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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

´SANTO DO NORDESTE´: Imagem do Padre Cícero é colocada na Sé Catedral - Postado por Océlio Teixeira


O "Roteiro da Fé" no Padre Cícero poderá ser ampliado com a inclusão da Sé Catedral nos pontos de visitação

Crato. Mesmo antes de ser reabilitado de suas ordens sacerdotais, o Padre Cícero já está na porta de entrada da Sé Catedral deste município. As imagens do "Padim" e de Nossa Senhora das Dores estão juntas na entrada da Igreja, ao lado da pia onde o sacerdote foi batizado, no dia 8 de abril de 1844. É a primeira vez que a imagem do "santo do Nordeste" é colocada dentro de um templo católico. Nem mesmo em Juazeiro, onde o "Cearense do Século" é venerado como santo, a Igreja acolheu o Padre Cícero em seus altares.

O escritor Lira Neto, autor do livro "Padre Cícero - Poder, Fé e Guerra no Sertão", afirma que, "apesar da imensa fé dos sertanejos, a imagem do sacerdote ainda não está nas igrejas de Juazeiro". "Encontramos, apenas, um vitral dele na capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, onde o corpo do religioso foi sepultado", complementa.

O cânon 1.188, do Código de Direito Canônico, uma espécie da Carta Magna da Igreja Católica, recomenda que "mantenha-se a praxe de propor imagens sagradas nas igrejas, para a veneração dos fiéis; entretanto, sejam expostas em número moderado e na devida ordem, a fim de que não se desperte a admiração no povo cristão, nem se dê motivo a uma devoção menos correta". O problema é que, oficialmente, o Padre Cícero ainda não foi reconhecido como santo pela Igreja Católica. "Ao contrário, ele morreu proibido de ministrar os sacramentos", questiona um religioso que prefere não se identificar.

"Sinal dos novos tempos, essa atitude do Cura da Sé, padre Edmilson Neves, apoiado por dom Fernando, é extremamente significativa não apenas do ponto de vista religioso, mas também social, econômico e político", diz o professor de história da Universidade Regional do Cariri (Urca), Océlio Teixeira, destacando que, com essa atitude, a Diocese está abrindo caminhos para a superação da tradicional cisão entre as duas maiores cidades do Cariri. "Oxalá, que os poderes políticos e a população de ambas as cidades se sensibilizem com esse exemplo e passem a agir de forma semelhante", diz o historiador.

Océlio sugere às autoridades municipais e eclesiásticas que procurem incluir a Igreja da Sé - local de batismo do Padre Cícero e que tem atraído muitos romeiros - no chamado "Roteiro da Fé", em elaboração pela Secretaria das Cidades do Ceará e Secretaria de Turismo e Romarias de Juazeiro do Norte.

Romeiros

Enquanto o roteiro não é oficializado, alguns romeiros já incluíram o Crato na programação de visitas. A "frotista" Teresinha de Jesus diz que saiu de Recife, num ônibus com 50 passageiros, com o Crato incluído no roteiro. A devota Maria da Conceição Monteiro ficou impressionada com o que viu. O que mais lhe chamou a atenção, segundo afirmou, foi a pia onde o Padre Cícero foi batizado.

Para os romeiros, a presença da imagem do Padre Cícero dentro da igreja é um fato normal. Eles desconhecem os acontecimentos históricos que resultaram na suspensão das ordens do sacerdote. Indiferentes às rivalidades entre os municípios de Crato e Juazeiro, por questões religiosas, eles cantam, rezam e passeiam na Praça da Sé. O paraibano de João Pessoa, Antônio Vieira Cristino que, pela primeira vez visita o Crato, diz que tudo é muito bonito. "Dá gosto sair de casa para ver os locais por onde o Padim passou".

MAIS INFORMAÇÕES
CúRIA Diocesana
Rua Teófilo Siqueira, 631
(88) 3521.1110
curia@diocesedecrato.org.br

SEDE DO BISPADO

Pastoral das Romarias acolhe devotos do "Padim"

Crato. Além das imagens do Padre Cícero e de Nossa Senhora das Dores, foi colocada uma faixa ao lado da Sé Catedral com o seguinte convite: "A Pastoral das Romarias da Sé Cátedra acolhe, com todo amor, os romeiros da Mãe de Deus que visitam o berço do Padre Cícero". A cada ano que passa, aumenta o número de romeiros que visitam a Catedral de Nossa Senhora da Penha, sede do Bispado da cidade do Crato.

Atento a esse fato e seguindo a orientação do bispo da Diocese do Crato, dom Fernando Panico, o cura da Sé, padre Edmilson Neves, criou a Pastoral das Romarias e tem dado toda a atenção aos devotos que visitam a Igreja onde Padre Cícero foi batizado. Já foi instituída na Catedral a Missa do Romeiro.

A visita dos fiéis à Sé Catedral é acompanhada por jovens da Confraria de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro que rezam com os devotos. O presidente da organização religiosa, Meridiano Rodrigues, diz que a orientação é no sentido de que o romeiro seja bem acolhido. Para isso, até uma lanchonete foi montada ao lado da igreja para evitar, segundo afirmou, que os romeiros sejam explorados.

Processo no Vaticano

A eventual canonização do Padre Cícero passa primeiro pela reabilitação. O processo solicitando deu entrada no Vaticano no dia 1º de junho de 2006. Na carta ao papa Bento XVI, por ocasião da entrega dos documentos à Congregação para a Doutrina da Fé, dom Fernando afirmava: "Venho, com toda esperança e humildade, suplicar a Vossa Santidade que se digne reabilitar canonicamente o Padre Cícero Romão Baptista, libertando-o de qualquer sombra e resquício das acusações por ele sofridas". A visita da caravana do Cariri ao Vaticano foi acompanhada pelo Diário do Nordeste, que publicou reportagens exclusivas sobre o tema. Para reforçar os argumentos, a comitiva levou também um abaixoassinado com 150 mil nomes e um documento assinado por cerca de 270 bispos brasileiros, que estavam reunidos em Itaci, São Paulo, pedindo a revisão histórica e eclesial do caso.

O mais importante dos documentos entregues ao Vaticano foi uma petição assinada por dom Fernando Panico. No final do ano passado, por ocasião da visita ad limina dos bispos Nordeste a Roma, o papa Bento XVI prometeu mandar apressar a análise dos documentos, o que aumentou as expectativas dos católicos devotos. Até o momento, de acordo com a Cúria Diocesana, não chegou nenhuma informação sobre o resultados dos estudos. O próprio bispo dom Fernando admite que o processo é lento.

ENQUETE

Nos passos da fé

TEREZINHA DE JESUS
Frotista
Além de visitar a Igreja da Sé, estive também no Museu do Crato que funciona nas proximidades da Catedral

Marisa Lucas Régis
Dona-de-casa
O Padre Cícero é filho do Crato. Foi aqui onde ele nasceu. Por isso, eu dou uma "esticadinha" até esta cidade

Antônia Vieira Cristina
Agricultor
Tudo é muito bonito. Dá gosto sair de casa para ver os locais por onde o "Padim" passou e viveu. Rememoramos tudo

ANTÔNIO VICELMO/Repórter
Fonte: Diário do Nordeste

COMPOSITORES DO BRASIL


“A mulher mente brincando
E às vezes brinca mentindo
Quando ri está chorando
E quando chora está rindo”
(Nuvem que passou)
NOEL ROSA
Parte dois

Postado por Zé Nilton

Seu companheiro do Conjunto Bando de Tangarás, o músico, compositor, locutor e escritor Henrique Fores Domingues – Almirante – conviveu com Noel Rosa desde antes de descobrirem os caminhos da música. Escreveu belas páginas sobre o gênio da Vila, e enfeixou no livro clássico “No Tempo de Noel Rosa”, Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1977.

Em suas páginas escreveu passagens hilárias sobre Noel, com esta que se segue:

“O sono de Noel era dos mais extraordinários do mundo: duro, pesado, impenetrável.
Certa vez, João de Barro, tendo emprestado seu violão a Noel, necessitou buscá-lo no chalé da Teodoro e Silva (residência do poeta da Vila). Ás volta com sua escolinha, Dona Marta (mãe de Noel), dada a intimidade dos dois, indicou:- Pode apanhar seu violão que está no quarto. E pode acorda Noel. – Noel ressonava e o amigo pensou que pudesse despertá-lo facilmente. Primeiro, tocou levemente o seu ombro. Nenhum resultado. Em seguida balançou-o, dando-lhe sacudidelas, fortes a princípio e fortíssimas no final. E Noel não acordou de maneira alguma.

Arnaldo e Oswaldo Araújo, velhos alfaiates, velhos amigos da família, noutra ocasião receberam encomenda de um terno que Noel necessitava com pressa. A primeira prova pode ser feita na alfaiataria, mas a última forçosamente se realizou na casa de Noel, que não pôde ser despertado. Com a ajuda de Dona Marta ele foi colocado de pé, à força, sem tomar conhecimento de si próprio. Assim ocorreu aquela estranha prova de calça e paletó

Noel reconhecia a própria resistência para abandonar o leito. Quando necessitava acordar em horas prefixadas a fim de cumprir obrigações importantes, ao chegar em casa alta madrugada, distribuía por todos os cantos – sobre a mesa, em cordas estiradas pelos corredores, pendurados nas lâmpadas, pelo chão, à porta do quarto, à vista do fogão, à entrada do banheiro – avisos alertadores, em letras garrafais, com abundância de exclamação, deixando clara sua preocupação em não faltar ao compromisso assumido.

ATENÇÃO!!!
MUITO IMPORTANTE !!!
NÃO SE ESQUEÇAM !!!
PRECISO ACORDAR CEDO!!!
CEDÍSSIMO!!!
GRAVAÇÃO ÀS 10 HORAS!!!
É IMPORTANTÍSSIMO !!!
NÃO ACREDITEM EM DESCULPAS!!!

Na manhã do embarque de Noel para o Sul, Dona Marta viu-se em apuros. Por felicidade, Graça Melo Surgiu. Pouco faltava para o Itaquera zarpar e Noel na cama, insensível aos berros, aos solavancos, à retirada violenta de todas as roupas. (...) Noel foi posto de pé, a muque; enfiaram-lhe as calças, a camisa, o paletó. Atabalhoadamente, Dona Marta completava a mala. Á porta, o carro que deveria conduzi-lo ao cais buzinava aflito. E Noel, meio carregado por Graça Melo, Dona Marta e pelo Calulá (o seu amigo para assuntos de acordar), foi atirado dentro do taxi, como um trapo, semi-inconsciente. No trajeto, ia completando suas roupas à medida que os solavancos do automóvel em disparada permitiam.

Os companheiros – Chico Alves, Mário Reis e outros – o aguardavam, já sem esperanças. E ele subiu, sobraçando a mala entreaberta, desgrenhado, camisa fora das calças, olhos empapuçados, mas feliz.” (pp. 107-109).

Coisas de gênio.

