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sábado, 2 de abril de 2011

Entre a cegueira e a visão – Por Padre Virgílio Ciaccio

A cegueira é uma das mais terríveis limitações da vida. Mas nós também, ainda que tenhamos visão invejável, freqüentamos com assiduidade o mundo dos cegos.

Somos cegos quando não prestamos atenção na presença de Deus em nossa história e nos voltamos para interesses de pouca valia. Somos videntes quando sabemos perceber a passagem de Deus ao nosso lado, atendemos às suas propostas e cobranças e aceitamos com gratidão a salvação que ele nos traz.

Somos cegos quando nem tomamos conhecimento do nosso semelhante e, entre nós e ele, erguemos barreiras de cor, de classe social e de religião – de modo que ele não venha a cruzar o nosso caminho. Somos videntes na hora em que o aceitamos como companheiro de viagem e como irmão muito querido.

Somos cegos na hora em que fechamos olhos e coração ao sofrimento, às lágrimas e ao abandono de tantos excluídos condenados a morte prematura pela falta de remédios, alimentação e moradia. Somos videntes quando temos a coragem de entrar na tribulação e na tragédia deles; quando nos tornamos solidários com sua cruz e nos pomos a seu serviço, a fim de levantá-los e restituir-lhes a dignidade de filhos de Deus.

Somos cegos na hora em que jogamos nas costas dos outros a responsabilidade pelas coisas erradas que acontecem em nosso meio. Mas somos videntes quando admitimos a nossa injustiça, violência e dureza de coração e nos emendamos, com coragem, de nosso pecado.

Somos cegos quando nos julgamos dono da verdade e, roubando o lugar de Deus, lançamos sentenças de vida e de morte em cima do irmão que errou. Somos videntes quando do nosso irmão, ainda que pecador, nos fazemos defensores, lembrados de que a nossa luta deve ser contra o pecado, não contra o pecador.

Brilhe para nós um raio da luz de Cristo, a fim de que possamos andar sempre com o amor, a justiça e a verdade.

Por Padre Virgílio Ciaccio, SSP

Extraído do jornal “O Domingo” dia 04.04.2011. Postado por Carlos Eduardo Esmeraldo.

sábado, 31 de julho de 2010

Como entender um mistério? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Há alguns dias, eu e Magali fomos convidados para falar para um grupo de jovens casais que se preparavam para a cerimônia de seus casamentos. É claro que além da nossa experiência pessoal, consultamos alguns livros. Num deles, vi algo que muito me emocionou e me transportou aos meus oito anos de idade, nas aulas de catecismo da minha querida e saudosa tia Esmeraldina, a irmã mais velha da minha mãe. Naquela época, eu me preparava para fazer a minha primeira comunhão. De repente, minha memória me fez ouvir a voz da tia Esmeraldina me perguntando sobre o mistério da Santíssima Trindade: O Pai é Deus? O Filho é Deus? O Espírito Santo é Deus? A cada uma dessas perguntas eu respondia sim, sem nada entender. E acredito que ninguém ainda hoje entenda tais mistérios. Mas lendo o livro “Os Sacramentos” de Dom Hilário Moser*, encontrei uma definição de Deus que satisfaz a quem pensa como eu, em aceitar a existência desse mistério principal da nossa fé. Abaixo, tomo a liberdade de compartilhar com aqueles que se deram ao trabalho de ler até aqui o que rabisco, a mesma emoção que eu senti ao ler as palavras de Dom Hilário.
“O nosso Deus não é um Deus solitário, é um Deus-Família. Ele é Pai que tem um Filho. E o amor que vai do Pai ao Filho e do Filho ao Pai é tão perfeito que é uma Pessoa, o Espírito Santo. Assim, em Deus há uma contínua corrente de amor entre as três Pessoas divinas. O Pai está todo voltado para o Filho, o Filho está todo voltado para o Pai, e o Espírito Santo mantém Pai e Filho voltados um para o outro. Este é o grande mistério da Santíssima Trindade. É difícil para nós, criaturas, entender esse mistério, mas assim é o nosso Deus e é assim que a Bíblia nos fala de Deus.”

