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quarta-feira, 24 de março de 2010

COMPOSITORES DO BRASIL


O SAMBA DE BREQUE

Por Zé Nilton

O Samba, ritmo bem brasileiro, cuja origem vem de muitos lugares, talvez por isto mesmo, dele derive vários sub-ritmos, ou várias pegadas de um mesmo compasso.

As culturas locais desse imenso Brasil vão lhe acentuando novos ritmos e terminam por contribuir para a diversidade de nossa música.

O gênero Samba tem essa facilidade de adaptação, e vamos encontrar diversas formas de manifestá-lo sob não poucas alcunhas, como: Samba de batido, Pagode, Samba de Breque, Samba-chulado, Samba-corrido, Samba-enrede, Samba-exaltação, Samba de morro, Partido Alto, Samba-raiado, Samba de roda, Samba de terreiro, Samba pé de serra... Afora os chamados gêneros de fusão, como Bossa Nova, Samba-canção, Samba-choro, Samba-funk, Samba de gafieira, Sambalanço, Samba-jazz, Samba-maxixe, Samba-rap, Samba-reggae, Samba-rock, Samabalada, Sambolero, Samba rumba, e vai por aí.

O Samba Chulado vem lá dos tempos do Império, com Chiquinha Gonzaga fazendo a damas e os cavalheiros perderem a pose e caírem no requebrado, no remelexo, no jogo das cadeiras...

Na década de 1950, cai na moda o Samba de Breque. Moreira da Silva (Antônio Moreira da Silva - Rio de Janeiro, 1 de abril de 1902- Rio de Janeiro, 6 de junho de 2000) resgata o ritmo que vinha se insurgindo dentro da música popular desde os tempos do grande Sinhô (José Barbosa da Silva - 18 de Setembro de 1888 - 4 de Agosto de 1930 ).

Tornaram-se tão ligados o samba de breque e Moreira da Silva que hoje quando se fala do gênero logo lembramos do grande Kid Morengueira. Alías, Miguel Gustavo construiu verdadeiras histórias fantásticas baseadas nos filmes da época, e criou o nome Kid Morengueira para cantar-falar-cantar suas belas composições.

Diz-se até que, num certo dia, Moreira da Silva ouviu de um músico que não sabia acompanhar conversa. A conversa vem sempre após uma breve parada. É o breque, do inglês Break. Há que chame de sincopado.

Bem, o Samba de Breque, no programa dessa quinta feira – Compositores do Brasil. Vamos falar desse gênero bem coisa nossa, enquanto ouviremos:

Por causa da hora, de Noel Rosa, com Noel Rosa
Acorda, amor, de Leonel Paiva e Julinho da Adelaide, com Chico Buarque
O rei do gatilho, de Miguel Gustavo, com Moreira da Silva
Acertei no milhar, de Wilson Batista e Geraldo Pereira, com Moreira da Silva
Minha Palhoça, de J. Cascata , com Ciro Monteiro
Na Subida do Morro, de Moreira da Silva e Ribeiro da Cunha, com Moreira da Silva
Baile no Elite, de João Nogueira e Nei Lopes, com João Nogueira
Tira os óculos e recolhe o homem, de Jards Macalé, com Macalé
Senhor Delegado, de Antoninho Lopes e Jaú, com Germano Mathias
O Último dos Moicanos, de Miguel Gustavo, com Moreira da Silva
Fenômeno, de Milton Moreira e Joaquim Domingues, com Jorge Veiga
Moreira na Ópera, de Henrique Batista e Marília Batista, com Moreira da Silva

Quem ouvir, verá!

Programa: Compositores do Brasil
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Todas as quintas-feiras, às 14 horas
Rádio Educadora do Cariri
Apoio. CCBN

Uma homenagem ao Santo mais querido do Nordeste - Por Océlio Teixeira

Em 24 de março de 1844, nascia na cidade de Crato, Cícero Romão Baptista. Portanto, há 166 anos chegou a este mundo o filho mais ilustre da Princesa do Cariri, o Cearense do Século XX. Cícero desde pequeno apresentou o desejo de ser padre. Fez voto de castidade aos 12 anos, influenciado pela vida de São Francisco de Sales. Entrou para o Semimário em 1865. Em 1870 foi ordenado e, a partir 11 de abril de 1872, passou a residir na vila de Tabuleiro Grande, que depois passou a ser chamada de Joaseiro e hoje a grande Juazeiro do Norte, uma das principais cidades do nordeste brasileiro.

Em Joaseiro Padre Cícero se tornou conselheiro e protetor dos mais pobres e humildes, desenvolvendo um tipo de apostolado diferente da maioria do clero daquela época. A decisão de ir morar em Joaseiro e de servir às pessoas carentes tem como base o sonho que Cícero teve, quando esteve naquele povoado, no natal do ano anterior. Nesse sonho, ele viu Jesus Cristo e os doze apóstolos sentados à mesa, numa disposição que lembra a última Ceia, de Leonardo da Vinci. De repente, adentra ao local uma multidão de pessoas carregando seus parcos pertences em pequenas trouxas, a exemplo dos retirantes nordestinos. Cristo, virando-se para os famintos, falou da sua decepção com a humanidade, mas disse estar disposto ainda a fazer um último sacrifício para salvar o mundo. Porém, se os homens não se arrependessem depressa, Ele acabaria com tudo de uma vez. Naquele momento, Ele apontou para os pobres e, voltando-se inesperadamente ordenou: - E você, Padre Cícero, tome conta deles! Cícero procurou ao longo de toda a sua vida cumprir o pedido, ou melhor, a ordem a ele dada pelo próprio Filho de Deus.

Neste dia, portanto, uma singela homenagem a este homem, santo e polêmico, que é capaz de atrair, anualmente, milhares e milhares de romeiros a Juazeiro do Norte. Viva nosso Padim Ciço! Viva Juazeiro! Viva o Crato! Viva o Cariri!

Foto: Elizângela Santos

MENSAGEM DO DIA - de Luis Carlos Mazzini

Busque o que te faz bem! Busque o que faz bem aos outros!

Que no dia de hoje, você possa inventar um dia diferente! Afinal, viver é inventar o seu dia, sabia? É ficar livre da arrogância, da tristeza, das coisas ruins. Viver é reconhecer que vale muito a pena fazer da vida um lindo poema de amor!

Acredite que o bem vence o mal! Acredite que o amor é a maior força do universo. Não há outro atalho para a felicidade senão o de amar sempre e cada vez mais, a tudo e a todos.

E enfeite o seu coração com cores fortes e vivas. Viver intensamente, sempre! Seja amigo, sempre! Conquiste o maior número de pessoas leais e fiéis. Você tem todo o poder de transformar a vida das outras pessoas através de seu exemplo, seu carinho, seu perdão e através do seu amor incondicional, viu?

Você consegue transformar a dor em alegria? Claro que consegue. É só continuar vivendo! Isso mesmo: continuar seguindo a vida, o fluxo do amor! É só deixar o amor inundar o seu coração, correndo atrás dos seus sonhos, dos seus projetos, da sua inspiração. Viver é isso, pô! Simplesmente isso!

Busque o entendimento das coisas e dos acontecimentos. E esteja sempre em paz. Seja da Paz! Promova a Paz! Agradeça a Deus pelas dádivas e pelas bênçãos que você tem recebido.

E busque o que te faz bem! Busque o que faz bem aos outros! Esteja sempre jovem e continue redescobrindo as coisas belas da vida. Permaneça com o espírito jovem! Força! É bom lembrar que o sorriso é o idioma universal e que é bom ouvir músicas que acalmem a alma. Desacelere um pouco mais a sua vida e aproveite mais o tempo que você ainda tem. Viver pode ser simplesmente ver a vida com o coração!

Bom Dia. Bom Divertimento! Fique com Deus!

"Jamais desista de si mesmo"

Festa em Juazeiro do Norte



Desde a noite de ontem que os eventos em torno do aniversário de 166 anos de Padre Cícero se multiplicaram para hoje chegarem ao final. Na véspera do aniversário do sacerdote, a festa começou as 18h30min com a inauguração do relógio remissivo que assinala os dias que faltam para os 100 anos de Juazeiro. O equipamento foi colocado na Praça Padre Cícero bem na esquina do cruzamento entre as ruas São Pedro e São Francisco.

Nele, além dos números digitais, está uma espécie de urna conjugada no totem para que as pessoas possam depositar seu recado ou mensagem a serem divulgados por ocasião do Centenário. O relógio foi feito pelo técnico barbalhense, Gessimar Soares Mota, que ganhou elogios do Secretário de Turismo e Romarias, José Carlos dos Santos, a exemplo da arquiteta Gisele Nunes responsável pelo projeto, bem como as obras estruturantes do Complexo do Centenário.

No seu discurso, ele lembrou a Praça Padre Cícero como palco da independência de Juazeiro com o grito dado pelo padre Alencar Peixoto na luta por um lugar livre, autônomo e emancipado. Segundo disse, o Centenário vai procurar homenagear esses valores do decorrer da nossa história. O vice-prefeito José Roberto Celestino também apontou àquela praça como local de grandes encontros e manifestações não só relacionados com a emancipação.

O aniversário é do Padre Cícero, mas quem igualmente ganhou homenagem foi a beata Maria de Araújo com o lançamento do romance “A Mulher sem Túmulo”. Trata-se de mais um livro da escritora Nilze Costa e Silva que foi apresentado pelo professor Renato Casimiro, presidente da Fundação memorial Padre Cícero. Logo depois começou a 22ª edição da Seresta de Padre Cícero com quase 30 apresentações de artistas em homenagem ao sacerdote.

Na virada da noite, houve o corte do bolo, canto de parabéns, show pirotécnico e a oferta do “Caldo da Nair” em momentos de muita emoção. A terça-feira começou com o encerramento do III Fórum Padre Cícero no Colégio Salesianos, onde palestraram a professora da Urca, Paula Cordeiro e o professor Renato Casimiro, respectivamente, sobre os temas: “Imaginário Religioso na constituição de Juazeiro” e “Os Fatos Pitorescos de Juazeiro”.

Hoje, Juazeiro foi acordada com uma Alvorada Festiva seguida da Missa em Homenagem aos 166 Anos de nascimento do Padre Cícero na Capela do Socorro. Pela manhã, houve a Corrida Padre Cícero, que saiu da Praça da Sé, em Crato, na direção do Terminal Intermunicipal da Rua São Francisco. As 17 horas haverá a Procissão das Flores e o Secretário Zé Carlos aproveitou para pedir a quem tiver quadro ou souvenirs de Padre Cícero que leve durante o cortejo.




Novos concursados em Juazeiro



Aconteceu na tarde de ontem, 23, na Quadra professor Santana, ao lado da sede da Secretaria de Educação de Juazeiro, a posse de 228 servidores aprovados em concurso público da Prefeitura. Na organização, a Secretaria de Administração para assinatura do termo de posse de 154 professores, 1 bibliotecário, 13 ACS's (agentes comunitários de saúde), 6 técnicos de saúde bucal, 3 fonoaudiólogos, 1 veterinário, 2 nutricionistas, 1 psicopedagogo, 2 técnicos de alimentos, 2 terapeutas ocupacionais, 9 inspetores sanitários, 3 assistentes sociais, 4 psicólogos, 20 fiscais meio ambiente e 6 guardas municipal.

O prefeito Dr. Santana, em função de compromissos inadiáveis, não compareceu sendo representado pelo Secretário de Educação, Ricardo Lima. Ainda presentes, os secretários Luciano Rodrigues, de Administração, Luciana Matos, de Saúde e os subsecretários de Educação Irinéia Sheyla e de Assistência Social, Solange Cruz.

O Secretário de Educação Ricardo Lima ressaltou o compromisso do prefeito Dr. Santana em qualificar e melhorar a máquina administrativa com a realização do concurso público.

Ritmos brasileiros em destaque no programa Instrumental & Qual - O Som da Terra nº 5

Programa radiofônico de música instrumental que será veiculado nesta quarta, dia 24/03, das 14 às 15 horas, pela Rádio Educadora do Cariri AM 1.020 e Internet (cratinho.blogspot.com).


No Brasil existem muitas manifestações musicais. Uma linha é especialmente encantadora: a música instrumental brasileira.

A mistura de samba, frevo, maracatu, xote, maxixe, xaxado, forró, baião, com o jazz, se manifestou por aqui com mais flexibilidade na chamada música instrumental brasileira, a vertente que mais comeu desse pasto e bebeu dessa fonte multicultural.

Sendo assim, vale considerar que a vanguarda do mundo no campo da música éramos nós já há 30 ou 40 anos. Isso, quando surgiram grupos como Som 4, Sambrasa Trio e Quarteto Novo. Propositadamente, a citação desses grupos deve-se ao fato de que o magistral músico instrumentista Hermeto Pascoal fez parte deles.

A música instrumental brasileira é revolucionária. Isso se constata ouvindo. Enquanto alguns estilos musicais são tão populares porque grudam logo nas primeiras audições, a improvisação musical tem como mola-mestra um caráter criador do ouvinte.

Ouvir música não deveria ser uma atividade banal. Fazer música menos ainda.

(Excertos adaptados do artigo “A música que poucos ouvem”, de Felipe Obrer).

Roteiro musical
1. Desafinado (Tom Jobim), com Eliane Elias
2. Fragile (Sting), com Freddie Hubbard
3. Forró Brasil (Hermeto Pascoal)
4. You've Got to Hide Your Love Away (Lennon e McCartney), com Rick Wakeman
5. Vira e Mexe (Luiz Gonzaga)
6. Gréia (Jefferson Gonçalves e Kleber Dias), com Jefferson Gonçalves
7. I Have a Dream (Herbie Hancock)
8. Estesia (Dihelson Mendonça)
9. Bebê (Hermeto Pascoal), com Eumir Deodato
10. Honeysuckle Rose (F. Walter e A. Razart), com Toots Thielemans

Ficha Técnica
O programa Instrumental & Qual – O Som da Terra é uma produção das Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados (OCA) e revista virtual Cariricult, com apoio do Centro Cultural Banco do Nordeste em parceria com a Rádio Educadora do Cariri AM 1.020.
Redação e programação musical: Luiz Carlos Salatiel, Dihelson Mendonça e Carlos Rafael Dias.
Apoio logístico: Guilherme Farade e Amilton Som - CDs, DVs e Acessórios.
Apresentação: Carlos Rafael Dias.
Operador de Áudio: Iderval Silva.
Operador de transmissão: Iran Barreto.
Gerente do Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri: Lenin Falcão.
Direto da Rádio Educadora do Cariri: Geraldo Correia Braga.


Fique ligado!

terça-feira, 23 de março de 2010

Professor diz que Padre Cícero se preocupava com a segurança alimentar - Postado por Océlio Teixeira

Uma Mesa Redonda seqüenciou na noite desta segunda-feira, no Campus Cariri da UFC (Universidade Federal do Ceará), a programação da 28ª Semana do Padre Cícero em comemoração aos 166 anos do sacerdote. O tema central foi “Padre Cícero, Padroeiro das Florestas” e atraiu dezenas de alunos lotando o auditório daquele estabelecimento de ensino. A abordagem central coube ao biólogo e professor da Universidade Regional do Cariri (Urca), Francisco Cunha.

A acolhida aos participantes foi feita pelo coordenador do Campus, Ricardo Ness, seguido pelo Secretário de Turismo e Romarias, José Carlos dos Santos, que falou sobre a programação da Semana do Padre Cícero. Na mesa presidida pelo professor Daniel Walker e tendo como debatedor o engenheiro agrônomo e aluno do curso de Filosofia da UFC, William Brito, o palestrante definiu o Padre Cícero como um homem que se preocupava com a segurança alimentar das pessoas.

O professor Francisco Cunha chamou a atenção para outra preocupação do sacerdote que era a explosão demográfica e a necessidade do desenvolvimento, mas respeitando os limites com aproveitamento racional dos recursos naturais. Na opinião dele, o Cariri é uma região abençoada e apontou a experiência do Caldeirão do Beato José Lourenço como um “novo modelo em função da terra”. Observou ainda que, de um “vila paupérrima”, Juazeiro se tornou, em pouco tempo, numa das cidades mais importantes do Nordeste.

O palestrante estimou que, nos últimos quatro anos, os investimentos entre públicos e privados em Juazeiro e no Cariri foram da ordem de R$ 1 bilhão. A programação da Semana do Padre Cícero reserva para as 18h30min desta terça-feira, dia 23, apresentação de filmes e a inauguração do relógio remissivo do Centenário na Praça Padre Cícero. Às 20 horas, no adro da Capela do Socorro, o lançamento do romance “A Mulher Sem Túmulo”, de Nilze Costa e Silva.

Logo depois começa a XXII Seresta de Padre Cícero com a participação de 22 seresteiros homenageando o sacerdote. Convidados pelo município, 166 famílias juazeirenses levarão seus bolos para serem cortados a meia-noite em meio a um show pirotécnico, canto de parabéns e oferta do “Caldo da Nair”. Os destaques do dia 24 de março ficarão por conta da celebração de Missa, Corrida Padre Cícero entre Crato e Juazeiro e a tradicional Procissão das Flores.

Por Demontier Tenório
Fonte: http://blogdojuazeiro.blogspot.com/

"Água suja tem levado mais pessoas a morte do que violência no mundo", diz ONU


O relatório intitulado "Água Doente", pelo Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas (Unep, na sigla em inglês), afirma que dois milhões de toneladas de resíduos, que contaminam cerca de dois bilhões de toneladas de água diariamente, causaram gigantescas "zonas mortas", sufocando recifes de corais e peixes.

Segundo o relatório, a falta de água limpa mata 1,8 milhão de crianças com menos de 5 anos de idade anualmente. Grande parte do despejo de resíduos acontece nos países em desenvolvimento, que lançam 90% da água de esgoto sem tratamento.

A diarréia, principalmente causada pela água suja, mata cerca de 2,2 milhões de pessoas ao ano, segundo o relatório, e "mais de metade dos leitos de hospital no mundo é ocupada por pessoas com doenças ligadas à água contaminada".

O relatório recomenda sistemas de reciclagem de água e projetos multimilionários para o tratamento de esgoto.
Fonte: Contraf-CUT, com jornais (através do Blog dos Bancários)

segunda-feira, 22 de março de 2010

A Inveja – por Magali de Figueiredo Esmeraldo

A Inveja é um dos sentimentos mais negativo, feio e triste do ser humano. É uma força que age sobre todos nós, que pode ser orientada para o bem ou para o mal. A maioria das pessoas sente em algumas ocasiões um pouco de inveja, mas ninguém admite ser invejoso. Não precisamos sentir inveja de ninguém, pois Deus dá a cada um de nós muitos dons e nos capacita para usar esses dons exclusivamente para o bem. Entretanto, o homem imperfeito como é, às vezes deixa-se dominar pela inveja, em vez de torcer pelo sucesso do outro que está se destacando com um determinado dom. O tempo que se perde e o desgaste emocional que se tem desejando puxar o tapete do outro, poderia ser empregado usando sua capacidade para também atingir o sucesso. No dicionário de Aurélio, a definição para a palavra inveja é: “Desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. Desejo violento de possuir o bem alheio.”

Muitas pessoas se sentem incomodadas com o sucesso do outro. Esse comportamento é com certeza a falta de amor, pois o amor é doação, é querer o bem para o nosso próximo. Diferente de quem tem inveja, que age com egoísmo. Geralmente o invejoso deseja dos outros, tanto bens materiais, quanto alguma de suas qualidades. Quem tem inveja é ambicioso, pois sempre está querendo para si os bens e as qualidades dos outros. Devemos nos afastar cada vez mais da inveja, pois movidos por ela podemos cometer muitas injustiças. É melhor não querer ter esse pecado capital tão indigno que está na raiz de tantos outros males.

Na Bíblia, Caim mata Abel por inveja (Gn,4). Também podemos citar a inveja dos filhos do patriarca Jacó, que venderam o caçula José para mercadores do Egito. (Gn,37). O rei Saul, movido pela inveja queria matar Davi. (1Sm 18, 8; 19,1). O Evangelho nos relata: “Então Pilatos perguntou a multidão: ‘Quem vocês querem que eu solte: Barrabás ou Jesus que chamam de Messias?’ De fato, Pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja.” (Mt 27, 18).

Em lugar da inveja, é mais salutar praticar a humildade, pois o humilde reconhece até onde vai sua capacidade. Além do mais, pode aproveitar suas qualidades em benefício do outro. Geralmente quem é humilde é uma pessoa de bem com a vida e se torna muito mais fácil praticar o amor e ajudar a construir um mundo mais humano, livre da inveja.

As pessoas que têm inveja deveriam procurar superar esse defeito. Como? Através do amor. É muito melhor construir amizades do que ficar amargurado pela inveja. Para combater a inveja é necessário saber elogiar com sinceridade àquele de quem se sente inveja. Além da oração, pois a graça de Deus é fundamental para a cura da inveja, é muito importante o nosso empenho para mudança de atitude. O invejoso tem que acreditar em si mesmo e em suas qualidades. Só assim, poderá também atingir sucesso e ficar curado de tão grave problema. Já a pessoa que é invejada deve ficar tranquila e se colocar sob a proteção de Deus, pois nada a abalará. Conforme nos dizia São Paulo: “Se Deus é por nós quem será contra nós?” (Rm 8; 31). Portanto, amparados pela graça de Deus nenhum mal nos atingirá.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo

domingo, 21 de março de 2010

Penitentes vivem fé medieval - Postado por Océlio Teixeira

Os grupos de Penitentes do Interior do Estado se destacam
como figuras do imaginário popular

Grupo de penitentes da cidade de Barbalha, do Sítio Cabeceiras. Os integrantes já apareceram até no programa  Fantástico, da Rede Globo, e são destaque cultural da  Festa de Santo Antônio

Crato. Emoldurado pela Chapada do Araripe, cercado de fontes naturais e florestas nativas, a região do Cariri se tornou o palco do misticismo do Nordeste. Igrejas, seitas, profetas que pregam o fim do mundo, grupos de penitentes e tipos messiânicos ainda sobrevivem nas ruas e na zona rural da região, apesar do crescente ritmo de desenvolvimento e modernidade.

Da miscigenação das diversas culturas resultaram mitos lembrados nas lendas da caipora, do lobisomem, da mãe d´água, do carneiro de ouro, do pai da mata, da lagoa encantada e outros tantos que povoam o imaginário popular.

No rastro dos índios, dos colonizadores e, principalmente, das levas de romeiros que aportaram no Cariri, trazendo usos e costumes de suas terras, surgiram organizações religiosas com práticas medievais, entre as quais, os grupos de penitentes que se espalham em toda a região. O mais conhecido deles é o do Sítio Cabeceiras, município de Barbalha, que já apareceram até no programa Fantástico, da Rede Globo. Eles transformaram-se em um dos principais destaques na programação cultural da Festa de Santo Antônio, em Barbalha.

Descoberta

Recentemente, o Diário do Nordeste descobriu no município de Porteiras um grupo de penitentes que, até então, não se apresentava em público e nunca foi fotografado ou filmado. São agricultores rústicos que varam as madrugadas sertanejas, rezando e cantando nos cemitérios e nas cruzes de beira de estrada. Andam sempre reunidos, entoando cantochões. Mas no centro urbano, atravessam as ruas silenciosamente, parecendo fantasmas pela diferente figura que apresentam. Ao se aproximarem dos sítios, principalmente em trechos assinalados por crucifixos, as conhecidas cruzes das estradas do sertão, entoam o seu canto que é triste, lamentoso, como um gemido de alma perdida.

Esta teologia remonta aos frades cartuxos espanhóis do primeiro milênio do cristianismo. Permaneceu congelada no sertão do Nordeste, estimulada periodicamente por líderes místicos como o padre Ibiapina e o Padre Cícero Romão Batista, o "Padim Ciço", venerado como santo pelos nordestinos. A cruz do decurião dos penitentes de Porteiras, por exemplo, foi doada pelo Padre Cícero, segundo contam.

Reportagem e foto: Antônio Vicelmo
Fonte: Diário do Nordeste

sábado, 20 de março de 2010

A longa espera de um náufrago - Emerson Monteiro

Que inigualável o pensamento!... De um momento a outro, formam-se nuvens de imagens e apontam no horizonte as palavras, quadro nítido a contar o que isso quer dizer, no trânsito filosófico de conceitos, à pulsação de significados. Existência quer falar, neste mar sem fim. Os endereços das mensagens abrem portas, pedindo clemência, num fervilhar de ancas, dançarinas fogosas de lábios convidativos, e descem pelas veias do instante a seiva de persistir, diferente de quando o barco afundou, largou tripulantes no alto mar, ou em meio aos rochedos afiados de continentes escuros, ou areias escaldantes de ilhas desertas, indiferentes projetos ilusórios que antes alimentavam sonhos fantasmagóricos, perdas largadas nas ondas por náufrago agarrado a vida incógnita qual derradeira esperança irresponsável.
Vem o Sol, vem a Lua, as Estrelas, dias e noites pontuais... Popas distantes de outros barcos passam ao largo inalcançáveis... Chuva... Vento... Uma lâmina impaciente de vagas brilhantes cobre de espumas cinzentas narinas ofegantes.
Boiar sobre escombros, agarrado aos laços de cordas rotas, língua seca e lábios tostados, marcas purulentas de esverdeadas escamas lhe cobrem a pele. Nisso, luz intensa perfura-lhe os olhos, enquanto a pulsação das águas fustiga o flanco do destino à deriva, ritmo de canção entranhada na memória sem qualquer sentido, que persiste no oceano de inconsciente sonâmbulo, vadio marulhar forte na caverna dos ouvidos.
Lento esperar por quem nunca avisou que chegaria aos comboios próximos das circunstâncias possíveis... Porém mandara subscrito inevitável demonstrando a obrigação de viver enquanto no peito sacudir o tambor do coração...
Ao apagar das luzes do verão absurdo, fogo-fátuo indiferente crepita o infinito da planura e saltam mechas derradeiras de poente, cenário próprio ao delírio da sede que lhe corrói as entranhas, aviso pegajoso do trilho comum a todos os seres vivos.
Retornam, através da sensação, espasmos frios de gotas saltitantes, desejo apreensivo de rever a família reunida em torno do pão, à mesa do jantar, quando filhos se divertem com menores assuntos. Ouvir o futuro, abandonar asas ao crepitar sereno das tardes simples, solenes, espaço das certezas que fogem, fagulhas amolecendo na brisa de ausências que apenas aguardam outras combinações de letras e argumentos, exemplos eternos da cena seguir em frente, maior do que meros organismos que se dissolvam.
Essa espera também domina o Universo; aves resvalam terras douradas, às vezes bem aqui, outras distantes, reforços do instinto de sobreviver, contenção da indesejável solidão do cérebro tostado no calor das tempestades da alma. Dormir bem que acalmaria por algum tempo o impulso de levar aos outros aquela aventura vivida, e ver outra vez nascer o dia.

E o centro da cidade? - Por José do Vale Pinheiro Feitosa

As cidades tinham um centro. Territorial: juntava a polis em ação econômica, social e política a um determinado local.

O Crato tinha um centro. Sumiu. Onde se encontra? Talvez apenas por estudos antropológicos ou sociológicos se possa saber. Mesmo assim apenas como um conceito teórico, já que em lugar nenhum se encontra. Não seria mais territorial.

Aqui em Paracuru, em franco processo de tornar-se um apêndice metropolitano, ainda existe um centro. Onde a alma da cidade se manifesta. Com as crianças correndo, um grupo de capoeira jogando, os velhos olhando as pernas das moças, as senhoras com um olho nas netas e outro na circulação da vida alheia.

Ali se encontra o velho e o novo. A roda dos comerciantes naturais da cidade, filhos das antigas famílias, normalmente ajuntados com a situação do governo municipal e outra roda, um tanto balançante, mas mesmo assim uma roda. A roda dos comerciantes “estrangeiros”, gente de outros estados e europeus que por aqui ficaram.

A juventude toda se expande. Mais radical do que em certas áreas das grandes cidades. Com o Hip Hop, um gosto pelo Funk, sem contar as freqüentes incursões aos sons do forró eletrônico. Vestem-se com as grifes, mesmo que de camelôs. Bonés e não falta, para o incrível que pareça, casacos de frio com aqueles capuzes e eles cobrem a cabeça como em algum morro ou comunidade do Rio e São Paulo.

Mesmo com essa enorme pressão exterior ainda há, em Paracuru, um interior que outras cidades maiores perderam. Assim como era em Crato: os jovens dos anos 40 e 50 imitando os paletós e as “farwest” que surgiam nas telonas do Cine Rádio Araripe, Cassino e Moderno. Aqui há toda a influência vinda pela televisão, o DVD e as pessoas que chegam a busca de Kite Surf vindas de todas as partes do mundo. Reforçando a idéia: em Paracuru ainda existe um centro no qual a polis se manifesta.

Mais ainda: existe o centro do centro. Este se encontra na barbearia do “Seu Nenen”, bem na esquina ocidental do mercado. Aquela esquina que recebe o vento refrescante do nascente e do mar. Quando nas manhãs o sol lhe penetra o ambiente, lentamente sobe e por volta das 10 horas a suas duas calçadas já são quase sombra. Após o meio dia é lugar de sentar em roda, trocar uma conversa sobre tudo que se quer, principalmente como dizia Adoniran Barbosa: “coisas que nós não entende nada”.

Ali se pratica a mais divina alma cearense. A alma do repente, do chiste, da pronta resposta à provocação. E como se provoca. Seu Nenen, é um mestre da pronta resposta. Alguém chega pela porta, ali permanece e lhe entrega uma nota de 20. Seu Nenen pede que um ajudante, um velho com um problema circulatório nos membros inferiores, faça o troco. Enquanto isso vem a provocação: Seu Nenen, o cabelo do homem está cheio de ponta. A resposta imediata: cabelo é coisa da natureza de ponta. Tu já viu cabelo sem ponta?

Aqui em Paracuru, no presente, com um gostinho do Crato que se perdeu, como Tom e Vinícius falando de Ipanema.

Pensamento para o Dia 20/03/2010



“As pessoas tendem a demorar a fazer suas obrigações. Mas para a realização de práticas espirituais, não há ontem nem amanhã. Este exato momento é o momento. Se você tiver gravado essa compreensão em seu coração, então você pode fundir-se ao Senhor Shiva. Se essa verdade não é assimilada e você imerge em objetivos para hoje e amanhã, e estabelece as bases para o apego mundano, então você nascerá de novo e de novo, tendo o Darshan de Yama (o Deus da Morte)! Aqueles que percebem essa verdade não falharão, mesmo em pequena escala, em suas práticas espirituais. É direito de todo aspirante ter a visão de Shiva (Senhor da Auspiciosidade).”
Sathya Sai Baba

A "direita" que a esquerda adora.

Heitor De Paola 28 Fevereiro 2010 - Conservadorismo

Quando eu militava na esquerda a maioria destes falsos conservadores sequer tinha nascido ou ainda usavam fraldas.Não vim para debater, mas para combater.
Não sei se a frase em epígrafe já foi dita por alguém. Caso não tenha sido, é minha mesmo, pois resume a segunda parte deste artigo. Inverti a ordem original porque estou irritado, profundamente irritado! Nos dois últimos dias, desde a morte de Orlando Zapata coincidindo com a visita de Lula a Cuba, tenho recebido inúmeros emails de pessoas que se dizem conservadoras, "de direita", e artigos de jornalistas idem, profundamente chocados com o silêncio de Lula em relação aos "dereitos omanos" por lá, ou condenando sua "pusilanimidade". Será que ainda não entenderam que o encontro de Lula com Fidel foi o encontro entre os dois fundadores do Foro de São Paulo, a maior organização comunista que já existiu na Iberoamérica? Será que ainda não entenderam que Lula É comunista? Continuam achando que Lula é apenas "populista" e pertence a uma fantasiosa "esquerda vegetariana" e é um aliado da direita para enfrentar Chávez e a ficção chamada "bolivarianonismo"? Será que realmente acreditam que Lula queria protestar e não o fez por pusilanimidade (ao menos como entendo o termo: covardia, fraqueza, timidez)? Será que ainda não entenderam que Lula apóia incondicionalmente tudo o que acontece em Cuba e quer implantar aqui e, se ainda não o fez é porque temos instituições que o impedem, principalmente as Forças Armadas que seu governo tudo faz para sucatear e destruir, principalmente o Exército? Será que ainda não entenderam que se Lula falasse algo seria a favor, o que quase fez ao condenar a greve de fome como instrumento de luta (com o que concordo!) e deve ter sido objeto de vários brindes de excelente rum e baforadas de charuto entre Lula, Fidel e Raúl? O único depoimento sincero é o do Granma, órgão oficial do Partido Comunista Cubano (vejam o título e as fotos no site).
Retorno agora à epígrafe cuja autoria reivindico: enquanto o comunismo avança celeremente sobre nós, financiado por banqueiros e empresários corruptos que já estão sentindo e gostando do bafo no cangote, o que faz a "direita"? Eventos e conclaves - financiados pelos ditos - para debater populismo, liberdade de expressão e qualquer coisa que imaginem que, se discutirem bem, vai resultar alguma coisa. É a direita seguindo as diretrizes do PT: "precisamos discutir com toda a sociedade!". Só que aprenderam mal: o PT discute somente entre as esquerdas, a "direita" burra convida comunistas para discutir sobre liberdade de expressão!
Sugiro que sigam outras diretrizes também, como discutir o orçamento dos grandes bancos na forma do "orçamento participativo"- e me convidem, de preferência para a "democratização" do capital!
Este bando que tem a desfaçatez de se dizer defensor das liberdades, da democracia, do estado de direito, ao mesmo tempo precisa sempre condenar a "ditadura", pois tem vergonha de reconhecer que foi a Contra-Revolução de 64 que os (nos) salvou de já estarmos há 46 anos sob um regime castrista que ainda teremos, se depender destes idiotas cujo único interesse é amealhar fortunas ou conseguir um empreguinho nos grandes grupos de comunicação enquanto o Brasil afunda! Jamais reconhecem que o desenvolvimento de nosso País foi obra dos "milicos" que odeiam tanto quanto a esquerda.
Quando eu militava na esquerda a maioria destes falsos conservadores sequer tinha nascido ou ainda usavam fraldas. Enquanto eles ainda não sabiam falar ou controlar os esfíncteres, eu já estava nas ruas tentando conseguir armas para a campanha da "Legalidade" de Leonel Brizola, fazendo pichações contra a "ditadura" da qual só ouviram falar e nem sabem o que foi, pois acreditam no discurso esquerdista como sua bíblia. Enquanto eles começavam a balbuciar, eu estava preso em Fortaleza.
Mas naqueles tempos existia uma direita de verdade que nos derrotou. A Ação Católica, os militares honrados que assumiram o poder e morreram pobres (Castelo Branco, Emílio Medici), políticos com ideologia definida - Carlos Lacerda, Adhemar de Barros, Magalhães Pinto, Mem de Sá, Britto Velho, Daniel Krieger - e não como hoje, interessados apenas em guardar dinheiro nas meias - só se distinguindo do PT pela peça do vestuário preferida como cofrinho! Aquela direita já teria expulsado a quadrilha que tomou conta de Brasília desde 1994. Combatia, não debatia!
Lula já disse: no Brasil a direita acabou! E o burro é ele? Com esta "direita" a esquerda está feita na vida!

RECADO AO IMBECIL COLETIVO DA PSEUDO-DIREITA (Instituto Millenium - cuja grana é administrada pelo Armínio Fraga, office-boy de George Soros -, Reinaldo Azevedo, Demétrio Magnoli, et caterva): sou, sim, radical! Radical no sentido de que só se extermina a erva daninha matando a raiz, radical no sentido do Tea Party Express, movimento tipicamente grassroot (raiz de grama) significando gente arraigada aos princípios fundadores da única Nação onde impera a liberdade e o rule of law, radical no sentido de defender os princípios Judaico-Greco-Cristãos da Civilização Ocidental.

sexta-feira, 19 de março de 2010

O visitante – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Por esses dias de muitas chuvas no sul e sudeste do país e quase nenhuma na nossa terra, tenho me lembrado muito do seu Pedrinho dos Carás. Eis ai um homem que foi extraordinário! Falava pelos cotovelos! Baixinho, magro, pele branca, que tostada pela constante exposição ao sol lhe dava uma tonalidade levemente morena. Voz fina, parecida com voz de mulher, mas sem nenhum trejeito que lhe negasse sua masculinidade. Todo ano nascia um menino em sua casa. E ainda mais com a cara do pai para desfazer as dúvidas dos faladores de plantão e dos mais incrédulos.

Seu Pedrinho cuidava de uma grande plantação de arroz do Sítio Cabeça da Vaca no Vale do Rio Carás, município de Juazeiro do Norte. Era possuidor de um raciocínio bastante lógico. Num ano de ameaça de seca aqui no Ceará e de grandes temporais no Rio de Janeiro com desabamento de encostas e algumas mortes noticiadas com insistência pelo radinho de pilhas do seu Pedrinho, seus vizinhos se reuniam para rezar pedindo por chuvas. Era a celebração de novenas ao glorioso São José, realizadas de casa em casa. Porém seu Pedrinho a nada disso participava. E quando lhe perguntavam por que não ia às novenas, lhes dizia com muita convicção: “Meu povo não adianta nada disso, pois nem reza faz chover e nem pecado empata chuva!” E esclarecia aos que não entendiam: “Onde é que o povo mais peca? No Rio de Janeiro. Tá se acabando debaixo de chuva! Onde é que o povo mais reza? No Juazeiro. Seco pra danar!”

Em 1965, nosso vizinho do São José, se submeteu a uma delicada cirurgia em Recife. Poucos meses depois, meu pai foi também ao Recife para um tratamento, tendo retornado em poucos dias, para tentar se recuperar no clima saudável que a vida no campo proporciona.

Quando soube que meu pai estava doente, seu Pedrinho foi até ao São José para visitá-lo. Ao vê-lo passar defronte da sua casa, nosso vizinho o chamou. Ele foi entrando e logo se justificando: “Compadre, eu lhe devo uma visita, mas hoje estou aqui só de passagem, pois vou visitar o compadre Zé Esmeraldo. Depois eu voltarei aqui outro dia para lhe visitar”. Ao dizer isso, sentou-se no alpendre ao lado do dono da casa, com ele conversou toda a manhã. Na hora do almoço, ameaçou se despedir, mas convidado, aceitou. Após o almoço, continuou a conversa e lá pelas cinco horas da tarde se despediu do nosso vizinho dizendo: “Compadre, hoje estive aqui só de passagem. Outro dia eu volto para lhe pagar a visita que lhe devo. Pois hoje eu vim visitar o meu compadre Zé Esmeraldo.”

Quando seu Pedrinho saiu, nosso vizinho comentou com a mulher: “Estou com pena do Zé Esmeraldo. Se esse homem disse que estava aqui só de passagem demorou o dia inteiro, imagina lá na casa de Zé Esmeraldo! Ele vai passar mais de uma semana!”

Realmente, seu Pedrinho demorou quase uma semana nessa visita ao meu pai e não esgotou seu estoque de conversas. Ou de uma boa prosa, como ele costumava dizer.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

quinta-feira, 18 de março de 2010

A Morte do Aquariano
Luiz Domingos de Luna*
Outro dia eu estava respirando como de costume, tranqüilamente, uma dor, uma dor muito forte, contínua e grossa, como sou cardíaco fino, pensei: deve ser a taxa de triglicerídeos que subiu de forma alarmante, creio, igualmente, que o metabolismo do organismo é sensato o suficiente para contornar esta situação.
Uma artéria, talvez a espreita de uma oportunidade, que finalmente apareceu, entupiu, o cérebro a esperar o oxigênio, que também não veio, parou, e eu como não podia fazer muito fiquei somente a aguardar os novos acontecimentos.
Como não podia ser diferente, o óbito um mal necessário, me acudiu prontamente, até que enfim, um fim pensei.
Criei assim uma grande solução para os humanos e um grande problema para os aquarianos, vez que, em Aquarius, a morte é algo obsoleto, nem existe e não faz parte de nossa cultura.
Os humanos, que na verdade são humanos me levaram para uma tumba em um lindo Cemitério. Era noite, porém os lindos refletores davam a impressão ser dia, ruas bem delineadas e silenciosas. Finalmente sozinho, que deve ser a solidão de todos; portanto nenhum privilegio para mim.
De repete escuto uma grande discussão. Como já estava deitado aproveitei a posição para escutar melhor o barulho, na verdade, um debate dos meus irmãos Aquarianos. Uns mais exaltados diziam: esta morte está errada, esta morte não devia acontecer – Está tudo errado.
- Como assim? Perguntou outro, - Como vamos noticiar a morte de um Aquariano em Aquarius se nós aquarianos não provamos da morte?
Depois de muita refrega decidiram me levar para o meu planeta de origem, mas sempre com uma dúvida no ar - A matéria agüenta a velocidade da luz ? – pois nós vamos acelerar seis vezes mais – O calculador encontrou uma solução rápida para a problemática, vamos acelerar bem, quando houver a desintegração total a gente coloca nosso motor gravitacional em rotação plena,junta as partículas e em Aquarius a gente monta tudo novamente e ninguém nem desconfia.
Alguma dúvida?
- Todas
Alguma certeza ?
-Nenhuma.
-Mas é assim que a coisa funciona.
Professor – Aurora -Ceará

Os encantados Zabumbeiros Cariris no Cariri Encantado


Foto: Alan Bastos

Nesta sexta, 19 de março, Dia de São José, o grupo Zabumbeiros Cariris (ZC) vai desaguar nos corações dos ouvintes do programa Cariri Encantado. Por sinal, e não por mera coincidência, o chão batido onde o ZC lançaram a semente inicial é justamente o Bairro São José, local que intersecciona Crato e Juazeiro, os dois maiores pólos dessa região encantada.

O ZC é um dos mais autênticos grupos musicais inspirados nas raízes nordestinas, em especial na musicalidade do cariri cearense.

Um dos que “tiraram fino” ao falar sobre o trabalho desta rapaziada foi o escritor José Flávio Vieira, em resenha sobre o disco de estréia do grupo:

“Eis os Zambumbeiros Cariris! Pleno de ângulos obtusos e faces pontiagudas. Traz no seu bojo toda coerência das nossas mais profundas incongruências. O Sacro/profano, o afro/indígena/ibérico, o cearense/pernambucano, o fúnebre/festivo e o romântico/erótico saltam como um saci, no terreiro de cada acorde deste disco. Os Zabumbeiros beberam nas fontes pródigas das bandas cabaçais, do reisado, do coco de roda, do baião, dos benditos, do maracatu cearense e de além-Araripe. Souberam , no entanto, destilar, desta calda sonora, um mel puro e original. Fizeram deste amálgama de sons um trampolim e se projetaram para além do simplesmente telúrico/ regional. Sua música sabe a pequi e a morango, tem o doce aroma do canavial e o acre cheiro do asfalto. Não se avexe, pois, quando a forte batida do zabumba penetrar pelos poros e vier a invadir suas artérias e sentidos. Relaxe e embarque nesta viagem futurística em busca dos nossos primórdios, em procura das fontes de onde flui nossa essência. Avançando para o começo, criançando os instantes, enquanto os Zabumbeiros nos descortinam o arcano: o estame do Som !”

Serviço
O programa Cariri Encantado é veiculado às sextas-feiras, das 14 às 15 horas, na Rádio Educadora do Cariri AM 1.020 e na Internet pelo site cratinho.blogspot.com. Apresentação de Luiz Carlos Salatiel. Apoio do Centro Cultural Banco do Nordeste.

Se ligue!

Seca, problema crônico sem solução


Pedro Esmeraldo

Hoje, 13 de março, observamos que a falta de chuva, acarreta grande impacto no seio da população nordestina. Lamentamos a falta de apoio das autoridades que, pouco a pouco não ligam para atenuar a crise deste imenso semi-árido nordestino. Uns reclamam, choram, vociferam contra as autoridades porque não procuram dar soluções satisfatórias com tecnologia avançada a fim de melhorar as condições climáticas e agrícolas através de uma irrigação, tipo moderna que poderá dar ao homem do campo mais alento e faz desenvolver uma produção agrícola eficiente por meio de trabalho mais atento e produtivo, tentando solucionar, em partes, com modernidade, uma agricultura sadia e progressista.

É uma infâmia, um desdenha, essa falta de apoio moral e técnico ao homem do semi-árido nordestino, já que permanece num trabalho desequilibrado e desarmonioso, conduzindo por uma agricultura rasteira, visto que não cuidam com melhor perfeição o trabalho agrícola e deixam o homem do campo inibido, sem nenhuma capacitação para enfrentar o trabalho. Não preparam o homem do campo para enfrentar a seca; não dão capacitação tecnológica para que venham os camponeses combater em tecnologia avançada no manejo da criação de gado por meio de fenação e silagem. Se assim o fizermos, evitaremos cair num desespero sombrio que leva o homem agrícola a implorar o meio de subsistência para que possa se bater com o trabalho eficiente e eficaz.

Avisamos a essas autoridades que o camponês não deseja esmola, mas deseja trabalhar. Com isso, lembramos uma frase do sanfoneiro Luiz Gonzaga: “- Seu doutor, uma esmola para o homem que é são, ou me mata de vergonha ou vicia o cidadão. Enche os rios de barragem, não esqueça a açudagem, dê comida e preço bom que no fim dessa estiagem lhe pagamos até o juro sem gastar nossa coragem.”

Pensando bem, Senhor Doutor, não precisa tanto exagero desses políticos que só vêm praticar o clientelismo que faz viciar o homem na prática da bandidagem. Queremos barragens, queremos trabalhos, queremos capacitação técnica agrícola, queremos que os técnicos saiam do seu gabinete e percorram o campo, ensinando os homens a praticar trabalhos técnicos, como: irrigação, com segurança, a fim de capacitar para produzir mais pastagens e mais legumes, como: cereais e plantas forrageiras que possam suprir o homem campestre com eficiência no meio de produção e a prática de melhoria de produtividade.

Há necessidade de treinar o homem do campo: ensinando-o a desenvolver com métodos adequados que poderão triunfar com forte produção agrícola e por sua vez acabar o sofrimento desse povo que vive mendigando esmolas, que se torna um filho vergonhoso e deprimente da região.

Antigamente, o nordestino era fortificado pelo plantio do algodão e da cana-de-açúcar. Hoje, o semi-árido nordestino não possui mais esses dois produtos, devido à queda do preço do algodão (exterminado pelo bicudo) e a cana-de-açúcar que se foi para o estaleiro devido à falta de modernização nos engenhos de açúcar do Cariri.

Houve época que dizíamos: a solução de combater a seca do Nordeste era de construção de açudagem que serviriam para irrigar nas áreas de aluvião as plantas gramíneas (arroz e cana-de-açúcar). Agora fazemos uma pergunta: como é que constroem os açudes e não dão ensino técnico ao homem do campo para satisfazer a sua produção agrícola? Onde estamos que não procuramos nos evoluir com mais trabalho moderno e que satisfaça os métodos lucrativos, a fim de tirar o homem do campo do aperreio financeiro e melhorar a situação econômica do homem nordestino? Que país é esse que não olha para o homem e vive praticando o clientelismo dando apoio aos viciados da política e não procuram solucionar o nosso problema?

A pior seca do Crato é a separação do distrito de Ponta da Serra, incentivado por um grupo de homens fracos, conduzidos por uma massa legislativa de deputados falidos que vivem enganando o povo, conduzindo toda a população para o caminho do mal.

Crato, 16 de março de 2010.

De vez em quando.

Apaixonado, meu peito ruge
Como um leão no coração da Tanzânia
E dança leve como nas valsas de Viena
Em um século distante.
Apaixonado, meu céu é rubro como
Os fins de tarde do Pantanal,
Mas mesmo assim com essa violenta
Paisagem voa leve, muito leve
Como os querubins das pinturas
Ou como os quero-queros
Que sobrevoam meu quintal.

Cariri comemora 166 anos de nascimento do Padre Cícero - Postado por Océlio Teixeira

Mesmo com menor público, em comparação às romarias, a Semana do Padre Cícero tem início a partir de hoje

Juazeiro do Norte. A festa de aniversário dos 166 anos do Padre Cícero começa hoje, com abertura da Exposição Fotográfica sobre o "Padim" (ExpoCícero), com mais de 100 fotos do sacerdote, algumas delas inéditas. O material pertence a colecionadores e historiadores do município. As comemorações vão acontecer, de 18 a 24, na XXVIII Semana do Padre Cícero. Este momento, mesmo com uma participação mínima de romeiros, é marcado pela alegria e uma forma de agradecimento do povo de Juazeiro ao fundador da cidade. É também um período que se caracteriza pela fase de plantio nos estados nordestinos, impedindo uma participação maior dos romeiros, em relação ao número de fiéis das romarias tradicionais.

Segundo o professor Daniel Walker, pesquisador e escritor da história do religioso e de Juazeiro, a festa é uma forma de agradecimento ao Padre Cícero, e se caracteriza pela alegria. Já as tradicionais romarias, estão mais associadas à saudade. Mas, ao longo dos 18 anos de realização da Semana, com a inserção do poder público, houve um incremento nas atividades. Além das atividades nas escolas, este ano o evento se amplia, levando debate para a Universidade Federal do Ceará (UFC). No dia 22, às 19 horas, acontecerá a mesa redonda, com o tema "Padre Cícero, Padroeiro das Florestas", com pesquisadores, docentes e alunos.

Daniel Walker afirma que, em vida, o Padre Cícero já comemorava em sua residência o aniversário, com grande participação popular. Após a sua morte, as pessoas continuaram comemorando. "As romarias têm um número maior de pessoas, por ser outra forma de expressão, que se caracteriza pela saudade", reafirma ele. No dia da missa de aniversário, 24, às 6 horas, há a presença de romeiros, mas são mais funcionários públicos, aposentados, já que a grande maioria dos devotos provém das áreas rurais nordestinas.

Ele recorda a infância do "Padim", com a prática de soltar balões na noite de aniversário, abolida por conta dos riscos de incêndio. O show pirotécnico continua. O bolo gigante, coordenado por Mãe Cicinha, e feito de forma coletiva, é cortado no dia 23. Uma festa que há 22 anos acontece, no Bairro Socorro, nas proximidades da Capela, acompanhada de uma seresta comemorativa.

Na Praça do Socorro, ocorrem apresentações dos filmes: Dona Ciça do Barro Cru e Patativa - Ave Poesia, dia 23, às 18h30. Nos primeiros momentos, quando era apenas por iniciativa popular, o devoto Severino Alves, já falecido, saía no comércio solicitando apoio para as comemorações. A participação dos grupos de tradição popular também acontece. Há grupos que vêm de fora para reverenciar a figura do Padre Cicero neste dia.

Durante o mês de comemoração do aniversário do sacerdote, a tradicional missa do dia 20, que lembra a sua morte, no dia 20 de julho, chega a ter grande quantidade de fiéis. Esse momento fez parte de uma de suas recomendações, para haver celebração. No dia 24, feriado na cidade, a alvorada festiva acorda a população. Às 6 horas, a missa acontece na Praça da Capela do Socorro, onde estão os restos mortais do padre.

No mesmo dia, acontece a Corrida Padre Cícero, com saída do Crato em direção ao Juazeiro, às 8 horas, a tradicional Procissão das Flores, às 17 horas, saindo da sede da entidade organizadora, Sociedade Padre Cícero. Segundo o secretário de Turismo e Romarias, José Carlos dos Santos, este ano há uma solicitação para que os participantes levem imagens do padre e fotos, além das flores. É neste dia em que há uma participação popular mais expressiva.

Gratidão

"Sempre considerei esse momento uma festa de gratidão do povo de Juazeiro do Norte"
Daniel Walker
Pesquisador e escritor

MAIS INFORMAÇÕES
Secretaria de Turismo e Romaria, Praça do Cinquentenário, S/N
Socorro, Juazeiro do Norte
(88) 3511.4040

Reportagem e foto: Elizângela Santos
Fonte: Diário do Nordeste
Programação: www.juazeiro.ce.gov.br