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domingo, 27 de abril de 2008

Chega de sujeira

A nossa história é construída no dia-a-dia. Ninguém se torna uma grande pessoa num curto espaço de tempo. O mundo nos molda. Como numa construção, tijolo por tijolo, vamos edificando o nosso ser. A firmeza do nosso caráter é fruto do tipo de material utilizado na nossa construção. Se estamos embasados em alicerce sólido, se usamos concreto e ferragens adequados teremos como resultado, invariavelmente, algo firme, seguro e confiável.

Desde criança interagimos com o meio. Sofremos influência do mesmo e emitimos os primeiros sinais do nosso futuro ser. Se o meio nos influencia é inegável que o gene é quem nos direciona no caminhar da vida. E como o genoma é único, exclusivo para cada pessoa, resulta nos mais distintos tipos de seres. Há os que aprendem a voar e os que rastejam por toda a vida.

Existem os que verdadeiramente engrandecem o mundo e os que tentam destruí-lo. Os que se dedicam às causas coletivas e os que colocam seus interesses pessoais à frente de tudo. Há os que sonham, criam, realizam...e os que só tiram proveito do trabalho alheio. E há aqueles que se fingem faroleiros, mesmo desprovidos de luz própria. Incomodam-se com o sucesso do próximo e temem ser ofuscados.

O mundo seria melhor se cada um fizesse a sua parte. Se não houvesse tantos querendo levar só o banquinho, quando é preciso transportar o piano.

Mas o destino é imutável: ninguém colherá rosas se plantou manjericão. E quem começou a vida como palhaço nunca será o dono do circo... quase sempre acaba limpando a jaula. Chega de sujeira!

Valdetário Brito
Médico e militante do PT
valdetariobs@ig.com.br

Teatro de boneco será patrimônio cultural do País

“Eu sou a flor do mamulengo/ Me apaixonei por um boneco”. Nos versos do compositor Luiz Fidélis, cantados pela banda de forró Mastruz com Leite, o grande amor de uma mulher é simbolizado por um boneco de mamulengo, por quem ela declara a própria paixão. Mas, em breve, o teatro de bonecos tradicional do Nordeste, conhecido genericamente como mamulengo, poderá ganhar muito mais amantes Brasil afora. Para isso, está em andamento um projeto de registro dessa expressão popular como patrimônio cultural do Brasil.

A iniciativa é denominada “Projeto de Registro do Teatro de Bonecos Popular do Nordeste: Mamulengo, Cassimiro Coco, Babau e João Redondo como Patrimônio Cultural do Brasil”. O pedido veio da Associação Brasileira de Teatro de Bonecos (ABTB) e conta, desde 2007, com o financiamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O gerenciamento da pesquisa cabe à Associação Filhos da Lua, do Paraná.

Os estados abrangidos pelo projeto são Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, onde o teatro de bonecos tradicional é denominado Cassimiro Coco, João Redondo, Babau e Mamulengo, respectivamente. Segundo a coordenadora da pesquisa no Ceará, a escritora e bonequeira Ângela Escudeiro, a diferença desses nomes se deve ao costume e às diferenças de abordagem em cada Estado. “O berço dessa linguagem é Pernambuco, por isso o uso da palavra mamulengo ficou generalizado entre a população”, explica ela.

Escudeiro é auxiliada pelos pesquisadores Aldenôra Pereira e Paulo Mazulo. Ela explica que, no momento, está sendo desenvolvida a primeira etapa do projeto: a pesquisa documental. Para isso, estão sendo catalogados o acervo dos bonequeiros cearenses e as informações já existentes sobre o teatro de bonecos tradicional, provenientes de fontes escritas, audiovisuais e outros materiais. Os dados devem ser repassados ao Iphan até o fim de maio.

Em seguida, será iniciada a pesquisa de campo, quando, por meio de entrevistas, serão colhidos dados sobre a história de vida, a realidade socioeconômica, as rotinas de trabalho e outras informações dos mamulengueiros. Após a sistematização dos dados coletados, um dossiê de registro será apresentado ao Iphan, que decidirá sobre a classificação do teatro de bonecos popular como patrimônio cultural brasileiro.

Uma das importantes fontes de informação sobre essa expressão cultural no Estado é o livro “Cassimiro Coco de cada dia”, lançado por Ângela Escudeiro em setembro do ano passado. A obra foi o resultado de uma pesquisa iniciada cinco anos antes pela autora, que faz com que ela tenha uma idéia da situação crítica em que se encontra essa arte no Ceará, mesmo com o projeto de registro estando ainda na fase inicial.

De acordo com a coordenadora do projeto, o teatro de bonecos de raiz está a um passo da extinção, pois são poucos os mestres-bonequeiros que ainda se apresentam e repassam o conhecimento para as novas gerações. Escudeiro conta que não encontrou nem uma dezena desses artistas ainda em atuação. Apresentações de personagens como o seu Zai, de Iguatu (ver página 4), o Raimundo Ferreira, de Pindoretama, e o Wagner Oliveira, de Ocara, são cada vez mais raras.

“Há deles que estavam passando fome. Quase todos são revoltados com a falta de apoio para continuarem se apresentando”, revela a pesquisadora, que diz ter percebido muito desalento e desesperança entre eles. “Encontrei alguns com a mala de bonecos fechada; outros desistiram por causa de fatores variados, como a religião”, completa.

Arte encantadora

Para a titular da 4ª Superintendência Regional do Iphan, Olga Paiva, a falta de condições financeiras dos bonequeiros para continuarem as apresentações pode explicar a ameaça de sumiço do teatro de bonecos de raiz. Outra razão poderia ser a diminuição do interesse da sociedade pelas apresentações, causada por uma mudança de valores ao longo dos últimos tempos.

Ela acredita mais na primeira explicação. “O boneco é uma arte encantadora. Na frente dele, todos são crianças”. Para defender essa idéia, Olga lembra ainda a tradição da nossa sociedade de valorizar a cultura oral. “A fala, as entonações, a brincadeira, tudo isso faz parte do nosso cotidiano”, diz ela.

POLÍTICAS PÚBLICAS
Registro permite salvaguardas

Fortaleza. O registro do teatro de bonecos popular do Nordeste como patrimônio cultural do Brasil obrigará a criação de um Plano de Salvaguarda dessa expressão cultural pelo Iphan. A partir daí, o poder público assumirá o compromisso de implementar políticas públicas de revitalização dessa arte, o que poderá reverter a ameaça de extinção dessa tradição e garantir a sobrevivência dos mestres-bonequeiros.

Para isso, o dossiê de registro a ser produzido ao fim da pesquisa atual será analisado pelo Departamento Patrimonial e Material do Iphan, em Brasília. Em seguida, será encaminhado à presidência e ao conselho consultivo do órgão. Se o documento for aprovado, haverá a concessão do título de patrimônio cultural, como o devido tombamento.

De acordo com a titular da 4ª Superintendência Regional do Iphan, Olga Paiva, para que um bem cultural ganhe o reconhecimento é preciso que tenha relevância nacional. A superintendente considera que isso ocorre com o teatro de bonecos, já que é apreciado por expressiva parcela da população na região Nordeste.

Uma das possibilidades de valorizar mais o teatro de bonecos popular, na opinião de Olga Paiva, seria usá-lo como uma ferramenta pedagógica nas escolas, visando inclusive à educação patrimonial. “O boneco poderia contar a história do Teatro José de Alencar ou do Passeio Público, por exemplo”, sugere ela.

Um dos exemplos de que o teatro de bonecos ainda encanta ao público, citado pela superintendente do Iphan, é o sucesso do programa “Nas Garras da Patrulha”, que utiliza bonecos do Circo Tupiniquim e é veiculado pela TV Diário.

Diferenças

A escritora, bonequeira e coordenadora estadual da pesquisa, Ângela Escudeiro, explica que o projeto que será apreciado pelo Iphan objetiva registrar o teatro de bonecos de raiz, que apresenta diferenças em relação aos espetáculos mais modernos, apresentados em Fortaleza. “O Cassimiro Coco não usa muita técnica: são instrumentos simples, de acordo com a realidade de cada um dos bonequeiros”.

A coordenadora explica que os bonecos antigos tinham cabeça, braço e mãos feitos de pedaços de madeira, como a imburana, o mulungu e o próprio coco. As outras partes do corpo eram feitos de pedaços de pano ou camisões. Segundo ela, o som das apresentações era feito ao vivo, com o auxílio de triângulo, zabumba e gaita. As emboladas eram um dos ritmos mais tocados.

Além disso, conforme Escudeiro, o improviso era muito presente nessas apresentações, não havendo um roteiro da peça, escrito com começo, meio e fim de cada narrativa. Já as histórias narradas se relacionavam diretamente com o cotidiano das comunidades onde se apresentavam os calungueiros — outro nome dado aos bonequeiros populares.

SAIBA MAIS

Música
Hoje é o Dia Nacional do Teatro de Bonecos. Um dos maiores artistas dessa cultura no Ceará foi Pedro dos Santos de Oliveira, o Pedro Boca Rica, natural do município de Ocara (antigamente considerado distrito de Aracoiaba). Abaixo, uma música composta pelo cearense.

´Presepêro´
´La vem, lá vem o bonequeiro/ com seus bonecos de empanada/ ele trás boneco presepêro/ que faz a gente dá risada/ tem Cassimiro, João Redondo e Baltazar/ Mané Fuzarca, Paruará e Tiridá/ também tem o Capitão Cirunga/ que é Calunga da cultura popular´.

Mais informações:
Coordenação do Projeto de Registro do Teatro de Bonecos Popular como Patrimônio Cultural do Brasil - Ângela Escudeiro (85) 8847.4377
Ícaro Joathan
Especial para o Regional

Publicado no Jornal Diário do Nordeste

Coluna Cariri no Jornal O Povo

ESCOLINHAS
Uma idéia que merece elogio: o Icasa está com uma escolinha para garotos de 6 a 17 anos. No Praxedão, futuro estádio e centro de treinamento do Verdão, crianças e adolescentes são acompanhados por instrutores preparados que ensinam os primeiros passos para muitos garotos. A escolinha já conta com mais de 170 inscritos e movimenta o Praxedão quase todos os dias. Cada turma pisa o gramado duas vezes por semana. O presidente do Icasa, Zacarias Silva, acompanha os treinos pessoalmente. Todos os sábados está lá, olhando tudo.

ANOTE. XÔ LISEIRA
Enfim, uma luz no fim do túnel para a crise financeira que se abateu, nos últimos meses, sobre a Universidade Regional do Cariri, decorrente da açodada dispensa das taxas cobradas dos alunos. Anuncia-se, agora, que o governo do estado vai liberar R$ 1,35 milhão para a Urca. A maior parcela dessa verba é destinada à reforma do Museu de Paleontologia em Santana do Cariri (R$ 640.348,10); à construção do Restaurante Universitário (R$ 370.053), além de R$ 105.275 que vai ser investido no Programa Integrado de Modernização do Centro de Humanidades. São projetos guardados há anos nas gavetas da Secitece. Para quem pensa que é muita grana, uma reflexão. Segundo o deputado Nelson Martins (PT), a Universidade Vale do Acaraú - com sede em Sobral - terá um aporte financeiro de R$ 4,78 milhões. Noutras palavras: a Urca continua na rabeira entre as demais universidades estaduais.

CARIRIANAS
O escritor Francisco Salatiel de Alencar Barbosa, residente em Brasília, lançou em Fortaleza, na Oboé, seu livro O Joaseiro Celeste. Depois veio visitar seus familiares residentes em Crato.

O Secretário da Cultura do Ceará, Auto Filho, conheceu o projeto do cineasta Rosemberg Cariri para revitalização do Sítio Caldeirão, palco da experiência comunitária do Beato José Lourenço.

Já a professora juazeirense Loureto de Lima lançará, em julho próximo, o livro contando as reminiscências do seu pai - Eleutério Tavares - repassadas por Severino Tavares (avô de Loureto) um dos habitantes do Sítio Caldeirão à época do Beato José Lourenço.

VÁRZEA ALEGRE
A Terra de São Raimundo Nonato vai ganhar uma indústria de móveis de plástico. Serão 200 novos empregos diretos. A confirmação desse investimento - a ser feito pelo grupo Espanhol Resol - se deu com a assinatura do protocolo de intenções junto à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Ceará.

DOM FERNANDO
Dinamismo é isso! Depois de participar da reunião da CNBB, realizada em Itaici-SP, o bispo de Crato viajou para Brasília. Lá perambulou por ministérios tratando de assuntos de interesse da Faculdade Católica do Cariri. Da capital brasileira, dom Fernando Panico (foto) viajou direto para a Alemanha, em busca de recursos - junto à instituição católica Miserior - para obras da diocese que governa. Hoje ele retorna ao Crato e na próxima terça-feira participa do anúncio bombástico de interesse para a Terra do Padre Cícero. Liguem os fios, como diria Alan Neto...


CONHECENDO O CARIRI
Juazeiro do Norte, a maior cidade do interior cearense, é considerada um dos maiores centros de religiosidade popular da América Latina, atraindo para lá milhões de pessoas todos os anos. Foi isso que alavancou o crescimento dessa cidade. Hoje, Juazeiro do Norte dispõe do maior número de cursos universitários do interior do Ceará. Distante 565 quilômetros de Fortaleza, a Terra do Padre Cícero tem apenas 248,5 quilômetros quadrados. Mas sua população é estimada em 242.139 habitantes.

MISSÃO VELHA
Padre Bosco Lima acatou a sugestão desta coluna. Mandou colocar uma pequena estátua de madeira de Nossa Senhora da Luz - primeira padroeira de Missão Velha - em frente à igreja-matriz. Como a imagem colocada
tem mais de duzentos anos e está um pouco desgastada, que tal aproveitar o talento da restauradora Maria Gabriella Federico e
recuperá-la? Padre Bosco informou ainda que encomendou - ao escultor Franciné - um pequeno monumento (representando um casal de romeiros) que vai ser colocado na entrada de Missão Velha.

DO CEARÁ PARA O MUNDO
Depois de passar por São Paulo, Salvador e Fortaleza, a banda de lata Os Cabinha agora pode ser encontrada em Tóquio. E também Nova York, Amsterdã e Pequim. Se quiser vê-los no Oiapoque, onde dizem, o Brasil termina, também pode. Eles estão ao alcance de um click: no site do MySpace, uma das principais vitrines musicais do mundo. Na página www.myspace.com/oscabinha, os internautas terão acesso ao material multimídia produzido pelos meninos da Fundação Casa Grande. Além das músicas que irão compor o primeiro CD da banda, alguns vídeos e fotos dos pequenos músicos também estão disponíveis. As três canções do site foram gravadas pelos meninos no estúdio da Fundação. Com suas guitarras e baixos feitos de madeira, acompanhadas de percussão e bateria compostas de latas, Os Cabinha, como bem identificou o músico Maurício Pereira, deseletrificou o rock, tantos anos depois do rock ter eletrificado a guitarra.

sábado, 26 de abril de 2008

Jornal "O Povo" deste domingo destaca restauradora Maria Gabriella Federico

Altar-mor da matriz de Santana do Cariri que
será restaurado por Gabriella Federico (foto:"O Povo")
Gabriella Federico restaurando a imagem da Padroeira de Crato,
Nossa Senhora da Penha, em agosto de 2006
(foto de Waldemar Arraes de Farias)

Patrimônio

Italiana restaura igrejas no Cariri
Restauradora italiana, que está morando no Cariri, vem realizando a recuperação das paróquias da região, entre elas, a de Missão Velha e a do Crato. Em Santana do Cariri, a especialista vai recuperar os afrescos e a imagem de Sant´Ana
Rita Célia Faheina, da Redação

Gabriela Federico prepara o orçamento para a realização do trabalho de recuperação dos afrescos que começam no teto e vão até o piso da Igreja de Santana do Cariri. Os afrescos (obra feita sobre a parede com base de gesso, pintura mural mais antiga e resistente da história da arte) e a imagem de Sant´Ana que fica no altar-mor serão recuperados pela restauradora italiana Gabriela Federico, a mesma que fez trabalhos de restauração na Paróquia de São José, em Missão Velha, e na Catedral da Sé do Crato.

A matriz de Santana do Cariri é a mais antiga da região do Cariri Oeste. "Já foram feitos os testes de prospecção e ela (Gabriela) encontrou sete camadas de pinturas sobre os afrescos. A imagem de Sant´Ana foi pintada há cinco anos", informa o pároco Adalmiran Vasconcelos. Gabriela, no momento, prepara o orçamento para a realização do trabalho de recuperação dos afrescos que começam no teto e vão até o piso da igreja. O padre diz que contará com a ajuda da iniciativa privada e pretende iniciar os trabalho em julho próximo, época da festa da padroeira. "Na região, é a única paróquia que conserva o latim nas celebrações dos festejos da padroeira. Os fiéis fazem questão dos cânticos em latim".
Gabriela Federico, natural de Roma (Itália), diz que veio conhecer o Cariri e decidiu ficar morando no Crato. No fim de 2006, ela fez a restauração da paróquia de São José, em Missão Velha, a 522 quilômetros de Fortaleza. "Na escultura em gesso havia uma pintura sobreposta e elaboramos a reforma segundo as técnicas de restauração". Gabriela encontrou fios de ouro na imagem original do santo. Em Mauriti, também na região do Cariri, a restauradora trabalhou detalhadamente na escultura de Nossa Senhora da Conceição, que fica no altar principal da igreja matriz.

Um trabalho que a impressionou foi a imagem de Jesus Cristo crucificado na Catedral da Sé, no Crato. "Havia quatro pinturas que escondiam uma obra de cerca de 200 anos. Uma peça valiosa cujos traços lembram o trabalho de Aleijadinho (escultor, entalhador e desenhista mineiro Antônio Francisco Lisboa, considerado o maior expoente do estilo barroco nas Minas Gerais e das artes plásticas no Brasil). "A obra deve ser de autoria de um artista do Cariri, mas tem influência barroco e, principalmente, de Aleijadinho", reforça.
A assessora da Secretaria de Turismo e vice-presidente da Associação dos Artesãos de Santana do Cariri, Lana Luíza Maia Nóbrega, diz que a restauração da igreja matriz vai ser importante para a cidade porque muitos nativos e turistas visitam o templo. É um dos locais mais visitados pelos que vão à cidade, assim como o Pontal de Santa Cruz, onde há uma capela, restaurante e um mirante. Ela também se refere ao casarão do Coronel Felipe da Cruz Nunes, prédio centenário onde funciona a Associação dos Artesãos. "Ali são feitas réplicas de fósseis, dinossauros de latas e outros objetos do artesanato local", informou. (Colaborou Amaury Alencar)

FIQUE POR DENTRO
A técnica dos afrescos era conhecida e utilizada por gregos e romanos. Há informações sobre decorações em afresco na Pinacoteca da Acrópole de Atenas, executadas por Polignoto de Tasso (séc. V a.C.), tendo como tema a Batalha de Maratona e os afrescos de Lesche, do mesmo autor. São ainda conhecidos os pintores Apéles e Protógenes (séc. IV a.C.) que se utilizaram da mesma técnica.
SAIBA MAIS
Santana do Cariri foi criada em 25 de novembro de 1885 e nome é em homenagem à padroeira da cidade comemorada no dia 26 de julho. Tem uma arquitetura antiga, uma área do geopark no Pontal da Santa Cruz e o Museu de Paleontologia da Universidade Regional de Cariri (Urca). Chamou-se primitivamente Brejo Grande, local habitado pela tribo nativa dos guerreiros denominados Buxixés, Tapuias que dominavam, além do Araripe, terras limítrofes, de Pernambuco.

Suas origens são do fim do século XVII. A elevação do arraial à categoria de vila ocorreu segundo Lei Provincial nº 2.096, de 26 de novembro de 1885, tendo sido instalada a 11 de janeiro de 1887, data em que se instalou, igualmente, a Câmara Municipal. Sua elevação à categoria de Município, com o nome de Santanópole, ocorreu na forma do decreto lei nº 448, de 20 de dezembro de 1938.

As primeiras manifestações de apoio eclesial têm como precedentes a construção de uma capela, da qual constam como responsáveis os irmãos João Alves Feitosa e José Alves Cavalcante. A criação da Freguesia, com a denominação de Freguesia de Sant'Ana do Brejo Grande, tem como instrumento de apoio a Provisão de 26 de agosto de 1838, abrangendo as projeções de Assaré e Quixará. Os pontos geográficos mais importantes são: Chapada do Araripe, Serra dos Haveres, riachos: Juquinha, Tatajuba, Cariús, do Buri, do Cordeiro e Rio Brejo Grande. Os atrativos naturais são as nascentes dos Azedis (Sítio Azedos) e o açude Tatajuba.

Desenvolvimento Urbano do Crato em Debate


sexta-feira, 25 de abril de 2008

Morre Presidente do Grupo O Povo, Demócrito Dummar

Por: Grupo Ceará Sat de Comunicação

A imprensa cearense está de luto. O presidente do Grupo de Comunicação O POVO, Demócrito Rocha Dummar, morreu nesta sexta-feira, aos 62 anos. O jornalismo perde um de seus mais irrequietos e instigantes maestros da comunicação em escala industrial, um fazedor de jornais que modelou O POVO em seus oitenta anos de história num exemplo bem-sucedido de veículo regional. Nessas oito décadas, o POVO moldou várias gerações de jornalistas, contribuiu para aperfeiçoar a imprensa cearense e Demócrito Dummar esteve por quase meio século no comando do grupo, que se expandiu recentemente para a televisão com a TV O POVO.

Abaixo nota do Grupo de Comunicação O POVO sobre o falecimento:
É com imenso pesar que o Grupo de Comunicação O POVO informa o falecimento de seu presidente, Demócrito Rocha Dummar, no início da tarde desta sexta-feira, 25. A família e todos os colaboradores desta empresa ainda estão profundamente abalados com a repentina perda.
A família não quer se pronunciar neste momento de dor e pede a todos que guardem na lembrança não só o jornalista que durante quase 45 anos esteve à frente do jornal O POVO. Mas, acima de tudo, o homem que inspirou gerações de cearenses. E que continuará inspirando.

Publicado no site do Grupo Ceará Sat de Comunicação
www.cearaagora.com

Jornalista ministrou oficina sobre meios de comunicação

Ministrada na tarde da última quarta-feira, no Centro Vocacional Tecnológico (CVT), em Crato, a oficina "Como desenvolver um jornal e programa de rádio, direcionado à crianças e adolescentes", dentro das ações direcionadas à conquista do selo Unicef para o município do Crato. A oficina foi ministrada pela jornalista Elizangela Santos, repórter do jornal Diário do Nordeste. Cerca de 40 professores do ensino fundamental, da rede municipal de ensino, participaram do evento, promovido por meio da Secretaria de Educação do Município cratense.

As próprias crianças e adolescentes serão capacitados e orientados pelos professores para desenvolverem projetos voltados para o desenvolvimento comunicacional dos grupos, a partir do seu próprio ambiente de vivência. Temas como meio ambiente, situação da criança na sociedade, entre outros aspectos deverão ser ressaltados pelos alunos. Um dos principais pontos questionados pelos professores é de que maneira os alunos poderão desenvolver em sala de aula as temáticas e criarem os seus próprios meios de comunicação. Para isso, a jornalista se prontificou em acompanhar o desenvolvimento de atividades nas escolas, tirando dúvidas dos alunos e docentes.

Elizangela ainda destacou a importância do aprendizado da comunicação nas escolas, como forma do aluno vivenciar a produção e execução da notícia. Ser, na verdade, o protagonista desse universo criativo e observar a partir de que critérios se pode desenvolver uma visão crítica em relação aos meios de comunicação. "É uma oportunidade de vivenciarem mais intensamente o seu próprio ambiente e saber que dali poderão construir um novo mundo, com uma percepção criativa e ampliada, a partir de aspectos mais positivos", completa.

Aurora vai realizar V Seminário Regional do Selo Verde

A cidade de Aurora vai sediar próximo dia 30 de abril o V Seminário Regional do Selo Verde – 2008, numa promoção da Prefeitura Municipal.

O evento acontece às 8 h da manhã no auditório Marcolino Lyra, no Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) no centro da cidade. Várias cidades da microrregião do Cariri Oriental se farão presentes, conforme informou o coordenador do Departamento Municipal de Meiio Ambiente de Aurora Hélio Lobo. "Será um momento em que os municípios circunvizinhos mostrarão suas experiências exitosas voltadas para a defesa do meio ambiente dentro do programa Selo Verde", expressou o coordenador.

Representantes da sociedade civil organizada, formadores de opinião, ativistas ambientais, autoridades municipais, educadores, estudantes e lideranças comunitárias estão sendo convidados. O debate sobre a situação do Rio Salgado também fará parte da pauta.

Cultura no SESC




Vale a pena conferir mais uma atração do SESC.

Geoparks - Ceará quer sediar conferência (matéria publicada no "Diário do Nordeste" - 25-04-2008)


Ser sede da 4ª Conferência Internacional de Geoparks, em 2010, é um dos objetivos do governo do Estado



Fortaleza. O governo do Estado do Ceará está apresentando à Unesco sua candidatura para sediar a 4ª Conferência Internacional de Geoparks, a ser realizada em 2010. A Conferência Internacional de Geoparks é um importante evento científico organizado de dois em dois anos pela Rede Global de Geoparks.No Ceará está situado o Geopark Araripe, que é o único geopark reconhecido pela Unesco nas Américas e também no Hemisfério Sul.

A propositura a ser apresentada a Unesco está sendo elaborada por um grupo de trabalho coordenado pela Secretaria das Cidades, que também conta com representantes das secretarias da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), do Turismo (Setur), da Universidade Regional do Cariri (Urca), do Geopark Araripe e da consultora do Banco Mundial, Mônica Amorim.

A escolha da sede da 4ª Conferência será realizada durante a 3ª Conferência Internacional de Geoparks, que será em junho deste ano em Osnabruck, na Alemanha. Na oportunidade, o Estado também estará participando da 1ª Feira Mundial de Geoparks, com um stand do Geopark Araripe.

De acordo com o secretário das Cidades, Joaquim Cartaxo, a realização da Conferência Internacional de Geopark garantiria ao Estado um reconhecimento internacional das ações relacionadas à preservação patrimonial, educação científica, meio-ambiente, e desenvolvimento/turismo sustentável. Além disso, segundo ele, a realização do evento está em sintonia com a estratégia de desenvolvimento regional do Governo do Estado. “A Secretaria das Cidades está à frente de um projeto de desenvolvimento regional para o Cariri chamado Cidades do Ceará I, no qual será fortalecido o segmento do turismo como uma atividade essencial para o dinamismo da economia local. E o Geopark Araripe é um destes importantes espaços geradores de turismo para o Cariri”.
De acordo com Joaquim Cartaxo, serão investidos no projeto Cidades do Ceará, mais de US$ 60 milhões, dos quais 70% serão financiados junto ao Banco Mundial.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

CCBNB vai apresentar documentário sobre Celso Furtado




Os Centros Culturais Banco do Nordeste (Fortaleza; Cariri, em Juazeiro do Norte, região sul do Ceará; e Sousa, no alto sertão paraibano) exibem nesta semana o documentário "O Longo Amanhecer - Cinebiografia de Celso Furtado", de José Mariani. Após as exibições do filme nos três Centros Culturais BNB, haverá debate com a participação do diretor do filme.

A programação da série de exibições do documentário sobre Celso Furtado é a seguinte: no CCBNB-Sousa (rua Cel. José Gomes de Sá, 7 - Centro - fone: (83) 3522.2980), na próxima quinta-feira, 24, às 18h30; no CCBNB-Cariri (rua São Pedro, 337 - Centro - fone: (88) 3512.2855), em Juazeiro do Norte, na sexta-feira, 25, também às 18h30; e no CCBNB-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 - Centro - fone: (85) 3464.3108), no sábado, 26, às 10h30.

Em Sousa, o debate com o diretor José Mariani após a exibição será coordenado pelo gerente do CCBNB-Sousa, Ricardo Pinto, em Juazeiro do Norte pelo gerente do CCBNB-Cariri, Anastácio Braga, e em Fortaleza pelo assessor do Ambiente de Comunicação do BNB, Tibico Brasil.

O documentário de José Mariani traz uma análise da idéias do mais importante economista brasileiro (nascido em Pombal, na Paraíba, em 26 de julho de 1920) e um dos mais destacados intelectuais do País ao longo do século XX e de sua participação em diversos projetos desenvolvidos no Brasil a partir da década de 1940. Através de depoimentos de intelectuais e de imagens de época, é formado um panorama da história recente do Brasil. A produção do documentário de 73 minutos teve o patrocínio do Banco do Nordeste.

Em entrevista realizada com o economista quatro semanas antes de sua morte (em 20 de novembro de 2004, no Rio de Janeiro), e mais 17 depoimentos de personalidades comentando sua vida e obra, o filme registra momentos marcantes da trajetória de Celso Furtado, como: a formação em Direito no Rio de Janeiro, no final dos anos 1940; sua experiência na Segunda Guerra Mundial; os anos em Paris como estudante do doutorado em Economia; a temporada no Chile, onde ajudou a fundar a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, pelo Conselho Econômico e Social das Nações Unidas); o período em que escreveu, na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, o livro "Formação Econômica do Brasil", clássico da historiografia econômica brasileira.

Sua trajetória registrada no documentário prossegue com o retorno ao Brasil, mostrando a sua participação na criação da Sudene em 1959, no governo Juscelino Kubitschek; a experiência como primeiro ministro do Planejamento do Brasil, no governo João Goulart, em 1962, e como ministro da Cultura, no governo José Sarney (1986); o exílio no Chile, depois nos EUA (onde foi pesquisador da Universidade de Yale) e posteriormente na França (onde ensinou Desenvolvimento Econômico na Universidade de Paris-Sorbonne durante 20 anos); e a sua eleição como imortal na Academia Brasileira de Letras, em 1997.

Maria do Carmo & Maria de Araújo


Chega-nos a notícia de que Maria do Carmo Pagan Forti está de volta ao Brasil, depois de mais de mais de dois anos residindo em Portugal, cursando doutorado na Universidade de Braga. Aqui, ela redigirá sua tese para posterior apresentação na velha Braga lusa...

Maria do Carmo é uma psicóloga paulista que veio ao Cariri fazer pesquisas sobre o tema da religiosidade popular e se apaixonou por nossa região. Tanto que largou tudo em São Paulo - onde tinha bom emprego e onde reside seus familiares - e fixou residência em Juazeiro do Norte. Na Terra da Mãe de Deus, Maria do Carmo passou a lecionar na Faculdade Leão Sampaio e FMJ-Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte. Mas seu grande interesse foi sempre pesquisar sobre Maria de Araújo, a protagonista do fênomeno da hóstia que se transformava em sangue...

Aliás, de uns tempos para cá, Maria de Araújo tem despertado a atenção de historiadores e pesquisadores. Sua vida já foi tema de vários trabalhos acadêmicos. A própria Maria do Carmo fez sua monografia de mestrado sobre essa Beata. A monografia foi publicada com o título: Maria do Juazeiro, a Beata do Milagre. Nunca se falou tanto, como agora, dessa Beata, negra e analfabeta, que durante um século viu sua memória foi recolhida às sombras. A exceção foi o escrito do Padre Antônio Gomes de Araújo, com o título de "O Apostolado do Embuste".

Ultimamente, Maria de Araújo não tem sido mais chamada de embusteira. Na visão de Maria do Carmo Pagan Forti: “ela não foi uma embusteira e não se pode reduzir a sua figura aos fenômenos acontecidos com ela, chamando-a de alienada, de alguém fora da realidade, de um símbolo de atraso cultural e ignorância religiosa. Ela foi mística no sentido nobre da palavra, como também foram São Francisco de Assis, Tereza D´Avila, João da Cruz, os grandes místicos europeus”.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

14 de Abril - Dia doO Bom Pastor

Depois de Jesus ter proclamado que Ele é a porta por onde passam as ovelhas, agora vemo-l’O afirmar:
“Eu sou o bom pastor. Assim como o Pai me conhece, e eu conheço o Pai, assim também conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem. E estou pronto para morrer por elas. Tenho outras ovelhas que não estão neste curral. Eu preciso trazer essas também, e elas ouvirão a minha voz. Então elas se tornarão um só rebanho com um só pastor".



SESC CRATO VAI HOMENAGEAR CHORO E PIXINGUINHA






O SESC Crato realiza show musical com João Nicodemos, Jair Santos e Aécio Diniz, instrumentistas que buscam inspiração na música brasileira para desenvolver seus talentos. Neste trabalho, vem apresentar uma coletânea de grandes sucessos do choro, numa homenagem aos choristas e ao público que cultiva o bom gosto musical. Trata-se também uma comemoração alusiva ao Dia Nacional do Choro, 23 de Abril, que é a data de nascimento de Alfredo da Rocha Viana, o Pixinguinha, um dos seus maiores criadores.

João Nicodemos é um artista que se utiliza de diversas linguagens para dar forma e expressão à sua poética. Tem participado ativamente da vida cultural do Cariri há muitos anos fazendo shows musicais, criando trilhas para teatro, publicando poemas e atuando em vários eventos artísticos e culturais.

O show "Chorinhos e Afins" e a Performance Poética "Livro das perguntas" acontece no SESC Crato no dia 24 de Abril quinta-feira as 19h
entrada franca

fot: ordiecole.com.br

Salve o CaririAgora!

Esta é a minha primeira postagem no CaririAgora!, que não poderia trazer outra mensagem que não fosse de congratulações e alegria.

Parabéns, à beleza da página, aliada (por princípios implícitos), de serenidade de espírito, respeito pelo pensamento alheio, bom gosto nos estilos; enfim, de todo um diferencial que cativa na primeira navegada.

Contente, por tudo isso dito acima, e mais ainda por ter sido convidado (Armando diria convocado) a participar deste novo espaço da blogsfera caririense (como afirma Dihelson).

Em homenagem ao estilo caririagoriano, optarei por temas leves, proativos, mas sem sofisma ou fantasia (como sempre diz Vicelmo).

A todos os autores de CaririAgora!, e seus leitores também, aquele abraço! (como canta Gilberto Gil).

E o sertão virou um mar de emoções

II Mostra Brasileira de Música Antiga, no Araripe, desperta todos os sentidos

Do som do violino à curiosa execução da viela de roda húngara, da simpatia do público local ao esforço da organização para que tudo desse certo, a II Mostra Brasileira de Música Antiga, realizada de 16 a 20 de abril, no Araripe, despertou em seus visitantes mais do que a sensibilidade de quem tem ouvidos para o erudito: o evento mexeu com todos os sentidos.

Araripe, município com pouco mais de 20 mil habitantes, recebeu artistas de vários cantos do mundo. Teve o argentino Pablo Lerner que saiu lá da Hungria – onde mora atualmente, Marília Vargas e Silvana Scarinci, brasileiras com carreiras internacionais na Europa e nos Estados Unidos, e a dupla Kristina Augustin e Mário Orlando, que exibem currículo semelhante. Além deles, o mago e mágico Hermeto Pascoal que, com sua companheira Aline Morena mexeram com as emoções de crianças de 8 meses a 88 anos.

Dos grupos que passaram pela cidade ainda vale destacar as excelentes performances do Trio Sonare e do Duo Spes, do Distrito Federal; do Cantus Firmus, de Florianópolis, e dos paulistanos Zabaione Musicale e Saga Barroca. O evento contou ainda com os anfitriões do Cariri, a Orquestra Filarmônica Chapada do Araripe, composta por crianças que freqüentam os cursos do Instituto Atos – promotor do evento; e a Orquestra de Rabecas Cego Oliveira.

A proposta da mostra foi unir o erudito com o cancioneiro regional e, para esta parte da programação, as atrações Meninos de Ouro, Fábio Carneirinho, Night Life, Forró Tapera, Geraldo Junior, Forró do Caritó, Zabumbeiros Cariris, Herdeiros do Rei e o inigualável Sebastião Tapajós fizeram o público arrastar os pés até a madrugada.

Tato

A velha máxima pode ser batida, mas todo o artista tem de ir onde o povo está. E mais, tem de deixar tocá-lo, senti-lo, provar que é real e humano. Pablo Lerner, o argentino radicado na Hungria, ficou tão, mas tão apaixonado por Araripe que decretou: “vou ficar mais tempo por aqui. Quero dar aulas para divulgar o meu instrumento entre os estudantes do Instituto Atos e aprender mais sobre a música nordestina, a minha grande paixão”. Pablo, depois de quatro dias em Araripe, circula com desenvoltura e ainda está um pouco deslumbrado com o assédio do público. “Eu nunca fui famoso em outro canto do mundo, aqui todos querem me abraçar, tocar, tirar fotos comigo”, disse, todo animado.

Carinhoso e atencioso com o público, Hermeto Pascoal deu um show de simpatia. Apesar de ter vôo marcado para quatro horas após sua performance (de Araripe ao aeroporto de Juazeiro do Norte são quase 3 horas de viagem), ele e Aline Morena não arredaram o pé da Igreja Matriz (palco das apresentações) até atender o último fã. Distribuíram CDs, instrumentos inusitados, brinquedos que compõem suas ferramentas de execução e, quando já não tinham mais o que dar aos fãs, Aline tirou os próprios brincos e Hermeto, fios de sua longa e branca barba. Inclusive, de tanto que o povo queria vê-lo e abraçá-lo e de tantas coisas que distribuiu, alguns baixinhos com menos de dois anos, sem entender nada, acabaram disparando: “ É o Papai Noel!”.

Visão

Enquanto os ouvidos ficavam atentos às execuções que são bálsamo para a alma, os olhos podiam percorrer pelo interior da Igreja Matriz e ali perceber a beleza da arte sacra que, nas noites das apresentações, dividiu a veneração com e os abençoados músicos.

Gente simples se amontoava na igreja e, estupefata, ouvia quase que como um louvor os acordes da música antiga. “Essa música foi a coisa mais bonita que vi na vida. Estou emocionado”, disse, lacrimejando, José Arruda de Sousa, um agricultor de 73 anos, que sobrevive de sua pequena plantação, após ver a exibição de Marília Vargas e Silvana Scarinci.

Senhor José é apenas um exemplo de tantos outros moradores de Araripe e região que, em sua humildade, formaram uma platéia muito elogiada pelos artistas que se apresentaram. Silenciosa, educada, respeitadora, repleta de adultos e crianças que contemplaram o evento aplaudindo cada apresentação com os olhos.

Olfato

Araripe amanhece com o cheiro de terra molhada e, ao anoitecer, o aroma da vegetação invade a música. Claro que o cheiro do jantar, sendo preparado em várias casas, também tem seu espaço nesta cidade de ar limpo e puro.

Os músicos, jornalistas e convidados de fora que vieram para o Cariri foram unânimes em uma afirmação: não imaginavam que o sertão era tão verde. Pois é assim o Cariri em abril, mês reservado para todas as edições da Mostra Brasileira de Música Antiga. De acordo com Elisando Carvalho, idealizador e promotor do evento e presidente do Instituto Atos, abril é o mês ideal, pois oferece um clima agradável, com calor durante o dia e um friozinho bom de dormir à noite. “Sem contar que não concorremos com outros grandes festivais. É um mês muito feliz para nós”, disse o multimídia do Araripe.

Elisandro mal encerrou a segunda edição da mostra e já fareja as oportunidades para a terceira edição. “Teremos mais intervenções na cidade, muito mais atividades e atrações”, revelou ele, que conseguiu realizar o evento deste ano graças aos patrocinadores Fundo Nacional de Cultura (FNC), Governo do Estado do Ceará e Instituto Atos, como realizador do projeto. Os apoiadores deste ano foram: Funcap (Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico); Coelce (Companhia Energética do Estado do Ceará) e Banco do Nordeste, com um agradecimento especial ao pároco da cidade, padre Raimundo Araújo Silva.

O evento teve uma boa repercussão na mídia, pois jornalistas que também farejam notícias saíram das capitais de Rio de Janeiro e de São Paulo para conhecer o Cariri, o que rendeu exposição nacional, reforçada com a mídia local.

Paladar

O cafezinho da dona Antônia, do Instituto Atos, e as tentadoras refeições de Dona Anália, proprietária do modesto restaurante que serviu almoços e jantares às centenas de pessoas que trabalharam no evento, conquistaram o paladar de todos. A II Mostra Brasileira de Música Antiga comprova que a música é o alimento da alma, tanto quanto o pão é para o corpo.
Ao sabor da música, de altíssima qualidade, a II Mostra Brasileira de Música Antiga, que acabou no dia 20 de abril, deixou em todos que viram, sentiram, ouviram, provaram e cheiraram, um irresistível gostinho de “quero mais”.

Criação e Criatura

A Mostra Brasileira de Música Antiga é o único evento do Brasil a unir artistas de expressão internacional, pesquisadores da música erudita, do Renascimento e Barroco, com cancioneiros regionais. E tudo nasceu da vontade de um idealizador: Elisandro Carvalho, presidente do Instituto Atos.

Nascido em Araripe, interior do Ceará, Carvalho tem 30 anos, é poeta, ator e diretor de teatro. Ex-secretário municipal de Cultura, Desportos e Turismo de Araripe/CE; ex-técnico de Cultura do Sesc Juazeiro do Norte/CE, onde criou o Projeto Aprendendo a Olhar a Liberdade, primeira ação sistemática intra-muros do Sesc no país voltada para a comunidade carcerária.

Prestou serviços como produtor e sonoplasta para o Projeto Palco Giratório do Sesc Nacional em 2003. Atuou como consultor em criação e gerenciamento de Ongs, quando criou e presidiu diversas entidades sociais: Associação dos Ambientalistas, Condutores e Guias de Turismo do Cariri (Aconguia); Instituto Atos; Conselho Municipal de Assistência Social de Araripe/CE; Núcleo de Informação, Educação e Comunicação (IEC) da Secretaria Municipal de Saúde - Araripe/Ce; Associação de Teatro de Araripe (nela, criou a Orquestra de Música Instrumental de Araripe, composta atualmente por 18 músicos); União dos Estudantes Secundaristas e Universitários de Araripe (Unesua).

É coordenador representativo e secretário do Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável (CMDS) de Araripe/CE e representante do Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável (CMDS) de Araripe no Conselho Regional de Desenvolvimento Sustentável em Fortaleza/CE. Atua como delegado Estadual de Cultura para o período 2006-2008, representando o Estado do Ceará, na I Conferência Nacional de Cultura ocorrida em 2006.


Mais informações:
Elenita Fogaça Comunicações - (11) 3141-1212 e (11) 9114-6289.
elenitafogaca@uol.com.br
Márcia Vaisman
vm.marcia@gmail.com
Elisandro Carvalho – presidente do Instituto Atos e idealizador da mostra - (88) 9616-0567 / 3511-4084 / 3530-1303





terça-feira, 22 de abril de 2008

Igreja-Matriz de N.Sra.das Dores - de Juazeiro do Norte - foi elevada a Basílica Menor


O Papa Bento XVI – atendendo ao pedido do bispo de Crato, dom Fernando Panico – elevou à condição de Basílica Menor a igreja-matriz de Nossa Senhora das Dores, de Juazeiro do Norte.

Basílica menor é um título honorífico concedido pelo Papa a igrejas de diversos países do mundo consideradas importantes por diversos motivos tais como: veneração que lhe devotam os cristãos, transcendência histórica e beleza artística de sua arquitetura e decoração.

Entre os argumentos apresentados por dom Fernando Panico, junto ao Vaticano, para obtenção do título de Basílica Menor para a igreja caririense está o fato de Juazeiro do Norte se constituir num dos maiores centros de romaria da América Latina. Essas romarias são motivadas pela herança espiritual do Padre Cícero Romão Batista, constituindo-se em notícias periódicas nas principais redes de televisão, além de matérias divulgadas pelos principais jornais e revistas do Brasil. Cerca de dois milhões de fiéis visitam anualmente a cidade de Juazeiro do Norte.


Ressalte-se que foi no interior da ainda capela de Nossa Senhora das Dores que, em 1º de março de 1889, ocorreu o fenômeno do sangramento da hóstia dada em comunhão à Beata Maria de Araújo. A partir desse episódio, o fenômeno foi propagado em todo o Nordeste, não mais cessando as romarias para Juazeiro do Norte.



História da nova Basílica Menor



A nova Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte teve origem com a construção, pelo Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, de uma humilde capelinha cuja pedra fundamental foi lançada em 15 de setembro de 1827. À época, a atual e pujante cidade de Juazeiro do Norte não passava de uma fazenda, situada no município de Crato, propriedade do citado Brigadeiro, denominada de Fazenda Taboleiro Grande. A propósito, a escritora Amália Xavier de Oliveira, no livro de sua autoria, O Padre Cícero que eu conheci, esclareceu o que motivou a construção dessa capela:



"Ordenara-se Sacerdote o Pe. Pedro Ribeiro de Carvalho, neto do Brigadeiro, porque filho de sua primogênita, Luiza Bezerra de Menezes, e de seu primeiro marido, o Sargento-mor Sebastião de Carvalho de Andrade, natural de Pernambuco. Para que o padre pudesse celebrar diariamente, sem lhe ser necessário ir a Crato, Barbalha ou Missão Velha, a família combinou com o novel sacerdote a ereção de uma capelinha, no ponto principal da Fazenda, perto da casa já existente". (OLIVEIRA, 1981:33-34).




"A Capela foi consagrada a Nossa Senhora das Dores, cuja imagem foi trazida de Portugal”. (id.: 35).

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Livro faz reflexão sobre imperialismo



Dentro da Programação da Mostra desUSA de Artes Visuais, o CEBRAPAZ lançará publicação na URCA, no próximo dia 25 de abril. Com 68 páginas, o livro “O antiimperialismo - caminho para a libertação dos povos” traz uma coletânea de textos atuais relacionados às grandes lutas pela paz e contra as guerras imperialistas.

Escrito em linguagem direta, os textos de José Reinaldo Carvalho, diretor de comunicações do Cebrapaz, constituem “uma peça fundamental à análise aguda da conjuntura internacional, com seus traços de instabilidade, crise e insegurança emanados dos desequilíbrios estruturais e sistêmicos do capitalismo e da política belicista e tirânica do imperialismo estadunidense”, conforme consta na própria apresentação do livrete.

A publicação traz quatro artigos. O primeiro ensaio, Derrotar o imperialismo, por um mundo de paz, foi preparado especialmente para o seminário Capitalismo contemporâneo e a nova luta pelo socialismo. Nele, o autor analisa as condições em que foram deflagradas as “guerras preventivas” contra o Afeganistão e o Iraque e os atos agressivos da atual Administração dos EUA no contexto do que se convencionou chamar de “doutrina Bush”, bem como as fragilidades do sistema multilateral e a impotência dos organismos internacionais diante da brutalidade do governo dos EUA e da violação do direito internacional em nome dos interesses da potência imperialista.


Recorrendo a instrumental teórico das teorias sobre relações internacionais, o autor expõe em seu primeiro ensaio as grandes tendências geopolíticas e chama a atenção para a formação de um cenário de conflitos políticos e sociais, no qual se destacam as potencialidades revolucionárias das lutas de caráter antiimperialista que estão em curso no mundo.


Esta edição traz também o artigo Comemorar Outubro preparando a nova Primavera dos Povos, apresentado por José Reinaldo durante a conferência de celebrações do 90º aniversário da Revolução Socialista Soviética, realizada em Minsk, Belarus, no dia 7 de novembro de 2007. Neste artigo, o autor tira algumas lições do que considera ter sido “o mais importante acontecimento da história mundial até o momento”.

Ainda inédito no Brasil e originalmente publicado na revista Contexto Latino-americano (Cuba, 2007), consta do livrete o ensaio A defesa da soberania e do desenvolvimento na política externa de Lula, que justifica o apoio a essa política desde a ótica da esquerda e do movimento popular.

A publicação traz ainda o artigo Internacionalismo e Patriotismo, em que o autor demonstra a vocação internacionalista da esquerda brasileira, que se concretiza através do exercício da solidariedade com todos os povos e se entrelaça com as grandes lutas nacionais, pela soberania do país, o aprofundamento da democracia e o progresso social.

Ao prosseguir na edição da coleção Solidariedade e Paz o Cebrapaz dá sua modesta contribuição para a luta de idéias e para firmar em nosso país a cultura da luta antiimperialista, da solidariedade internacional e da paz.

Para adquirir o livro, que custa apenas R$ 5,00, entre em contato conosco através do e-mail cebrapaz@uol.com.br ou pelo telefone (11) 3266-5805.

Chuvas comprometem acervo em museu (matéria do "Diário do Nordeste")

Na edição deste 21 de abril, o "Diário do Nordeste" alerta para os estragos que vêm sendo feitos em valiosas peças do Museu Vicente Leite, mantido pela Prefeitura de Crato. A matéria afirma que quadros da pintora Sinha D'Amora estariam entre as obras ameaçadas. Cabe a comunidade cratense encetar urgente campanha para salvar um dos ícones da cultura caririense. o blog Cariri Agora cumpre sua parte, divulgando a reportagem feita pelo repórter Antônio Vicelmo.
Uma das salas do Museu Vicente Leite, em Crato. (foto de Antônio Vicelmo)

Um trecho da reportagem:

"O Museu de Arte Vicente Leite, instalado num prédio antigo da Casa da Câmara deste município, na Praça da Sé, onde já funcionaram a Prefeitura Municipal e a Cadeia Pública, vem sendo danificado ao longo dos anos. Este ano, com as fortes chuvas, as goteiras estão destruindo o seu rico acervo formado por mais de 225 peças, entre as quais, quadros de Sinhá D’Amora e Bruno Pedrosa e da escultora Celina Vaccani, fundadores do museu.“Pelo menos, 15 quadros precisam ser restaurados.
Outros estão necessitando de molduras”, admite a coordenadora do Museu, Rosana Xenofonte".

Missa volta a ser celebrada em latim (matéria publicada no "Diário do Nordeste")




Diário do Nordeste - Fortaleza-Ceará, 21 de abril de 2008


SÃO JOÃO DO TAUAPE
Missa em latim atrai fiéis aos domingos


Manter a tradição: padre celebra a Missa Tridentina de costas para os fiéis de várias paróquias


“Glória tibi, domine” — glória a ti, Senhor — entoa o padre Samuel Brandão durante a missa das 11 horas, celebrada na Igreja São João do Tauape. A cerimônia é rezada em latim desde novembro do ano passado e vem atraindo fiéis de várias paróquias a cada domingo.

De acordo com o padre, a decisão de voltar a celebrar em latim, abolida depois das reformas do Concílio que durou de 1962 a 1965, foi em atenção a um grupo de 100 católicos da paróquia que deseja manter a tradição. “Ela é chamada de Missa Tridentina em alusão ao Concílio de Trento, realizado no século XVI”, explica ele.

A reabilitação da cerimônia foi feita pelo papa Bento XVI, em julho do ano passado.A Missa Tridentina tem palavras em grego também. Nela, o padre fica de costas para os fiéis. Sua rigidez não deixa margem para personalização.Mesmo celebrada em latim, os fiéis não perdem uma palavra do sacerdote. “Não tem como nos confundirmos”, afirma a dona-de-casa, Daíse Menezes. Ela conta que não perde uma missa porque gosta de acompanhar.