os dois candidatos voltaram a propor a criação de policlínicas especializadas.

Quando o tema foi a educação, Serra também cutucou o governo federal, quando afirmou que "muitos Estados e municípios não estão pagando nem o piso" para os professores da rede pública porque o "governo federal havia se comprometido a pagar a diferença e não está pagando".

O presidenciável tucano voltou a propor um pacto nacional pela educação, "acima das disputas políticas e eleitorais".

"Temos que ter um entendimento que passe por cima dos partidos, de sindicatos", afirmou.

Dilma também insistiu na valorização salarial e na formação continuada dos professores. Nesta questão, cutucou o tucano, acusado por petistas de tratar professores com violência.

"Se não houver pagamento digno para professores, não há como ter qualidade da educação. Precisa ganhar bem e ter formação continuada. Não se pode tratar professor com cassetetes ou interromper o diálogo. O diálogo é fundamental no respeito à essa profissão."

Fonte: Folha.com

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Luiz Carlos Salatiel - Emerson Monteiro

Ele, um desses iguais personagens advindos nas asas da ficção do Cariri, Luiz Carlos Salatiel. Surgido nesse mundo fantástico das terreiradas mágicas do chão nacional dos ancestrais, Luiz invade o salão das festas populares também para movimentar em si próprio a cena luminosa do hemisfério oriental de músicas, artes plásticas, literaturas. Arauto da alegria, sacode maracás do ritual dos caboclos desde tempos atrás, aos turnos dos festivais da canção do Parque Municipal a salões de arte e outras manifestações paralelas.
Depois, dormir ouvindo Luiz entrevistar os mestres Aldeni e Isabel, do Reisado da Vila Lobo, no programa Cariri Encantado da Rádio Educadora, fala de sonhos e viagens a universos da mística fundamental. Mergulhar às raízes da cultura nordestina, fincadas nos alpendres e solos medievais da Península Ibérica, patamares da tradição imorredoura que desfila atores altivos dos grupos de brincantes sob o comando de certos capitães alencarinos. Um tropel de cavaleiros andantes de armaduras luminosas, que percorre praças dos reinos transcendentais, defensores perpétuos de lendas e mitos, cantigas e naus catarinetas varridas ao vento de luas e castelos eternos, sombras rebrilhantes escorrendo nos prados verdes dos torneios, clarins, alazões pendoados e lanças coloridas.
Ainda que mais pretendesse contar das possibilidades impossíveis, falar das peripécias desse personagem ocuparia vasilhas enormes. Bom caráter, atípico, animador, surpreendente, cigano do inesperado, Luiz Carlos reúne vários Luiz Carlos Salatiel de Alencar num só Luiz Carlos. As paredes das programações individuais radiofônicas forçariam reservas para contê-lo num único projeto pessoal sem maiores resultados que dissessem quanto ele representa para nós em termos de artista incansável, paladino das lutas pelos valores infinitos da melhor inspiração.
Veja bem, o conteúdo criativo nesse audaz cavaleiro queima de intensidade o papel dos saltimbancos fellinianos, tipo móvel que brotou no Cariri e escreve, com seu itinerário, parábolas, pautas e andanças incríveis, códigos arcaicos nas encostas circulares da Serra. Viajou longe pela aventura da vida e aqui retornou como ninguém aos feitos da história particular das sagas prodigiosas, em versões assemelhadas às epopéias que reaviva nos roteiros das estradas de gado rompidas na lauta conquista dos sertões, pela Casa da Torre de Garcia D’Ávila.
Antes, há pouco, soube o quanto o repertório de palavras da pessoa acaba devendo para rabiscar com propriedade as contribuições de cada instrumento isolado ao conjunto harmonioso das orquestras. A pena traz dali, ajunta daqui, concentra esforços e nada. Bom, tudo isto na gravação de um comentário dos feitos notáveis de Luiz Carlos Salatiel sempre no propósito de acondicionar para o futuro os frutos culturais da nossa gente.

MARCHA PARA A OCIOSIDADE – por Pedro Esmeraldo

Às vezes, ficamos atormentados, um pouco perplexos, quando vimos situações adversas e abusivas aos costumes. Não alinham ao sistema político, não são apropriadas à prática moral. Sempre baseada de maneira vulgar para exercer a profissão política.

Não cuidam mais dos problemas sociais, só visam usufruir das benesses da administração ruidosa, já que preferem entregar os pontos e cair na orgia administrativa, agitados pelos comportamentos indignos, acometidos pelos políticos corruptos.

Ultimamente, o povo não se dedica mais ao trabalho. Permanece como um ausente indisciplinado, corrompido, o que faz afastar o cidadão de bem e que pode com gestos abusivos, dilacerar o bom costume.

Hoje em dia, ninguém ou quase ninguém leva nada a sério. A maioria dos trabalhadores é fraca a preguiçosa. É composta por grupos ociosos e amargos que vêm dilacerar o bom costume.

Não cumprem fielmente o seu dever com seriedade. Não se submetem a exercer com dignidade a sua profissão e com espírito de justiça e amor ao trabalho.

Nota-se que não conduzem no universo do homem trabalhador, muitos não tomam precauções com o equilíbrio moral, conduzindo o cidadão para seguir o bom caminho da retidão e da limpeza moral.

Alguns se dão ao luxo de freqüentar a escola e assim mesmo, quando a freqüentam é somente para justificar as autoridades para terem o direito de receber a bagatela do bolsa família, oferecida pelo Governo Federal.

E daí pensam na maneira diferente de não trabalhar, para permanecer com essa migalha, pois “o cidadão tem o direito de não exercer” cargo algum. Mal sabe esse pessoal (que não entende), que essa quantia que o governo oferece é somente uma pequena parcela de ajuda ao cidadão para adquirir recursos suficientes para complementar na compra do material escolar.

Considera-se isso um desaforo, um crime injustificável de lesa ao contribuinte.

Esses erros são provocados pelos falsos políticos que assolam os bastidores da política nacional e não orientam o povo para o cumprimento de deveres, no uso do bem e da verdade.

Por isso, é preciso evitar agrupamento de certas falanges desses políticos que vivem insuflando o povo para que seja um povo desequilibrado, ofertando e tirando das camadas sociais, viciando esses malditos homens, para que permaneçam arredios e contaminem o meio com gestos indecorosos, entregam-se à ociosidade.

