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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Olhem eles aí de novo! - José do Vale Pinheiro Feitosa

Um final de tarde num escritório de uma Agência Estatal. Aqui no Rio. Uma amiga da velha luta democrática, com cargo no governo, declara que votará nulo, advoga a derrota da Dilma, abomina o Serra, mas não vê na sua atitude nenhuma aliança com ele. Na cabeça dela. Na prática ela faz parte de um amplo movimento de classe média para derrotar o PT e dar passagem ao PSDB. Depois farão oposição ao PSDB? Entre um chope e outro.

Qual a questão desta mulher professora universitária com pós-doutorado? Algo impressionantemente banal: ela imagina que a classe média é quem financia os impostos do país e quem paga toda a conta dos pobres e não leva nada. Isso nela, imagina no resto todo pagando plano de saúde caro, escola privada caríssima, seguro contra roubo do seu carro, símbolo de progresso pessoal e assim por diante.

Outra cena. Uma cidade da periferia de San Francisco, visito uma família de classe média naquele típico subúrbio americano: jardins sem muro e quintal para fazer churrasco. O dono da casa com a corda no pescoço, ficou desempregado meses, acabou com as reservas para a aposentadoria digna, teve que receber ajuda do pai, deve uma montanha da casa própria, apavora-se com a incapacidade de não ter plano de saúde, o pagamento da faculdade da filha toma-lhe a margem de segurança, não existe qualquer alternativa e tudo lá funciona na base da grana.

A questão deste americano é a mesma dos brasileiros lá de cima. O “sonho americano” para a classe média morreu. Eles agora precisam de proteção, de algo que substitua o “sonho” por um lastro de segurança como previdência social, garantia de emprego, renda e saúde pública. Acontece que os sócios do “sonho” que se tornaram fortes com o Estado, os grandes capitalistas, se bandearam para o Global, abandonaram os patriotas e foram montar suas fábricas e gerar empregos na China e em toda a Ásia. O americano dizia: aqui não se produz mais nada. Tudo vem de fora. Viramos um país do setor terciário.

Abrindo as páginas de notícia, as manifestações correm soltas na Europa. Por lá, em crise, desmontam o “estado de bem estar social”. Diminuem subsídios sociais, acabam os sistemas previdenciários, diminuem direitos, cortam o dinheiro que ia para o bolso do aposentando e para o salário das pessoas. Na França a rebeldia é tão ampla que os defensores ideológicos do “fim dos direitos sociais” estão temerosos que as “medidas” não vinguem. Os que estes advogam é o mesmo que a professora lá de cima se revolta: direitos sociais só para gente muito pobre. A classe média que se mantenha com as próprias pernas.

Um artigo de um economista francês anda nesta linha. É o fim da picada até a revolução francesa e o advento da universalidade do direito, um tapa olhos sobre a visão da res publica e o que mais temiam: a retorno do fragmento da comunidade. Só que comunitarismo algum sobrevive por si mesmo, tende à fusão e o caminho histórico é o retorno à unidade em torno de “feudos”.

Por incrível que parece, até nas eleições brasileiras o norte aponta para o retorno da época medieval. Feudalismo restabelecido dos retalhos da urbanidade fragmentada. Quem viver verá.

Abaixando o discurso teremos de volta os “neobobos”; os “vagabundos”; os “dinossauros” a semântica de cortar salários, a demissão incentivada e deixar o funcionalismo oito anos sem reajuste da inflação com o artifício fácil de vender estatais e o patrimônio nacional.

Em mensagem, Dilma não diz que irá vetar projetos sobre aborto

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, se negou a dizer que irá vetar projetos referentes ao aborto na "mensagem" assinada hoje pra tentar acalmar o "mundo evangélico". No meio da semana, Dilma foi cobrada por 51 representantes de igrejas evangélicas a assumir o compromisso de vetar qualquer projeto aprovado no Congresso "contra a vida e valores da família".

Segundo líderes evangélicos que discutiram o texto com a candidata, a petista assumiu o compromisso de colocar a promessa no manifesto.


Na carta que será distribuída em templos e igrejas, Dilma repete declarações feitas ao longo da campanha, como ser "pessoalmente contra o aborto", não encaminhar nenhuma legislação referente ao tema ao Congresso e defender a "manutenção da legislação atual sobre o assunto", que só permite a prática em casos de estupro e risco de morte para a mãe.

Coordenador evangélico da campanha dilmista, o bispo da Assembleia de Deus e deputado Manoel Ferreira (PR-RJ) reconheceu o recuo, mas minimizou a falta do compromisso no documento.

"Ela assumiu solenemente o compromisso [de veto] apesar de não estar na carta. O mais importante é esse compromisso de que esses temas serão tratados pelo Congresso e nunca pelo Executivo. Acho que esta muito bem colocado e esse é o compromisso dela conosco ela não vai voltar atrás. A maior importância é a convicção do candidato", disse.

Antes de ser candidata, Dilma defendia abertamente a descriminalização da prática --o fez, por exemplo, em sabatina na Folha em 2007 e em entrevista em 2009 à revista "Marie Claire".

Depois, ao longo da campanha, disse que pessoalmente era contra a proposta. Hoje, diz que repassará a discussão ao Congresso.

FATURA
A fatura evangélica apresentada à candidata na quarta-feira exigia dela uma posição contrária sobre casamento homossexual, adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo e regulamentação da função de profissionais do sexo, além da defesa da liberdade religiosa.

O documento não cita diretamente a polêmica em torno da união civil entre homossexuais e opta por compromissos genéricos em relação a outros temas-tabus sustentando que, se eleita, não pretende promover "nenhuma iniciativa que afronte à família".

Na carta, Dilma afirma que se o projeto que criminaliza a homofobia, o chamado PLC 122, for aprovado no Senado, o "texto será sancionado nos artigos que não violem liberdade de crença, culto e expressão". O temor dos cristãos é que o projeto impeça sermões e pregações contra homossexuais.

Sobre o PNDH 3 (3º Plano Nacional de Direitos Humanos), que causou polêmica por tratar do aborto, legalização da prostituição e defender que hospitais conveniados ao SUS façam operação de mudança de sexo, entre outros pontos, Dilma diz que o programa é uma "ampla carta de intenções" e que está sendo revisto. Dilma diz ainda que a família será o foco de seu eventual governo e que defende a liberdade religiosa.

Após forte reação, o governo tirou do programa, em maio, pontos como a revisão da lei que pune quem se submete ao aborto.

Fonte: Folha de S. Paulo

Sensus mostra Dilma com 52,3% e Serra com 47,7% dos votos válidos

Levantamento foi realizado entre os dias 11 e 13 de outubro.
Margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos para mais ou para menos.

Pesquisa Sensus divulgada nesta quinta (14) pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) mostra Dilma Rousseff (PT) com 52,3% dos votos válidos e José Serra (PSDB) com 47,7%. Para se chegar aos votos válidos são excluídos os eleitores que dizem votar em branco ou nulo e os indecisos.

O levantamento foi realizado entre 11 e 13 de outubro e ouviu 2 mil pessoas em 136 municípios. O registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é de número 35.560/2010. A margem de erro do levantamento é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Em votos totais (que incluem os brancos, nulos e os indecisos), Dilma tem 46,8% e Serra 42,7%. Neste cenário, os candidatos estariam empatados tecnicamente no limite da margem de erro. Os eleitores que disseram votar branco ou nulo foram 4% e os que não souberam ou não responderam foram 6,6%.

A pesquisa mostra que a rejeição a Dilma é de 35,4%. No levantamento de setembro, era de 32,6%. No caso de Serra, era de 40,2% e agora é de 37,5%.

O levantamento de outubro mostra que ainda há mais expectativa da vitória de Dilma. Para 59,6% dos entrevistados a petista vencerá a eleição, enquanto 29% acreditam no triunfo de Serra.

A pesquisa mostra que 62,2% dos entrevistados assistiram aos programas do horário eleitoral gratuito do segundo turno, que começaram na sexta-feira (8). Entre estes, 52,5% acham o de Dilma melhor e 47,5% preferem o do tucano.

O levantamento afirma que 72,9% dos entrevistados dizem já ter definido o voto. Dos entrevistados, 92,7% pretendem comparecer para votar, enquanto 3,9% talvez irão e 2,7% não irão. Foram 0,8% os que não responderam a esta pergunta.

Para o diretor do instituto Sensus, Ricardo Guedes, as denúncias sobre o escândalo da Casa Civil que derrubou a então ministra Erenice Guerra já vinha tirando votos de Dilma nas últimas semanas do primeiro turno. Na avaliação dele, o debate sobre o aborto e as acusações contra a petista feitas pela internet retiraram os votos que impediram a vitória de Dilma no primeiro turno.

Regiões -  O diretor do Sensus, Ricardo Guedes, ressalva que Dilma mantém a liderança na Região Norte, mas o instituto reúne os dados desses Estados com os da Região Centro-Oeste, onde Serra disparou na frente da petista. Segundo o Sensus, o tucano lidera nas regiões Norte/Centro-Oeste com 45,7% contra 40,7% de Dilma.

Guedes destacou a virada de Serra no Sul, onde ele desponta com 56% das intenções de votos contra 36,4% da petista. Em setembro, antes do primeiro turno, essa diferença era de apenas cinco pontos porcentuais. No Sudeste, Serra lidera com uma margem muito apertada: ele aparece com 44,7% contra 43,3% para Dilma.

Há um mês, ela aparecia com 52,1% contra 36% do tucano. Segundo o Sensus, a candidata petista mantém-se à frente, entretanto, na Região Nordeste, onde aparece com 60,7% das intenções de votos, o tucano cresceu sete pontos, alcançando 31,1% nesse segundo turno.
A pesquisa mostrou que 30,9% dos eleitores assistiram pelo menos parte do debate do último domingo na TV Bandeirantes, o primeiro da campanha do segundo turno. Na avaliação de 54,7% desses eleitores, Dilma venceu o debate. Para 45,3%, o vencedor foi Serra.

Fontes: G1 e Diário do Nordeste

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária

Dia 15, sexta-feira

Música - V FESTIVAL BNB DA MÚSICA INSTRUMENTAL
18h30 Txaimus (PE) 60min
19h50 Grupo Tieto (PE) 60min

História/Patrimônio - TRADIÇÃO CULTURAL
Local: Centro Administrativo Municipal Antônio Xavier de Oliveira (Juazeiro do Norte)
19h30 Apresentações dos melhores repentistas do Brasil na 6ª edição do FESTIVAL NACIONAL DE VIOLA E POESIA. Organização: Silvio Grangeiro. 240 min.

CENTRO CULTURAL BANCO DO NORDESTE - CARIRI
Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte - Ceará - CEP: 63030-210
Tel: 88- 3512 2855 fax: 88 3511 4582

FHC desafia Lula para uma conversa 'cara a cara' após fim de mandato

Principal alvo de críticas do PT no programa eleitoral, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso desafiou nesta quinta-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma conversa "cara a cara", quando o petista "puser o pijama".

Dizendo-se vítima de mentiras, FHC disse que Lula foi mesquinho ao não reconhecer o legado do PSDB e assumir a paternidade da estabilidade da moeda.

"Estou calado há muitos anos ouvindo. Agora, quando o presidente Lula vier, como todo candidato democrata eleito, de novo, perder a pompa toda, perder o monopólio da verdade, está desafiado a conversar comigo em qualquer lugar do Brasil. No PT que seja", discursou FHC.

Segundo FHC, não é para enumerar as ações de cada governo. "É para ter firmeza, olhando cara a cara do outro, ver dizer as coisas que diz fora do outro. Quero ver o presidente Lula que votou contra o real, que fez o PT votar contra o real, dizer que estabilizou o Brasil. Não precisa disso. Lula fez coisas boas, que reconheço. Agiu bem na crise atual, financeira. Para que, meu Deus, ser tão mesquinho? É isso que eu quero perguntar para ele. Por que isso, rapaz? Você pegou uma boa herança. Usou. Aumentou. E o Serra vai usar as duas. Vai usar as duas. Vai fazer mais."

"Não vamos ficar de mesquinharia, não. O que for bom vai continuar. Começamos as bolsas. Por que o Serra não vai aumentá-las? Aqueles que necessitarem. Não bolsa política, não."

Ao defender o concurso público, ele disse que o presidente do PT, José Eduardo Dutra, entrou na Petrobras sem concurso público, durante o governo militar.

"Eles querem os apaniguados. Nós queremos a meritocracia. Cada um vai ter que se esforçar e será recompensado pelo o que fez. Não queremos um Brasil de preguiçosos, não queremos um Brasil de amigos do rei, não queremos um Brasil de companheiras tipo Erenice."

Em discurso a integrantes do PSDB, FHC chamou a petista Dilma Rousseff de duas caras e negou que tenha pregado a privatização da Petrobras, como a candidata acusou no debate da Band:

"Agora, vêm falar que eu queria privatizar a Petrobras. Quem é esse [Sérgio] Gabrielli para falar isso comigo, meu Deus? Fui presidente da República. Ele tem que me respeitar", afirmou FHC, dizendo que foi processado por ter defendido a Petrobras. "Perdi uma cátedra."

Ele atacou o aparelhamento político da Petrobras. "A Petrobras perdeu já 20% de valor de mercado sob a batuta dessa gente porque o mercado percebeu agora, custou mas percebeu, que tem ingerência política."

Ao falar das acusações do PT, FHC disse que os adversários "estão muito nervosos" por causa do segundo turno. "Caíram da cadeira. Nunca imaginaram que iriam ao segundo turno. O Lula sempre foi para o segundo turno. Por que a Dilma não iria? Só que agora ela vai às cordas com o nosso voto".

No evento organizado pelo PSDB de São Paulo --mas sem a presença de José Serra-- FHC acusou o PT de uso político da máquina pública e mais uma vez, disse que não passou a mão na cabeça de aliados, de "aloprados".

Tomando o cuidado de afirmar que o pijama seria transitório, FHC sugeriu uma conversa entre os dois, a exemplo das visitas que fazia a Lula em São Bernardo do Campo.

"Presidente Lula, terminadas as eleições, quando você puser o pijama, não sei o que vai por, o que vai fazer, será bem recebido. Venha ao meu instituto. Vamos conversar cara a cara", disse.

Ao falar das acusações contra Serra, alfinetou: "Não venham com história. O nosso candidato é homem de palavra, de coragem. Chega a ser turrão. Não fica mudando de opinião só para ter voto, não."

Fonte: Folha de S. Paulo

Oposição 'transfere' ódio para Dilma, afirma Lula

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje à noite que seus opositores transferem o ódio que sentem contra ele para a candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff.

Num comício em Ananindeua (PA), em que estava ao lado de Dilma, ele também comparou sua candidata a outros políticos brasileiros e criticou indiretamente seu antecessor no cargo, Fernando Henrique Cardoso.

Segundo Lula, as acusações contra Dilma são feitas por "uma parte da elite que não se conforma de um torneiro mecânico, sem diploma universitário, fazer mais do que eles".

"Uma [mesma] parte da elite que fazia essas acusações a Ulisses Guimarães em 1974, quando ele foi candidato de oposição ao [Ernesto] Geisel, [o] mesmo discurso contra Tancredo Neves, quando foi para o Colégio Eleitoral", afirmou.

Lula não disse exatamente a que críticas se referia.

No palanque, além de candidatos e governadores eleitos pela base governista, estava o senador Magno Malta (PR-ES), apresentado como "pastor evangélico".

"Faziam essas acusações a mim em 1989, em 1994, fizeram em 2002, fizeram em 2006. Daí pensei: agora acabou, eu não sou mais candidato, não vão fazer mais. E estão fazendo contigo a mesma coisa que fizeram comigo, que fizeram com Getúlio [Vargas], com João Goulart e que fizeram com Juscelino [Kubitschek]", afirmou o presidente.

"Eles estão transferindo para você [Dilma] o ódio que eles acumularam contra mim."

Lula lembrou um "presidente que viajava o mundo à procura de um título de 'doutor honoris causa'" e que "terminou o mandato sem fazer uma única universidade neste país", em referência indireta a FHC. "Querem é interromper a continuidade de um processo vitorioso."

O presidente cometeu diversas gafes que provocaram risos na plateia de milhares de pessoas. Dentre elas, chamou o Pará de Paraná, o município de Rondon do Pará (PA) de "Redondo do Pará" e a governadora Ana Júlia Carepa (PT), que disputa a reeleição, de "governador".

Antes, Dilma, que o acompanhava no comício, fez um discurso no mesmo tom.

Disse que "eles" --em referência clara à campanha de José Serra (PSDB), seu rival na disputa pelo Planalto-- querem "disseminar o ódio".

Ela contrapôs esse sentimento a outro, supostamente típico dos brasileiros, "um povo que prefere o amor e repudia o ódio", e disse que o governo tucano deixou o "Brasil de joelhos".

Fonte: Folha de S. Paulo

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Que avancem as alas. José do Vale Pinheiro Feitosa

O filme do Brasil tem os seguintes atores e enredo: uma ala formada por três grupos: a) rentistas, agronegócios, indústria e serviços; b) abrangendo a classe média tradicional, c) um terceiro grupo formado pela cultura compondo mídia e diversão e a outra ala formada por: a) operários e prestadores de serviço; b) camponeses; c) uma camada dispersa no limite da pobreza. A primeira ala corresponde a mais ou menos 20 a 30% da população e outra ao restante. O país criou um enredo político em que a primeira ala tem progresso e se reproduz na linha familiar de uma geração a outra, enquanto a segunda estagnou, migrou para as cidades e vive num caldeirão de violência, sobrevivência, sem proteção política, sem esperança, especialmente, no país e nos políticos e por tabela nas autoridades e governantes.

O golpe militar de 1964 está na raiz da manutenção deste enredo ao não barrar o progresso desta ala maior da população. O modelo é tão autônomo que mesmo com as eventuais boas intenções dos planos de desenvolvimento do período militar, os investimentos só melhoraram e sustentaram a vida da primeira ala e nada modificava da segunda ala. E, no entanto, a sociedade se endividou para isso, mas o Milagre Econômico só o foi para os que tradicionalmente já estavam no projeto de nação na primeira.

Mesmo com esta direita mais raivosa e que tem ódio de classe, que junta toda a segunda ala num só momento de crítica, a política e a sociedade sempre tomou consciência de que era preciso superar a dicotomia deste enredo. Que era preciso criar um projeto nacional que desse progresso à maior parcela do país, até para que ele se tornasse um entre político de atuação mundial. Aliás, com a insensibilidade do “meu pirão primeiro” não se dava conta, não era incomum que a classe média tradicional ao viajar ao exterior percebesse como mal vistos éramos em termos de justiça social. O lema é: o Brasil é um dos países mais injusto do mundo. Ali existe uma concentração de renda absurda e uma pobreza descomunal.

O Mobral, as frentes de fronteira agrícola, alguma coisa de reforma agrária, bancos de desenvolvimento, entre outras coisas foram tentativas contínuas, desde os anos trinta que não cessaram com o militares a tentar superar este enredo. Acontece que era preciso cessar o enredo, descomprimir o progresso da segunda ala e ajustar a primeira ala sem desorganizá-la, mas igualmente migrando da “preguiça” de viver às custas da sociedade como um todo e passar a ser protagonista de outro jeito.

A migração da preguiça para grupo “a” da primeira ala é acabar com vício de viver de juros, ser mais ousado em investimento produto, aceitar um jogo mais democrático no campo dos investimentos públicos o que significa, afastar o jogo familiar e partidário dos bancos de investimento, dar mais ênfase ao investimento em desenvolvimento social, quebrar o jogo do extra em obras públicas e principalmente pagar mais impostos.

Ao grupo composto pela classe média tradicional é brigar pela melhoria do sistema de saúde pública universal, pelo ensino público de qualidade, por segurança pública, por sistemas previdenciários de remuneração mais alto ao invés de tentar uma porta de saída pelos Planos de Saúde, pela escola privada, pelas “milícias” privadas e previdência privada (o que não exclui necessariamente a existência destas instituições, mas não como norte político). O resto é tomar consciência que numa sociedade de massa é preciso mais infra-estrutura do que a existente para as dimensões de apenas 30%: transporte urbano, trens, portos, aeroportos etc.

Ao grupo da cultura, especialmente esta meia dúzia que controla a mídia e as diversões entender: que o Estado não pode continuar a sustentá-los com verbas e empréstimos subsidiados, que é preciso democratizar a comunicação, é preciso descentralizar os meios e as escolhas para as cidades do interior. Não é possível que a sociedade continue financiando os Chateaubriand, Marinhos, Civitas, Frias e Mesquita para que estes apenas se perpetuem no seu negócio sem compromisso com todos.

Este é o drama do país desde o golpe militar e mesmo após a redemocratização, mas após esta tem um veneno acelerar o processo: a própria constituição a dar liberdade, garantir saúde e educação tem forçado sucessivos governos a destravar o progresso da ala mais pobre da sociedade. O Collor adotou até prédios emblemáticos da escola de tempo integral. Mesmo Fernando Henrique Cardoso tendo sido assolado por um neoliberalismo açodado, teve que considerar isso e o CPMF, apesar de irritar muita gente, foi uma manifestação disso, além do lado brilhante de Ruth Cardoso, que se diga foi muito mais aguda nesta questão que o Presidente.

O “Lula Paz e Amor” vai deixar muita saudade. Ele tentou ampliar o progresso dos pobres e conseguiu muitos tentos, muito mais que os governos passados, tentou sem passar o rodo na primeira ala, mas tem sido alvo de um ódio de classe crescente, oriundo de setores da classe média tradicional, da área da cultura, especialmente a mídia tradicional e nichos do grupo “a” da primeira ala, especialmente localizados em alguns estados, que vêm que o futuro estar a exigir novas práticas no grupo.

O José Serra, que vem da tradição política progressista, adotou de vez este ódio de classe. Tornou-se o grande e poluído Tietê de todas as mágoas, pensamentos irracionais e um ódio que todos os dias se manifestam nas ruas de São Paulo contra os nordestinos que “ergueram tantas coisas mágicas” naquela cidade e naquele estado. A idéia que é o “Paz e Amor” foi destroçado: que agora é ir para o pau.

Isso é tão verdade que os blogs mais progressistas hoje amanheceram com tremendas apreensões sobre esta “onda fascista”. Quadros do PT estão fazendo uma análise nervosa, frustrada, com um medo tremendo de tudo degringolar. Não raro surgem pensamentos mágicos, os pitaqueiros quase gritam sobre a qualidade do programa da Dilma. Monitoram imagens do programa, têm uma análise para a manhã e para a tarde.

E a política onde se encontra? O Lula moveu a regra do enredo, abriu uma brecha por onde a segunda ala tem esperança no progresso. Então, é aí que o curso da história, este que aos trancos e barrancos vem sendo superado, às vezes a passos miúdos tem que ter voz na campanha. É preciso afastar os golpistas, os nervosos, os atordoados dar a voz das ruas, voz ao povo que pretende um futuro melhor: seu filho na faculdade, seu neto andando de avião, sua neta podendo brilhar na platéia do mundo. Pense em que ter uma previdência universal para quem tem ou não carteira assinada. Tenha ou não contribuído, pois a riqueza ao final é a mesma e só haverá o que comer no futuro se no futuro tenha alguém comprometido a alimentar quem já não tem mais força para plantar.

Agora o jogo político não é de esperar que a primeira ala ceda algo para alguém. Especialmente não ficando batendo boca com quem destila veneno. As glândulas peçonhentas irão secar após o pleito, seja qual for o resultado. Se não cessarem levarão pau. O jogo é manter o desfile, que a segunda ala avance na avenida. Faça o seu desfile. Mostre que igual àquela bazófia americana da classe média do voto em Bush não vive sem os “mexicanos”. Vejam o filme: o dia que os mexicanos desapareceram. A avenida está ocupada, é apitar para que a bateria toque e que o passo da dança da verdadeira apoteose siga.

Ibope diz que Dilma tem 49% das intenções de voto e Serra 43%

Considerando apenas os votos válidos, Dilma tem 53%, contra 47% de Serra

O Ibope divulgou ontem (13) pesquisa encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Estado de S. Paulo que mostra a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, com 49% das intenções de voto para o segundo turno.

O candidato do PSDB, José Serra, aparece seis pontos atrás, com 43% das intenções de voto. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais. Votos brancos e nulos somaram 5%, e 3% dos eleitores se disseram indecisos.

Considerando apenas os votos válidos, Dilma tem 53%, contra 47% de Serra.

O Ibope ouviu 3.010 eleitores entre segunda-feira (11) e hoje. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 35660/2010.

Fonte: Agência Brasil através de O Povo

Dilma tem 48% e Serra, 40%, diz Vox Populi

Se considerados apenas os votos válidos, Dilma venceria a eleição com 54,5%. Serra teria 45,4%

Pesquisa Vox Populi/iG, divulgada nesta quarta-feira, 13, mostra a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, oito pontos à frente de José Serra, do PSDB, na disputa do segundo turno. Dilma tem 48% das intenções de voto contra 40% de Serra.

A pesquisa tem margem de erro de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos. Votos brancos e nulos somaram 6%. O total de eleitores indecisos também foi de 6%, segundo o Vox Populi.

Se considerados apenas os votos válidos, Dilma venceria a eleição com 54,5%. Serra teria 45,4%.

O Vox Populi entrevistou 3 mil eleitores entre os dias 10 e 11 de outubro em 214 municípios do país.

Fonte: O Povo

Imagem do Chile sai fortalecida após resgate, dizem analistas

da BBC Brasil


A imagem do Chile e do presidente do país, Sebastián Piñera, deve sair fortalecida após o resgate dos 33 mineiros que passaram mais de dois meses soterrados numa mina, segundo analistas chilenos e de outros países da América do Sul ouvidos pela BBC Brasil.

"Mais de um bilhão de pessoas viram, no mundo inteiro, o resgate, que é uma história de sucesso. Acho que o fato reforçará a imagem do Chile como um país competitivo e que se levanta rápido diante da adversidade", disse o analista chileno Ricardo Israel, professor de ciências políticas da Universidade Autônoma do Chile.

Mas em sua opinião o poder de influência do Chile é "limitado" pelo seu tamanho e "localização geográfica". O Chile tem cerca de quinze milhões de habitantes e registrou um terremoto histórico, em fevereiro passado, pouco antes da posse de Piñera.

Atualmente, a expansão da economia chilena supera as expectativas para este ano. O Chile é o único país da América do Sul a fazer parte da OCDE, clube dos países ricos.

"Dificilmente o Chile terá maior influência do que já tem na região e no mundo. Na América Latina, não é o Chile, mas o Brasil que tem o maior peso no cenário mundial", disse Israel.

FINAL FELIZ
Para analistas chilenos, argentinos, bolivianos e paraguaios, o sucesso do resgate fortaleceu a imagem do Chile como um país competente.

"Acho que o Chile aproveitou bem o desafio que viveu para intensificar sua imagem de país sério, capaz de enfrentar grandes problemas", disse o analista paraguaio Francisco Capli, da consultoria First Análisis y Estudios, de Assunção.

Na visão do argentino Vicente Palermo, pesquisador do Conicet (Conselho Nacional de Pesquisas Cientificas e Técnicas), os chilenos souberam "descolar" a imagem do país da que foi deixada pelas empresas do setor de minério, após o desastre.

"Foram as empresas que ficaram com a imagem negativa, ligada à falta de segurança para os trabalhadores. O Chile apareceu como país capaz de resgatar os mineiros de forma brilhante", disse.

Para ele, o Chile deixou a imagem de "união, solidariedade e alta competitividade".

Na opinião de outro analista argentino, Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nova Maioria, o resultado do resgate fortalece a imagem do Chile no mundo.

"Até agora, o Chile tinha demonstrado ao mundo seu sucesso econômico. Para o PNUD, este é o país da América Latina com maior desenvolvimento humano (IDH). Para as classificadoras de risco, o mais confiável da região. E agora prova sua capacidade para enfrentar e superar suas desgraças com eficiência e rapidez", disse Rosendo.

Na opinião do analista boliviano José Luis Galvez, da Equipos Mori, o resgate representou o "renascimento de 33 mineiros e a excelente administração da opinião pública".

"Esta história de sucesso deverá fortalecer ainda mais a imagem do Chile no exterior e aumentar imagem positiva do presidente Piñera", afirmou Galvez.

A Bolívia, como o Chile, é um país com forte produção de minério. Para Galvez, o Chile vai exportar a tecnologia de resgate que inventou para outros países mineiros.

"A realidade daqueles 33 mobilizou muitos bolivianos. Mobilizou o mundo inteiro. E mostrou a excelente relação entre Chile e Bolívia na era de Piñera", disse. O presidente Evo Morales (convidado por Piñera) esteve na saída da mina São José, onde um dos mineiros era boliviano.

PIÑERA
A trajetória do presidente Piñera é de um empresário bem sucedido e com a imagem ligada, segundo analistas locais, à de administrador. Mas ele não é definido, pelos especialistas, como um presidente popular.

Piñera assumiu a Presidência em março e registra popularidade similar aos votos que recebeu, quando eleito, como recordou Ricardo Israel. A expectativa é que sua popularidade suba após este episódio.

"Piñera se envolveu pessoalmente neste resgate. Quando o acidente ocorreu este não era um problema do Chile, mas de uma empresa, dona da mina. Se tivesse dado errado, ele seria responsabilizado pelos mortos. Mas deu certo", afirmou Israel.

Desde que a odisseia dos mineiros começou, há mais de dois meses, o ministro de Mineração, Laurence Golborne, registrou maior popularidade que Piñera. Num artigo, publicado no jornal La Tercera, o analista Patrício Navia, disse que Piñera deve transformar este "capital de alegria" do resgate em "poderoso impulso para sua agenda de governo".

Navia recordou que, em setembro, Piñera contava com 53% de aprovação, segundo pesquisas da Adimark. Mas que 67% deste total eram do setor ABC e 48% das classes D e E. Para o analista, o novo "capital político", a partir do resgate dos mineiros, deverá ajudá-lo a melhorar estas características de imagem.

"Mas desde que a celebração (caso exagerada) não ofusque o gol magistral feito por seu governo", escreveu.

Fonte: Folha de São Paulo

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária

Dia 14/10, quinta-feira

Música - V FESTIVAL BNB DA MÚSICA INSTRUMENTAL
19h30 Abanda (CE) 60min

CENTRO CULTURAL BANCO DO NORDESTE - CARIRI
Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte - Ceará - CEP: 63030-210
Tel: 88- 3512 2855 fax: 88 3511 4582

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

PROGRAMAÇÃO DA GUERRILHA DO ATO DRAMÁTICO CARIRIENSE 2010


A MAIOR AGENDA DE ESPETÁCULOS DO NORDESTE BRASILEIRO!!!

2ª GUERRILHA DO ATO DRAMÁTICO CARIRIENSE
TEATRO RACHEL DE QUEIROZ
DE 5 A 27 DE NOVEMBRO DE 2010
CRATO - CARIRI - CEARÁ


LUTA E AFIRMAÇÃO

Criada em 2009 pela Sociedade Cariri das Artes / Cia. Cearense de Teatro Brincante e Sociedade de Cultura Artística do Crato, Pontos de Cultura do Brasil, consorciadas com grupos e companhias de teatro e dança atuantes na região, a Guerrilha do Ato Dramático Caririense é um dos mais importantes projetos de inclusão e afirmação cultural em artes cênicas do interior nordestino, consolidado que está como instrumento de valorização, incentivo e desenvolvimento das artes no Cariri cearense, fortalecendo-o, inclusive, como destino turístico-cultural.

Com esse espírito, realizamos, de 07 a 22 de novembro de 2009, a “1ª Guerrilha do Ato Dramático Caririense”. Foram 16 espetáculos reunindo cerca de 3.000 espectadores de todas as idades, revelando a vitalidade das artes cênicas e o potencial de plateia caririenses.

A edição de 2010, que ocorrerá de 5 a 27 de novembro, terá a participação de 43 espetáculos de teatro e dança realizados por 25 companhias, todas do Cariri, sempre dois por noite, às 19h00min e 20h30min, nas modalidades palco à italiana e arena, além de dois shows musicais e performances circenses.

Estima-se que o evento mobilize um público de cerca de 5.000 pessoas, entre conterrâneos e visitantes, prestigiando e reconhecendo a dramaturgia e a encenação produzidas na região como fortes elementos identitários do povo caririense, cearense e nordestino.


DEFESA DA IDENTIDADE CULTURAL

A cultura brasileira tem se afirmado pela diversidade. O Nordeste, e nele o Cariri cearense, se destaca como emblema cultural resultante de intenso caldeamento de influências, notadamente a ibérica, a africana e a ameríndia, iniciado nos tempos de colonização das terras brasileiras pelos portugueses.

Entretanto, atualmente, forças midiáticas movidas pelo interesse econômico privado e alimentadas pela ideologia hegemonista do grande capital internacional ferem cruelmente o direito à livre existência da pluralidade de linguagens e tendências artísticas e culturais, na tentativa de estabelecer a estética do consumo capitalista como única via de comportamento intelectual e material.

Em meio a essa avalanche destruidora, a resistência de afirmação da identidade popular tem se dado pela bravura de grupos alternativos, reforçados por programas públicos de desenvolvimento cultural e parcerias com entidades de classe, sempre almejando oportunidades de crescimento profissional, geração de renda e difusão dos símbolos culturais que identificam o povo e sua história.


APOIO

Secretaria de Cultura do Município do Crato
Governo Municipal do Crato
Secretaria de Cultura do Estado do Ceará
Governo do Estado do Ceará
Ministério da Cultura – Programa + Cultura / Cultura Viva
Centro Cultural Banco do Nordeste - CCBNB Cariri / Banco do Nordeste
Governo Federal
Circo-Escola Alegria / Projeto Circo do Sopé
Centro de Ativação Cultural Poeta Cego Aderaldo
Coletivo Camaradas
SATED-CE
Imprensa
Blogues


PROGRAMAÇÃO

05 (sexta):

17 h - PROCISSÃO DE ABERTURA com a participação do Circo-Escola Alegria, grupos, atores e brincantes seguindo da Praça 3 de Maio até a Praça da Sé, onde haverá o SHOW DO ALÉM, COM LUIZINHO BREGA STAR E AS MAGRECITAS
18 h - Abertura da exposição 25 ANOS DA CIA. TEATRAL LIVRE MENTE, Teatro Rachel de Queiroz, Crato-CE

06 (sábado):
19h00min - Palco: CONTOS DE BRUXAS (Infantil, 60min), Cia. Teatral Arriégua, Crato-CE
20h30min - Arena: ESPERANDO COMADRE DAIANA (12 anos, 60min), Cia. de Teatro Livre Mente, Juazeiro do Norte-CE

07 (domingo):
19h00min - Palco: DONA PATINHA VAI SER MISS (Infantil, 60min), Cia. Teatral Anjos da Alegria, Crato-CE
20h30min - Arena: DENTRO DA NOITE ESCURA (12 anos, 60min), Cia. de Teatro Livre Mente, Juazeiro do Norte-CE

08 (segunda):
19h00min - Palco: PLUFT, O FANTASMINHA (Infantil, 50min), Grupo Centauro de Teatro, Crato-CE
20h30min - Arena: DIZpedaçadas (Livre, 40min), Alunas do Curso de Licenciatura em Teatro da URCA, Crajubar-CE

09 (terça):
19h00min - Palco: LAMPIÃOZINHO (Infantil, 50min), Cia. Yoko de Teatro, Crato-CE
20h30min - Arena: AVENTAL TODO SUJO DE OVO (12 anos, 70min), Grupo Ninho de Teatro, Juazeiro do Norte-CE

10 (quarta):

19h00min - Palco: O MISTÉRIO DO BOI MANSINHO (Infantil, 80min), Comunidade Oitão de Teatro, Juazeiro do Norte-CE
20h30min - Arena: A VINGANÇA DO FINADO JOAQUIM (Livre, 40min), Cia. Teatral Anjos da Alegria, Crato-CE

11 (quinta):

19h00min - Palco: O MACACO SABIDO (Infantil, 50min), Cia. Kanoistraveizdinovo, Jati-CE
20h30min - Arena: A COMÉDIA DA MALDIÇÃO (Livre, 70min), Cia. Cearense de Teatro Brincante, Crato-CE

12 (sexta):

19h00min - Palco: O BARQUINHO (Infantil, 50min), Grupo Centauro de Teatro, Crato-CE
20h30min - Arena: BRASEIRO (12 anos, 50min), Cia. Yoko de Teatro, Crato-CE

13 (sábado):

19h00min - Palco: O REINO MALUCO DE BRANCA DE NEVE (Infantil, 50min), Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, Juazeiro do Norte-CE
20h30min - Arena: CEARÁ, GENTE QUE RI (Livre, 55min), Cia. Arte e Cultura, Crato-CE

14 (domingo):
19h00min - Palco: POR CAUSA DE VOCÊ (Livre, 50min), A2 Cia. de Dança, Crato-CE
20h30min - Arena: DESMISTIFICANDO TABUS (14 anos, 50min), Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, Juazeiro do Norte-CE

15 (segunda):
19h00min - Palco: UMA ÚLTIMA VEZ (14 anos, 60min), Cia. Arte e Cultura, Crato-CE
20h30min - Arena: ESPERANDO GODOT (12 anos, 15min), Cia. Os Dois de Teatro, Juazeiro do Norte-CE

16 (terça):

19h00min - Palco: A GATA BORRALHEIRA (Infantil, 50min), Grupo Forma e Expressão, Crato-CE
20h30min - Arena: O PECADO DE CLARA MENINA (Livre, 60min), Cia. Cearense de Teatro Brincante, Crato-CE

17 (quarta):

19h00min - Palco: HISTÓRIAS DO TEMPO DA MAMÃE (Livre, 60min), Grupo de Teatro Curumins do Sertão, Farias Brito-CE
20h30min - Arena: RETRATO (Livre, 50min), Cia. Yoko de Teatro, Crato-CE

18 (quinta):

19h00min - Palco: A COMÉDIA DA MALDIÇÃO (Livre, 60min), Grupo de Teatro Curumins do Sertão, Farias Brito-CE
20h30min - Arena: CABORÉ (Livre, 50min), Cia. Desabafo de Teatro, Juazeiro do Norte-CE

19 (sexta):
19h00min - Palco: AS IRMÃS CASTANHOLAS (12 anos, 60min), Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, Juazeiro do Norte-CE
20h30min - Arena: NÃO CULPA ELES, CULPA NÓS (12 anos, 50min), Cia. Kanoistraveizdinovo, Jati-CE

20 (sábado):
19h00min - Palco: PÁSSARO DE VOO CURTO (Livre, 60min), Cia. Entremeios de Teatro, Juazeiro do Norte-CE
20h30min - Arena: BODAS DE SANGUE (12 anos, 50min), Grupo Centauro de Teatro, Crato-CE

21 (domingo):
19h00min - Palco: AMARRAS (Livre, 40min), Dakini Cia. de Dança, Juazeiro do Norte-CE
20h30min - Arena: NUDEZ SEM CASTIGO (14 anos, 50min), Grupo Centauro de Teatro, Crato-CE

22 (segunda):
19h00min - Palco: O VELÓRIO SHOW (12 anos, 60min), Cia. dos Sem, Juazeiro do Norte-CE
20h30min - Arena: ITINERÁRIO ALÉM DO PONTO (Livre, 40min), Cia. Armadilhas Cênicas, Crato-CE

23 (terça):
19h00min - Palco: UM AMOR DE PALHAÇO (Livre, 50min), Cia. Yoko de Teatro, Crato-CE
20h30min - Arena: CURTÍSSIMAS (12 anos, 60min), Alunos do NEET / SESC e Comunidade Oitão de Teatro, Juazeiro do Norte-CE

24 (quarta):

19h00min - Palco: SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO (12 anos, 60min), Turma do Curso de Formação em Teatro - CCBNB 2010, Cariri-CE
20h30min - Arena: BURRA, NÃO É NADA DISSO QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO (Livre, 60min), Allysson Amâncio Cia. de Dança, Juazeiro do Norte-CE

25 (quinta):

19h00min - Palco: O HÓSPEDE (12 anos, 60min), Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, Juazeiro do Norte-CE
20h30min - Arena: TERREIRO DE HISTÓRIAS (Infantil, 50min), Cia. Armadilhas Cênicas, Crato-CE

26 (sexta):
19h00min - Palco: ARMADILHAS (Livre, 40min), Cia. Armadilhas Cênicas, Crato-CE
20h30min - Arena: NAS GARRAS DO CAPA-BODE (Livre, 35min), Cia. Wancilu’s Gat Produções, Crato-CE

27 (sábado):
16h00min às 17h30min - BUZU-TEATRO (Livre, ônibus trecho Juazeiro do Norte / Crato), Comunidade Oitão de Teatro, Juazeiro do Norte-CE
Teatro Rachel de Queiroz - Arena:
19h00min - Seminário: Teatro Brasileiro Caririense
20h30min - Entrega de Certificados e Outorga do Troféu Juscelino Leal Lobo Júnior
21h30min - LIFANCO, COM O SHOW VALORES CULTURAIS


Crato-CE, 13 de outubro de 2010.


Cacá Araújo

Coordenador Geral
(88) 8801.0897 / (88) 9960.4466 / (88) 3523.7430 / (88) 3523.2168

Raízes da violência - Emerson Monteiro

Vive-se período extremo de criminalidade violenta, isso em todo o mundo, com ênfase nos países mais atrasados, dentre eles o Brasil e toda a América Latina. Antes, o motivo alegado se voltava para as revoluções, na época da chamada Guerra Fria.

Hoje, qualquer motivo preenche as justificativas das convulsões sociais, desde a delinquência juvenil ao tráfico de drogas, passando pelos bolsões de pobreza e guerras tribais, lutas raciais, onde o padrão da cultura indica descompasso, perversidade e miséria.

Houve tempo quando era mais fácil encontrar as razões da insegurança. O atraso das mentalidades, as conquistas coloniais, disputas imperialistas, domínio das terras, fanatismo religioso. Tudo servia de pretexto, no decantado anseio do homem lobo do próprio homem. Ou de querer a paz e se preparar para a guerra.
Acham as autoridades que o problema se revolverá mediante a ampliação dos órgãos de segurança, aquisição de armamentos, modernização e ampliação das penitenciárias, maior remuneração dos efetivos policiais, etc., etc.

Contudo a questão possui raízes mais profundas. Suas causas merecem detalhamento, porquanto procedem das origens, que acumulam estudos e pouquíssimo tratamento.

Conceitos de que falta educação ao povo e que a tradição nacional dos degredados, escravos e índios, sem amadurecimento suficiente, formaram país aleijado, por si não justificam a violência das ruas, o clima tenso em que se transformou o sonho urbano.

De suas causas mais evidentes cabe citar o desemprego, sem esperança de redução para a juventude, que, todo dia, chega ao mercado de trabalho. A excessiva concentração da riqueza nas mãos de poucos, há séculos donos de bens. E a pobreza infinita das massas alienadas pela educação burguesa.

Enquanto sofre a nacionalidade esse atraso crônico na moralidade e competência dos dirigentes responsáveis pela administração pública, em todos os segmentos eles jamais se comprometem com mudanças substanciais e inadiáveis.

Como se não bastassem ditas origens, persiste, na estrutura mundial, um conceito voltado aos interesses das nações ricas, que investem pesado na manutenção do poder através dos sistemas de exploração financeira. Gastam fortunas para técnicas de preservação dos territórios da ordem injusta.

Portanto, para neutralizar o clima superlativo desse drama, cabem atitudes aos que precisam se livrar das nuvens escuras dessa história reacionária, com criatividade, maior comprometimento e participação coletiva dos grupos prejudicados, união das classes exploradas e conscientização política.

Abrir o olho e enxergar que só a educação trará mudanças significativas, após os esforços da sociedade, que será instrumento da democracia através do voto consciente que fala alto neste assunto, desde que assim pretendam os eleitores, bola da vez na decisão de cada eleição.

Os mineiros do Chile - José do Vale Pinheiro Feitosa

A semântica da distração planta sono nas nossas mentes,
Deturpa os fatos, engana, fantasia, desvia.
Os hipnotizadores da televisão chamam os mineiros de heróis.
Aqueles mesmo de pele acobreada, da cara de Índio.

A mídia que empulha, que tergiversa, que serpenteia,
Nas circunvoluções dos nossos cérebros,
Não ouve a canção de Victor Jara:

Con él, con él, con él, con él.
Son cinco minutos. La vida es eterna en cinco minutos.
Suena la sirena.
De vuelta al trabajo
y tœ caminando lo iluminas todo,
los cinco minutos te hacen florecer.”


Os mineiros do Chile não são heróis,
São mártires da ganância das mineradoras.
São vítimas da exploração que destrói gente,
Torna o deserto de Atacama num solo lunar.

De outra forma como um “herói” de 63 anos,
Desempregado, que necessita renda para sobreviver,
Permaneceu um buraco insalubre mesmo dizendo:
Aquela mina não é segura vou procurar outro emprego.

E quase vai! para o desespero de nossas indignações,
Buscar junto às asas do condor, como um Aimara nos Andes,
Sobre o torpor das consciências bêbadas de tanta mídia,
Que mija e caga na alma e muitos se acalmam como manjar.

É preciso que rebeldes construam uma “fênix” da liberdade,
Que se erga desta poeira ideológica que no pisam os comunicadores,
E da altura em que consiga voar,
Sopre para bem longe a névoa que turva a alma de todos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Somos mais que nossos preços - José do Vale Pinheiro Feitosa

Frases da idiotice acusam alguém de não valer o preço que se atribui. É que a etiqueta é da mercadoria, apenas colocada no braço dos escravos do consumo”

O pior comentário é aquele sobre algo do qual não se tem a referência. Falo de um final de filme que assisti estes dias com a Emma Thompson no papel e uma professora universitária com um câncer terminal. Não lembro o título. Está num destes canais a cabo.

As cenas que vi são um soco no estômago. De todos os modos de morrer o mais dramático e vivenciado é da doença crônica, especialmente o das neoplasias malignas. Doenças que desde o diagnóstico já condenam as pessoas à morte e que abrem uma expectativa de desespero, esperança e frustrações. O desespero do termo irremediável. A esperança de uma cura improvável, por vezes de fé, noutras alternativas e as não menos perversas dos “experimentos” científicos, além do pior de todos: aqueles para a máfia de branco ganhar dinheiro.

No filme, do momento que assisti, estava o diálogo da professora, uma grande erudita, a meditar sobre si mesma em face de sua erudição. Como tornar racional os momentos terminais quando a grande dor, esperada no seu caso, surgisse. Ela discute isso com uma enfermeira que fala das drogas que cessam a dor, irão adormecê-la, poderá provocar uma parada cardíaca, mas que será ressuscitada pois, recursos existem para tal.

A professora pede que se o coração parar não seja ressuscitado artificialmente. Assina que não quer continuar viva. E se torna, no jargão do hospital, uma sigla com a qual o paciente manifesta sua vontade. A vida continua alguns dias, na fase terminal são horas e a dor inicia.

A professora resiste à dor. Prefere manter o sofrimento, mas está exausta. A dor é demais. Chega o médico principal, acompanhado do residente e indica o uso de morfina. Estabelece-se um contraditório entre o médico e a enfermeira, incluindo os gemidos da paciente. Finalmente o médico diz: é preciso lhe dar um momento de descanso.

É feita a aplicação e ela dorme. Acorda e tem um diálogo com a jovem enfermeira e brinca com a ignorância dela com uma palavra. Depois vem o residente, enquanto a paciente dorme, e traça o perfil complexo, orgulhoso e incisivo da professora em sala de aula.

Numa cena chega uma senhora idosa para visitá-la e a encontra arrasada, mas consciente. Tem medo da morte. Sofre com a solidão de sua situação. A senhora explica que a procurou e indicaram este lugar. Diz que tinha vindo a Londres para visitar o bisneto e faz referência a recitar alguns poemas de um determinado autor. Ela pede que não e então, no mesmo ato a professora pega um livro infantil que levava para os bisnetos, senta-se na cama abraçando a amiga e começa a ler.

A história de um filho que queria se transformar em algo diferente para que a mãe não o achasse. A mãe diz que se transformará igualmente e o reencontrará. Tudo que o filho desafia em transformação, a mãe igualmente transformada lá também estará. Se ela for um passarinho, a mãe será uma árvore para que nela ele pouse. A alegoria é que a amiga sempre seria achada, na interpretação da amiga: por Deus. Ou melhor, dizendo a amiga não fazia uma viagem solitária.

A última cena é o residente encontrando a professora em parada cardíaca e acionando a equipe de ressuscitação a qual é impedida pela enfermeira. Em seguida um poema que não consigo reproduzir, mas traduz isso: a morte nos parece a vencedora sobre a vida. Ela nos ameaça, nos mostra o inexorável. Mas ao final ela é a perdedora quando já não pode mais nada quando estamos mortos.

Por isso mesmo, com todas estas mesquinharias da sobrevivência, o ser humano é sempre maior do que ele mesmo e suas circunstâncias históricas.

Uma biblioteca em cada coração - José do Vale Pinheiro Feitosa

O Elmano Rodrigues tem uma dimensão excelsa e que felizmente não é rara aos brasileiros. Ele sempre esteve na vida com senso de igualdade. Tem a alma daquelas diversas gerações que acreditam no progresso das pessoas, na autonomia do individuo e na liberdade coletiva. Ao mesmo tempo, Elmano Rodrigues, é militante. Não se resume ao tédio das tardes de fastio.

Isso que faz no Cariri com a Fundação Enock Rodrigues é coisa de gente grande. Elmano não caiu na arapuca dos azedumes regionais, que selecionam aliados como inimigos dos últimos dias. Ele não caiu na facilidade de falar mal, destratar só por que não gosta do partido, do sujeito ou da prática. Ele tem um objetivo maior. Dar razão à Fundação Enock Rodrigues que leva o nome de um morto pela intolerância política.

Isso é importante, pois muita gente se arvora em passar lições de ética e costumes aos outros com tanta raiva e mágoas que parece discursar defronte ao espelho. O Elmano Rodrigues faz um projeto síntese e que ousa experimentar complexidade. De cara tire logo a impressão que é uma piedosa distribuição de livros para os pobres. O projeto do Elmano é de desenvolvimento institucional e do indivíduo.

Vejam bem como isso é feito: numa só manobra ele envolve a Universidade com o Curso de Biblioteconomia, as Prefeituras, as comunidades e por óbvio, os indivíduos. Isso é o que fazem os grandes países. Não tornam a biblioteca apenas num depósito de livros: as livrarias não mostruários, mas as bibliotecas são uma dinâmica do saber.

Se junto a isso a escola se envolver, mesmo considerando, à distância que a biblioteca, esteja no bairro do aluno. Ao mesmo tempo se a Secretaria de Cultura desenvolver o exercício da leitura como um exercício para cidadania. A oportunidade que tem as comunidades, os pais, os jovens, os trabalhadores de transformarem o ambiente em alvo da compreensão do mundo.

Elmano Rodrigues: tenho orgulho de conhecê-lo. De encontrá-lo sem idade, com o mesmo vigor com o qual renascia no pátio do Diocesano daquele pesadelo que hoje leva o nome da Fundação.

Ao contrário do que a ignorância pensa: a vida é quem vence a morte.

Sobre Dilma pelo Ex-Marido - José do Vale Pinheiro Feitosa

Conheci Carlos Araújo e Dilma Roussef na militância do PDT nacional. O mais importante, não sou amigo deles, mas na convivência pública não eram pessoas superficiais, que fazem tipo. Acreditavam no que falavam, tinham base no que diziam e viviam para o que acreditavam. Durante a campanha eleitoral do primeiro turno não forcei a barra de ninguém sobre o voto, não pretendo fazer o mesmo agora, mas não poderei ficar omisso à onda de boatos da extrema direita envolvida no Golpe Militar de 64, na TFP e nas práticas errôneas da campanha adversária à da Dilma. Enquanto escrevia este abriu uma janela de e-mail avisando que acabara de receber um SPAM com um texto de Reinaldo Azevedo da VEJA parece que sobre o aborto. Por isso posto esta entrevista feita no Jornal O Globo com o Carlos Araujo ex-marido de Dilma:

Em casa nunca teve murro na mesa'

O advogado Carlos Araújo, de 72 anos, é só elogios à ex-mulher, Dilma Rousseff; inclusive sobre seu temperamento forte

ENTREVISTA
Carlos Araújo

casarão às margens do lago Guaíba, em Porto Alegre, as únicas reminiscências dos tempos de militância e da luta armada do casal Vanda e Max são quadros na parede com fotos do comunista Mao Tsé-Tung. A casa foi dividida pelos dois por 30 anos. Hoje, está tomada por fotos da filha dos dois, Paula, e pilhas de cartazes de propaganda da campanha da agora ex-mulher de Max, que, na verdade, se chama Carlos Araújo: Dilma Rousseff, a Vanda.

A rotina do advogado de 72 anos, que se levanta às 3h para ir ao escritório, onde defende causas de operários, em nada se parece com o glamour da vida de Dilma em Brasília. De hábitos simples, Carlos sofre de enfisema.

Vive acompanhado de dois cachorros e, atualmente, da ex-sogra, dona Dilma Jane, e de uma tia da candidata, dona Arilda. Apesar do tubo de oxigênio na sala e da proibição de fumar, não foi desautorizado pelos médicos a tomar uma cervejinha diária, “não muito gelada”.

Há dez dias, ele relembrou sua história com a ex-mulher, que acompanha da sala com dois telões de LCD — um para o noticiário e outro para os jogos de futebol.

Carlos diz que não ajuda na campanha por causa da doença, que o impede de suportar o clima seco de Brasília. A última vez que visitou a ex-mulher foi quando ela teve câncer, no ano passado. Ficou com ela uns 10 dias no início do tratamento. Em setembro, voltaram a se encontrar, quando ela esteve no Rio Grande do Sul: — Não faço nada na campanha. Gostaria muito de estar em Brasília, na retaguarda, ajudando em algo. Mas não posso.

Após a separação, no fim da década de 90, Dilma comprou um apartamento no mesmo bairro para que os dois continuassem próximos, por causa de Paula. Dilma não se casou novamente.

Carlos tem uma namorada, que diz dar-se muito bem com Dilma.

— Presidente tem essa coisa da primeira-dama. Se um dia a Dilma precisar, estarei a seu lado — diz Carlos.

Viveram 30 anos juntos e até hoje Carlos tem admiração inequívoca pela ex-mulher. O temperamento forte dela não é negado por ele. Mas “aqui em casa nunca teve esse negócio de dar murro na mesa”, diz ele sobre a fama da ex-ministra em Brasília. Em entrevista ao GLOBO, Carlos relembra o passado e diz acreditar na vitória de Dilma.

Maria Lima* e João Guedes
PORTO ALEGRE

O GLOBO: Quando e onde o senhor conheceu Dilma?

CARLOS ARAÚJO: Em 1969, no Rio, numa reunião. Ela era da Colina, e meu grupo não tinha nome. Com a fusão, virou o Var-Palmares. Ela tinha 19 anos e eu, 30. Na segunda reunião, já estava apaixonado. Um mês após, estávamos morando juntos.

Ela era linda, um espetáculo! Esse negócio que falam de amor à primeira vista, né?

O que mais chamou sua atenção em Dilma?

CARLOS: Ela ser tão jovem e tão entregue à luta política.

Uma inteligência muito forte e pujante. E sua beleza.

Que música marcou a relação?

CARLOS: Rita, do Chico Buarque.

Namorávamos, às vezes, no apartamento em que a gente ia, mas a gente não podia ficar por questão de segurança. Namorávamos em praças, bairros mais retirados. De vez em quando ali por Ipanema, Jardim de Alá.

Mas ela já era casada (com Claudio Galeno Linhares)...

CARLOS: Mas só formalmente, o casamento já estava se desfazendo, não conviviam mais, viviam foragidos.

Quando nos conhecemos, ela falou para o marido que íamos viver juntos. Eu e o marido dela ficamos amigos, militamos juntos. Ele foi para o exterior, se casou, teve filhos. Em 76, voltou e veio morar na minha casa. Eu o abriguei por um bom tempo.

Moraram os três nesta casa?

CARLOS: Eu e Dilma morávamos aqui. Ele veio com a mulher e os filhos.

Não tinha ciúmes?

CARLOS: Podia ter ciúmes de outra situação, não dele, cada um já tinha seu rumo. Sou um bom ex-marido. Falo bem da Dilma, não é? Não falo mal.

Nesses 30 anos de convivência, em que momentos ela era mais brava e mais delicada?

CARLOS: Não existe pessoa mais ou menos brava. Dilma sempre teve temperamento forte, é da personalidade dela. O que tirava ela do sério era deslealdade, falta de companheirismo, a pessoa não ter palavra, dar bola nas costas. Não sei como ela faz lá (em Brasília). Aqui em casa nunca teve esse negócio de dar murro na mesa.

Quem mandava na casa?

CARLOS: Nossos parâmetros não eram esses, de quem manda, não manda. Éramos companheiros.

Não era nosso estilo um mandar no outro. Foi uma bela convivência. Tivemos uma vida boa juntos, tenho recordação boa, não é saudade.

Como foram as prisões?

CARLOS: A dela foi em São Paulo.

Ela foi presa sete meses antes de mim. Eu estava no Rio.

Como ficou sabendo?

CARLOS: Quando ela foi presa, a primeira coisa que fiquei sabendo foi seu nome verdadeiro, que não sabia durante o ano que vivemos juntos. Naquele tempo, eles publicavam o nome, de onde era, filho de quem, logo em seguida. Soube que ela se chamava Dilma porque vi lá: filha de fulano, mineira. Até então, a única coisa que sabia dela era que era mineira. Pela regra de segurança, ninguém sabia nada de ninguém. Ela também não, sabia que eu era Carlos.

Se encontraram na prisão?

CARLOS: Fui para São Paulo.

Antes, ficamos incomunicáveis.

Era uma loucura! Tinha cartazes nas ruas, aeroportos, rodoviárias, com nossos nomes e foto escrito “procurados”. Depois que fui preso, passei por um lugar por onde ela já tinha passado, na Rua Tutoia, na tortura.

Depois fui para o Dops e para o presídio. Ela já estava no presídio, mas não nos vimos. Três meses depois, ia ser transferido para o Rio, me botaram num camburão e eu vi, de longe, que ela estava no outro camburão.

Íamos ser ouvidos no Rio e fomos para a frente do juiz. Nos abraçamos rapidamente e logo nos separaram. E só fomos nos ver de novo um ano depois, no presídio de Tiradentes, em São Paulo, onde tínhamos direito a receber visita da família juntos.

Três anos depois ela foi solta e o senhor não...

CARLOS: Sim. Ela foi a Minas, visitar os pais e veio morar nesta casa, com meus pais. Depois que fui solto, moramos juntos 30 anos.

O senhor foi para o presídio da Ilha da Pólvora..

CARLOS: Eu ficava na prisão e ela aqui. Não dava para fugir de lá, era uma ilha pequena. A gente não ficava na casa da pólvora. Só à noite. A prisão era a ilha.

Naquele momento, achava que ela ia chegar tão longe?

CARLOS: Ninguém achava, né? Não fazia parte dos projetos: ah, quero ser presidente! Não tinha ambição nenhuma. Ela queria se formar em economia e fazer política.

(Quando Lula a escolheu) Acho que ela estava no lugar certo na hora certa. E o Lula escolheu muito bem. Que presidente pode contar com uma pessoa como a Dilma, confiar cegamente que não vai ter bola nas costas? Ela tem o sentimento profundo da lealdade.

Foi difícil para ela passar por essa transformação? Plástica, cabelo, voz...

CARLOS: Não foi nenhum sacrifício.

Fui até enfermeiro dela quando fez a plástica. Dilma nunca se preparou para ser presidente e teve que encarar. A plástica foi bem, não foi aquela coisa exagerada, ela assimilou bem, acho que gostou.

E o guarda-roupa, o senhor acha que melhorou?

CARLOS: Está bom. Melhorou.

Antigamente, a Dilma era como eu. Sou atirado nas cordas. Ela também era meio atiradona mas, depois de um certo momento, ela tomou gosto. Gostou de se pintar. Gostou de se arrumar bem, de ir no cabeleireiro toda a semana, fazer as unhas.

O senhor é confidente dela?

CARLOS: Não. Sou amigo. Minha vida com a Dilma é uma vida não-política. Quando o Lula acenou para ela, ela veio conversar comigo e Paula. O que vocês acham? Ela não tinha dúvida, queria conversar. Disse que estava em condições, que ia se preparar da melhor forma possível.

Não titubeou, nem tinha receio.

Pelo menos, não revelou.

Aí veio a doença...

CARLOS: Nos pegou desprevenidos.

Quando ela falou a primeira vez, ficamos muito emocionados, sensibilizados, preocupados.

Mas ela disse: tudo indica que é benigno. Ela disse que tudo indicava que não era maligno, mas sentia energia de enfrentar a situação mesmo que fosse o pior. A gente só pensou em dar carinho e ser solidário.

Temeram pela campanha?

CARLOS: Não. Mesmo porque quando vieram os resultados, que era benigno, que era curável rapidamente, com equipe de bons médicos... Não era maligno.

Ela fez quimioterapia para cortar aquele quisto, para não se tornar maligno.

O que o senhor sente ao ver na internet que a Dilma é uma perigosa ex-terrorista?

CARLOS: É a baixaria dos que apoiavam a ditadura para prejudicá-la, para ganhar no tapetão.

O que ela tem de perigosa? A Dilma nunca pegou em armas.

Não era o setor dela.

E qual era o setor dela?

CARLOS: Era o mais político, de organizar movimentos, preparar o pessoal, fazer propaganda.

Desde quando pegar em armas é terrorismo? A gente tem orgulho do que viveu, era uma jovem corajosa, desprendida, entregando sua juventude, sua dor. Foi para a luta achando que ia morrer.

Muita coisa que fizemos foi equivocado politicamente, tudo bem. Mas isso é outra coisa.


TODOS VAMOS AO TEATRO!!!

Oi, gente!
Fiquem de olho na maior agenda de espetáculos do Nordeste!!!



A COMÉDIA DA MALDIÇÃO, Cia. Cearense de Teatro Brincante - Acopiara-CE (dia 15 de out.), Juazeiro do Norte-CE (dia 30 de out.) e Crato-CE (dia 11 de nov.).
O PECADO DE CLARA MENINA, Cia. Cearense de Teatro Brincante - dia 12 de novembro, em Crato-CE.

2ª GUERRILHA DO ATO DRAMÁTICO CARIRIENSE - de 5 a 27 de novembro de 2010, no Teatro Rachel de Queiroz (palco e arena), Crato-CE - A maior mostra do teatro cearense!!! 43 espetáculos de teatro e dança (a programação oficial será divulgada amanhã). O Cariri mostra a sua arte e reafirma sua identidade!!!

Beijos Brincantes!!!

Cacá Araújo
(88) 8801.0897 / (88) 9960.4466 / (88) 3523.7430

Juazeiro lança projeto Uma Biblioteca em Cada Comunidade

O projeto Uma Biblioteca em Cada Comunidade será lançado, no dia 15 de outubro, às 19h, no Pólo de Atendimento do Bairro João Cabral, pelo Prefeito de Juazeiro do Norte, Manoel Santana, e pelo Secretário de Cultura, Fábio Carneirinho. Na oportunidade será inaugurada a primeira Biblioteca Comunitária denominada de Padaria Espiritual Enock Rodrigues, com um acervo de mais de três mil livros. “Esta será um protótipo para as 19 bibliotecas que serão criadas pela Administração até o Centenário de Juazeiro. A Secretaria de Cultura pretende, até o final do ano, criar mais seis, nas seguintes localidades: bairros Vila Nova, Frei Damião, Parque Antônio Vieira, Sítio Gavião, ONG Juriti e Socorro”, enfatiza Franco Barbosa, Assessor Técnico da Secretaria de Cultura, autor do projeto.
Os livros foram doados pela Fundação Enock Rodrigues, através de Elmano Rodrigues, que se fará presente à abertura dessa primeira biblioteca. A seleção do acervo para cada comunidade está sendo realizada pela Empresa Junior da Universidade Federal do Ceará, com os alunos do curso de Biblioteconomia. Uma parte das 12 toneladas de livros doados pela Fundação será destinada ainda aos sítios Malhada e Assentamento 10 de Abril, em Crato, como também a comunidades de Barbalha, Antonina do Norte, Mauriti e Caririaçu.
Neste sentido, Fábio Carneirinho está convidando você e sua família para se fazer presente ao evento, e solicita a todos doação de livros para as próximas bibliotecas, não importa a quantidade, pode ser um livro e pode ser uma caixa, ou mais. Dê um presente a Juazeiro neste Centenário.

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária

Dia 12, terça-feira

CRIANÇA E ARTE - Especial Dia das Crianças

Artes Integradas - ARTE RETIRANTE
Local: Associação Comunitária Partilhando Vida - ACPVIDA (Juazeiro do Norte-CE)

8h Comemoração Dia das Crianças. Série de oficinas e brincadeiras para crianças de comunidades carentes.

10h Bibliotequinha Virtual. Instrutora: Janaina Negreiros. 240min

10h Escola de Cultura Especial (Creche São Miguel) - Visita dos alunos da Creche São Miguel ao Centro Cultural BNB Cariri.

10h30 Esculturas com balões - Cia Pirralhos (Juazeiro do Norte-CE)

Música Especial
11h Banda Tabua de Pirulito (Crato) - Com um repertório que mescla desde o que foi sucesso nas décadas de 1980, 1990 e composições próprias, a banda traz um show repleto de músicas infantis e muita alegria pra criançada. 60min

11h Pintura de Rosto - Bete Gomes (Juazeiro do Norte-CE)

12h30 Teatro Infantil: Tio G. (Juazeiro do Norte-CE). Num encontro inusitado o Clown Magic (Tio G ) encanta a platéia com sua ingenuidade, técnica e muita graça. Por meio de um show de ilusionismo e humor misturando atrapalhadas, mágicas clássicas com criações próprias. 50min.

14h Bibliotequinha Virtual. Instrutor: Gilvan de Sousa. 240min.

14h Teatro Infantil: Maria Adormecida. Grupo Marias (Fortaleza - CE) Era uma vez uma maldição e um desejo quase incontrolável de uma princesa, que não podia, mas queria ser dona de sua própria historia e para isso saiu atrás de sua quarta fada madrinha. Era uma vez uma princesa chamada Maria. 60min

15h Oficina de Arte: Arte com Dedoches.Francisco Teixeira (Juazeiro do Norte -CE) A oficina consiste na criação de personagens que ganham vida a partir da imaginação e movimentação dos dedos. 90min.

16h Teatro Infantil: Maria Adormecida. Grupo Marias (Fortaleza - CE). 60min

Historia/Patrimônio - Tradição Cultural
Local: Praça Pe. Cícero.

17h Apresentação da Banda Cabaçal da Paz (Juazeiro do Norte - CE) e do Reisado Mirim São Miguel (Juazeiro do Norte - CE). 60min

CENTRO CULTURAL BANCO DO NORDESTE - CARIRI
Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte - Ceará - CEP: 63030-210
Tel: 88- 3512 2855 fax: 88 3511 4582