Descobrimos que essas sábias palavras têm tudo a ver com a formação de uma família, onde o amor deve fluir entre o casal e os filhos, da mesma forma que circula na suprema divindade. O amor do marido para a mulher, o amor da mulher para o marido deve ser tão intenso quanto o amor dos pais para com os filhos e dos filhos para com os pais. Isto nada mais é que o reflexo do amor de Deus atuando sobre a família. Se todas as famílias do mundo colocassem esse mistério em suas vidas, vivendo sob o influxo do Espírito Santo, certamente não existiria tantas agressões entre os seres humanos, não haveria guerras, exploração do homem pelo homem e a pobreza; não somente a pobreza material, mas principalmente a pobreza moral, a maior de todas as misérias.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Dom Hilário Moser é bispo emérito de Tubarão-SC

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Mui Amigas... Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Estamos quase chegando à semana da festa do Natal. O momento é propício para refletirmos sobre o amor, a amizade, a solidariedade e o perdão. Podemos então nos questionar se estamos sendo bons pais, filhos, amigos e cônjuges. Estamos sendo fiéis aos nossos amigos?

Esse é também um momento de entrarmos em sintonia com Deus e pedirmos para sermos melhores. Deixar morrer o nosso coração de pedra e nascer um coração novo, de carne. E que esse coração novo seja capaz de receber todas as graças de Deus e se abrir para o perdão. A chegada do menino Jesus nos faz entrar na magia de um novo renascer. Renascer para uma nova vida de pratica do bem, de ser capaz de entender e perdoar pessoas que achamos não merecer nosso perdão. É difícil perdoar quem nos tratou mal. E se nós imitássemos o coração manso e humilde de Jesus? Talvez fosse possível.

Foi nesse clima de Natal que me lembrei das falsas amizades. Na Bíblia, em Eclesiástico 6,14-15, encontramos: “Um amigo fiel é um refúgio poderoso, e quem o encontra, achou um tesouro.” “Amigo Leal não tem preço e nada se iguala ao seu valor.” A amizade verdadeira é um sentimento muito gratificante para todo ser humano. Todos gostam de ter amigos. Tem também um ditado que diz “É melhor um amigo na praça do que dinheiro na caixa”. Tudo isso pela importância de se ter um amigo.

Muitos já foram traídos, mas mesmo assim não perderam a fé nos amigos, pois alguns são merecedores de toda nossa confiança. Também sabemos que o ser humano não é uma ilha, gosta de conviver com outras pessoas e usufruir de uma boa amizade.

A história que vou narrar ocorreu comigo, quando eu estava me preparando para o vestibular do curso de História da Faculdade de Filosofia do Crato. Devido a minha juventude, eu confiava cegamente nas pessoas e achava que todos que se aproximavam de mim e agiam como amigos seriam incapazes de me causar qualquer decepção.

Duas vezes por semana, eu freqüentava um curso de inglês. Foi nessas aulas, que conheci duas colegas que eu pensava serem minhas amigas. Através da convivência, a amizade foi se solidificando, pensava eu. Mas não foi isso que se passou com essas duas colegas. Elas, assim como eu, iam fazer vestibular, não para o curso de história, mas para outros cursos.

Saí de casa numa sexta feira à tarde, em direção ao centro da cidade, com o objetivo de comprar um livro. Já estava chegando à Rua João Pessoa, quando encontrei com essas duas amigas. Uma delas me convidou para passar uma semana numa fazenda de uma tia. Informou-me que iríamos nós três e que lá era um lugar bastante sossegado, ideal para estudar. Respondi que iria combinar com meus pais. Conversamos mais um pouco, depois nos separamos, e eu fui à livraria comprar o livro.

Ao Chegar à minha casa, falei com meus pais que me autorizaram a ir. Então eu telefonei para elas e ficou tudo combinado. A viagem foi marcada para a próxima segunda feira às três horas da tarde. Seria apenas duas horas de viagem.

No dia marcado arrumei a mala e fiquei esperando. Esperei tanto que o dia já estava anoitecendo, quando outra colega, uma verdadeira amiga me ligou e perguntou por que eu não tinha viajado. Acho que ela já sabia da traição. Expliquei que até àquela hora elas não tinham me dado notícia nenhuma. Então ela me disse que elas viajaram no horário marcado. Fiquei chocada com tal atitude. Foi uma grande falta de educação e deslealdade. Pelo menos elas deveriam ter dado qualquer desculpa, mas me deixarem esperando...

