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sábado, 26 de setembro de 2009

Revista VEJA destaca Sobral no número desta semana

Paris e Nova York
Sob inspiração francesa, Sobral ergueu seu arco do triunfo. Agora, usa ônibus escolares americanos e incentiva a prática do beisebol


"The United States of Sobral"
É assim que os cearenses chamam a cidade de Cid Gomes, o ex-escoteiro socialista que implantou no sertão uma amostra do american way of life
Leonardo Coutinho, de Sobral
Encravada no sertão cearense, a cidade de Sobral cultiva estrangeirices com tal entusiasmo que passou a ser conhecida no resto do estado pelo título desta reportagem: "The United States of Sobral". Lá, circulam ônibus escolares americanos (originais), que, além de serem amarelos como os que se veem nos filmes, ainda trazem a inscrição em inglês: School Bus. Lá, pratica-se beisebol – ou uma versão rudimentar do jogo, segundo a confederação brasileira desse esporte. Lá, o Kentucky Derby, uma das mais tradicionais competições do circuito do turfe dos Estados Unidos, inspirou a criação do Derby Club Sobralense. A diferença é que, sob o sol do agreste, os jóqueis treinam com calção de futebol. Lá, a população apelidou o parque da cidade de "Central Park", parodiando seu congênere nova-iorquino.
A veia, digamos, cosmopolita de Sobral não é nova, mas ganhou força entre 1997 e 2004, quando a cidade foi administrada por Cid Gomes, do PSB, o atual governador do Ceará. Desde então, já há quem veja semelhanças entre o Rio Acaraú, que corta a cidade, e o Hudson, que banha Nova York.
Antes de Gomes, a cidade mimetizava europeísmos, por obra e graça (muita graça) de um bispo que mandou e desmandou naquelas bandas durante a primeira metade do século XX: dom José Tupynambá da Frota. Ele queria conferir a Sobral um ar francês e, entre outros lampejos geniais, teve a ideia de homenagear Nossa Senhora de Fátima com um monumento inspirado no Arco do Triunfo, erguido em Paris por Napoleão Bonaparte, para comemorar suas vitórias militares. O monumento está localizado na Avenida Boulevard do Arco. Como tem bares e restaurantes, os sobralenses fazem uma associação imediata.
"Ela lembra a Champs-Elysées de Paris", diz o colunista social Arnaud Cavalcante. Sob o domínio do socialista Cid Gomes, Sobral passou a se espelhar nos Estados Unidos. Ele começou a imaginar a aparência globalizada de Sobral em 1996, ainda na condição de deputado estadual. Escalado pela assembleia cearense para a árdua tarefa de fazer um périplo pelas câmaras legislativas americanas, Cid voltou dos Estados Unidos cheio de projetos. No ano seguinte, ao assumir a prefeitura, passou a pô-los em prática.
Seu irmão mais velho, Ciro Gomes, ajudou-o a dar os primeiros passos na americanização de Sobral. Em 1998, Ciro, que frequentou um curso de inglês básico na Universidade Harvard, convenceu uma fundação a doar 36 school buses usados para a prefeitura do irmão. O município precisou arcar somente com o frete dos veículos. Pena que houve um inconveniente: no Ceará, não existem peças nem mecânicos especializados para esse tipo de ônibus. Por isso, eles foram sendo encostados à medida que precisavam de manutenção.
Dos 36 ônibus, só três ainda estão em circulação. Numa boa iniciativa, inspirada pelo empenho acadêmico do irmão mais velho, o então prefeito Cid resolveu que daria proficiência em inglês aos alunos das escolas públicas. Para tanto, instalou o Palácio de Ciências e Línguas Estrangeiras em um casarão neoclássico onde funcionou aquele que foi o clube mais elegante da cidade, o Palace. Construiu também um museu em memória da missão de cientistas ingleses que foi a Sobral em 1919, para tentar comprovar a teoria da relatividade por meio da observação de um eclipse. Hoje, o prédio abriga um relativamente bom observatório astronômico.
Sob a influência de Cid, a cidade foi adotando costumes de climas temperados. A 27 quilômetros do centro, a Serra da Meruoca, um maciço rochoso de 920 metros de altura, sofisticou-se. Em casas com lareira, os ricos aproveitam temperaturas que dizem ser 15 graus mais baixas do que a média de Sobral (30 graus), para usar seus casacos elegantes – um deles, como não poderia deixar de ser, é Cid. Nos restaurantes da Meruoca, saboreiam-se fondues, sopas e chocolate quente. E um festival de inverno oferece atividades culturais aos turistas. É a Aspen do Ceará.
No fim de sua gestão como prefeito, Cid patrocinou três equipes de beisebol e prometeu construir um campo exclusivo para a prática do esporte nas margens do Acaraú – que jamais saiu do papel. "Mas, quando ele era prefeito, nós tinhamos prioridade para usar o campo de futebol", pondera Reinaldo Marques Filho, treinador de todos os times de beisebol locais. Marques Filho é amigo de Cid desde a infância, quando eles viviam sempre alertas como escoteiros.
Esses rasgos modernizadores garantiram a Cid uma enorme popularidade. Muitos sobralenses o chamam de "El Cid" e o identificam como o redentor de uma profecia feita pelo bispo Tupynambá da Frota, o do arco do triunfo. Ao morrer, em 1959, ele previu três décadas de estagnação para Sobral – estancada pelo socialista yankee. Hoje, boa parte do maior reduto eleitoral do ex-prefeito e atual governador ainda é abastecida por carros-pipa, não fornece água tratada a toda a população nem dispõe de saneamento.
Em Sobral, as principais causas de morte são as doenças infecciosas e parasitárias. Mas as ruas são iluminadas e a polícia se desloca, no confortável estilo "Miami Vice", em carrões equipados com ar-condicionado e câmbio automático. Graças à Votorantim e à Grendene, que empregam 12% da população, o comércio local é vigoroso. Cid agora quer mais um retoque à sua Nova York: metrô. No início do mês, lançou uma licitação para começar as obras. Em Fortaleza, a capital, cuja população é catorze vezes a de Sobral, o metrô local ainda não transportou ninguém. Está sendo construído desde 1999.
Very good, Cid.
(Fonte:VEJA)

8 comentários:

ANDSÚ disse...

É esse tipo de destaque que queremos para Sobral, para o Ceará e para o Nordeste como um todo?
Um destaque irônico, maldoso, preconceituoso, MALDOSO, politiqueiro, entre outras coisas...?
Ridicularizar a cidade de Sobral e seu (ex-)governante CID Gomes com o interesse de prejudicar o seu irmão na disputa pela presidencia, é esse o tipo de destaque que queremos para nós?
Uma reportagem que tenta ao máximo explorar as inconsistências, não de maneita que levem a alguma reflexão e posterior melhoria, mas como um escárnio ao nosso povo nordestino do Sertão, é esse o nosso destaque?
Será, caros concidadãos cearenses, que nosso estado se resume a um governador socialista yanque(?), um bispo louco e uma população alienada que não sabe denada que acontece ao seu redor? É isso a que nos resumimos?
Fica claro que esse texto suscita mais perguntas do que esclarece respostas, mas uma verdade muito clarevidente fica: vemos a (falta de) seriedade da revista veja e vemos sua (im)parcialidade política, querendo valorizar os sulistas.
Resumindo em duas palavras: NÃO VEJA!

Manoel disse...

A veja está sendo preconceitosa, com comentários maldosos contra nossa cidade "Sobral", que so tem progredido nos últimos anos, sempre com a colaboraçao de Cid e Ciro, essa matéria é puramente política, vamos respeitar os cearenses, temos orgulho de nossa terra.

yasmine disse...

Uma revista como a Veja,fazer matéria envolvendo politica?
Isso é um absurdo,influenciar nos votos das pessoas,isso é praticamente escolher o direito de votar de cada cidadão.
Isso não é pra ver,é pra não ver.

mardonio disse...

Preconceito e falta de informação é uma droga mesmo...

Colégio José Romão

Caio disse...

Comentário como esse não podem ser aceito pelos sobralenses. Criticar a cidade com termos pejorativos como "united states of sobral", e o seu ex prefeito(atual governador) Cid Gomes com "very good, Cid" não é, de maneira alguma, bom pra nossa cidade!
Verdadeiros sobralenses, sabemos que a veja, desde o começo do mandato do Lula, só bate em uma mesma tecla: Alienar cidadãos reféns da mídia!
Não seja um deles! O que a veja diz, não só sobre sobral, é nada mais do que alienação, uma alienação que com certeza provocou risos em muitos brasileiros. O nome da revista era pra ser mudado: NÃO Veja! Bando de jornalistas imparciais! Vamos ler um livro, revistas como Caros Amigos e não essa porcaria! Está na hora de tomarmos uma atitude e se livrar da rédea curta chamada mídia.
Um abraço aos brasileiros e, principalmente, aos Sobralenses.

stela disse...

Eu não Acreditoo no que eu li

pior materia que a revista ja fez

clara disse...

Concordo!!!!!!! Nós sobralenses devemos nos posicionar contra toda essa investida maliciosa e de mau gosto que a revista Veja fez. É uma ofensa a todos nós.

lucilane disse...

eh pessoal não podemos nos calar diante de tanto absurdo temos que tomar uma atitude eu enviei meu e-mail reclamando pelo menos isso. façam o mesmo!!!!