Hoje, a segunda parte da homenagem a Noel Rosa.
Vamos falar mais um pouco de sua obra, ouvindo:

O orvalho vem caindo, de Noel Rosa e Kid Pepe, com Aracy de Almeida, gravação de 03/11/1933
João Ninguém, de Noel Rosa, com Noel Rosa, gravação de 24/07/1935
Tenho raiva de quem sabe, de Noel Rosa, Kid Pepe e Zé Pretinho, gravação de 25/04/1934
Século do Progresso, de Noel Rosa com Isaura Garcia, gravação de 28/07/1937
São coisas nossas, de Noel Rosa, com Noel Rosa, gravação de 1932
Pierrô Apaixonado, de Noel Rosa e Heitor dos Prazeres, com Maria Betânia, gravação original de 1936, para o filme “Alô, alô Carnaval !
Tarzan, o filho do alfaiate, de Noel Rosa e Vadico, com Noel Rosa, gravação de 1936
Por causa da hora, de Noel Rosa, com Noel Rosa, gravação de 10/10/1931
Mentir (ou mentira necessária) de Noel Rosa, com Mário Reis, gravação de 28/09/1932
A.B. Surdo, de Noel Rosa e Lamartine Babo, com Olga Jacobina e Lamartine Babo, gravação de 1930, para o carnaval de 1931.
Fita amarela, de Noel Rosa, com Francisco Alves e Mário Reis, gravação de 29/12/1932
Pastorinhas (ou Linda Pequena), de Noel Rosa e João de Barro (Braguinha), gravação de 13/12/1937
Cem mil Réis( ou você me pediu), de Noel Rosa e Vadico, Chico Buarque e Luiza Buarque, gravação original de 05/03/1936
Cordiais saudações, de Noel Rosa, com Noel Rosa e o Bando de Tangarás, gravação de 18/08/1931.

Quem ouvir, verá !

Programa Compositores do Brasil
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Todas às quintas-feiras, às 14 horas
Rádio Educadora do Cariri – 1020 khz
Apoio. CCBN

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A Injustiça que mata – por Magali de Figueiredo Esmeraldo

Deus fez um plano para toda a humanidade e os homens fogem desse plano. O ser humano é tão imperfeito, que em vez de fazer a vontade de Deus, persegue os mais fracos e humildes. E o que é pior, comete as maiores barbaridades contra os seus irmãos inocentes quando estão no poder, com a desculpa de defenderem a ordem. Esquecem até que o sol nasceu para todos.

No pequeno livro “O Beato José Lourenço e sua Ação no Cariri” de José Alves de Figueiredo muito me sensibilizou a maneira como o escritor fez a defesa do Beato José Lourenço. Embora já tenha lido sobre o Caldeirão, para mim, esse depoimento foi marcante, pois foi feito por alguém que viveu na época do beato e, era proprietário de um sítio vizinho ao Caldeirão e o conheceu de perto.

O Beato José Lourenço chegou ao Juazeiro muito jovem, com apenas 20 anos de idade, em l890, vindo da Paraíba, sua terra natal. Era um verdadeiro fanático do Padre Cícero e o enxergava como um santo superior, uma vez que em sua mentalidade estreita, a figura do padre se engrandecia. Quando o beato chegou ao Juazeiro, a beata Maria de Araújo ainda vivia e o fanatismo estava no auge. Em vez de ir explorar as pessoas como alguns faziam, preferiu pegar na enxada, dirigindo-se ao campo, para viver de modo honrado da profissão de agricultor. Com esse objetivo, foi se instalar numa parte do Sítio Baixa Dantas, arrendando essa terra ao seu proprietário, senhor João de Brito.

Dentro de pouco tempo transformou alguns hectares de terra seca, num lindo pomar com frutas variadas, como também uma cultura de algodão, cereais e mais outras qualidades de plantas e hortaliças. O beato José Lourenço com o seu trabalho foi prosperando e ganhando fama. E também, com seu elevado espírito de caridade, começou a acolher numerosas famílias pobres e encher de órfãos o seu próprio lar. Tinha tanto desprendimento, que não se incomodava de gastar o fruto do seu trabalho com essas pessoas que passaram a constituir a sua família.

Durante muitos anos, viveu tranquilamente na Baixa Danta, e ninguém o incomodou por levar uma vida de ajuda humanitária.

Na revolução de 1914, foi recolher-se em Juazeiro. Mas, mesmo estando disposto a morrer pelo Padre Cícero, não tomou parte na luta, porque tinha um coração extremamente sensível e não desejava fazer mal a ninguém.

Após o movimento ter acalmado, o beato voltou à sua lavoura, encontrando-a destruída em parte. Recuperou as perdas com muito trabalho em curto período de tempo.

O Padre Cícero ganhou de presente um touro de raça e o entregou a José Lourenço para este cuidar. Como o beato tinha afetividade para com os animais, empregou pessoas para cuidar do touro que se tornou um belo animal admirado por todos. Alguns fanáticos mais exagerados, achando que iam agradar ao Padre Cícero, enfeitavam os chifres do boi com grinaldas de flores. Além do mais acreditavam que a urina do boi servia de remédio.

A lenda do boi santo foi deturpada pela imprensa e José Lourenço acusado injustamente de estimulador de um grosseiro fetichismo. Foi preso e obrigado a comer a carne do boi “Mansinho” que era muito estimado por ele. Suportou todas as humilhações sem protestar. Quando solto, sem guardar mágoas de quem o perseguia, voltou a Baixa Danta para o seu trabalho.

O proprietário do sítio precisou vendê-lo e o novo dono queria receber a terra imediatamente. Com o seu desprendimento perdeu todo o seu trabalho, e sem causar confusão foi para o Caldeirão dos Jesuítas, terreno do Padre Cícero que fica situado entre os sítios Lagoinha e Cruzinha. Isso ocorreu no ano de 1926. O Caldeirão era uma terra sem nenhuma benfeitoria, mas o beato, assim como na Baixa Danta, construiu sua casa, um engenho de madeira e fez roças. Simultaneamente, diversas casas foram sendo construídas ao redor. O Caldeirão se tornou uma bela propriedade com uma população trabalhadora e obediente ao beato que, na mais rigorosa ordem a orientava para o bem. Não existiam armas, só instrumentos de trabalho.

O Beato José Lourenço sofreu inúmeras perseguições injustas como se fosse perigoso a ordem. Era mal compreendido e não sabia se defender, sendo preso várias vezes injustamente.

Tinha um grande coração, pois num período de seca sustentou por vinte e três meses dando uma refeição diária, além do pessoal que já morava com ele, a mais quinhentas pessoas, com alimentos que tinha guardado nos depósitos do Caldeirão.

José Alves de Figueiredo foi preso no tempo do Estado Novo, por ordem do chefe de Polícia da época, simplesmente por ter defendido José Lourenço com o artigo publicado no jornal “O Povo, de Fortaleza em 07.06.1934.
O Caldeirão foi uma experiência comunitária baseada na mensagem igualitária da Bíblia. As autoridades temendo que essa experiência se tornasse uma nova Canudos destruíram o Caldeirão em 1936 com muita crueldade, realizando um grande massacre, cujos números mortos nunca se soube quantos.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo
Tendo como fonte: “O Beato José Lourenço e sua ação no Cariri” de José Alves de Figueiredo, Museu do Ceará, Fortaleza, 2006

Construção do Centro do idoso em Juazeiro



A Prefeitura de Juazeiro do Norte está construindo através da Secretaria de Infraestrutura, o Centro de Referência do Idoso (ao lado do CSU). O custo da obra de 740 metros quadrados é de R$ 360.759,46. Consta de sala de coordenação, cantina, cozinha, consultórios médicos, espaço multiuso, além de outras dependências e piscina.

A Secretária Fátima Bandeira, disse que por determinação do prefeito Dr. Santana, a SEINE executa também, reforma e ampliação de vários estabelecimentos de ensino e creches, restauração da Praça Adalgisa Gomes de Figueiredo, no Conjunto Frei Damião (Baixa da Raposa), calçamento na Vila Nova (Aeroporto) e em outras localidades, além serviços de tapa-buraco, atendendo solicitações da população.

Cultura realizará I Encontro de Escritores



Está confirmada para a próxima quinta-feira, 4, a realização do I Encontro de Escritores, Poetas, Cordelistas e Repentistas da Região Metropolitana do Cariri. De acordo com a titular da pasta, Glória Tavares, o evento se dará no Teatro Marquise Branca.

A programação constará de café da manhã, pronunciamento do prefeito Dr. Santana, e da secretária de Cultura Glória Tavares.

Acontecera palestra com o tema: registros de trabalhos literários na Biblioteca Nacional, ficha catalográfica, direitos autorais e informações para os literatas, com Renato Casimiro. Outra palestra abordará o Centenário de Juazeiro do Norte, com o pesquisador Daniel Walker.

Os participantes se dividirão em grupos para discutir três eixos: a) participação dos Escritores, Poetas, Cordelistas e Repentistas na elaboração do Plano Municipal de Cultura, b) participação do segmento dos festejos do Centenário de Juazeiro do Norte e c) Participação do segmento no Juaforró 2010.

A realização é da Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte, através da Secretaria de Cultura com parceria do Instituto Cultural do Vale Caririense (ACVC), Academia dos Cordelistas do Crato e Secretaria de Ação Social, SEBRAE e Centro Cultural Banco do Nordeste.

Ciro diz que mantém candidatura: santo Lula está errado

O deputado federal Ciro Gomes (esq.) concede entrevista na Assembleia Legislativa do Ceará. (Foto: Bruno de Castro/Especial para Terra).

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) disse que vai manter sua candidatura à Presidência da República, contrariando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pede união da base aliada na candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Para Ciro, Lula comete um grave erro ao avaliar que sua desistência beneficiaria a petista. "O PSDB e o PT querem que eu retire a minha candidatura. Algum dos dois está errado. A única pessoa que está certa de querer tirar a minha candidatura é o Serra. Significa que o santo Lula nesse assunto está errado", disse Ciro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A declaração do deputado ocorreu na terça-feira, dia de retorno das férias parlamentares e um dia após a divulgação da pesquisa do Instituto Sensus pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) indica que a presença de Ciro na disputa garantiria a realização de segundo turno entre a ministra e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). De acordo com o levantamento, com Ciro na disputa, Dilma tem 27,8% das intenções de voto e Serra, 33,2%. Ciro fica em terceiro lugar, com 11,9%, e a senadora Marina Silva (PV) em quarto, com 6,8%. Em um cenário sem Ciro Gomes, Serra aparece com 40,7% das intenções de voto, Dilma, com 28,5% e Marina com 9,5% - 11,4% votariam branco ou nulo e 10% não sabem. A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 25 a 29 de janeiro com 2 mil entrevistados em 136 municípios. A margem de erro é de três pontos percentuais. O número de registro é o 1570/2010.

Fonte: Redação Terra

ÁRVORE DO CENTENÁRIO - Mudas de Juazeiro para fiéis

Elizângela Santos (Jornal Diário do Nordeste)

ROMEIROS receberam mudas da árvore Juazeiro ontem, como parte da programação da Festa das Candeias

Tornar o sertão "uma mata só" era o conselho ecológico do Padre Cícero, como incentivo à arborização do campo

Juazeiro do Norte. Começa a arrancada, neste município, para a distribuição de um milhão de mudas da árvore Juazeiro, em todo o Nordeste brasileiro. A planta símbolo da terra do Padre Cícero está sendo distribuída por meio do Projeto Árvore do Centenário e a meta é cumprir com a distribuição total até julho de 2011. Nesta primeira etapa, foram distribuídas 3 mil mudas entre os romeiros.