Essa minha amiga, que me telefonou e, que ainda hoje eu a considero como grande amiga me convidou para um sítio dos pais delas no Lameiro, onde fui muito bem acolhida. Estudamos com muita vontade e passamos no vestibular. Ainda hoje não entendo a atitude daquelas duas ex-amigas, pois tenho certeza que eu não merecia. Mas consegui perdoá-las, o que é mais importante.

Tudo que acontece na vida serve para o nosso amadurecimento. O desencanto com essas duas pessoas, não me desanimou, pois a atitude da amiga certa, me fez acreditar que ainda existem pessoas boas e amigas.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O que é conversão? Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Muitas vezes somos levados a pensar que conversão é mudar de uma igreja para outra ou de religião. O que estou querendo ressaltar aqui, é que conversão é uma mudança radical de vida. Se decidirmos seguir Jesus e fizermos uma adesão total a Ele, temos que permitir que Deus nos transforme interiormente e possa surgir dentro de nós, um novo homem, ou uma nova mulher.

Nesse mundo impregnado de materialismo, fica muito difícil a conversão. As pessoas são levadas pela sociedade de consumo, a ganhar cada vez mais dinheiro, esquecendo dos valores mais importantes da vida. Vivemos numa sociedade do ter, do poder e do prazer e, esquecemos os valores espirituais, o ser gente, o amor ao próximo e a fé em Deus. O amor de Deus por nós é tão grande que Ele quer que a decisão de mudar de vida seja nossa. Abrir o nosso coração e deixar a Graça de Deus entrar na nossa vida, só vai nos beneficiar. Hoje o coração do homem está tão fechado para o amor, que o mundo estar repleto de violência, guerras e desunião.

Aderir a Jesus Cristo, nos obriga a conhecer a Palavra de Deus e aplicá-la na nossa vida. Entretanto, para a conversão, a palavra de Deus tem que ser lida e entendida com os olhos da fé. De nada vale dizer que leu a Bíblia toda, que está por dentro de tudo, só para citar versículos e capítulos do Evangelho. A mensagem de Jesus Cristo é transformadora. Se cada pessoa no mundo conhecesse Jesus, o mundo teria mais paz, justiça e igualdade social.

Um grande exemplo de conversão foi a do Apostolo Paulo, que era um fariseu perseguidor dos cristãos e teve uma experiência com Jesus Cristo que mudou totalmente a sua vida.

Paulo nasceu em Tarso, na região da Cilícia, Ásia Menor, atual Turquia. Apesar de judeu, era cidadão romano, título herdado do pai, um homem de posse, que comprou esse título.

Paulo, filho de judeus foi educado dentro das exigências da lei de Deus e das tradições paternas. No ambiente judeu ele adotava o nome Saulo e entre os gregos era conhecido por Paulo.

Como todos os meninos judeus da época, Paulo recebeu os ensinamentos básicos na casa dos pais em Tarso, na Sinagoga do bairro e na escola ligada a Sinagoga. Posteriormente ele obteve formação superior em Jerusalém, tendo sido aluno de Gamaliel. O próprio Paulo relata nos Atos dos Apóstolos 22,3-5, “Eu me formei na escola de Gamaliel seguindo a linha mais rigorosa dos nossos antepassados.”

O eixo da formação dos judeus era a leitura da Bíblia, e era a mãe em casa que tratava de passar para os filhos todos os ensinamentos.

Tudo leva a crer que Paulo e Jesus nunca se encontraram. Jesus era de cinco a oito anos mais velho do que Paulo. Tanto Jesus quanto Paulo receberam a mesma formação básica. Porém Jesus vivia em Nazaré, era pobre e trabalhou como carpinteiro para sobreviver. Já Paulo era rico e não precisava trabalhar. Só depois da sua conversão é que trabalhou para sobreviver construindo tendas, oficio que aprendeu com o pai.

