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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A loirinha do sertão – Por Pedro Esmeraldo

Senhor Antonio Ferreira Mandaçaia é o senhor aloirado, nem era rico e nem era pobre. Era controlado em seu trabalho no ramo agropecuário. Habitava numa fazenda situada no meio rústico do sertão nordestino. Predominava a criação de gado bovino e uma agricultura rudimentar, baseada na cultura de grãos que servia para complementar o custeio de sua fazenda com cerca de 200 HA. Prevalecia uma propriedade cortada pelo riacho favorecida por termos que reforçava para adquirir produtos ardilosos que facilitava o bom desempenho do plantio agrícola.

Era um alegre senhor com mais ou menos 1,75 de altura, que se elevava como cidadão mais eficiente, pois devido às suas dificuldades no trabalho, às péssimas situações climáticas que vez por outra aparece na região Nordeste. Além da criação de gado bovino, seu Antonio se esforçava para a criação de outros animais como da raça caprina, que era adaptada na nossa região e que era facilmente vendável.

Seu Mandaçaia não perdia a esperança e procurava estender-se a toda sorte de cultura favorecido ao meio ambiente seco do clima semi-árido nordestino.

Era valente, corajoso e enfrentava situações com bravura. Não perdia oportunidades, aproveitava todas as neblinas que surgissem no meio do tempo. Por isso ele era bem sucedido na sua colheita, pois conseguia melhor preço em tempo hábil, auxiliado pela lei da oferta e da procura.

Pai de uma filha loira, linda, que praticava todas as manhãs a equitação, que é a arte de praticar o esporte na sela. Seu pai tinha o maior prazer de adquirir bons cavalos tipo mangalarga para fazer o desejo da filha Sandra.

Essa menina desde seis anos adquiriu o apelido de loirinha do sertão, porque lá só havia ela com esta qualidade, costumava cavalgar nas estradas da fazenda junto com sua companheira de estudo, Rita Maria, filha do capataz muito amigo do seu pai.

Quando as duas completaram 16 anos foram obrigadas a se deslocar até a capital do estado a fim de prestar exame vestibular para medicina, que era um desejo de ambas. Permaneceram as duas na capital até suas formaturas em medicina, voltando para casa somente após o término dos seus estudos. Eram umas meninas equilibradas e estudiosas. Forçaram a barra, procuraram adaptar-se emocionalmente ao meio no intuito de qualificarem-se para exercer com precisão o seu trabalho.

Quando estavam fora de casa, comeram o pão que o diabo amassou, já que os pais não muito ricos, tiveram de controlar as despesas enviando somente o necessário para a sua manutenção escolar. Mas as duas souberam compreender e ajudaram o pai a manter a economia, deixando-o a vontade para que enviasse o mínimo possível de acordo com a sua possibilidade.

As duas foram coerentes, souberam suportar com dignidade a dificuldade dos pais e respondiam com bom procedimento estudantil, deixando os pais totalmente enaltecidos e conformados pelo bom proveito das filhas.

Está aí um exemplo de compreensão mútua que toda a juventude deveria seguir, pois se a maioria dos estudantes assim fizessem, o Brasil estaria numa situação bem elevada de dignidade moral, que seria um mostruário de trabalho para juventude desqualificada que só prefere entregar-se ao vício da droga e da ociosidade.

Crato-CE, 18 de janeiro de 2011.

Autor: Pedro Esmeraldo

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