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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Considerações sobre o Geopark Araripe (1ª parte)

Dedicado ao Prof. André Herzog,
implantador do Geopar Araripe
GEOPARK: encontro da ciência com os ritos, mitos e lendas do Homem-Cariri
por Armando Lopes Rafael (*)

“Poucas regiões do Brasil têm, como o Cariri, uma natureza tão pródiga, uma história tão rica e uma cultura popular tão diversificada. Festas, folguedos, ritos, mitos, lendas, narrativas orais, artesanatos, mestres brincantes e de ofício, santuários e sítios sagrados, marcos históricos e conjuntos arquitetônicos, sítios naturais e redutos ecológicos, tradições culinárias, passeios e belas paisagens, feiras e mercados, enfim, um número infinito de possibilidades e atrações a serem exploradas. Junte-se a isto uma vida intelectual e acadêmica em pleno crescimento, com sólidas instituições públicas, universidades, artistas, escritores e um plantel de profissionais técnicos e liberais da melhor qualidade”. (Oswald Barroso)
Resgatar o passado, reinventar o presente
Incentivar as mudanças tecnológicas e, simultaneamente, investigar e preservar as tradições populares, eis o desafio da Universidade Regional do Cariri. O Geopark Nacional do Araripe, que a URCA planejou, insere-se neste desafio. A sua concepção não contempla apenas o desenvolvimento auto-sustentável da Chapada do Araripe. Vai mais além. Inclui a manutenção do potencial ecológico, geológico, histórico e das tradições de uma região considerada das mais ricas do Brasil, no que diz respeito à cultura popular. Apesar do processo de modernização por que vem passando a sociedade do Cariri, insuflado pelos ventos da globalização que atinge todos os setores da vida, as tradições populares do Sul do Ceará, e seu entorno, não desapareceram no modo de ser e de viver dos seus habitantes. O povo, de forma inconsciente, vem atendendo ao apelo da UNESCO, no sentido da preservação do patrimônio imaterial, este, infelizmente, muitas vezes, relegado em relação à evolução tecnológica. Nossas tradições continuam presentes no cotidiano dessas populações, num processo em transformação, é verdade, mas ainda latentes. Exemplos dessas presenças são as xilogravuras e as poesias narrativas, populares, impressas, mais conhecidas como Literatura de Cordel. Ambas constituem-se em forte componente das tradições populares do Cariri. Um dos grandes divulgadores da xilogravura e da Literatura de Cordel, no passado, foi Tipografia e Editora Lira Nordestina, localizada em Juazeiro do Norte, que exerceu influente papel de comunicação, tanto no meio citadino como no rural, de vasta área nordestina. Lamentavelmente, ao longo dos últimos anos, a Lira Nordestina foi perdendo sua importância para outros modernos meios de comunicação.
A Universidade Regional do Cariri tomou a si a tarefa de revitalizar essa tipografia, resgatando-a como o maior pólo difusor de literatura popular de folhetos de cordel e xilogravura do Brasil. A Lira Nordestina, fundada em 1926, estava praticamente abandonada, quando foi incorporada à URCA. Após o retorno do acervo, dos equipamentos e dos artesãos da Lira e dentro da sua política de valorizar a cultura popular, a Universidade Regional do Cariri reinstalou a Tipografia-Gráfica no Campus do Pirajá, em Juazeiro do Norte. Em seguida, procurou ajuda financeira da Caixa Econômica para reativá-la. Depois de conseguir este apoio financeiro, através de concorrência pública, nacional, a Lira Nordestina foi selecionada, recentemente, pelo Ministério da Cultura, como um dos “Pontos de Cultura do Brasil”.No Vale do Cariri, a tradição popular mantém-se também através da dança e da música. As bandas cabaçais, herança da musicalidade dos índios Cariris, perduram até os dias atuais. A referência mais antiga às bandas cabaçais pode ser encontrada no livro do naturalista escocês George Gardner (“Viagem ao Interior do Brasil”. São Paulo: Cia. Ed. Nacional, 1942. 468 páginas). Ele esteve no Sul do Ceará, em 1838. Na sua passagem pela Vila Real do Crato (localidade nascida de um aldeamento dos índios Cariris), Gardner registrou: “toda a população da vila chega a dois mil habitantes, na maior parte índios ou mestiços dele descendentes”. Ainda em Crato, Gardner teve oportunidade de assistir aos festejos de Nossa Senhora da Penha, Padroeira da cidade, citada por ele erroneamente como Nossa Senhora da Conceição. As manifestações da cultura popular, presentes nos festejos religiosos, não agradaram ao escocês. Foi o caso da banda cabaçal, assim descrita pelo naturalista: “(...) uma banda de música, com dois pífanos e dois tambores, mas a música era desgraçada...” Antigamente, a banda cabaçal era composta por dois pífanos e dois tambores (zabumbas). Hoje, geralmente, ela é formada por dois pífanos, uma zabumba, tarol e pratos. A mais famosa banda cabaçal do Cariri é a dos Irmãos Anicetos. Seus componentes, residentes num subúrbio de Crato, mantêm a tradição transmitida pelo pai, que a aprendeu com descendentes dos índios Cariris. A terceira geração dos Anicetos já começa a incursionar nesse ofício.
(continua)
(*)Armando Lopes Rafael é historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri e Membro-Correspondente da Academia de Letras e Artes "Mater Salvatoris" de Salvador (BA).

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

É Natal,tempo de comemorar o nascimento do Rei dos Reis




REI DOS REIS
Por Otávio Luiz Rodrigues Júnior (*)

É Natal, tempo de comemorar o nascimento do Rei dos Reis. E recordo dessas peculiaridades da língua para comentar um episódio que faz refletir sobre o que é ser cristão. O Grão-Ducado de Luxemburgo é governado por um monarca católico, Henrique de Nassau – parente do nosso Maurício de Nassau – governador holandês de Pernambuco. O Parlamento luxemburguês aprovou há poucos dias a lei que permite a morte de pacientes em estado terminal, a chamada eutanásia. Tida como uma morte misericordiosa,porque evita o sofrimento do doente irrecuperável, a eutanásia é fortemente objetada pela Igreja. Independentemente disso, o simples fato de ter sido uma prática comum dos nazistas já deveria inspirar toda a repulsa,assim como o aborto,a eugenia e outras barbaridades cometidas contra nossos irmãos judeus.
Pois bem, Henrique de Nassau (na foto ao lado,juntamente com sua esposa), um príncipe, aristocrata poderoso, acima dos comuns, resolveu colocar em risco seu trono e decidiu não sancionar a lei. Tal como no Brasil, em relação ao presidente da República, uma lei só vale se contiver a assinatura do soberano de Luxemburgo. Por objeções de consciência, o grão-duque, católico fervoroso,preferiu ser um humilde servo do Rei dos Reis e, em nome da fé, ameaça seu trono na terra.Ele seguiu o preceito bíblico e abandonou o cálculo político.O monarca optou em servir o carpinteiro da Galiléia e renunciar às glórias deste mundo.
A crise política em seu país é imensa. Os deputados que aprovaram a lei,muitos dos quais ditos cristãos,pretendem agora retirar os poderes do grão-duque e impedi-lo de participar do processo legislativo.Há movimentos pela proclamação da República.O episódio deixa três lições.
A primeira está na necessidade de que, até mesmo nas democracias, existam limites contra os abusos da maioria. Hitler chegou ao poder e aprovou todas as leis contra a Humanidade dentro da Constituição alemã e com voto popular. O grão-duque,ao agir como agiu,postou-se corajosamente contra a maioria.Um Chefe de Estado,por sua simples autoridade moral,pode transformar a realidade política.
A segunda é que torna perceptível o quanto “descristianizada” está a Europa, antigo farol do mundo na propagação da fé. A terceira lição é voltada para nossos corações. Quantas vezes renunciamos à verdade, à defesa de nossos amigos, quando caluniados em sua ausência, ou à ética,quando podemos enriquecer?
Quantas vezes escolhemos o caminho fácil da covardia e do não-enfrentamento, quando valores humanos são sacrificados em nome da comodidade de nossas vidas?A lição do humilde servidor de Deus, Henrique de Nassau, deve ser recordada. Ele como um rei, preferiu ser fiel ao Rei dos Reis. Quem de nós faria semelhante coisa?

(*) Otávio Luiz Rodrigues Júnior é Doutor em Direito Civil (USP), professor universitário (IDP, IESB, FA7), advogado da União e membro da Associación Iberoamericana de Derecho Romano-Oviedo.

O NATAL E AS EDIFICAÇÕES PERENES

O mito do natal é um dos mais curiosos deste mundo. Não se pode dizer que seja o mito fundador do cristianismo, mas com certeza é o do nascimento de quem o funda. E quem funda algo, fundamenta, constrói fundações, ergue um edifício permanente sobre tais alicerces. E o edifício, mesmo que um dia se vislumbre como arqueologia, não se desapega da humanidade errante, sob as intempéries do céu que recobre sua paisagem. Não se desapega, pois são arqueologia e símbolos gráficos prolongados além dos milênios.

A verdade é que somos eventos precários no reboliço do mundo. Tão precários que alguns minutos sem oxigênio é fatal, dias sem água e comida interrompe toda uma fisiologia que já existe há milhares de anos. Como indivíduos somos precários. Mas tal precariedade não reduz toda a ventura humana. É que a humanidade e suspeito que parte da vida no planeta terra, além de evento como ser, também guarda uma dimensão de estar no mundo. E quando falamos em mundo já estamos numa dimensão cósmica, muito além de tudo que sabemos como estoque, mas muito aquém do que não sabemos como possibilidade. Muito existe de futuro no cosmo.

Agora ao nascimento. É que no início chamei o natal de curioso, mas não expliquei. O natal como fundamento do cristianismo, portanto de uma teologia e de uma religião, é muito mais que princípios ou edificações da paz humana. A irmandade entre todos. Na verdade o nascimento é, em sua raiz, a dinâmica do movimento geral do planeta e de toda natureza de energia e matéria no cosmo. A edificação é um momento de sustentação, como um instantâneo da significância geral. Não se descola do movimento, mas tem uma estática que tenta representar todo ele.

Não concluo se consegue de fato representar todo ele. Esta dúvida não tem importância. Pois o que o natal mais quer dizer não são os presentes, as comidas, as imagens do norte em neve, é o que todas as pessoas sabem, num determinado dia, pelo menos, das possibilidades do futuro. O mundo é muito mais amplo e vasto do que as regras de uma sociedade ou de uma economia, desde que a simbologia do natal ofereça a visão além da bruma. Quando se nasce, é que o sopro agita a calmaria da superfície. Quando todos nascem, rochas intrusivas afloram à superfície.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Museu de Arte de Crato

Dedicado ao Prof.
João Pierre que
publicou um livro
sobre este museu
O Museu de Arte do Crato Vicente Leite foi criado no governo do prefeito Pedro Felício Cavalcanti, em 1974. Seu idealizador foi o artista R.Pedrosa. Leva o nome de Vicente Leite, pintor de grande talento, figura de renome nacional na vida artística, nascido em Crato e falecido no Rio de Janeiro em 1941.
Ali, estão expostos obras de arte de incalculável valor, a exemplo da escultura em gesso de Celita Vaccani denominada “Venite ad me omnes”, uma imagem de Jesus Cristo de grande beleza. Pertencem ao acervo deste museu 22 telas da pintora Sinhá D’Amora, alta e marcante expressão entre os artistas de sua geração.
Merecem destaque, dentre as valiosas obras de arte do Museu Vicente Leite, as seguintes:
- Aquarela “Vista Panorâmica do Crato em 1865”, feita por José Reis de Carvalho, integrante da “Commissão Scientífica de Exploração” – conforme grafia da época – criada pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro-IHGB, com a finalidade de explorar o interior de algumas Províncias, devendo fazer coleções de produtos naturais para o Museu Nacional e para os das Províncias” (ver abaixo) - Dois desenhos a lápis de Pedro Américo um dos maiores e mais famosos pintores do Brasil, que se notabilizou por pintar cenas históricas e épicas, incluindo a do Grito do Ipiranga, que ilustra a cena da Independência do Brasil;
- Óleos sobre tela Pino Della Selva, Mazza Francesco, Vicente Leite, Jair Picado, dentre outros.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

História de Crato (final)

Por
Armando Lopes Rafael

A Praça da Sé, no primeiro quartel do século XX, numa solenidade cívico-religiosa
O pioneirismo do Crato
A
s brigas fratricidas ficam para trás. Em 1855, a 7 de julho, é fundado no Crato o primeiro jornal do interior do Ceará. Trata-se do semanário “O Araripe”, cujo proprietário é o jornalista João Brígido dos Santos, ligado ao Partido Liberal. No último quartel do século XIX, a população do Crato já não se ocupa das brigas políticas. A sociedade cratense volta suas vistas para conquistas no campo da educação que perduram até os dias atuais.
Em 1874, o primeiro bispo do Ceará, Dom Luiz Antônio dos Santos, atendendo à sugestão de um filho do Crato, Padre Cícero Romão Batista, fixa residência temporária nesta cidade, com o objetivo de construir um Seminário, a funcionar como um suplementar do Seminário Episcopal, existente na sede da diocese, Fortaleza, distante cerca de 600 Km do Cariri. Em 1º de março de 1875, ainda de forma precária, o Seminário São José do Crato é colocado em funcionamento.Em 8 de dezembro de 1908, o vigário Pe. Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, convoca as autoridades e lideranças da cidade, com o objetivo de solicitar ao Bispo do Ceará encaminhar a Santa Sé o pedido de criação da diocese do Crato. É formada uma comissão com as lideranças e os notáveis da terra para os trabalhos preparatórios da nova diocese.
Em 20 de outubro de 1914, o Papa Bento XV, através da Bula “Catholicae Ecclesiae”, cria a diocese do Crato, a primeira do interior do Ceará. Em 10 de março de 1915, o vigário Quintino é preconizado primeiro bispo da nova igreja particular. A partir de então, diversas iniciativas da Diocese do Crato são responsáveis pelo surto de progresso sentido na cidade. Uma delas a criação, em 1921, da primeira instituição de crédito do Sul do Ceará, o Banco do Cariri, que presta grandes benefícios ao comércio e à lavoura da região.
Em 1922, Dom Quintino torna-se o pioneiro do ensino superior, no interior do Ceará, porquanto dota o Seminário São José de Curso Teológico. Este, sub-dividido em Curso de Filosofia, feito em dois anos, e Curso de Teologia, em quatro anos, proporciona ao novo presbítero receber no Crato a licenciatura plena. Dom Quintino planta, assim, a semente germinativa da Faculdade de Filosofia do Crato (criada em 1959) que foi, por sua vez, o embrião da atual Universidade Regional do Cariri (URCA), criada em 1986. Esta universidade leva a instrução superior in loco à vasta área do Estado do Ceará. E recebe no Crato alunos residentes nos Estados do Piauí, Paraíba e Pernambuco. Hoje, o Crato é um dos mais importantes pólos do ensino universitário, no Nordeste brasileiro.
Encerremos com mais dois registros. Primeiro, em 1946, há quase sessenta anos, quando não se fala em ecologia ou biodiversidade, o Crato é palco de nova ação pioneira. Através do Decreto n° 9.226 de 02 de maio de 1946, o Governo Federal cria a primeira reserva florestal do Brasil. Trata-se da Floresta Nacional do Araripe, que tem boa parte da sua reserva encravada no Município do Crato. Constituída por mata primária, clima ameno, além de possuir boa variedade de fauna e flora nativas, fontes naturais, pequenas grutas e fósseis, a Floresta Nacional do Araripe vem permitindo a pesquisa científica, recreação e lazer, educação ambiental, manejo florestal sustentável e turismo.
Segundo, em 2005, por iniciativa do Governador Lúcio Alcântara, foi criado o Geopark Araripe (foto abaixo, à direita, canion da Cachoeira de Missão Velha) sob a coordenação da Universidade Regional do Cariri – URCA, na gestão do Reitor André Herzog. A sede do Geopark Araripe fica na cidade de Crato. Criado com o objetivo preservar a história geológica da Chapada do Araripe, este Geopark envolve uma área de 10 mil Km2 sem equivalente no mundo na presença da fauna e da flora em fósseis de 70 a 120 milhões de anos em abundância, diversidade e estado de preservação. Em dezembro de 2005, o Governo do Estado do Ceará apresentou postulação, junto à Divisão de Ciências da Terra da UNESCO, que reconheceu em setembro de 2006 o Geopark Araripe comoo primeiro Geopark do continente americano e do Hemisfério Sul.
É o Crato pioneiro. Sempre à frente dos acontecimentos futuros...

Referências bibliográficas:
-ALBUM HISTÓRICO DO SEMINÁRIO EPISCOPAL DO CRATO. Rio de Janeiro: Typografia Revista dos Tribunaes,1925. 245 p.
-ALCÂNTARA, José Denizard Macedo de. Notas Preliminaresin Vida do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, autoria de J. Dias da Rocha Filho. 2 ed. Fortaleza: Secretaria da Cultura, Desporto e Promoção Social do Ceará, 1978. 170 p.
-ARAÚJO, Padre Antônio Gomes. A Cidade de Frei Carlos. Crato (CE): Faculdade de Filosofia do Crato, 1971. 165 p.
-FIGUEIREDO FILHO, J. Engenhos de Rapadurado Cariri.Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura, 1958. 74 p.
-LÓSSIO, Rubens Gondim. Artigo “Nossa Senhora da Penha de França, Padroeira do Crato” in revista “Itaytera”, ano VI, nº VI, órgão do Instituto Cultural do Cariri, Crato (CE), 1961. Tipografia A Ação.
-NEVES, Napoleão Tavares. Cadernos do IPESC 1. Juazeiro do Norte: Edições IPESC-URCA, 1997. 24 p.
-PINHEIRO, Irineu. Joaquim Pinto Madeira. Fortaleza: Imprensa Oficial do Ceará, 1946. 55 p.
-PINHEIRO, Irineu.O Cariri.Fortaleza: Edição do Autor, 1950. 272 p.
-PINHEIRO, Irineu. Efemérides do Cariri. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1963. 555 p.
-RAFAEL, Armando Lopes. Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro: o contra-revolucionário do Cariri de 1817.Crato: Tipografia do Cariri, 2000. 28 p.
-ROCHA FILHO, J. Dias da. Vida do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro(1740-1831) Notas Preliminares de José Denizard Macedo de Alcântara. 2 ed. Fortaleza: Secretaria da Cultura, Desporto e Promoção Social do Ceará, 1978. 170 p.
-SOBREIRA, Padre Azarias. O primeiro Bispo do Crato (Dom Quintino).Rio de Janeiro: Empresa Editora ABC Limitada, 1938. 183 p.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

História de Crato (3)

Por
Armando Lopes Rafael
Vista da Cidade de Crato", aquarela de José Reis de Carvalho pintada em 1859, pertencente ao Museu de Artes de Crato. Assim era Crato àquela época. A atual Sé Catedral só tinha, à época, uma torre, a do lado Sul. José Reis integrava a Comissão Científica de Exploração das Províncias do Norte e Nordeste, apoiada pelo Imperador Dom Pedro II.

O mártir da monarquia
(Abaixo, à direita, a bandeira do Brasil Império 1822-1889)
O Cariri continuou, durante algum tempo, dividido entre simpatizantes da ideologia republicana e adeptos da Monarquia. O confronto dessas idéias foi motivo de contendas as mais variadas. Joaquim Pinto Madeira era o que poderíamos chamar de “caudilho”. Rico proprietário rural e chefe político da Vila de Jardim, era por índole um afeiçoado às coisas da Monarquia. Foi fundador da sociedade secreta “Trono do Altar”, que defendia a monarquia absoluta. Lutou ele, ativamente, contra os promotores dos movimentos libertário-republicanos da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador de 1824. Após a derrota da família Alencar, em 1817, coube a Pinto Madeira, à época ocupando o posto de Capitão de Ordenança, conduzir até a cidade de Icó os 20 malogrados presos políticos. Provavelmente, durante o percurso, esses prisioneiros sofreram humilhações por parte do caudilho. O que era esperado, face ao temperamento belicoso de Pinto Madeira.Em 1831 o imperador Dom Pedro I abdica do trono brasileiro e volta para Portugal, onde toma o nome de Dom Pedro IV.
Os adversários de Pinto Madeira aproveitaram esse acontecimento para dele se vingar. Acuado, o caudilho, com a ajuda do vigário de Jardim, Padre Antônio Manuel de Sousa, armou cerca de dois mil homens, a maioria com rudimentares espingardas, e invadiu o Crato, em 1832, para dar caça aos seus inimigos liberais. Dizem que de tanto abençoar as espingardas dos jagunços e, na falta destas, dar bênçãos a cacetes (pequenos bastões de madeira) o Padre Antônio Manuel de Sousa ficou conhecido como "Padre Benze-Cacetes". Pinto Madeira e o Vigário Manuel foram vitoriosos no Crato, mas logo começaram a sofrer reveses.
Terminaram por se render ao General Pedro Labatut, um mercenário francês que atuava no Brasil, desde as lutas pela independência. Presos, ambos foram enviados para Recife e depois para o Maranhão. Pinto Madeira retornou preso ao Crato, em 1834, onde, num júri parcial - composto por antigos inimigos seus - foi condenado à forca, sentença posteriormente comutada para fuzilamento, em face do réu ter alegado sua patente militar de Coronel.
“Morreu virilmente Pinto Madeira. Conta a tradição, ouvida por mim desde menino, que momentos antes do fuzilamento, ofereceu-lhe um lenço, para que vedasse os olhos, um dos seus mais implacáveis inimigos. Recusou o condenado a oferta (...) Durante anos a fio, fez-lhe promessas o rude povo do sertão, considerando-o um mártir, isto é um santo”.
(cfe. Irineu Pinheiro, “Joaquim Pinto Madeira” Imprensa Oficial do Ceará.Fortaleza, 1946, página 21).

Um sonho não concretizado: Crato capital do Cariri
(Abaixo, à esquerda) o mapa do Império do Brasil, em 1822)
Já em 1828, a Câmara de Vereadores do Crato encaminhava representação ao Governo mostrando a oportunidade de criação da Província do Cariri Novo. Não foi atendida nessa pretensão. A idéia voltou à tona, em 14 de agosto de 1839, quando o senador José Martiniano de Alencar, do Partido Liberal, apresentava no Senado do Império do Brasil projeto de lei cujo artigo 1º dizia textualmente: “Fica criada uma nova província que se denominará Província do Cariri Novo, cuja capital será a Vila do Crato”.
Os demais artigos desse projeto de lei tratavam sobre os limites geográficos da nova unidade do Império do Brasil que incluíam municípios do sul do Ceará e os limítrofes das Províncias da Paraíba, Pernambuco e Piauí. Com a ascensão do Partido Conservador ao poder, o projeto de lei não prosperou. Anos depois, através do jornal “Diário do Rio de Janeiro”, voltava o senador Martiniano de Alencar a defender sua idéia de criação da Província do Cariri.
Tudo ficou só num sonho.

História de crato (2)

Por
Armando Lopes Rafael
Bandeira da Revolução Pernambucana de 1817
Anseios libertários
No primeiro quartel do século XIX, a Vila do Crato já se sobressaía entre as congêneres interioranas do Nordeste brasileiro. Residiam na vila, ou nas suas adjacências, famílias abastadas, possuidoras de patrimônio amealhado quase sempre, à custa das fainas agrícolas. (Na foto abaixo, lado direito, a residência de Dona Bárbara de Alencar, na Praça da Sé, que foi demolida para dar lugar à atual Coletoria Estadual). Alguns jovens dessas famílias tinham o privilégio de aperfeiçoar seus conhecimentos em escolas da longínqua capital da Província de Pernambuco.
Para lá se deslocavam, em longas e penosas viagens que duravam semanas. Sempre feitas em lombo de animais. Alguns desses estudantes retornavam ao torrão natal impregnados de idéias libertárias, assimiladas nas sociedades secretas, existentes em Olinda e Recife. Sonhavam esses jovens com um Brasil independente da metrópole portuguesa. Alguns iam mais longe. Acalentavam o sonho de mudar a forma de governo, substituindo - num eventual Brasil soberano - a monarquia pela experiência republicana já testada nos Estados Unidos da América e França.Esses sonhos libertários resultaram no primeiro confronto ideológico ocorrido no Cariri. Os liberais eram liderados pelo subdiácono José Martiniano de Alencar, estudante do Seminário de Olinda e adepto dos princípios republicanos e laicos da Revolução Francesa de 1789. Foi este jovem enviado pelos líderes da Revolução Pernambucana de 1817, para deflagrar o processo revolucionário no conservador Vale do Cariri.
Num gesto audaz e corajoso, no dia 3 de maio de 1817, José Martiniano de Alencar (foto ao lado) proclamou do púlpito da Matriz do Crato a independência do Brasil, sob o regime republicano. A contra-revolução veio rápida. Oito dias depois, Leandro Bezerra Monteiro, o mais importante proprietário rural do Cariri, dotado de profundas e arraigadas convicções católicas e monarquistas, pôs termo ao sonho do jovem José Martiniano de Alencar. Os revolucionários foram presos e enviados para as masmorras de Fortaleza e posteriormente para as de Salvador, na Bahia. Entre os prisioneiros estavam Tristão Gonçalves de Alencar Araripe e Dona Bárbara de Alencar, irmão e mãe de José Martiniano. Após sofrerem as agruras das prisões, por cerca de quatro anos, os revolucionários cratenses foram anistiados pela autoridade real. Por sua lealdade à Monarquia, Leandro Bezerra Monteiro, foi agraciado, pelo Imperador Dom Pedro I, com o posto de Brigadeiro, o primeiro a ser concedido no Brasil.
Um herói chamado Tristão
Em 1824, eclode nova revolução republicana em Pernambuco denominada “Confederação do Equador”. (Na foto ao lado, a Bandeira da Confederação)Este movimento uniu algumas lideranças das províncias de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, descontentes com a Constituição outorgada pelo primeiro imperador brasileiro, Dom Pedro I. O movimento repercute intensamente no Crato. Tristão Gonçalves de Alencar Araripe aderiu, com todo entusiasmo e idealismo, à Confederação do Equador. Em 26 de agosto daquele ano, foi ele aclamado pelos rebeldes republicanos como Presidente do Ceará. Entretanto a reação do Governo Imperial foi implacável. As instruções para debelar o movimento eram assim sintetizadas: “(...) não admitir concessão ou capitulação, pois a rebeldes não se deve dar quartel”. Debelado o movimento restou a Tristão Araripe duas alternativas: exilar-se no exterior ou morrer lutando. Escolheu a última opção.Nas suas pelejas, Tristão colecionou vários inimigos. Dentre eles um rancoroso proprietário rural, José Leão da Cunha Pereira. Este utilizou um seu capanga, Venceslau Alves de Almeida, para pôr fim à vida do herói da Confederação do Equador no Ceará. Tristão Araripe faleceu, em 31 de outubro de 1825, combatendo o grupo armado de José Leão, na localidade de Santa Rosa, hoje inundada pelas águas do Açude Castanhão.
Morreu como queria: pelejando, graças a Deus!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A memória arquitetônica de Crato

Em 2006, escrevi a orelha do livro “Crato - Evolução Urbana e Arquitetura de 1740-1960”, do arquiteto Waldemar Arraes de Farias Filho, onde fiz constar os seguintes tópicos:

Lamentável, profundamente lamentável a indiferença do povo de Crato em relação ao patrimônio arquitetônico desta cidade, ufanisticamente divulgada – aqui e alhures – como “Cidade da Cultura”.
Já no ano de 1994 a revista “a Província”, sob o sugestivo título “Estão destruindo a memória de Crato”, denunciava: “As más administrações públicas, a falsa idéia de modernismo, a ganância financeira, a indiferença de considerável parcela da nossa população e a impunidade estão fazendo o Crato uma terra sem memória arquitetônica”.
De lá para cá, e lá se vão mais de doze anos, a coisa só fez piorar...
Depois desse alerta feito em 1994, uni minha voz à de Jurandy Temóteo, editor de “a Província”, no sentido de sensibilizar a população para a importância de preservar o nosso patrimônio arquitetônico. Escrevi alguns artigos (nesse sentido) para o “Jornal do Cariri”.
Passamos, assim, a bradar contra o tratamento de desdém e desprezo dado às edificações construídas em tempos idos nesta “Nobre e heráldica cidade” como a escritora Rachel de Queiroz gostava de referir-se a Crato.
Felizmente, outra voz – esta autorizada – veio juntar-se à nossa. Refiro-me ao arquiteto Waldemar Arraes de Farias Filho, autor do presente livro “Crato - Evolução Urbana e Arquitetura de 1740-1960”, no qual o patrimônio arquitetônico citadino e a evolução de nossa urbe são estudados sob a visão de um especialista.
Num trabalho minucioso, feito com paciência beneditina, Waldemar levantou dados, coletou fotografias e resgatou ambientes que nos transportam a tempos áureos.
Àquela época, nossas praças, ruas, becos e travessas eram conhecidas por nomes poéticos, como a Rua das Laranjeiras, Rua Formosa, Rua do fogo, Rua das Flores, dentre outros. Tudo pontilhado por construções dotadas de certo primor estético.
Bem diferente é o cenário citadino dos dias atuais. Os antigos casarões aristocráticos do centro histórico deram lugar a edifícios de estética desagradável e à poluição visual das placas de propagandas comerciais.
Depois de manusear este livro parece que se apossa de nós esta mensagem plangente: Cuidemos de preservar o que ainda resta e não foi destruída pelos vândalos sedentos em exterminar a memória arquitetônica de Crato.

Armando Lopes Rafael

CINEMA NO TERREIRO ESTRÉIA COM A CASCA AVOA & O MIOLO FICA ...



Com a exibição do documentário A Casca Avoa e o Miolo Fica, será lançado domingo, 21, no Crato, o projeto Cinema No Terreiro, idealizado pelo músico e pesquisador cultural Calé Alencar. A idéia principal é exibir audiovisual brasileiro em terreiros de mestres da cultura popular tradicional (reconhecidos ou não oficialmente) e sedes (formais e informais) de manifestações artísticas.
O documentário é o mais novo curta-metragem dirigido pela jornalista Aurora Miranda Leão, mais um fruto da parceria com o Complexo Vila das Artes (Secult-For /Prefeitura Municipal de Fortaleza) através do Núcleo de Produção Audiovisual (NPD) e da Escola de Audiovisual, que respondem em Fortaleza pelo programa Rede Olhar Brasil (Secretaria do Audiovisual/Ministério da Cultura), que tem também o apoio do Banco do Nordeste do Brasil.
Desta vez, o foco principal das lentes de Aurora é a frutífera parceria entre Calé Alencar e a Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto: o documentário assinala uma década da atividade de Calé como produtor da festejada banda caririense, mostrando inclusive a cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Cultural aos músicos do cariri cearense, realizada ano passado pelo Governo Federal em solenidade no Palácio das Artes, na capital mineira.
Nestes 10 anos, Calé produziu dois CDs da Banda - ambos esgotados - e fez inúmeras viagens com o grupo pelo Brasil, chegando a participar com eles como únicos convidados cearenses da programação cultural do Ano do Brasil na França, realizado em 2005 na Citè de la Musique, em Paris.
No documentário, Aurora revela inusitados e alegres momentos na parceria entre Calé e os Aniceto, reunindo depoimentos relevantes como o dos artistas Sérgio Mamberti (titular da Funarte), Gutti Fraga (diretor do grupo teatral carioca Nós do Morro) e Uibitú Smetak (músico e pesquisador baiano). O lançamento em Fortaleza ainda não está agendado ...
Os Irmãos ANICETO tocam e CALÉ ALENCAR canta em show na Cité de la Musique em Paris durante a programação do Ano do Brasil na França, em 2005... Resultados desta frutífera parceria estão no novo documentário de Aurora Miranda Leão.
A Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto em foto de Jackson Bantim, produtor musical, letrista, cineasta e fotógrafo, grande anfitrião do Crato, que apóia o lançamento de A Casca Avoa no cariri cearense...
Saiba mais: http:// jbantim.blogspot.com

História de Crato (1)

Por:
Armando Lopes Rafael


Vista parcial de Crato (bairro Ossian Araripe e início do Parque Grangeiro)
O Vale do Cariri
A cidade do Crato está localizada numa das regiões mais bonitas do Nordeste brasileiro: o Vale do Cariri, Sul do Estado do Ceará. A maioria dos historiadores opina que o povoamento deste vale pelo colonizador branco começou no início do século XVIII, ou mesmo no findar do século XVII. Atraídos pela fertilidade do solo, exuberância da vegetação e abundância dos mananciais d’água existentes nestes rincões, criadores de gado provenientes da Bahia e Sergipe del Rey trouxeram a esta região seus rebanhos e aqui construíram os primeiros currais. No Cariri eles já encontraram os primitivos habitantes da região, os indígenas da etnia cariri, espalhados por diversas aldeias, que emprestaram seu nome para denominar esta região.


Como tudo começou
Por volta de 1741, surgem os primeiros registros de um aldeamento dos índios Cariús, pertencentes ao grupo silvícola Cariri. Era a Missão do Miranda, fundada por Frei Carlos Maria de Ferrara, religioso franciscano, nascido na Itália. Este frade ergueu, no centro da Missão, uma humilde capelinha de taipa (paredes feitas de barro) coberta com folhas de palmeiras, árvores abundantes na região. O santuário foi dedicado, de maneira especial, a Nossa Senhora da Penha, a São Fidelis de Sigmaringa e à Santíssima Trindade. Até 1745 a imagem da Mãe do Belo Amor (foto ao lado) foi venerada na capelinha de Frei Carlos.Em volta da capelinha, ficavam as palhoças dos índios. Estes, além de cuidarem das plantações rudimentares, recebiam os incipientes ensinamentos da fé católica, ministrados por Frei Carlos. Aos poucos, nas imediações da Missão, elementos brancos foram construindo suas casas. Era o início da atual cidade do Crato. Não padece dúvidas de que o fundador do Crato foi o Frei Carlos Maria de Ferrara.

Vila Real do Crato





Em 21 de junho de 1764, a Missão do Miranda foi elevada à categoria de Vila, tendo seu nome mudado para Vila Real do Crato, em homenagem à homônima existente no Alentejo português. Com isso se cumpria o Aviso de 17 de junho de 1762, dirigido pela Secretaria dos Negócios Ultramarinos ao Governador de Pernambuco. Mencionado aviso autorizava o governador a criar novas vilas no Ceará, recomendando, entretanto, substituir a denominação dos povoados com nomes de localidades existentes em Portugal. A partir daí, a Vila Real do Crato foi trilhando a senda do processo civilizatório, sempre inspirado no que vinha de bom do Reino, ou seja, do que chegava da metrópole portuguesa. A marca do pioneirismo passaria a caracterizar a existência de Crato, como veremos nas postagens seguintes.
Notas:
1 - A história da imagem venerada em Crato com o nome de Mãe do Belo Amor
A imagem da Mãe do Belo Amor, pequena escultura de madeira, medindo cerca de 40 centímetros, é venerada, desde os primórdios da Missão do Miranda – origem da cidade de Crato – que data do segundo quartel do século XVIII. Presume-se que até 1745 esta pequena imagem foi venerada na humilde capela de taipa, coberta de palha, construída na atual Praça da Sé por Frei Carlos Maria de Ferrara.Esta estátua sempre foi aureolada por muitos fatos pitorescos e lendários. Monsenhor Rubens Gondim Lóssio, escrevendo sobre esta representação da Virgem Maria, em trabalho publicado na revista Itaytera, afirmou: “Herdada dos ancestrais indígenas, existia uma pequena imagem da assim chamada Nossa Senhora do Belo Amor, de todos venerada”.
Não nos foi possível apurar as razões que levaram Monsenhor Rubens a concluir que a imagenzinha da Mãe do Belo Amor fora herdada dos indígenas, primeiros habitantes do Vale do Cariri. Entretanto, no artigo já citado, ele menciona um fato que merece transcrição. Na segunda metade do século XX, um conhecido e respeitado ancião cratense, o Sr. José da Silva Pereira, secretário do Apostolado da Oração de Crato, escreveu ao então vigário da Catedral, Monsenhor Francisco de Assis Feitosa, um documento, do qual extraímos o texto a seguir transcrito:
"Há na nossa Catedral três imagens que representam nossa padroeira, Nossa Senhora da Penha. O que vou narrar nestas linhas se refere somente à primeira, que é a menor das 3, esculpida em madeira, como as duas últimas. Trata-se de uma bela imagem que honra a arte antiga e a habilidade de quem a preparou. Segundo dizem os antigos, ela tem para mais de duzentos anos, mas nada deixa a desejar às que se fazem atualmente. Pertencendo ao número das imagens aparecidas, ela tem também a sua lenda bastante retocada de suave poesia. Conta-se que fora encontrada em poder dos índios (sem dúvida os Cariris), passando às mãos de pessoa civilizada. Aqui toma vulto a lenda que gira em torno do seu nome, pois afirmava que, repetidas vezes, ela voltara ao cimo de pedra onde os indígenas a veneravam. Este fato miraculoso deu lugar à fundação da Capela, onde hoje é a nossa Catedral, naquele mesmo sítio, tão profundamente respeitado. Quanto à idade que lhe atribuem, provam-na os documentos referentes à fundação da povoação, hoje transformada nesta importante Cidade de Crato. Para mais corroborar o misticismo que a tradição empresta à nossa querida santa, ocorre que esta desapareceu de nossa igreja há mais de cinqüenta anos, voltando agora aos seus penates, onde está sendo venerada por grande numero de fiéis. Os antigos deram-lhe o nome de “Belo Amor”, o que prova a piedade filial dos nossos antepassados. Respeitemos o passado, sua história, suas tradições e suas lendas, que nos falam sempre daqueles que abriram caminho a nossa vida".
2 - A terceira foto postada nesta matéria é de uma vila localizada ao sopé da Chapada do Araripe, no município de Crato.Postei-a por ter a mesma paisagem e vegetação que emoldurava a antiga Vila Real do Crato nos seus primórdios.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Deu no "The New York Times" deste domingo


(Artigo condensado)
Aos 50 anos, revolução de Castro está perto do fim
Domingo, 14 de dezembro de 2008, 10h21
Em meu primeiro dia em Havana, caminhei pelo Malecón, o calçadão urbano de frente para o mar mais pungente do mundo. Um homem gritava, espantando os mendigos que dormiam sobre a represa de pedra construída em 1901 durante o curto domínio americano.Estava praticamente sozinho em uma manhã de domingo na capital cubana de 2,2 milhões de habitantes. Alguns carros passavam a cada minuto, geralmente belezuras rabos-de-peixe dos anos 1950, Studebakers e Chevrolets, extravagantes e envelhecidos. Olhando para o mar, procurava em vão por algum barco.
Quando perguntei sobre o fato a Yoani Sanchez, blogueira dissidente (www.desdecuba.com/generaciony), ela disse: "vivemos de costas para o mar porque ele não nos conecta, mas nos confina. Não há movimento nele. As pessoas não têm permissão para comprar barcos porque se tivessem, elas iriam para a Flórida. Fomos deixados, como um de nossos poetas diz, com a circunstância infeliz da água a cada curva.
A rua Lealtad vai do Malecón até o distrito de Centro Habana, densamente povoado. Parei em uma loja de peixes, ovos e frangos que nada tinha para vender. Antonio Rodriguez, 50 anos, um cortês afro-cubano calvo que administra a loja, me explicou a mecânica da racionalização.Todos os meses, cada cubano tem direito a 10 ovos (os primeiros cinco custam 0,15 pesos cada, o restante 0,90 pesos); 450 gramas de frango custam 0,70 pesos; 450 gramas de peixe com a cabeça custam 0,35 pesos (ou 310 gramas sem a cabeça); e 225 gramas de carne moída de segunda custam 0,35 pesos. Com o dólar valendo 25 pesos, você consegue comprar o pacote todo por menos de 25 centavos de dólar.
Pode parecer uma barganha, mas há alguns poréns. O salário médio mensal em Cuba é cerca de US$ 20. Perguntei a Rodriguez quando os frangos e ovos chegariam. Não faço idéia, ele disse.
Isso foi demais para Javier Aguirre, um homem franzino que ajuda Rodriguez na loja. "Estamos arruinados e após três furacões, ficamos ainda pior," ele disse. "Eu simplesmente não acredito no sistema. Quero a Suíça! De todos os cubanos que foram para os Estados Unidos, quantos querem voltar?" A pergunta gerou silêncio. Aguirre, era evidente, tentou escapar duas vezes, mas foi pego uma vez pelos cubanos e outra pela guarda costeira dos Estados Unidos. Sob a atual lei americana, a maioria dos cubamos que chegam a solo americano obtêm permissão para ficar, enquanto aqueles interceptados no mar são repatriados.
Mas a economia centralizada de Cuba é um desastre. Cuba tem duas moedas, uma para o comunismo e outra para um capitalismo limitado e controlado pelo Estado. Os pesos que as pessoas recebem como salário não dão para quase nada além de itens racionalizados e que ninguém deseja. Já os pesos conversíveis, com paridade cambial em relação ao dólar, conhecidos como "CUCs," podem ser usados para a compra de produtos internacionais.
Em lojas que aceitam apenas peso comum, você leva um pneu de bicicleta, um sutiã amarelado e um jogo de colheres de plástico. Nas de peso conversível, você pode comprar celulares, uísque Jameson e Heineken em um ambiente com ar-condicionado. Como resultado, muitos cubanos passam suas vidas tentando entrar na economia do peso conversível, algo que depende amplamente do contato com visitantes estrangeiros.
Alvarez citou alguns números. Havia seis mil médicos em Cuba na época da revolução; existem hoje quase 80 mil para uma população de 11,3 milhões, um dos índices per-capita mais altos do mundo. O embargo dos EUA custou a Cuba cerca de US$ 200 bilhões em termos reais. Apesar da escassez, atribuída em grande parte ao embargo, essa é uma sociedade que deseja proteger todos. O sistema de racionamento garante que cada cidadão receba o mínimo. Todos ganham refeições de baixo custo no trabalho. Dizer que saúde e educação gratuitas significam um salário de US$ 20 é uma forma equivocada de ver a qualidade de vida cubana.
Os dissidentes de Cuba são marginalizados. A imprensa é silenciada. A versão impressa do regime, Granma, é um estudo em dialeto orwelliano. A televisão estatal é uma máquina inchada de propaganda política. "Existe uma repressão muito inteligente aqui, a repressão científica," disse Yoani Sanchez, a dissidente cujo blog é hoje traduzido em 12 línguas. "Eles nos mataram como cidadãos, para não precisar nos matar fisicamente. Nossa própria polícia está em nossos cérebros, nos censurando antes de pronunciarmos uma idéia crítica."
Aos 33 anos, Sanchez representa algo novo: uma dissidente digital. As autoridades parecem não saber ao certo como lidar com isso. Sanchez, uma mulher franzina e vivaz, começou seu blog em 2006. Agora suas dissecações perspicazes das angústias da vida cubana são acompanhadas amplamente em âmbito internacional tanto que "os serviços de inteligência sabem que, se tocarem em mim, haverá uma explosão online."
Mesmo assim, eles a perturbam. Quando ganhou o prestigioso prêmio espanhol Ortega y Gasset por jornalismo digital em abril, ela foi impedida de ir à cerimônia de entrega.
Quando voltei à rua Lealtad, me deparei com uma agitação: o frango havia chegado! Rodriguez estava descarregando as pernas e coxas de frango. Peitos de frango estavam disponíveis apenas para o mercado do peso conversível. Ele segurava a caixa com um sorriso amplo. Ela dizia, "Made in U.S.A."
Tradução: Amy Traduções
The New York Times

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Saindo do papel...


Rodovia Padre Cícero
Cid
autoriza
início das
obras de rodovia
A pavimentação
de 50 km da CE-153, entre Banabuiú e
Solonópole, parte da rodovia Padre Cícero,
começa a ser realizada
Rita Célia Faheina
da Redação

As obras da rodovia Padre Cícero, que diminuiu a distância entre Fortaleza e Juazeiro do Norte, começam a ser feitas. Ontem, o governador Cid Gomes autorizou a pavimentação de 50 km da CE-153, entre as cidades de Banabuiú e Solonópole. O trecho faz parte dos 173 km de extensão que faltam para que a nova estrada seja concluído. Pela rodovia Padre Cícero, o trajeto entre a Capital e Juazeiro do Norte, na Região do Cariri, será de 500 km, 52 a menos que é feito atualmente pela BR-116.
A obra autorizada ontem pelo governador Cid Gomes, na cidade de Solonópole, será contemplada dentro do Programa Rodoviário Ceará III e tem financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e contrapartida do Tesouro Estadual. O custo para as obras dos 173 km é estimado em R$ 103,8 milhões, se for considerado o preço unitário médio de R$ 600 mil por quilômetro. A nova rodovia vai passar pelos municípios de Quixadá, Banabuiú, Solonópole, Orós, Cedro, Mangabeira e Caririaçu.
Os outros trechos da Padre Cícero a receberem pavimentação serão Solonópole-Orós, com 68 km, em projeto de licitação; e o entroncamento BR-230-Quitaiús-Caririaçu, com 55 km da CE-385, que está em fase de licitação. Os roteiros já existentes, saindo de Fortaleza pela BR-116, passa pelos municípios de Russas, Jaguaribe, Icó, Milagres e Barbalha. Pela CE-060, vai por Quixadá, Quixeramobim, Pedra Branca, Mombaça, Acopiara, Iguatu, Várzea Alegre, Farias Brito e Crato, num total de 526 quilômetros.
Com a rodovia, serão beneficiados cerca de 515 mil habitantes das cidades de Banabuiú, Solonópole, Jaguaribe, Orós, Iço, Cedro, Mangabeira, Aurora, Granjeiro, Caririaçú e Juazeiro do Norte. As viagens de ônibus entre Fortaleza e Juazeiro do Norte, que atualmente chegam até 10 horas, e as de carros, em torno de sete horas, vão ser abreviadas a partir do próximo ano, data em que o novo trajeto ficará concluído, segundo promessa do próprio governador Cid Gomes.
Há um ano, O POVO percorreu todo o percurso da nova rodovia estadual e constatou a expectativa dos que vivem nas cidades beneficiadas. Os mais ansiosos são os que moram nas proximidades do trecho de 50 quilômetros entre Benabuiú e Solonópole (CE-153) que será todo pavimentado. Ali, existem muitas casas abandonadas, e, nessa época do ano, a vegetação é seca pela falta de chuvas. O trecho é desnivelado (cheio de altos e baixos), cheio de pedregulhos e existem muitas curvas, o que torna o tráfego de veículos muito perigoso.
COMO FICARÁ
> Saindo de Fortaleza melhor pegar a avenida Godofredo Maciel e ir até a CE-040, a chamada rota turística Fortaleza Metropolitana.
> Passa pelas entradas dos municípios de Maracanaú, Maranguape e Pacatuba e pela cidade de Guaiúba .
> Acarape e Redenção são os dois municípios seguintes. A próxima cidade é Aracoiaba e a entrada para Baturité.
> Segue pela mesma rodovia passando pelas cidades de Capistrano, Itapiúna e Quixadá. Pega então as BRs 359 e 122 com destino ao município de Banabuiú
> São 50 quilômetros de estrada carroçável passando por distritos como Cangati e Japão antes de chegar na cidade de Solonópole que fica a 378 quilômetros de Fortaleza
> Antes de chegar no município de Orós, passa pelo distrito de Nova Floresta, um dos maiores da cidade de Jaguaribe. Passa por Lima Campos e o distrito de Cascudo (Icó)
> Já na CE-153 passa pelos municípios de Cedro e Lavras da Mangabeira, pela BR-230. Na divisa entre Lavras e Caririaçu passa pelas localidades de Coronzó e Quitaiús.
> Da cidade de Caririaçu até Juazeiro do Norte, são 22 quilômetros pela CE-060 em boas condições de tráfego. Muita atenção, porém, nas curvas fechadas
(Fonte "O POVO", edição de 10-12-2008)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O outro lado da rua

Muito diferente da outra margem do rio. Nos rios o caudal das águas pode representar uma dificuldade de trânsito entre uma margem e outra. No entanto, as margens são a unidade partida do mesmo terreno. O universo de um lado ou outro é o mesmo. Quando os rios são muito largos, quase um oceano, os animais e as plantas podem ter algumas diferenças, mas tendem, no geral, à mesma composição de vida e hábitos. No Ceará, então, os rios que secam somam as margens num mesmo território.

As ruas, no entanto, têm outro lado bem nítido. Muito cedo, vindo da zona rural, aprendi tamanha diferença. Na Rua Santos Dumont. No lado para o nascente me hospedava com freqüência e ali era o meu habitat. Conhecia todos os cômodos, a calçada e, o mais importante, as pessoas que nele viviam eram extensões de mim (ou era eu delas). Comíamos e dormíamos sob o mesmo teto, fazíamos nossas programações coletivamente e falávamos sobre nós mesmos. Os nossos sonhos eram semelhantes.

Já no outro lado da rua, assim evidenciava-se, a natureza era bem distinta. Outro território, outros sonhos, outros estilos, outras famílias. Não era o mesmo com os vizinhos do lado, pois esses estavam na mesma ligadura da calçada e, das janelas e portas, não os víamos. No outro lado da rua, no entanto, era outro visível, pessoas entrando e saindo, crianças na calçada com brincadeiras assemelhadas às nossas, mas assim observadas e não praticadas coletivamente, eram um tanto diferentes.

As entranhas do habitat no outro lado da rua eram vistas em penumbra. Por isso mesmo mais plenas de desconhecidos. E o mais curioso de tudo, o outro desaparecia no labirinto do outro lado da rua e só depois, muito depois, por vezes, chegava com sua luz às pupilas dos olhos do lado de cá. Agora lembro: era a família de Antonio Aragão. Se, num pátio ou na sala de um colégio, na vizinhança do cinema ou na praça, se igualava mais. No outro lado da rua era mais nitidamente outro.

O outro lado da rua despertava o respeito pela independência da vida que levava, especialmente postas como imagens de nossas visões. O modo de tramar o arranjo de cada minuto demonstrava o senso de liberdade dos fatos vistos e incompatíveis de julgamento. Embora a língua ferina da vizinhança seja a chama do conflito diário, não foi aí que o senso se estabeleceu: o outro lado da rua tinha um modo tão próprio e diferente do lado de cá, que meu lado ficou muito maior do que seria caso o outro lado não existisse.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Um tema atual



MANUAL DO PETISTA EMPEDERNIDO
Por Gravataí Merengue
Você é um petista sem muito senso crítico? Você é daqueles que chega ao ponto de negar até mesmo a existência do Mensalão? Você não cede um milímetro, nem quando rola flagrante, com direito a filmagens, gravações, narração de Sílvio Luiz e comentários de Juarez Soares?
Então preste atenção nas dicas deste Manual:
1 - Negue
Como diria Maria Bethânia: Negue! Tem foto? Ah, você duvida. Filmagem? Bah, quem acredita nisso? Confissão? Xi... Certeza que forçaram o cara a dizer aquilo ou há algum interesse espúrio. A tática da negação é usada há séculos e você não pode ficar fora dessa! Aliás, você NÃO FICA fora dessa.
2 - Culpe a Imprensa
Ok, não dá para simplesmente "negar"? Então não fiscalize o fato, mas sim a imprensa. Se a denúncia é contra o PSDB/DEM, você divulga o escândalo e discute o caso em si; quando a denúncia é contra o PT, você discute a forma como a imprensa trata os acontecimentos. Um truque e tanto, não?
3 - Eleições
Uma forma de refutar acusações consiste em algo relativamente simples: diga que se trata de época eleitoral, ano eleitoral... E mesmo quando estamos em "anos ímpares", você pode dizer que é um aquecimento para o ano eleitoral vindouro. Não falha nunca! O Maluf sempre usa essa tática - usá-la seria uma forma dos petistas prestigiarem o talento estratégico desse aliado.
4 - Eterna Vítima
O PT está no Governo Federal. O PT controla os principais fundos de Pensão. O PT controla a Petrobrás. O PT é, portanto, o controlador de boa parte da grana nacional. MESMO ASSIM, toda e qualquer manifestação contra o partido deve ser vista como uma ameaça à população carente, uma agressão aos desprotegidos, um insulto aos descamisados etc etc etc.
5 - Teorias Conspiratórias
Este tópico é mais ou menos como o anterior, mas o PT não se vale apenas do eterno papel de vítima, mas também da capacidade criativa de seus dirigentes associada à receptividade mental de seus seguidores. Se foi possível convencê-los de que Fidel Castro é firmeza, convenhamos, é café pequeno contar alguma historieta do arco da velha para cercar os lourenços com estrelas vermelhas no peito.
6 - Adote "Teses Inimigas"
FHC, nos seus oito anos de Governo, montou uma base aliada um tanto "heterodoxa", bem como usou expedientes não exatamente republicanos para aprovar a Emenda da Reeleição. Na época, os petistas saíam às ruas com faixas "FORA FHC" (sem vírgula e sem exclamação, pra ficar uma coisa mais autêntica). O que faz o PT no poder? A mesma coisa. E como se defende? Entre outras baboseiras, usando as mesmas teses: "governabilidade", "todo mundo sempre fez isso" etc.
7 - Neoliberalismo "de Esquerda"
O PT usa políticas assistencialistas (uma invenção do fascismo), adota táticas não exatamente meigas para compor sua base governamental, mete-se em todo tipo de escândalos e AINDA POR CIMA emprega exatamente a mesmíssima política econômica anterior. Mas não há neoliberalismo. Por quê? Porque... HÁ MAIS ASSISTENCIALISMO! A desculpa do PT para não se dizer "de direita" consiste em defender os programas de origem fascista (não é piada nem sacanagem, a origem É MESMO FASCISTA). Em suma: para não se dizer "neodireita" os petistas endossam um programa da direita mais extrema, antiquada e autoritária. E o mais engraçado é que os programas JÁ EXISTIAM, e foram obviamente ampliados e melhorados.
Importante: Toda e qualquer opinião, manifestação ou mesmo piscadela oposicionista deve ser chamada de "golpista". É contra o Lula? Então é golpista. Simples assim. Eu sei que vocês andaram com faixas de "FORA FHC" (com essa pontuação, mesmo). Mas dane-se. Quem é contra FHC é democrata, quem é contra Lula é golpista.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Vigário do Opus Dei vem ao Cariri


O Vigário da Delegação da Prelazia do Opus Dei no Rio de Janeiro, Monsenhor Pedro Barreto Celestino, estará no Cariri neste final de semana. Ele vem participar das comemorações do centenário de nascimento de seu pai, o empresário Antônio Corrêa Celestino. No próximo domingo, dia 7, Monsenhor Pedro celebrará, na Igreja-Matriz de Santo Antônio, em Barbalha, missa gratulatória em sufrágio da alma do seu genitor. À noite, no Memorial Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, haverá a solenidade de lançamento do livro “Antônio Corrêa Celestino”, coletânea de depoimentos sobre a vida do empresário caririense.
Quem é
Monsenhor Pedro Barreto Celestino – o primeiro brasileiro a ser ordenado padre no Opus Dei – nasceu em Juazeiro do Norte, filho de Antônio Corrêa Celestino e Luscélia Barreto Celestino. É Doutor em Ciências da Educação e em Direito Canônico pela Universidade de Navarra, Espanha. Ordenado em 1971 trabalhou na Pastoral Universitária, em São Paulo, até 1990, quando foi transferido para o Rio de Janeiro.
É autor do livro “Os Anjos”, já em terceira edição, que foca esses seres espirituais, patrimônio teológico-cultural da Igreja Católica.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

FEBRE AFTOSA




O gerente regional da EMATERCE no Cariri, Adonias Sobreira informa que a Região já atingiu mais de 90% da cobertura vacinal da campanha contra a febre aftosa. O maior problema é no município de Missão Velha, que atingiu apenas 70% da meta. O alerta é grave e vale para todos os produtores: a cobertura vacinal é obrigatória e deve ser feita para que o Estado do Ceará possa comercializar carnes e derivados sem problemas, já que as barreiras sanitárias existem e são feitas em estados como Pernambuco. Se os animais não estiverem vacinados e forem detectados problemas da febre aftosa nos animais o Ceará fica prejudicado na comercialização de carne, leite e outros produtos, com diversos estados brasileiros.

DOCE NATAL



Com o slogan "No Cratinho de Açúcar todo mundo é irmão" o projeto da Prefeitura Municipal do Crato, Doce Natal, começa a desenvolver seus trabalhos para a promoção de um Natal cheio de luz, paz, generosidade e fraternidade. Serão realizadas ações no intuito de arrecadar brinquedos, divertir e, sobretudo, promover a fraternidade que há no coração da população cratense. Em suma, serão atividades que arrecadarão brinquedos para um Feliz Natal para todas as crianças cratenses. Ações como a Doce Ilha Solidária, Doce Malhação, Doce Saúde, bem como o Mão Amiga, que realiza visita em hospitais, creches e ONGs. Dentro da programação do Doce Natal, a Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude do Crato, apresenta hoje o Doce Canção, a partir das 21h com um show de Geraldo Juinior e Banda,com o legitimo Forró Pé de Serra. O show será no Café Estação, localizado no Centro Cultural do Araripe, no Largo da RFFSA. O Couvert artístico será um brinquedo.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

COMPRAS? FAÇA AS CONTAS


Dezembro se aproxima e com ele as festas do final do ano. Natal e Ano-Novo fazem deste mês um dos mais rentáveis para a indústria e comercio. Todos os anos, este é o período onde são oferecidos empregos temporários nos dois setores para dar conta das encomendas e atendimento. A economia se aquece e o pagamento do 13º e, possivelmente, da remuneração das férias trazem um “gás extra” ao bolso do trabalhador. Mas o que fazer pra não estourar o orçamento? Como calcular até onde podemos ir com os gastos de fim de ano? Quanto reservar para as despesas do início do ano?

No mês que montamos a árvore de natal e encomendamos o peru, parecemos inebriados com a euforia das festas e, muitas vezes, esquecemos de pensar no quanto precisamos reservar do orçamento para a virada do ano. Material escolar das crianças, matrícula do colégio, licenciamento e seguro do carro, gastos de viagem como passagens e hospedagens são algumas das despesas que representam um grande impacto no orçamento doméstico, de janeiro de cada ano. O problema é ainda maior quando, por razões diversas, o cidadão comum acumula dívidas e vê-se em situação difícil. Como diz o ditado popular: além da queda, coice! A solução parece ser uma só: planejamento!

No primeiro caso, o melhor é fazer as contas. Some tudo que tem que pagar (contas) e comprar (presentes), veja se dispõe do montante nas datas. Dê prioridade às contas. Assim o restante poderá ser usado de acordo com sua disponibilidade e ordem de prioridades. Se o seu caso é o segundo (você devedor), a sugestão é usar o 13º no abatimento total ou parcial da dívida. O que restar dela deve ser negociada e dividida em parcelas. Caso isso não seja possível, fuja dos juros altos dos cartões e parta para um empréstimo que usará no pagamento das dívidas, de preferência no banco que oferecer os juros mais baixos, sempre com parcelas dentro da sua capacidade de pagamento.

Este texto não se trata de uma apologia ao “anti-consumo”. Trata-se de um apanhado de sugestões de ações, simples, de grande impacto na saúde financeira da família. É fundamental que a cultura do planejamento financeiro faça, cada vez mais, parte da educação de todos. O Brasil crescerá ainda mais. Acompanhar e registrar as despesas, poupar, aplicar bem os vencimentos, e principalmente, não comprar (gastar) o que não se pode pagar, diminuirá a inadimplência e suas terríveis conseqüências: endividamento e desemprego.

Compras? Sim! Depois de fazer as contas.

Dimas de Castro e Silva Neto
Mestre em Gerenciamento da Construção pela University of Birmingham
Professor do Curso de Engenharia Civil da UFC Cariri

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A CONSCIÊNCIA DO EXPLORADO

No que se refere aos séculos do capitalismo, muitos adjetivos foram agregados. Especialmente em razão dos efeitos sociais e culturais de sua economia. Os adjetivos foram aplicados em momentos históricos definidos, mas hoje se fundiram numa mesma massa conceitual. Oprimidos, perseguidos, explorados, discriminados, exterminados, dominados e tantos que se encontram no nosso imaginário. Afinal o efeito da fome, os famélicos da terra, tomando consciência de sua situação na escala real do mundo. Na escala dos arranjos econômicos, a escala nas quais tomam consciência de serem explorados.

Não interessa que seja esta a consciência de um negro discriminado, de uma mulher jogada pela janela por um macho dominador, uma criança de rua apedrejada. Da mesma massa conceitual se encontra a consciência de ser índio como resposta a este rolo compressor que soma uma falsa idéia do progresso humano com as motoserras a gerar vazio. Afinal são todos os efeitos de uma mesma e única forma universal de gerar riquezas e acumular capitais.

Não se imagine que uma consciência seja um simples lampejo. Que de repente assoma a percepção do oprimido. Pelo contrário, a pedagogia do oprimido, a pedagogia que supera a opressão, é um processo que envolve simultaneamente o fim do opressor externamente e no interior do oprimido. O opressor se agrega ao comportamento do oprimido, não como consciência crítica, mas como aceitação de uma espécie de realidade imutável. Por isso, dias nacionais que refletem a consciência da opressão, da discriminação, fazem parte de um processo de superação que se diga é histórico e pleno de subterfúgios.

Se observarmos a realidade das lutas contra a segregação racial nos EUA durante os anos 60, no seu eixo se encontravam os direitos sociais. Aliás, os direitos sociais, uma grande conquista da era das revoluções sociais na Europa, dos partidos comunistas e trabalhistas, agregaram à democracia um valor novo, de universalidade, bastante compatível com uma sociedade complexa, industrial e urbana. Isso é tão profundamente importante que o atual conceito de democracia já inclui os direitos sociais como essenciais a ela.

Quando se levantam dúvidas a respeito das questões da discriminação, do explorado, do oprimido, há por trás, sempre, uma visão política de mundo. Baseada na permanência e não na superação das desigualdades. Por isso mesmo é que no mesmo diapasão da bulha contra os direitos humanos se encontra a crítica aos direitos sociais. Esse é o processo em si de superação histórica de um país como o nosso em que o oprimido carrega a opressão em sua alma; o preconceito e o desconhecimento desfoca a realidade.

Mas nada impede que amanhã uma voz ainda vocifere contra os direitos humanos dos bandidos e contra as cotas raciais para negros. A alternativa é ampliar a consciência social da igualdade humana.

Vem aí o 5º Berro Cariri



Na foto, abertura do 2ºBerro Cariri,
em 2005. Da esquerda para a direita:
o Reitor da Urca, André Herzog, Governador
Lúcio Alcântara e o criador do evento,
Prof.Francisco Cunha
A cidade de Crato será sede – no período de 4 a 7 de dezembro – no Parque de Exposição Pedro Felício, a quinta edição do Berro Cariri, uma feira que vem sendo realizada desde 2004 objetivando incrementar o setor da ovinocaprinocultura regional.Serão priorizados as cadeias produtivas da ovinocaprinocultura, apicultura e mandiocultura. A novidade deste ano fica por conta da introdução de bovinos e de pequenos negócios rurais. Agentes financeiros, como Banco do Nordeste e Banco do Brasil estarão com agências para financiar venda de animais e produtos agrícolas.A 5ª edição do Berro Cariri será aberta às 17 horas do dia 4 de dezembro, com apresentação de retreta com a Banda de Música Maestro Azul do Crato. Na programação cultural estarão ainda, apresentações de reisados, festival de violeiros e shows com Joãozinho do Exu, Flávio Leandro, Epitácio Pessoa e Herdeiros do Rei.


A razão do nome
O nome BERRO CARIRI foi idéia do saudoso Monsenhor Francisco Murilo de Sá Barreto. Este, ao ser comunicado – pelo Prof. Francisco Cunha, em 2004 – da iniciativa da Universidade Regional do Cariri–URCA em promover uma Feira Regional da Ovinocaprinocultura, lembrou uma carta do Padre Cícero Cícero (dirigida ao deputado Floro Bartolomeu) onde o sacerdote dizia: “O Cariri precisa continuar “berrando” na busca da solução dos seus problemas”...O prof. Cunha não teve dúvidas: O nome da Feira será BERRO CARIRI!
E assim foi da 1ª a 5ª versão que será realizada de 4 a 7 de dezembro de 2008.


O Cariri
A Região do Cariri é um verdadeiro oásis, encravado nos adustos sertões do centro nordestino. A diferença altitudinal da Chapada do Araripe, associada a Massa de Ar da Zona de Convergência Intertropical garante uma maior precipitação pluviométrica, que associada a solos férteis, permite o desenvolvimento de uma agricultura e pecuária com grande potencial de crescimento.As condições edafoclimáticas são propícias ao desenvolvimento de uma pecuária de pequeno porte, onde a ovinocaprinocultura se apresenta como uma alternativa de grande potencial para a região.