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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Rumo ao Brasil Central - Por Carlos Eduardo Esmeraldo e Magali de Figueiredo Esmeraldo

. Carlos
.
Magali


Quando completamos pouco mais de um mês de casados, morando ainda em Tomé-Açu, Carlos recebeu a notícia da Construtora Engenorte, de que iria trabalhar em S. João d'Aliança - Goiás, na estrada São João d'Aliança-Alto Paraíso. Em conseqüência das fortes chuvas os trabalhos da estrada “Tomé-Açu-Paragominas foram suspensos.

Com a surpresa tive a certeza de que a nossa vida estava parecendo com vida de cigano, sempre levantando acampamento. Mas, com toda a animação da nossa juventude, fomos enfrentar a mudança. E eu que, aos poucos estava conhecendo e me acostumando com aquela região cheia de igarapés, onde havia grandes plantações de pimenta-do-reino, teria que ir embora. Além dos japoneses proprietários dessas plantações, a cidade de Tomé-Açu abrigava também muitos cearenses.

Novamente, nosso fuscão ficou lotado de bagagens. Os poucos móveis e o fogão foram acomodados no caminhão da firma. Seguimos viagem pelas estradas enlameadas, deixando para trás a nossa casinha de madeira pintada de branco que foi testemunha da nossa felicidade do primeiro mês de casados.

A estrada foi aberta no meio da floresta e lembrava muito a subida para Serra do Araripe, com a diferença de que as árvores eram mais altas e frondosas e era numa região plana. Em conseqüência das fortes chuvas recentes, a estrada estava encharcada de lama. Em algum momento teria mesmo que atolar. E o fusca atolou junto também com os caminhões e máquinas da firma, próximo a uma fazenda. Horas e horas ficamos atolados já com a fome apertando, pois só tínhamos tomado o café da manhã. Dormir em Paragominas, como era o planejado não seria mais possível, pois já estava anoitecendo. Com o estômago vazio, começamos a pensar nas pessoas que passam fome. Imaginamos um pai ver os filhos sem ter o que comer e não poder fazer nada por causa do desemprego.

O mais interessante é que apesar de todas essas dificuldades eu me sentia tranquila, achando que tudo daria certo. Além da minha fé em Deus, eu confiava que ao lado de Carlos, íamos encontrar uma saída. A sintonia entre nós dois era e continua tão forte, assim como o nosso amor. Por isso, estávamos muito calmos e não nos desesperamos em nenhum momento. Lembrei-me de um pequeno versículo do Livro de Gênese 2, 24: "Por isso, um homem deixa seu pai e sua mãe, e se une à sua mulher, e os dois se tornam uma só carne." Era aí onde estava a nossa força, na Palavra de Deus, nas suas bênçãos e no nosso amor. Naquele momento, em vez de perdermos a paciência, enfrentamos tudo com muito humor. Estávamos confiantes de que Deus nos tiraria daquela situação.

Para nossa salvação, avistamos uma casa de fazenda, próximo de onde os carros ficaram atolados. Pedimos abrigo por uma noite e o fazendeiro, um simpático mineiro que há poucos dias instalara-se na terra, antes devoluta, nos acolheu. Lá já se encontrava um engenheiro do Departamento Nacional de Minas e Energia, que descobriu extensas reservas de bauxita naquela área. Após o delicioso jantar, conversamos durante algum tempo e logo fomos dormir, pois a noite estava bastante fria. É que no meio da floresta, quando chove, faz frio durante a noite. Quando o dia amanheceu, verificamos que a chuva deu um pouco de trégua, foi possível desatolar os carros e prosseguirmos com a viagem até Belém, de onde sairíamos para Brasília. Quando chegamos à capital paraense, já era noite.

No dia seguinte, acertamos os últimos detalhes da longa viagem de Belém até Brasília. Às seis horas da tarde partimos de Belém e seguimos até Santa Maria do Pará, um percurso de 100km, quando o asfalto terminou. Resolvemos dormir nessa cidade e prosseguir logo na manhã do dia seguinte.

A estrada Belém-Brasília, como era chamada desde sua construção, possuía, já naquela época, um intenso movimento de caminhões. No trecho do Pará, até Imperatriz no Maranhão nos deslocamos muito bem, pois apesar de não haver asfalto, havia um bom revestimento primário, termo técnico usado na engenharia rodoviária para o que popularmente é conhecida por estrada de piçarra. Entretanto pernoitamos em Paragominas. No terceiro dia da viagem, passamos por Imperatriz, e por volta das oito horas da manhã atravessávamos a ponte do Estreito sobre o Rio Tocantins e entramos no Estado de Goiás.

Desde o norte de Goiás, onde atualmente é o Estado do Tocantins, a rodovia estava sendo asfaltada e passamos a viajar sobre longos trechos de desvios. Eram duas trilhas aprofundadas pelos caminhões carretas, além das caçambas com o transporte de material para construção da estrada. Por isso se formou nos dois lados do desvio duas trilhas sobre a areia, bem aprofundadas. Como a largura dos caminhões era bem maior do que a do fusca, ao tentar ultrapassar uma caçamba, ficamos facilmente suspenso pelo "canteiro central" formado no meio das duas cavas feitas pelo peso das carretas. O motorista da caçamba, de espírito bastante solidário, ofereceu-se para ajudar. Amarrou uma corda no eixo dianteiro do fusca e deu partida. Ouvi um estalido seco e senti não haver saído do lugar. O motorista desceu e constatou que a ponta do eixo traseiro da caçamba havia rompido. Com isso a estrada ficou interditada. A caçamba de um lado e o fusca do outro. Imediatamente formou-se duas filas de caminhões, uma à nossa frente, e outra atrás. Até que um motorista de uma das carretas exclamou: "E nós vamos ficar aqui parado por causa desse fusquinha, pessoal?" Convocou seus companheiros e quando menos esperei, estávamos voando sobre a estrada, nos braços de homens fortes, que nem sequer pediram para que descêssemos do fusca.

Mas o pior nos aguardava mais um pouquinho à frente. Mal refeitos dos susto sofrido pelo episódio do "entalo" do fuscão, ao subirmos uma ladeira, lá no alto, fomos mandados parar por dois homens que mais pareciam dois portões de ferro. Era um posto da Polícia Federal. Perguntaram de onde vínhamos, para onde íamos, profissão, pediram nossa documentação, identidade, certidão de casamento, registro do CREA, carteira de trabalho, tudo o mais que comprovassem que não éramos terroristas. Não satisfeitos, pediram para abrir o bagageiro e passaram a revistar nossas malas, sacolas e tudo o que vissem pela frente. Dias antes, o dono da Engenorte fez uma viagem a Manaus e na volta me presenteou com uma pequena radiola portátil importada do Japão, que transportávamos debaixo do banco traseiro do fusca, por falta de espaço. Pois eles, depois de revistarem tudo, descobriram a radiolazinha e pediram a nota fiscal. Respondi que havia sido um presente, e que ao recebermos um presente não ficava bem pedir a nota fiscal e nem perguntar o preço. De nada adiantou. Ficaram com nossa radiola. Depois é que nós ficamos sabendo que naquela época estava acontecendo a guerrilha do Araguaia, a cerca de uns 50km dali. Daí termos sidos tratados como se fossemos terroristas.

Deixar nossa radiola para trás nos deixou muito tristes, pois era um dos três bens de consumo que tínhamos para o nosso entretenimento. Os outros bens eram, um pequeno toca fitas e um rádio portátil, que somente sintonizávamos à noite. Ouvíamos os discos e as fitas de Paul Mauriat, Paulinho da Viola e Roberto Carlos.

Seguimos viagem e já quase na hora do almoço avistamos um restaurante num local bastante agradável localizado numa plataforma de madeira sobre um pequeno rio. Estava praticamente lotado. Chamei Carlos para almoçar, mas ele disse que era cedo e almoçaríamos mais adiante. Só que não passamos mais por nenhum restaurante, aliás não havia mais nenhuma cidade, apenas pequenos povoados. Num deles, paramos em uma bodega procurando comprar alguma coisa para comer, mas não havia nada, nem mesmo uma coca-cola, ou um pacote de bolachas, nem água mineral. A água existente era barrenta. Passamos o resto do dia com fome e sede. Não adiantava lamentar, o certo era esperar com muita paciência até chegar a Porangatu, o que somente aconteceu à noite.

O restante da viagem transcorreu sem mais nenhum sobressalto. De Porangatu até Brasília já havia asfalto. No dia seguinte chegamos à noite em Brasília, onde dormimos e seguimos para São João d'Aliança, nosso destino.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo e Magali de Figueiredo Esmeraldo

José Flávio Vieira - O médico das palavras



Escritor inquieto e bem humorado, José Flávo Vieira busca no seu trabalho como médico o enredo e a alma para suas histórias carregadas de humanismo e questionamentos sobre a vida. Com uma produção crescente nos ultimos anos o médico/escritor consegue conseque fazer o hibridismo entre o erudito e popular, entre o local e o universal.

Alexandre Lucas - Quem é José Flavio Vieira?

José Flávio Vieira - Sou um sujeito esquisito, casado com a Medicina e amante da Literatura. Faço parte de uma longa tradição de médicos que se ligaram às Letras :Lobo Antunes, Guimarães Rosa, Moacir Scliar, Ronaldo Brito, Pedro Nava. A Medicina nos faz viver nesse limite impreciso entre a vida-morte, saúde-doença, bem-estar--infelicidade e acredito nos ajuda a conhecer um pouco mais da fragilidade humana. Pedro Nava dizia que ao médico era tão importante o Livro de Fisiologia como a leitura de Balzac. Não me considero escritor na acepção mais plena da palavra, assim como um corredor de fim de semana não pode se arvorar de Maratonista. A Literatura é um apêndice importante na minha vida, me deu a possibilidade de conhecer novas pessoas, fazer novos amigos e registrar, além da êfemero da oralidade, minha relação com a vida e o mundo.

Alexandre Lucas - Quando teve início sua atuação na literatura?

José Flávio Vieira - Cresci dentro de uma Livraria. Meu pai era professor de Língua Portuguesa e próprietário da Livraria Católica aqui em Crato. Desde menino gostei de escrever, na quinta série já redigia os primeiros textos e os primeiros poemas. Como adolescente tinha um diário escrito religiosamente. No Colégio Estadual Wilson Gonçalves fundei o primeiro Jornal Mural, participei de Grêmio Literário e fui um dos fundadores do Jornal Vanguarda nos fins dos anos 60 . Ali participei também da primeira Coletânea de textos: "Cariri Jovem 67". Hoje, olhando para trás ,com o distanciamento dos anos, imagino que desde mininote pulsava em mim esta tendência e já observava o mundo com olhos de escritor.

Alexandre Lucas – fale da sua trajetória:

José Flávio Vieira - Em 1970 fui estudar em Recife e entrei na Faculdade de Medicina em 1972, formando-me em 1977. Fiz Residência Médica no Hospital Getúlio Vargas na Veneza Brasileira(1978-79) : Cirurgia Geral. No período de Faculdade , em plena Ditadura Militar, participei de Jornais estudantis, como "O Esculápio" . Participei, também, dos Festivais da Canção do Cariri em 1974 e 1975 com o Grupo Kirimbau formado por primos e irmãos meus. Fui letrista de várias canções (" Sargaços" , quarto lugar em 1974; "Salvo Conduto", terceiro lugar em 1975 e muitas outras). Veio dessa época os meus primeiros problemas com a censura. Formado, voltei ao Crato em 1980 e desde então aqui estou. A vida de médico e pai de família me tomaram o tempo e escrevi apenas esporadicamente para os jornais da região. A partir de 1997, no entanto, comecei a escrever regularmente uma crônica nos sábados. Em 2003 lancei o primeiro livro "A Terrível Peleja de Zé de Matos com o Bicho Babau nas Ruas do Crato", um texto teatral que terminou sendo montado, através do II Edital de Incentivo às Artes do Estado do Ceará". Teve Direção minha, de Luiz Carlos Salatiel, Joaquina Carlos, Mauro Cézar, Abidoral Jamacaru e João Nicodemos e envolvia uma trupe de mais de 15 atores. Foram mais de 40 apresentações no Estado do Ceará, com grande sucesso, inclusive com premiação de Melhor Texto, no Festival de Acopiara.Em 2008 lancei o "Matozinho vai à Guerra", um livro quase que memorialístico e muito bem humorado e que terminou tendo uma das histórias : "Zezinho e o Cinematógrafo Herege" sendo levada ao Cinema por Jéfferson Albuquerque Júnior ( 2011) . Finalmente, em 2011, lancei "O Mistério das 13 Portas no Castelo Encantado da Ponte Fantástica" , um livro infantil baseado nos mitos caririenses . O Livro tem ainda um CD com 15 músicas feitas em parceria com inúmeros artistas : Abidoral Jamacaru, Luiz Fidelis, Lifanco, Luiz Carlos Salatiel, Zé Nilton Figueiredo, Pachelly Jamacaru, Amélia Coelho, Ulisses Germano, João Nicodemos e com direção musical do maestro Ibbertson Nobre; além de um Audio-Livro que vem anexo . "O Mistério..." ganhou o I Prêmio Rachel de Queiroz" da SECULT e está adotado como paradidático em inúmeras escolas cratenses. Participei ainda de Coletâneas : "Cariricaturas" e "No Azul Sonhado" e fui vencedor dos três Prêmios SESC de Contos ( 2007-2009-2011) , com coletâneas também publicadas. Continuo escrevendo para o Rádio e para o jornalismo virtual ( blogs : Cariricult, Coletivo Camaradas, No Azul Sonhado e o meu : Simbora prá Matozinho).Fui convidado este ano, ainda, a participar do Projeto "Livro de Graça na Praça" em Belo Horizonte, com conto em coletânea que será lançada em Outubro.

Alexandre Lucas – como você consegue conciliar o trabalho médico com a literatura?

José Flávio Vieira - Esta pergunta muitos colegas e clientes me fazem. Como você arranja tempo? Digo sempre que tempo a gente sempre arruma se assim interessar. E para mim escrever traz um grande deleite, um grande prazer, não é um trabalho a mais, mas uma maneira de voar para fora das tariscas da gaiola da pesada vida cotidiana. Além do mais, sou um hiperativo e não consigo ficar parado muito tempo. Não bastasse isso, a Literatura para mim é uma extensão da minha vida profissional como médico e é nesse manancial que eu bebo para derramar depois no papel.

Alexandre Lucas – Todos os dias você escreve?

José Flávio Vieira - Normalmente escrevo uma vez por semana. Sou um indisciplinado, anárquico por natureza, mas nesse ponto sou muito determinado: escrevo às quintas, a não ser quando existe um Projeto novo, aí caio de cabeçae torno-me mais regular.

Alexandre Lucas – A sua forma de escrever une o humor com o linguajar nordestino. Você acha que isso caracteriza a sua poética?

José Flávio Vieira - O humor é uma característica certamente da maneira com que escrevo, falo, vivo. É inclusive uma característica familiar, acredito que roubei das minhas raízes varzealegrenses. Gosto também de mesclar a linguagem erudita com a popular( que no fundo são o verso e anverso de uma mesma moeda) e, principalmente nos diálogos, busco imprimir a doce língua do povo. Uma tentativa geralmente inglória de levar o doce da oralidade para a forma escrita.

Alexandre Lucas – Como você ver a relação entre literatura e política?


José Flávio Vieira - Acredito que a Arte é revolucionária na sua essência e, no fundo, o artista sempre se posiciona politicamente. Escrevemos sempre para denunciar, para tentar mudar o leme do barco e dar uma nova direção. Não aprecio, no entanto, a arte engajada ( qualquer tipo de engajamento no fundo é um cerceamento da atividade artística), embora admita a necessidade disso em determinadas situações, como na Ditadura Militar, por exemplo.

Alexandre Lucas - O seu livro Matozinho vai à guerra foi indicado para o vestibular da Universidade Regional do Cariri – URCA. Você acredita que isso potencializa a produção literária da região?

José Flávio Vieira - Fiquei muito feliz com a indicação, até porque era uma luta de muitos anos. Finalmente temos a possibilidade de olhar também para o umbigo. A URCA acordou para a possibilidade de ter uma visão também regional da Literatura. Isso certamente potencializa a produção literária local e abre horizontes imensos para que a juventude conheça os nossos escritores regionais. O Ceará tem um viés terrível: ele não olha para si , ele sempre vislumbra o mar em busca de Miami. A possibilidade da Arte Popular fazer parte do cotidiano das pessoas passa necessariamente pela Escola e, finalmente, começamos a descobrir isto.

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?

José Flávio Vieira - Tenho um Livro pronto de histórias mais urbanas : "A Delicada Trama do Labirinto" que estou vendo a possibilidade de publicar ainda esse ano. Penso ainda num livro de Contos que ainda merece um trabalho mais demorado. E tenho pronto um Audio- Livro de textos: " Ícaro". Penso ainda escrever alguma coisa sobre a História da Medicina aqui no Cariri. E mais: pretendo voltar a escrever para o teatro , uma das minhas paixões.

Alexandre Lucas – Quais os desafios?

José Flávio Vieira - Gosto de trabalhos coletivos ,onde possa envolver os inúmeros artistas da região. No Zé de Matos juntamos teatro-dança-música e em "O Mistério das 13 Portas" mais de 50 artistas estiveram participando do Projeto. Congregar tantas forças não é fácil, passa por administração de egos e sensibilidades, mas potencializa imensamente o trabalho e este é um desafio interessante. Um outro desafio é fazer com que o nosso trabalho seja reconhecido na nossa própria casa, que as pessoas leiam nossos escritores,assistam a nossas peças teatrais, que nossas Rádios toquem nossos artistas, que o Reisado seja visto como uma expressão da nossa identidade e não como extraterrestres que desceram numa nave espacial na Bela Vista.E também que os palcos das nossas festas mais tradicionais não sejam exclusividade do que existe de mais reles na Cultura brasileira. Isso passa pela Escola e é lá onde devemos exercer a nossa força para que a mudança pouco a pouco se efetive. E mais: o Estado precisa ser obrigado a exercer sua função , através de Política Cultural.E aí temos uma arma poderosa que precisa ser engatilhada : o voto.

Alexandre Lucas – Como você vê a relação entre arte e política?

José Flávio Vieira - A Arte por si só é um instrumento político de mudança, de vislumbre de novos tempos e novos rumos. Precisará apenas ter a leveza, a delicadeza para ser Arte e fugir simples e cartorial panfleto.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Pessoas e lugares, marco da memorialística do Cariri


Napoleão Tavares Neves

Do meu colega Ebert Fernandes Teles recebi, em primeira mão, o seu excelente livro de memórias, Pessoas e lugares, verdadeiro passeio sentimental do nosso conhecido oftalmologista pelos lugares quase sagrados da sua infância, inclusive perfilando familiares e amigos nesta verdadeira caravana sentimental.

O livro é bom e a sua leitura inebria, sobretudo quem, como eu, foi menino de fazenda e de bagaceira de engenho de rapadura.

O que o autor ali escreve é, como que, a história de todos nós no dia a dia da vida rural, percorrendo fazendas, sítios, engenhos de rapadura, logradouros serranos.

E o autor perfila muito bem os mais ilustres membros da sua importante família Teles, sem esquecer as suas colaterais, derivando também para os tipos populares dos que trabalhavam nas fazendas e sítios da família.

É uma leitura envolvente com sabores rurais de tempos que não voltam mais.

Livro bonito, com um ipê florido na capa e excelente editoração, caprichosa mesmo.

Pessoas e lugares retrata muito bem o Cariri da década de 30 para cá, com seus usos, costumes e pessoas.

Portanto, sua leitura é um magnífico mergulho no nosso passado com todos os seus encantos.

Barbalha CE, 23 de fevereiro de 2012.


Lançamento do livro Pessoas e lugares, de Ebert Teles


CONVITE


A Diretoria do Instituto Cultural do Cariri – ICC convida V. Sa. e Exma. Família para o lançamento do livro Pessoas e lugares, de autoria do Dr. Ebert Fernandes Teles, titular da cadeira Dr. Joaquim Fernandes Teles.

Data: 02 de março de 2012.         
Hora: 19h30.
Local: Sede do Instituto Cultural do Cariri
           Praça Filemon Teles, 1 Centro – Crato CE
         (em frente ao Parque de Exposições).


Atenciosamente,


José Huberto Tavares - Presidente    
Francisco Huberto Esmeraldo Cabral - Secretário Geral

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Rádio Chapada do Araripe disponibiliza programas já gravados para os ouvintes

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Agora os ouvintes da Rádio Chapada do Araripe Internet poderão ouvir dezenas de programas já realizados por nossa produção no site da estação. Os dois primeiros programas a serem disponibilizados são o "Música Inesquecível" e o "Influência do Jazz" que são apresentados também na Rádio Educadora do Cariri" e tem uma das maiores audiências. No site, ainda há um formulário a fim de que os ouvintes possam entrar em contato com a produção e solicitar a sua música predileta.

A Rádio Chapada do Araripe é a queridinha de todos. Também pudera, a ÚNICA estação de Rádio que toca músicas de qualidade e diversificada. Recentemente o Site da Rádio Chapada do Araripe passou por uma mudança considerável. O visual ficou bem mais bonito, um painel foi acrescentado, com fotos de vários artistas da Música Instrumental, do Jazz e da MPB, que tocam com mais frequência na estação, que está há 7 anos no ar, 24Hs por dia. A Rádio Chapada pode ser escutada no seu site e em mais de 50 outros sites parceiros. As transmissões são quase sempre ao vivo, à partir do estúdio, localizado em Crato.

Para os nossos muitos fãs, agradecemos todo o carinho, as mensagens e a radioescuta que temos recebido ao longo dos últimos 7 anos. Isso sim é que é fazer Rádio de Verdade!Ouça os dois primeiros programas:

Programa Influência do Jazz ( Número 1 ):



Programa Música Inesquecível ( Número 1 )




Visite om site da estação e ouça outros programas.

Dihelson Mendonça

sábado, 25 de fevereiro de 2012

FIM DE TARDE - I Wanna Rock

Depois de um longo período, estamos retomando o projeto "FIM DE TARDE", uma forma diferente e super bacana de curtir a balada mais cedo. Além de ser um diferencial pelo horário, esse projeto tem como maior bandeira o respeito às pessoas, aos vizinhos do TERRAÇUS e principalmente o cumprimento do que determina a lei. Queremos diversão e arte e com esse projeto achamos que dá para conciliar diversão, arte e respeito às pessoas. A SERTÃO POP tem essa preocupação e queremos mostrar que vale a pena.

O evento acontecerá no próximo sábado, dia 3, a partir das 18h, com as maravilhosas bandas REI BULLDOG - tocando BEATLES sem parar, e LOS THE OS, com seus rocks, blues e o carisma que lhe é peculiar.

Vamos nessa. Acabou o carnaval, agora "Eu quero Rock!"

Os ingressos antecipados custarão 10 reais e serão vendidos nos seguintes locais:

CRATO - LOJA LARAS (Praça da Sé - em frente ao Museu) - 3521.2820
JUAZEIRO - PORÃO ROCK (Rua Carlos Gomes, 441 - ao lado de Prefeitura) - 3511.7527

OS INGRESSOS NA PORTARIA SERÃO COBRADOS A 15 REAIS

https://www.facebook.com/events/242523919169430/?context=create#

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

SESC Juazeiro convida:

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Geraldo Gonçalves de Alencar - O poeta de todo o dia

Se todo dia é dia de poesia, Geraldo Gonçalves de Alencar é um dos poetas de todo o dia. Desde a infância se impregna com palavras poéticas. Com uma poesia que versa sobre vários temas, seu Geraldo mergulha do religioso ao erotismo. Rejeitado por Patativa do Assaré torna-se depois seu parceiro. Co-autor do do Livro Ao Pé da Mesa com o seu tio Patativa do Assaré.


Alexandre Lucas – Quem é Geraldo Gonçalves de Alencar?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Sou Geraldo Gonçalves de Alencar, nasci no Sítio Serra de Santana município de Assaré – CE, segundo filho de José Gonçalves de Alencar e Maria Risalva e Silva. Poeta.

Alexandre Lucas - Quando ocorreram os seus primeiros contatos com a poesia?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Quando criança lia apaixonadamente tudo quanto era cordel,a minha infância foi toda voltada para os folhetos, em 1956 Patativa publicou o seu primeiro livro ( Inspiração Nordestina ).
Passei a ler avidamente os poetas da Poesia Matuta: Patativa,Catulo, Zé da luz e os românticos brasileiros.

Alexandre Lucas – Quais suas influências na Poesia?

Geraldo Gonçalves de Alencar - Os grandes sonetistas me influenciaram bastante, é uma das poesias que mais cultivo, os poetas matutos e os líricos também.

Alexandre Lucas – Geraldo você tem algum tema mais recorrente nas suas poesias?

Geraldo Gonçalves de Alencar – O tema que mais abordo tanto nas poesias sertanejas como no sonetos é o amor, embora me estenda ao religioso, o social, o erótico e outros.

Alexandre Lucas – Fale da sua trajetória:

Geraldo Gonçalves de Alencar – Fui uma criança estudiosa mas como até hoje já adulto, escravo do pânico, um adolescente boêmio talvez até por conta da minha fobia social. Na minha infância e adolescência Patativa sempre me repudiou como poeta, até que com minha poesia (Pergunta de Moradô), pediu-me a permissão para dar a resposta, consenti tranquilamente só que houve a tréplica, Patativa não gostou. Deixei a bebida depois de 30 anos, 4 anos depois passei a ser escravo da máquina de hemodiálise, fiz o transplante renal, houve a rejeição, continuo no tratamento. Mas nunca deixei de cultivar a minha grande paixão, a poesia.

Alexandre Lucas - Como foi o seu contato com Patativa do Assaré?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Depois de muitas recusas Patativa me aceitou como poeta e até o fim de sua vida passei a ser seu parceiro constante.

Alexandre Lucas – Como você enxerga a poesia de Patativa?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Considero Patativa como um dos maiores poetas brasileiros. Os outros sim, têm mais cultura e conhecimento, entretanto Patativa com seu linguajar rústico, dispõe de mais inspiração e mais sabedoria, sua espontaneidade, sua métrica perfeita, a riqueza de imagens, o gracejo, o trocadilho, a filosofia, a criatividade, fazem de Patativa um gênio do gênero. Um autodidata. Sabia o que estava fazendo.

Alexandre Lucas – Todo dia é dia de poesia para você?

Geraldo Gonçalves de Alencar – Com certeza, quando não é organizando é escrevendo.

Alexandre Lucas – Você acha que a poesia é instrumento político?

Geraldo Gonçalves de Alencar –A poesia é abrangente, penetra fundo em tudo quanto nossa inspiração permite, principalmente na Política, tema do interesse de todos.

Alexandre Lucas – Quais seus próximos trabalhos?

Geraldo Gonçalves de Alencar - Sou admirador dos sonetos e da trova tenho dois livros desta poesia inéditos e também outro de poesia campestre ( Na Terra dos Passarinhos )Vários cordéis e algumas composições musicais.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

PEÇA DE TEATRO DEFENDE O SÍTIO FUNDÃO

A CIA. CEARENSE DE TEATRO BRINCANTE (Crato-CE) reapresenta seu mais novo sucesso de público. Um grande espetáculo que resgata e valoriza a cultura popular e a mitologia sertanejo-universal numa aventura em que se defende a preservação da natureza.




"A DONZELA E O CANGACEIRO"
Texto e Direção de Cacá Araújo 
Música de Lifanco

Março
17 (sab), 18 (dom) - Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)
20 (ter) - Centro Cultural banco do Nordeste (Juazeiro do Norte-CE)
23 (sex) - Teatro do SESC (Juazeiro do Norte-CE)
24 (sab), 25 (dom) - Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)
31 (sab) - Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)

Abril
1º (dom) - Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)

Sinopse:

A ambição desmedida do homem rico, a ganância cruel do norte-americano e a trama infernal vinda das trevas ameaçam o Sítio Fundão, importante reserva ecológica brasileira. As forças do mal, lideradas pelo Bode-Preto, entram em disputa ferrenha pelo domínio da área, mas são enfrentadas pela legião do bem, liderada pela Caipora, deusa protetora da natureza. Somente o amor pode salvar o sítio da destruição total. Um enigma, proferido pela esfinge de Seu Jefrésso, contém o segredo capaz de restabelecer a paz e a harmonia. Donzela Flor, símbolo de pureza, precisa ser desencantada. O cangaceiro Edimundo Virgulino, valente e destemido, luta com bravura para salvar o sítio e conquistar o coração da donzela.


Proposta do espetáculo:

Ao abordar a ecologia e o meio ambiente a partir de motivo factual doméstico, neste caso a luta pela preservação do Sítio Fundão, importante reserva ecológica na zona urbana na cidade do Crato-CE ameaçada de extinção, o espetáculo amplia o foco ao propor uma leitura da gana imperialista capitaneada pelos USurpAdores das riquezas alheias. Envereda também pelo universo histórico e mítico do homem nordestino e universal, revisitando o cangaço e o mito da Caipora numa história fantástica, mas embrenhada “na” e “de” realidade.

A Donzela e o Cangaceiro é um projeto cênico que dá prosseguimento à determinação do autor em buscar a afirmação de uma dramaturgia nordestina alinhada ao resgate e à difusão da cultura tradicional popular, fundada na expressão do imaginário do povo, nas lendas, nos mitos, nos causos, nas aventuras, nos romances, na história, nos mistérios que habitam a alma afoita e brincante do sertanejo, cujo sangue saltitante se perpetua no riso e na dor, na graça e no sofrimento, na desventura e na esperança.


Elenco:
Personagem/Ator (em ordem de entrada)

Mateus – Cacá Araújo
Catirina – Françoi Fernandes
Pafúncio Pedregôso – Franciolli Luciano
Cafuçú – Paulo Henrique Macêdo
Feiticeira Catrevage – Jonyzia Fernandes
Vicença – Raquel Silva / Rosa Waleska Nobre
Dona Colombina – Rosa Waleska Nobre / Samara Neres
Donzela Flor – Charline Moura
Caipora – Orleyna Moura
Troncho Sam – Márcio Silvestre
Edimundo Virgulino – Jardas Araújo
Bode-Preto – Joênio Alves
Seu Jefrésso – Paulo Fernandes

Técnicos:

Texto e Direção – Cacá Araújo
Assistência de Direção – Orleyna Moura
Música – Lifanco
Sonoplastia – Cacá Araújo e Lifanco
Figurino e Maquiagem – Joênio Alves
Cenografia e Iluminação – Cacá Araújo
Cenotécnica – França Soares, Saymon Luna e Mestre Galdino
Aderecistas – Willyan Teles, Marlon Torres e Cristiano de Oliveira
Criação e execução de efeitos sonoros – Lifanco e os atores
Instrumentalização e efeitos – Lifanco e os atores
Operação de Luz – Laumiro Pereira
Operação de Som – Babi Nobre
Confecção de figurino – Ariane Morais
Guarda-Roupa – Luciana Ferreira
Cinegrafia – Antonio Wideny (Toyota)
Fotografia – Gessy Maia e Mônica Batista

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Lei da Ficha Limpa e o exercício da cidadania - Por José de Arimatéa dos Santos

A decência e a honra são obrigações de todo cidadão e assim é importante na vida política que seus entes tenham um comportamento exemplar no trato do dinheiro público e nos atos da administração pública. Nesse contexto uma lei de iniciativa popular tem agora a sua validade para as eleições deste ano confirmada pelo Supremo Tribunal Federal a mais alta corte do país.
O filtro da Ficha Limpa deveria ser feito pelos partidos já no nascedouro das candidaturas. Indivíduos com dívidas com a justiça já seriam eliminados logo de cara e dessa maneira o partido político teria como propagar aos quatro ventos que seus candidatos são homens e mulheres de caráter e conduta ilibadas.
Quem sabe agora os candidatos que se apresentarem nas próximas eleições possam mudar a visão de grande parte da população que todo político é ladrão e que se faça uma política em que a corrupção seja a exceção da regra.
Sabemos que uma lei não impedirá a ascensão de corruptos, mas  já é um grandioso passo para que cada cidadão fiscalize mais seus representantes políticos. E hoje em dia os recursos para fiscalizar são grandes, principalmente através das redes sociais em que as informações correm numa velocidade estonteante e onde é possível ser o local para encontros na rua para protestar e exigir os direitos de todo cidadão.
A lei da Ficha Limpa valendo já para as eleições de outubro força uma certa modificação nos quadros dos partidos em que novas lideranças poderão surgir e assim a tão esperada oxigenação se fará sentir. Só nos resta agora a escolha de políticos com ética e projetos consistentes em que a transparência aliada ao trabalho pela comunidade sejam o mote. E que o eleitor acompanhe seus representantes em todo momento. Isso é cidadania e a lei da Ficha Limpa já um bom começo.

AS ASTÚCIAS DE UM ADVOGADO - POR PEDRO ESMERADLO



Esta história foi contada por um parente e gostei da veracidade dos fatos o que passo a expor minuciosamente para conhecimento do leitor.
Doutor Marcílio Xavier, advogado, muito preparado, conhecedor das leis jurídicas, com entusiasmo fazia aparecer os ânimos de advogado com os bons momentos em suas causas ganhas.
Quando pequeno seu maior sonho era ser sacerdote da igreja católica. Estudou no Seminário do Crato, adquiriu conhecimentos profundos para expor com exatidão a doutrina de Cristo, mas antes de receber as ordens predestinadas para ser sacerdote, observou que não tinha vocação para exercer este ofício. Antes de tudo abandonou a sua proposição de ser padre e apresentou com suas palavras eloqüentes o motivo da desistência e preferiu divulgar o conjunto de princípios morais com retidão e exercer as artes jurídicas.
Como adquiriu conhecimentos profundos, tornou-se um advogado fluente no seio da sociedade. Foi um exímio patrono e defensor dos princípios morais do direito do povo.
Tinha como lema uma palavra astuciosa que considerava o senhor elegante no estilo na propagação das leis jurídicas. O seu lema era: Contrate o Dr. Marcílio e considere a sua causa ganha. Com isso era determinado e conseguia bons clientes para exercer o comando de sua profissão.
Um dia, um comerciante de Juazeiro do Norte que tinha o hábito de viajar à cidade de São Paulo a fim de conseguir veículos novos e vender aos amigos moradores daquela cidade. Queixou-se ao Dr. Marcilio que tinha vendido um caminhão a um senhor morador da cidade de Iguatu e então não tinha efetuado o pagamento de suas duplicatas até aquele momento.
Então o Dr. Marcílio disse: contrate o Dr. Marcílio e considere a causa ganha. Após conversa prolongada efetuou-se o contrato de execução desse senhor morador de Iguatu.
Nessa época os meios de transportes eram deficitários, não havia transporte com facilidade, portanto tinha que partir de trem que saía do Crato às 11h 30min da manhã com destino a Iguatu. Lá chegando procuraram uma pensão mais ou menos qualificada e se hospedaram até o dia seguinte que seria o dia de apresentar queixa ao poder judiciário.
À noite, quando não havia diversão na cidade o pessoal ficava na calçada observando o movimento noturno. Em certo momento, apareceu um senhor forte, corpo atlético, dando murros em um cidadão quase sem defesa e que deixava todo mundo arrepiado de sua malvadeza. Por isso o advogado admirado perguntou ao cliente: você conhece esse cidadão perverso? Ao passo que o cliente respondeu: é aquele que vai entrar com queixa amanhã no juizado da cidade.
O advogado virou-se para o seu cliente, com medo de enfrentar a causa, retrucou: agora considere sua causa perdida. Vieram embora para o Juazeiro no dia seguinte. Nesse caso, o cliente revoltado com a fraqueza do seu advogado, indignado disse: “Era só o que faltava, mostrou arrufo e depois caiu com os burros n’água. Devia ser sincero e dizer a verdade de sua fraqueza. Seria melhor se ele deixasse o ofício”.

Crato-CE, 16/02/2012

Autor: Pedro Esmeraldo

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

DELIRANDO DE FEBRE OU A FEBRE DOS COLETIVOS NO CARIRI - Por: Antonio Sávio


A manipulação da juventude e a lavagem cerebral ideológica


Qualquer pessoa comum que debruce um olhar mais atento sobre a realidade pode achar que está ficando louco, ou, como comumente lhe passam, não tem “nível suficientemente alto” para entendê-la. Essa ideia de ter que ter um ingresso dado por uma escola ou universidade brasileira para entender a realidade é fruto de um culto ao leviatã ( O Estado) denunciado por Hobbes, que hoje se personifica em nosso sistema educacional, e isso nunca me entrou na cabeça.

A suposição que no ambiente universitário você encontrará mentes aptas a lhe esclarecer alguma coisa e daí, você possa ter uma visão mais crítica (perdoe-me pelo uso dessa palavra, mas é a que o pessoal mais usa) da realidade é de uma falta de senso do ridículo incomum. A realidade mostra-se ao ser humano de acordo com sua vontade e esforço de captá-la, e isto, definitivamente não está nas mãos dos atuais professores universitários, salvo, como sempre, alguma exceção.

A tolice institucionalizada pelas universidades brasileiras tem feito um estrago mortal ao país. Muita gente inocente, de mente deveras brilhante, empreendeu suas forças por causas realmente ridículas, levados por gente mais experiente em aliciar e distorcer a realidade dos fatos. O fenômeno merece atenção, não pela qualidade das ideias produzidas, coisa que a história é sempre implacável, e os renegará ao lixo das eras, mas, o efeito que as ideias têm tomado na cultura e política do país é algo que merece atenção imediata. Os moldes da nossa atual cultura superior está no rebaixamento à ideia de “intelectual coletivo” do Antonio Gramsci que, vendo que a revolução pode ser feita pela corrupção contínua de uma cultura, corrompendo, distorcendo fatos, ocultando obras, tudo fica bem mais fácil. Deste modo, poucos estudantes universitários dos cursos de ciências humanas, apesar do acesso a internet, tem se perguntado sobre o conteúdo que lhes estão sendo entregues dia a dia em sala de aula.

Não se trata aqui de nenhuma “teoria da conspiração”, a estratégia embora de fato tenha sido empreendida pelas esquerdas brasileiras que trabalham dia e noite na empreitada, ainda tem como vantagem a inexistência de uma direita, uma soma enorme de analfabetos e miseráveis onde o primeiro discurso é o bastante para manipulá-los. Ora, assim é vitória certa. A prova que nos falta à ideia do que seja um estudo ou cultura de qualidade que dificilmente encontraremos um estudante que não tenha entrado em contato com as obras de Marx na universidade de modo direito ou indireto, mas, sequer ouviram falar em nomes como Edmund Burke, Samuel Coleridge, Thomas Carlyle, Henry Maine, ou pelo menos em brasileiros como Meira Penna, Mário Ferreira dos Santos, José Guilherme Merquior etc. É claro que, em tempos de supremo relativismo moral haverá quem diga: - Cada um segue o que quer! Mas a sentença aí só passa a ser verdadeira se puder existir apoditicamente a possibilidade de escolha, coisa que, é claro, que doutrinadores ideológicos não seriam inocentes de deixar.

O que vemos, portanto é uma série de acontecimentos que tem sim uma explicação histórica e filosófica. A propagação desse coletivismo é uma afronta à realidade. Não há nenhuma possibilidade de coletividade sem a existência individual. A própria constituição garante isso, porém, há quem ache que a nossa existência só pode ser vista de modo político-coletivo. Neste caso, você deixa de existir e passa a ter a ideia corrompida pelo grupo, pelo time de futebol, pelo partido, pelo coletivo. É claro que não é conveniente dizer que essa coletividade partidária ou não mataram por meio de suas ideologias mais de duzentos milhões de pessoas ao longo do século XX. As mesmas são frontalmente contra o que se desenvolveu filosoficamente na Grécia ou pelo pensamento medieval pelo fato de ambas professarem uma responsabilidade ao uno, ao indivíduo. Não há possibilidade de melhoria política da comunidade sem que antes a noção de responsabilidade sobre si seja tomada como prioridade.

A juventude como combustível.

Evidentemente que, a preparação dessas coletividades só se faz em bases frágeis ou inocentes, que facilmente cedem ao canto da sereia dada as suas carências. De um modo geral essas características podem ser vistas historicamente sobre os jovens. A necessidade de autoafirmação e pertencimento vem a ser o principal ingresso de jovens nas mais diversas ideologias, juntamente com a promessa de “fazer um mundo melhor”. É a supremacia do “intelectual orgânico” ou “intelectual coletivo” do Gramsci, citado acima. Uma vez que qualquer pessoa pode ser considerada intelectual para poder abranger toda uma massa de jovens que queira sua autoafirmação.

No Cariri, a propagação desses coletivos ideológicos tem sido difundida seguindo a regra a receita, de modo consciente ou não. É claro que muitos dos participantes dessa coletividade são pessoas idôneas que, em sua inocência aderiram à causa seja “por um mundo melhor”, “contra o imperialismo”, por um “mundo verde”, “ecologicamente correto” etc. Os jovens são incentivados as mais diversas ações sem nenhuma base de leitura política ou filosófica. A “preparação” é feita com base em leituras superficiais dos panfletos ideológicos com a intenção de por em atividade, o mais rápido possível, o jovem carente por elogio que, a partir daí receberá seus aplausos no fim do dia de modo garantido.

Enquanto isso na sala de justiça... Os responsáveis pelos grupos estão sempre muito ocupados. Se tiver um membro novo tem lá alguém que ver se o mesmo leu direitinho o manifesto comunista, se tem outros mais adiantados temos que ver quando será a próxima reunião, além de ter que receber os panfletos a serem distribuídos na próxima performance, além de uma infinidade de outras pseudo-ocupações que passam a impressionar os mais jovens.

Uma pergunta curiosa que eu faria caso estivesse em algum destes grupos é: - Como seguimos uma pessoa que professa uma doutrina que supostamente está acima do entendimento da maioria da população alienada, se ele mesmo, muito ocupado como percebemos, não tem tempo de abrir um só livro? E, supondo que a existência de tudo, haja uma dialética, como não pode ele estudar literalmente nada que seja contrário ao seu pensamento? Com que autoridade alguém que questiona o sistema capitalista pode fazê-lo se nunca leu nenhum economista, se não sabe o que é uma comparação de estados estacionários, nem uma taxa de poupança, nem um impacto de moeda corrente? Saberiam os revolucionários do Cariri quem são Covarrubias, Luis Saravia de la Calle, Pedro João de Olivi, Santo António de Florença e, principalmente, São Bernardino de Sena? Ou saberiam que essa ideia de concorrência (em latim, concurrentium) que eles tanto abominam já tinha sido dada no século XVI? Indo em direção as artes alguém pode imaginar que as maiores obras da cultura Ocidental foram feitas por um grupo? Da Vince, Michelangelo e Sandro Botticelli seriam “Coletivo Renascentista”, ou no barroco teríamos Caravaggio, Rembrandt e Geoges de La Tour como o “Coletivo Ave Maria”? Sabemos muito bem que o contexto histórico que vivemos é totalmente diferente, mas, como diria o Paulinho da Viola: “Tá legal, eu aceito argumento, mas não me altere o samba tanto assim…”.

O que sabemos é que desde que o mundo é mundo, cada um pensa com sua própria cabeça, individualmente! Esta é a condição de existência do homem, que, de fato não lhe impede nenhuma caridade. Mas caridade e alienação política são diferentes. Uma parte da ordem exterior, de um comando ilegítimo a outra da própria consciência. É óbvio que o direito de expressão é algo garantido constitucionalmente. O que não garante nossa constituição é a qualidade do que será expresso, e nem a premissa que ele seja inquestionável.

Por: Antonio Sávio

Show com o Grupo Cantigar no SESC Juazeiro

Dia 23 de fevereiro de 2012
Horário: 20h
Local: Teatro SESC Patativa do Assaré
Rua da Matriz, 227, Centro
Juzeiro do Norte - CE
Tel.: (88) 3587 1065
Entrada Franca

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Curso sobre artes "para não artistas" é realizado para estudantes universitários do Cariri




Com o intuito de discutir novos fazeres e perspectivas da arte na contemporaneidade com pessoas que estão fora dos espaços artísticos, o Coletivo Camaradas realiza deste o início de fevereiro, o curso sobre artes “para não artistas”. O curso é direcionado para estudantes universitários que estão como monitores no Laboratório de Estudos, Vivencias e Experimentos em Arte Contemporânea – LEVE Arte Contemporânea realizado pelo grupo em parceria com outras instituições.



O Laboratório vem sendo desenvolvido desde o ano passado com alunos de escolas públicas do Crato e já resultou na produção de seis vídeos pedagógicos que poderão ser utilizados por professores de Artes nas suas aulas e na Exposição “De não artistas” que está sendo exibida na Galeria do SESC Juazeiro.



Já mês de março, os monitores estarão visitando as escolas de Ensino Médio da cidade do Crato para inicia os trabalhos de parcerias com as escolas. A intenção é beneficiar 20 alunos de cada escola que terão a oportunidade de terem contatos com artistas, galerias de artes, espetáculos, materiais de estudos e ações de intervenções urbanas, performances e produção de vídeos para auxiliar os professores de Artes.

Versos e cantorias - Emerson Monteiro

Este final de semana, de 10 a 12 de março de 2012, corresponde à realização, em Crato, do Seminário do Verso Popular em sua terceira edição, que, desta vez, corresponde aos 21 anos de existência da Academia dos Cordelistas do Crato, e consta do programa exposições, painéis, palestras, conferências, homenagens, oficinas de xilogravura e cordéis, minicursos, feiras, mesas redondas, apresentações de trabalhos científicos, sessões de vídeos, recitais, lançamentos de cordéis, posse de novos acadêmicos, apresentações de humor e música regional, numa festa da cultura popular nordestina digna dos melhores encômios.

A coerência cultural com que se criou, no tempo certo de duas décadas passadas, a Academia dos Cordelistas do Crato ora resulta no patrimônio universal dessa literatura, circunscrevendo o âmbito das manifestações artísticas do mundo inteiro qual mérito de registro necessário.

O Nordeste brasileiro preserva suas origens medievais como nenhum outro território deste mundo, enquanto a fundação dessa instituição do verso popular aqui reúne valores exponenciais em grupo de riqueza ímpar. Autores talentosos, de oficina própria e edições que já remontam a casa dos dois milhares, atualizadas fontes da leveza das rimas e do gênero, a fonte primeira da grande literatura em juventude perene.

De particular, noticio, pois, fortes sentimentos da satisfação experimentada nestes momentos do Seminário de Verso Popular do corrente ano. Houve blocos distintos na sede da Academia, no Largo da RFFSA e no SESC - Crato. Ocorreu, concomitante, a distribuição de obras editadas pelo Projeto Livro de Graça na Praça, idealização exitosa do mineiro José Mauro da Costa, pioneiro dessa função de expandir o livro ao povo nos quatro cantos do País, também um dos conferencistas do evento, no domingo à noite. E no sábado à cantoria dos jovens expoentes da atual cantoria, Ismael Pereira e Jonas Bezerra, testemunhas autênticas do menestrel sertanejo, provas inconteste da sapiência humana por meio dessa expressão natural do verso violado.

No decorrer das manifestações, as presenças de Josenir Lacerda, Tranquilino Ripuxado, João do Crato, Mana do Romualdo, Dalinha Catunda, Pedro Costa, Eugênio Dantas, João Nicodemos, Miguel Teles, Abidoral Jamacaru, Jorge Carvalho, Pedro Bandeira, Bastinha, Poeta Nascimento, Maércio Lopes, Ginevaldo, Pedro Ernesto, Luciano Carneiro, Arievaldo, Gildemar, Willian Brito, Anilda Figueiredo, Wiliana, Carlos Henrique, Sandra Alvino, Chico Pedrosa, Maria do Rosário, Higino, Moreira de Acopiara, Ulisses Germano, Seu Zezé, Alexandre Lucas,Vicente, Vandinho Pereira, Aldemá de Morais, Zé Joel, Raul Poeta, Nizete, Manuel Patrício, dentre outros da intelectualidade caririense, razões do sucesso das ações desenvolvidas. Para formar juízo claro da importância do acontecimento, veio dele participar o autor Gonçalo Ferreira da Silva, atual Presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

Instituto Cultural do Cariri dá posse a mais dois ilustres Cratenses

O ICC, Instituto Cultural do Cariri deu posse a mais dois ilustres cratenses, que agora fazem parte de uma selecta plêiade de intelectuais, artistas; Pessoas que com seu trabalho e sua dedicação já eternizaram a sua marca na história do Cariri. Na última sexta-feira, dia 10 de fevereiro, foram empossados a poetisa e escritora Claude Berthe Bloc Boris na cadeira No. 24, secção de artes e ofícios, que tem como patrona Vicência Garrido, e o escritor e folclorista José Wilton Soares e Silva, mais conhecido como Wilton Dedê na cadeira No. 07, secção de folclore, que tem como patrono José Carvalho, escritor prolífico e renomado que hoje empresta o nome a uma das principais ruas do Crato.

A cerimônia aconteceu na sede do Instituto Cultural do Cariri, sob a presidência de José Huberto Tavares de Oliveira ( Bebeto ) e conduzida pelo cerimonialista Huberto Cabral, que é também atualmente secretário geral do ICC.

Na ocasião, os novos membros discursaram sobre a vida e a obra dos seus patronos. Claude Bloc fez um extenso relato preparado com bastante esmêro sobre a vida e a obra de Vicência Garrido, enquanto Wilton Dedê, falou de improviso com bastante propriedade e conhecimento acerca do poeta e escritor José Carvalho. Ao final, foi servido um cocktail aos presentes.

COBERTURA FOTOGRÁFICA:

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A cerimônia, que foi presidida por José Huberto Tavares de Oliveira ( Bebeto ) e conduzida pelo cerimonialista e memorialista Huberto Cabral, contou ainda com a presença de pessoas ilustres da cidade, dentre elas, o professor Jurandir Temóteo, escritor Roberto Jamacaru, Artista plástico Daniel Bloc Boris e o radialista Heron Aquino, que leu uma biografia de Claude Bloc, dentre outros.


Na foto acima: Claude Bloc Boris, que ocupa a cadeira No. 24 que tem como patrona Vicência Garrido.

Na foto acima, Wilton Dedê recebe o diploma de membro do Instituto Cultural do Cariri da sua esposa Rosângela ( Didi ).




Na foto acima, parte do público presente

Ao final, foi servido um cocktail aos presentes, nas dependências do ICC

Texto e Fotos: Dihelson Mendonça

sábado, 11 de fevereiro de 2012

SAIBA AGORA QUEM SÃO "OS CAMARADAS"



O COLETIVO CAMARADAS
AUTOR: Hamurábi Batista


Coletivo camaradas
É de luta, é de ação,
No intuito de promover
Grande mobilização
Pelas artes, a estética
Da cultura e educação.

As camadas populares
Engajam-se no processo
Pra barrar a exploração
Em nome do tal progresso
Da mentira imperialista
E todo seu retrocesso.


Além do questionamento
E o caráter engajado
É a arte libertando
O pensamento ofuscado
Do consumismo absurdo
Do gosto manipulado.

Desde o ano 2007
O Coletivo criado
Interveio, e atuou
Como foi idealizado
De lá pra cá construímos
Um movimento engajado.

Exposições,e debates,
Oficinas, instalações,
Performances poéticas
Palestras, e exibições
Com musicais, e debates,
Estéticas, intervenções.



Uma arte engajada
No contexto social
Inclusiva, atuante,
Brilhante, fenomenal,
Excelente, estimulante,
Política, e cultural.

Procura a comunidade
Pra fazer integração
E transformar pela arte
A atual situação
Excluída e sem acesso
Ao poder de criação.

Em defesa incessante
Do patrimônio cultural
E dos maiores tesouros
De valor imaterial,
Meio ambiente, ecologia,
E o conflito social.


Coletivo Camaradas,
Pela biodiversidade,
Ao resgate ambiental
Em plena modernidade
Da falta de consciência
Das pessoas da cidade.

Atuação objetiva
Na defesa ambiental
Esforços na intenção
Do diálogo vivencial
Em favor da natureza
O grande manancial.

O coletivo procura
Primeiro conscientizar
Com intervenção urbana
Desenvolver, informar,
Com a pessoa interagir
Para poder transformar.


Questiona a exploração
Da religiosidade
De fundo comercial
Praticada na cidade
Religião por dinheiro
E não pela caridade.

A dura realidade
Que o Coletivo encarou
Chegou no meio da rua
Pra começar contestou
E contra o preconceito
A sua luta engajou.

Busca a conscientização
Contrária a homofobia,
A violência gratuita,
Estupidez, covardia;
Lutando pelo respeito,
Em convivência e harmonia.



Seja em meio acadêmico
Ou em reduto popular
Inspiração coletiva
Na arte de inventar
O exercício da cultura
E o poder de libertar.

A cidade é um espaço
Pra fazer reflexão
É a tendência no campo
da arte na região
intervenção, liberdade
do Coletivo em ação.

Enxergar no espaço urbano,
novas formas e a cultura
Linguagens, Intervenções
Os fazeres e a estrutura
E os discursos da arte
Com grande desenvoltura.


Coletivo Camaradas
com inspiração Marxista
A arte é compreendida
Na tendência progressista
Materialismo Dialético
Por uma arte socialista.

A arte como elemento
Em prol da revolução
Para mudar o sistema
De injustiça e exploração
Do império capitalista
De fome e escravidão.

Apresentar os caminhos
Pro fazer intelectual,
Pelo acesso de todos
À produção cultural,
Pra libertação da gente,
Pra justiça social.


Então venha conhecer
Assistir, participar
Redescobrir a cultura,
Conhecer, vivenciar
Encontrar no coletivo
A força para lutar.

FIM

SERVIÇO:
Informações de como participar
coletivocamaradas@gmail.com
(88)96616516










VAMOS AO TEATRO?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Os Camaradas no Sesc Juazeiro

NÃO QUEREMOS ENTREGAR, QUEREMOS INTEGRAR


Pedro Esmeraldo

 Em um dos bares da cidade, numa manhã de sol, encontramos com uma equipe de homens cratenses dizendo palavras desconexas, querendo entregar o Crato a localidades mais fortes. Tomamos isso como um acinte, pois não somos homens para esmorecer, mas para lutar.
Eles eram cidadãos maduros cheios de brios mas que não sabiam separar o joio do trigo. Desfaziam do Crato dizendo que, a cidade quando estiver em aquecimento, tem que se afastar para não ser queimado ou então, agarrar-se com unhas e dentes aos poderosos e inimigos. Para eles, o Crato teria que se entregar, tornando-se submisso, baixando a cabeça dizendo amém.
Não meus amigos, não somos dessa estirpe de homens fracos. Devemos lutar, pois estamos aqui pra enfrentar as dificuldades com desafio por que somos homens de luta. Não somos pessoas desgarradas e não nos aproveitamos da pieguice exagerada por meio da perfídia e da calúnia da massa governamental, que facilmente cai nas conversas destoantes e que sempre partem para entregar o Crato à corrente inimiga, proveniente dos homens usurpadores do progresso alheio que se aproveitam do prestígio exacerbado a fim de melhorar os bens patrimoniais de outros municípios.
Cremos que todos esses bens devem ser respeitados e permaneçam no devido lugar.
Nós, os cratenses, crescemos à custa do nosso suor. Não prejudicamos ninguém, não procuramos intriga, por meio de palavras ardilosas que vem atordoando a nossa consciência.
Lembremos do campus universitário da UFC que vinha para o Crato e foi arrebatado na calada da noite, tirando o direito do cratense de possuir a sua universidade.
Somos favoráveis à união, digna e merecedora de aplausos, integrando-se os municípios entre si.
Por isso, continuamos pensativos, com ânsia de desenvolvermos, mesmo carregando pedras, e ao mesmo tempo procuramos enquadramos no caminho da solidariedade humana e sem medo de enfrentar a luta cotidiana.
Esses homens pessimistas deveriam pensar um pouco e dizer a verdade, sem intriga e com coragem, enfrentando a luta de colocar homens filhos desse torrão para assumirem a representação no Congresso Nacional, tentando incluir o Crato com prestígio restabelecido, empurrando-o para o desenvolvimento equilibrado com modernismo aperfeiçoado.
Agora apelamos para esses fracos amigos que sorrateiramente esquecem de caminhar com altivez em benefício da nossa terra, não vacilem, trabalhem, ajudem a empurrar o Crato que anda à deriva. Afinal, Crato necessita de seu trabalho e não precisamos colocar interesse alheio em nosso meio.

Crato-CE, 08 de fevereiro de 2011.

Autor: Pedro Esmeraldo

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Para quem quer conhecer "Os Camaradas"

Onda de frio na Europa - Emerson Monteiro

O clima da Terra mudou a olhos vistos. Fenômenos já surpreendem populações inteiras nos mais diversos lugares, no entanto, com explicações plausíveis para tamanhas transformações nos acontecimentos, verdadeiras ameaças à sobrevivência e bem estar das espécies. Em 2010, por exemplo, houve mais terremotos na face do Planeta do que em todos os anos anteriores, causando apreensão e prejuízos, abrindo espaço às preocupações humanas com relação ao que sujeita ocorrer nas próximas décadas.

Em dias recentes deste princípio de ano (2012), a Europa atravessa grave crise climática diante das excessivas temperaturas verificadas, ocasionando, pelo menos, duas centenas de mortes em países de baixas temperaturas. Além das vidas em perigo, devido o abastecimento de gás natural e outras energias sofrerem drástica redução entre os mercados, gerando ainda mais deficiência nos instrumentos de reversão do quadro verificado.

Fortes indícios dos males de uma selvageria predatória longe de controle apontam, pois, à irregularidade racional de uso dos meios existentes para viver. Regiões reconhecidas pelo regime de chuvas regulares e fartas agora defrontam estiagens e secas de causa dó, fora mesmo das previsões, motivo de perdas sucessivas nas safras.

As razões das consequências, no entanto, crescem nas principais causas, dentre essas o desperdício dos recursos naturais a pontos jamais imaginados, pela ganância agressiva e perversa, em detrimento da Humanidade como um todo. Fome agressiva do domínio gratuito de bens preciosos a tudo justifica, febre doentia de esbanjamento e supérfluos que parece ilimitada, sobretudo das nações ricas, fora dos escrúpulos necessários à sustentação, imposição da própria miséria ética desse tempo do salve-se quem puder.

E nisso claudica o sistema da produção mundial, aberto à livre competição dos acúmulos desmedidos. O interesse dos grupos de poder predomina sob a justiça coletiva, peso comprometedor que e a quase ninguém sensibiliza para respostas proporcionais ao problema.

Milênios de desmatamento, guerras, testes nucleares, exploração incontrolada e poluição em massa só de longe cobram o preço impagável de tudo o que o amadorismo apocalíptico ora transforma em alertas extremos da Natureza mãe, em gritos de atenção surdos e valiosos.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Comunistas traçam estratégias no Cariri para eleições municipais




O Partido Comunista do Brasil – PCdoB realiza em todo o estado do Ceará os Fóruns de Integração Regionail com o objetivo de fortalecer a formação teórica dos militantes e criar estratégias para o crescimento da organização partidária nos movimentos sociais e a preparação para as eleições municipais.

No Cariri, o Fórum foi realizado na manhã do dia 04, no auditório do Centro Educacional de Referência Almirante Enani Aboim Silva em Juazeiro do Norte e contou com os comitês municipais das cidades de Abaiara, Araripe, Assaré, Aurora, Barbalha, Barro, Campos Sales, Crato, Farias Brito, Grangeiro, Juazeiro do Norte, Milagres e Potengi. O evento contou com a presença de lideranças ligadas aos movimentos de juventude, culturais, educação, mulheres e sindicais. Além de parlamentares, dos prefeitos Samuel Alencar (Potengi) e Vandevelder Freitas (Farias Brito), da presidente da Câmara de Potengi, Leonir Cavalcante e pré-candidatos.

Os Comunistas pretendem lançar um projeto ousado para as eleições municipais no Ceará. A intenção é dobrar a bancada de vereadores de 62 para 120 parlamentares e de 05 prefeitos para pelos menos 10 prefeituras. No Cariri o partido, vem tendo um crescimento significativo com prefeitos nas cidades de Farias Brito e Potengi e com vereadores nas cidades de Juazeiro do Norte, Farias Brito, Altaneira, Jardim, Potengi e Araripe. Além de lideranças do movimento cultural assumindo secretarias municipais da Cultura, como é o caso de Assaré e Potengi.

O Fórum demonstrou o sentimento dos comunistas em avançar na participação nos movimentos sociais, no campo parlamentar e institucional.

Início de tudo - Por José de Arimatéa dos Santos

Janeiro já passou e as merecidas férias também já se foram. Agora já é fevereiro e para muitos é o verdadeiro início do ano. Só para reforçar o carnaval está a bater as nossas portas e dessa vez é fevereiro, como é tradição. Regiões brasileiras carnavalescas como Rio de Janeiro, Pernambuco, São Paulo e Bahia a data do carnaval é somente o ápice da festa neste segundo mês do ano.
Fevereiro significa também a continuação de nossas preocupações com o pagamento de impostos para o governo. IPVA, IPTU, Seguro disso e daquilo, fora os impostos embutidos em qualquer compra nossa. E o salário só vai sendo corroído pelo monstro, nem digo leão, da máquina arrecadadora de todo governo. É uma fome siberiana do estado. Incrível como o gestor público só pensa em tomar o dinheiro nosso através de taxas e impostos. Até obrigações diárias do governo tem que ser taxadas. E somos nós que pagamos a conta. Nem vou falar em corrupção, pois se não estrago o dia, noite ou manhã de qualquer um de nós.
Fevereiro início do ano, mas só depois do carnaval. Até passar o carnaval a mídia fala que  Dilma fará a reforma ministerial e tal partido da base aliada não se conforma com o número de aliados contemplados com alguma pasta. E essa mesma ladainha se escuta nos governos estaduais e municipais. Tem também as negociações quanto as coligações partidárias referentes as eleições de prefeito e vereador. Até as convenções os caciques políticos se tratam educadamente, pois podem estar juntos no mesmo palanque. E não se vê o cuidado com as ideologias mais não. Comunista se alia a liberal. Trabalhador se coliga com empresário. O que vale é ganhar a eleição.
Isto é fevereiro. Mês de festa do povo nas ruas onde o folião se esbalda e procura esquecer ao menos por três dias as frustrações e decepções na política e seus corruptos de plantão e os conchavos que são contra nós invariavelmente. E a vida segue na nossa luta diária por mais paz e conquistas coletivas e pessoais que desembocam na alegria, mesmo que momentânea, de carnaval. É fevereiro.... Vamos, seja como for, fazer a folia!
Mas que a alegria de carnaval seja o início de atitudes conscientes com a vida. Se vai beber nem chegue perto da direção do carro. Nada de briga, pois esse período é certamente um dos mais alegres do ano. Vamos começar esse início de ano com muita responsabilidade e amor a vida. A folia une a todos e a rua é passarela da verdadeira alegria de viver onde as ricas manifestações da cultura nacional desembocam no momento em que a nota máxima contemplem o amor e a solidariedade com o irmão. Isso é carnaval. Início de tudo.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Exposição dE nÃo ArTiStAs



Partindo da premissa que não precisa ser artista para entender ou fazer arte,  a exposição “dE nÃo ArTiStAs” propõe um diálogo interativo e contemporâneo que coloca o grande público como co-autor e estabelece uma relação de identidade e pertencimento com o trabalho artístico.
 
Essa exposição é resultado da experiência desenvolvida no Laboratório de Estudos, Vivências e Experimentos em Arte Contemporânea – O Leve Arte Contemporânea; desenvolvido com alunos de escolas públicas do Crato, e compreende a perspectiva estética e artística do Coletivo Camaradas que coloca a arte como elemento de humanização e reflexão social, a partir de proposições coletivas e interativas.   

A exposição funciona como um Laboratório para experimentos e processos criativos em que a galeria foi transformada num atelier, possibilitando que os visitantes possam criar, modificar, resignificar objetos e ações.

Os trabalhos exposto foram feito pelo Coletivo Camaradas que atua no Cariri a 5 anos. O Coletivo é composto por 20 jovens e tem a frente o artista visual e poeta Alexandre Lucas.
 
Na “dE nÃo ArTiStAs” o público pode se sentir fazedor, pode alterar a ordem dos objetos e até mesmo criar o seu próprio trabalho; assistir exibição de vídeos com registros de performances e intervenções urbanas; e apreciar trabalhos individuais, instalações e objetos. 
 
A exposição foi aberta dia 26 de Janeiro na galeria de Artes do SESC Juazeiro do Norte com horário de visitação de 13h às 21h  de segunda a sexta até dia 23 de março de 2012.