Infelizmente não podem fazer nada, já que o homem está contaminado pelas bactérias nocivas com manchas de sangue contaminado e que provoca marcha e contra marcha em direção do caminho ocioso.

E agora, o que devem fazer? A não ser reagir com fortes jogadas acrobáticas a fim de poder sobressair no caminho da covardia com proteção ao meio social.

Crato, 27.10.2010

Artigo de autoria de Pedro Esmeraldo

Um vídeo golpista circula na internet - José do Vale Pinheiro Feitosa

Ontem a campanha de José Serra pregou o golpe de estado abertamente. O “udenismo” renasceu como nos anos 50, como farsa, igual às repetições da história, mas sem novidades, a farsa dominou a UDN especialmente com a turma do Carlos Lacerda. Como antigamente é a união de empresas de comunicação social, antigos quadros da ditadura militar, setores radicais da extrema-direita e quadros sólidos do PSDB, mas tomados de cegueira pelo poder.

Estou falando de um vídeo, chamado, Dilma 2012 – o fim está próximo, que apareceu nas páginas on-line do Globo, do UOL e do blog do Noblat e da Campanha de Serra sem qualquer condenação à pregação golpista. É um vídeo profissional, com roteiro bem construído por cineastas, de ficção futurista, que chupa o nome de um filme americano em que um meteoro bate na terra e são preparados submarinhos imensos para salvar apenas representantes do G8. Abandone-se o resto, a escória da humanidade, é a mensagem.

Aí começa o primeiro patamar da psicologia de massa, ele se destina à classe média brasileira insegura com a crise mundial do capitalismo, subliminarmente promete um submarinho apenas para ela. O segundo patamar são os alvos dos segmentos a se unir no golpe: igreja católica, militares, empresas de comunicação, os governadores do PSDB e o povo paulistano igual àquelas passeatas de 64.

O vídeo tem um pé tão atolado na lama do golpe de 64 que não perde o vício da subserviência aos americanos, quando chama a CNN para lhe dar uma mão. Passa a impressão para o ouvinte que já a tem às mãos. Do mesmo modo promove todos os “demônios comunistas” que iriam se aliar a Dilma: Hugo Chávez e o presidente do Irã, esqueceram Fidel, este já não tem mais apelo.

Os democratas têm dois caminhos possíveis. O primeiro é usar o mesmo método para confrontar os golpistas, mas denunciando-os à justiça como o melhor campo para que se dirimam dúvidas se esta pregação é aceitável num estado de direito. Ou convocar o candidato Serra a condenar o conteúdo do que está ali como um crime contra a própria biografia do candidato. As mágoas passam, mas os golpes destroem o futuro.

Em toda democracia moderna o seu curso num deixou de receber os ventos do extremismo minoritário. Quando esta o bem compreende, ele se torna apenas um ponto no campo vasto das ações democráticas.

PENSAMENTOS PARA OS DIAS


Pensamento para o Dia 29/10/2010
“Seres humanos comuns lutam para conquistar felicidade material e prazeres externos. Eles não procuram a bem-aventurança espiritual (Ananda) que o Atma, sua realidade interior, pode conceder. Eles perdem a grande oportunidade de experimentá-la e não tomam todas as medidas necessárias para esse propósito. A todo momento, sua atenção está voltada apenas para o mundo externo. Eles não se voltam para dentro. Olhar para fora é característica dos animais, não dos humanos. Os órgãos importantes da percepção dos sentidos do corpo humano—olho, nariz, língua etc.—todos se abrem para o exterior, a fim de manter contato com objetos externos. O Senhor Deus é a personificação da doçura indivisível (Rasa), a casa do tesouro da bem-aventurança, que pode ser conscientizado somente quando você olhar para o seu interior. Uma pessoa sábia se esforçaria gradual e constantemente em olhar para dentro de si e adquirir essa vitória da Bem-aventurança.”
Sathya Sai Baba


Pensamento para o Dia 28/10/2010
“A mente está envolvida em duas atividades: Alochana ou planejamento e Sambhashana ou diálogo. Ambos seguem linhas diferentes. Planejamento é a intenção de resolver os problemas que se apresentam diante da mente. Diálogo multiplica os problemas e confunde as soluções causando confusão e adoção de meios errados e prejudiciais para resolvê-los. A conversa interior e o palavrório controverso estendem-se desde a manhã até a noite, até que o sono tome conta da mente. Eles causam problemas de saúde e o início precoce da velhice. Os tópicos em que a conversa se baseia são principalmente as faltas e fraquezas dos outros e as suas venturas e desventuras. Esse diálogo permanente é a essência de todas as misérias do homem. Ele cobre a mente com a escuridão. Ele cresce descontroladamente, muito rapidamente, e suprime o verdadeiro valor da pessoa.”
Sathya Sai Baba

OS GRANDES CRAQUES DO PASSADO – por Pedro Esmeraldo

Ontem um senhor torcedor do futebol me reclamou porque deixei de citar nomes de alguns grandes craques do futebol passado.

De fato, cometi um erro, mas agora pretendendo relembrar-me de alguns jogadores que se sabe, saíram com a sua magia futebolística.

Tratam-se de homens que manipulavam o centro gravitacional do gramado, relato alguns jogadores que sabiam manusear a bola com perícia e eram capazes de praticar os mais hábeis dribles que deixavam a platéia derramada de alegria e faziam vibrações veementes no centro do campo.

No início dos anos 60, estando no Rio de Janeiro, tive a sorte de comparecer ao Maracanã e observar algumas jogadas geniais desses craques que passo a citar, agora, os nomes dos mais notáveis.

No Vasco da Gama, admirava muito o zagueiro Belini, as invertidas de Vavá, o endiabrado Almir, etc. No Flamengo, apesar de não gostar desse time, mas mesmo assim, o respeitava. Para mim, um dos grandes craques era o centro médio Zequinha. Homem simples, educado e grande craque na defesa do Flamengo e outro craque a quem admirava era o cearense Babá.

No Fluminense, ah, esse aí é osso duro de roer, porque era o time dos poderosos. Chamado time pó de arroz, já que possuia grandes craques e queria ser o mais elevado time do futebol brasileiro. Mesmo assim, admirava muito o Castilho, o Pinheiro, o médio Altair e outros jogadores.

Agora lembro o meu time, Botafogo. Ah, esse era um grande time, detentor dos maiores craques de futebol da época, era como a menina dos olhos do torcedor botafoguense, formados por Manga, Joel, Zé Maria e N. Santos, Arati e Bobe, Garrincha, Didi, Paulinho Valentim, Quarentinha e Zagalo.

Depois desses craques, surgiram os outros, como Zequinha, Rogério, Amarildo, Jairzinho, e Afonsinho, etc.

Também recordo de grandes jogadores que deixavam todos estonteados com suas jogadas e deveriam estar guardados na lembrança dos torcedores da seleção brasileira. Por esse motivo, falamos de Jair Rosa Pinto, Leônidas da Silva, o velho Chico, Friaça, Ademir, Domingos de Guia e outros.

Agora, passo a recordar melhor, desejando lembrar a formação da Seleção Brasileira de 1950, ou seja: Barbosa, Augusto e Juvenal, Bauer, Danilo e Bigode, o ataque era formado por Friaça, Zezinho, Ademir Jair e Chico. Com esse time o Brasil perdeu a Copa do Mundo em 1950.

Os jogadores se amedrontaram e foram barrados pelos gritos do uruguaio Obdulio Varela, que nos infringiu uma derrota humilhante dentro do Maracanã.

Crato-Ce, 28/10/2010

Artigo de autoria de Pedro Esmeraldo

Indecisos são apenas 4%, e Dilma mantém 12 pontos de dianteira, diz Datafolha

Pesquisa Datafolha realizada ontem voltou a indicar estabilidade no quadro da corrida presidencial, com Dilma Rousseff (PT) mantendo liderança de 12 pontos sobre José Serra (PSDB).

A diferença agora é que o percentual de indecisos caiu de 8% para 4% em dois dias. Essa redução nesse grupo de eleitores indica que há cada vez menos espaço para mudanças na tendência de favoritismo da candidata do PT.

O levantamento do Datafolha, encomendado pela Folha, foi realizado ontem em 256 cidades e com 4.205 entrevistas. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Quando se consideram os votos válidos, Dilma manteve os mesmos 56% que obteve nos levantamentos de terça-feira (dia 26) e quinta-feira (dia 21). Serra também ficou com seus 44% registrados nas últimas duas sondagens.

Fonte: Folha.com

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O novo livro de Daniel Walker - Emerson Monteiro

Será hoje (28 de outubro de 2010), às 20h, no Hotel Verdes Vales, em Juazeiro do Norte, o lançamento do livro História da Independência de Juazeiro, escrito por Daniel Walker, uma obra que reúne os principais elementos a propósito do marcante acontecimento de 100 anos, fator preponderante na formação do Cariri da atualidade. Composta de ilustrações fotográficas raras e valiosas, vem recheada de achados biográficos, depoimentos, citações jornalísticas e narrativas reveladoras, o que, decerto, enriquecerá sobremaneira o vasto acervo até aqui consolidado.
Daniel Walker compõe o elenco dos escritores da forte literatura caririense responsável pela preservação do acervo da história social deste lugar. Ao lado de outros quais Geraldo Menezes Barbosa, Napoleão Tavares Neves, Padre Antônio Gomes de Araújo, Raimundo Araújo, Renato Casimiro, Otacílio Anselmo, Nertan Macedo, J. de Figueiredo Filho, Armando Lopes Rafael, Raimundo de Oliveira Borges, Joaryvar Macedo e outros de inestimável valia, forma o grupo responsável pela composição da nossa historiografia, dentro dos moldes técnicos da pesquisa acadêmica, concedendo à posteridade acervo fundamental à interpretação dos fenômenos determinantes destes séculos mais recentes, as bases da nossa civilização interiorana. Pelas mãos desses autores, encetadas em suas produções criteriosas, desfilam, pois, peças imprescindíveis para a formulação da realidade histórica regional.
Nascido em Juazeiro do Norte em 06 de setembro de 1947, desde jovem Daniel se volta às lides jornalísticas e literárias, redigindo com intensidade também para o rádio e para a imprensa escrita de Fortaleza, correspondente que foi de vários jornais da capital do Estado.
Junto à Universidade Regional do Cariri exerceu o magistério, a pesquisa, e dedicou-se aos estudos da história juazeirense, publicando diversos trabalhos consagrados sobre a vida de Padre Cícero Romão Batista, além de outros de cunho didático-pedagógico e de temas da sua área de formação universitária, a biologia, graduado em História Natural pela Faculdade de Filosofia do Crato, com especialização em Ciências, pela Universidade Federal do Ceará.
Dentre as fontes analisadas por Daniel Walker para a contextualização do material que ora oferece ao público está a coleção do jornal O Rebate, órgão fundamental para a fermentação das ideias da independência do Juazeiro e para a formação institucional do município posterior. Em vista da importância do conteúdo de O Rebate, a comissão responsável pelo centenário juazeirense cuidou de resgatar toda a coleção, em edições fac-similadas.
Assim, o trabalho independente, realizado pela gráfica HB, de Juazeiro do Norte, é uma bem cuidada edição de 196 páginas, que visa homenagear o município por ocasião do centenário, porquanto, em 22 de julho de 1911, se dera a sua emancipação política, antecedida das movimentações que busca com zelo e honesta preocupação oferecer subsídios a futuras investigações.

Dilma tem 58,6% e Serra 41,4% dos votos válidos, mostra CNT/Sensus

Pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta quarta-feira, 27, mostra que a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, tem 58,6% da intenções de votos válidos, superando o candidato José Serra (PSDB), que aparece com 41,4%. O resultado se refere à consulta estimulada, ou seja, não são computados votos brancos e nulos ou de indecisos.

Na pesquisa espontânea, Dilma tem 50,4% das intenções de voto e Serra, 35,7%. A pesquisa identificou que 4,6% pretendem votar em branco ou anular o voto. Não souberam responder 8,9% dos entrevistados.

Foram ouvidas 2 mil pessoas em 136 municípios em 24 estados, entre os dias 23 e 25 de outubro. A pesquisa tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 37.609/2010.

Fonte: Agência Brasil (através de O Povo)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Cidadania de resultado - Emerson Monteiro

Aqui vamos nós a colar os pensamentos no ato da escrita. Querer agora falar nos direitos da cidadania. Lembrar que houve tempo, de um Brasil recente, quando quase ninguém sabia disso. Apenas longos tapetes voadores circulavam o céu, caturando lugar nas praças, reclamando pista de pouso. Numa enxurrada só, em menos de um século, vieram morar no chão nacional os direitos da cidadania. Direitos civis, políticos e sociais.
Ao cidadão completo, os direitos civis significam os direitos fundamentais à vida, à liberdade, à propriedade e à igualdade perante a lei. A garantia de ir e vir, de escolher trabalho, manifestar o pensamento, de se organizar, ter respeitada a inviolabilidade do lar e da correspondência, de só ser preso pela autoridade competente e de acordo com as leis, de só ser condenando mediante o devido processo legal. São civis os direitos que têm por base uma justiça independente, eficiente, barata e a todos acessível.
Os direitos políticos, ao seu modo, representam a participação do cidadão no governo da sociedade. A base dos direitos políticos são os partidos e um parlamento livre e representativo.
E os direitos sociais, que garantem a participação do cidadão na riqueza coletiva por meio da educação, do trabalho, do salário justo, da saúde e da aposentadoria. Permitem às sociedades politicamente organizadas reduzir os excessos de desigualdade produzidos pelo capitalismo e garantir bem-estar mínimo. A ideia central que estrutura os direitos sociais é a justiça social.
Assim, mediante tão belas concepções filosóficas, as sociedades ocidentais letradas desenvolveram e praticaram os postulados estabelecidos no Iluminismo, e trouxeram ao poder dos estados modernos o ânimo forte das recentes constituições nacionais.
Contudo há os beneficiários da tanta luz da cidadania que, na contramão dos movimentos, estendem os braços e abrem as bocas quase só visualizando o egoísmo. Se há direitos, lhes pertencem por esperteza e dominação. Melhores estradas, melhores colégios, melhores manicômios judiciários, pistas pintadas, sinais funcionando, máquinas azeitadas e sofisticadas, repartições a todo vapor, no entanto para si e para os seus, totalitarismo de ocasião de causar náuseas e dó naqueles que ocupem a rabada nas filas, contrariedade pela ausência de cerimônia com que esses barriga cheia invadem a passarela, na intenção de comer a rifa da primeira garfada, esquecidos que sem direitos coletivos não existiria cidadania.
Isso assusta a ponto de aventarem até o pretexto de existir cidadãos de primeiras e segundas classes, absurdo de não ter tamanho. Mediante todas as conquistas da cidadania, cada cidadão preenche patamar único diante da soberania das leis. Esta grandeza representa, pois, os direitos que pertencem ao povo, livre de sobras ou contrapesos, primado de lutas e conquistas obtidas no decorrer de longos séculos.

COMPOSITORES DO BRASIL


SAMBA CANÇÃO – Parte I

Por Zé Nilton

Não faz muito tempo os músicos e compositores brasileiros chegavam a engalfinharem-se quando o assunto era ritmo. Consenso total sobre os ritmos de carnaval. Apesar de que houve um tremendo esforço para se chegar a uma conclusão quando da passagem do maxixe para as novas batidas sob o mesmo compasso. Acontecia de uma música ser escrita dentro de um ritmo e logo em seguida ser registrada e até gravada sob outro gênero. É o caso de “Pelo Telefone”, “ Aí, ioiô” etc.

O samba canção surgiu assim meio sem querer no interior do mundo da música no Brasil. Precisava-se de músicas para preencher a vaga deixada pelo tempo do carnaval e eis que, - “olha só o que é que eu fiz”... - Mas isto é parecido com bolero, não ? - Não, é um sambinha. – Eu acho que parece com canção. – Bota aí para as músicas de meio de ano e estamos conversados.

No meio do ano cabiam todos os ritmos, menos os de carnaval.

Diz-se do samba-canção muito adequado à dolência e a malemolência do momento social das classes médias urbanas. Arre égua, também somos um povo sentimental, que chora quando ouve certas melodias, assim como italiano.

Na historiografia da Música Popular Brasileira, que adora uma periodização adorada pela História, o samba canção tem dia, hora e ano de seu nascimento. Exagero meu, mas consta que surgiu no ano de 1928 quando Henrique Vogeler, um pianista carioca, compôs a música que passou para a posteridade com três nomes: “Linda Flor”, “Meiga Flor” e “ Ai, ioiô”, e ainda ter começado com um “ Ai, Iaiá”. Consta igualmente a sua consagração pelo povo como “ Ai, Ioiô”.

Na verdade, a letra desse samba casa com a idéia de romantismo na música, quando vai buscar elementos da linguagem do mundo rural, afirmando seus aspectos bucólicos. E haja “sofrê”, “oiá”, “oinho”, ‘inté’ e vai por ai...

Mas o samba canção tem um grande mérito. Deu a cancha para a bossa nova. Nos anos 50 o ritmo se encaixou perfeitamente no novo projeto musical. Uma beleza, que o diga João Gilberto!

Disse das encrencas pela afirmação do ritmo. Passei por uma dessas experiências. Menino, lá pelos fins de 1950, assisti, involuntariamente, um pega entre o famoso cantor cratense, Célio Silva, e um violonista que mais tarde vim saber tratar-se de Pedro Vinte e Um, habitué e tocador dos diversos cabarés da cidade. Não esqueço a fisionomia fechada e palavrões de toda magnitude de Célio Silva em cima de seu acompanhante. – Isto não é bolero, Pedro, isto é samba canção! Sabe o que é samba canção, porra? Vozeirão na música, vozeirão agudizado pela cachaça na direção do cada vez mais encolhido mestre Pedro Vinte e Um.

O samba canção no COMPOSITORES DO BRASIL desta quinta. Vamos aproveitar, na primeira e segunda parte, a sequencia levantada pelo eminente crítico e músico Tárik de Sousa, com 24 dos melhores samba-canções de todos os tempos.

AI, IOIÔ, de Henrique Vogeler, Marques Porto e Luis Peixoto com Araci Cortes
SAIA DO CAMINHO, de Custódio Mesquita e Ewaldo Ruy com Aracy de Almeida
SEGREDO, de Herivelto Martins e Marino Pinto com Dalva de Oliveira
NERVOSS DE AÇO, de Lupicínio Rodrigues. Com Paulinho da Viola
CANÇÃO DE AMOR, de Chocolate e Elano de Paula com Elizeth Cardoso
FOLHA MORTA, de Ary Barroso com Jamelão
DUAS CONTAS, de Garoto com Maria Creusa
NÃO DIGA NÃO de Tito Madi com Tito Madi
MARINA. De Dorival Caymmi com Dick Farney
NINGUEM ME AMA, de Antonio Maria e Fernando Lobo com Nora Ney
SE VOCÊ SE IMPORTASSE, de Fernando Cesar com Doris Monteiro
MOLAMBO, de Jaime Florence e Augusto Mesquita com Rosa Passos

Quem ouvir verá!
Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri
www. radioeducadoradocariri.com
Acesse: www.blogdocrato.com
Quintas-feiras, de 14 às 15 h.
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Direção Geral, Dr. Geraldo Correia Braga

Saudades de Joaquim e Darcy - José do Vale Pinheiro Feitosa

Eu gostava muito de Joaquim Barbosa. Homem simples, camponês agregado, morando em casa de taipa coberta com telhas: sem luz elétrica, água encanada ou vaso sanitário. Joaquim quase não se sentara nos bancos de escola, mas era leitor feroz das revistas de então e dos jornais que chegavam até suas mãos. E chegavam, ele sabia quem os lia e os aproveitava, já amassados, após os donos terem vasculhando as páginas. Lia matérias defasadas em relação ao proprietário, mas no final sabia mais do que ele. Joaquim sabia decifrar aqueles fragmentos dos dias e torná-los uma narrativa do tempo e do espaço.

Joaquim foi-se com a curvatura do tempo que dizia Einstein existir, me deixou saudades, este sentimento de solidão. Hoje me vejo na companhia de gente que lê e não interpreta, que vê e não traduz, que ouve e tudo flui como a água num cano que irriga outras paragens.

Outro dia li a alegria de alguém por que o presidente Pinera do Chile subiu de popularidade com o resgate dos mineiros. Joaquim não veria qualquer ânimo numa coisa de morte como a exploração dos mineiros no Chile. Logo o presidente da cúpula dos endinheirados do Chile? Cujo irmão é sócio no principal produto do país: a mineração? E os mais de 30 mineiros que morrem a cada ano por descaso? E a inexistência de equipamentos de escape, nem uma escada havia? E os trezentos mineiros que não foram soterrados e estão na miséria por que os donos faliram a mina, mas não suas vidas particulares.

Ah! Joaquim, como os bancos escolares que não fizeram falta alguma a ti, influência alguma fez no caráter desta gente? Que não aprendeu nada a não ser que eras a escória da história e eles os letradas herdeiros do mundo. A gente que acha que São Paulo é quem deve mandar até no porquinho que tu, a custa da “lavagem” da casa de alguns, criavas para um dia de fartura com a família. Esta gente que nasceu para obedecer, rosnar como cão de guarda e comer os ossos descarnados pelo prazer de quem os dar.

Quando vejo tua dignidade não quero dizer que a pobreza de tua vida foi a causa da riqueza que a expressou. Não é isso, é apenas me assustar com o fato de que o progresso material de quem muitas vezes veio de baixo e ao invés de se dignificar com o progresso de todos, se amofina no reconhecimento puro e simples do progresso concedido por outros. É assistir, sem nada poder, ao suicídio da honra destes sujeitos concedidos na varanda apenas para se admirar do brilho dos salões.

Pois bem, hoje eu tive raiva de você. De me mostrar a altivez do indivíduo, a grandeza da unidade entre eles, o caminho que é de todos o é de cada um. Não é isso o que vejo nalguns que a escola deveria ter salvo. É este desencanto com o único caminho para salvação que via como sendo a educação. E, eles, tão educados, tão plenos de referência, apenas se sentem como arautos do desfile majestoso dos ricos e poderosos. Eles que consciência alguma têm da história.

Estou triste com eles. Não pela humanidade e me perdoe pelas palavras de raiva de balbuciei acima. Apoiar as palavras de Darcy Ribeiro: “Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.”

As manchetes escolhidas - José do Vale Pinheiro Feitosa

Reconheço que a escolha de outro seria diferente. De qualquer modo, a quem interessar possa aqui algumas das manchetes colhidas na rede mundial de computadores (para um cabra da Batateira é chique não é, falar em rede mundial?):

Hugo Chávez nacionaliza fábrica de garrafas: o presidente da Venezuela nacionalizou e compensou a matriz americana pelo ato. Se foi justo não sei, mas o homem diz que vai apurar o quanto ela levou de recursos básicos da Venezuela nos anos em que operou no país. Nacionalização de garrafa não é uma piada, mas é impossível segurar o canto da boca.

Em votação, Assembléia Geral, pede o fim do embargo a Cuba: só quem votou contra foram o embargador mor, EUA e o sub-embargador, Israel. Algumas ilhas de deus-me-livre, com medo de perder o comércio de chapéus e bonés para turistas se abstiveram. Algo mudará? Difícil a intolerância não é movida a consciência e nem por respeito ao outro.

A vergonha do EUA exposta: o grande jornalista Robert Fisk, destes de fazer vergonha aos leões marinhos que se insolam às costas dos patrões, revela o segredo do mais escandaloso site: o Wikeleaks. O site virou a sensação do ano ao expor as entranhas sangrentas das guerras do Iraque e Afeganistão. Vazou documentos oficiais do Pentágono. Não tem escapatória, simulação ou negativas. São os próprios documentos originais. Para Fisk o site é mantido pelo alto escalão das forças armadas americanas em vingança pelo enxovalhamento de seus atos com a covardia dos comandantes “republicanos” da guerra.

Serra é a melhor escolha para presidente, diz FT: reproduz a BBC Brasil. FT quer dizer Financial Times. Para o jornal os candidatos são iguais, mas a dubiedade substantiva e verbal da palavra serra é melhor, pois afasta a influência de Lula. Isso em editorial, portanto se até os banqueiros ingleses reconhecem, chega ser uma covardia estranhar os editoriais do Estadão, Folha e Globo.

Comparato: Revista do Brasil é órgão de imprensa e deve ter plena liberdade. Publica o blog da Rede Brasil Atual sobre a sua revista que foi impedida de circular e nem veiculada pela internet por ordem do TSE. Os “democratas” que choram a dor das raposas nem uma linha pelas galinhas. Nem podiam: foi o PSDB quem pediu através de uma ação com segredo de justiça. Por isso a liberdade de expressão e à informação precisa ganhar as ruas.

Serra atribui irregularidades no metrô de SP a construtoras, foi a manchete que resultou da reportagem denúncia da Folha de São Paulo. E defendo o candidato, o ex-governador não tem nada com isso, a culpa é mesma das construtoras que têm o vício de querer usar o dinheiro público como lhes convém, em substituição ao poder institucional criado pela sociedade. Mesmo que alguém no governo Serra tenha se corrompido, as construtoras têm de ser denunciadas. Desse modo o candidato talvez compreenda a diferença entre um evento localizado e a universalidade com que brinda a adversária.

Ou estou enganado?

A IMPORTÂNCIA DO AGRADECER E DO SE ENCANTAR


Hoje bem cedinho deitado no sofá da sala iniciei um processo de reflexão a respeito dos meus estados de consciência. Relembrei o ano de 1988 onde passei por momentos espetaculares num estado de inconsciência incomum. Tentei recapitular como consegui entrar nesses estados incomuns da consciência. E nessa reflexão cheguei a conclusão que eu havia descoberto um caminho novo de encantamento e agradecimento.

E por circunstâncias da obrigação de ter de ganhar dinheiro para sobreviver e pagar minhas contas fui forçado a trilhar o outro caminho da razão, do cálculo, do progresso material e materialismo do consumo. E com isso me afastei dos exercícios essenciais para a evolução da sensibilidade humana.

Hoje ainda sinto o poder encantador que se processou, em 1988, em minha própria alma quando consegui me concentrar mais no processo de sentir do que de pensar. Cheguei a passar dias em êxtase de forma incondicional equilibrando as duas forças humanas que criam o destino, o desenvolvimento e o mérito pessoal.

Existem vários níveis de encantamento e contentamento. O maior de todos, sem dúvida, é o espiritual. Infelizmente a humanidade em que vivemos esqueceu esse método de autoencantamento, por isso ela sofre e adoece: uma pandemia!
Encantar, encantar, encantar....encantar-se consigo mesmo, com o Eu superior que habita mundos paralelos na multidimensionalidade da consciência humana. O AMOR UNIVERSAL tão falado e recomendado por CRISTO nada mais é do que a unidade (entre as polaridades ontológicas) gerada num processo de autoencantamento.

Daí a necessidade do “orai e vigiai”, “amar uns aos outros” e ser feliz incondicionalmente.

São Francisco de Assis descobriu esse caminho que não tem palavras para se explicar ou descrever – somente podemos senti-lo! São Francisco agradecia e se encantava com tudo a sua volta: pássaros, humanos, animais, árvores, o céu, o mar, as estrelas etc.

E por não seguirmos esse caminho de sensibilidade fina e profunda criamos um mundo desencantado com tudo (o famoso sociólogo MAX WEBER nos alertou sobre suas conseqüências racionais) e consigo mesmo.

"Pais, educadores, sociedade, tradições
Cada um descarregou seu passado em ti
Vestes cada um desses modelos
Quando te comportas como eles te ensinaram
Mensagens de pureza branca
Mensagens negras de morte e suicídio
Mensagens cor-de-rosa, ingênuas,
Que só esperam Papai Noel
Vermelhas de raiva, esverdeadas de ódio
Amarelas de melancolia e tristeza
Cinzentas e apagadas com a depressão
Mensagens de angústia na competição
Portadoras de ansiedade na insegurança
Mensagens, mensagens, mensagens
Mil cores, mil estímulos, mil setas
Penetrando em tua mente nova
Não existas, Não penses, Não sintas" (VECCHIO, Egidio, Fiel a Ti Mesmo, 1977,p.30-31).
Obs: dia 30 de outubro as 8:00 hs estarei realizando uma cirurgia no Hospital do Amparo - RJ.

No GPP, diferença em favor de Dilma é de 5,5 pontos

O jornal Diário de S. Paulo publica hoje pesquisa eleitoral nacional feita pelo Instituto GPP. No levantamento, a diferença entre a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra é de 5,5 pontos percentuais nos votos totais é de 6,4 pontos nos votos válidos. A margem de erro é de 1,8 ponto para mais ou para menos. O levantamento foi feito entre os dias 23 e 25 de outubro.

Candidato: Totais - Válidos
Dilma Rousseff: 46,4% - 53,2%
José Serra: 40,9% - 46,8%
Não sabe: 6,6%
Nulo/Nenhum: 6,1%

Veja a distribuição dos votos por região, segundo o Instituto GPP

Dilma
Sul 35,1%
Sudeste 42,9%
Nordeste 56,9%
Norte/Centro-Oeste - 49,3%

Serra
Sul - 52,9%
Sudeste - 42,6%
Nordeste - 30,7%
Norte/Centro-Oeste - 42,4%

Estando certos os números do GPP, a vantagem de Dilma é dada por sua dianteira folgada no Nordeste (27,08% do eleitorado) e pelo empate no Sudeste: 43,46% do eleitorado. A área de resistência correspondente de Serra é o Sul, só que com colégio muito menor: 14,93% do total.

Sempre supondo que os números estão corretos, pode-se inferir que Serra tem pouco a fazer no Nordeste, e Dilma, pouco a fazer no Sul. Eventuais variações nas regiões Norte e Centro-Oeste interfeririam pouco no quadro porque o peso relativo dessas regiões no total é pequeno: 14,52%.

Por Reinaldo Azevedo

Na média nacional, Dilma tem 56% dos votos válidos, contra 44% de Serra, segundo Datafolha

O Datafolha divulgou na noite desta terça-feira (26) mais uma pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República. Na média nacional, segundo o levantamento, a candidata petista Dilma Rousseff tem 56% dos votos válidos (que excluem brancos, nulos e indecisos), contra 44% do tucano José Serra, mesmos índices que os dois candidatos obtiveram no último levantamento, do dia 21 de outubro.

Nos votos totais (que contam brancos, nulos e indecisos), a petista tem 49%, e o tucano, 38%. Em branco, nulo e nenhum somaram 5%, não sabe, 8%. Na pesquisa anterior, Dilma tinha 50%, e Serra, 40%. Brancos, nulos e nenhum eram 4%, não sabe somavam 6%.

Intenções de voto por sexo, região e religião, segundo o Datafolha (Foto: Editoria de Arte/G1)

Além dos números gerais, o Datafolha também calculou o percentual alcançado pelos candidatos em segmentos do eleitorado como sexo e nas regiões do país. O quadro ao lado mostra as intenções de voto totais (que não incluem brancos, nulos e indecisos) de Dilma e Serra apuradas pelo instituto.

Eleitorado masculino e feminino
Entre os homens, Dilma foi de 55% das intenções de votos totais do levantamento anterior para 53% agora. Serra passou de 38% da pesquisa do último dia 21 para 37% no levantamento desta terça.

Entre as mulheres, Dilma passou de 45% para 46%, e Serra, de 41% para 39%.

Por região
No Norte/Centro-Oeste, Dilma foi de 49% dos votos totais, apurados no levantamento de 21 de outubro, para 47%, e Serra foi de 42% da pesquisa anterior para 43%.

No Sudeste, Dilma manteve no levantamento desta terça o índice de 44% obtido na pesquisa anterior. Serra foi de 43% para 40%.

No Sul, Dilma foi de 39% para 41%; novamente, Serra passou de 50% para 48%, de acordo com o Datafolha.

No Nordeste, Dilma passou de 65% para 64%; Serra foi de 28% para 27%.

Sobre a pesquisa
Realizado nesta terça, o levantamento do Datafolha ouviu 4.066 pessoas em 246 municípios e tem margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Segundo o instituto, a candidata do PT, Dilma Rousseff, tem 56% dos votos válidos (que excluem brancos, nulos e indecisos), e o candidato do PSDB, José Serra, 44%. Pela margem de erro, Dilma pode ter de 54% a 58%, e Serra, de 42% a 46%.

Considerando-se os votos totais (que incluem brancos, nulos e indecisos), a petista tem 49%, e o tucano, 38%. Brancos e nulos somam 5%, e 8% disseram não saber em quem votar. Na pesquisa anterior, Dilma registrou 50%, e Serra, 40%. Brancos e nulos somaram 4%, e indecisos, 6%.

A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal “Folha de S.Paulo” e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 37404/2010.

Governo Lula
O Datafolha também avaliou o governo Lula. A pesquisa apontou, pela terceira semana consecutiva, um patamar recorde de aprovação. Avaliaram a administração como ótima ou boa 83% dos eleitores. Os que consideram seu governo regular são 13%, enquanto 3% dizem que ele é ruim ou péssimo.

Fonte: G1

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Theotonio dos Santos resgata a alma de Fernando Henrique Cardoso - José do Vale Pinheiro Feitosa

A publicação de uma carta resposta de Theotonio dos Santos a Fernando Henrique Cardoso em razão da enviada por ele ao Presidente Lula, publicada no dia de ontem, deve bater no coração de alguns como mera diatribe eleitoral. Mas não é. Esta carta reflete a discussão central na América Latina desde os anos 60 e explica bem os motivos pelos quais a região desde esta época esteve sempre em pólos de tomada de rumos diferentes.

Quando Fernando Henrique, em má hora, mandou que esquecessem o que escrevera, mais do que um desvio pela direita, ela dava um vigoroso abraço no vazio de sua alma. Theotonio dos Santos veio salvar a alma de FHC muitos anos depois e muitos acharão que apenas esfarrapou a toga do sábio. Theotonio, num ato de bondade, contra todas as evidências, recolocou FHC no patamar intelectual que é o único patrimônio dele. O patrimônio da Teoria da Dependência do qual FHC era a ala direita e Theotonio, com Ruy Mauro Marini e Vânia Bambirra eram a esquerda.

Aliás, é bom que estudiosos do nosso Ceará visitem a obra de Ruy Mauro Marini, fácil de encontrar inclusive na internet, a maioria das quais publicadas no estrangeiro. Ruy era mineiro de Barbacena e passou a maior parte de sua vida no exterior, retornou ao Brasil após a anistia, pois fora exilado após tortura feroz no CENIMAR. É dele o cabedal da Teoria e junto com Theotonio e Vânia, as bases metodológicas para sua construção.

A teoria foi a primeira visão do subdesenvolvimento da América Latina feita por intelectuais do continente. A maioria tentava explicá-lo nos moldes que nos acostumamos e foi tão bem traduzido como complexo de vira-lata. Eles não ficaram olhando para a quantidade de melanina na pele das pessoas para explicar a miséria, culpando os portugueses e espanhóis por nos formarem ao invés de Ingleses e Holandeses. Aliás, um pensamento tão desprovido de sentido que apenas explicava o próprio subdesenvolvimento dele.

Para Ruy, Theotonio e Vânia havia uma divisão internacional do trabalho, uma relação do capitalismo mundial que criara uma dependência entre países centrais (América do Norte, Europa Ocidental e Japão) e países periféricos (América Latina, África e Ásia). Ao invés de se explicar pela condição agrário-exportadora era a dependência desta divisão que explicaria por que a burguesia nacional dos países periféricos mesmo dona de uma indústria poderosa, era sócia minoritária do capital multinacional, transferindo a mais-valia que tirava do trabalho aqui para o exterior.

Resultado, eles tinham que extrair mais valia do trabalho (superexploração do trabalho) do que fazia o capitalismo central. Agora com os EUA se vê que inclusive a riqueza na mão do trabalho explica a pujança das economias centrais. Os trabalhadores ao se tornarem consumidores no mercado, remuneram o capital. Aqui nos tristes trópicos nem isso era possível. Então a dependência era a causa do subdesenvolvimento e não os nossos pecados originais.

A teoria da dependência é discutida na CEPAL e entre os exilados latino-americanos no Chile. Neste momento cria-se um subgrupo discordante da teoria da dependência com Fernando Henrique Cardoso, Enzo Faletto e mais pontualmente José Serra. Para estes autores a crise de industrialização da região era do projeto do capitalismo nacional pautado na substituição de importações e sob a coordenação do Estado Nacional. O modo de resolver isso era aceitar a penetração do capital estrangeiro trazendo poupança, moeda mundial para superar a escassez nacional de divisas e tecnologia. Haveria crescimento econômico, melhoria da renda, dos padrões da população em seu conjunto e as desigualdades se reduziriam com políticas sociais impulsionadas por regimes democráticos. Reconhecem o governo FHC I e II? Isso estava pensado antes.

A diferença básica entre o grupo de FHC e o do Mauro é a mesma em debate nestas eleições. É a prova que os escritos de FHC não podem ser esquecidos. O grupo de Mauro não tem fé nesta racionalidade, ele observa a realidade e constata que o capital que aqui chega não representa uma poupança externa que se integra á economia local, ele tem a vocação dos drenos que carreiam todos líquidos por gravidade. Apenas vêm aqui para buscar lucros e excedentes a os carrear para seus centros de acumulação, fora da região.

Isso resulta numa sangria que não permite progresso às sociedades locais. Agora mesmo nesta crise cambial isso fica muito evidente. O déficit deste ano se deve especialmente à remuneração das multinacionais aos seus centros de direção. Quando lemos alguém falando em excesso de gastos, em flexibilização do trabalho, em “custo Brasil”, estamos escutando a voz da teoria da dependência segundo FHC e que traduz por dinâmicas muito claras em Ruy: redução salarial, aumento da jornada ou da intensidade de trabalho, sem a elevação salarial correspondente ao maior desgaste da força de trabalho.

A disputa eleitoral é esta mesma e o ideólogo de um dos lados é FHC que atacou fortemente as teses da Dialética da Dependência no CEBRAP. Marini responde com o livro As Razões do Neodesenvolvimentismo em 1978 denunciando os rumos conservadores de FHC quase vinte anos antes dele ser presidente da República no calor de um programa Neoliberal e com o objetivo de acabar a Era Vargas. Enquanto FHC ossificou seu pensamento Ruy Mauro Marini evoluiu e analisou muito bem a nova divisão do trabalho construída nos anos 70/80.

Em Processo e Tendências da Globalização Capitalista, começa a observar que o modelo do pós-guerra esgotou-se e que o capitalismo central começara a superexploração do trabalho também em seus territórios. O mecanismo acontecia por intermédio das multinacionais do seguinte modo: elevação da tecnologia de suas unidades produtivas nos países dependentes subordinadas às inovações geradas nas matrizes. Isso resulta numa estratégia global combinando tecnologia de ponta, superexploração do trabalho na periferia e semiperiferia para quebrar as burguesias estritamente nacionais dos países centrais levando ao rebaixamento do preço da força de trabalho, também nos países centrais.

Vejam como este modelo explica muito bem o papel que tem a China e muitos países asiáticos nisso tudo. Além, é claro da América Latina e África. Por isso é que os trabalhadores franceses estão em levante, é reflexo desta estratégia. Outro dia escrevi aqui nestes blogs um texto chamado “Olhem eles aí de novo” em que resumia isso aqui, nos EUA e na França.

FHC, que estará á frente de uma passeata do final da campanha de Serra, além de representar um pensamento conservador, também represente uma leitura equivocada do Brasil e isso o Theotonio do Santos demonstra. Mas ao fazer isso, volta a dar conteúdo àquele que nos pedira para esquecer a coisa que torna humano um individuo: seu pensamento.

O pau de aroeira no lombo de quem mandou dar - José do Vale Pinheiro Feitosa

A Folha divulga uma falcatrua na licitação da linha 5 do metrô de São Paulo. O governador Alberto Goldman suspendeu os resultados, após ter assinado o contrato, em razão da matéria do jornal. A reportagem soubera do resultado viciado da licitação, registrou em vídeo e em documentos em um cartório, antecipando os vencedores dos lotes 3, 4, 5, 6, 7 e 8. Também acabou por acertar o nome do vencedor do lote 2, o consórcio Galvão/ Serveng, Tão logo o processo se concluiu com a contração das obras, liberou a matéria.

A licitação foi aberta em outubro de 2008 e realizada no mandato de José Serra, antes deste sair para concorrer à Presidência da República. Os setes lotes consumiriam o montante de R$ 4,4 bilhões. Portanto o dano aos cofres da sociedade é imenso.

A principal evidência é que grandes empreiteiras (as quatro grandes como chama o jornal: Camargo Corrêa/Andrade Gutierrez e Metropolitano (Odebrecht/ OAS/Queiroz Galvão) tenham formado um cartel e combinado os vencedores. O dinheiro é público e as empreiteiras é que determinam quando e onde gastar, usurpando o poder constituído.

O didático deste caso é que a imprensa tem de ultrapassar este círculo de giz de apenas acusar os políticos e os agentes públicos, tem de envolver os agentes corruptores. Este até como causa e desencadeadores do processo precisam ser severamente punidos. Não basta punir as empresas, como envolver os sócios e os executivos na punição. E punição é da sociedade e em nome dela o Poder Judiciário.

O que podemos fazer no campo da política é denunciar que não basta ficar se digladiando na televisão para saber qual lado em disputa é mais corrupto. Ontem no debate dos dois candidatos à presidência foi o mote principal. O fato de agora o pau de aroeira cair nas costas de quem mandou dar é bem significado. Ficar trocando escândalos como se troca figurinha de coleção é a senha para deixar o jogo sujo dos corruptores a solta.

O “udenismo” na política tende a ser estéril. Não evolui, serve apenas para derrubar os adversários. O PT praticou isso com efusão no passado a ponto de Darcy Ribeiro ter alcunhado que eram a “UDN de Macacão”. O PSDB que já fora alvo de tremendas ilações de corrupção quando comandou a república por oito anos, nos oito seguinte se tornou a “UDN de paletó e gravata”.

Não é possível que a política nacional continue esta animação de circo trocando Erenices por Paulos Pretos. E a crise mundial do capitalismo? E o problema do câmbio? E progresso das pessoas? A educação, a saúde, a segurança pública, a infra-estrutura deficitária do país. Ou então, por que não se abordam medidas democráticas para fazer valer a punição da esperteza das empreiteiras?