No capítulo nove dos Atos dos Apóstolos encontra-se o relato da conversão de Paulo. Saulo perseguia e ameaçava os discípulos de Jesus. Ele foi à presença do sumo sacerdote para lhe pedir cartas de recomendação para as sinagogas de Damasco. Tinha como objetivo levar presos para Jerusalém todos os homens e mulheres seguidores de Jesus. Quando ele estava próximo de Damasco, se viu cercado por uma intensa luz que vinha do céu. Caindo por terra ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, porque me persegue”? Saulo perguntou: “Quem és tu Senhor?” A voz respondeu: “Eu sou Jesus, a quem você está perseguindo. Agora, levante-se, entre na cidade, e aí dirão o que você deve fazer.” Os homens que estavam acompanhando Paulo, ficaram espantados porque só ouviam a voz e não viam ninguém. Saulo se levantou e não estava enxergando nada. Os homens o levaram até Damasco. Lá ele ficou três dias sem enxergar e nem comeu nem bebeu nada.

O Senhor em visão mandou Ananias à casa de um homem chamado Judas, onde Saulo estava hospedado. Ananias lhe falou dos poderes que Saulo possuía de prender todos que invocassem o nome de Jesus. Mas Jesus lhe disse: “Vá, porque esse homem é um instrumento que eu escolhi para anunciar o meu nome aos pagãos, aos reis e ao povo de Israel. Eu vou mostrar a Saulo quanto ele deve sofrer por causa do meu nome.”

Ananias foi encontrar com Saulo, impôs a mãos sobre ele dizendo que o Jesus que apareceu a ele no caminho de Damasco, o enviou ao seu encontro para que ele recuperasse a visão e ficasse cheio do Espírito Santo. Dos olhos de Saulo caiu alguma coisa parecida com escamas, e ele recuperou a visão. Saulo se levantou e foi baJustificartizado.

Após passar alguns dias com os discípulos em Damasco, Saulo foi pregar nas sinagogas afirmando que Jesus Cristo é o filho de Deus. Todos se admiravam da pregação, pois sabiam que tinha sido perseguidor de Jesus.

Graças a Paulo, o mundo ocidental é cristão, pois ele divulgou a mensagem evangélica através das suas viagens a “todos os confins da terra”. Esse grande apóstolo de Jesus serve de modelo para todos os cristãos.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O Perdão – Por Magali de Figueiredo Esmeraldo.

Quem pratica o perdão tem mais condições de alcançar a paz e a felicidade. As pessoas não são perfeitas e se não soubermos aceitá-las com seus defeitos, não praticaremos o perdão e não aliviaremos o nosso coração do peso da mágoa. O coração de quem perdoa se torna mais leve. No Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus, 18, 21-35, quando Pedro pergunta a Jesus se devemos perdoar nosso irmão, até sete vezes, Jesus responde: “não lhe digo até sete vezes, mas até setenta e sete vezes sete.” O número sete na Bíblia significa a plenitude. Portanto, devemos perdoar infinitas vezes.

Depois que respondeu a Pedro, Jesus narrou uma parábola comparando o Reino do Céu com um rei que resolveu acertar a conta com seus empregados. Jesus contou que um servo devia uma quantia de dez mil talentos ao seu rei e não tinha condição de pagar a dívida. Era uma quantia muito grande, pois cada talento equivalia a 34 kg de ouro. O empregado pediu um prazo e implorou compaixão. O rei perdoou sua enorme dívida. Mas esse servo saiu e encontrou um dos seus companheiros que lhe devia uma pequena quantia e exigiu o pagamento, agarrando-o pelo pescoço. Mesmo que o companheiro de servidão lhe implorasse por compaixão, ele o entregou à prisão. O rei sabendo dos atos desse servo zangou-se, pois ele não teve a mesma compaixão com o seu companheiro. Por isso mandou entregá-lo aos torturadores, até que ele pagasse a dívida.

Não podemos comparar as ofensas que cometemos contra Deus àquelas que os outros cometem contra nós. Jesus observou que como o servo que não tinha misericórdia, o Pai não perdoará nossas faltas se não perdoarmos nosso próximo.

Sabemos que o ódio somente prejudica a pessoa que não sabe perdoar. O perdão é também a outra face do amor e o mundo seria muito melhor se todos nós soubéssemos praticar o amor e perdoássemos nosso irmão infinitas vezes.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo