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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

COMPOSITORES DO BRASIL


NO TEMPO DOS FESTIVAIS
Parte II

“É um tempo de guerra
É um tempo sem sol”...


Por Zé Nilton

Quando a TV Rio lança o primeiro Festival Internacional da Canção Popular, numa série de sete, de 1966 a 1972, e logo assumido pela novel Rede Globo, o tempo ainda não havia fechado de todo para o lado das liberdades civis. Respirava-se um ar de liberdade, vigiada, claro, mas as artes podiam falar do Brasil de então e o mundo não se acabava.

A partir do segundo e, mais precisamente do terceiro, em 1968, o dragão da maldade já andava solto, espreitando a tudo e a todos bem de perto, punindo hereges e rasgando heresias.

A classe média e a juventude estudantil urbanas enchiam o Maracanazinho, no Rio de Janeiro, e através da música engrossava o coro de que era “proibido proibir”.

Daqui da terra a gente tomava conhecimento pelo rádio, e quem podia, pelas raras revistas que chegavam. A indústria fonográfica lançava no outro dia do festival as músicas vencedoras e aquelas aplaudidas pelo povo.
Tempos bons aqueles.

No COMPOSITORES DO BRASIL, programa da Rádio Educadora do Cariri desta quinta-feira, vamos falar e tocar algumas músicas dos três primeiros festivais internacionais, ocorridos respectivamente em 1966, 1967 e 1968.

Vamos rever músicas que nunca mais saíram da memória do tempo e de quantos curtiram a vida, apesar de você.

Um passeio pelas canções de amor, de ternura do início, até as de protestos daquele ano negro para a História do Brasil, 1968.
Na sequencia:

1.Festival Internacional da Canção, 1966
a.SAVEIROS, de Dori Caymmi e Nelson Mota, com Nana Caymmi
b.O CAVALEIRO, de Tuca e Geraldo Vandré com Geraldo Vandré

2.Festival Internacional da Canção. 1967
a.MARGARIDA, de Gutenberg Guarabira com Gutenberg Guarabira
b.TRAVESSIA, de Milton Nascimento e Fernando Brandt, com Milton Nascimento
c.CAROLINA, de Chico Buarque de Holanda, com Cynara e Cybele
d.SÃO DOS DO NORTE QUEVEM, de Capiba e Ariano Suassuna, com Claudionor Germano

3.Festival Internacional da Canção. 1968
a)SABIÁ, de Tom Jobim e Chico Buarque com Cynara e Cybele (vencedora da fase internacional)
b)PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES, de Geraldo Vandré com Geraldo Vandré
c)ANDAÇA, de Dori Caymmi, Eduardo Souto e Paulo Tapajós, com Beth Carvalho e os Goden Boys

Quem ouvir verá!

Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri – 1020
Todas as quintas-feiras de 14 às 15 horas
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Acesse: www.radioeducadoradocariri.com pelo
www.blogdocrato.com

Ah! essa imprensa golpista – postado por Armando Rafael

Deu na Folha de S. Paulo
Caso Erenice: auditoria liga irmão da ministra a desvios


Relatório da CGU–Controladoria-Geral da União (órgão do próprio Governo Federal), afirma que José Euricélio é responsável por R$ 5,8 milhões em contratos fantasmas na UnB. Irmão de ministra e filho dela receberam R$ 134 mil em serviços não comprovados; eles não foram encontrados

O irmão da ministra Erenice Guerra, da Casa Civil (foto ao lado), José Euricélio Alves de Carvalho é apontado por auditoria do governo como responsável pelo desvio de R$ 5,8 milhões da editora da UnB em contratos fantasmas, o que incluiu pagamentos a ele próprio e a Israel Guerra, filho da ministra que atua como lobista. A folha de pagamentos suspeitos da editora traz pelo menos R$ 134 mil destinados a José Euricélio e a Israel Guerra entre os anos de 2005 e 2008, período em que Erenice ocupava a Secretaria Executiva da Casa Civil e era subordinada à então ministra Dilma Rousseff.

José Euricélio era da direção da editora da UnB e coordenador-executivo dos programas que, segundo relatório da CGU (Controladoria-Geral da União), tiveram R$ 5,8 milhões desviados para 529 pessoas. Essas pessoas receberam sem a comprovação de que o serviço foi feito. Na prática, a Controladoria e o Ministério Público descobriram um esquema de terceirização dos serviços na universidade sem a comprovação de que eles foram efetivamente realizados.A editora da UnB (Universidade de Brasília) foi usada para captar dinheiro de fundações e distribuir o montante a pessoas ligadas à cúpula da diretoria.
Fonte:Blog de Ricardo Noblat


Socialismo faliu de vez!
Por Manuel de Cascais

Agora é mesmo verdade. Cuba, o último Estado a sério (a Coreia do Norte não conta e a China há muito que não fala em socialismo) que se proclama socialista, anunciou ao mundo que vai despedir UM MILHÃO de funcionários públicos. Os socialistas estão sempre a bramar contra o setor privado, culpando-o de todas as malfeitorias, a principal sendo o enriquecimento, mas agora o governo cubano está a tentar convencer os (poucos) privados de Cuba a aceitarem os desempregados do sector público.

Afinal, 50 anos de sacrifícios, assassinatos políticos, prisões em massa de adversários políticos, tanta miséria escondida, tanto atraso, e para quê? Para confessarem agora que tudo fracassou? Já sei que num qualquer estertor desesperado, os admiradores da experiência cubana vão atirar aos quatro ventos que foram os EUA os responsáveis por este fracasso, com o boicote econômico que dura há décadas. Tal não colhe, para quem conhece como eu a realidade cubana. Cuba teve apoio financeiro de muitas potências do outrora chamado leste, e mesmo depois desse Leste falir, muitas potências europeias, sobretudo do Norte, apoiaram Cuba com inúmeros créditos para renovarem estruturas e equipamentos.

Nada funciona, nem existem os serviços mínimos de sanidade ou conforto. É uma miséria em suma, e a vida social é uma mentira. Alguns artistas com renome internacional ou atletas de alta competição ainda têm autorização para comprar produtos e equipamentos importados, como TVs, ar condicionado nas casas ou automóveis. A restante população, mesmo que tenha dinheiro, nada pode comprar, a não ser arriscando-se no imenso e florescente mercado negro. A corrupção material dos burocratas do regime é total, tudo e todos se compram e vendem. Para quê tanto sacrifício e tanta mentira que sacrificaram uma geração inteira?
Fonte: http://godblessportugal.blogs.sapo.pt/55715.html

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Mãe das Dores - Emerson Monteiro

15 de setembro, mais uma festa católica de Nossa Senhora das Dores, marcada em Juazeiro do Norte, na paróquia a ela dedicada, por fortes manifestações populares em seu louvor, com a presença de algumas centenas de milhares de fiéis daqui e provenientes de tantas outras localidades nordestinas, próximas e distantes.
O culto à santa, uma das expressões místicas da mãe de Jesus, vincula-se às tradições da gente brasileira, trazido na cultura cristã da catequese portuguesa, estabelecido nesse espírito religioso próprio das crenças ibéricas.
A Virgem prefigura, pois, os sofrimentos por que passou Maria na conta das marcas fincadas pelas agonias da paixão do Filho, assistidas no tronco da cruz, lá no alto do Gólgota.
Transpostos ao viver das populações sertanejas, tais sofrimentos indicam, na alma dessas pessoas, o espinho cotidiano das intempéries físicas do mundo de injustiças sociais e carências seculares.
Padre Cícero Romão Batista, o pároco que consagrou em Juazeiro a data, nos inícios da cidade, expressa a escolha do símbolo de mensagem transcendente da resistência aos obstáculos da vida que se vive, aqui neste chão áspero, quente, sob desigualdades, pesares, na luz da esperança em dias melhores, nos ditames de valores elevados, olhos postos nos horizontes da fé.
As condições da persistência indicam, por isso, notícias que fluem da coragem de crer e sobreviver além das limitações dos planos inferiores, bem menos reais aos fiéis do que os valores imortais de um coração religioso, resignado e temente a Deus.
A cada ano, massas humanas reúnem-se nas praças, igrejas e ruas; cantam, rezam, clamam, imploram, transpiram; alegram-se e sofrem nas despedidas; energia que circula no seio das celebrações, qual sinal infinito do amor à verdade em forma de comunhão dos que sempre voltam.
Numa transfusão suprema de bons esforços para visitar a Meca nordestina, os romeiros cumprem, há mais de século, esse itinerário que traduze seus sentimentos originais, envoltos nas dificuldades comuns. Chegam em transportes de carga, ônibus, carros menores, motocicletas, bicicletas, a pé; de todas as idades e diversos níveis. Caminham confiantes, através dos pontos históricos. Reduzem naturais obstáculos. Miscigenam culturas; fazem amizades, e por vezes ficam mais tempo, deixando expressões íntimas do mistério existencial de pessoas dignas e obstinadas, na busca dos caminhos da realização definitiva, nas estradas distantes.
Portanto, cabe aos caririenses dignificar esses lugares de que são depositários dos nordestinos que retornam sinceros para revê-los, fortes símbolos de sacralidade pura, que os alimenta no recôndito da viva imagem de Maria, também nossa Mãe das Dores.

“Deu a louca” na Casa Civil! -- postado por Armando Lopes Rafael

Fonte: G-1

“Deu a louca” na Casa Civil! depois de Valdomiro, “mensalão”, José Dirceu e escândalo dos cartões corporativos, agora “Veja” afirma que filho de Erenice Guerra cobrou propina. "Veja" diz que ele intermediou contrato dos Correios com empresa. Em nota, ministra afirma que acionará revista judicialmente.

Reportagem da edição deste final de semana da revista "Veja" afirma que o empresário Fábio Baracat, dono da empresa de transporte aéreo Via Net, participou de reuniões com a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, intermediadas pelo filho da ministra, Israel Guerra, dono da consultoria Capital. A finalidade, segundo a publicação, era fechar um contrato de prestação de serviços entre a empresa e os Correios. Segundo a revista, na negociação, foi cobrada do empresário uma propina de 6% para o fechamento do contrato. De acordo com a publicação, seria destinada a saldar “compromissos políticos". Além da suposta propina, intitulada "taxa de sucesso", assessores da Casa Civil teriam exigido pagamentos mensais, diz o texto.

Em nota divulgada na tarde deste sábado, a ministra afirma que adotará medidas judiciais contra a revista "Veja", que, segundo ela, será acionada por danos morais. Erenice Guerra também diz que pedirá à Justiça direito de resposta. A ministra afirma na nota que coloca à disposição das autoridades os sigilos fiscal, bancário e telefônico dela e de todos os familiares. "Sinto-me atacada em minha honra pessoal e ultrajada pelas mentiras publicadas sem a menor base em provas ou em sustentação na verdade dos fatos", diz no texto.

A revista "Veja" afirma que o contrato entre a empresa de transporte aéreo e os Correios totalizou R$ 84 milhões e que, com a intermediação, o filho da ministra obteve R$ 5 milhões. Por meio da consultoria Capital, o empresário Baracat também teria conseguido, segundo a publicação, renovar a licença de voo da MTA Linhas Aéreas, mediante o pagamento de R$ 120 mil à empresa do filho da ministra. De acordo com "Veja", o empresário relata que, em supostos encontros com Erenice Guerra no apartamento funcional da ministra, era obrigado a comparecer sem canetas, relógios, celulares ou qualquer aparelho capaz de gravar as conversas.

Em e-mail enviado à revista, Israel Guerra disse ter apresentado à mãe o empresário Fábio Baracat, mas "na condição de amigo". Ele também afirmou que atuou no "embasamento legal" para a renovação da licença da MTA na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em dezembro. Disse que emitiu notas fiscais e recebeu o pagamento pelo serviço na conta da empresa do irmão. A revista não informa por qual razão o empresário decidiu denunciar agora o episódio da suposta propina, ocorrido, segundo "Veja", em agosto do ano passado. Os Correios ainda não se manifestaram sobre se a Via Net presta ou prestou serviços à estatal.

domingo, 12 de setembro de 2010

O papel da monarquia brasileira - José do Vale Pinheiro Feitosa

No livro, 1822, escrito pelo jornalista Laurentino Gomes, publicado pela Nova Fronteira, há uma idéia básica: se não fosse a monarquia o país teria se esfacelado em dezenas de repúblicas como ocorreu na América Latina. Qual a base para a afirmação? As províncias coloniais eram comandadas por uma elite local, assentada na terra e na escravidão e seus chefes tratariam de brigar pelo comando, por se considerarem iguais e capazes do comando geral. Isso é um processo bastante conhecido desde o século XVIII, até mesmo em impérios que se desfizeram como na Abissínia, atual Etiópia.

Um país do tamanho do Brasil não se fragmentou como a América Espanhola como se houvesse algo que o aglutinasse. José Bonifácio puxou a sua postura conservadora, não mexeu nos interesses provinciais e adotou a monarquia por sucessão da portuguesa, sem apagar o mito do superior hierárquico implantado no período colonial, utilizando-se de Dom Pedro I. Vale lembrar que o processo foi muito tenso e a qualquer momento poderia se romper: a luta contra os portugueses que controlavam todas as outras províncias à exceção de São Paulo, Minas e Rio; as sucessivas guerras de secessão provincianas, no Pará, Maranhão, Pernambuco, Rio Grande do Sul e até mesmo São Paulo. Guerras que marcaram principalmente o período da regência.

É uma boa análise e embasada na nossa realidade. Isso é a prova de que a Monarquia é um sistema universalmente melhor? Pelo contrário naquele momento as monarquias estavam esgotadas politicamente. Esgotadas em face da emergência da burguesia e do operariado urbano, do iluminismo, das revoluções inglesas, americanas e francesas, a revolução industrial e o surgimento do capitalismo. Uma pausa: falar em Inglaterra e sua milenar monarquia? Ela, que é apenas simbólica, não é mais monarquia, é apenas um mito para sustentar o Estado Nacional. Monarquia constitucional é algo como um capitalismo social.

Os EUA, do mesmo modo, não apenas preservaram a unidade federativa, como até se expandiu imperialmente e tomou metade do continente dos mexicanos. Pois para os EUA, o ressurgimento da República, trazendo o legado da Grécia antiga, se mostrou viável e com um vigor histórico sem igual. A República Americana se tornou o maior sucesso da revolução burguesa do capitalismo e o republicanismo se tornou o espelho de todas as grandes nações, da Rússia Czarista ao Império Chinês, à esfacelada Índia e até mesmo o Japão que é apenas uma monarquia como a Inglaterra o é.

Nada se iguala ao modelo brasileiro quando comparado ao México, que é um exemplo de integridade territorial, apesar da voracidade dos EUA, e que, também, andou passando por uma Monarquia. De outra natureza, sem sentido histórico e como uma farsa da casa dos Habsburgos que dominavam a Espanha de então. O que estou dizendo é que a Monarquia mexicana além de uma farsa não teve qualquer papel na manutenção da sua integridade territorial. Quem a fez foram as classes emergentes no México com a própria modernização de suas forças produtivas, com a força dos campesinato e as sucessivas revoluções desta natureza nascidas no campo.

O estudo da história continua fascinante para qualquer jovem que queira dedicar-se a ela. Especialmente se este jovem tem a capacidade de olhar lateralmente, sem cair naquelas fórmulas verticais, que impõe verdades como a perfuração de um poço de água. Fala na água, mas não no ciclo das águas no planeta. Aliás, a coisa toda anda piorando como a prateleira de um supermercado, em que se vendem pacotes de “drops” ideológicos, numa vontade de criar ranking de preconceitos tão comuns nas publicações das revistas brasileira, desde uma Super Interessante até a degeneração furibunda de uma Revista Veja.

Uma solidão eletrônica - Emerson Monteiro

Se ficar parado defronte a um televisor, assistindo calado ao drama de outros personagens, resolvesse o enigma da humanidade, já haveríamos, com saldo suficiente, descoberto a resposta procurada desde que o mundo é mundo. Porém a grande aventura continua pelas vidas adentro, na mesma tentativa igual às noites frias que atravessam os guardas noturnos e seus radinhos agarrados aos programas da madrugada, catando notícias do mais profundo mistério.
Essa tal de solidão vem de muito longe, dos tempos imemoriais. Nas primeiras imagens pictóricas da civilização, na era da magia simpática, figuras foram desenhadas nos bastidores das cavernas pelos homens pré-históricos, ali parados caçadores, de olhos grudados nas cenas de animais acesos à luz dos fachos de alcatrão, querendo planejar as expedições dos dias posteriores nas ramagens da floresta.
Hoje, velhas cenas ressurgem ao toque de alguns botões das telas incandescentes de vídeos, televisões, computadores, celulares, figuras animadas que invadem a memória, repetições de caçadas silenciosas a esfinges, que persistem noutros exemplares do animal pré-histórico que somos nós.
Sentinelas avançadas da tecnologia, apalpamos paredes rústicas de prisões deste solo comum, armados de tacapes, arcos e flechas, lanças, fuzis, lanternas amoladas, pé ante pé, no roteiro das interrogações, ladeiras adiante...
Lançamos foguetes ao espaço, que retornaram vazios, espelhos de nós próprios, calendários de asas e eras, comunicação circular das carcomidas aventuras. Mergulhamos oceanos munidos de câmeras poderosas para colher lembranças redivivas de biologias e destroços de antigamente, muralhas e algumas incompreensões mantidas entre povos dissidentes, concorrentes, a peso do ouro escondido nas entranhas da Terra.
Nisso, o tropel segue arrancando raízes, levantando poeira, sacudindo pedras, faíscas, minérios, desembalada carreira na forma de letras, palavras, apegos, fracos na carne e fortes na alma, atores de epopéias e sujeitos de saudades imensas das gerações que se foram e vão.
De jeito que aquietar os ossos chega o sono, machucados egoísmos caducos dificultam a revelação. Resta, no entanto, suplicar nas orações ao Deus desconhecido da Grécia; à Deusa liberdade francesa; ao Tupã dos ameríndios; ao Deus inexistente dos budistas; no furor dos elementos, da ciência dos alquímicos. Rezar nessa montanha silenciosa de claridade intensa, oráculo dos tempos atuais. Perscrutar, com amor, as entranhas da mãe solidão, na frente deste muro de lamentações da história e seus equívocos de porões escuros. Com tais manias, os lobos, uivando para luas de cristal, vagos sufistas de ondas eletrônicas, emitem sinais de socorro, e exaustos e sós retornam melhores dos montes distantes das ilusões contrafeitas.

Programação RAPADURA CULTURARTE

“RAPADURA CULTURARTE”
18 de Setembro de 2010
Local: Praça da Sé
Horário: 8 horas

“Dedicado ao Dia do Radialista”, 21 de Setembro, e ao  Mês da Imprensa, Setembro

01. Homenagem ao Bairro Pimenta.
Tributo de saudade ao trio Os Três do Nordeste.

02. Apresentações Artísticas e Culturais da E.E.I.E.F. Liceu Diocesano
Apresentações: E.E.F. Dom Quintino – Projeto Folclore

03. Homenagens (Medalha de Honra ao Mérito): Raimundo da Franca, Zito Borges, José Gomes da Franca (Zé Elias), Manoel Favela e Raimundo Jaguaribe

04. Histórico do Rádio e da Imprensa no Cariri ( Huberto Cabral)
Artigo: Viva o Rádio – Jorge Carvalho

05. Entrega de Diploma de Honra ao Mérito
- Radialistas do Cariri: vivos e falecidos, em atividade ou afastados
 - Emissora de rádio: Araripe, Educadora, Progresso, Cetama, Verde Vale, Tempo, Vale, Princesa e São Francisco

06. Apresentação do Reisado do Boi Crioulo – Salitre/CE  e do Grupo Urucongo – Sítio Chico Gomes – Crato/CE

07. Show Musical

Fonte: Jorge Carvalho

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A felicidade não se compra - Emerson Monteiro

A verdadeira arte permanece, independente da transitoriedade das circunstâncias, dos acontecimentos que lhe deram origem e até da duração da existência física dos que a produziram. Em sentido inverso, a arte de qualidade duvidosa, além de não merecer classificação de arte, nasce com seus dias contados, por vezes virando lixo antes mesmo de ser conhecida.
Tal consideração quer falar de perto a propósito de um filme lançado em 1946, há mais de 60 anos, portanto, intitulado “A felicidade não se compra”, do diretor norte-americano Frank Capra, estrelado, dentre outros, pelo consagrado ator James Stewart, bem nos inícios de sua brilhante carreira.
A película em preto e branco, de duas horas e nove minutos, circulou o mundo e obteve das maiores consagrações do cinema em todos os tempos. Eis, então, uma obra de arte eterna, qual dissemos, isto em qualquer momento da história humana, digna de chegar aos apreciadores da beleza como bela mensagem de otimismo a toda prova, uma realização que encheu salas de exibição anos a fio em variados países.
Essa narrativa cinematográfica, oferecida ao público em uma fase de sofrimento coletivo recentemente provocado pela Segunda Guerra Mundial recém finda, aborda momentos difíceis de uma família do interior dos Estados Unidos, atingida por sérias privações sem, no entanto, desistir da esperança e da firmeza da fé.
Um pai de família bem situado na vida se depara, de uma hora para outra, com obstáculos que lhe comprometem a rotina da família, diante da incompreensão de outros e adversidades sociais avassaladoras.
O encaminhamento das situações segue numa escala de impossibilidades, e demonstra quase nenhuma chance ao êxito que, no desfecho emocional e clímax valioso, dar-se-á, em plena noite de Natal.
Enquanto ocorrem os desdobramentos do roteiro, o diretor transmite, em estilo magistral, a grandeza de alma que sustenta o ânimo dos personagens, envolvendo também os espectadores nos passos geniais da transposição para a tela do livro homônimo, escrito por Philip Van Doren Stern.
Raros instantes da criação artística obtiveram, pois, as glórias que esse trabalho de Frank Capra veio, com justiça, merecer, a significar bom motivo de os apreciadores da sétima arte buscarem conhecer a destacada produção do cinema internacional.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A COMÉDIA NOVAMENTE EM CARTAZ!!!



TEATRO RACHEL DE QUEIROZ - CRATO-CE
18(sab), 19(dom) e 20(seg) de setembro de 2010, às 20h
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) / R$ 5,00 (meia) / R$ 4,00 (antecipado)

TEATRO DRAGÃO DO MAR - FORTALEZA-CE
29(qua) de setembro de 2010, às 20h
Entrada: 1Kg de alimento não perecível

Quem vai pela cabeça dos outros? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Há muito tempo que eu não escuto uma expressão popular usada insistentemente pelos moradores da região do Cariri, por volta das décadas de 1950 e 1960: “Quem vai pela cabeça dos outros é piolho.” Era equivalente a outra sabedoria de pára-choques de caminhão, “Se conselho fosse bom era vendido...” Ambas estão em desuso, talvez por influência dos modernos escritórios de consultoria que vendem seus conselhos para empresas multinacionais, que os compram a peso de ouro, para que depois, nós paguemos a conta. De minha parte, toda vez que eu fui pela cabeça dos outros, terminei de uma forma ou de outra “quebrando a cara.

