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terça-feira, 16 de junho de 2009

Sua Alteza o Príncipe Dom Pedro Luiz – por Ibsen Noronha

(In memoriam)


A vida de um Príncipe tem sempre algo de legendário! O mistério que envolve o nascimento no seio de uma Família detentora de Direitos dinásticos cria expectativas para um sem-número de pessoas que conservam ideais transcendentais e inabaláveis… A morte de um Príncipe gera irremediáveis reflexões acerca da efemeridade das glórias e de tudo que é humano. A tragédia de um jovem Príncipe produz uma onda de especulações sobre o verdadeiro sentido da Vida.

Dom Pedro Luiz de Orleans e Bragança desapareceu na flor da juventude, na primavera da Vida. Nos seus poucos anos de existência procurou ser exímio em tudo que fez. Buscou desempenhar bem os seus deveres de dinasta do Trono do Brasil; e, com a discrição e o charme da alta Nobreza, defendeu e divulgou os ideais monarquistas.
Acompanhei Sua Alteza em duas viagens pela terra de seus antepassados – Portugal – e posso testemunhar seu empenho em representar a Família Imperial com brilho e grande dignidade. Aos dezessete anos representou seu tio, Senhor Dom Luiz, Chefe da Casa Imperial, em diversas solenidades de celebração dos 500 anos do Descobrimento do Brasil. A imprensa lusitana se entusiasmou com um jovem Príncipe, belo, militante e, sobretudo, piedoso, com marcada devoção a Nossa Senhora de Fátima. Pude me emocionar ao ver aquele descendente de São Luiz e São Nuno de Santa Maria ajoelhado, em oração aos pés da Imagem da Virgem em Fátima.

Evidente que um Príncipe que desassombradamente falava de Política e Religião jamais poderia deixar de entusiasmar, nestes tempos de crise e penúria moral. No Brasil, por diversas vezes, tive a honra de acompanhar mon Prince em eventos monarquistas. Suas intervenções, sempre breves, mas densas, serviam de estímulo para a defesa dos ideais de Restauração e de Moralização deste imenso Império chamado Brasil. A delicadeza de Dom Pedro Luiz para com todas as pessoas é outro aspecto inesquecível da sua personalidade. E o seu Amor pela Pátria edificava que bem soubesse observar mais esta virtude.

A Juventude não foi feita para o prazer, mas para o heroísmo! Certa vez citou esta belíssima frase de Paul Claudel. E comoveu a muitos… Eis uma verdade, uma grande verdade, que saída dos seus lábios calava profundamente nas almas. Dom Pedro Luiz foi levado jovem e não mais teremos a honra e o prazer do seu convívio. Voluntas Dei Pax nostra!Mas a sua memória será sempre lembrada com admiração e servirá de constante estímulo para grandes lutas e dedicações em prol da Monarquia.
Dizem os ingleses: the King never dies! De fato, a causa monárquica seguirá em frente e Sua Alteza, o Príncipe Dom Rafael honrará a Memória de seu querido irmão, dedicando a sua Vida a esta nobilíssima Causa, que é a Causa do Brasil. Que a Virgem Santíssima, Padroeira do Brasil, guarde Nossos Príncipes.
Ibsen Noronha - Professor de História do Direito da Universidade de Brasília. Mestre em Direito pela Universidade de Coimbra

(Transcrito do Jornal do Cariri, edição de 16 de junho de 2009)

Passeio sentimental pelas ruas do Crato (final)

Saudades da Cinelândia

Hora de voltar para casa e encerrar o passeio. O sol estava quente e fazia um calor sufocante. Bebericava a garrafinha d’água enquanto fazia o caminho de volta. Fui pela Rua Dr. João Pessoa, antiga Rua Grande. Pensei sobre a mudança dos nomes das ruas do Crato, outrora poéticas e bucólicas: Travessa Califórnia, Rua das Laranjeiras, Rua do Fogo, Rua da Cruz, Rua da Palha, Rua da Pedra Lavrada, Rua da Saudade... Agora, na sua grande maioria, as ruas homenageiam personalidades políticas que pouco ou nada tiveram a ver com o Crato.

Nas imediações do Calçadão, senti uma tristeza profunda ao ver ainda baldio o terreno que antes abrigava o prédio do antigo Grande Hotel, onde no térreo funcionava a Lanchonete Cinelândia, ponto de encontro de várias gerações de cratenses, onde se tomava um concorrido café expresso, apesar de Genésio, um dos proprietários, não ser uma unanimidade como atendente bem-humorado. Pessoalmente, nunca tive do que reclamar. Genésio, talvez em atenção ao meu pai, de quem era grande amigo, sempre me atendeu bem, até com mesura. Várias vezes, ele me dispensou de pagar o cafezinho.

A Peste Burocrática – por Pedro Esmeraldo



Dizem que quem tem os olhos fundos começa a chorar cedo. Por isso, estamos aqui relembrando do plano do governo estadual em querer tirar do centro do Crato o Parque de Exposição Agropecuária já tem como desejo de esvaziar o Crato. Essas medidas obscuras de transplante de local, tornam-se intoleráveis, visto que não dão acesso aos pobres, em comparecer aos festejos agrícolas que anualmente, comemoramos com muita ênfase e para relembrarmos os efeitos memoráveis dos trabalhos dignos e da movimentação política e social ocorrida durante os anos subsequentes.
Nós, com essa mudança não seríamos contemplados com os festejos brilhantes e passaríamos a permanecer em uma situação de tristeza e de revolta, já que, não seriamos capacitados a nos deslocar a fim de participar desse grandioso festão.
Por essa razão, estamos relembrando ás autoridades locais, pedindo que lutem e não deixem de fazer movimentos contrários com o intuito de evitar essas diabruras de pessoas maldosas que tem por finalidade esvaziar o Crato para engrandecer outro município.
As vezes, pensamos que estamos sendo dominados por políticos maliciosos que têm vontade de esfriar o movimento progressista desta cidade e ao mesmo tempo, temos a nítida impressão que querem acabar com o nosso movimento expositivo, ludibriando o povo com promessas falsas, dizendo que querem dar presente ao Crato visto que trazem verbas avantajadas, que contemplarão com grandes movimentos apreciáveis que beneficiarão ao povo.
Lembramos ao digno povo que não caia mais nas conversas loucas, pois não devemos acreditar em políticos obscuros, dizendo serem amigos, mas o seu único o objetivo é impedir a cidade crescer com equilíbrio.
Já levaram grandes bens públicos desta cidade, é preciso dar um basta nisso pois, a terrinha não pode mais suportar economicamente esse movimento sombrio que nos vem impedir e avantajar o plano ação a fim assegurar o bom desempenho do poder executivo.
Falam em melhorar o Parque de Exposição com tecnologia moderna, mas asseguramos a esses inimigos do Crato que o Parque atual tem condições de empregar meios técnicos para acompanhar o modernismo.
Ainda, queremos lembrar a esses homens astuciosos e aventureiros, que aqui, só vêem a angariar votos, tirando a nossa fatia que seria os nossos votos, deixando-nos de lado os nossos préstimos para que nos agigantem em nosso crescimento. Por isso, somos favoráveis que haja movimento satisfatório em favor do voto distrital o que seriamos favorecidos somente com os candidatos locais e evitaríamos beneficiar esses mamelucos que vêem de fora.
Voltando o assunto da exposição, nós os cratenses, mesmo sem força política, vamos lutar com o intuito de impedir que mudem de local essa exposição, visto que traria uma grande lacuna no desenvolvimento da cidade. A exposição do Crato vem de várias décadas e tem como melhorar tecnicamente sem precisar sair desta cidade e por conseguinte, continuará no ritmo de crescimento e que no futuro próximo, ela se tomará uma das maiores exposições do país.
Enquanto a expansão da URCA, lembramos aos inimigos do Crato, por trás do terreno da agronomia (UFC), há um terreno fabuloso, com cerca de doze hectares para a construção da nova URCA. Dizemos ainda que com essa medida favorável, o povo agradecerá e ao mesmo tempo, ficará satisfeito, pois o local é muito aprazível e será um local que se adaptará ao movimento estudantil das três principais cidades do cariri.
Se quiser melhorar o parque apliquem dinheiro com carinho e dêem ao Crato o que ele merece.

Passeio sentimental pelas ruas do Crato (III)

Da Rua da saudade a saudade daquela rua
Do Largo da Rffsa, depois de constatar a impecável infra-estrutura montada para o São João Festeiro, evento promovido pela administração pública, decidi ir até a feira, já há algum tempo localizada na beira do canal, a partir do Mercado Walter Peixoto. Para chegar lá fui, inicialmente, pela Rua Almirante Alexandrino, com seus armazéns de secos e molhados e o mercado velho. Lembrei do tradicional caldo de carne com tapioca que lá degustávamos, nas madrugadinhas de domingo, depois dos bailes da vida. Dobrei na Rua Nelson Alencar, no trecho onde antes pulsava a Rua da Saudade, um nome poético para uma rua que abrigava os sonhos, as lágrimas e os sorrisos das mulheres de vida fácil (que não era fácil coisa nenhuma). Quando criança, morador da Rua Cel. Raimundo Lobo, distante dois quarteirões dali, sempre pisava a calçada daquela rua, quando ia comprar pão na Panificadora Progresso, bem próximo dos restaurantes O Guanabara, de propriedade do lendário boêmio Neném, e Gaibu Centro, pertencente a Zé Taveira, primeiro empresário da noite cratense. Ontem, quando pisei naquela artéria, que nunca deixou de sangrar, senti saudade de algo que não experimentei, mas, que, no entanto, sempre sentia.

Antes de adentrar a afamada Feira do Crato, passei antes em frente aonde funcionava as boates Pilão e Aquários, respectivamente cada uma no seu devido tempo. Lembro um pouco da Boate Pilão, ambientada em decoração rústica, feita à base de palha. Mas, lembro bem do Aquários, onde, nas noites de domingo, juntamente com meu irmão Helano e os amigos Coquil e Bolinha, ia extravasar a libido característica da puberdade. Tomávamos um trago de bebida e íamos, cheios de artificial coragem, tentar arrumar namorada. No mínimo, éramos contemplados com uma dança ao som romântico de Roberto Carlos, quando aproveitávamos para um esfregão mais demorado, que, na época, chamava-se “pinada”.

A Feira do Crato
A Feira do Crato continua pujante, colorida, movimentada; mas, muito diferente daquela do meu tempo de criança. Na década de 1970, a feira do Crato ocupava as principais e centrais ruas da cidade. E em cada rua, uma especialidade da economia local. A Rua João Pessoa se dividia entre cereais, leguminosas (arroz, feijão e milho) e farinha. A Rua Senador Pompeu, na altura do já demolido prédio onde funcionou o Clube Cariri, era o espaço de comercialização de rapadura. A Rua Bárbara de Alencar, entre os Correios e o Mercado Redondo (hoje o Palácio Alexandre Arraes, sede da Prefeitura), era o “departamento” de produtos artesanais: instrumentos (enxada, foice, facas, facões), utilitários (pote, esteira, vassoura, candeeiro, cachimbo), lúdicos (bonequinhos de barro e de madeira) decorativos (flores de papel crepom) e sacros (estátuas e imagens de santo). Por trás do Mercado Redondo, a feira de frutas e pescados.

Hoje, prevalece a comercialização de produtos industrializados em série, mas os produtos artesanais ainda resistem. O que não se vê, praticamente, são os artistas populares que, outrora, animavam a feira com música, poesia e dança. Nesta última segunda-feira, por conta da programação do São João Festeiro, um grupo de forró pé-de-serra animava os feirantes. E a animação que se celebrava por conta, chamava a atenção dos transeuntes.


A música do centro da cidade
Prossegui o meu passeio, saindo da feira fui em busca do centro da cidade. Passei na loja de Amilton, que vende CDs e DVDs, além de receber pagamento de títulos e contas. Mas, além de vender discos, Amilton é uma pessoa cuja decência nos torna cativa do seu convívio.

Lembrei, então, das lojas de discos que existiam nas imediações, há mais de trinta anos, como as Lojas Primo, O Rouxinol, Nazareno e Discosom.

Naquela época reinavam soberanos, os discos de vinil (compacto e Long Playing) e a fita cassete. Eram produtos caros e considerados supérfluos. Portanto, ouvia-se música, principalmente, no rádio.

O Crato tinha duas emissoras de rádio (que ainda existem): Rádio Educadora do Cariri e Rádio Araripe do Crato. Nas tardes de domingo, um programa era líder de audiência: o Paradinha 1020, transmitido pela Rádio Educadora e apresentado por Evandro Bezerra, desfilando as vinte músicas mais tocadas na semana. Lembro de alguns dos hits daquele tempo: Bilú Tetéia, Farofa-fá-fá, Emanuela (versão de uma canção italiana), Homem com H e a minha preferida, Nuvem Passageira, de Hermes Aquino, cuja letra era mais ou menos assim:

Eu sou nuvem passageira que com o vento se vai
Eu sou como um cristal bonito que se quebra quando cai
Não adianta escrever seu nome numa pedra
Pois essa pedra em pó vai se transformar
Sou um castelo de cartas frágil como o tempo
Sou um castelo de areia na beira do mar


Difusoras de som e de sonhos
Quando sai da loja de Amilton, escutei por todo o centro da cidade o som da Rádio Centro, pertencente a Alemberg Quindins, o que me evocou as antigas difusoras existentes na pré-era do rádio local, como a Amplificadora Cratense, da qual o jornalista Huberto Cabral sabe detalhes mínimos. De uma delas, sei de uma história, que ouvi narrada da boca do próprio protagonista.

Luís Sarmento, natural de Cajazeiras, Paraíba, radicou-se muito jovem no Crato, casado que foi com dona Leda, uma das honrada filhas do senhor Zé Camilo, pessoa histórica pelo fato de ter conhecido o Beato José Lourenço, ao o qual serviu como motorista, transportando mercadorias e pessoas. O depoimento de Seu José Camilo faz parte do documentário Caldeirão da Santa cruz do Deserto, de Rosemberg Cariry, filmado em 1984.

Luís Sarmento, dono de uma amplificadora, que estava a dar-lhe prejuízo, a despeito do custo de manutenção ser mínimo, colocou-a à venda e por preço por demais proibitivo a qualquer um dos mais ricos cratenses. Queria, a todo custo, um caminhão em troca da primitiva emissora.

Só restava-lhe uma possibilidade, vender a o trambolho à Diocese do Crato, que, sabia-se bem, era a única que tinha condição de pagar tão alto valor. No entanto, era preciso provocar um alto e relevante interesse para que o senhor bispo, conhecido “mão-de-vaca”, viesse a adquirir a velha amplificadora, cujo maior valor era a sua penetração incondicional nos ouvidos e mentes dos cratenses. Não havia como fugir daquela “irradiação” se não fosse correr para o sopé da serra ou para outra paragem mais distante.

Luís Sarmento, sabendo deste importante e valioso detalhe, foi falar com o bispo. Disse-lhe que, como bom católico que era, vinha resistido a renitentes propostas dos protestantes para vender sua amplificadora, mas que a última proposta tinha sido irrecusável. Portanto, só faria negócio com os protestantes se o bispo lhe desse aval.

Fez negócio com a Diocese. Trocou dez alto-falantes, um amplificador e um microfone por um caminhão e quatro pneus.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Um passeio sentimental pelas ruas do Crato (II)


Um lugar de pessoas de bem

Da Praça da Sé, em direção ao centro, pode-se seguir em várias direções. Ou à esquerda, passando pela Rua Pedro II, atravessando canal do Rio Grangeiro, aonde se chega ao bairro São José, local do ciclópico e centenário Seminário São José. Ou indo em frente, aonde se chega à Praça Siqueira Campos, a “Boca Maldita” cratense, e, ato contínuo, à principal artéria comercial do Crato, a Rua João Pessoa, que, por sua vez, dá acesso ao bairro Vila Alta.

Fiz a opção de seguir à direita da Praça da Sé, pois pretendia chegar até o Largo da Rffsa, onde hoje está erguido um pólo de lazer e entretenimento, o Centro de Referência Cultural e Turística do Araripe. Fui com o propósito de conhecer a cidade cenográfica que foi montada para o evento junino promovido pela administração pública, o São João Festeiro. Fui, pois, pela Rua Senador Pompeu, onde estão localizadas a Câmara Municipal e diversificadas lojas comerciais e agências bancárias. Para chegar até o Largo da Rffsa, fui pela Rua Bárbara de Alencar, passando em frente ao Crato Hotel e pela Praça Francisco Sá, que antes era conhecida como Praça da Estação. Neste local, foi erigido um dos ícones do Crato, o monumento do Cristo Redentor, semelhante, na forma, ao ícone principal da capital carioca. Na coluna do monumento, o dístico-lema da cidade: Sede bem-vindo! Nesta terra há lugar para todas as pessoas de boa vontade.

Passeio sentimental pelas ruas do Crato (I)

Aproveitei a manhã desta segunda-feira para fazer um passeio por algumas ruas do Crato. O ponto de partida foi a casa de minha mãe, na rua Cícero Araripe, bairro do Pimenta, aproveitando o fato de ter dormido lá, fazendo-lhe companhia. Nesta rua, ficam dois prédios característicos da modernidade cratense: os prédios de apartamento Serra Azul e Guimar, ambos construídos por seu João Felipe, na década de 1960, e os primeiros feitos com fins de moradia. Depois, na rua Cel. Antonio Luiz, passei em frente ao Crato Tênis Clube, reduto da elite cratense, que imita a arquitetura de tradicionais clubes da capital cearense, como o Náutico e o Ideal. Seguindo em frente, em direção ao centro da cidade, tem-se uma sucessão de lugares históricos ou representativos. Inicialmente, o Campus do Pimenta da URCA e o Hospital São Francisco, cujo prédio, agora em reforma, data da década de 1940. Em seguida, a Praça Alexandre Arraes que durante toda a segunda metade do século XX foi o aprazível Parque Municipal, espaço de grandes eventos culturais, esportivos e de entretenimento, a exemplo das memoráveis partidas de futebol de salão e dos saudosos festivais de música, na Quadra Bicentenário, e do Salão de Outubro, sob os frondosos oitizeiros. Em um mesmo quarteirão, apinham-se o Colégio Santa Teresa e sua bucólica capela, o Palácio Episcopal e a casa onde funcionou o Senado da Câmara do Crato, famosa por ter sediado o julgamento do caudilho Pinto Madeira, por conta da revolta absolutista de 1831. Em seguida, descortina-se, imponente e majestosamente, a Praça da Sé, no quadrilátero onde a cidade do Crato originou-se. Além do belo e histórico logradouro, este espaço detém outros pontos históricos, turísticos e sagrados, como a Catedral de Nossa Senhora da Penha, a casa da heroína e revolucionária Bárbara de Alencar, apesar de totalmente descaracterizada, a Casa de Câmara e Cadeia, construída por ordem de Dom Pedro II, em meados do século XIX, e onde hoje funcionam os museus Histórico e de Arte. Não obstante, várias casas antigas encontram-se preservadas, conservando suas belas fachadas. É um dos mais belos cartões postais do Crato.

domingo, 14 de junho de 2009

Enterro à cubana

Na foto, mais uma manifestação de crianças cubanas contra o bloqueio

Toda a família em Cuba se surpreendeu quando chegou de Miami um ataúde com o cadáver de uma tia muito querida. O corpo estava tão apertado no caixão que o rosto estava colado no visor de cristal. Quando abriram o caixão encontraram uma carta, presa na roupa com um alfinete, que dizia assim:

Queridos Papai e Mamãe, estou lhes enviando os restos de tia Josefa para que façam seu enterro em Cuba como ela queria. Desculpem por não poder acompanhá-la, mas vocês compreenderão que tive muitos gastos com todas as coisas que, aproveitando as circunstâncias, lhes envio. Vocês encontrarão dentro do caixão:
* sob o corpo, o seguinte: 12 latas de atum “Bumble Bee”, 12 frascos de condicionador e 12 de xampú “Paul Mitchell”, 12 frascos de Vaselina “Intensive Care” (muito boa para a pele - não serve para cozinhar!), 12 tubos de pasta de dente Colgate, 12 escovas de dente e 12 latas de “Spam” das boas (são espanholas) e 4 latas de “chouriço” El Miño (de verdade). Repartam com a família (sem brigas!!!)
* Nos pés de titia estão um par de ténis Reebok novos, tamanho 9 para o Joseíto (é para ele, pois com o cadáver de titio não se mandou nada para ele, e ele ficou amuado). Sob a cabeça há 4 pares de “popis” novos para os filhos de António, são de cores diferentes (por favor, repito não briguem!).
* A tia está vestida com 15 pulôveres “Ralph Lauren”, um é para o Robertinho e os demais para seus filhos e netos. Ela também usa uma dezena de sutians Wonder Bra (meu favorito), dividam entre as mulheres e também os 20 esmaltes de unhas Revlon que estão nos cantos do caixão. As 3 dezenas de calcinhas Victoria’s Secret devem ser repartidos entre minhas sobrinhas e primas. A titia também está vestida com 9 calças Docker’s e 3 jeans Lee; papai, fique com 3 e as outras são para os meninos. O relógio suíço que papai me pediu está no pulso esquerdo da titia. Ela também está usando o que mamãe pediu (pulseiras, anéis, etc).
A gargantilha que titia está usando é para a prima Rebeca e também os anéis que ela tem nos pés. E os 8 pares de meias Chanel que ela veste são para repartir entre as conhecidas e amigas, ou, se quiserem, as vendam (por favor, não briguem por causa destas coisas, não briguem).
* A dentadura que pusemos na titia é para o vovô, que ainda que não tenha muito o que mastigar, com ela se dará melhor (que ele a use, custou caro). Os óculos bifocais, são para o Alfredito, pois são do mesmo grau que ele usa, e também o chapéu que a tia usa. Os aparelhos para surdez que ela tem nos ouvidos são para a Carola. Eles não são exatamente os que ela necessita, mas que os use mesmo assim, porque são caríssimos. Os olhos da titia não são dela, são de vidro. Tirem-nos e nas órbitas vao encontrar a corrente de ouro para o Gustavo e o anel de brilhantes para o casamento da Katiuska. A peruca platinada com reflexos dourados que a titia usa também é para a Katiuska, que vai brilhar, linda, em seu casamento. Tirem tudo que lhes enviei antes que antes se dêem conta e fiquem com tudo!

Com amor, sua filha Carmencita.

PS: Por favor, arrumem uma roupa para vestir a tia para o enterro e mandem rezar uma missa pelo descanso de sua alma, pois realmente ela ajudou até depois de morta. Como vocês repararam o caixão é de madeira boa (não dá cupim); podem desmontá-lo e fazer os pés da cama de mamãe e outros consertos em casa. O vidro do caixão serve para fazer um porta-retrato da fotografia da vovó, que está, há anos precisando de um novo. Com o forro do caixão, que é de cetim branco ($ 20,99 o metro) Katiuska pode fazer o seu vestido de noiva. Não esqueçam, com a alegria destes presentes, de vestir a titia para o enterro.
POR FAVOR, NÃO BRIGUEM PELAS COISAS, POIS ENQUANTO PUDER MANDAREI MAIS. Com a morte de tia Josefa, tia Blanca caiu doente; não desanimem, logo, logo, vocês receberão mais coisas. Beijos, beijos, beijos, Carmencita.

(postado originalmente en lo 26 de julio de 2002, em Miami)

sábado, 13 de junho de 2009

Festejos juninos

Estamos no ciclo das festas juninas, que começa no Dia de Santo Antonio, 13, e culmina no Dia de São Pedro, 29.

No Cariri cearense, esse período é por demais auspicioso. Paira no ar uma aura de encantamento. O friozinho é a marca registrada, aliada à paisagem, que o inverno recente deixou verde, e às noites plenamente estreladas. Nos sítios, a exemplo de onde moro, as fogueiras já estão prontas, esperando o fogo que iluminará as noites animadas de festa.

As ruas centrais das cidades já estão enfeitadas com bandeirolas, estandartes e balões multicoloridos. As bancas de fogos de artifícios preenchem as lacunas das calçadas e esquinas. A programação oficial corre solta nas mídias, feito rabo-de-saia passando ligeiro entre pernas dos brincantes. As quadrilhas juninas ultimam os preparativos para o grande dia da apresentação que, guardadas as proporções, relembra o carnaval carioca, tanto na pândega quanto na alegoria e nos adereços.

Festejos juninos também são banquetes dionisíacos. Muitas iguarias para satisfazer o paladar e os sentidos. O milho, alimento sagrado dos ancestrais indígenas, é matéria-prima para um sem-número de pratos: bolo, canjica, pamonha, cuscuz, espigas assadas e cozidas, creme, farofa, chapéu-de-couro, fubá. A macaxeira completa a mesa com o tradicional bolo de puba, carimã (papa), sequilho, tapioca, beiju, pé-de-moleque. Nesta ágape, não podem faltar, ainda, batata-doce assada na fogueira, cocada, paçoca, vatapá, baião-de-dois com pequi, arroz-doce com canela em pó, galinha à cabidela e outras infinidades de quitutes típicos da culinária regional. Para acompanhar os pratos, bebe-se aluá, caipirinha, uma cachacinha pura e envelhecida, quentão, sangria, ponche ou então as bebidas industrializadas, mesmo.

Noite de São João, em quase todo o Nordeste, é equivalente à Noite de Natal. Comemora-se, aqui, as datas, com a mesma intensidade. O dia de São João deveria, pois, ser feriado nacional, como já o é em algumas cidades nordestinas. No caso do Crato, cujo Dia do Município, dia 21 de junho, é feriado municipal, sou favorável que este seja transferido para o dia 24. Assim, se evitaria trabalhar com ressaca ou, pior, sacrificar ou mesmo regrar a comemoração da Noite de São João.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

ATENÇAO SER DA TERRA!

Aproveite um pouco do teu tempo e vá ao youtube. Escreva http://www.youtube.com/watch?v=tCVqx2b-c7U e entre. Dedique-se à assistir ao filme simultaneamente divulgado nas salas de cinema do país. Trata-se de HOME - A NOSSA CASA - um filme de paisagens aéreas da terra. Um filme para olhares para a tua própria casa. O teu próprio universo do qual és igual. Um filme realizado pelo Francês Yann Arthus- Bertrand. Existe um versão em português de Portugal. Assista, debata e divulgue.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Aí tem coisa...


Manobra da base aliada do Governo impede – mais uma vez – instalação da CPI da Petrobras por falta de quorum

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Os senadores da base aliada do governo esvaziaram a sessão da CPI da Petrobras, nesta quarta-feira, e conseguiram adiar mais uma vez a instalação da comissão. Sem o número mínimo de seis senadores presentes à sessão, o presidente em exercício da CPI, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), encerrou os trabalhos sem instalar a comissão.
Dias, autor do pedido de criação da CPI, disse que a oposição estuda recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que a comissão seja instalada caso os governistas insistam em boicotar os trabalhos. "Cabe-nos medida judicial para que o STF possa determinar a instalação dessa CPI, já que há jurisprudência formada. O tribunal já firmou jurisprudência que CPI é direito da minoria, e esse direito está sendo cerceado", afirmou.

terça-feira, 9 de junho de 2009

"Ninguém sabe o duro que dei" – por Reinaldo Azevedo


Imperdível, caros leitores, por uma coleção de motivos, o filme Ninguém Sabe o Duro que Dei, dirigido por Claudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal, que relata a ascensão e queda! - do cantor Wilson Simonal. Há muito mais ali do que o simples relato da trajetória de um ídolo brasileiro, de raro talento, que caiu em desgraça. O que se vê na tela é a exposição detalhada de como uma máquina de difamação ideológica pode destruir uma carreira, apagar uma história, eliminar um pedaço da memória cultural do país. E não posso deixar de pôr isto aqui, já no primeiro parágrafo: a fita traz depoimentos dos cartunistas Ziraldo e Jaguar, que eram do Jornal O Pasquim, que ajudou a destruir Simonal. Levem suas crianças (acima de 10 anos), como fiz, para vêr também esses dois senhores. É um bom pretexto para que o digam: " O papai (ou mamãe) promete jamais falar tanta asneira mesmo que visitado por aquele velhinho alemão... "Se algumas pessoas são para nós norte moral, essa dupla é o sul. Já chego lá.

Negro, filho de uma empregada doméstica, saído literalmente da pobreza, Simonal se tornou um dos mais populares cantores brasileiros. Até aí, vá lá, a estupidez também pode render aplauso. Acontece que ele era bom. Muito bom. Um dueto com Sarah Vaughan ou sua habilidade em reger um coro de 30 mil vozes no Maracanãzinho dão algumas pistas do seu talento. Fragmentos de entrevistas e shows, habilmente costurados no documentário, revelam um homem inteligente, chegado ao cinismo e à auto-ironia. E, vê-se ao longo do filme, não era do tipo chegado ao coitadismo, ao vitimismo, ao pobrismo, a mascarar deficiências técnicas com sua origem humilde, essa coisa tão asquerosa e corriqueira hoje em dia. Ao contrário: tinha plena consciência de seu gigantesco talento e ganhou a fama de arrogante - de "preto arrogante". E vocês sabem o quanto isso podia e ainda pode ser indesculpável...

Cantor excepcional, criativo, capaz de transitar na fronteira de vários estilos, Simonal era uma das personalidades do pop brasileiro, abortado por um conjunto de infaustos acontecimentos: da ditadura dos militares à ditadura dos "profundos", que tomou conta da música. Outro, de estilo diferente, mas não menos marginalizado, era Tim Maia - leiam Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia, de Nelson Motta, que, diga-se ilumina aquele período, neste documentário, com a lucidez habitual. Simonal não tinha grandes "mensagens" a passar, sabem? E sua música dispensava manual de instrução e guia para entendimento de metáforas.

Mas Simonal fez, sim, uma grande besteira. Em 1971, desconfiado de que seu contador, Raphael Viviani, que fala no filme, andava metendo a mão na sua grana, contratou dois seguranças, um deles ligado ao famigerado DOPS, para "resolver" a questão. O homem foi raptado, torturado e obrigado a assinar uma confissão. A mulher de Viviani chamou a polícia. Simonal se complicou. Para tentar se safar, afirmou que tinha "contatos com os homens" - sim, os homens do regime...

Era o seu fim. Passou a ser tratado como dedo-duro e delator dos colegas - embora, como lembra Chico Anysio, não haja uma só pessoa que possa dizer ter sido prejudicada por Simonal - além de Viviani, é claro. A imprensa o tratava como agente dos órgãos de segurança, assim, como um aposto comum, desses que servem para identificar pessoas: "Simonal, ligado ao DOPS..." Ele passou a ser a pessoa mais demonizada no Pasquim, de Ziraldo e Jaguar (o sul moral do Brasil; já volto ao caso). Num dos quadrinhos, aparece, acreditem, dando um tiro na cabeça!!!

Não, Simonal nunca foi agente do DOPS. Acontece que as esquerdas já se incomodavam com os seus hits muito pouco engajados. Foi ele quem transformou num sucesso estupendo País Tropical, de Jorge Benjor. Aquele trecho da música cantando só com as primeiras sílabas das palavras foi uma "bossa" sua: "Mó, num pa tro pi/ abençoá por De/ que boni por naturê/ mas que belê..." "Patropi" virou substantivo, às vezes adjetivo. Aquela parte da crítica que acreditava que boa música tinha de falar das nossas mazelas e, eventualmente, acenar com a "revô sociali dos oprimi" já estava na sua cola. Era considerado ufanista e instrumento da ditadura. Em 1970, havia acompanhado a Seleção Brasileira na Copa do México. Simonal, em suma, era o alienado do "patropi".

O episódio truculento de 1971 - pelo qual ele tinha, de fato, de prestar contas, e ninguém está a dizer o contrário - era a fagulha que faltava num barril de vários preconceitos combinados: o "preto arrogante", que chegou a se declarar "de direita" e que era tido como o cantor "do regime", passou a ser considerado, também um dedo-duro. Os shows desapareceram. Artistas que antes faziam questão de dividir o palco com ele passaram a rejeitá-lo. O Pasquim o esmagava impiedosamente, difamando-o entre artistas e intelectuais. A grande imprensa não ficava atrás. Foi banido das televisões. Estabeleceu-se uma espécie de stalinismo midiático: Simonal foi apagado da história brasileira. O homem que fizera o dueto com Sarah Vaughan - é visível o encantamento da diva - era um proscrito. Depois de demonizado, decretou-se o silêncio. Seu nome foi apagado. Em 2000, morreu em razão do agravamento de uma cirrose hepática.

Ninguém Sabe o Duro que Dei, título do filme, é verso de um dos seus sucessos. Justamente uma música que ironizava o fato de que muitos criticavam ou invejavam a sua boa vida e a sua riqueza. E ele, então, respondia: "Ninguém sabe o duro que dei". Pois é... O que é espantoso, mas muito próprio da indústria da difamação, é que não havia prova, evidência ou indício da ligação de Simonal com a "repressão". Inútil!

O filme é equilibrado. Não há qualquer esforço para desculpar Simonal pela bobagem. O depoimento do contador é bastante longo, e não há a menor intenção de desacreditá-lo. Faço essa observação para deixar claro que Claudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal não maquiam a vida do artista, corrigindo com a simpatia o que há nela de condenável. Mas não como não se deixar capturar pelo óbvio talento de Simonal. Talvez pudéssemos sair do cinema um tanto divididos: "Pô, também quem mandou fazer aquela tolice?" Mas Ziraldo e Jaguar nos tiram dessa sinuca.

VELHOS NA ALMA
Ziraldo comandava O Pasquim. E isso quer dizer que comandava, também, a difamação contra Simonal. Os diretores estão de parabéns por terem deixado o homem falar à vontade. Quando ele fala, o mundo se ilumina porque nos damos conta o artista decorria do fato de ele ser, vamos dizer, um preto bem-sucedido. Mais: admite que aqueles eram tempo em que um lado era o bem, e o outro, o mal. E Simonal estava do lado errado...

Ziraldo sabe, hoje em dia, que o cantor jamais fez parte dos órgãos de repressão. Se, à época, ainda podia alegar alguma ignorância, hoje não pode mais. Tem clareza de que o cantor caiu vítima da máquina de difamação ideológica não por aquilo que fez, mas por aquilo que não fez. Pensam que há nele alguma sombra de arrependimento ou, vá lá, de reconhecimento ao menos das injustiças cometidas? NADA!!!

O cartunista recorre a uma imagem, asquerosa, nojenta mesmo, para se referir ao caso. Segundo diz, os confrontos ideológicos eram como lutas de capoeira, com pernadas para todos os lados. E alguns tinham a má sorte de estar na frente. Entenderam? Ziraldo e as esquerdas davam as pernadas, e o pobre Simonal tomou a sua. Para este senhor, isto é parte do jogo.

Jaguar, que continua a investir na personagem do bêbado profissional, vejam lá por quê, não fica atrás em grandeza moral. Faz um relato debochado da tragédia de sua vítima e diz: "Ele morreu de cirrose; poderia ter sido eu". E cai na gargalhada. Ah, sim: ao falar sobre negros de sucesso, cita o nome de Pelé e diz: "Se bem que Pelé é branco..." Entenderam? Para Jaguar, um negro só é negro se exibir sinais explícitos de sofrimento e for engajado. A propósito: o depoimento do Pelé é um dos grandes momentos do filme. A dupla do Pasquim, mesmo sabendo que Simonal era inocente, não o anistia, não. Nem a anistia moral eles lhe concedem.

É que os dois não sabem o que é isso. Só conhecem o perdão traduzido em reais. A Comissão de Anistia mandou pagar R$ 1.000.253,24 ao milionário Ziraldo e R$ 1.027.383,29 ao nem tão rico Jaguar (confessadamente, ele "bebeu" todo o dinheiro que o jornal lhe rendeu). Mais: ganharam também o direito a uma pensão mensal permanente de R$ 4.375,88. Por quê? Ora, porque eles foram considerados "perseguidos pelo regime militar" por conta de sua atuação no Pasquim, aquele que desenhou Simonal dando um tiro na cabeça...

Sensatas e até comoventes são as palavras dos cantores e compositores Simoninha e Max de Castro, filhos de Simonal. Tentam entender a personagem na lógica dos confrontos de um período e dizem ser necessário resgatar sua obra, sem qualquer viés de confronto. O ódio de que Simonal foi vítima (ainda presente nas falas irresponsáveis de Ziraldo e Jaguar) não turvou o pensamento dos filhos, a cujos shows o pai chegou a ir. Mas os via escondido, sem mostrar a cara. Não queria, como conta sua segunda mulher, "prejudicar os meninos".

Não deixem de ver o filme. Vale como divertimento e também como advertência: a máquina de difamação, que dá pernada a três por quatro (e dane-se quem está na frente), continua ativa, e agora está no poder.

P.S. O filme merece uma atenção bem maior do que a que vem recebendo. De certo modo, a maldição continua. Como NÃO diria Chico Buarque, as esquerdas inventaram o pecado, mas se esqueceram de inventar o perdão.

sábado, 6 de junho de 2009

QAUTRO VEZES E UMA SEMANA APENAS

Um ovni abduziu o avião da Air France?

O repentino desaparecimento de uma aeronave ultramoderna, fazendo uma rota mais do que testada, se tornou a perplexidade da semana que termina. Perplexidade, pois tudo leva a crer que a única forma de esclarecer o acidente é o encontro, quase impossível, das caixas pretas.

As hipóteses para o acidente parecem se resumir em duas principais: uma fragilidade qualquer no AIR BUS ou uma bomba terrorista (até agora não afastada). As condições climáticas na região são banais e os procedimentos para transporte de passageiros e bagagem também o são.

Quem ficou mal mesmo na história foi o Ministro Jobim, chamado pela grande imprensa de Governo Brasileiro. O que não deixa de ser verdade em base, mas como operação toda crítica recai sobre ele. No dia anterior à sua entrevista comandantes da Marinha e da Aeronáutica disseram que a cautela seria somente afirmar que os destroços avistados eram de fato do avião acidentado, após a recolha das peças e o exame dos seus números de série. Na data da entrevista do ministro nenhum dos destroços avistados tinham sido recolhidos, menos ainda examinados.

A queda ou esplendor do Império Romano da Nova Era?

Berlusconi, primeiro ministro da Itália, carnavaliza a vida privada e, também, a pública. Roupas mínimas (ou evaporadas), um grupo de homens e mulheres ao melhor estilo pornochancada, inclusive com tomadas em ereção.

Recebendo votos em massa, ganhando todas da esquerda esfacelada e mantendo uma excelente relação com o Vaticano, Berlusconi é bem o exemplo dos tempos atuais. Tempos das corridas da canalhada sobre as instituições que decidem sobre dinheiro ou são elas mesmas fundos de moedas.

É o mesmo momento em que estes canalhas correm para as câmaras da TV para fazer o seu, ou vão para a política para ocupar os espaços do troca a troca de verbas com percentagem de obras por fora. Por isso mesmo o parlamento em média (à exceção do senado) troca mais de 60% dos representantes do povo e neste continuam os mesmos escândalos “daquele ano que passou, eu não brinquei, você também não brincou”. Sim é o mesmo espírito na cultura, na educação, na mídia, na administração pública e privada e inclusive nos blogs.

Arrivistas às toneladas

Juan do Flamengo parece que finalmente foi punido no caso Maicosuel (que não se perca pelo nome). O jogador agressor não praticou nada muito novo, a arrogância e “sabe com quem está falando” é bem típica do ser humano e incidente, em especial, em certas culturas.

Acontece que este espírito que aparece com freqüência nestes grupelhos de adolescentes, sejam torcidas organizadas, neonazistas, homofóbicos, grupos agressivos que agridem para se sentirem menos inferiores, continua uma marcha insana. Uma marcha que parece ter como móvel a insatisfação com o estoque de consumo e com esta corrida imbecil pelo sucesso e pelo vencedor.

Aliás, no plano geral da vida e da civilização, as entranhas derrotadas de um modelo econômico excludente e extravagante.

Kátia Abreu, Minc e a Semana do Meio Ambiente

Semana que lembra o Meio Ambiente. Que este ano teve um molho muito especial no noticiário. Motivado principalmente pela MP da Amazônia. Um drama atual sem igual para o país e sua sociedade.

Acontece que vendemos, com sucesso, a questão do álcool para mover automóveis. A energia renovável é algo espetacular. É a energia solar pela fotossíntese. Mas é natural que os impactos sobre o meio ambiente estejam na raiz da solução.

É claro que mesmo com a melhora da produtividade por hectare, o plantio extensivo irá afetar os grandes e a ainda remanescentes biomas do país. Aliado àquela venda do álcool foram anos de sucesso do agronegócio no famigerado modelo exportador e vendedor de commodities. Este setor recebeu as medalhas ao amealhar dólares no exterior.

Eis a raiz da verdadeira briga nesta semana do meio ambiente entre a Senadora Ruralista Kátia Abreu e o ministro marqueteiro Minc. Aliás não sei bem o motivo pela qual o Senador Tasso Jereissati, aparente líder da modernidade econômica, se alinhou com o mais atrasado da vida nacional.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Programa Cariri Encantado

Está sendo veiculado pela Rádio Educadora do Cariri AM 1020, todas as sextas-feiras, das 14 às 15 horas, o programa Cariri Encantado, sob a apresentação de Luiz Carlos Salatiel. Amanhã, dia 5 de junho, será apresentado um programa temático, lembrando o transcurso do Dia da Terra. As músicas e textos a serem veiculados são de autoria de Abdoral Jamacaru, Geraldo Urano, Pachelly Jamacaru, Zé Nilton de Figueiredo, Luís Fidélis, Calazans Callou, Luiz Carlos Salatiel, Rainério Ramalho, Geraldo Júnior, Carlos Rafael e Tiago Araripe. Por sinal, todos caririenses. O cantor e ambientalista João do Crato será o entrevistado e o programa será dedicado à memória de Jefferson da Franca Alencar, exemplo de preservador da natureza.

Não deixem de ouvir!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Secretário atende requerimento e comparece na sessão de hoje da Câmara do Crato

O Secretário de Agricultura do Crato, Erasmo Ferreira, esteve na manhã de ontem, 02, no plenário da Câmara Municipal, atendendo a um requerimento do vereador Fernando Brasil (PSB), que solicitou a presença do secretário, para debater ações desenvolvidas por sua pasta e especialmente o programa de roço nas estradas vicinais do município. O convite ao secretário, aconteceu após divergência de informação quanto ao valor que está sendo pago aos trabalhadores que participam do programa. Erasmo aproveitou a oportunidade e relatou ao plenário as principais ações desenvolvidas pela Agricultura nos primeiros cinco meses da atual gestão do prefeito Samuel Araripe.

O secretário destacou as principais ações e os programas feitos pelo município em parceria com o estado e união, dentre eles: o Seguro Safra; Peixamento dos Açudes; Projetos de Abastecimento d’água e Projetos São José. De acordo com Erasmo o objetivo da secretaria vem sendo o de desenvolver ações que melhorem a qualidade de vida da população rural.

Respondendo ao questionamento do vereador Fernando Brasil, em relação ao valor pago aos trabalhadores que participam do roço, o secretário foi enfático e afirmou que a determinação do prefeito Samuel Araripe é que seja pago o valor de oitenta reais por cada quilômetro trabalhado. Afastando desta forma, rumores de que seria de somente sessenta reais o valor a ser pago.

O secretário acrescentou que o roço de espaços para o plantio e de estradas vem sendo feito em parceria com entidades comunitárias rurais, com o intuito de gerar mais emprego no campo. Questionado pela vereadora Mara Guedes (PT) sobre os programas do governo federal no município e particularmente o Seguro Safra, Erasmo disse ser o Governo Federal e Estadual parceiros importantes no desenvolvimento de políticas que beneficiem o homem do campo, sedo um exemplo o Seguro Safra que no município tem 2.390 pessoas cadastradas.

Fernando Brasil autor do requerimento classificou como oportuna e esclarecedora a visita do secretário à Câmara, sendo acompanha pelos vereadores Guer, Florisval, Dedé da Granja e Jales Veloso que destacaram a forma gentil como o secretario compareceu ao plenário.

Notícias da Câmara Municipal do Crato

Na sessão de hoje (02/02) o vereador Dárcio Luiz de Sousa (PSDB) apresentou requerimento solicitando envio de ofício ao prefeito Samuel Araripe, ao presidente da SAAEC, Dr. José Procópio e ao Dr. José Muniz, pedindo que seja ampliada a rede de abastecimento d’água e construído o calçamento com saneamento básico na Rua José Andrade de Sousa “Zé Zaca” no Distrito de Dom Quintino;

Vereador Dedé da Granja (PSDB) solicitou envio de ofício ao chefe do DER/Ce, Dr. Luiz Salviano Matos, solicitando a recuperação asfaltíca da Av. Castelo Branco, ligando a Av. Pe. Cícero à Petrobras e a estrada Crato ao Distrito de Romualdo;

Vereador Fernando Brasil (PSB) apresentou requerimento solicitou a mesa diretora que a primeira e segunda Sessão Ordinária Itinerante da Câmara, sejam realizadas respectivamente na sede dos Distritos de Dom Quintino e Ponta da Serra. Em outro requerimento, solicitou envio de ofício ao DEMUTRAN, pedindo a criação de uma área de estacionamento privativo no trecho do Museu de Artes Vicente Leite até a Câmara Municipal com a finalidade de atender aos vereadores, principalmente em dias de sessão;

Vereador Luiz Cory (PSC) apresentou requerimento solicitando envio de ofício a Secretaria de Infraestrutura do Município pedindo a recuperação da Rua da Penha no centro. Em outra solicitação, pede envio de ofício ao DEMUTRAN para que seja instalada sinalização vertical e horizontal de trânsito no cruzamento das ruas José de Alencar e Pedro II no centro da cidade;

Vereador Ailton Esmeraldo (PP) solicitou envio de ofício ao prefeito Samuel Araripe e a Secretária Daniele Esmeraldo, requerendo a construção de um Centro de Artesãos no Município do Crato, com a finalidade de abrigar os artesões do município com demonstração e comercialização dos seus produtos;

A vereadora Mara Guedes (PT) solicitou a presidência do legislativo cratense que o Projeto de Lei que se refere a autorização de empréstimo junto ao BNDS seja votado em regime de Urgência Simples.

sábado, 30 de maio de 2009

Coluna CARIRI - por Tarso Araújo

(O POVO, 31 de maio de 2009)

MANTENDO A TRADIÇÃO
Neste domingo, último dia de maio, as cidades caririenses realizam uma das suas mais bonitas tradições católicas: a Coroação de Nossa Senhora. A mais antiga e mais bonita dessas solenidades é realizada na Catedral de Nossa Senhora da Penha, em Crato. Feita à noite, ao ar livre, no adro da velha Sé, conta com a presença de cerca de dez mil fiéis. A tradição de coroar a imagem da Virgem Maria foi introduzida na Cidade de Frei Carlos pelo então vigário Padre Quintino Rodrigues (depois primeiro bispo de Crato) em 1900, há 109 anos, portanto. Outra coroação belíssima é feita na Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores, em Juazeiro do Norte.

PALAVRA AUTORIZADA
É de Olga Gomes de Paiva, Chefe da Divisão Técnica do Iphan-Ceará, esta declaração: “A Coroação de Nossa Senhora, na Catedral de Crato, é uma das mais belas celebrações católicas no Ceará! A participação das crianças, com suas famílias, é a constatação do repasse de importante tradição cultural que, sem nenhuma dúvida, representa o fortalecimento dos laços familiares, nos quais se destaca o respeito pela figura materna e o enaltecimento para nós, mães de família. O patrimônio imaterial do Cariri não poderia ser mais bem representado do que nessa solenidade de coroação da Virgem Maria na cidade de Crato!”.

TV CARIRI
Já foi concluído o prédio onde funcionará a TV Cariri, Canal 9. Ele fica localizado na avenida Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, a poucos metros da divisa com o município de Crato. A segunda emissora de televisão do Cariri estará no ar, em caráter experimental, dentro de 60 dias. Para quem não sabe, já funciona, desde 2006, outra emissora de televisão em Juazeiro do Norte, a TV Verde Vale, canal 13, afiliada a rede NGT e propriedade do deputado federal Manoel Salviano.

ASSUNÇÃO GONÇALVES
Amanhã, 1º de junho, a juazeirense Maria Assunção Gonçalves chega aos 93 anos de idade. Ela tinha 18 anos quando o Padre Cícero faleceu e hoje é uma das poucas pessoas vivas que conviveu de perto com o sacerdote. Por isso é muito procurada por pesquisadores e repórteres para falar sobre o “Padim”. Educadora, artista plástica, pessoa veraz e fiel, ela foi tema de diversas monografias e trabalhos publicados na academia e instituições culturais. O ponto alto do aniversário da veneranda mestra continua sendo a tradicional “Renovação do Coração de Jesus” - feita em sua residência, com muitos convidados

GENTE QUE FAZ
Elmano Rodrigues Pinheiro - um caririense, nascido em Farias Brito - tem motivos para ser uma pessoa ressentida com o mundo. Na infância, sofreu a dor de ver o pai, Enoch Rodrigues (à época prefeito de Farias Brito), assassinado por sicários. Elmano teve de tomar o rumo do Sudeste para vencer na vida. Deu a volta por cima, superando dificuldades e traumas. Hoje residente em Brasília - onde trabalha na Editora da UNB - é o maior benfeitor das bibliotecas públicas do Cariri, para as quais doou milhares de livros. Na maioria das vezes, ele chega a pagar até os fretes dessas remessas. Criador da Fundação Enoch Rodrigues, Elmano é dessas pessoas que nos fazem acreditar num mundo mais justo e mais digno...

ANOTE: FESTA DO INTERIOR
Hoje é o dia do Pau da Bandeira da Festa de Santo Antônio. Barbalha amanheceu este domingo mais alegre. As ruas principais todas embandeiradas. Também as encostas dos morros - visíveis desde os verdes canaviais que circundam a cidade - foram ornamentadas com bandeirolas coloridas formando caleidoscópios. Um espetáculo de cores em meio a uma multidão que aumenta a cada ano. Depois do meio dia o enorme tronco de madeira - carregado por homens suados e cansados - chegará à Igreja Matriz dando início à trezena de Santo Antônio, uma das expressões mais antigas e ricas da religiosidade e da cultura popular no Cariri....

CURTAS
> Depois de quase dois meses de ausência (incluindo um mês de “dolce far niente” na sua Itália natal), dom Fernando Panico estará de volta ao Cariri na próxima quarta-feira. No dia 29 de junho vindouro ele comemorará 8 anos à frente da diocese de Crato (...)

> Perguntar não ofende: como anda o processo - em curso na 4.ª Superintendência Regional do Iphan, em Fortaleza - para tombamento do acervo de fósseis do Museu de Paleontologia da Urca, de Santana do Cariri? (...)

> As escolas públicas e privadas deveriam organizar visitas dos alunos ao Centro de Pesquisas Paleontológicas da Chapada do Araripe-CPCA (onde existe um pequeno museu de fósseis) localizado em Crato, à Praça da Sé nº. 105. Naquele prédio funcionou o antigo Senado da Câmara da Vila Real de Crato, local do julgamento e condenação à morte (em 1834) do herói monarquista caririense, Joaquim Pinto Madeira (...)

> O deputado federal Manoel Salviano retornou da Alemanha, onde visitou a Achema, maior feira de biotecnologia do mundo. Salviano foi adquirir as máquinas para a nova indústria farmacêutica que pretende implantar em Juazeiro do Norte (...)

> O governador Cid Gomes prometeu três grandes obras para a conurbação Crajubar. Já estão sendo construídas duas: o Hospital Regional (em Juazeiro do Norte) e a Ceasa - Cariri (em Barbalha). Já o Centro de Convenções do Cariri, destinado a Crato, continua na estaca zero (...)

> Antonio Renato Soares de Casimiro (Químico Industrial, Engenheiro Químico, Doutor em Microbiologia de Alimentos, escritor, historiador e memorialista) ou simplesmente Renato Casimiro (juazeirense ufanista e grande figura humana) toma posse no dia 29 de junho na Academia Cearense de Química. Ocupará a cadeira 19, que tem como patrono Paulo Roberto Siqueira Telles.

> Reitor Plácido Cidade Nuvens, da Universidade Regional do Cariri (URCA) esta semana assinou convênio internacional de Pós-graduação, com a Universidade de Ciências Empresariais e Sociais (UCES), representada pelo Secretário de Posgrado, Professor Doutor José Filgueira. A assinatura se deu durante o I Seminário de Criminologia Criminologia do Cariri e II Seminário Temático Especial de Criminologia da Pós-Graduação de Direito Penal e Criminologia.

50 anos da agência do Banco do Brasil de Juazeiro do Norte

No transcurso dos cinquenta anos de instalação da agência do Banco do Brasil de Juazeiro do Norte, ocorrido no dia 29 de maio, a diretoria do Sindicato dos Bancários do Cariri – SEEB/Cariri publicou nota manifestando votos de congratulações e reconhecimento pelos valiosos serviços prestados à comunidade regional por aquele posto de atendimento bancário.

A diretoria do SEEB/Cariri enfatizou ainda a contribuição de várias gerações de bancários e bancárias que com devotamento e eficiência foram os principais artífices na construção e consolidação daquela agência como um modelo profissional a ser seguido.

As rãs do Pimenta – por Maria da Gloria Pinheiro Cavalcanti Ordonez.






Por falar nesses cururus, ontem fomos jantar para comemorar os 33 anos de casamento. No cardápio havia rãs. Comentei com meu esposo: isto aí eu já provei, hoje não quero mais! (Tenho pavor desses bichinhos).
Aí me veio a lembrança. No início dos anos 60, por volta dos meus 10 anos de idade, quando o atual Bairro Sossego era um sítio aonde costumávamos fazer pick-nicks, debaixo de um frondoso pé de umbuzeiro; no tempo que nós crianças tomávamos banho na chuva, a meninada toda correndo de casa em casa para descolar a melhor bica possível; quando, ainda, o Pimenta era pouco habitado.

Nosso bom vizinho Sr. Felipe, acompanhado de algum outro vizinho ou de um irmão, em companhia da criançada, seus filhos: Sérgio, Frederico e Adriano e meus irmãos Rubens e Renato, de vez em quando costumavam ir àquele Rio Granjeiro. O local era mais ou menos atrás da casa de Gerson Moreira, na Rua Cícero Araripe. Era uma onda medonha de irem buscar rãs. Bastante curiosa, com a euforia da meninada, embora de longe, observava como na maior simplicidade eles "assassinavam" as rãs, apenas uma espetada na cabeça com uma agulha de costura.
Quando tiravam a pele das rãs, ficava tudo muito parecido com um galetinho. Me divertia vendo fritarem as rãs inteiras, elas pareciam que dançavam se remexiam todas na frigideira. Era tudo uma grande novidade para mim e até ensaiei provar daquela iguaria, queria mostrar garra e muita coragem! A carne muito macia, mais saborosa do que o frango.
Minha tia Anuzia, que já morava em Fortaleza, muito amiga de minha mãe, quando chegava no Crato uma das primeiras coisas que fazia era almoçar lá em casa e passar a tarde inteira conversando para aliviar a saudada da irmã e amiga. A digestão do almoço já era certa, então, meus irmãos e eu resolvemos fritar uma rã com o intuito de fazer uma peraltice com nossa tia. Chegamos com muita delicadeza e atenção oferecendo aquele franguinho muito especial feito com carinho para ela. A tia saboreou, elogiou, digeriu o quanto pôde e assim, resolvemos contar-lhe que a carne era de rã.
Foi um Deus nos acuda com o mal estar de nossa tia. Nossa diversão acabou por ali porque não esperávamos criar tanto desconforto e desespero.

(transcrito de www.blogdosanharol.blogspot.com/)

A CPI do CQC

Brasil
INSTALADA A CPI DO CQC
Dirigida por especialista em escândalos, a CPI da Petrobras já produziu uma certeza: vai custar caro ao contribuinte

UMA EQUIPE BEM EXPERIENTE Renan Calheiros, que comanda o circo,e Romero Jucá, cotado para relator: se o assunto é fraude...




Um dos programas mais divertidos da televisão brasileira, o Custe o que Custar (CQC), vai ganhar um concorrente de peso. Nesta semana, o Senado instalará a CPI da Petrobras, investigação que deveria apurar suspeitas de malfeitorias na administração da maior empresa do país. A CPI, que já tem seus onze integrantes definidos, será dirigida por Renan Calheiros, um colecionador de escândalos especialista na arte de barganhar verbas e cargos por favores a governos. Seu elenco, que vai frequentar o horário nobre da televisão pelos próximos 180 dias, tem bastante experiência na área. Dos onze integrantes da CPI, oito são réus em ações criminais no Supremo Tribunal Federal ou tiveram sua campanha financiada por empresas que fazem negócios com a petrolífera. O favorito ao cargo de relator, o senador peemedebista Romero Jucá, é investigado em dois inquéritos e já foi indiciado por crimes de responsabilidade e corrupção eleitoral. Nas mãos de Calheiros e sua turma, portanto, a CPI da Petrobras tem tudo para se transformar em uma espécie de CQC. A diferença é que o humorístico dirigido por Calheiros, além de não ter nenhuma graça, custará muito caro aos cofres públicos.

A CPI da Petrobras nem começou e já mostrou a que veio. Um de seus integrantes, o senador João Pedro, do PT do Amazonas, sugeriu o roteiro que ele considera ideal: "Acho que temos de ir no passado da Petrobras e investigar coisas como o acidente da plataforma P-36 e os gestores durante o governo Fernando Henrique". Embora as auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) que serviram de base para a criação da CPI tenham identificado superfaturamento milionário (81,5 milhões numa única obra), contratos sem licitação e indícios de fraudes recentes, o petista pretende iniciar a CPI investigando fatos ocorridos há oito anos. A tecnologia de transformar CPIs em campeonatos de delitos é recente e eficaz, quando o objetivo é não apurar nada. Foi adotada na CPI dos Correios, em 2005, e na CPI dos Cartões, no ano passado – e começa a ser reprisada agora. E foi exatamente para garantir que as investigações sejam mantidas sob estrito controle dos interesses oficiais que o governo lançou mão dos valiosos serviços oferecidos por Renan Calheiros, Romero Jucá e outros integrantes do noticiário policial do Congresso. Eles estarão lá, atentos, de prontidão, dispostos, como sempre, a fazer o que for preciso, custe o que custar.
(Fonte: Veja, 3 de junho de 2009)



Desenvolvimento
Enviada PEC da Região Metropolitana do Cariri
Ação visa a descentralizar recursos do Estado e diminuir as desigualdades entre a Capital e o Interior. Governo também ampliará a Região Metropolitana de Fortaleza, incluindo os municípios de Pindoretama e Cascavel
Bruno Sampaio
da Redação
O Palácio Iracema enviou ontem à Assembleia Legislativa uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) propondo a criação da Região Metropolitana do Cariri (RMC). Segundo o líder do Governo na Casa, deputado Nelson Martins (PT), a RMC será composta por nove municípios: Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Missão Velha, Jardim, Santana do Cariri, Nova Olinda, Farias Brito e Caririaçu.
Além da nova região metropolitana, o Governo ampliará a Região Metropolitana de Fortaleza, incluindo os municípios de Pindoretama e Cascavel. A criação da RMC possibilitará um processo de reorganização e atuação em conjunto das cidades participantes em prol do desenvolvimento local.
Além da nova Região Metropolitana, será criado também o Conselho de Desenvolvimento e Integração da Região Metropolitana do Cariri, composto por vários secretários do Estado e os prefeitos do municípios.
Também está previsto um fundo de desenvolvimento e integração da região, que será composto por recursos do Estado e dos municípios. Segundo Martins, a PEC representa o reconhecimento do desenvolvimento econômico, social e político do Cariri.
“Essa região tem uma economia forte e desenvolvida. Atividades como o turismo religioso e o setor de calçados mostram a força da economia local”, diz o petista. O líder destaca projetos do Governo, na área de infraestrutura no Cariri, com a construção do Hospital Regional de Juazeiro, a Ceasa de Barbalha, o Centro de Convenções do Crato, a ampliação do Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes e a rodovia Padre Cícero.
“O Governo quer promover a integração regional sustentável e o crescimento econômico”, afirma Nelson. “O Governo participação direta nesse processo até que os municípios possam ter uma autonomia maior”, completa.
Uma região metropolitana ou área metropolitana é um grande e desenvolvido centro populacional, formado por uma (ou mais) grande cidade central e cidades adjacentes. Geralmente, regiões metropolitanas formam aglomerações urbanas em uma grande área urbanizada (conurbação), a qual faz com que as cidades percam seus limites físicos entre si ou sejam intercaladas com áreas rurais.
(Jornal "O Povo" 30 de maio de 2009)