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quinta-feira, 5 de junho de 2008

Tradições de Crato


O Crato realizou, no último dia 31 de maio, a 108ª festa de coroação de Nossa Senhora.
Esta festa foi realizada pela primeira vez em 1900, por iniciativa de então vigário, Padre Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, o qual – em 1914 – seria eleito primeiro bispo da Diocese de Crato.
É de Olga Gomes de Paiva, Chefe da Divisão Técnica do Iphan-Ceará, esta declaração:

"A Coroação de Nossa Senhora, na Catedral de Crato, é uma das mais belas celebrações católicas no Ceará! A participação das crianças, com suas famílias, é a constatação do repasse de importante tradição cultural que, sem nenhuma dúvida, representa o fortalecimento dos laços familiares, nos quais se destaca o respeito pela figura materna e o enaltecimento para nós, mães de família. O patrimônio imaterial do Cariri não poderia ser mais bem representado do que nessa solenidade de coroação da Virgem Maria na cidade de Crato!".

Conhecendo a história de Crato


Quem percorre a estrada Crato-Arajara, depara-se - a 5 km depois da saída de Crato - com uma capela centenária: São Sebastião dos Currais. Ela tem uma história interessante. Em 1862, uma doença contagiosa e mortal - o cólera - se abateu e dizimou considerável parcela da população do Cariri. O major Felipe Teles Mendonça, proprietário do sítio Currais, fez uma promessa: construir uma capela - dedicada a São Sebastião - se não morresse de cólera-morbo nenhum dos membros de sua família ou de seus moradores. Alcançou a graça e cumpriu a promessa. E hoje a capelinha (embora deteriorada) ainda resiste à indiferença da população e à ação do tempo...

Se o cratense soubesse valorizar seu patrimônio arquitetônico e sua história a capelinha de São Sebastião dos Currais seria restaurada...

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Saiu no blog de Diogo Mainardi:Dilma, as Farc e as drogas

"Em minha última coluna, informei que a mulher de Olivério Medina, o representante das Farc no Brasil, foi contratada pelo governo Lula. Isso aconteceu em dezembro de 2006, quando o marido dela ainda estava preso em Brasília, à espera do julgamento no STF. Uma reportagem do jornal Gazeta do Povo mostrou que a mulher de Olivério Medina foi cedida pelo governo do Paraná a pedido de Dilma Rousseff. Epa, epa, epa! Pode repetir? Posso sim. Com prazer. De acordo com um documento reproduzido pela Gazeta do Povo, e que pode ser acessado aqui, Dilma Rousseff requisitou pessoalmente ao governador do Paraná a transferência da mulher do preso das Farc. Uma dúvida: a ministra da Casa Civil demonstra esse mesmo interesse por todos os servidores de terceiro escalão?
O deputado Rodrigo Maia pediu esclarecimentos sobre o caso. O senador Arthur Virgílio, por sua vez, encaminhou um requerimento ao Ministério da Pesca. Até agora, o governo Lula só emitiu uma nota sobre o assunto, prometendo me processar. É a escala de valores dessa gente: Olivério Medina - "el Pancho" - solto, e Diogo Mainardi - "o Pança" - condenado. Em sua nota, a assessoria de imprensa do Ministério da Pesca confirmou todos os dados relatados em minha coluna. Negou apenas que pudesse haver um elo entre o governo e as Farc. Eu ficaria muito surpreso se alguém admitisse o contrário.
O Brasil tem 50.000 assassinatos por ano. Isso é o que importa quando se trata das Farc. Ignore a retórica esquerdista. Ignore a mística guerrilheira. Concentre-se no essencial. E o essencial é o tráfico de drogas. O Brasil é um grande mercado consumidor das drogas produzidas nos territórios dominados pelas Farc. O Brasil é também um grande entreposto para o seu comércio internacional. O lulismo tenta passar a idéia de que as Farc dizem respeito apenas à Colômbia. E, marginalmente, à Venezuela e ao Equador. Mentira. O Brasil entra na guerra com sua monumental cota de assassinatos relacionados com o consumo e com o tráfico de drogas, e com todos os crimes que podem ser associados a eles: assaltos, contrabando de armas, jogo ilegal, lavagem de dinheiro. Cada um de nós, indiretamente, já foi assaltado pelas Farc. Cada um de nós conhece alguém que foi assassinado pelas Farc.
Minha pergunta é a seguinte: um governo que contrata a mulher de um membro das Farc, com a ajuda direta da ministra da Casa Civil, em documento assinado por ela, demonstra estar solidamente empenhado no combate ao tráfico de drogas? Aguardo a resposta. O crime organizado contamina a política. Há uma série de sinais nesse sentido, do caso do ex-secretário de segurança do Rio de Janeiro, que acaba de ser preso, aos atentados do PCC na última campanha presidencial, que afundaram a candidatura de Geraldo Alckmin; dos inquéritos sobre os perueiros, na campanha à prefeitura paulistana, ao pedido de propina de Waldomiro Diniz ao dono de um bingo. O governo Lula considera perfeitamente legítimo contratar, para um cargo de confiança, a mulher de um criminoso internacional preso por pertencer a um grupo que pratica o terrorismo e o tráfico de drogas. Eu respondo lembrando os 50.000 assassinatos por ano. Sabe como é: na guerra entre os traficantes de drogas e a lei, os mortos escolheram o lado errado".

terça-feira, 3 de junho de 2008

As voltas que o mundo dá - por Armando Lopes Rafael

"Você diz que devo morrer e que nada restará do meu nome, mas as canções que cantei serão cantadas para sempre". (Huexotzin, príncipe asteca - 1484)

Em 1917 os bolcheviques tomaram o poder na Rússia. Por ordem expressa de Lenine, o Czar Nicolau II, sua esposa e filhos foram impiedosamente e traiçoeiramente fuzilados. Com esses assassinatos, Lenine julgava que faria desaparecer, nas brumas da história, a instituição monárquica russa. Hoje sabemos que ele e seus asseclas deram com os burros n’água!
Os comunistas foram responsáveis pelo mais antinatural e desumano regime político que o mundo já conheceu. Segundo “O Livro Negro do Comunismo” mais de cem milhões de pessoas foram assassinadas para a manutenção desse regime, nos países onde se instalou. De 1917 a 1989, o socialismo real dominou as populações da União Soviéticas (e dos paises vizinhos anexados pela finada URSS, que formavam a Cortina de Ferro) à custa do chicote e das baionetas. Nessas sete décadas, os comunistas usaram a tecnologia para escravizar; o poder para oprimir e a mídia para manipular e mentir. Praticaram atrocidades as mais diversas. Uma delas foi o assassinato do Czar Nicolau II. A partir de 1918 ninguém mais, na Rússia, falou sobre a família imperial.
Em 1989, após a queda do Muro de Berlim, o povo russo recuperou a liberdade perdida. Muitos, a partir daí, principalmente na universidade, se voltaram para restaurar as verdadeiras origens do que eles chamam “Mãe Rússia”. Ocorreu então a volta triunfal da memória do Czar Nicolau II e de sua família.
Primeiro iniciaram uma campanha para localizar os restos mortais do Czar e familiares. Após longas pesquisas conseguiram encontra-los. Depois forçaram o governo de Yeltsin a sepultar condignamente os venerandos despojos, com um pedido de perdão pela atrocidade cometida. Isso aconteceu em 17 de julho 1998, na Catedral de São Pedro e São Paulo, em São Petersburgo, onde estão enterrados os demais Czares. Devido ao interesse pelos Romanov (família imperial que reinou na Rússia de 1613 a 1917) farta literatura vem sendo publicada sobre eles. A atual bandeira tricolor da Rússia voltou a ter a águia bicéfala dos tempos da Monarquia. Em 19 de agosto de 2000 durante a festa da Transfiguração, Nicolau II e a família imperial foram canonizados, como mártires do comunismo pela Igreja Ortodoxa. O cinema adiantou-se à decisão dos bispos com «Os Romanov, Uma Família Imperial», filme de Gleb Panfilov. Ainda mais popular é o último disco de Elena Bogusheskaya, cantora de renome na Rússia, que lhe dedicou todas as canções e ainda pôs na capa uma imagem de Nicolau com uma aura dourada à volta da cabeça.
Hoje sabemos que matando o Czar e sua família os comunistas deram-lhes o direito de voltar. Tem um pensamento russo que diz: “Tudo volta. Tudo”. Já no evangelho de João 12:24 também está escrito: “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo caindo na terra, não morrer, fica ele sozinho; mas se morrer produz muitos frutos”. Maria Stuart, outra rainha assassinada, escreveu: “Em meu fim está meu começo”. É este o caso de Nicolau II. Recentemente noticiou-se que será enterrada a múmia de Lênin, exposta no Kremlin. Enquanto isso o túmulo do último Czar, na Catedral de São Petersburgo, recebe flores, todos os dias, por parte das novas gerações russas. São as voltas que o mundo dá...

Da série: Coisas do Brasil

Sem fábrica. E sem pequi!

(O GLOBO - Carlos Alberto Sardenberg)

Deu numa pesquisa da Nielsen: no ano passado, nada menos que 600 mil domicílios brasileiros passaram a comprar refrigerantes.
É isso mesmo: não compravam, ganharam renda e passaram a consumir refrigerantes.
Todos os dados confirmam. Cresceu a produção dos fabricantes de bebidas e a renda do trabalhador, segundo dados do IBGE, está em clara recuperação. O consumo das famílias está crescendo mais que a expansão do Produto Interno Bruto.

Confiante na manutenção desse quadro, a AmBev resolveu instalar mais uma fábrica no país. Topou com os obstáculos à brasileira.
A empresa escolheu o município de Sete Lagoas, em Minas, para construir a nova planta. Comprou o terreno, por R$ 3,5 milhões, e anunciou um investimento total de R$ 240 milhões, com a criação de 800 empregos diretos e 1.200 indiretos.


Dançou


O terreno tem 410 árvores de pequi.
Na solicitação das licenças, verificou-se que estava em vigor uma lei estadual que ninguém sabe bem como foi aprovada.
Mas foi. E diz que é proibido cortar árvores de pequi.
A AmBev propôs então plantar dez mil pequizeiros, em lugares indicados pelos órgãos ambientais, em substituição aos 410 do terreno.
Não pode. O Ministério Público Estadual embargou os processos de licenciamento ambiental, pois a lei não prevê a substituição. Diz apenas que não se pode cortar uma árvore sequer.
A prefeitura de Sete Lagoas e lideranças locais ainda estão tentando mudar o quadro. Foram a Belo Horizonte apoiar um projeto de lei que estabelece a regra da substituição (dez árvores plantadas para cada uma arrancada, menos do que a proposta da AmBev). Mas o projeto acabou saindo de pauta, porque foram apresentados vários substitutivos, provavelmente tentativas de aproveitamento político do episódio.

O fato é que a companhia está procurando terreno em outro lugar
Vai acabar saindo a fábrica. A AmBev é uma enorme companhia, pode absorver sem dificuldades esse tipo de prejuízo e, afinal, o mercado continua aí. Para a população de Sete Lagoas, porém, o prejuízo será irreparável, caso a empresa se decida por outro município, como parece.
Para salvar 410 pequizeiros, Sete Lagoas terá perdido uma fábrica, empregos, renda, impostos e... 9.590 árvores de pequi.
Estupidez serve para definir a situação? Podem procurar: situações como essa se repetem pelo país todo, no micro e no macro. Com uma agravante: empresas grandes têm recursos e pessoal para lidar com essas adversidades. Pequenos e médios empresários simplesmente ficam pelo caminho.
Esses problemas se tornarão cada vez mais evidentes. Em um país com inflação de 5% por semana, moeda mudando de tempos em tempos, demanda lá embaixo, esses fenômenos microeconômicos eram a última preocupação.
Na medida, porém, em que foram controladas as principais variáveis macro (inflação domada — estamos discutindo se será de 4,5% ou 5,5% neste ano — contas externas resolvidas e contas públicas equilibradas, embora à custa de dívida e impostos, crédito restabelecido), aqueles fenômenos passam a ser os mais importantes.

Aqui aparecem essas legislações simplesmente absurdas, que provocam o resultado contrário. Pois está claro que empresas informais, por exemplo, não vão perguntar aos órgãos ambientais se podem trocar um pequizeiro por dois mil novos.
Provavelmente ninguém contou, mas sou capaz de apostar que existem hoje em Minas menos pés de pequi do que havia antes da promulgação da lei.
Pressão Quando o presidente Lula e seus ministros garantem que não faltará energia nos próximos anos, estão contando com o suprimento de três novas usinas hidrelétricas, as de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, e a de Belo Monte, no Xingu.
As duas primeiras têm licença prévia, foram licitadas, mas não têm as demais licenças necessárias para o início da obra. Belo Monte não tem sequer a primeira.
Ainda assim, o governo diz que Belo Monte será licitada no ano que vem e que as obras das outras duas começam este ano. E conta com a energia destas já a partir de 2012.Se isso não acontecer nesses prazos tão rápidos para obras tão grandes, vai faltar energia.
É esta a primeira pressão que está posta sobre o novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. A mesma que contribuiu para o desgaste de Marina Silva.

Lista suja do TCM vai mexer com o mundo político


A chamada lista suja do TCM vai mexer e remexer com o mundo político do Cariri. Aqui, são dezenas de nomes na lista divulgada pelo Tribunal de Contas dos Municípios. Em Juazeiro do Norte, estão na lista Raimundo Macedo (atual prefeito) e os ex-prefeitos Carlos Cruz e Mauro Sampaio.

No Crato, Walter Peixoto, Antonio Primo de Brito e Moacir Siqueira, todos ex-prefeitos. Em Barbalha Rommel Feijó figura na lista.

Confira alguns nomes:

Antonio Primo de Brito

Walter Peixoto

Moacir Siqueira

Rommel Feijó

Inaldo Sá Barreto

João Hilário

Luciana Brito

Sineval Roque

João Eufrásio

Mauro Sampaio

Carlos Cruz

Ana Paula Cruz

Vicente Alencar

José Leite Landim

Márcio Martins

Aronio Lucena Salviano

Humberto Germano

Valndevelder Francelino

Helosman Sampaio de Lacerda

Veja todos os nomes no site do TCM
www.tcm.ce.gov.br

Contas desaprovadas podem deixar ex e atuais prefeitos fora da eleição

Nomes de peso da política da Região do Cariri estão na relação de nomes entregues, nessa segunda-feira, pelo Presidente do Tribunal de Contas dos Municípios, Ernesto Sabóia, à Procuradora-geral de Justiça do Ceará, Socorro França. São nomes de ex e atuais prefeitos com contas desaprovadas ou crime de improbridade administrativa que poderão ser inelegíveis. Uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o apoio dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) da maioria dos 27 estados brasileiros, recomenda que, quem tem conta desaprovada, não receba o registro da Justiça Eleitoral para ser candidato.

A lista suja do TCM tem atuais prefeitos do Cariri que tentam a reeleição, como Raimundo Macedo (Juazeiro do Norte) e Rommel Feijó (Barbalha). A lista é composta, ainda, pelos ex-prefeitos Carlos Cruz (Juazeiro), Walter Peixoto (Crato) e Antonio Roque de Araújo (Sineval Roque), ex-prefeito de Antonina do Norte e, também, pré-candidato a prefeito do Crato. O advogado Vicente Aquino, com atuação na área eleitoral, é taxativo: ''quem tem contas desaprovadas dificilmenete será candidato. Essa é a recomendação da Justiça Eleitoral, mas cada caso tem as suas diferenças e serão apreciados dentro da legislação. Ou seja, nem todos os casos podem ser de candidatos inelegíveis'', expôs Vicente Aquino, ao conversar com a reportagem do Jornal do Cariri.

Outro nome que chama na lista do TCM é o do ex-prefeito Crato, Antonio Primo de Brito, que tem o maior número de processos por improbidade e contas desaprovadas. São 50 contas desaprovads de Antonio Primo. A desaprovação de contas e crimes de improbidades administrativas de Antonio Primo, segundo Ernesto Sabóia, são ligados, em sua maioria, a contratação de servidores sem concurso. A lista entregue por Sabóia ao Ministério Público Estadual será, também, enviada à Justiça Eleitoral que irá analisar todos os pedidos de registro de candidaturas após as convenções municipais.

As campanhas sobre a honestidade, ética e retidão dos candidatos às eleições ganham corpo em todo o País e, no Ceará, não é diferente. Foram lançadas cartilhas pela Procuradoria Regional Eleitoral e pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com recomendação aos eleitores que escolham candidatos a prefeito e a vereador que tenham ficha limpa e não tenham envolvimento com casos de corrupção. As campanhas contribuíram para os Tribunais de Contas dos Municípios, dos Estados (TCEs) e da União (TCI) agilizarem a lista dos ex ou atuais agentes públicos que têm contas desaprovadas e querem concorrer às eleições deste ano. A primeira lista do TCM já saiu. Agora, é esperada a lista do Tribunal de Contas da União (TCU).

O "rapidinho" e "de volta à indústria da multa"


Em Crato, quem desce de carro pela Avenida Maildes Siqueira (no sentido Parque de Exposição-bairro Granjeiro) é obrigado a encarar um sinal de trânsito na Praça Alexandre Arraes. Apelidado de “rapidinho”, esse sinal – quando abre – fecha tão ligeiro que só permite a passagem em média de três veículos. É só conferir...

Enquanto isso,na última segunda feira, dia 2, justo na pouca movimentada Avenida Maildes de Siqueira, estava postado um agente do trânsito multando quem fazia o retorno em frente ao Parque de Exposição.

O Demutran colocou placas proibindo o retorno naquele trecho, medida adotada sem necessidade já que o tráfego ali é pequeno. Será que o prefeito Samuel Araripe sabe o que está ocorrendo? São muitos os condutores de veículos que andam reclamando do retorno da indústria da multa. E justo este ano, quando teremos eleições municipais!

Muitos condutores já estão recebendo as notificações dessas multas, que vêm com a seguinte anotação: “Pontuação 7: gravíssima”.

Onde anda o bom senso do Demutran? Bom lembrar que, no início do ano, o prefeito Samuel aprovou lei anistiando as centenas de multas, o que lhe grangeou simpatia por parte dos proprietários de veículos, que são muitos. Mas, agora, vem de novo o Demutran recomeçar as antipáticas medidas inóquas. Até parece que estão querendo prejudicar a boa imagem do prefeito...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

TÁ FEIA A COISA


É triste o estado de conservação da rodovia Crato-Arajara-Barbalha. Construída para estimular o turismo e transportar as frutas produzidas no sopé da chapada do Araripe, essa estrada cumpriu essa missão até o início deste ano. Atualmente, a situação da rodovia é caótica! Em alguns trechos – onde o asfalto foi levado pelas chuvas – só passa um veículo pequeno. Mesmo assim, oscilando em meio às ondulações da terraplanagem improvisada...

Dom Fernando Panico vai ao Canadá


Dom Fernando Panico, bispo diocesano de Crato, encontra-se na Europa desde o último dia 25 de maio. De lá ele segue no próximo dia 13 para o Canadá, onde participará do 49º Congresso Eucarístico Internacional.
O evento acontece de 15 a 22 de junho na cidade de Quebec. A delegação que representará o Brasil naquele certame é composta pelos arcebispo de São Paulo (cardeal Dom Odilo Sherer) de Ribeirão Preto (Dom Joviano de Lima Júnior) de Aparecida do Norte (Dom Raymundo Damasceno Assis) e pelo bispo de Crato, Dom Fernando Panico.

FALECEU FREI JESUALDO


Igreja de São Francisco, em Juazeiro do Norte. Foto tirada após a conclusão do templo em 1956.

Faleceu em 25 de maio passado (em Milão, Itália) Frei Jesualdo de Cologno al Serio, cujo nome civil era Ambrósio Ângelo Lazzari. Ele nasceu em 24 de abril de 1919. Ordenou-se em 11 de agosto de 1946 em Milão. Em julho de 1949 veio para Juazeiro do Norte onde permaneceu até 1962, trabalhando na construção da igreja de São Francisco das Chagas, dos franciscanos. Foi vigário paroquial nas cidades de Belém do Pará (1962); em São Luís do Maranhão (1965) e em Barra do Corda (1967), onde foi também diretor do Colégio Nossa Senhora de Fátima. Frei Jesualdo faleceu aos 89 anos.
Em Juazeiro do Norte, no último sábado, dia 31 de maio, aconteceu a missa de sétimo dia pelo seu falecimento. Frei Jesualdo era visto pela população da Terra do Padre Cícero como um “um homem virtuoso, um homem santo”...
Abaixo nota do site www.juaonline.info/:
Juazeiro do Norte chorou a morte de Frei Jesualdo...

A população católica juazeirense recebeu com pesar a notícia do falecimento, aos 89 anos de idade, de Frei Jesualdo de Cologno, missionário italiano. em Bérgamo (Itália), onde residia há vários anos. Ele fixou moradia em Juazeiro do Norte no mês de julho de 1949 para onde veio com o intuito da construção do Santuário de São Francisco, um dos maiores do Nordeste. O grupo de religiosos contava ainda com o Frei Teobaldo de Monticelli (depois substituído por Frei Mirocles de Solzano) e mais os capuchinhos Virgílio de Messejana, Conrado de Palmácia, Leônidas de Torre e Bernardo de Viçosa. Na missão de erguer o Santuário de São Francisco das Chagas, Frei Jesualdo liderou campanhas para conseguir recursos junto à população e entidades governamentais. Juazeiro deve muito ao sacerdote pelos serviços que prestou ao município, onde fez e deixou um expressivo grupo de amigos e admiradores.
(Demontier Tenório e Daniel Walker. Fotos: Revista do Jubileu de Ouro 1956-2006 do Santuário São Francisco das Chagas de Juazeiro do Norte)

Uma nota de Renato Casimiro


DOAÇÃO

Tarso Araújo (“O Povo, 25.05.2008) noticiou:

“Renato Casimiro e Daniel Walker pretendem doar ao Campus Avançado da UFC-Cariri (futura Universidade Regional do Cariri) um precioso acervo com dezenas de fotografias do Juazeiro do Norte antigo. Porque será que o Ipesc-Urca foi preterido nessa doação?”

Necessitamos esclarecer: O arquivo comum a Renato e Daniel “poderá” pertencer a UFC-Cariri. Ele é composto por milhares de peças (talvez, 20 mil) dentre livros, fotografias, documentos, cordéis, arte popular, xilogravuras, jornais, CDs, Dvds e diversos.
A experiência frustrante do péssimo gerenciamento da Urca – através do Ipesc – quando Renato e Daniel se afastaram do empreendimento é o principal responsável pelo descrédito que a instituição goza, quando se trata dos interesses sobre os equipamentos de cultura existentes em Juazeiro do Norte. Só isso”.

Semana do Meio Ambiente do Crato tem início hoje

Com o tema "Olhares para a Natureza II", será aberta oficialmente hoje, às 9 horas, e vai até o dia 06 de junho, a Semana do Meio ambiente, no Centro Cultural do Araripe. Á tarde, a partir das 14 horas, serão iniciados os debates, no Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri (URCA), com abordagem do Projeto Reciclação, desenvolvido no Crato, através da Secretaria de Meio Ambiente, e Experiência de Educação Ambiental no Semi-Árido Potiguar Reciclando para a Vida, do Rio Grande do Norte, com participação de professores daquele Estado.

Todas as palestras, debates e mesas-redondas serão realizados no Salão de Atos da URCA, à tarde. Todos os dias serão abordados temas como: Educação Sanitária para o Uso e Manejo Correto de Agrotóxico; Avanço do Desmatamento: Produção de Biocombustível x Produção de Alimentos; Gestão de Recursos Hídricos na Sub-Bacia do Salgado; Contaminação Biológica; Uso Sustentável da Biodiversidade. Também serão realizados mini-cursos e oficinas, distribuição de mudas, apresentações artísticas e culturais.

A Semana de Meio Ambiente conta com participação e apoio da Prefeitura Municipal do Crato e realização de diversos órgãos ligados ao meio-ambiente, organizações não governamentais, escolas e a Universidade Regional do Cariri. Na ocasião, será lançada a medalha de Condecoração "Soldadinho do Araripe" e haverá a exposição, no Centro Cultural do Araripe, das 8 horas às 21 horas, com o título "Olhares para a Natureza".

TCM entrega ao MP relação de gestores

O Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) elaborou uma relação com aproximadamente 1.700 nomes de gestores públicos com suas contas desaprovadas nos últimos cinco anos. As decisões envolvem mais de 4.000 processos. O trabalho será entregue à procuradora regional eleitoral, Nilce Cunha Rodrigues, nesta segunda-feira, na sede da Procuradoria Geral da Justiça (PGJ). Na ocasião o presidente do TCM, Ernesto Sabóia, fará uma exposição sobre a maneira como o trabalho foi elaborado, as informações que constam no CD a ser entregue e a maneira como cada promotor deve utilizar o CD para obter as informações que necessita. Para essa reunião foram convocados todos os promotores eleitorais do Estado do Ceará.

Ainda hoje o documento será entregue à presidência do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), durante a sessão do pleno daquele Tribunal. No CD a ser entregue consta o nome do gestor com as suas contas desaprovadas e o teor completo da decisão, inclusive a documentação existente no processo. Além de uma relação composta com todos os nomes, serão fornecidos dados isolados, município por município de todos os 184 do Estado do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste

Alunos querem novo campus

Iguatu. A comunidade local está mobilizada para implantação de um campus da Universidade Federal do Ceará (UFC), nesta cidade, para atender a região Centro-Sul. A idéia foi mais uma vez discutida em recente fórum realizado no auditório da Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação (Crede) 16, durante a XV Semana Universitária promovida pela União Iguatuense de Universitário (Unidus).

De acordo com o deputado federal José Guimarães, um dos convidados a participar do evento, o sonho dos estudantes e dos moradores da região Centro-Sul está próximo de ser concretizado.

A implantação do novo campus ganhou força nos últimos quatro anos. A comunidade local já promoveu diversas reuniões, debates e audiências públicas sobre o tema. Recentemente, em audiência realizada na Câmara de Iguatu, com a participação de lideranças políticas de várias cidades da região, Guimarães apresentou detalhes do projeto e ressaltou o compromisso do presidente Lula a favor da idéia.

Barbalha, Juazeiro, Crato, Sobral e Quixadá já foram beneficiados com a instalação de campi da UFC.

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Saúde mental em debate

Discutir os avanços e os desafios no atendimento público aos pacientes com transtornos mentais a partir das experiências dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Esse é o objetivo básico do I Congresso Cearense de Saúde Mental que será aberto na quarta-feira, nesta cidade, a partir das 19 horas, no Teatro Municipal Pedro Lima Verde. O tema central do evento é “Saúde Mental e Liberdade”.

O congresso vai reunir 350 profissionais e estudantes da área de saúde, psiquiatras, enfermeiros, psicólogos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais, vindos da Capital e de várias cidades do Interior. Há palestrantes de Fortaleza, Salvador e de Brasília, do Ministério da Saúde.

Segundo o secretário adjunto da Saúde de Iguatu e presidente do evento, Eriton Luiz Araújo de Souza, o congresso tem como meta ser um espaço de intercâmbio de todos os profissionais de saúde mental do Ceará. “Vivemos um momento de expansão no Estado, onde já funcionam 81 Caps e três residências terapêuticas. Embora o Ceará esteja bem à frente na reforma psiquiátrica, ainda não havia tido um evento desse porte para a convergência das experiências, para aprendermos uns com os outros”.

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Estado ganhará novas leis de defesas animal e vegetal

O Estado do Ceará deverá ganhar nesta semana novas leis de defesa sanitária animal e vegetal. Estão na pauta de votação da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará (AL), as mensagens 6.974 e 6.975, que atualizam as Leis 13.067 e 13.066, respectivamente. A legislação atualmente vigente foi aprovado em 2000 e decretada no ano seguinte. As duas matérias têm como base a legislação agropecuária federal de 1991.

Técnicos da Adagri iniciaram a elaboração dos dois novos projetos no fim do ano passado. Ambos chegaram à AL em abril passado. A principal mudança proposta nas mensagens é a transferência das atribuições de defesa animal e vegetal para a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri), criada em 2004. Pelas leis atuais, a competência dessas ações ainda cabe à extinta Secretaria de Desenvolvimento Rural.

Segundo o presidente da Adagri, Edilson de Castro, a nova legislação vai auxiliar o Estado a sair da classificação de “área de risco desconhecido”, estabelecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Por causa disso, o Ceará só pode comercializar produtos e animais com Estados que estejam no mesmo nível sanitário. “Essas leis vão ajudar o Ceará a ficar livre da febre aftosa e de outras doenças animais. Na área vegetal, vamos poder ficar livres de pragas”, comemora.

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Artigo de Océlio Teixeira publicado no "Diário do Nordeste"


Caderno "Regional", domingo, 1º de junho de 2006

Festa do Pau da Bandeira de Barbalha: fé, diversão e significados

Océlio Teixeira de Souza[1]

A festa de Santo Antônio/Em Barbalha é de primeira
A cidade toda corre/(É um fuzuê medonho)/Pra ver o pau da bandeira
Olha quanta alegria/Que beleza/A multidão faz fileira
Hoje é o dia/Vamos buscar o pau da bandeira
Homem, menino e mulher/Todo mundo vai a pé
A cachaça na carroça/Só não bebe quem não quer
Só se ouve o comentário/Lá na Igreja do Rosário
Que a moça pra ser feliz/Reza assim lá na Matriz:
Meu Santo Antônio, casamenteiro.
Meu padroeiro, esperei o ano inteiro.
(Luiz Gonzaga)

A música dos compositores Alcymar Monteiro e João Paulo Júnior, imortalizada na voz do saudoso Luiz Gonzaga, retrata com poesia, singeleza e riqueza de significados uma das maiores festas populares do Brasil contemporâneo: a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha. A Festa marca a abertura dos festejos em homenagem a Santo Antônio de Pádua e constitui-se numa festa dentro da festa do padroeiro de Barbalha.

A devoção a Santo Antônio, no Brasil, remonta ao período colonial. O teólogo e historiador Vergílio Gamboso, citando Frei Antônio de Santa Maria de Jaboatão, afirma que no Brasil dos primórdios “não era raro encontrar mais de uma imagem do Santo no altar … e que cada família fazia questão de ter o “seu” SA!”. [2]

Com o decorrer dos tempos Santo Antônio se tornou um dos santos mais queridos do Brasil. É o Santo com o maior número de Freguesias, cerca de 228, conforme afirma Câmara Cascudo em seu Dicionário do Folclore Brasileiro. Essa popularidade, ao que parece, se deve a sua múltipla especialidade: santo casamenteiro, santo das coisas perdidas e santo do ‘pão dos pobres’.[3] Em Barbalha, a devoção ao taumaturgo de Lisboa remonta ao ano de 1778, quando teve inicio a construção da capela em sua homenagem. A exemplo de muitas outras cidades brasileiras, Barbalha cresceu e se desenvolveu em torno da igreja do seu santo padroeiro.

A devoção a Santo Antonio em Barbalha foi enriquecida por um elemento novo: o cortejo com o mastro pelas ruas da cidade, seguido do hasteamento da bandeira. Instituído oficialmente, em 1928, o cortejo, ao longo dos anos trinta do século passado, caracterizou-se por ser uma expressão religiosa oficial, marcado pela piedade, fé e sacrifício em homenagem ao Santo Padroeiro. A partir dos anos quarenta, porém, o cortejo passou por um processo de popularização e carnavalização[4]. Nesse processo, dois carregadores tiveram papel fundamental: um criador de gado e marchante, Vicente de Moça, nos anos quarenta; e um velho ferreiro, Melquíades Veloso, nos anos cinqüenta e sessenta. Os dois foram os responsáveis pela transformação do cortejo na Festa do Pau da Bandeira.

Atualmente, a Festa do Pau da Bandeira é um evento de grandes proporções. No dia de sua realização milhares de pessoas acorrem a Barbalha para acompanhar o cortejo. No último ano, 2007, estima-se que cerca de oitenta mil pessoas participaram da festa. Mas, quem são os homens que carregam o grande pau que servirá de mastro à bandeira de Santo Antônio? Quais são os significados desse ritual para os carregadores do pau?

Historicamente, os carregadores são homens das camadas populares. Assim tem sido desde os primeiros anos do Cortejo do Pau da Bandeira até os dias de hoje. As profissões ocupadas pelos homens que têm carregado o pau da bandeira, ao longo desses 80 anos, são as mais diversas. No entanto, dois grupos têm se destacado: os marchantes, que vêm desde a época de Vicente de Moça, e os “chapeados”, que foi um grupo que predominou nos anos 60 e início dos 70.

Atualmente, o grupo que se destaca entre os carregadores e que são considerados os “enfrentantes” é composto pelo chamado “grupo do mercado”. São cerca de 15 carregadores experientes. A maioria é constituída por marchantes, mas há também pequenos comerciantes, pintores, pedreiros, agricultores e outras profissões. Esse grupo constitui, informalmente, a comissão de organização e coordenação da Festa. Eles se revezam entre carregar o pau e coordenar, junto com o Capitão do Pau, os demais carregadores.

Vamos agora aos significados do Cortejo do Pau da Bandeira. Quero aqui destacar dois. Primeiro, o sentido de inversão: o Cortejo que deveria ser um ato religioso de piedade, fé e sacrifício em homenagem ao Santo Padroeiro, conforme orientação da hierarquia eclesiástica, foi transformado num espaço de afirmação social e religiosa dos carregadores, homens simples que, no dia-a-dia, ocupam posições sociais e religiosas inferiores. Eles, aos poucos, criaram uma forma própria de reverenciar e homenagear o padroeiro do município, marcada pela irreverência, pelas brincadeiras, pelo lúdico, enfim pelas suas experiências de vida. O espaço do Cortejo do Pau da Bandeira não pertence ao padre ou ao prefeito, mas sim a eles. Nesse espaço, as regras e as normas são estabelecidas pelos carregadores.

Um segundo significado que quero destacar é o Cortejo enquanto ritual de passagem da adolescência para a vida adulta e espaço de afirmação masculina. O objetivo de todo carregador é chegar à cabeça do pau, ou seja, carregar o pau na sua ponta mais pesada. Para tanto, existe uma disputa entre eles, que começa ainda na adolescência.

Nos anos 40 do século passado, as crianças e adolescentes iniciavam sua participação carregando as tesouras, pedaços de paus usados em X para auxiliar no levantamento do mastro. São muitos os relatos dos carregadores antigos, ou dos ex-carregadores, nesse sentido, como este a seguir: “O ano de 48, eu me achava com 14 anos. Eu posso dizer que eu participei de carregar o pau da bandeira, por que eu não ia carregar o pau, mas já tava carregando as tesouras. (...) Mas olhe então, por essa razão que eu me criei vendo aquele incentivo, que todo mundo só queria carregar o pau da bandeira era no pé do pau. Então foi isso que eu quis ocupar um lugar”.[5]

A realização e o prazer de carregar o pau na sua parte mais grossa são motivos de orgulho, expressos, sobretudo no momento do encontro do Cortejo com a multidão que aguarda o mastro na cidade. “Pra mim era tudo na vida aquele negocio ali... Era mesmo que tá no céu”, descreve um ex-carregador, referindo-se aos anos 50 e 60, quando esse encontro ocorria na Igreja do Rosário. Já outro carregador, também dos anos 50 e 60, descreve dessa forma a emoção do encontro: “A vontade é que se pudesse se levava só, porque aquela parte é a mais emocionante.”.
Para finalizar, quero destacar um fato, ocorrido provavelmente em meados dos anos 80, que demonstra de forma emblemática a importância que o carregamento do pau tem na vida dessas pessoas. O relato é de um antigo carregador: “Houve um ano que o pau muito pesado e ele atrasou e padre Euzébio quis trazer o pau da bandeira arrastado por um trator, rebocado por um trator. Aí houve exatamente uma revolta, por que ninguém..., os componentes do pau da bandeira gritaram lá que ninguém apegava, que trator nenhum do mundo encostaria naquele pau pra carregar ele. Então ele tinha que ser arrastado era no braço dos homens e não arrastado por trator”.
[1] Océlio Teixeira de Souza, professor do Departamento de História da Universidade Regional do Cariri – URCA. Mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, tendo defendido a dissertação: A Festa do Pau da Bandeira de Santo Antonio de Barbalha(CE): entre o controle e a autonomia(1928 – 1998), em agosto de 2000.
[2] GAMBOSO, Vergílio. Vida de Santo Antônio. Aparecida (SP): Santuário, 1994.
[3] CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 6 ed. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/Edusp, 1988.
[4] Uso esse termo conforme a acepção de M. Bakhtin. Para este autor, o carnaval na Idade Média e no Renascimento constituía-se na “segunda vida do povo, baseada no princípio do riso. É a sua vida festiva.” Ou seja, o carnaval representava, mesmo que temporariamente, a criação de um segundo mundo, baseado na inversão brincalhona dos valores e hierarquias estabelecidos e na exaltação da abundância, da fertilidade, do baixo corporal, etc. Ver: Mikhail Bakhtin. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. 2 ed. São Paulo/Brasília, Hucitec/Edunb, 1993.
[5] Os nomes dos carregadores ou ex-carregadores foram mantidos em sigilo com o intuito de preservar as identidades e privacidade dos mesmos.

sábado, 31 de maio de 2008

O Pecado de Clara Menina
Comédia de Cacá Araújo
NO TEATRO RACHEL DE QUEIROZ
CRATO - CEARÁ
31 de maio e 1º de junho/2008 - 20h



APOIO:
PREFEITURA MUNICIPAL DO CRATO
SECRETARIA DE CULTURA

…e o governo se diverte (Roberto Pompeu de Toledo)

O desafio à soberania brasileira na Amazônia deixou de ser apenas produto de teorias conspiratórias
Aos 186 anos de vida independente, 119 de regime republicano e cinco de governo Lula da Silva, o Brasil assistiu, na semana passada, a uma cena histórica. Numa cerimônia pública, um ministro beijou a testa do presidente. Nunca antes neste país. O beijo foi perpetrado pelo performático e caloroso novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, na testa do presidente Lula. Como Minc é quase uma cabeça mais alto que Lula, a imagem resultante era a do pai abençoando o filho, o mestre o discípulo, o chefe o subordinado. Impunha-se uma vez mais o estilo espantosamente desinibido do ministro Minc. Sua mão segurava o pescoço do presidente, com o carinho e a condescendência que os grandes devem aos pequenos.
Ora, direis, que mal há num beijo na testa? Manifestações semelhantes são hoje em dia banais, e não apenas beijo na testa como também na boca, entre pessoas apenas amigas, e mesmo homem com homem e mulher com mulher. No ambiente do show business, são até obrigatórias. Compõem a etiqueta do setor, assim como a genuflexão diante da rainha compõe a etiqueta do Palácio de Buckingham. Eu vos direi no entanto que o problema é justamente que, em que pesem os coletes do novo ministro, governo não é showbiz. O beijo ocorreu durante a posse de Minc, no Palácio do Planalto. Foi o ponto culminante de uma cerimônia toda ela ocorrida num clima de gandaia, o presidente se esmerando no papel, a ele tão caro, de animador de auditório.
O Brasil em geral, e o governo em particular, ainda não entendeu o que está acontecendo. A questão do meio ambiente mudou de patamar, mundo afora. Trinta anos atrás era uma bizarria de uns poucos. Vinte anos atrás começava a ser acolhida pelos governos, mas numa posição marginal. De dez anos para cá foi se deslocando da margem para o centro e, ao impulso das notícias sobre mudança climática, chegou ao coração dos governos e das sociedades, principalmente no mundo desenvolvido. É reflexo disso que em sua recente visita ao Brasil a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, a tenha trazido como item nº 1 da agenda.
Muito menos, o Brasil em geral, e o governo em particular, se mostra atento ao que está por vir. A mudança de presidente nos Estados Unidos, qualquer que seja o vencedor da eleição, promete outro giro do torniquete. Por enquanto os EUA estão atrás da Europa na atenção às políticas ambientais. Têm o rabo preso no ceticismo com que o governo Bush encara os alertas de aquecimento global e em sua recusa em assinar o Protocolo de Kioto. Isso vai mudar. Tanto John McCain quanto Barack Obama e Hillary Clinton já incluíram no centro de seus discursos a questão climática e em seus programas a adesão a Kioto. Com quem vão estrilar, com quem, com quem? O Brasil. Quando se fala em clima e ambiente, fala-se em Amazônia.
O Brasil já está, e estará mais ainda, na berlinda. A posse do novo ministro do Meio Ambiente era ocasião para um discurso sério e firme do presidente, dirigido ao país e ao mundo. Ainda mais que Minc entra no lugar de Marina Silva, símbolo da luta pela preservação da floresta, cuja saída ela própria fez questão de revestir de um ar de derrota da causa. Em vez disso, tivemos beijo na testa e, da parte do presidente, as piadas e as costumeiras "apologias" (ele queria dizer "analogias") com o futebol. A única coisa séria era a cara da ministra demissionária. Marina Silva não ria das graças do ex-chefe. Seu rosto emitia um mau sinal para os interessados na questão ambiental ao redor do mundo.
Na mesma medida em que o meio ambiente foi se deslocando para o centro das preocupações de sociedades e governos, o fantasma da internacionalização da Amazônia foi se tornando menos fantasma. O que antes não podia ser dito em voz alta por um estrangeiro perdeu a vergonha no brado do jornal inglês The Independent ao comentar a demissão de Marina da Silva: "A Amazônia é importante demais para ser deixada aos brasileiros". O que antes era produto de teorias conspiratórias ficou mais perto de virar proposta em foros internacionais. "A Amazônia tem dono", afirmou Lula, em outra ocasião durante a semana. É a velha síndrome, dos brasileiros em geral, e deste presidente em particular, de tratar as questões a golpe de retórica.
Está na hora, aliás já passou da hora, de o dono agir com firmeza contra as forças da motossera. De inventar alternativas para as populações amazônicas que não impliquem a destruição do meio ambiente. De quebra, de iniciar, antes que outros o façam, um trabalho sério de pesquisa das propaladas riquezas da floresta – por exemplo, criando uma Universidade da Amazônia, com recursos e programas ambiciosos o suficiente para atrair os melhores cérebros, o que poderia representar um projeto científico muito mais coerente do que a proliferação sem rumo das universidades federais e uma obra de governo com a grandeza e o investimento no futuro que tentações faraônicas como a transposição do São Francisco não têm. Senão... É esperar o avanço do torniquete. Ele mal começou a se mover.

(revista "Veja", 4 de junho de 2008)