Nos primeiros anos da década de 1980, o Rotary Clube do Crato trouxe à nossa cidade um famoso psicólogo de Fortaleza para aconselhar os casais cratenses. Como bom rotariano que éramos, eu e Magali comparecemos. Foi numa tarde de um sábado, com auditório lotado de casais, onde muitos ensinamentos foram derramados por aquele mestre das ciências da alma. Numa palestra bastante agradável, o psicólogo, que também era sacerdote católico, discorreu sobre sexo, como viver em harmonia e principalmente a educação e formação dos nossos filhos. Enfim, coisas que todo pai e mãe desejam e gostam de ouvir para imediatamente porem em prática. Entre os muitos conselhos que ele nos deu, havia um aparentemente pertinente. “Levem os filhos qualquer dia ao local de trabalho, para que eles vejam a luta de vocês para ganhar o pão.”

Na semana seguinte, numa bela tarde, lá ia eu em direção à Coelce, meu local de trabalho, acompanhado pelos meus três filhos, com idade de oito, seis e quatro anos, respectivamente. Ao chegarem, desceram do carro feito loucos, correram pelos corredores e jardins, visitaram todas as salas e numa fração de segundo exploraram todos os pontos da repartição, um prédio de dois pavimentos, que ocupava quase um quarteirão. Depressa descobriram a cantina e eu os apresentei ao dono, dizendo que servisse tudo que eles quisessem. No final do expediente, faria o pagamento das despesas. Quanta coragem! Mas era assim que eu pensava: deixando-os livres, poderia ter um pouco de sossego e trabalhar com tranqüilidade.

Vez por outra, eles subiam ao andar superior, abriam a porta da minha sala de trabalho, olhavam de soslaio e desapareciam em seguida. Lá pelas quatro horas, o mais novo deles, cansou e sentou-se por alguns minutos num sofá defronte ao meu birô. Continuei trabalhando, atendendo ao telefone, recebendo clientes e registrando alguns dados para ordens de serviços. E o caçula, sentado ali, balançando as perninhas e observando tudo. Quando eu o olhava, ele sorria meio desconfiado.

Finalmente, o dia terminou e antes de sair, lembrei-me de pagar a conta que eles fizeram na cantina. Puxa! Que conta salgada! Os três consumiram todo o estoque de chocolates, bombons, sorvetes e comeram sanduíches por um ano inteiro, para felicidade do cantineiro, que nunca havia vendido tanto em tão breve espaço de tempo.

Mas ao chegar à nossa casa, é que notei a grandiosa besteira que fiz, indo pela cabeça daquele psicólogo. Ao receber as crianças, Magali exclamou para eles: “Ih! Passaram a tarde toda vendo o papai trabalhar...” Ao que o mais novo, aquele que demorou alguns minutinhos descansando na poltrona à minha frente, respondeu: “Papai não trabalha, não. Passa o tempo todo atendendo telefone e escrevendo uma cópia, sem olhar para nenhum livro...”

É isso mesmo! Eu mereci!... Quem mandou ir pela cabeça de psicólogo? Grande piolho é o que eu fui!

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

CARIRIANAS


DA IBIAPABA

Por Zé Nilton*

Sabe chilito, aquela coisinha feito binga de cabrito, amarelinha, que faz a festa da criançada pobre do Nordeste? Pouco se encontra à venda em Viçosa do Ceará. Estamos na terra da peta, uma iguaria feita de polvilho, um filhós pequeno, crocante, muito gostoso e que só faz bem. Nas ruazinhas das partes altas da velha cidade, uma casa e outra não, do lado direito da rua, e em todas as casas da esquerda, o fabrico doméstico de peta não chega pra quem quer. Viçosa do Ceará é pródiga em peta, pródiga em cachaça e igualmente pródiga em história.

Olha só: a maior concentração de índios da capitania de Pernambuco resultou no maior aldeamento indígena do Nordeste, aqui na Serra da Ibiapaba. Todos os olhares da catequese por via lusitana acorreu para a Serra Grande a partir da segunda metade do século XVII . Em 1700 se instala seu primeiro Aldeamento e Missão dos Índios Tabajara, em Viçosa da Ibiapaba.

Destas terras altas se narram episódios e figuras marcantes da trajetória da colonização portuguesa no Ceará e no Nordeste. Desde a saga do primeiro emissário jesuíta enviado de Pernambuco para aplacar a ira da indiada na Ibiapaba, logo após a beligerante passagem de Pero Coelho, e que resolvendo seguir até o Maranhão, o padre Francisco Pinto, terminou por ser trucidado pelos índios da nação Trarairiús, salvando-se seu coadjutor, o padre Luiz Filgueira.

Padre Pinto tornou-se o santo de todas as tribos do médio e baixo Jaguaribe e zona norte do Siará Grande. Tem também a passagem do intelectual, exímio orador e temido pelas cortes da época, o padre Antonio Vieira. Sem falar do imponente índio tabajara, na defesa documental de Tristão de Alencar Araripe(1), o assim batizado Antonio Felipe Camarão, aliás, Dom Antonio Felpe Camarão, título inédito dispensado a um índio,outorgado pelo Rei Felipe IV, por sua luta contra os holandeses desde o Ceará até Pernambuco.

A Ibiapaba é lembrada igualmente como paisagem e lugar de contendas portuguesas, indígenas e francesas na famosa obra do capuchinho Claude D´Abbeville, escrita em França no ano de 1614, logo após sua brava permanência de quatro meses em terras maranhenses.

Viera junto a uma companhia francesa a mando do rei Luiz XIII cujo fito era instalar a França Equinocial após a malograda tentativa da França Antártica, no Rio de Janeiro. E como missão católica, tirar os povos indígenas dos confins do inferno e trazê-los à purificação cristã.

Sua descrição sobre a passagem pela enseada de Camucim, olhando a Serra Grande, bem distante, é de uma sutileza própria da escrita dos viajantes europeus.

Sem dúvida uma leitura pra lá de prazerosa sobre uma faceta político-religiosa-militar empreendida por uma França ávida em implantar colônias no novo mundo.

Eurocentrismo, etnocentrismo, visão de mundo e forte inclinação apologética à parte, Claude d´Abbeville narra em detalhes a bravura da empresa francesa e todas as conquistas e todas as ações positivas e negativas em favor da salvação das almas selváticas e do domínio francês no Maranhão e terras circunvizinhas. Narra a história, a geografia, a cosmologia, a cosmogonia e a antropologia da grande nação Tupinambá, habitante do litoral brasileiro e sua concentração na Ilha do Maranhão.

Dei-me a mim um presente nos meus completos e bem vividos sessenta anos, a ansiada leitura da “ História da Missão dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão e terras circunvizinhas”, do padre d´Abbeville, reprodução fac-similar da edição publicada pela Livraria Martins Editora, em 1945; tradução de Sérgio Milliet.

Dela e de outras obras como a de Jean de Lery, de Frei Martinho de Nantes, de Ives d`Evreux, de Vicencio Mamiani, de André de Thevet e de tantos viajantes e missionários que descreveram seus encontros com o outro, os índios do Brasil, sejam do litoral sejam dos sertões, tenho a lamentar a falta desses escritos sobre os nossos Cariri da parte do Ceará.

É imergir num quebra cabeça a tarefa de historicizar de seu ponto de vista a saga guerreira e duas vezes vencidas a passagem desses povos pelos solos que pisamos.

Só para dizer, nunca me convenceu a infame característica Cariri difundida pelo seu mais ferrenho oponente o Tupi, e alimentada e reproduzida por quase todos os escritores indigenistas como “calados, desconfiados e macambúzios”. Um povo que sustentou uma luta inglória por tanto tempo, como ser isto? Bom, mas aí é outra história.

Escrevo estas linhas da capital da Ibiapaba, Tianguá, terra de caboclos trabalhadores, a perfeita mistura dos Tabajara com europeus.

(*)Antropólogo. Professor do Departamento de Ciências Sociais da URCA. jn-figueiredo@hotmail.com
(1)História da Província do Ceará, dos tempos primitivos até 1850. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2002.

Antes tarde do que nunca -- postado por Armando Rafael


Fidel Castro admite que modelo cubano não funciona mais

Fonte: jornal O POVO com matéria da AFP

Fidel Castro adotou um tom de incomum de arrependimento sobre fatos do passado, revelou entrevista

O "modelo cubano" já não funciona, inclusive na própria ilha, admitiu o líder Fidel Castro à revista americana The Atlantic, que publica nesta quarta-feira uma entrevista com o "comandante". Entrevistado ao longo de vários dias pelo jornalista americano, Fidel Castro adotou um tom de incomum de arrependimento sobre fatos do passado, revela a entrevista, que está sendo publicada desde a segunda-feira passada.


Castro, 84 anos, disse a Goldberg estar arrependido por ter pedido em 1962 ao líder soviético Nikita Kruschev, durante a crise dos mísseis, que atacasse os Estados Unidos com armas nucleares caso fosse preciso.O ex-presidente cubano voltou recentemente à vida pública, particularmente para alertar sobre o risco de uma guerra nuclear no Oriente Médio devido à queda de braço entre Israel e Irã.


Na mesma entrevista, Fidel criticou a retórica antissemita usada pelo presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad: "Não acredito que alguém tenha sido mais difamado que os judeus. Diria que muito mais do que os muçulmanos. Foram mais difamados que os muçulmanos porque são acusados e caluniados por tudo. Ninguém culpa os muçulmanos de nada". "Os judeus tiveram uma vida muito mais dura do que a nossa. Não há nada que se compare ao Holocausto".Segundo o líder cubano, o governo iraniano contribuiria para a paz se tentasse entender porque os israelenses temem por sua existência.


Goldberg foi convidado pelo próprio Fidel, que se interessou por um artigo seu sobre as tensões entre Irã e Israel.

AFP

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Meu planeta natal - Aquarius

Luiz Domingos de Luna*

Quão grande foi minha emoção, quando fui indicado para sair de minha galáxia Atenas, para passear na Via – Láctea sei lá, talvez o nome tenha sido muito doce, ou algum mecanismo fonético que disparou no meu chip, gerando assim, a primeira emoção que senti, na verdade, não chega a isto, pois nós aquarianos não temos estas características humanas.
Na minha fase de preparação para a viagem, que a bem da verdade foi muito árdua, o treinamento exigiu muito de mim, a capacitação para a respiração, alimentação, lidar com a gravidade, foi algo que, infelizmente, fui reprovado logo de cara. Pensei planeta terra nunca mais, porém o instrutor antes de tirar o capacete para minha exclusão do projeto, para minha felicidade ou infelicidade, a luz vermelha acendeu, no nosso código consultou o computador central, o relatório saiu na hora, de todos, eu consegui passar na parte mais complexa do projeto, sentir emoções e processar pensamentos novos. Não sei se foi bom ou ruim, visto o teste de gravitação universal, ser uma grande moleza, para os meus irmãos Aquarianos e o mais difícil para mim. Já o teste cognitivo passei, e os meus irmãos há anos luz da complexidade do processar pensamentos lógicos, o criador do projeto foi logo dizendo, a gravidade não é problema para nós ele deve causar problema para os terrestres, vez que lá têm campo gravitacional positivo, Aqui isto não existe, e nisto deletaram o meu histórico gravitacional, e eu já comecei a ficar preocupado com a maracutaia, dos meus irmãos Aquarianos, e pensei, quando chegar no planeta terra vou ter que dizer que o criador do projeto, apagou a minha reprovação no teste gravitacional, e aí, com certeza o revisor vai me mandar de volta para o meu planeta natal Aquarius.
Nesta lógica, fiz uma viagem longa e cansativa, mas sempre consciente de que a volta seria o mais rápido possível.
Ao Chegar ao planeta terra, uma vista privilegiada, mesmo acima da velocidade da luz, quando desci da nave, meus irmãos já práticos com a força gravitacional deram um Show de disciplina e beleza, como eu já sabia que nesta parte eu não iria me dar bem, fique por último e como não podia ser diferente me esborrachei no chão.
O Revisor verificou todo o meu histórico, deu o sinal afirmativo de permanência no planeta terra, mas mesmo assim, eu perguntei o que ele tinha achado da minha reprovação no teste gravitacional, ele foi taxativo, isto não é uma preocupação sua, mas sim, dos terráqueos e você é um aquariano.
Lembre-se quando você cair estará sempre praticando uma ação da Terra, mas quando levantar estará numa ação Aquariana, visto em Aquarius não ter gravidade.
-Entendeu?
Não
-Certeza?
Nenhuma
-Dúvida?
Todas
-Mas é assim que a coisa funciona
(*) Professor - Aurora - Ceará

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Política de frivolidade – Por Pedro Esmeraldo

Crato sofre, seus filhos esperneiam porque não sabem conduzir o seu pensamento de equilíbrio mental, e os políticos acomodam-se, pois vivem totalmente isolados na zona de convergência governamental.

Não temos a mínima ideia de quando esses políticos vão resolver trabalhar e sair desse pensamento negativo. Permanecem impassíveis, sem lutar para conquistar o favorecimento de melhores obras. Não criam geração de emprego e de rendas.

Lembramos que o Crato do passado teve uma economia de peso regional, já que foi favorecido pelas culturas da cana-de-açúcar e de algodão, que deram grandes dotes da riqueza deste município.

Hoje, após a queda desses produtos, a cidade do Crato adormeceu, parou pelo caminho do desespero econômico, não soube aproveitar a modernidade com equilíbrio, com forças produtivas que pudessem acelerar o desenvolvimento cratense. O município não pode expandir-se devido o esfriamento econômico. A cidade caiu em profunda depressão financeira. Não esboçou reação, faltando coragem de seus filhos de enfrentar a luta pela movimentação de economia com o trabalho sincero e honesto.

Após a década de 1980, a cidade foi assaltado por um grupo de políticos sombrios, forçando abdicação da nobreza e da seriedade. Entregou os pontos, não estimulou a juventude, cedeu o município aos inimigos e que com certeza aproveitaram-se das fraquezas desses políticos, levando todos os seus patrimônios adquiridos ao longo dos anos.

Notamos que Crato é a cidade-mãe de todas as outras e, portanto, deviam respeitá-la e jamais virem com esperteza, mas com objetividade, respeitando a sua economia.

Com medidas equilibradas e austeras, o Crato seguirá caminho florescente e saberá aproveitar o contorno da modernidade e luta do desenvolvimento. Por esse motivo, os políticos cratenses devem evitar abusos dos vizinhos inimigos, que veem nos enganar com políticas embusteiras, que deixam os cratenses atoleimados.

Houve época em que Crato possuía uma economia agrícola promissora e não soube aproveitar o seu trabalho dentro de uma produção moderna. O cratense não soube acompanhar a modernidade, afastou-se do trabalho tecnológico, continuou com métodos antigos, sem melhoria de produtividade.

Povo acostumado ao antigo regime agrícola ficou aparvalhado e não soube separar o joio do trigo, aproximou-se dos penetras, estimulando uma política corrupta que não soube enxergar o avanço da tecnologia.

Enfim, esses políticos corruptos, aproximaram-se do Crato, ludibriando-o a fim de conquistar o nosso patrimônio.

Daí por diante, o homem de bem se afastou da política, entregando o barco aos acomodados que assumiram com frivolidade e inexperiência, contaminados por homens de mau caráter que entregam o Crato aos malditos inimigos.


Crato-CE, 03 de setembro de 2010.


P.S. Recado a Dielson Mendonça: Não perdemos nosso sonho, mas fazemos nossa parte na luta pela nossa terra, coisa que todo cratense deve fazer, para depois colhermos bons frutos.

Os novos "aloprados" -- postado por Armando Lopes Rafael


Fonte: Veja on line
FHC condena devassa de sigilos e vê risco de retrocesso democrático

O sociólogo e ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso criticou a atitude do governo petista diante da quebra de sigilo fiscal de tucanos. Em um artigo publicado neste domingo em jornais do país, FHC definiu a atual fase brasileira como uma “democracia virtual”, que “existe como faculdade, porém sem exercício ou efeito atual”.Fernando Henrique afirma que o “edifício” da democracia está erguido no país, “a arquitetura é bela, mas quando alguém bate à porta a monumentalidade das formas institucionais se desfaz num eco que indica estar a casa vazia por dentro”.


O ex-presidente recrimina o alto escalão do governo, que, “com a maior desfaçatez do mundo”, tenta minimizar os efeitos do escândalo e afastar interesses políticos da violação de dados sigilosos. Lembrando o dossiê feito em 2008 pelos adversários contra ele e a esposa, Ruth Cardoso, na tentativa de acusá-los de uso indevido de verba pública durante seu mandato, o sociólogo dispara: “Estamos todos felizes no embalo de uma sensação de bonança que deriva de uma boa conjuntura econômica e da solidez das reformas do governo anterior”.

O ex-presidente considera “escandalosa” a postura política tomada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha de Dilma Rousseff à Presidência, “dando ao povo a impressão de que o chefe da nação é chefe de uma facção em guerra para arrasar as outras correntes políticas”. FHC lamenta que ainda não tenha sido feito um pedido para cancelar as candidaturas beneficiadas pelo que chama de “abuso da utilização do prestígio do presidente”, que poderia levar à consolidação de uma democracia plebiscitária. “Na marcha em que vamos, na hipótese de vitória governista – que ainda dá para evitar – incorremos no risco futuro de vivermos uma simulação política ao estilo do Partido Revolucionário Institucional (PRI) mexicano – se o PT conseguir a proeza de ser ‘hegemônico’ – ou do peronismo, se, mais do que a força de um partido, preponderar a figura do líder”.

Oposição – No artigo, Fernando Henrique chega a reconhecer equívocos da oposição: “Pode ter havido erros de marketing nas campanhas oposicionistas, assim como é certo que a oposição se opôs menos do que devia à usurpação de seus próprios feitos pelos atuais ocupantes do poder. Esperneou menos diante dos pequenos assassinatos das instituições que vêm sendo perpetrados há muito tempo, como no caso das quebras reiteradas de sigilo”. O texto afirma que, nestas eleições, “estamos decidindo se queremos correr o risco de um retrocesso democrático em nome do personalismo paternal (e, amanhã, quem sabe, maternal)” e finaliza afirmando que há tempo para derrotar o “passo atrás" no caminho da institucionalização democrática: “Eleição se ganha no dia”.

domingo, 5 de setembro de 2010

Em busca da felicidade II – Por Magali e Carlos

* Magali de Figueiredo Esmeraldo
* Carlos Eduardo Esmeraldo

Confesso que a primeira vez em que eu ouvi falar em Tomé-Açu, as bases da minha estrutura emocional balançaram. Estava há dois meses em Belém, trabalhando no setor de orçamento e licitação da Engenorte Ltda, uma construtora paraense, especializada em obras de saneamento. Foi numa manhã de um sete de setembro, quando eu assistia ao desfile militar do sesquicentenário da nossa independência, no 12° andar do prédio onde funcionava o escritório da empresa. Terminado o desfile, o dono da construtora veio ao meu encontro e comunicou que eu iria gerenciar a obra de pavimentação primária de uma estrada entre Tomé-Açu e Paragominas. E laconicamente me disse que eu viajaria no dia seguinte. Aconselhou-me viajar de barco, para melhor apreciar as belezas da mata amazônica. O mesmo barco que iria conduzir os tratores, caminhões e demais equipamentos necessários ao desenvolvimento dos trabalhos.

Na verdade, o barco não era bem um barco, mas um barulhento rebocador, com uma cabine coberta, como se fosse um coxo, onde havia dois estrados nas laterais. Saímos às oito horas da noite, de modo que não foi possível apreciar as belezas da selva amazônica. Assim também, como foi difícil conciliar o sono, com o barulho ensurdecedor do motor do rebocador.

Cheguei a Tomé-Açu pela manhã. Era uma cidade triste, às margens de um rio bastante largo, com construções simples, todas elas de madeira e repleta de rostos orientais. Fiquei sabendo que ali era a terra da pimenta do reino, plantada em grande quantidade pela colônia de japoneses e seus descendentes, radicados no Pará há mais de trinta anos.

No hotel, indicaram-me um certo Osamu, nissei de voz macia e muito simpático, ao qual contratei seus trabalhos de transporte numa Kombi, enquanto não chegava uma picape que serviria para meus deslocamentos.

Osamu conhecia tudo na região. Depressa me mostrou os locais do município, composto por duas vilas: Quatro Bocas da Jamic, onde ficava o aeroporto, a sede da cooperativa dos plantadores de pimenta, a igreja e o padre italiano, com o qual depressa fiz amizade. A outra vila seria Quatro Bocas do Breu, onde ao lado da estrada eu escolhi o local para montar o acampamento.

Enquanto Carlos trabalhava para economizar um pouco para alugar e comprar os móveis da nossa casa, eu terminava meu curso de História em Crato. Para amenizar as saudades, escrevíamos todos os dias um para o outro. Dávamos muito trabalho aos carteiros. Contávamos os minutos e os segundos para chegar esse tão esperado dia. Tínhamos certeza que nossa união ia ser para a vida toda. Seria muito bom que todos os casais pensassem assim, pois haveria menos separações.

Depois de três meses de trabalho em Tomé-Açu, solicitei cinco dias de licença para casar, aproveitando o feriado de oito de dezembro, o final de semana e os dias necessários à nossa viagem. Para minha surpresa, o meu chefe me liberou até o dia vinte de dezembro e me deu a passagem aérea até Fortaleza, como presente. Após nosso casamento, chegamos a Quatro Bocas do Breu no dia 18 de dezembro e no dia seguinte fomos a Belém, pois tinha que participar da licitação de uma obra.

Quando chegamos a Quatro Bocas do Breu, um pequeno povoado no meio da Floresta Amazônica, que pertencia à cidade de Tomé Açu, no Pará, eu fiquei emocionada ao pisar pela primeira vez na casinha branca, toda de madeira, que seria o nosso lar. Após seis dias de casados, três dos quais enfrentando a longa viagem de Crato a Tomé Açu, foi um alívio chegarmos para vivenciar a nova etapa de nossas vidas. Tudo era novo para mim, que chegava ali pela primeira vez. Carlos já estava há seis meses trabalhando e, foi ele que organizou nossa morada. Tudo muito simples, pois ele não sabia até quando ficaríamos ali. Está ainda bem nítido na minha memória como era a casa e o que tinha dentro dela. Uma cozinha com um fogão de quatro bocas e um pequeno armário de madeira rústica, construído lá mesmo. Um pote com água e uma quartinha, pois não havia energia elétrica. A energia chegava só a noite, de um motor da Construtora Engenorte e as luzes se apagavam as nove horas da noite. A sala tinha uma mesa feita também com madeira local envernizada de amarelo e quatro tamboretes. Havia um banheiro. No canto da sala tinha a escadinha que subia para o nosso quarto. Os móveis do quarto eram no mesmo estilo dos da sala. Simples e rústicos. Um guarda roupa e uma cama de casal. Carlos tinha um rádio de pilhas que não pegava durante o dia, somente à noite. Tínhamos também uma radiola portátil de pilhas e alguns discos e livros.

Embora tivéssemos recebido muitos presentes de casamento: pratarias, bandejas de inox, bomboniere, nada disso iria servir para essa vida que levaríamos. Por isso ficaram guardados no Crato, na casa de meus pais.

Havia um único armazém na vila, que era composta por uma pequena rua de casas, que cortava a estrada em cruz, daí a origem do nome Quatro Bocas. O interessante é que no dia seguinte à nossa chegada, fomos abastecer nossa casa nesse armazém. Nele compramos panelas, pratos, talheres, copos e produtos alimentícios. O armazém era muito sortido, quase um mini-mercado dos dias de hoje. Seu proprietário era um japonês muito simpático que também era dono da casinha de madeira onde morávamos.

Mesmo morando nesse pequeno povoado da Floresta Amazônica, vivendo com simplicidade e tendo que tomar toda semana remédios para evitar a malária, eu e Carlos aceitamos a nova vida e enfrentamos os desafios para fazermos a felicidade um do outro. Isto nos provou que podemos ser felizes na simplicidade. A verdadeira felicidade não vem das coisas materiais, do conforto, mas sim do amor, do respeito, da compreensão, da união, do diálogo e da confiança em Deus.

Carlos trabalhava todos os dias e folgava apenas no domingo à tarde. Mas vinha almoçar em casa. Nas tardes de domingo saímos passeando pelos igarapés (riachos), e muitas vezes ele me ensinava a dirigir. Aproveitávamos para ir à missa numa outra vila próximo a Tomé-Açu. Às vezes o padre italiano passava filmes antigos no salão paroquial. Para um lugar que não tinha televisão, mal pegávamos as rádios, era um ótimo programa.

Quando eu ainda estava em Crato, Carlos trabalhando em Tomé-Açu, ele me contou que viu uma onça grande atravessando a estrada em plena selva. Intensifiquei minhas orações pedindo a Deus que o livrasse de todos os perigos. Quando já estávamos casados, o horário dele chegar em casa era sempre seis horas da tarde. Um belo dia, ele teve que atravessar o Rio Capim para acompanhar os trabalhos da estrada próximos a Paragominas, e não pode chegar cedo, nem tinha com me avisar, pois não havia telefone. Passou do horário em que ele costumava chegar. E eu fiquei muito preocupada, pensando ter acontecido alguma coisa, pois já eram nove horas da noite. Chorava e fazia minhas orações pedindo a Deus que Carlos estivesse bem, pois naquele momento estávamos começando a construir nossa vida a dois, em busca da felicidade. Para a minha alegria, Deus ouviu minhas preces e logo ele chegou são e salvo.

Não havíamos completado um mês que nós dois morávamos nessa casinha, quando começaram as chuvas. Chovia tanto, e com tanta intensidade, como jamais eu havia visto na minha vida. Nossos trabalhos foram paralisados, pois até os tratores atolavam no lamaçal em que se transformou o solo paraense. Foi então que recebi pelo malote uma ordem para me apresentar com urgência à direção da empresa em Belém. Pensei que fosse um aviso de demissão. Mas quando lá cheguei, fui convidado para almoçar com o meu chefe em seu apartamento. No final do almoço fui informado que a obra de Tomé-Açu ficaria paralisada até julho e seriamos transferidos para outra estrada em Goiás. Outra viagem, novas aventuras.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo e Carlos Eduardo Esmeraldo

Padarias Espirituais no Cariri - Emerson Monteiro

Recebemos do jornalista e escritor Franco Barbosa um e-mail informando que, nesta segunda-feira (06 de setembro de 2010), chegarão ao Cariri 12 toneladas de livros encaminhados de Brasília por Elmano Pinheiro Rodrigues. Esse material se destina às bibliotecas comunitárias de Juazeiro do Norte, aos assentamentos do Crato e às bibliotecas comunitárias de Mauriti, Barbalha, Araripe e Antonina do Norte CE, dando seguimento ao projeto das Padarias Espirituais iniciado por Elmano Rodrigues em todo o Brasil.
A proposta de Elmano é incentivar a preservação da memória das personalidades locais nas comunidades onde elas viveram e prestaram serviço, as quais, com o passar do tempo, ficariam esquecidas na memória social, adotando seus nomes para as novas bibliotecas fundadas por ele. Um dos exemplos que apresenta: Abelardo Arrais, líder no distrito de Quincuncá, em Farias Brito, o qual, para resgatar memória e obra do líder, realizou na localidade a instalação do que considerar uma padaria espiritual, referência ao movimento literário cearense do final do século XIX, em Fortaleza, capitaneado por vários intelectuais, dentre os quais o escritor Antônio Sales. Tinham preocupação idêntica, de fomentar o gosto pela leitura no seio da grande população, através de constantes atividades de divulgação das obras literárias.
No seu ofício profissional, Elmano Rodrigues se movimenta com desenvoltura junto às editoras e autoridades, tanto na Capital Federal quanto no Sudeste do Brasil, reunindo por doação livros e conseguindo o transporte destes aos lugares mais distantes que sejam do território brasileiro.
Os livros são adquiridos junto a ministérios, editoras, universidades e secretarias, sobretudo no Distrito Federal.
Para iniciar uma padaria espiritual, ele oferece a primeira cota de 500 livros, aos quais depois virá reunir novas publicações, a depender do interesse de quem se dispuser a levar em frente o trabalho inicial.

Coletivo promove oficina de formação para novos integrantes


Umas das exigências para ser do Coletivo Camaradas é estudar sobre arte numa perspectiva histórica e social. O grupo desenvolve um trabalho de arte que envolve a compreensão da arte relacionada com a estética, política, cultura e educação.


Os Camaradas visando agregar novos integrantes e possibilitar o entendimento das idéias defendidas pelo Coletivo realizará no período de 16 a 18 deste mês, no auditório do Centro Cultural do Araripe, no Crato, a Oficina “O que é o Coletivo Camaradas?”.


A oficina tem como objetivo abordar temas como a história do coletivo, arte e marxismo e o papel político do Coletivo Camaradas. Além das abordagens teóricas e informativas serão realizadas intervenções urbanas, na qual os participantes poderão vivenciar um pouco do fazer e pensar artístico do grupo.


As ações vivenciais serão desenvolvidas pelos artistas Ricardo Campos, Marlon Torres, Fatinha Gomes, Amanda Priscila e Edival Dias.


A estudante Janaina Felix, integrante do Coletivo, destaca a importância da oficina para aproximação com o próprio universo da arte. Ele frisa “defendemos que a arte faça parte da nossa vida”.


A atriz Sâmia Xavier enfatiza que o coletivo não faz arte pela arte, mas uma arte política, com um aspecto revolucionário. “Esse talvez seja o nosso diferencial e fazemos questão de mostrar”, ressalta a atriz.


O artista e acadêmico do curso de Artes Visuais da Universidade Regional do Cariri, Ricardo Campos diz que a sua motivação em participar do Coletivo é a idéia de discutir e propor ações nas periferias. Ele comenta ainda que é importante a ponte feita pelos Camaradas em propiciar o dialogo da arte contemporânea com o povo.


A oficina é direcionada para as pessoas que tenham interesse em ingressar no Coletivo. As inscrições poderão ser efetuadas pela internet, basta enviar um e-mail manifestando o seu interesse para coletivocamaradas@gmail.com


Serviço:
Oficina “O que é o Coletivo Camaradas?”
Dias 16 e 17 de setembro, das 18h30 às 21h00
Dia 18, das 8h00 às 12h30
Local: Auditório do Centro Cultural do Araripe
Informações adicionais:
(88)99772082

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O bobo não é palhaço




Bufão! Que culpa tem o palhaço? Alegre, colorido, corajoso e capaz de encantar gerações e multidões com suas ações risíveis.

Não entendo que culpa tem o nosso personagem universal. Creio que nenhuma. O palhaço é mesmo isento de ser punido por proclamar o riso. Ele decreta a palhaçada sem nenhum protocolo. O nosso riso não perpassa por regras, vem espontaneamente, nem precisamos comprar nem vender o riso.

Mas calma, nem sempre é assim a história. Ainda tem muito bobo da corte, rondando os palácios das elites econômicas, não os confunda com os palhaços. Os palhaços merecem respeito, deixemos jorrar a palhaçada, o povo quer rir com a alegria que humaniza.

Deverás não posso ser amigo do rei, portanto não posso ter um bobo da corte, também não quero ter um guardião parasita, tipo esses bobos da corte. Esses bufões são escudeiros dos seus interesses, só querem ser corte. Cortejam para lá e para cá, rezam todos os dias pelo aumento do peso dos seus bolsos. Esses bobos são uma patota de espertalhões. Ainda têm muitos que são os bobos tapiocas mudam de lado quando as coisas esquentam ou fracassam.

A origem dos bobos da corte tem início no período medieval, nome dado ao serviçal da Monarquia responsável por entreter os reis e rainhas, uma espécie de bajuladores de plantão, coisa muito típica ainda na contemporaneidade. Acredito que seja possível que existam cursos profissionalizantes de bajulação, com carga horária eterna.

Creio que a palhaçada está liberada, apesar de ainda existirem muitos bobos da corte, que nada te a ver a alegria do povo. Mas quem será o rei, neste tempo de decadência de reinados? É difícil identificar, mas ele vem sempre com um discurso de ordeiro, imparcial e de defesa da sua propriedade capital. Cuidado, os reis estão soltos e os seus bobos ainda os fazem rir.

Salve a palhaçada!



Alexandre Lucas

Pedagogo, Artista/educador e Coordenador do Coletivo Camaradas

Mestre et Blaget – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Quando eu trabalhava na Engenorte Ldta, uma construtora de Belém que construía a estrada São João d’Aliança/Alto Paraíso em Goiás, eu e Magali recebíamos mensalmente a visita do senhor Orlando Machado, um dos diretores daquela construtora. Ele ia inspecionar os trabalhos todos os meses e ficava dois ou três dias hospedado em nossa casa. À noite, após o jantar, o senhor Orlando contava muitas histórias. Algumas ficaram retidas na minha memória. Tentarei narrar uma delas, embora já transcorridos quase trinta oito anos de quando escutei aquelas histórias.

Na década de 1930, havia no Rio de Janeiro, então capital do país, uma grande loja de um francês denominada “Mestre et Blaget”. Numa manhã de sábado, um cidadão engravatado, com sotaque estrangeiro, procurou comprar um cadilakc, último modelo. Ao ser informado pelo gerente da loja que o preço era 150 contos de réis, solicitou efetuar o pagamento com um cheque do Banco do Brasil.

Tudo ajustado, o carro foi entregue por volta do meio dia. Ao chegar ao hotel, estacionou o carrão na frente da portaria e desceu para pegar a chave do apartamento onde estava alojado. No balcão da recepção havia um telegrama urgente, procedente de Buenos Aires. Ao ler, o hóspede, presumivelmente um argentino, procurou imediatamente o gerente e lhe mostrou o telegrama, dizendo: “Veja esse telegrama. Acabei de comprar aquele cadilakc que está lá fora. Conforme o senhor pode ler, eu deverei estar em Buenos Aires segunda-feira às oito horas da manhã, para assinar um contrato de um grande empreendimento, sob pena de ter de pagar uma multa contratual de hum milhão de dólares caso eu não compareça na hora marcada. Irei agora mesmo para o Aeroporto para conseguir um vôo urgente. Para que meu prejuízo não seja maior, eu lhe ofereço o carro por cinqüenta contos de réis”. O gerente respondeu que iria pensar e antes dele sair para o aeroporto lhe daria uma resposta.

Quando o hóspede subiu ao seu apartamento, o gerente telefonou para loja Mestre et Blaget contando a inacreditável história daquele hóspede que queria lhe vender um carro novíssimo, saído da loja, por apenas cinqüenta contos de réis. Como todos poderiam supor o cheque não deveria ter fundos. Infelizmente a agência do Banco do Brasil estava fechada. Naquela época, os bancos abriam aos sábados até o meio dia. Mesmo sem ter certeza, o gerente da loja acionou a policia, que resolveu prender o estrangeiro. No momento da prisão ele protestou, dizendo que tinha de estar em Buenos Aires na segunda-feira às oito horas da manhã, sob pena de ser multado em hum milhão de dólares. Não havia crime algum em vender um carro por cinqüenta contos, embora o tivesse adquirido por um preço três vezes maior. Mas ninguém deu ouvidos às ameaças de processo judicial por perdas materiais e danos morais que aquele estrangeiro fazia.

Na segunda-feira, o gerente da loja Mestre et Blaget foi com um delegado de polícia até a agência do Banco do Brasil. Ao solicitar ao gerente do banco se o cheque possuía fundos, se surpreendeu com a resposta de que na conta daquele cliente havia fundos para mais de dez cheques naquele o valor.

O Delegado e o comerciante foram imediatamente à prisão para soltar o cliente. O gerente da loja solicitou-lhe mil pedidos de desculpas pelo mal entendido. E o argentino afirmou: “Não haverá desculpas. Perdi um milhão de dólares e sairei daqui para procurar um advogado e abrir um processo judicial contra vocês todos.”

Antes de contratar o advogado, o cidadão com sotaque argentino foi ao hotel e encontrou outro telegrama lhe informando que ele não havia comparecido no horário previsto e seria multado em um milhão de dólares, que deveriam ser pagos antes do final da semana.

Resumindo a história: não somente o cheque possuía fundo, como também existiam o contrato, o projeto do empreendimento e a empresa contratante, com endereço certo e funcionamento legalizado perante as leis argentinas. Tudo foi devidamente apurado pela justiça e a Mestre et Blaget teve de pagar uma indenização de mais de um milhão de dólares. Quase quebrava e teve de mudar o nome. Passou a se chamar Mesbla S/A unindo as iniciais do nome antigo. A partir daí cresceu, teve lojas espalhadas por todo Brasil, inclusive um escritório de vendas no Crato, até década de 1950.

Anos depois, constatou-se que tudo não passara de um grandioso golpe montado com precisão de detalhes em todas as suas ações por uma quadrilha internacional.

Se a Mesbla sobreviveu a requintados golpistas internacionais e se tornou um gigante do setor de serviços, infelizmente sucumbiu sessenta anos depois com o advento do chamado Plano Real. Não somente a Mesbla, mas as Casas Pernambucanas, o Mappin e tantas outras grandes cadeias de lojas desapareceram com o advento da auto-regulamentação do mercado implantada por políticas neoliberais.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Nota do Autor: Em 03 de setembro de 2008 fiz minha primeira postagem no Blog do Crato por intermédio de seu editor Dihelson Mendonça. Com o presente texto completo cem postagens de minha autoria realizadas nos blogs do Cariri.