Uma equipe esteve na Praça Padre Cícero e na sala de informações da Paróquia, preenchendo os cadastros dos romeiros que pegaram as mudas. A ideia é já fazer um acompanhamento a partir da próxima romaria para verificar como está sendo o desenvolvimento das plantas. Junto com a muda, os fiéis do Padre Cícero também levam um cartão com os 10 preceitos ecológicos do Padre Cícero. Um deles aconselha o plantio a cada dia de uma árvore de algaroba, caju, de sabiá ou de qualquer outra árvore, até que o sertão todo seja "uma mata só".

O trabalho tem o acompanhamento de técnicos e está sob a responsabilidade da Fundação Mussambê, de Juazeiro do Norte. A parceria se estende às secretarias de Turismo e Romaria, Meio Ambiente, Banco do Nordeste e Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado (SDA). Segundo o coordenador de Núcleo Agrário da Fundação, Erisvaldo Figueiredo, foram investidos, nessas primeiras mudas, cerca de R$ 50 mil, com recursos da SDA. As próximas mudas terão incentivo do Banco do Nordeste, que repassará mais R$ 50 mil para a aquisição das novas mudas.

A ideia inicial era fazer a entrega das mudas em tubetes biodegradáveis, mas, segundo o coordenador, o projeto acabou ficando inviável. O valor ficou alto, em torno de R$ 800 mil. Nessa primeira etapa da entrega, conforme Erisvaldo, estão sendo repassadas poucas mudas, mas na próxima grande romaria a perspectiva é distribuir 200 mil ou até 300 mil mudas. O mês de maio é o mais propício para a coleta de sementes.

Condições de plantio

As primeiras mudas estão com três meses. Mesmo aparentemente pequenas, o coordenador de Núcleo Agrário afirma já estarem em condições boas para o plantio. "Já tem acima de seis folhas e isso facilita a sobrevivência da planta, típica do semiárido", diz ele. A árvore do Juazeiro, com o nome científico de Ziziphus joazeiro, é a única planta que fica verde no verão. Serve como pasto apícola, oferece boas condições de sombreamento e garante pasto para os animais de pequeno porte no sertão, como ovinos e caprinos.

No início da terra do Padre Cícero, eram três pés de Juazeiro, uma capela e a pequena vila. A árvore tem um significado histórico para a cidade. Segundo o historiador Daniel Walker, da Comissão do Centenário, o objetivo do projeto é arborizar o Nordeste, e que os romeiros tenham no seu quintal ou na sua cidade, a árvore símbolo de Juazeiro do Norte.

Daniel lembra dos preceitos ecológicos do Padre Cícero, e diz que, durante as missas que ele celebrava, sempre levava as mensagens ecológicas para os fiéis. "Foi o precursor da ecologia no Cariri", ressalta o estudioso, lembrando os conselhos do sacerdote para preservar as manifestações de vida na natureza.

No Nordeste, a árvore de Juazeiro também é chamada de "Juá". Para a romeira alagoana, Laura Pedro de Sousa, é uma bênção poder ter um pé de Juá em sua porta. "Um santo remédio. É uma bênção de Deus".

Para Erisvaldo Figueiredo, a distribuição das mudas tem uma simbologia diferenciada, por ser uma recordação viva da terra do Padre Cícero. Ele explica que daqui a cinco ou oito anos a planta já estará adulta. "É a planta que deu origem a nossa cidade e que vai perdurar por muitos anos", completa.

O Projeto Árvore do Centenário foi inspirado numa romeira. O depoimento ouvido pela irmã Annete Dumoullin foi inspirador para criar o projeto de arborização, disseminando o símbolo de Juazeiro do Padre Cícero. Dos caroços das frutas da "terra do Padim", consumidas pelos romeiros, novas plantas surgiam em suas cidades. Na igreja, ao meio dia de ontem, as mudas receberam as bênçãos na hora da despedida do romeiro. Uma planta sagrada para os fiéis, e símbolo da terra que já é considerada santa por grande parte dos nordestinos. Uma consciência de ecologia incentivada, a partir dos preceitos do Padre Cícero.

ENQUETE

O que o Sr. (a) acha da distribuição das mudas?

LAURA PEDRO DE SOUSA
67 ANOS
Dona-de-casa
Essa planta é uma bênção de Deus. Serve de remédio para ferimentos, para lavar os cabelos e escovar os dentes

GENILDA SILVA DE MORAIS
57 ANOS
Aposentada
É uma boa ideia, importante para a natureza e as pessoas terem consciência ecológica. Vou cuidar bem dessa planta

SEVERINO SANTOS SILVA
81 ANOS
Aposentado
É uma novidade aqui em Juazeiro. Vou levar a muda e pedir autorização ao padre para plantar de frente à igreja

MAIS INFORMAÇÕES
Secretaria de Turismo e Romaria, Praça do Cinquentenário, S/N
Socorro, Juazeiro do Norte
(88) 3511. 4040

Fonte: Diário do Nordeste (edição de 3 de fevereiro de 2010)

Justiça do Ceará condena empresa de telefonia a indenizar cliente em R$ 100 mil

A decisão da magistrada foi publicada no Diário da Justiça da última sexta-feira, 29

A juíza da 20ª Vara Cível do Fórum Clóvis Beviláqua, Maria de Fátima Pereira Jayne, condenou a empresa de telefonia Brasil Telecom S/A ao pagamento de indenização no valor de R$ 100 mil, por danos morais, a J.L.N.M.. A decisão da magistrada foi publicada no Diário da Justiça da última sexta-feira, 29.

De acordo com os autos, J.L.N.M., ao tentar fazer uma compra de passagem aérea em janeiro de 2005, foi informado de que estava com o nome no cadastro de devedores por causa de uma dívida com a empresa de telefonia, com a qual jamais manteve relação comercial ou de consumo.

Segundo a assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça do Ceará, a Brasil Telecom S/A alegou que houve um erro substancial na contratação e que não podia prever o uso do CPF de outra pessoa.

Na decisão, a juíza afirma que a empresa de telefonia não é imune ao Código de Defesa do Consumidor, citando o artigo 3º da Lei nº 8.078/90. Assim, “a fornecedora de serviço responde objetivamente pelos danos que vier a causar ao consumidor, só se exonerando desta responsabilização se provar culpa exclusiva deste”.

Para a magistrada, não ficou devidamente provado que a culpa dos fatos se deveu única e exclusivamente ao autor. “O que ficou caracterizado foi que, mediante o fornecimento de um número de CPF, a requerida procedeu uma contratação sem a menor cautela”.

Fonte: Redação O POVO Online com informações do site do TJ

Interesses individuais X Interesses coletivos - Por Océlio Teixeira

No último domingo, dia 31, após a missa das 9h, na Igreja da Sé, resolvi circular pela cidade sem compromisso. Meu objetivo era apreciar a beleza das nossas praças, ouvir os pássaros cantar e refletir um pouco sobre a vida. Aos poucos, porém, meus olhos foram ficando espantados com a quantidade de bares com cadeiras nas calçadas, dificultando a passagem dos transeuntes e obrigando-os a se deslocarem para as ruas. Então, pus a me indagar: qual o espírito de coletividade que existe entre nós, cidadãos que habitamos uma mesma cidade, no caso o Crato? Como estamos cuidando da nossa cidade? O que temos feito para deixar nossa cidade mais bonita, humana e civilizada?

Nesse sentido resolvi postar as imagens abaixo para que nós possamos fazer uma reflexão. É fácil falarmos mal da cidade, criticar a administração do município, falar mal da Igreja, dos partidos, etc. Mas o que temos feito pela nossa cidade? Não estou querendo atirar pedras em ninguém. Apenas quero contribuir para que nossa cidade fique mais bonita, mais organizada, mais humana. Assim, quero também fazer a seguinte pergunta: existe alguma lei que normatiza essa questão?

Vejam as imagens e, se possível, reflitam e contribuam com a discussão.

Obs: Os bares fotografados não foram escolhidos, apenas foram os que encontrei ao longo da minha perigrinação pela cidade. Como esses, devem existir diversos outros espalhados pelos bairros da cidade.






Fotos: Océlio Teixeira

Candeias: a mais bela das romarias

As ruas de Juazeiro do Norte novamente foram iluminadas pelas velas dos milhares de devotos de Nossa Senhora das Candeias, na mais bela das grandes romarias da cidade

Rita Célia Faheina
Enviada a Juazeiro do Norte

O casal Francisco José e Maria Braz de Jesus participa da Romaria das Candeias há 32 anos. Mora na localidade de Poço Redondo, a 150 quilômetros da capital de Sergipe, Aracaju, e viaja para Juazeiro do Norte de pau-de-arara. Francisco e Maria não reclamam das 12 horas de viagem sentados em pedaços de madeira que servem como bancos. ``A gente vem cantando, rezando e nem sente as horas passando. Quando dá conta já chegamos na terra de meu Padim``, diz dona Maria, agricultora como o marido.

Os dois compareceram a todas as celebrações da festa de Nossa Senhora das Candeias, como fizeram os mais de 260 mil fiéis que estiveram na cidade durante os cinco dias de romaria (de sexta-feira, 29, até ontem). O maior número de pessoas foi do estado de Alagoas.

A procissão em homenagem a Nossa Senhora das Candeias ou da Luz chama atenção porque todos os participantes caminham com suas velas acesas. Antes de começar a caminhada, as velas são bentas pelos sacerdotes.

Os caminheiros saíram da Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, onde está o túmulo do padre Cícero Romão Batista, e seguiram pelas ruas centrais até o pátio em frente à Basílica de Nossa Senhora das Dores, quando receberam as bênçãos dos padres e do bispo diocesano do Crato, dom Fernando Panico. ``Agora voltamos pra casa com a certeza de que fomos abençoados pela nossa Mãe das Candeias e nosso Padim Ciço e, se Deus quiser vamos nos encontrar de novo aqui no ano que vem``, despediu-se Francisco José.

Para os romeiros que seguiram viagem antes da procissão, a despedida foi ao meio-dia, na chamada ``missa do chapéu``.

``Na festa de Nossa Senhora das Candeias ou da Luz relembramos a data em que a Virgem Maria e São José se apresentaram no templo, em Jerusalém, conforme a lei judaica, 40 dias após o nascimento de Jesus. Levaram o Menino para apresentar ao sumo sacerdote e também ofereceram o sacrifício: dois pombinhos``, explicou o bispo diocesano do Crato. Ele também disse aos romeiros que eles voltavam para casa mais fortalecidos na fé e pediu que praticassem a justiça e a fraternidade.

Pés de Juazeiro
Durante a celebração do meio-dia, o padre Paulo Lemos abençoou as mudas de juazeiro doadas aos romeiros pela prefeitura do município já como um dos eventos do centenário da cidade que será comemorado em 2011. ``Estou levando para plantar no meu terreiro``, disse dona Mariana Francisca da Silva que mora em Gravatá (PE).

A prefeitura pretende doar um milhão de mudas da planta nas romarias deste ano - a árvore é o símbolo do centenário de Juazeiro do Norte que nasceu entre três pés de juá. Irmã Anette Dumoulin aconselhou os romeiros a cuidarem de seus juazeiros para que, no futuro, ``sirvam de sombra para as conversas, as orações, as celebrações dos romeiros``.


EMAIS

- No mês de julho próximo, quando se realizará a romaria de 17 a 20, lembrando a morte do padre Cícero, os fiéis vão ter uma novidade: a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida.

- É a primeira vez que a imagem estará na terra do padre Cícero. Virá da Basílica de Aparecida, no Vale do Paraíba, em São Paulo.

- Na Romaria das Candeias, a novidade foram as relíquias de São João Bosco que também estiveram pela primeira vez na cidade. Chegaram na segunda-feira e permaneceram até ontem.

- Os fiéis puderam ver as relíquias no Santuário do Sagrado Coração de Jesus, de administração dos padres salesianos. As relíquias (a mão e osso do braço) peregrinam por 143 países, celebrando os 150 anos da congregação religiosa.


NÚMEROS

260
MIL DEVOTOS PARTICIPARAM DA ROMARIA DAS CANDEIAS
5.204
PESSOAS VISITARAM O MEMORIAL PADRE CÍCERO, DURANTE A ROMARIA

42
MIL PESSOAS ESTIVERAM NO MEMORIAL PADRE CÍCERO EM 2009

1
MILHÃO DE MUDAS DE JUAZEIRO DEVEM SER DOADAS AOS ROMEIROS EM 2010

Fonte: Jornal O Povo

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

R$ 340 mi aplicados pelo governo no Cariri


Por Beth Rebouças (Jornal do Cariri)

Centro de Convenções, Ceasa, Hospital Regional do Cariri, Escolas profissionalizantes em Juazeiro e Várzea Alegre e as estradas de Caririaçu a Lavras da Mangabeira, são obras que estão em andamento, na região do Cariri, pela administração do governador Cid Gomes (PSB-Ce). De março a dezembro, todas serão entregues à comunidade. Gastando uma média de R$115 milhões por ano, nesses três anos já investiu, segundo levantamento do Departamento de Edificações e Rodovias (DER), mais de R$ 340 milhões somente na Região do Cariri.

Cid acha que este “2010 será um ano em que as bases que foram plantadas pelo governo serão visíveis mais fortemente pelo cearense”. Explicou que isso se traduz na questão da economia. Juazeiro do Norte e Barbalha continuarão em expansão, além de todos os municípios que se situam ao lado da Transnordestina, os quais vislumbram muitas realizações. Será um ano de ajustes e mais superações dos problemas de modo a que todos os recordes sejam novamente quebrados. Para isto acontecer, promete fazer “das tripas coração”!

Para crescer e se desenvolver, o Governador vê como saída a busca pela industrialização, ação consorciadas com outras demandas. Ou seja, estimulando o turismo religioso, ofertando mais conforto aos romeiros que peregrinam por Juazeiro do Norte, ou os que vão a Canindé, por conta de São Francisco. Cid considera que o turismo foi o setor mais equilibrado da sua administração que representa de oito a 10 % do PIB Cearense. Pontuou ações como a Praça dos Romeiros que está mandando ampliar na Terra do ‘padim Ciço’, o centro de Convenções, o Hospital regional e os equipamentos em Fortaleza do Centro de Feiras e Eventos além do Acquário do Ceará, “que serão referências turísticas internacionais”.

Hospital Regional

Um dos destaques é o Hospital Regional do Cariri (HRC). A obra, orçada em R$ 44,2 milhões, está em pleno andamento com previsão de entrega para julho deste ano. Cerca de 1,4 milhão de habitantes das cidades de Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Icó, Iguatu e Brejo Santo serão beneficiados. O início da construção do Hospital Regional do Cariri aconteceu em março de 2009.

Educação Profissional

Em Várzea Alegre e Juazeiro do Norte as Escolas de Educação Profissional (EEEP), deverão atender um número total de 2000 alunos nos dois turnos de funcionamento de cada unidade. As duas têm previsão de conclusão para outubro deste ano, cada escola conta com 12 salas de aula, além de laboratórios de línguas, informática, Química, Biologia, Física, Matemática e biblioteca. Na unidade de Várzea Alegre, a administração estadual investiu R$ 5,3 milhões. Já para a escola de Juazeiro foram alocados recursos da ordem de R$ 6,2 milhões.

Estradas

No Cariri, mais duas rodovias estão em processo de finalização. A primeira é a estrada que liga o Crato à cidade de Barbalha, passando pelo distrito de Arajara. Com 24 quilômetros e valor calculado em R$ 4,6 milhões, a rodovia recebeu um novo recapeamento da malha asfáltica, além da implantação de sinalização horizontal. A nova CE será inaugurada em março de 2010. Outra obra importante, que irá interligar o município de Caririaçu à BR-230, nas proximidades da cidade de Lavras da Mangabeira é a Estrada Padre Cícero. A rodovia, com R$ 46 quilômetros tem previsão de inauguração para dezembro deste ano. Com a construção a rodovia passa a ter 8 metros de largura e para sua construção o aporte de recursos totalizará R$ 39 milhões.

Ceasa

A implantação da Ceasa do Cariri fica à margem da rodovia que liga o município de Barbalha a Juazeiro do Norte. No total serão 68 boxes construídos para dar vazão às atuais 75 mil toneladas de hortifrutigranjeiros comercializadas por ano no Cariri. A nova Ceasa iniciará suas atividades com uma área construída de mais de seis mil metros quadrados. O valor total para construção da Ceasa é de R$ 6,9 milhões e a previsão de conclusão da obra é dezembro de 2010.

Centro de Convenções

O Centro de Convenções do Cariri fica na divisa do Crato com Juazeiro. O empreendimento orçado em R$7,8 milhões conta com quatro auditórios e 849 lugares, cerca de 2 mil metros quadrados de área construída, espelho d’água com 900 metros e infraestrutura que permite acessibilidade para portadores de deficiência. Previsão para funcionar a partir de julho deste ano.

A Força da Fé! – por Carlos Eduardo Esmeraldo

A história que se segue, é mais uma das tantas que ficaram gravadas na minha memória. Eu a li há cerca de oito anos numa revistinha portuguesa deste novo milênio, porém escrita num estilo e grafia que, para nós brasileiros, eram parecidos com o que se escrevia por aqui cem anos atrás. Entretanto, ela nos revela a firmeza de caráter e a força do homem que tudo confia na providencia divina. E deste modo, encontra alento para superar os acontecimentos negativos que a vida nos reserva.

Há muitos e muitos anos, havia num certo país, um rei despótico que tinha um secretário muito temente a Deus. Para todo e qualquer acontecimento bom ou mal que sucedesse a esse secretário, ele sempre dizia:
– Se Deus permitiu isso, é porque foi para o meu bem!

O Rei já não agüentava esse seu secretário repetir essa cantilena o tempo todo, com tudo que acontecesse não somente a ele, mas aos outros também.

Num lindo dia de verão, o rei e seus serviçais, incluindo o seu fiel secretário, foram a uma caçada. No meio da mata, surge de repente, um leão feroz que atacou o rei num local onde ele ficara sozinho. Quando os guardas ouviram o barulho, correram para salvar seu soberano, mas o leão já havia decepado um dos dedos da mão do rei.

O soberano ficou muito triste e revoltado com o que lhe sucedera. Blasfemava a todo instante por ter perdido um dedo. Do mais alto do seu orgulho, não aceitava reinar mutilado, como havia ficado. Então o seu bondoso secretário, desejando reanimá-lo, lhe disse:
– Senhor rei, se Deus permitiu isso é porque foi para o vosso bem!

O rei ficou muito indignado com esse seu servo e ordenou aos guardas que o colocassem na masmorra. E lá foi o leal secretário amargar resignado toda a humilhação que uma prisão reserva para qualquer ser humano.

Algum tempo depois, o rei que era viciado em caçadas e aventuras foi com um séquito de guardas a uma expedição numa região inexplorada. Como tinha por hábito afastar-se dos que lhe seguiam, caiu numa armadilha montada por canibais selvagens.

A tribo toda foi reunida para o ritual do sacrifício a que seria submetido aquele forasteiro, que se tornaria alimento, após a cerimônia. De nada valeu ele implorar que o soltassem, pois era um rei muito rico e poderoso. A tribo queria em poucos instantes deliciar-se com aquele manjar que os deuses mandaram de presente. O rei foi colocado num caldeirão de água, sobre quatro grandes pedras a lhe servirem de trempes. O fogo foi aceso e a água já amornada, iniciava a soltar pequenas bolhas. Homens e mulheres daquela tribo dançavam com grande euforia em volta do caldeirão, enquanto aguardavam o momento preciso da carne daquela vítima ficar pronta para o grande banquete. De repente o chefe da tribo ordenou:
– Parem o ritual! Este homem não pode ser sacrificado, pois está incompleto. Falta-lhe um dedo.
E assim o rei foi posto em liberdade, escapando por pouco de ser devorado.

Ao retornar ao seu palácio, o rei mandou trazer à sua presença, aquele secretário que mandara prender. Diante do servo, pediu-lhe mil desculpas. O secretário humildemente respondeu:
– Senhor rei, se Deus permitiu que eu ficasse preso foi para o meu bem!

Ao escutar essas palavras, o rei com muita surpresa, perguntou:
– Como ousas dizer isso? Fui muito injusto com você, um amigo de verdade, e você não ficou revoltado pelo que lhe fiz?
– Se Vossa Majestade não me tivesse mandado para a prisão, eu estaria ao lado do meu Senhor naquela caçada e, os canibais ao notar que eu estava inteiro, iriam me sacrificar, colocando-me no caldeirão de água fervendo para saborearem minha carne.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Carnaval da Saudade do Crato Tênis Clube


Uma das mais tradicionais festas carnavalescas do interior cearense, o Carnaval da Saudade do Crato Tênis Clube consolida-se nessa sua 5ª edição como o evento mais esperado do ano. É através do Carnaval da Saudade que buscamos o resgate das antigas marchinhas, frevos e sambas dos carnavais que marcaram época e o "clube do pimenta" fica lotado de pessoas alegres e com muita energia, indo a festa terminar em um cortejo até a Praça Siqueira Campos,por volta das 6 da manhã.
Esse ano o tema da festa é a ecologia, porque preservar a nossa querida Chapada do Araripe é obrigação de cada um de nós.
Venda de mesas e ingressos avulsos.
Informações: (88) 3523.3793 ou 8816.3062

Cidade da cultura, Papai Noel, Velho do Saco e outras lendas. (Parte 2)

Durante cerca de quatro ou cinco anos tive longas conversas e discussões veementes a respeito de quais seriam as melhores ações sobre a política cultural no Crato com Abidoral. Ia a casa dele quase que diariamente ou ele a minha e por horas o assunto se estendia. Lendo agora a postagem do Dihelson sobre o mesmo assunto me vem à memória alguns pontos básicos sobre a discussão do tema, sejam no Crato, em Roma ou em Abaiara. As premissas básicas da discussão faltam até hoje nos projetos e planos culturais que temos em quase todas as cidades do Brasil. Desde aquelas que achamos que estão fazendo alguma coisa, passando por aquelas que temos a impressão que algo esteja sendo feito (o caso do Crato), até o caso das que estão sob o total abandono (90% das cidades brasileiras).
A cultura, como foi muito bem lembrado pelo professor Zé Nilton nos comentários do post do Dihelson, não pode ser resumida apenas pela arte, pela classe artística e tampouco pela simples elaboração de “eventos culturais”. O diagnóstico do problema tem sido repetitivamente errado ao longo de anos, e assim continuará sendo pelo único e simples motivo: Não há como elaborar algo por alguém se esse alguém não o conhece, ou, por vezes, na melhor das hipóteses, tem apenas uma leve impressão do que seja. É notório que a classe artística do Crato assim como em outras cidades rogam dia e noite por espaços, projetos que envolvam a possibilidade de mostrarem seu trabalho para sociedade, editais, planejamento etc. O que curiosamente acontece é que a cultura em seu termo mais específico não pode em hipótese alguma a ser considerada apenas a partir de eventos isolados, mesmo que ocorram o ano todo, com um calendário cultural. A cultura em si está em nosso dia a dia e a construção dela não parte apenas da premissa de cultuar a eventos, mas, sobretudo, de identificar as características seu povo e de fazer com que a mesma tome seu curso, respeitando suas tradições assim como percebendo suas modificações e sua dinâmica. A cultura que a cidade do Crato tanto orgulha-se de ter é certamente um grande arcabouço artístico que está diariamente sendo negligenciado. Eu mesmo na posição de secretário de cultura teria que ter um planejamento específico para a classe artística, pois, como fazer chegar a população nomes como Abidoral, Dihelson, Cleivan, Edelson Diniz, Manel, Herbeno Tavares, Guto, Sinhá D”amora, Vicente Leite, Padre Ágio, Divane Cabral entre tantos outros? Como fazer como que não só as novas gerações entrem em contato com obra de tantas pessoas que foram prejudicadas além de dar suporte para que essa própria nova geração tenha meios de desenvolver-se? Essas questões que nem de longe foram resolvidas e são apenas uma das tantas, pois a cultura estende-se por outras áreas ou achamos que o nível cultural da pretensa elite do Crato não é algo preocupante? Ou achamos que o nível de estudo de habitantes de áreas totalmente segregadas como Batateiras, Vila Lobo, Alto da Penha, Seminário não é de nossa responsabilidade? Ou o nível em que se desenvolve as aulas nas nossas universidades? A cultura em lugar nenhum do mundo foi feita apenas pela arte, mas, curiosamente no Crato estão querendo fazê-la como tal. E assim como dois mais dois não são cinco, artistas mais artistas não representam uma cultura por inteiro. A negação de toda produção cultural desenvolvida no ocidente ao longo da história seja nas artes ou nas ciências é uma conseqüência grave ao seio de qualquer população. A escolha aleatória de alguns elementos que compõem essa história é o que vemos mais comumente, deixando assim brechas enormes na formação cultural e intelectual do povo, provocando manchas em nossa cultura que vão desde o preconceito, racismo, ignorância, desinteresse por qualquer causa que não seja a própria, desvalorização do próximo, desvalorização da arte, até a desvalorização de tudo que não esteja imediatamente ligado ao ganho, ao dinheiro, ao lucro. Essas características é o que mais facilmente estão relacionadas a nossa verdadeira cultura, ao que realmente está na mente e nas atitudes do povo cratense. O que se quer diariamente no Crato a respeito de sua própria cultura é tirar leite de pedra. Não há como trabalhar qualquer problemática da cultura de um povo sem que a base educacional deste mesmo povo esteja intrínseca no projeto cultural.Algumas reflexões básicas que se deveria ter em qualquer projeto cultural são questões do tipo: Quem e o que se ensina em nossas escolas? Qual a visão de mundo que nossa juventude tem desenvolvido, ou melhor, qual o nível das pessoas que educa a população do Crato? Sabemos que não há literalmente diferença alguma entre a classe elitizada e a mais humilde da cidade, uma vez quem ambas estão num fosso cultural jamais visto ao longo da história. Curiosamente estamos em um período histórico que mais temos facilidade por adquirir cultura é a época de maior regressão cultural da história do país. A nossa, como a cultura de todo o restante do país está em desenvolver sua trajetória de vida baseada no sucesso econômico e financeiro, ignorando tudo o que seja necessário para formar a alma e a personalidade de um verdadeiro cidadão como ser humano, cidadão do mundo, desprendido das amarras e preconceitos que o circundam. A “elite” da cidade daqui, por sua vez, está preocupada em ser elite por mais cem anos, em sustentar-se como tal, e não em aprender o que quer que seja. A classe mais humilde tem os mesmos objetivos da elite, embora, por falta de “educação” (educação aqui entendida simplesmente por meios técnicos e/ou funcionais para adquirir-se um emprego) tem as mesmas finalidades, mudando apenas um ou outro detalhe.
Sendo o número de falhas tão abundantes o trabalho desenvolvido certamente não logrará êxito. O argumento pueril e falho de que a classe artística (como se essa fosse a única interessada na cultura de uma cidade) não compareceu a tal reunião ser motivo para cessar seu direito de argumentação é no mínimo contraditório, uma vez que eu mesmo já compareci a outras reuniões desta mesma secretaria onde se desenvolveria um tal plano de ações, onde toda a “classe artística” esteve presente, onde foram cadastrado seus devidos dados e áreas atuam e simplesmente NADA foi feito. O que dizer disso? Não há o que argumentar quando os inúmeros fatos sufocam as argumentações pífias e surreais. O que é urgente é a necessidade de perceber que a cultura do PAÍS está em estado convalescente enquanto os seus devidos responsáveis acham que isso tudo não passa de uma gripe! Quem dera!
Quando os senhores responsáveis pela cultura de nossa cidade unirem-se com os diretores de escola, reitores, coordenadores responsáveis pelos mais diversos cursos universitários, assim como representantes dos bairros, do comércio e das mais diversas categorias de nossa sociedade e traçarem um plano em que esteja desde a formação cultural de seu povo, empenhando-se aí em resgatar e adquirir o que há de mais rico na cultura do mundo, passando das artes a ciência, da filosofia a política, até o reconhecimento de sua própria identidade, de seus talentos e das características de seu povo, aí talvez comecemos a fertilizar o óvulo. O que dizer da classe culta do Crato que não sabe nada da vasta obra de um Dr. Borges por exemplo, apenas para citar um de tantos nomes que agigantam nossa cultura? O que dizer da classe acadêmica local que ignora um dos maiores filósofos do mundo que é o brasileiro Mário Ferreira dos Santos, e continua a tentar resolver problemas que já foram resolvidos por ele a mais de cinqüenta anos? O que dizer dos “formadores de opinião” de nossa região que desconhecem totalmente o que se passa na geopolítica da América latina? O que dizer do total desconhecimento das bases do pensamento filosófico desenvolvido por grandes nomes do século vinte que é totalmente impossível de se ver em nossas universidades? O que dizer das “melhores escolas” do cariri onde quase que nenhum aluno saberia dizer a diferença gigantesca entre um Michelangelo e um Pollock?
Quando pelo menos uma das questões acima for resolvida e os responsáveis pela cultura perceberem que a cultura não é feita apenas de pífanos, meninas com saias gigantes posando de intelectuais dançando ao som de bandas cabaçais e reisados calçadas com sandálias de couro (que é um atestado de intelectualidade, mesmo que o dono da vestimenta nunca tenha produzido nada na vida), aí talvez possamos, mas ainda com muito cuidado, muito precavidamente, sem ostentação alguma, sem querer envaidecer-se como “Cidade da Cultura”, dizer que estamos fazendo o mínimo. Daqui para este dia de sonho ainda existem longos anos de estudo e meditação em nossa sociedade. Por hora, ainda estamos na mais completa selvageria como uma horda de cães famintos a caça de comida em um bosque escuro, mas portando-se vaidosamente como águias.

Antonio Sávio Nunes de Queiroz

Quatro distritos podem virar cidades

Os pedidos foram formalizados ontem na Assembleia Legislativa por representantes locais

Thiago Paiva
Especial para O POVO

Representantes de quatro municípios do Interior do Estado protocolaram ontem, na Assembleia Legislativa, pedidos de emancipação de distritos. São eles: Mundaú, no município de Trairi; Pecém, no município de São Gonçlo do Amarante; José de Alencar, em Iguatu, e Várzea dos Espinhos, em Guaraciaba do Norte.

As lideranças entregaram dados que retratam o perfil básico do distrito, um requerimento pedindo a elevação da localidade e um mapa do novo município, além de um abaixo-assinado.

Respaldados na lei complementar 84, de autoria do presidente da Casa, Domingos Filho (PMDB), os pedidos serão submetidos a várias etapas de análise. A primeira delas será feita pela Mesa Diretora. Depois, serão entregues a institutos contratados pela Assembleia, que farão os chamados estudos de viabilidade. Na fase final, é prevista uma consulta popular no respectivo município.

Entre os critérios para emancipação dos distritos estão uma população superior a oito mil habitantes, eleitorado superior a 40% de sua população, um centro urbano constituído, com número de prédios, comerciais e públicos superior a 400, além da existência de equipamentos sociais de infraestrutura compatíveis com as necessidades básicas da população.

Os últimos municípios emancipados no Estado do Ceará foram: Jijoca de Jericoacoara, Itaitinga e Choró, todos em 1992.

Fonte: O Povo

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Atividade de repentista é reconhecida como profissão

Cordelista Maria do Rosário

A lei nº 12.198, aprovada recentemente, reconhece a atividade de repentista como profissão artística, que passa a integrar o quadro de atividades da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Nesse grupo, estão inseridos sete exercícios relacionados ao repente. São cantadores e violeiros improvisadores, emboladores, cantadores de coco, poetas repentistas, contadores de causos da cultura popular e escritores da literatura de cordel.

Maria do Rosário é detentora da cadeira 8 da Academia dos Cordelistas de Crato, ela ressalta que o dia 14 de janeiro, data em que a lei foi sancionada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é considerado um dia histórico para a classe. “Antes as pessoas que se dedicavam inteiramente aos versos eram vistos como vagabundos. Agora são profissionais, regulamentados como em qualquer outra profissão”, diz a cordelista.

Outra conquista está na oportunidade em prosseguir com o reconhecimento e formar a associação e academia de Juazeiro do Norte, que segundo ela, já está em pauta há algum tempo. “Aqui tem muitos cantadores anônimos e isso foi um incentivo para aumentar nossa dedicação e a força da divulgação de nosso trabalho”. Embora o fato de que o número de cordelistas seja maior em Juazeiro, se equiparado às cidades do Cariri, somente Crato e Assaré possuem academias e associações.

Números que, de acordo com a obra Lyra Popular, assinada pelo jornalista Gilmar de Carvalho, são configurados pela existência da Tipografia São Francisco, rebatizada de Lira Nordestina, que chegou a imprimir diariamente cerca de 12 mil folhetos. Outra fomentação foi provocada pelo jornal O Rebate, que tinha uma seção exclusiva para a publicação de versos. Essa cultura também esteve atrelada ao turismo religioso de Juazeiro. Foi através dos cantadores que a história do milagre do Padre Cícero foi disseminada. Assim, há uma ligação direta entre as primeiras romarias e a cultura popular, o que torna mais necessária a conquista da associação e academia para a cidade.

Conheça a trajetória

Esquecendo um pouco a regulamentação, pense nos castelos da Europa Medieval. Neles, os reis assistiam à histórias contadas por menestréis sobre doces princesas, reis malvados e guerreiros valentes. No nordeste brasileiro, os fazendeiros e senhores de engenho eram os reis, os menestréis os repentistas, as princesas eram as sinhás e os guerreiros, claro, os vaqueiros. Outra face, pouco mais recente, dessa cultura, é o jornalismo. Importantes acontecimentos do Cariri eram divulgados por contadores e folhetos, até que eles perderam força para o jornal. Conforme o pesquisador Diégues Júnior, o nordeste foi território fértil devido às suas condições sociais e culturais únicas, como manifestações messiânicas e desequilíbrios socioeconômicos. Diégues reconhece, ainda, a importância do vigor dessa lei porque é um trabalho e esforço intenso nesse gênero artístico que exige métricas, rimas e ritmos bem definidos.

Fonte: Jornal do Cariri

Rosemberg Cariry: Uma trajetória em defesa da arte libertária


Fonte: Coletivo Camaradas

Homem da arte e da luta do povo. Do Cariri para o mundo ou vice-versa Rosemberg Cariry tem o seu trabalho marcado pela cultura do povo contextualizada com o seu tempo. Unir o popular ao erudito, o regional ao universal é uma das características do trabalho deste artista engajado. Em entrevista concedida ao Blog Coletivo Camaradas, Rosemberg fala de política, marxismo, estética, filosofia, artes e da sua intensa trajetória.

Quem é Rosemberg Cariry?

É sempre difícil um homem definir quem ele mesmo é. Parece absurdo, mas o tempo é quem define o homem. Sócrates, segundo Platão, inspira toda a sua filosofia na inscrição da entrada do templo de Delfos: Conhece-te a ti mesmo. Mas que homem pode, em essência, compreender-se diante do absurdo da condição humana e da dupla natureza humana: animal/espiritual, liberdade/contingência cósmica, transitoriedade/impulso de eternidade? O homem não é Deus e inventa-se em sua rebelião contra Deus ou no seu reencontro com o Deus que o põe à prova (ver o Livro de Jó). O homem é em relação ao espaço e ao tempo em que vive, em mutação, em transformação. O homem é um animal em construção. Acho que a morte, em alguns casos, dá a aparente completude e medida do homem. Mesmo assim, resta o mistério... Digo isto, para justificar, neste momento, a minha dificuldade em me definir...

Quando tiveram início seus trabalhos artísticos?

No final da década de 1960, quando organizei os primeiros espetáculos reunindo jovens e velhos mestres da cultura popular. Desde esse tempo, nasceu em mim essa vocação para reunir o “velho” e o “jovem”, o “popular” e o “erudito”, o “regional” e o “universal”, dualidades aparentes mas que se completam. Toda contradição é aparente. O regional contém o universal, o popular contém o erudito, e o jovem contém o velho, assim como a manhã contém a noite, e a noite, por sua vez, contém o dia. Tive envolvimentos com dois movimentos culturais importantes do Cariri. Um deles foi o “Grupo de Artes Por Exemplo”.

Fale-nos sobre o Grupo de Artes Por Exemplo.

Em 1973, no Crato, no Cariri cearense, surgiria o Grupo de Artes Por Exemplo, que reunia jovens da pequena classe urbana local e artistas populares em torno de diversas atividades artísticas e culturais. Publicava-se uma revista mimeografada chamada Por Exemplo. Rodavam-se os primeiros filmes Super-8 documentários e de ficção. Faziam-se performances artísticas, happenings, shows musicais, encenações teatrais, ao mesmo tempo em que era promovido um substancioso intercâmbio entre a região do Cariri e capitais dos Estados Nordestinos, notadamente com as cidades de Recife e Fortaleza. Esse grupo eclético, no qual me incluo, reunia nomes como Bil Soares, Hugo Linard, Jackson Bantin, Walderedo Gonçalves, Múcio Duarte, Pedro Ernesto, José Roberto França, Abdoral Jamacaru, Emérson Monteiro, Jefferson de Albuquerque Jr., Luiz Carlos Salatiel, Pachelly Jamacaru, Vera Lúcia Maia, Luiz Karimai, Ivan Alencar, Cleivan Paiva, Bá Freyre, Zé Nilton, José Wilton (Dedê), Stênio Diniz, José Bezerra (Deca), Valmir Paiva, Geraldo Urano, Socorro Sidrin e Célia Teles, entre outros. A principal marca do Grupo de Artes Por Exemplo era a diversidade das tendências, que se identificavam no objetivo de projetar a cultura do Cariri cearense para o País. Patativa do Assaré participava ativamente dos happenings, espetáculos e recitais do grupo. Fazíamos o Salão de Outubro...

O Salão de Outubro foi muito importante para a cultura do Cariri?

O Salão de Outubro, realizado pelo Grupo de Arte Por Exemplo, a partir de 1974, firmou-se, como um espaço privilegiado de reunião das vanguardas artísticas e das manifestações ditas populares, congregando poetas, artistas plásticos, escritores, cantores, compositores e cineastas em torno da ideia de promover mostras de trabalhos e espetáculos, bem como exercitar o intercâmbio com outros centros artísticos. A proposta do grupo, que se reunia em torno do I Salão de Outubro, era a representação da arte por meio do encontro com os materiais e os elementos da cultura local, buscando, ao mesmo tempo, o cruzamento da tradição com as vanguardas artísticas. Esse ideário transformou o evento num grande sucesso. Havia uma forte influência da contracultura norte-americana, do rescaldo cultural da década de 60, do underground, dos movimentos de contestação, do teatro de Augusto Boal, do Grupo Oficina, do teatro do absurdo de Qorpo Santo, das leituras dos movimentos de vanguarda pós-revolucionários soviéticos, da revista Rolling Stones, dos movimentos de contracultura norte-americanos e europeus – tudo isso junto com cegos cantadores, reisados de mestre Aldenir e do Meste Dedê de Luna, coco do Mestre Carnaúba, poemas de Patativa, Cine Clube da Fundação Padre Ibiapina e programas radiofônicos de Elói Teles. Patativa do Assaré, Cego Oliveira, Zé Gato, Banda de Pífanos dos Irmãos Aniceto, Azuleika, João de Cristo Rei, Mestre Tico, Correinha, Severino Batista do Berimbau de Lata, Mestre Nino, Zé Ferreira, Ciça do Barro Cru, Cícera Fonseca, Mestre Noza, Chico Mariano do Mamulengo, Mestre Bigode, Zé Oliveira, Pedro Bandeira, Cego Heleno e outros artistas populares tomavam parte ativamente dos eventos artísticos, sendo convidados para participações especiais em performances, happenings, recitais e shows.

Junto com Deca e Geraldo Urano, fizemos peças de teatro experimentais, happenings, recitais, apresentações bem vanguardistas no Festival da Canção. Agitávamos o Cariri. Para o Salão de Outubro, de Fortaleza, chegavam nomes como Caio Silvio, Graccho Sílvio, Ana Maria Roland, Ferreirinha, Ângela Linhares, durante a realização do Salão. Na geléia geral brasileira, misturava-se tradição e vanguarda, regional e universal, popular e erudito, como é o caso da Escola de Música do Padre Ágio e a orquestra do Belmonte. O grupo mantinha ainda intercâmbio com os artistas caririenses do êxodo. Em São Paulo, Hermano Penna já conquistara importantes prêmios com seus filmes, e Jefferson de Albuquerque Jr. se profissionalizara no cinema. Tiago Araripe compunha com Tom Zé, fazia parceria com os concretistas Irmãos Campos e participava de um grupo de pop-rock brasileiro chamado Papa Poluição, que tinha, em sua formação, músicos cearenses e baianos, todos radicados em São Paulo. Tiago Araripe ligou-se, posteriormente, com o pessoal da Lira Paulistana.

Uma época de grande efervescência...

Sim, um período de grande efervescência e de vivências intensas. Se Fagner, Ednardo, Belchior, Rodger, Téti, Amelinha, Fausto Nilo e Brandão faziam sucesso e exerciam grande influência sobre os jovens músicos e compositores do Cariri, não menos sucesso e influência exerciam Zé Ramalho, Alceu Valença, Quinteto Violado, Banda de Pau e Corda, Quinteto Armorial, Gil, Caetano, Tom Zé e outros compositores e grupos da cena nordestina contemporânea, além de todo um clima de busca de integração latino-americana por meio das músicas de Violeta Parra, Atahualpa Yupanqui, Victor Jara e Mercedes Sosa. O Jefferson de Albuquerque Jr. chegara do Chile e trazia todas essas novidades. O jornal Versus, com artes e culturas da afro-latino-américa era uma grande referência literária e jornalística. De Minas, chegavam os ecos profundos do Clube da Esquina. Além do mais, o Festival da Canção do Cariri era o grande acontecimento musical da região e revelaria toda uma geração de jovens compositores.

E o Nação Cariri, que rompeu as fronteiras da região?

No início de 1979, em período de férias, reuniram-se, no Crato, vários artistas aí radicados com artistas e produtores culturais que moravam em outras regiões do País. O motivo da reunião era criar um movimento mais amplo de arte e cultura e um jornal que tivesse uma ampla circulação e fosse um elo entre a cultura popular tradicional e jovens artistas contemporâneos antenados com outras influências. Procurou-se um nome para ele, e surgiu Nação Cariri, em homenagem aos índios Cariris e à luta que travaram contra os colonizadores, na chamada Confederação dos Cariris. O grupo inicial foi praticamente o mesmo que fazia o movimento Por Exemplo, no qual eu estava inserido, tendo sido um dos seus fundadores, ao lado de Jackson Bantin, José Wilton (Dedê), Cleivan Paiva, Teta Maia, José Roberto França, Emérson Monteiro, Geraldo Urano, Pachelly Jamacaru, Zé Nilton, Luiz Carlos Salatiel, Stênio Diniz, Jefferson de Albuquerque Jr., Valmir Paiva, Luiz Karimai e Decas, entre outros.

O movimento teve, logo em seguida, a colaboração de artistas que moravam em São Paulo (Tiago Araripe, Hermano Penna, Francisco Assis do S. Lima); em Recife (Ronaldo Brito) e em Fortaleza (Oswald Barroso, Firmino Holanda, Marta Campos, Itamar do Mar e Carlos Emílio Correa, entre outros). A estes nomes, foram acrescidas dezenas de outros, durante a segunda fase do jornal; entre eles, citamos: Floriano Martins, Natalício Barroso Filho, o livreiro Gabriel José da Costa, Fernando Néri, Rejane Reinaldo, Joana Borges, Fátima Magalhães, Juarez Carvalho, Pingo de Fortaleza, Ronaldo Cavalcante, Diogo Fontenelle, Nilse Costa e Silva, Ronaldo Lopes, Alan Kardec e Luciano Maia. Patativa do Assaré era o mestre, aquele que consagramos como poeta maior. Editamos um jornal muito legal, com poemas, artigos, desenhos, ensaios...

E o jornal conseguia circular?

Desde os seus primeiros números, o jornal foi distribuído em várias cidades do interior cearense e em algumas capitais brasileiras, por meio de seus correspondentes, chegando assim a circular em universidades, grupos literários, bancas de revistas, livrarias, sindicatos etc. Contudo, o maior impacto do jornal, com ampla divulgação na imprensa e nos meios intelectuais, foi em Fortaleza, cidade onde o Nação Cariri faria sua história. O ano de 1979 foi um período de grande atividade para aquele movimento. Foi quando, na qualidade de um dos coordenadores do movimento, tomei parte das reuniões preparatórias do Massafeira Livre e sugeri a participação dos jovens artistas e dos artistas populares do Cariri. Como saberíamos depois, o Massafeira Livre iria ter grande importância na carreira e no reconhecimento de alguns desses artistas e servir também de balão de ensaio para o show Canto Cariri, ao qual já fiz referência, quando tratei do Grupo Siriará.

O Nação Cariri deixou de ser apenas do Cariri?

O campo de atuação do jornal foi crescendo cada vez mais e recebeu, inclusive, um efetivo apoio do livreiro Gabriel José da Costa. O Nação Cariri não se conteve em ser apenas um jornal e se transformou em um movimento amplo, independente e combativo, tendo sido capaz de deixar duradouros marcos na cultura e nas artes do Ceará. O Nação Cariri atuou nas áreas de música (promoção de shows, editoria de discos), teatro (peças em sindicatos, bairros e campanhas políticas progressistas), literatura (publicações e recitais públicos), artes plásticas (ilustrações de livros e exposições) e cinema (realização de curtas-metragens sobre cultura popular). A atriz e produtora cultural Teta Maia dá também o seu testemunho: “Foi a partir dessa experiência que os poetas do Nação Cariri retomaram a oralidade dos poemas e realizaram inúmeros recitais em teatros, sindicatos e praças públicas”. Como editora, a Nação Cariri publicou vários livros de autores cearenses, bem como álbuns de desenho, cartazes e folhetos.
Uma das grandes preocupações do movimento, ao mesmo tempo em que dialogava com poetas de vários países e com as manifestações de vanguarda, foi a valorização crítica da cultura popular. Os artistas do povo tiveram vez e voz. Grandes mestres e artistas do povo foram divulgados, com grande repercussão. Exemplo maior dessa ação foi a decisiva participação do grande poeta popular Patativa do Assaré, que sempre fez uso das páginas do Nação Cariri e deu grandes contribuições também em recitais e shows artísticos. Artistas e grupos de artes tradicionais foram valorizados e se tornarem bastante conhecidos das novas gerações. A aproximação do Nação Cariri com os artistas populares do Ceará foi uma experiência muito rica. O encontro da tradição com a vanguarda, do popular com o erudito, do saber científico com o empírico, no calor das lutas e das conquistas de espaços simbólicos, marcou o início de uma caminhada que considero vitoriosa para as culturas populares cearenses.

Oswald Barroso foi outro artista de esquerda com grande contribuição nesse movimento, não é mesmo?

Sim, Oswald Barroso, além de dramaturgo e poeta, é também um pensador, com importante contribuição teórica. A respeito do Nação Cariri, ele afirmou: “Para além das suas buscas estéticas e suas preocupações políticas de esquerda, Nação Cariri caracterizou-se pelo relevo dado às artes e aos artistas populares, trazendo-os para o primeiro plano. Cultivava-se uma arte, que se queria de vanguarda, mas referenciada nas tradições do povo. O encontro com os artistas populares influenciou profundamente setores intelectuais da classe média, ligada ao Nação Cariri. O Nação Cariri buscava a ligação com uma literatura de combate terceiromundista. Nessa direção, publicou uma série de autores estrangeiros, latino-americanos, africanos e asiáticos, de preferência, identificados com suas propostas. (...) A presença recorrente de temas e traços estéticos da vida e da linguagem popular no cinema, no teatro, na música, na literatura e até nas artes plásticas, que hoje se faz no Ceará, não é de todo alheia à influência militante que Nação Cariri exerceu em nosso movimento cultural. O mesmo acontece com o reconhecimento do mérito (inegável, mas por tanto tempo negado) de artistas populares que são hoje orgulho de cearenses e brasileiros”. (Ceará – Uma cultura mestiça. Livro inédito).

Quais suas influências artísticas?

A minha primeira e mais importante influência foi a do meu pai, seu Zé Moura e das minhas avós: Perpétua e Mourinha. Do meu pai, foi um legado ético e de amizade; das minhas avós, o contato com o mundo encantado da cultura popular, por meio das histórias, das canções e das atividades lúdicas. No tempo em que meu pai morou no Crato, ele foi amigo de grandes mestres da cultura popular: Patativa do Assaré, Cego Heleno, Dona Ciça do Barro Cru e outros. A bodega do meu pai e o Bar Tupy, do meu avô Manoel Pereira, bem próximos da bodega de Joquinha, na rua dos Cariris, eram pontos de encontro desses e de muitos outros artistas populares. Conheci ainda Walderedo Gonçalves, mestre Aldenir, Zé Gato Azuleica, os Anicetos antigos, Mestre Noza, Cizin, Cícera Lira, entre tantos outros. Patativa indicou-me a leitura dos primeiros poetas clássicos. Seu Elói já era famoso, e o programa “Coisas do Meu Sertão” era assistido por todos, dos velhos às crianças. Depois entrei nos Seminário São Francisco de Juazeiro e no Sagrada Família, de Crato, onde tive contato com toda uma literatura clássica europeia. Pude assim perceber que muitas dessas influências eruditas e clássicas encontravam-se ainda vivas em muitas das manifestações populares dos grandes mestres.

Como você vê a relação entre arte e política?

Toda arte é política, mesmo quando o artista pretende realizar “arte pela arte”, se partimos da compreensão aristotélica de que o homem é um ser político, vive em sociedade preservando e transformando essa sociedade, em permanente conflito. No entanto, a arte não pode ser enquadrada em ditames burocráticos partidários e ideologias que sufocam a liberdade. As tentativas históricas de acorrentar a arte em padrões burocráticos e sistemas ideológicos fechados, seja por qual ideologia for, sempre se mostraram desastrosas. Eu aprendi a ver a arte ligada à insubmissão, à liberdade.

Você também é poeta. O que a poesia representa para você?

Poesia é sempre a possibilidade da renovação, não apenas da linguagem, mas também do sentido da vida. Em épocas de crise, poetas-samurais podem até ver alguma poesia no brilho das espadas ou no fogo dos canhões e confundirem este brilho fugaz com o brilho da eternidade. No entanto, este brilho aparente é treva. A poesia pode falar da luta libertária, mas ela não é luta, é apenas o sonho de liberdade. A poesia pode ser filha do conflito, mas não se subjuga ao conflito. Hoje, já na meia idade, é que vim compreender isto. Enquanto vida, a poesia é maior do que as guerras e que as revoluções, pois almeja a paz e só se realiza no mais profundo humanismo, de forma radical, tendo o homem como raiz do homem. Mesmo quando ela é sagrada e fala de Deus, é do homem que ela fala; do homem e dos seus sentimentos, do homem e da sua fragilidade, do homem e da sua busca irrealizada de absoluto. Quando o instinto da morte triunfa, a poesia se faz ainda mais necessária. Adorno afirmou, certa vez, que não era possível fazer poesia depois de Auschwitz. Talvez o certo seja afirmar que, depois de Auschwitz, a única coisa que ainda pode salvar o homem é a poesia. Quando eu penso em poesia, no Cariri, eu penso em Patativa do Assaré e Geraldo Urano, dois grandes poetas, de estilos e visões do mundo completamente diferentes, e, no entanto, necessários e vitais. O Cariri seria mais pobre sem esses dois grandes poetas. Patativa do Assaré já morreu e foi reconhecido em vida e também na posteridade. O Geraldo continua vivo e ainda desconhecido. Quero um dia dedicar um ensaio à poesia de Geraldo Urano.

A sua estética cinematográfica busca uma contextualização histórica e apresenta um discurso engajado. A estética de Glauber Rocha e Bertolt Brecht está contida na sua produção?

Sim, pode ser compreendida como um discurso engajado, no sentido de que, embora buscando um discurso universal, não me desligo dos processos históricos e culturais nos quais estou inserido, o que provoca novas possibilidades de reflexões sobre esses mesmos processos históricos e culturais. As contribuições marcantes de Glauber e Bertolt Brecht estão presentes nas minhas obras, mas não mais do que cineastas como Paradjanov e Pasolini, ou de mestres como Patativa do Assaré , Mestre Aldenir e Mestre João Aniceto e Ariano Suassuna, para ficarmos apenas em alguns poucos exemplos, entre os muitos. Não parti apenas do discurso neo-barroco glauberiano ou do teatro épico de Brecht, descobri outras formas do barroco, do épico, do figural, do poético, do sagrado, do rebelde, nas próprias manifestações das culturas populares nordestinas, que são herdeiras das grandes correntes culturais ibéricas, mediterrâneas e magrebinas. Ainda estou buscando caminho. Talvez por isso, eu goste muito do filme Siri-Ará, enquanto busca de construção narrativa e estética. Neste filme eu trabalhei, ao lado de atores profissionais, com o reisado do mestre Aldenir Callou e com a Banda de Pífanos dos Irmãos Aniceto.

A diversidade cultural das manifestações populares é recorrente nas suas obras. Qual a importância da “cultura do povo” (termo utilizado pela filósofa Marilena Chauí para reformular o conceito de cultura popular) para afirmação da identidade nacional?

Uma identidade nacional não é algo definido, é algo em construção. O que é o povo brasileiro? Para Darcy Ribeiro, que vê o Brasil como uma Roma tardia, é resultante do “encontro de todas as taras e talentos da humanidade”. Para mim, o povo brasileiro é esse imenso caldeirão étnico e cultural, onde a humanidade se reinventa com a contribuição de mil povos, de mil raças e de mil culturas. Quando falamos em cultura do povo, no Brasil, estamos falando de culturas dos povos, sejam povos autóctones ou povos transplantados que trouxeram também suas influências e mestiçagens. Quando se fala em povo brasileiro, estamos falando nessa herança de toda a humanidade. Quando estamos falando em regional, com certeza, queremos dizer universal. É preciso pensar o que chamamos de “cultura do povo”, de forma mais ampla e mais generosa, sem as peias do regionalismo ou do nacionalismo fechado.

Quando você foi Secretário da Cultura no Crato desenvolveu um projeto audacioso de intersetorialidade no bairro Alto da Penha, que foi denominada de Projeto Rabo da Gata, o qual envolveu implantação de videoteca, biblioteca, realização de cursos e até saneamento básico, entre outras ações. Qual a importância da intersetorialidade nas políticas públicas para a cultura?

Em 1996, eu estava na França, quando fui convidado pelo Dr. Raimundo Bezerra para ser Secretário de Cultura do Crato. Abandonei alguns projetos importantes e vim para o Crato. Na época, a Violeta Arraes era Reitora da Urca. Vim porque um sentimento mais profundo me chamou e eu acreditava que poderia dar alguma contribuição para o desenvolvimento da cultura local. Fizemos o possível, dentro das possibilidades reais, lutando contra visões bem conservadoras. Mesmo assim, ainda conseguimos realizar um bocado de coisas, e mesmo as coisas que não foram realizadas no Crato terminaram por fecundar e ser gestadas no Estado do Ceará em outros Estados. Alguns projetos, como o dos Mestres e Guardiões dos Saberes Populares, que lançamos no Crato, com a grande contribuição de Cacá Araújo e Elói Teles de Moraes, em 1976, vieram depois a se tornar política pública federal. Entre alguns projetos que foram postos em prática ou elaborados naquele momento, cito: o I Encontro das Culturas Populares do Nordeste e os projetos do Parque Histórico do Caldeirão, da Universidade de Saberes Populares e Contemporâneos (Escola de Saberes), Festival de Cultura dos Povos (transformado posteriormente em Encontro de Mestres do Mundo), do Centro Cultural da RFFSA, do Crato, do Corredor Cultural do Crato (que previa o estabelecimento de escolas de teatro, de dança, de cinema, de artes plásticas, oficinas de literatura, entre outras, deste o sítio Lameiro, onde está situada a Escola do padre Ágio, passando pelo bairro do Pimenta, pela URCA, Parque de Exposição, pelo Rabo da Gata - derivando para a Praça da Sé, pela Estação Ferroviária, seguindo a ferrovia com ocupação dos espaços com quiosques culturais, passando pela Faculdade de Direito, até chegar ao Pau do Guarda), da Associação dos Curumins do Sertão (terminou acontecendo em Farias Brito), da Fundação Cego Aderaldo (depois intitulada Mestre Elói) e da Revitalização do Bairro Rabo da Gata (Crato), entre outros. O projeto da Estação chegou a ser realizado, e a revitalização da Quadra também. Não sei como ficou o Cine Estação Moderno, que já tinha sido começado e para cuja conclusão conseguimos mais recursos, na época.

E as festas populares?

Lembro-me também do Grande encontro da malhação do Judas, da Coroação de Nossa Senhora, na igreja matriz, com centenas de anjos e a orquestra do Padre Ágio. Um espetáculo de significado profundo (que toma o religioso sob o signo do feminino), o Projeto de Revitalização do Bairro Batateiras (Parque Ecológico da Nascente) etc. Tentamos ainda fazer grandes festas ligadas a Nossa Senhora do Belo Amor, à Confederação do Equador e à memória de Dona Bárbara. Não conseguimos tudo, mas os projetos foram feitos. Queríamos colocar o Crato novamente no grande circuito cultural do Nordeste. Em tudo que fazíamos, havia essa integração entre cultura, educação, saúde, bem estar social, cidadania etc. Não praticávamos um conceito fechado do exercício cultural. Cultura, para nós, tinha um conceito bem amplo e participativo, intersetorial. Era um projeto que estava ligado às lutas pelas transformações sociais. Tínhamos uma turma boa: o Cacá Araújo, a Dane de Jade, o Carlos Rafael, Alemberg Quindim, Cleivan Paiva, o Bola e tantos outros. Não custava sonhar, e nós sonhávamos. Essa experiência durou apenas um ano. Dr. Raimundo Bezerra, o prefeito do Crato, que morreria algum tempo depois, também era um sonhador, um homem culto que lutara contra a ditadura e que conhecia o mundo. O Crato deve uma homenagem a esse grande homem.

Você tem uma forte ligação com o movimento de esquerda, tendo inclusive sido militante do PCdoB. Isso contribuiu para a forma do seu pensar e fazer artístico?

Sim, fui militante político do PCdoB, no final da década de 1970, até meados da década de 1980 e foi um período muito importante da minha vida, pela participação nas lutas coletivas e pelos companheiros que conheci. Do partido, ampliamos os nossos campos de leitura sobre filosofia, sobre história, sobre cultura e sobre arte. Aproximamo-nos ainda mais das artes russas do período pós-revolucionário, das leituras e de Brecht etc. No entanto, jamais consegui engolir o conceito de “realismo socialista”, que deveria ser imposto a todos os povos do mundo, passando por cima das diversidades culturais dos povos. Zadnov sempre me pareceu um burocrata medíocre e fez um enorme mal às artes dos artistas socialistas de todo o mundo. Essa visão burocrática e reducionista afastou das lutas socialistas alguns dos mais importantes artistas do mundo e, subsequentemente do Brasil, da militância socialista. A arte não pode ser presa em formas burocráticas. Panfletária, romântica, dadaísta, surrealista, barroca, futurista, popular, erudita, não importa, a arte deve ser libertária.

Qual a contribuição do marxismo para a compreensão da arte e da cultura?

O marxismo contribui de forma marcante com o pensamento crítico das culturas e das artes no século XX. Podíamos mesmo dizer que foi influência dominante nas universidades e nos grupos intelectuais de todo o mundo. O que não era marxismo, muitas vezes, eram respostas ao marxismo. Georg Lukács (1885-1971), Antonio Gramsci (1891-1937) e Theodor Adorno (1903-1969) são nomes importantes, mas a eles somam-se centenas de outros. Marx, Engels, Lenin e Trosky também têm importantes reflexões sobre a cultura e as artes. Se fôssemos citar os artistas que fizeram uma arte ligada aos princípios da filosofia marxista, teríamos uma enorme quantidade de nomes que perpassam todos os movimentos culturais e artísticos do século.

Como vê você a circulação da produção cinematográfica brasileira?

A circulação, ou seja, a distribuição e exibição são os grandes problemas do cinema brasileiro. Muitas vezes, 2/3 das quase duas mil salas de cinema no Brasil são ocupados por um único produto norte-americano, os chamados blockbuster. As majors, as empresas transnacionais que detêm a hegemonia do mercado internacional, determinam a ocupação desses espaços. Por outro lado, as salas estão concentradas nos shoppings centers e constituem um espaço de lazer da classe média dos grandes centros urbanos. O cinema popular no Brasil foi destruído, não existem mais cinemas populares nos bairros das grandes metrópoles e nas cidades de médio e pequeno porte. Imaginem que, na cidade do Crato, na década de 1960, existiam seis cinemas. No Cine Educadora, funcionava um Cineclube ligado à Fundação Padre Ibiapina que era importantíssimo. Nós víamos o melhor do cinema mundial. O que resta, hoje? Quantas salas de cinemas existem no Crato? Quantas salas de cinema existem no Cariri? Que filmes são exibidos nessas salas? O Cine Mais Cultura, do MinC, está com o projeto de instalar 2.000 salas de cinemas populares no Brasil, em cidades de pequeno e médio porte. O Cariri devia se mobilizar e instalar salas de cinema em todas as cidades da região. Seriam salas de cinema em pequenos centros culturais comunitários, com gestão coletiva etc. É preciso criar novos modelos. Com as novas tecnologias e a convergências de mídias, ficou mais fácil encontrar soluções criativas.

A produção cinematográfica estadunidense é um empecilho para o cinema latino- americano e caribenho?

A produção de Hollywood é um problema não apenas para o cinema latino-americano e caribenho. Acredito mesmo que essa produção, que detém por volta de 90% do mercado mundial, é um problema para todo o mundo e mesmo para os cineastas independentes dentro dos Estados Unidos. Esta indústria de cinema é tratada como indústria estratégica e é colocada pelo Estado no mesmo pé de igualdade da indústria da guerra. Eles sabem que aonde chegam os filmes norte-americanos chegam também seus produtos, seu modo de vida, sua ideologia... A grande guerra que se trava no mundo hoje não é a de tanques, é a de satélites, é a do controle dos meios de comunicação de massa, é o domínio das mentes e dos corações.

O Coletivo Camaradas homenageará a sua produção em 2010, tendo em vista o caráter engajado das suas obras. O que isso representa para você?

Representa que esse coletivo de jovens do Cariri poderá levar os meus filmes e meus poemas a encontrar-se com o público da periferia da cidade do Crato e de outras cidades da região. Se os meus filmes sempre foram feitos com a marca da coletividade, é bom que esses filmes sejam devolvidos à comunidade.

Quais seus planos para 2010?

Rodar o filme Folia de Reis, uma farsa popular sobre o neocolonialismo e o consenso de Washington (os reflexos perversos dessas políticas nos países subdesenvolvidos). Também quero instalar no Cariri, de forma experimental, as primeiras “Escolas de Saberes Tradicionais e Contemporâneos”, no caso, o “Saber Reisado” e o “Saber Cabaçal”. Vou tentar.

Fonte: Blog Coletivo Camaradas (publicado no site do PCdoB www.pcdob.paginaoficial.ws/noticia.php?id_noticia=123238&id_secao=61)

Fevereiro

O mês de fevereiro retratado no quadro Très riches heures du duc de Berry
Fevereiro é o segundo mês do ano, pelo calendário gregoriano. Tem a duração de 28 dias, a não ser em anos bissextos, em que é adicionado um dia a este mês. Já existiram três dias 30 de Fevereiro na história. O nome fevereiro vem do latim februarius, inspirado em Februus, deus da morte e da purificação na mitologia etrusca. Originariamente, fevereiro possuía 29 dias e 30 como ano bissexto, mas por exigência do Imperador César Augusto, de Roma, um de seus dias passou para o mês de agosto, para que o mesmo ficasse com 31 dias, semelhante a julho, mês batizado assim em homenagem ao Imperador Júlio César.

Calendário Fevereiro 2010
Para que se possa planejar o feriado do carnaval e curtir a folga prolongada, primeiro é preciso saber quando começa o carnaval em 2010.

Para isso colocamos a folhinha abaixo que tem o feriado de terça-feira de carnaval assinalado em destaque. Este ano cai no dia 16/01. E como a folia no Brasil começa na sexta-feira, passa pelo sábado, domingo, segunda-feira e só acaba na quarta feira de cinzas, podemos dizer que um período bom para descansar a cabeça.


Além deste feriadão, há também outras datas comemorativas interessantes, veja algumas delas:

1 de fevereiro - Dia do Publicitário
2 de fevereiro - Dia do Agente Fiscal da Receita Federal
2 de fevereiro - Dia de Iemanjá
5 de fevereiro - Dia do Datiloscopista
6 de fevereiro – Dia do Agente de Defesa Ambiental.
7 de fevereiro - Dia do Gráfico
9 de fevereiro - Dia do Zelador
10 de fevereiro - Dia do Atleta Profissional
11 de fevereiro - Dia da Criação da Casa da Moeda do Brasil
11 de fevereiro - Dia Mundial do Enfermo
13 de fevereiro - Dia Nacional do Ministério Público
14 de fevereiro - Dia da Amizade (Também comemorado dia dos Namorados em alguns países europeus e nos Estados Unidos)
16 de fevereiro - Dia do Repórter
19 de fevereiro - Dia do Desportista
21 de fevereiro - Dia da Conquista de Monte Castelo (1945)
23 de fevereiro - Dia do Rotaryano
24 de fevereiro - Promulgação da primeira Constituição da República do Brasil (1891)
25 de fevereiro - Dia da criação do Ministério das Comunicações
26 de fevereiro - Dia do Comediante
27 de fevereiro - Dia dos Idosos

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre